terça-feira, 6 de março de 2012

Tarsila, percurso afetivo - dica de exposição no CCBB

Wells, dear Autorizados, tomo a liberdade de invadir o dia de postagem alheio (#caradepaumodeonnomaximo) para começar a fazer a fazer algo que já prometi ao Lohan faz tempo... Hum, não é isso que vocês estão pensando, mentes repletas de luxúria, mas, sim, falar um pouco de atividades culturais interessantes que acontecem por aí.

Pra começarmos bem a semana, a dica da vez é a exposição que está acontecendo no CCBB- Rio: Tarsila, percurso afetivo.

Além de ser uma artista fantástica, Tarsila teve uma vida bastante interessante e a mostra privilegia esse aspecto. Com essa exposição, não só temos contato com a artista, mas podemos experimentar uma proximidade com a sua vida pessoal, a inspiração da curadoria, inclusive, foi o diário de viagens de Tarsila com o marido, Oswald de Andrade, e reúne objetos pessoais entre 82 obras, pinturas, desenhos e gravuras.

 Exposição Tarsila, percurso afetivo
CCBB Rio:
Rua Primeiro de Março, 66 - Centro Rio de Janeiro - RJ, 20010-000
(0xx)21 3808-2020

 

Para celebrar essa exposição, compartilho com vocês Autorizados S/A um post que fiz em meu blog pessoal por ocasião do aniversário da Tarsila.

Beijocas e bom evento para todos!

 
     Tarsila do Amaral nasceu em 1 de setembro de 1886, em Capivari, interior de São Paulo. Filha do fazendeiro José Estanislau do Amaral e de Lydia Dias de Aguiar do Amaral, passou a infância em um dos ambientes mais gostosos que existem, uma fazenda! Estudou no Colégio Sion e depois em Barcelona, lugar que a inspirou a fazer seu primeiro quadro, 'Sagrado Coração de Jesus', 1904.


Tarsila, além de talentosíssima, era linda!

De volta ao Brasil, casou-se com André Teixeira Pinto, com quem teve a única filha, Dulce. O romance parece não ter dado tão certo, pois, além de pouquíssimas informações sobre o casal, eles separaram-se poucos anos depois, assim que ela iniciou os estudos que mudariam sua vida pra sempre e: os estudos em Arte!!

Anita, à esquerda, e Tarsila! Amo o fato das duas serem tão estilosas!

Nossa aniversariante começou seus trabalhos se aventurando pela escultura, com Zadig -não o Zadig do Voltaira e muito menos a grife (maravilhosa) Zadig & Voltaire, sua fútil (!), mas o artista sueco William Zadig, que criou aquela escultura liiiinda, o Beijo Eterno.


Mais tarde, Tarsila passou a ter aulas de desenho e pintura no ateliê de Pedro Alexandrino onde conheceu uma de suas grandes amigas, a poderosa Anita Malfatti.


Aliás, Tarsila nem estava presente na semana propriamente dita, pois estava estudando em Paris (é pra quem pode, tá?), mas estava por dentro do movimento todo por conta de cartas que trocava com a amiga Anita.


De tudo ao meu amor serei atento...
Quando voltou ao Brasil, Anita a introduziu no grupo modernista e Tarsila começou a namorar o escritor Oswald de Andrade, o namoro mais conhecido da arte brasileira! Os amigos formaram o grupo dos cinco: Tarsila, Anita, Oswald, o também escritor Mário de Andrade e Menotti Del Picchia. Promoveram agitos culturais inesquecíveis em São Paulo.
Deve ter sido uma época simplesmente fascinante... Wood Allen, 'bóra' fazer um "Meia-Noite em São Paulo"?

1923 foi um ano especial para a nossa musa. Tarsila encontrava-se em Paris acompanhada do seu namorado Oswald. Conheceram o poeta franco suíço Blaise Cendrars, que apresentou toda a intelectualidade parisiense para eles. Foi então que ela estudou com o mestre cubista Fernand Léger (meu Deus, não dava pra deixar de ser maravilhosa com um mestre desses, não?) e pintou em seu ateliê, a tela 'A Negra'.

A Negra

Com esta tela, Tarsila entrou definitivamente para a história da arte moderna brasileira. A artista estudou também com Lhote e Gleizes (amo os dois!), outros mestres cubistas. Cendrars também apresentou a Tarsila pintores como Picasso (pode isso, meu povo?), escultores como Brancusi, músicos como Stravinsky e Eric Satie, meu Deus, que vida fantástica!!! Como era muito agradável, um verdadeiro doce de pessoa, Tarsila ficou amiga dos brasileiros que estavam na Europa nessa época, como o compositor Villa Lobos, o pintor Di Cavalcanti (amo, amo, euamo x infinito).

Eu e minha amiga Elisane, no Belas, aqui no Rio, em frente a uma obra do nosso
amado Di!!!

Tarsila oferecia almoços bem brasileiros em seu ateliê, servindo feijoada e caipirinha. E, claro, depois de mostrar que mandava muito bem nas panelas e nos drinks também, era convidada para tudo quanto era jantar na casa de personalidades da época, como o milionário Rolf de Maré.
Além de linda, vestia-se com os melhores costureiros da época, como Poiret e Patou. Vcs leram? Patou, o Jean Patou, pra quem não conhece esse francês que sabia absolutamente TUDO de modelagem, ele era uma espécie de Marc Jacobs da Época, pode? Em uma homenagem a Santos Dumont, usou uma capa vermelha que foi eternizada por ela no auto-retrato 'Manteau Rouge', de 1923. 

A famosa pitura de Tarsila com o manto vermelho (infinitamente chique)
Foto feita por mim mesma, no Belas, aqu no Rio


Em 1926, Tarsila fez sua primeira Exposição individual em Paris, com uma crítica bem favorável. Neste mesmo ano, ela casou-se com Oswald de Andrade. Love. Então, em janeiro de 1928, Tarsila queria dar um presente de aniversário especial ao seu marido. Pintou o 'Abaporu'. Quando Oswald viu, ficou impressionado e disse que era o melhor quadro que Tarsila já havia feito. Batizou-se o quadro de Abaporu, que significa homem que come carne humana, o antropófago. Oswald escreveu o Manifesto Antropófago e fundaram o Movimento Antropofágico. A figura do Abaporu simbolizou o Movimento que queria deglutir, engolir, a cultura européia, que era a cultura vigente na época, e transformá-la em algo bem brasileiro!!!

Abaporu

O ano de 1929 foi nada bom... Com a crise da bolsa de Nova Iorque e a crise do café no Brasil, a realidade de Tarsila mudou. Seu pai perdeu muito dinheiro, teve as fazendas hipotecadas e ela teve que trabalhar. Separou-se de Oswald.
Tarsila participou da I Bienal de São Paulo em 1951, teve sala especial na VII Bienal de São Paulo, e participou da Bienal de Veneza em 1964. Em 1969, a mestra em história da arte e curadora Aracy Amaral realizou a Exposição, 'Tarsila 50 anos de pintura'. Sua filha faleceu antes dela, em 1966.

Tarsila nos deixou em janeiro de 1973.

Wells, essa foi a singela homenagem a essa mulher maravilha da arte brasileita.
Obrigada, Tarsila.

quinta-feira, 1 de março de 2012

O desabrochar de uma flor lilás
lembranças de tempos atrás
revejo uma menina que corria sem pressa 
pés descalços, cabelos perfumados ao vento
olhos vivos despreocupados com o  tempo
um sorriso que iluminava o mundo
carecia de nada, tinha tudo:
o sol, o vento, o mar
tudo o que alguém pode precisar.
por onde essa menina andará?
será que ela teve um triste fim?
ela está lá dentro, escondida
perdida dentro de mim...



Liliane

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Baú de memórias

Sonhos sensíveis
Ilusões invencíveis
No barco da história
Reminiscências da memória
Os tempos de infância
Doces e tristes lembranças
Cheiros guardados na mente
Gostos e desejos prementes
O calor do colo materno
O afastamento paterno
As casas que já morei
Os traumas que enterrei
As feridas que cicatrizaram
Os legados que me deixaram
Os amores que deixei para trás
Remorsos dos quais nem lembro mais
Tudo isso está lá no fundo
Costurando meu mundo
No meu baú de memórias
Retalhos da minha história...

Liliane Balonecker


Purgatório



O sol penetrou pelas esquadrias alumínicas da sala de espera e sorrateiro tocou a pele da menina. Talvez por estranheza ou despreparo ela mexeu-se, incomoda, abafava-se no calor da sala de espera.
Em dicotômica espera, a esperar para eliminar, era preciso eliminar a possibilidade de esperar e para isso há que desenvolver uma paciência halterofilística...
Em pé na calçada, fumando uma hora de espera, e ele demorava, talvez nem viesse, quem dera ele nem existisse, talvez...
Ele era impaciente, de carinhos telegráficos, frases de telegrama, a barba arranahva o pescoço, ele afoito em cima a arfar pesado, mãos grandes e fortes, ela ficava segura e violentada em seus braços, ele a tinha toda, possuía-a rápido como tivesse medo de morrer antes do fim.
Entrou no consultório, deitou-se exame, sangue e urina... esperou três dias por um resultado... positivo... positivo... pensou em tirar, pensou em pensar.
Esperou a cabeça para de rodar, esperou o corpo arredondar, esperou o tempo passar.
As dores vieram dilatadas, deixaram passar e foram-se...
Esperou mamar, esperou que todos saíssem, esperou a queda livre terminar... não esperou muito pela escuridão.
Sobre a mesa, só, um bilhete esperava alguém chegar:
"Pai, cuide, o melhor que puder, do nosso filho...
Um beijo
Tua filha"

Paulo Acacio Ramos - PT

"diálogo pertinente"









(por Dante E Paulo Acacio Ramos)




... e disse o cego demilinguido ao seu guia desnutrido:

_ a vida é um tanto ou quanto turva, porém a vejo com clareza.

o menino pensou: louco. e disse:

_ reaja, reaja, anarquize , trame, transe... partilhe a sua visão do inferno.

o cego respondeu perguntando:

_ e você?






1983/2012

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Oscar 2012 e os livros voadores

A cerimônia mais badalada do cinema mundial bate à porta, ou melhor, vem surgindo às telas das nossas queridas tv's e pc's (para os fissurados que assistem on line). É o Oscar, todo mundo sabe. Logo estaremos ouvindo os and Oscar goes to, seguidos daquele habitual suspense, e, por fim, os resultados tão aguardados pelo público apaixonado pela sétima arte.

A essa altura, o júri conservador e predominantemente estadunidense já definiu os vencedores. A propósito, as vitórias, em Oscar's, costumam ser bastante contestáveis; mas deixemos para comentar sobre isso após a 84º edição da festa...

Neste post, não vim destacar nenhum dos indicados a melhor filme, ou melhor ator/atriz, tampouco melhor roteiro (embora eu não consiga evitar de demonstrar aqui a minha torcida para "Meia noite em Paris", do Woody Allen, como melhor roteiro original). Gostaria que apreciassem a um dos indicados a melhor curta metragem de animação. Sim, curta de animação. Uma categoria raramente comentada, exceto pelos críticos de plantão, ou pelos mais assíduos pelo gênero cinematográfico supracitado.

Tive a felicidade de encontrar este vídeo disponível na Internet e poder assisti-lo antes da realização do Oscar 2012. Assisti apenas a dois curtas de animação que foram indicados este ano, no entanto, já declaro minha torcida para este: The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore.

Peço aos leitores que, antes de prosseguirem com a leitura, assistam a esta obra-prima. Deixem-se levar pela delicadeza e pelo valor empregado aos personagens especiais (vitais) deste filme que dura apenas 15 minutos.

Assistam ao curta: 


William Joyce, o diretor desta pequena trama, vive em New Orleans, cidade brutalmente atingida pelo furacão Katrina. Segundo ele, foram encontrados um sem-fim de livros levados pela tempestade arrasadora. Livros perdidos, destruídos... Em meio a detritos, lixos. Livros! 'Seres' capazes de transformar vidas em meio a tanta morte.

E foi justamente nesse ponto que Joyce tocou: vida. De toda a destruição, emerge a vida nos livros. Através deles, reconstrói-se toda uma civilização. Reconstrói-se, sobretudo, o interior de um homem desolado. Através dos livros, encontram-se as saídas.

A história ainda contém um toque barthesiano, mostrando a vida própria do livro assim que lhe é dado um ponto final; desgarra-se do autor. Já não existe o autor. A história tem vida própria. Vida que vai de encontro a outras vidas, e assim sucessivamente. Que assim seja. Que os livros resistam ao avanço tecnológico e permaneçam voando e pousando em nossas existências com suas páginas cheias de palavras vivas.

Bom Oscar a todos!
Lohan.