sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Inesquecível experiência na Praça XV

Tinha apenas dezesseis anos e estava muito feliz com aquele seu primeiro trabalho, há tempos que vinha procurando uma ocupação que lhe rendesse um dinheirinho. Morava com a avó e com os tios e se sentia como um peso naquela casa. Vez ou outra escutava que dava muita despesa e que tinha logo de arrumar um emprego e dessa vez, graças a Deus, havia conseguido.

Iria ganhar a princípio um salário mínimo, sem carteira assinada. Seu trabalho era de mensageiro, estava achando ótimo, já fazia planos de em pouco tempo comprar um chevetinho velho para sair por aí, além disso, agora teria dinheiro para ir para praça do bairro onde morava no baixada fluminense gastar uns trocados no trailer que era o “point” da sua turma. Ia no ônibus com aqueles pensamentos na cabeça, era ainda bem cedo e a avenida Brasil estava bem engarrafada, aquele transito “anda e para”, que deixa qualquer um bem enjoado. Com ele não era diferente, tinha saído tão rápido de casa que não deu tempo nem de tomar café. Só no ponto do ônibus que ao sentir fome, lembrou que tinha de comer. Olhou ao redor e só viu um ambulante vendendo salgados com uma aparência não muito boa, em um isopor bem encardido, mas, como não tinha opção , resolveu encarar. Comeu uma coxinha daquelas bem gordurosas e pra melhorar a situação, ainda colocou aquela maionese amarelada em cima. Imagina só que “delícia”. Marcelo se arrependia amargamente de ter comido aquilo, sentia naquele sacolejo todo aquela coxinha se revirar em seu estômago. Estava com muita vergonha de ter que vomitar no ônibus cheio de trabalhadores e resolveu se segurar. Suava frio e contava os segundos para o ônibus chegar ao seu destino, a praça XV.

Finalmente, chegando ao bonito edifício de frente para a baía de Guanabara, já faltavam cinco minutos para o horário em que tinha de pegar no serviço. Suas mãos estavam geladas e sua barriga se remexia como nunca. Sentia vontade de ir ao banheiro, mas não tinha tempo e aquela vontade de vomitar reprimida agora se transformara em uma cólica intestinal insuportável. O pior é que ele tinha de fazer “cara da paisagem”, não podia demonstrar em seu primeiro dia de trabalho que não estava bem. Ao entrar na sala do seu chefe, o contador da empresa, foi recebendo as orientações bem quietinho, não questionava nada, só sentia um fio de suor escorrer pelas suas têmporas, fazia um trabalho de concentração que fazia inveja a monge tibetano. Neste momento, o contador lembra que tinha de levar um importante documento a um cliente em Niterói. Seria este o primeiro serviço de Marcelo, teria de correr, pois já estava atrasado e o melhor a fazer, por já estarem localizados na praça quinze, seria ele ir de barca. E assim o fez, Marcelo pegou sua pasta com os documentos e seguiu rumo à estação das barcas. Só pensava em chegar lá e descobrir onde era o banheiro. Por sorte era perto e logo que comprou seu bilhete viu que tinha dez minutos antes da embarcação sair. Pensou consigo que dez minutos são mais do que suficientes e entrou no banheiro, lembrando sempre de tomar as devidas precauções, pois em banheiro público não se pode encostar e naquele , que era bem apertadinho, ele teve que fazer uma ginástica.

Ficou abaixado, meio que de cócoras, se apoiando com as pernas levemente dobradas e com as mãos apoiadas nas paredes. Mas não foi muito tempo, logo que se posicionou, apontou seu canhão carregadíssimo para o vaso e disparou de uma só vez. Foi uma espécie de peido materializado, aquele negócio saiu que fez até barulho, o pior é que a pressão foi tanta que quando bateu na água, a água bateu na bunda, uma experiência inesquecível e muito desagradável. Mas sentia-se muito melhor, leve, tranqüilo para continuar sua jornada. Mas as coisas sempre podem piorar, quando olhou para o recipiente onde fica o papel higiênico (só olhou depois mesmo), só viu o rolinho de papelão vazio, sem sinal de papel, nem sequer um pedacinho pra contar a história. A situação tava crítica, precisava se limpar e embarcar para Niterói, pois o tempo tava passando. Naquele momento, com as calças arriadas na altura da canela e já ouvindo pessoas querendo utilizar o banheiro, Marcelo se desesperou, pois por recomendação médica devido ao um problema nos testículos não usava cuecas, se sentiu preso, numa situação completamente inusitada e difícil. Mas não adiantava ficar reclamando, precisava de uma solução. Resolveu pegar o rolinho de papelão vazio, pegou, rasgou em pedaço e experimentou... Foi horrível, só serviu para espalhar mais o que já estava sujo. Suas pernas doíam, ele começou a ficar claustrofóbico naquele banheiro pequeno e agora também, graças a ele, muito fedorento. Teve uma idéia, resolveu tirar a carteira e ver se tinha algum papel sem utilidade, que seria super útil naquele momento. Além do pouco dinheiro que tinha, só tinha cartão de telefone, identidade e um requerimento que tinha recebido via fax. Desdobrou aquele papel e pensou: É tu mesmo! E passou lá. Só que o papel era muito fino e não conseguia limpar direito. Ele passou e sentiu que ainda estava sujo, melado, mas teve ainda de dobrar e passar do outro lado. Sentiu que resolvera uns sessenta por cento da situação. Se arrependia muito de não usar cuecas, dava tudo para ter suas cuecas ali e nesse pensamento, lembrou das meias. Bem lembrado! Tirou o sapato novo e com rapidez tirou as meias. Enfim conseguiu terminar o serviço. Sua camisa estava molhada de suor. Com muita vergonha e após se recompor um pouco, abriu o banheiro e saiu cabisbaixo, com seu sapato machucando o calcanhar, com certeza faria uma bolha daquelas, mas, melhor que andar fedendo por aí.

No trajeto rumo a Niterói, as contrações voltaram. Marcelo ficou aterrorizado, relembrando os momentos de agonia no banheirinho da estação. Mas foi só um susto, logo que desembarcou em Niterói, correu a uma farmácia e comprou um rolinho de papel, amassou bem e guardou em sua pasta, resolveu que por aquela situação não passaria nunca mais.

6 comentários:

Andréa Amaral disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkk!!!!!!!!!!!!!!Ai, ri tanto que quase me borrei nas calças também.Ups!Ainda bem que estou escrevendo de casa. Adorei sua coragem de se aventurar por um novo estilo. Assim vc fortalecerá sua dinâmica textual.Parabéns por não ter medo de arriscar, João. Valeu a mudança.

João Luiz disse...

É minha querida,to buscando fazer um trabalho comigo mesmo no sentido de escrever melhor,vocês são fontes de inspiração e aprendizado.Que bom que gostou,sua opinião é muito importante para o meu desenvolvimento.

Felicidades!

Ernesto Ulysses disse...

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK Eu ri muito, adorei!!! Humor com muita qualidade, parabéns. KKKKKKKKKKK

Camilissima disse...

João, o cara tinha que ter comprado um remédio pra trancar a situação, não só um papel higiênico, kkkk. Adorei a mudança de estilo!!! Valeu mesmo. Beijo!

Lohan disse...

João, nota dez!
Vc manda muito bem na comicidade tbm... Foi tão real que me leva até msm a perguntar: Vc já passou por isso? rsrs
Abraços, felicidades a vc.

K@rininh@ disse...

John, que imaginação a sua, ein?
Essas suas idas a cidade imperial andam lhe fazendo mto bem!!! Muito boa essa sua versatilidade, vários estilos e um só poeta! Parabéns!! Minha mãe tbm adorou essa! Vamos abrir um fã clube seu!!! rsrsrsrsrsrsrsrs
bjinhos