quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Sina

Menino de sonhos errantes
Que deixa para trás sol e terra
E segue a lutar
A buscar um mundo novo
de estrelas, faróis
e monumentos

E agora, vês
teu novo chão é de cimento
tuas árvores são de plástico
tuas estrelas, de vidro
Aprendas depressa,
Tuas palavras não têm vez
Teus vaga-lumes não têm luzes
Teu dia cheira à fumaça
e as flores...
as flores estão nos vasos

Tua força é irrelevante
E teus sonhos ficam pendurados
no portão da fábrica
Teu campo agora tem paredes escuras
e corredores longos
o horizonte que te alarga
é o da esteira sempre viva
teus braços abraçam
ferro e fuligem
e esse sol que te queima os olhos
é artificial

-és agora um prisioneiro do tempo
da cor cinza do relógio
do verde que te impingem ao final do mês.

3 comentários:

Andréa Amaral disse...

Parabéns, Dani. E seja bem vinda. A força literária que você exprimiu em sua poesia retrata magistralmente e ludicamente uma realidade tão triste quanto o poema Beto, do Mauri. São condições sociais diferentes, mas que no final, levam à morte do corpo e da alma.

Eduardo Trindade disse...

Ora, vejam só!
Que grata surpresa te achar por aqui, Dani. E com um texto marcante, eu diria que na medida exata para fazer o leitor pensar.
Eu já estava com saudades dos teus poemas...
Abraços!

Camilíssima Furtado disse...

Eu também estava com saudades de suas poesias... Esta é linda, por sinal. Seja bem vinda ao blog! Beijos!