quinta-feira, 22 de julho de 2010

Crepúsculo é moderno, Roberto Carlos é brasa, mora?


Buenas, Leitores Autorizados!
Post de hoje:
O Crepúsculo (Decadência)
Conversando com uma amiga de apenas 21 anos, ouvi sua queixa a respeito de um rápido embate (choque, encontro violento) que remeteria ao bem conhecido conflito de gerações se este não tivesse ocorrido entre minha amiga e sua colega de 19 anos, na faculdade onde ambas estudam. A adaptação para o cinema da saga literária Crepúsculo foi o motivo da breve contenda (discussão). Ao anunciar seu contundente (incisivo; nada a ver com o dente) desgosto pela série, minha amiga ouviu a colega, “bem mais nova”, cobrar-lhe uma postura “bem mais” moderna, principalmente quando a mais velha das duas (senil praticamente) citou Anne Rice. “Entrevista com o Vampiro? Você é velha, isso não é do meu tempo!” – argumentou a jovem de 19 anos. Obviamente que tal discussão é sempre um desperdício de energia, porém, é relevante considerar que a aniquilação (destruição) da cultura (conhecimento transmitido de geração a geração), e do passado histórico, nada disso é fenômeno recente. Um exemplo: em Admirável Mundo Novo (Brave New World), romance de Aldous Huxley, publicado em 1932, os personagens civilizados, que não habitam a “reserva dos selvagens”, vivem alheios à cultura, sem perspectiva histórica, e sem o direito de escolher sobre o que pode e o que não pode ser conhecido.-


Enfim, o livro mais careta é o que não pode ser lido. O filme mais careta é o que não pode ser visto, e a música mais careta de todas é a que não pode ser ouvida, sobretudo quando usam a fim de justificar ignorâncias a impagável citação “não é do meu tempo.” Existe frase mais careta?
Refletindo sobre a conversa que tive com minha amiga “senil” (velha, decrépita) de 21 anos, pensei nas tantas e tantas vezes que essa espécie de conflito acontece em relação à música que ouvimos. Então o que terá sido de mim, já que sou um grande apreciador de música medieval e renascentista – escolas que não estão, curiosamente, na categoria de “música clássica”, mas “antiga”. Clássica é só da música barroca em diante. Vai entender... Tielman Susato era da renascença, Mozart e Rossini clássicos (do classicismo), Bach e Vivaldi barrocos, Beethoven e Brahms românticos. Mas quem sou eu? Uma espécie de Romêutico descongelado nas últimas décadas do século XX? -




De uma coisa eu sei, o romêutico Roberto nunca foi meu ídolo; fato que nunca me impediu de revirar a coleção de vinis (mídia anterior ao CD) da minha tia-avó (fã do RC) a fim de encontrar alguma canção que me agradasse. Sempre fui curioso, por isso não resistia à ideia de ouvir coisas novas – novas para mim. Além disso, alguma coisa Seu Roberto deveria ter que me agradasse. E tinha. Encontrando, eu escutava a música, sem constrangimento. E eu lá queria saber se era ou não do meu tempo?! Na saída do Jardim Escola (creche) eu ficava esperando minha mãe na casa dessa minha tia-avó, fã do Roberto Carlos, e enquanto esperava eu ouvia, nem que fosse só ali, e só naquele momento. Falando Sério, A Guerra dos Meninos, Amante à Moda Antiga, Meus Amores da Televisão, As Baleias... Eu mesmo colocava o vinil (disco) na vitrola (aparelho que reproduzia o som gravado nos discos, ou Lp’s, ou Long Plays). Deleitava-me quando a agulha era por mim cravada no sulco da bolacha sonora. Era incrível deixar o braço da vitrola livre e sentir a haste onde lá embaixo ficava a agulha (de safira ou diamante) amortecer todo o peso, e logo depois ouvir os chiados, um segundo antes de ser reproduzida a introdução da música. Saudosista, eu? Talvez, mas que adianta categorizar? Eu faria até uma serenata (música para ser executada à noite, ao ar livre) cantando a bela Canzone Per Te.

Afinal, devo ser mesmo uma espécie de Romeu criogênico, mas que não perdeu com os séculos nada de seu espírito caloroso e apaixonado. Pois nenhuma serenata (por não ser coisa do meu tempo) me roubaria a juventude, uma vez que não existe nada menos careta do que se apaixonar. Enfim, música é como o amor, isto é, seja de que século for pertencerá a todas as gerações, pertencerá a todos os tempos, pertencerá a todos.
- --




IX.

12 comentários:

Carla Andrea disse...

Gosto de crepúsculo, mas concordo com vc. É estúpido achar que arte tem data de validade ainda mais música.

Camillo Landoni disse...

Oi, Carla!

Não estou fazendo nenhuma crítica a série Crepúsculo, mesmo pq meu assunto no blog é Música, não cinema ou literatura. Muito bacana vc ter comentado, mesmo achando que eu estivesse criticando algo que vc gosta!

Valeu!

Tatiane Griffin disse...

Bem,não tenho nada contra quem goste de Crepúsculo,mas acho que todas as opiniões devem ser respeitadas.Se uma pessoa que hoje tenha seus 18,19,20 anos aprecie coisas antigas:músicas ,filme , entre outros, deve ter o seguinte pensamento : se eu conheço bem coisas que não são da "minha época" ,isso só prova o quanto interessada e até,culta possa ser!
Imagene agora se a gente não estudasse Karl Max na escola, só porque a época dele é diferente da nossa!!
Meio idiota isso,hein!

Camillo Landoni disse...

haahahaaa

Valeu, Tatiane, com certeza isso é muuuuito idiota!

O tempo não tira o valos das coisas, e se alguém admite que o passado não é importante, então que esse alguém suporte a dor de ser considerado um velho sem importância amanhã.

Joice disse...

Gostei da crítica e do blog! Não gosto de Crepúsculo, prefiro Vampire Diaries!

Lohan Lage Pignone disse...

Camillo, faltou ''dicionarizar'' a palavra ''criogênico'', haha! Essa eu não sei mesmo, rs.

Quanto ao post, mto boa suas observações a respeito desse embate entre as gerações. Eu me defino como sendo ''meio eclético'', pq não gosto de tudo não. Gosto das coisas boas, como já dizia Wilde...
Crepúsculo, história bem mediana, se pensarmos bem. Filme cine pipoca, só isso.

Adoro os clássicos também! Precisamos sempre nos voltar para o passado, que não é museu coisa alguma; é necessidade para se entender o presente.

Abraços, brother!

Andréa Amaral disse...

Pois é, uma coisa é certa: gosto não se discute, mas "pré conceito", sim. Infelizmente todo jovem se sente no direito de ser o "dono da verdade", além de sempre querer ir contra os convencionalismos, por mais idiota que possa parecer. Além do mais podemos ter certeza de que quem não é curioso sobre Artes e História, dificilmente saberá apreciar um clássico de qualquer gênero. Aliás, a palavra "clássico" para eles é sinõnimo de môfo. E môfo, nem os vampiros atuais podem ter quando se deitam nos seus caixões. Ou melhor: o vampiro de hoje é vegetariano, não é?
Parênteses: como ele pode sobreviver sem sangue? Então não é vampiro, oras...

Mas tudo depende também do ponto de vista. Muito do que chamaram de "lixo" no passado, se transformou em tesouro ou relíquia nos dias atuais, o que provavelmente ocorrerá no futuro com qualquer 'Best Seller" que possa ter inovado alguma linguagem do passado. Ups!
Passado sempre parece ser a palavra proibida da "nova estação".
O que a geração Twitter Crepuscular esquece é que "na natureza nada se cria, tudo se transforma", e o que eles chamam de "algo que não é do meu tempo", provavelmente serviu de inspiração para algo que é do seu tempo.
A série Crepúsculo, nada mais é do que uma insconciente vontade de resgatar o romantismo inexistente nos dias de hoje, através de um amor impossível baseado num lado "ético" que nunca existiu em enredos vampirescos.Isso por si só, já reconstitui um resquício de vontade de voltar no túnel do tempo e reviver um conto de fadas, o que no mínimo, parece curioso, já que os dias de hoje demandam atitudes arrojadas por parte das mulheres, já que os "príncipes" estão cada vez mais escassos e disputados e ser "moderna", não inclui sonhos de Cinderela.
A mídia e sua necessidade de descartar e lançar novidades e produtos de curta duração o tempo todo, só ajudam aos que têm pouca disposição para o raciocínio questionador, soltarem tais pérolas de sabedoria, como a sua colega anciã. Coitada dela..."subproduto do rock, será um tipo de Nhoque...será um tipo de Ibope?"
Parabéns Camillo, mais uma vez temos que nos render a verstilidade de sua escrita, pois você aborda o tema música, de maneiras surpreendentes. Acho que sou uma Julieta creogênica ou uma Fiona cremogênica, sei lá.
Outra coisa: gostaria de saber mesmo, a opinião de Bram Stoker sobre o que fizeram com os descendentes do seu Conde Drácula. será que ele está se revirando no túmulo?

Thaty Louise disse...

Putz!!!!!!
Passado, presente, afff...

" se eu conheço bem coisas que não são da "minha época" ,isso só prova o quanto interessada e até,culta possa ser!
Imagene agora se a gente não estudasse Karl Max na escola, só porque a época dele é diferente da nossa!!
Meio idiota isso,hein!"

Só uma palavra: GENIAL!!!

Ah, mais uma: LUCIDEZ!!!

Wells, dica para quem gosta de Crepúsculo e afins: vá ler Drácula de Bram Stocker. Oscar Wild, Dickens, please!!!!! Leia também os cânones, sempre!

Ps.: Como literatura, os livros da séria Crepúsculo fazem Ane Rice paracer Virginia Wolf. Só isso.

Thaty Louise disse...

" geração Twitter Crepuscular " Putaqueoparyll, Andrea, fantástico!!!!

Andréa Amaral disse...

Thaty, vc captou concisamente o que eu quis dizer sobre o passado que vira relíquia no presente: Anne Rice e Virginia Wolf.kkkk.Dez.

Thaty Louise disse...

Andrea, Stocker já virou pó com tanto vampiro fresconildo!!!! Quando se lê Drácula, dá pra sentir o testosterona do conde, já esses vampirinhos emos coloridos!!!! My God... Li os dois primeiros capítulos de Crepúsculo e senti vontade de vomitar meu fígado, mastigá-lo e engolir tudo... Olha que sou benevolente DEMAIS pra leitura, mas ô texto ruim, cacete. O original em inglês parece ter sido escrito por uma aluna mediana do ensino fundamental. Clichê, arrastado e meloso.
Prdia uma hora lendo essa graça no Saraivão do centro do Rio. Preferia ter passado essa hora com minha darling vogue América!!!

Andréa Amaral disse...

Essas pirralhas se não querem se dar ao trabalho de ler, deveriam então assistir ao Drácula de Coppola, de 1992, com o maravilhoso e sexy Gary Oldman. Aquele sim, é um romance e um remake dignos de legião de fãs.
Mas é aquilo que conversamos na viagem, Thaty. A moda... ser idiota é o que dá dinheiro.