domingo, 4 de julho de 2010

Para uma menina que me pediu um girassol

Para Dani Santos

Uma forma natural de homenagear uma poetisa deveria ser um poema. Apesar disso, eu hesitei, cheguei a começar uns dois ou três poemas, mas acabei escrevendo em prosa. Porque essa poetisa talvez goste que eu fuja do esperado. E principalmente, afinal, porque essa poetisa é uma criança, e a poesia de criança é fluida e límpida e serena, sem se preocupar com versificação, pontuação, estrofes. Simplesmente é. Como quem sai para colher castanhas ou laranjas, como quem senta no chão da sala para conversar ou ouvir música, como quem sonha, como quem lê poemas, como quem escreve poemas. Criança. Simplesmente é. Dani.
Certa vez, pediu-me um girassol. E eu ainda estou devendo um girassol, mas não se deve dever um girassol para uma amiga, menos ainda para uma criança. Lembrarei de ti, Dani, em meu jardim. Mas talvez eu iria gostar de tua ajuda para escolher o girassol mais vistoso, tens mãos e olhos bons para isso.
Estarei sendo indiscreto? Quem, vendo a Danieli profissional e pessoa-humana tão dedicada adivinharia que é uma criancinha? Daquelas que navegam em barquinhos de papel. Pois gosto, adoro, adoro muito, muito, quem consegue assim dar brilho à vida, enriquecer os seus olhos e os dos outros.
Tínhamos um lago. Ou vários lagos. Talvez nunca tenhamos sabido exatamente que lago era e onde ficava. Sonhávamos e caminhávamos em volta do lago e brotavam histórias, livros, conversas, risos. Tínhamos um lago, temos um lago. Talvez precisemos voltar a ele. Talvez em uma de suas margens sorriríamos pensando quantas margens tem um lago – ao menos duas, a real e a imaginada, por onde caminhamos. Talvez na margem do lago esteja esperando o girassol que te darei, e mais sementes de poemas, e retratos nas ondas, e cores em pedrinhas redondas, e silêncios bonitos para contemplar a lua, porque ela também vai aparecer para abraçar o dia, subverter o sonho e beijar a testa dessa menina que um dia me pediu um girassol.

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3 comentários:

Dani Santos disse...

. as palavras-presentes me caem nos olhos como flor. são girassóis-sementes já, Eduardo. e me chegam como todas as flores que me destes,as flores-abraços, flores-carinho,flores-históriaspartilhadas. bonitas flores e leves e ternas - que pintam essa nossa amizade assim, preenchendo cores de sorrisos em nosso peito. imensamente agradeço as palavras, as sementes, os abraços, a vida colorida que me permite partilhar contigo em histórias, retratos, memórias de tempos e ventos bonitos.
Adoro-te tanto. Abraços cheios de cores leves.

Camila Furtado disse...

Lindo e digno texto! Parabéns Edu, por tão belas palavras, parabéns Dani, por colorir nossas almas com suas singelas cores e parabéns aos dois por este relato de tão linda amizade!

Lohan Lage Pignone disse...

Eu fiquei emocionado, imagine a Dani, rsrs!

Que delicadeza com as palavras... É lendo um texto desses que me dá vontade de que todos os leitores desse mundo acessem o Autores S/A e compartilhem da mesma leitura.

Abraços aos dois!