sábado, 28 de agosto de 2010

Estudo deliberado da mulher e seus afins


Mulher gosta é mesmo de homem cafajeste. Eis o motivo da generalização: de que nós, homens, somos todos iguais (sob o ponto de vista negativo, é óbvio. Elas não seriam capazes de repousar sobre as nossas cabeças uma auréola, jamais. O orgulho as impediria). Elas não dão o braço a torcer, não assumem que amam os que não lhes dão valor. Logo, generalizam, e fingem que tudo é normal.


A mulher costuma ser masoquista. Adora alimentar uma esperança patética, enquanto come o pão (isso quando há o pão) que o marido amassa. Não, ele não é padeiro. É safado mesmo. E ela permanece ao lado dele, mesmo na ausência dele.

Tem aquelas que terminam um relacionamento e terminam de viver. Homem vangloriado! Imagine a fruição de um ex que assiste de sua janela a expiação de sua ex. Os homens sabem que, na verdade, a mulher é um ser que remói passados que prometiam futuros bons. O homem se firma nessa idéia, he’s the unique in her life. Uma hora ela cede. E, vejam bem: ceder é uma palavra muito significativa na concepção masculina.

Entretanto, existem aquelas que se separam e no dia seguinte, a fim de registrar no cartório da sua cabeça oca uma carta de independência, agarram o primeiro indigente que cruza seu caminho e engata um lance. Um lance, é, um lance. Só se dá umazinha. Quem dá mais? Ninguém. Objeto leiloado. Quem ganha é o desconhecido. A mulher machuca o ex, e se machuca. Ela acaba de perder o seu valor na cama (ou na calçada) de um ser ambulante qualquer. E isso para que? Só para dizer: agora sou independente. Seria mesmo? A dependência continua, porém, implícita. Ela está louca para voltar. Só de pensar que o seu ex pode se arranjar com outra sirigaita (esse adjetivo cabe à sua acepção de mulher nessas circunstâncias), ela definha.

Mulher versus mulher. Quantos casos de traição na ala masculina, não? Mas um homem não trai a sua mulher trancando no banheiro, batendo uma com a edição da Cléo Pires sobre a perna? (talvez seja uma espécie de traição, mas nesse caso teríamos que clivar o termo traição em graus, e isso, agora, está fora de cogitação).

A mulher resiste o quanto pode (digo, a mulher que foi educada para tanto). A resistência é, sem dúvida, o as do seu baralho. Só que elas costumam resistir aos homens certos. E no fim das contas, entregam-se ao primeiro cafajeste que encontram.

Idiotas. As mulheres, e os homens. Os homens por se deixarem seduzir tão facilmente, e por sentirem o peso da iniciativa. As feministas lutam tanto para se igualarem aos homens (me refiro à imagem de poder masculina impregnada na sociedade) e ainda sim, nos bailinhos de fim de semana, são raras as mulheres que “chegam” nos homens, que demonstram seu interesse, seu desejo, sua libido aflorada. Um exemplo tosco, pode ser. Ou não. Pra falar a verdade, eu percebo que muitas mulheres “chegam” sim, mas nos homens comprometidos. Elas amam uma disputa, é incrível!

As mulheres, tomadas pela cegueira de um pudor irredutível, fruto de uma educação rígida ou de um trauma (possivelmente causado por um homem, o que a torna mais idiota); ou tomadas pela abundância da depravação (também em prol do homem - ou para seduzí-lo, ou para afrontá-lo).

Homem goza, mulher goza, todo mundo está imerso na orgia. A mulher precisa se dar o valor, sim. Mas também precisa tomar atitude. Para de sofrer pelos cantos da casa, de ler textos suicidas, de vender o corpo por causa de um falo que nem endurece mais por você. Tome as rédeas da situação, e sejam mulheres! E não protótipos de mulheres.

Isso não é uma declaração de guerra. É uma declaração de amor.

18 comentários:

Matheus Tozato disse...

Muito bom!

Daniel disse...

Perfeito! Adorei o final e, da mesma forma que elas nos generalizam, acho que você as generalizou um pouco. Mas que levante a mão quem não é assim.
Gostei das verdades

Anônimo disse...

Lohan: o discurso amoroso não é senão um discurso bélico.
Talvez algumas gostem de homens e textos cafajestes: aqueles que se dão ao gozo e nos fazem gozar. Falo de e com Barthes. rs

Lohan Lage Pignone disse...

rsrs,
Obrigado pelos comentários, amigos.
Então, o teor do discurso foi, legivelmente, bélico, sem dúvida. No entanto, tudo não passa de um conselho. ''Não é declaração de guerra, é de amor''. Por amar as mulheres, deixo o ''toque'' (toque é uma palavra polissêmica na mente maliciosa).

Se toda mulher fosse a mulher que diz ser...

Anônimo disse...

Então a mente maliciosa, talvez, seja uma mente literária?

Lohan Lage Pignone disse...

Sim, eu diria que sim!
A malícia se adquire através da vivência, não só ''física'', mas também literária, metafísica.

A mente literária é maliciosa, entretanto, nem toda mente maliciosa é literária. Há quem direcione suas malícias para pormenores inúteis.

Luana disse...

Amei! Seu texto generalizou um pouco, mas é real.É que os cafajestes são sedutores, rsrs. "Tem aquelas que terminam um relacionamento e terminam de viver."Essa parte também retrata uma grande amiga minha, que acaba resistindo "aos homens certos". Vc conseguiu retratar eu, ela , nós...Bjs.

Lohan Lage Pignone disse...

Luana, que bom ve-la de volta! Ouvi dizer que vc tinha tomado um chá de ervas de sumiço, rs.

Então, esse texto existe em vossa homenagem: vc, sua amiga, enfim...

Espero que sirva para alguma coisa na vida de vcs, positivamente.

Bjs!

Rayanna Ornelas disse...

Acho que textos assim, bem objetivos e eu diria 'exagerados' (mas não no sentido pejorativo...) é que são necessários pra enxergar com clareza toda uma teia sentimental/cultural/sexual/sabemaisláDeus que nos envolve. E nós fazemos parte dela sem reclamar, sem lutar contra (homens e mulheres).

A discrença é parte desse processo todo, que eu chamaria até de melancólico. Talvez porque existam tantos 'tipos' de mulheres e homens que encaixá-los em tipos não é o suficiente.

Divagaria por hooooooooras sobre o assunto, mas acho que basta dizer que seu texto é quase uma 'utilidade pública', um 'abre-olhos' num sentido muito bom.

ps: adorei a referencia : Um lance, é, um lance. (cultura de massa rocks!)

Excelente, Lohan.

Rayanna Ornelas disse...

'A mulher costuma ser masoquista. Adora alimentar uma esperança patética, enquanto come o pão (isso quando há o pão) que o marido amassa. Não, ele não é padeiro. É safado mesmo. E ela permanece ao lado dele, mesmo na ausência dele.'

isso aqui foi genial!
hahahaha

Lohan Lage Pignone disse...

Rayanna, super obrigado pelo seu super comentário!

Sua análise foi bem coerente com o que eu tentei expressar.

Utilidade pública, deveria ser mesmo. A generalização é errada, mas as mulheres estão sempre fazendo isso conosoco, homens. Certo? rs.

Não foi vingança, fique tranquila, rs.

Atitude a todos nós, men and women.
Bjs, Rayanna!!

Robson Ribeiro disse...

Cara,

Esta discussão é muito ampla e contempla as diversas fases de uma vida. Assim como existem mulheres pudicas que se tornam devassas também existem as devassas que se tornam FREIRAS. Tudo é uma questão de gosto e de momento.

Lohan Lage Pignone disse...

Com certeza, Robson!
São todas mulheres de fases!rs

Mas a generalização é uma grande ironia. Sei que é relativo. E como sei! rs.

Abraços, e apareça sempre amigo!

Raquel de Carvalho Puga disse...

Que jogue a primeira pedra quem nunca caiu na generalização... Mas eu não sou burra assim não!!! Pelo amor de Deus! Mas vejo muito homens assim também, iguaizinhos às mulheres que vc descreveu ( também vejo muitas por ai). Já trabalhei em cartório de Vara de Família e aprendi que cafajeste não tem idade nem sexo. Como dizia uma amiga minha psicanalista " Ser inocente é uma coisa: é qualidade. Ser ingênuo é inexperiência, burrice ou masoquismo." Beijo grande

Lohan Lage Pignone disse...

Raquel, seja bem-vinda ao Autores!

Que bom o seu comentário, muito enriquecedor. Essa troca de opiniões, experiências, enfim - é o que torna o texto rico.

É, quem nunca caiu na generalização? Na verdade, essa generalização foi uma ironia em relação à generalização que as mulheres (ops, maior parte das mulheres! rs), fazem de nós, homens.

Essa história de que somos todos iguais, homens e mulheres, é balela! Ninguém é igual a ninguém.

O comentário da sua amiga é perfeito; ser ingênuo é, a princípio, inexperiência. Uma vez experiente e ainda sim ingênuo, penso que seja burrice. Mais que isso, só pode ser masoquismo mesmo, rs.

Beijão, apareça sempre!
Obrigado.

Leila disse...

Lohan
Você soube ser provocador e com isto,nos direcionou a uma reflexão mais íntima das todas nossas condições e parâmetros,perante a nós mesmos.Você conseguiu nos emparedar!!!!Leila

Lohan Lage Pignone disse...

Consegui emparedar, haha! Leila, que bom ler um comentários seu!! Fiquei muito feliz! Apareça mais vezes!

Esse emparedamento foi uma das intenções do texto, com certeza.


Super obrigado, bjs!

ivelisezanim disse...

Lohan!!
Lí hoje esse seu"controverso"texto...e como posso dizer....gostei!!! Pois é isso mesmo....é uma GUERRA BILATERAL!!!!
A melhor frase do texto: "Mulher é um ser que remói passados que prometiam futuros bons>>."!!! uhuhuhuhuuhuhu bjussssssssssss, Ivelise