sexta-feira, 10 de junho de 2011

I Concurso de Poesia Autores S/A - CLASSIFICADOS PARA A FASE FINAL

... E chegou o grande dia! Após um mês intenso de inscrições, somados a cinco dias longos de espera, será divulgado, nesta postagem, os 15 classificados para o grande desafio da fase final do concurso, e ainda os 6, sim, 6 poemas que ficaram na repescagem! No regulamento, estão previstos apenas 3 poetas na repescagem, disputando uma vaga. Contudo, tivemos alguns empates intrincados...! Não tivemos escolha: preferimos elevar o número dos candidatos na repescagem e, consequentemente, o número de finalistas: se classificarão 2 poetas na repescagem, logo, agora serão 17 finalistas!

Abaixo, você lerá os poemas classificados, na íntegra, bem como os pseudônimos dos poetas, suas cidades/Estados e idades. Porém, antes, fazemos questão de apresentar eles, os responsáveis pela classificação dos poemas que virão a seguir: os nossos digníssimos jurados do I Concurso de Poesia Autores S/A. Eles acompanharão o concurso do início ao fim, ou seja, serão os jurados fixos. Durante a competição, haverá alguns jurados convidados.
Realizamos algumas perguntas a eles, a respeito da pré-seleção e sobre o que esperam do futuro deste concurso. Antes de tomar conhecimento dos poetas selecionados, é imprescindível a leitura que nossos jurados proporam.

Ei-los:

Ângelo Farias


Doutorando em Ciências da Linguagem pela UFF. Professor da UNESA, Graduação e Pós-Graduação, dos municípios do Rio de Janeiro e Niterói, Ensino Fundamental, e da rede particular de Itaboraí, Ensino Médio, Pré-vestibular e coordenação de área.  Membro do grupo de pesquisa Discurso e Gramáticas, sede UFF.  Já participou como júri e também como concorrente em festivais de poesia promovidos por várias instituições, como escolas, universidades e Pastoral da Juventude. 

1- Qual foi sua impressão geral dos poemas da fase de pré-seleção?

Ângelo: Os poemas, no geral, me deixaram uma impressão positiva.Vi empenho em diversos deles na busca pelo conteúdo poético de suas obras. Embora houvesse diversos textos em que a expressão da desopressão sobressaia, ou o predomínio de uma forma narrativa básica, constam, entre as produções apresentadas, a meu ver, várias com iluminações interessantes. 

2- Quais foram os critérios utilizados para a atribuição de suas notas?


Ângelo: Pensei em: originalidade (não exatamente criações, com tudo que essa palavra implica, mas esquiva de clichês); expressividade (força das metáforas e de outros recursos empregados); alcance dentro do gênero (poesia social, filosófica, etc.); domínio da plasticidade lingüística (métrica, verso livre, neologismos, combinações, rimas, versos brancos, etc.).

3- Quais são suas expectativas para a fase final do concurso?


Ângelo: Acredito que os escritores podem ascender a níveis ainda mais interessantes, estimulados pelo clima do festival.  Grandes iluminações podem se resolver na busca da grande poesia e sermos surpreendidos por produções ainda mais interessantes.

4- Qual a dica você deixa para os finalistas: afinal, o que é boa poesia?

Ângelo: Continuem, porque a epifania está próxima. Como disse Manoel de Barros, “ninguém é pai de um poema sem morrer”. Poesia, nem boa nem má, é trabalho estético com a palavra, em sua forma e sentido.



Ludmila Maurer


Ghost-writer, revisora, consultora e escritora, Ludmila Maurer é graduada e pós-graduada em Línguas e Letras, de especificidade em Sintaxe e Estilo na Produção Textual, Leitura, Escrita e Cognição, Lingüística Textual, Abordagem Semiótica do Texto, Argumentação, Análise do Discurso e Formação do Leitor. Curso de Crítica Literária com Affonso Romano de Sant'Anna. Autora do livro Máximas da Modernidade Tardia - um convite à reflexão, lançado nacionalmente na Bienal de São Paulo em agosto de 2010. Site: http://www.nofiodapalavra.com.br/  



Deixo exposto um trecho de O Jovem Poeta – Carta a muitos destinatários, de Hermann Hesse, em resposta à rogativa da opinião dele sobre o talento poético de um debutante. 

Utilizo a ideia como resposta ao questionário. 

É-nos submetida uma produção literária em troca de nossa opinião sobre o talento poético. Trata-se aparentemente de uma questão simples e anódina, na medida que os participantes não esperam nenhuma adulação, mas a estrita verdade. Uma “verdade” nada fácil de se encontrar, até mesmo impossível, afinal, só conhecemos os 'debutantes' por meio de algumas amostras.
Podemos ver a partir dos versos se Nietzsche ou Baudelaire foram lidos, se preferiram Liliencron a Hofmannsthal. Poderíamos mesmo dizer se têm pela arte e pela natureza um gosto cultivado (que não tem nenhuma relação com o dom poético) e, no melhor dos casos, poderíamos também descobrir nos poemas traços reveladores da própria vida de vocês ‘debutantes’ – o que falaria em favor – e tentar obter uma ideia do vosso caráter. É só.
Se alguém algum dia vos prometer a avaliação de seu talento literário a partir de seus escritos, como o grafólogo de um jornal julga o temperamento de um assinante no correio dos leitores, trata-se de um homem superficial, ou melhor, um impostor.

Nilto Maciel


Ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará em 70. Criou, em 76, com outros escritores, a revista O Saco. Mudou-se para Brasília em 77, tendo trabalhado na Câmara dos Deputados, Supremo Tribunal Federal e Tribunal de Justiça do DF. Regressou a Fortaleza em 2002. Editou a revista Literatura, de 1992 a 2008. Obteve primeiro lugar em alguns concursos literários nacionais e estaduais: Secretaria de Cultura e Desporto do Ceará, 1981, com o livro de contos “Tempos de Mula Preta”; Secretaria de Cultura e Desporto do Ceará, 1986, com o livro de contos “Punhalzinho Cravado de Ódio”; “Brasília de Literatura”, 90, categoria romance nacional, promovido pelo Governo do Distrito Federal, com “A Última Noite de Helena”; “Graciliano Ramos”, 92/93, categoria romance nacional, promovido pelo Governo do Estado de Alagoas, com “Os Luzeiros do Mundo”; “Cruz e Sousa”, 96, categoria romance nacional, promovido pelo Governo do Estado de Santa Catarina, com “A Rosa Gótica”; VI Prêmio Literário Cidade de Fortaleza, 1996, Fundação Cultural de Fortaleza, CE, com o conto “Apontamentos Para Um Ensaio”; “Bolsa Brasília de Produção Literária”, 98, categoria conto, com o livro “Pescoço de Girafa na Poeira”; "Eça de Queiroz", 99, categoria novela, União Brasileira de Escritores, Rio de Janeiro, com o livro “Vasto Abismo”. Organizou, com Glauco Mattoso, “Queda de Braço – Uma Antologia do Conto Marginal” (Rio de Janeiro/Fortaleza, 1977). Participa de diversas coletâneas, entre elas “Quartas Histórias – Contos Baseados em Narrativas de Guimarães Rosa”, org. por Rinaldo de Fernandes (Ed. Garamond, Rio de Janeiro, 2006); 15 Cuentos Brasileros/15 Contos Brasileiros, edición bilingüe español-portugués, org. por Nelson de Oliveira e tradução de Federico Lavezzo (Córdoba, Argentina, Editorial Comunicarte, 2007); e Capitu Mandou Flores, org. por Rinaldo de Fernandes (Geração Editorial, São Paulo, 2008). Tem contos e poemas publicados em esperanto, espanhol, italiano e francês. “O Cabra que Virou Bode” foi transposto para a tela (vídeo), pelo cineasta Clébio Ribeiro, em 1993. Seus livros estão publicados por pequenas editoras de Fortaleza, São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Florianópolis, Brasília e Campinas. Site: http://www.niltomaciel.net.br/

1- Qual foi sua impressão geral dos poemas da fase de pré-seleção?

Nilto: Como na maioria dos concursos literários, nesta fase os participantes são muito imaturos, lêem pouco (demonstram isso) e têm a falsa noção de que tudo é poesia.

2- Quais foram os critérios utilizados para a atribuição de suas notas?


Nilto: Em qualquer texto literário, é preciso ver primeiro a norma culta. Se o escritor (a) não conhece, pelo menos, as regras básicas de gramática e ortografia, se não sabe escrever corretamente, não há como ver poesia no que escreve. Além do mais, o escritor precisa ler muito, treinar muito, exercitar-se, para adquirir o próprio estilo.

3- Quais são suas expectativas para a fase final do concurso?

Nilto: Pelo lido, não espero muito, tendo em vista que os participantes dessa fase serão os mesmos da inicial.

4- Qual a dica você deixa para os finalistas: afinal, o que é boa poesia?
 
Nilto: As dicas estão dadas acima. Boa poesia começa com boa (limpa) linguagem. O bom uso dos vocábulos. É preciso explorar ao máximo a capacidade (conteúdo) de cada palavra. O poeta precisa também de muita imaginação e memória. 


                                                    (Símbolo do I Concurso de Poesia Autores S/A)

Hoje é um dia especial: dia da nossa amada Língua Portuguesa. E não haverá homenagem melhor do que a publicação das belas letras poéticas; poemas selecionados com todo cuidado, de poetas que sabem, com delicadeza e precisão, lapidar a língua escrita mais formosa que existe. O Autores S/A congratula a todos os poetas participantes do concurso, estejam eles classificados, ou não. O estado do ser poeta é o da mais pura beleza, é o mais transcendente que existe. Salve a Língua Portuguesa! Salve a Poesia!
                                                  Eis os poemas selecionados:


Chamado (J.J.Wright), Riachão do Jacuípe, Bahia. 22 anos.

Em Tókio, um homem escreve um poema:

Fantasmas transitam na calçada da fama.
Todas as luzes se acendem em Paris.
O universo conspira contra os Vikings.
A mulher tem orgasmos múltiplos.
O disco voador pousa em Londres.
Três mariachis cantam em Florianópolis.
Crianças morrem no oriente médio.
O robô japonês salva a humanidade.
O presidente do Chile envia um SMS.
Duas mulheres se beijam em Chernobyl.
O vampiro ataca a mocinha indefesa.
Moisés divide o mar vermelho em dois.
Elvis canta Love me Tender no rádio AM.
O cowboy mata mil e oitocentos índios.
Romeiros escalam milhares de degraus.

Em Tókio, o poeta pára de escrever:
O mundo inteiro pára junto.

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Quintal (O Velho), Macaé, Rio de Janeiro. 50 anos.

No quintal da minha casa
quando, às vezes, me distraio
pardais dividem os pedaços de pão
colocados ao acaso
sempre no mesmo lugar
no quintal da minha casa...

no quintal da minha casa
quase todas as coisas tem asas
borboletas sobre margaridas e flores do mato
gafanhotos que devoram bertalhas
e toda a imaginação que voa à solta, sem pressa
no quintal da minha casa...

no quintal da minha casa
o peito arde em brasa
quando penso em fazer nada
ouvindo uma música silenciosa
tocando insistentemente
entre a mangueira e o banco da varanda...

no quintal da minha casa
me entorpeço com o cheiro da erva cidreira
olho o verde das bananeiras
às vezes, repico o sino
só pra quebrar a maravilhosa monotonia...

contemplo parado meu jardim
de trevo de quatro folhas...
esmiuço os mais longínquos
cantos do pensamento
e tento organizar o quebra cabeças
da minha memória
remonto todas as fases emocionantes
da minha história...

me aborreço e me alegro
no caminho de pedras
que montei enquanto chovia
e eu cantava
no quase perfeito
lado direito
de quem entra
do quintal da minha casa

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Poema Vivo (SemprePoeta), Ipatinga, Minas Gerais. 46 anos.





Um poema fica bem
na camiseta,
na ponta da estrela,
sobre a mesa de cabeceira,
no guardanapo de papel,
em qualquer bandeira,
e no balão acima do arranha-céu.
Até mesmo no cordão da feira,
no banco da igreja,
da praça e do Brasil.
Dobrado nas notas de mil
e da canção.

Um poema pode singrar
os mares dentro da garrafa.
Pode estar
no poste, no pranto,
no riso contente
e no sol-nascente.
Levado pelos ventos
pode ficar amassado na calçada,
na calcinha pertinho do prazer,
no pára-choque do caminhão,
no muro da escola, nos jornais
e impresso na sacola de pão,
já que poesia e pão
são alimentos vitais.


Um poema
so não pode ficar
dentro do livro fechado,
na estante
esquecido, esquecido...!


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Dilema (Alan de Longe), Betim, Minas Gerais. 42 anos.

Como escrever poesia
ante as obrigações do dia-a-dia,
que nos vergastam com seus açoites
e se há também as obrigações das noites?

Como escrever poesia
se há que se ganhar o pão de cada dia,
com o essencial suor de cada rosto
e se há os gases, as dores e o desgosto?

Como escrever poesia
se se tem o trabalho que abençoa o dia,
os desejos de hoje, sempre e de outrora
e a dinâmica do passar das horas?

Como escrever poesia
se o cantar do galo anuncia o dia,
o despertador intermitente no horário
e a eterna defasagem do salário?

Como escrever poesia
se, a cada dia, é menos um dia,
se me aperta o sapato que calço
e a morte a espreita, no encalço?

Como escrever poesia
havendo a nostalgia do transcorrer dos dias,
mas se, somente ela me alivia,
como não escrever poesia?

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O Sol da Realidade (Paul Celan), Taguatinga, Distrito Federal. 46 anos.

Chega!
Não quero mais a vaporosidade do espírito,
os lençóis da aurora, o velho chinês sonhando com
a borboleta que sonha com o velho chinês;
Quero a pedra apenas sob o sol da
                   realidade;
Quero apertar a mão do homem que cavou uma
cisterna o dia inteiro e justificou seu salário
com os metros da sede;

Quero os cães, a vida pura das ruas,
os pássaros roendo o crepúsculo;

Quero a verdade do poeta que cantou
os pendões da liberdade;

Quero a alegria daquele que plantou e colheu
e alimentou muitos irmãos 
                                       com as espigas de sol.

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Insólita (León Bloba), Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. 23 anos.

A língua procura para um dueto
Teu lábio insueto, sisudo sorriso.
Minha boca sonâmbula,
Insólita, perdida,
Sonhando seu toque
No sonho se guia.
Cigana noturna,
Nômade passeia.
Em meu pensamento
Murmura teu nome,
Serpente insone.
Dormente ela dança,
Balança ela louca
E lambe dormindo
Um céu estrelado
No sonho assanhado
No céu de sua boca.
O beijo é o encontro,
Um poço profundo...
Imaginar tua boca
É recriar outro mundo!

Em sonho sonâmbulo,
Meu lábio aflito,
Procura o seu lábio
Num sonho infinito.
O real se faz sábio:
Acordado não sinto.

Que louca essa boca.
Tão pouca em si arde
Que busca outra boca
De outra cidade.
Se embrenha no sono
E mais cedo ou mais tarde
Encontra o seu dono
No sonho que invade.

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Batalha (Príncipe Desavisado), Juiz de Fora, Minas Gerais. 29 anos.




poesia é batalha
da qual só se sai morto
sujo ou no mínimo esfolado
tal coito de gato porém
silêncio guardado.

poesia não é lugar para musa
antes é passeio pela itabira
de cada um é mergulho no capibaribe
de cada um; movimento há
entre a primeira letra lá no alto
e o último ponto ali adiante.

poesia é batalha
que se vence vencido
a que se dá a vida empresta o ventre
por migalhas de um espelho
que não reflete embaralha a vista.

viver é estar
constantemente
em estado de poesia.

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Tabuleiro (Cervan), Piracaia, São Paulo. 25 anos.

reis e rainhas administram
tudo do alto de suas torres

bispos engordam suas contas
doutrinando seus rebanhos de cavalos

em meio a isso
peões tomam xeque especial

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Vira e mexe, eu me descubro (Ivanúcia Lopes), Marcelino Vieira, Rio Grande do Norte. 23 anos.

Com medo, cubro o rosto: deixo os pés de fora.
Me recolho. Me encolho.
Não tem jeito: vivo me descobrindo.
- o meu lençol encolheu ou meus medos que cresceram?


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Íthaca (Paracauam), Trofa, Portugal. 47 anos.
chegou o tempo das cerejeiras
perfumes brancos
e os céus imaculados
sem satélites artificiais
e possibilidades reduzidas
de precipitação
máscaras que caem...
personagens descaracterizadas
um grama de tempo
no bordo da vela que apaga
palco vazio cena aberta
frutos vermelhos que beijam
o arco do céu da boca
flores descortinadas e vento
verde a arreganhar narinas
os cruzados retornam
muitos anos depois
com saudades dos cheiros
das cerejeiras
e das colunas dos claustros
só Ulisses não volta
só, Penélope espera
só faz e desfaz
as noites que se fazem dias
Penélope definha esperanças
alimentada de eminências
de retorno
do caos do retorno
todos os corpos atraídos
pelo canto da sereia
têm tendência
a retornar à inércia
aceleração constante
retorno à origem
trabalho nulo
cruzadas
via crucis delenda Cartago
contagem recessiva
marcha lenta
um império inteiro
no bolso da gabardina
e a comissão de frente
evolui
apresenta seus enredos
e os dedos do prestidigitador
enregelados
engelhados
tortos como as garras das
Hárpias
o som das liras
violinos e berimbaus
corpo seco teso e torto
corpo belo corpo morto
procissão de carpideiras
stabat mater dolorosa
aríetes
catapultas
panóplia
generais directores de bateria
Faraó de Mestre-sala
Astronauta Porta-bandeira
escola de samba Mandarim
apnéia paranóica
mulheres-girafa árvores-garrafa
bandeiras despregadas
as fronteiras invadidas
catedrais submersas
e cerejeiras em flor
enchem o céu com nuvens
de pétalas brancas
os frutos estalam
vermelhos
como o canto dos monges
a urdir tapeçarias eternas
para contar da ausência
dos heróis...

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A triste confusa realidade (Zé das Lavouras), Trajano de Moraes, Rio de Janeiro. 16 anos.Nada o que você vê
É o que você pensa ter visto
É apenas um cisco
Do que deveria ter visto

O que você acha que quer
Não é o que você acha querer
É o que a sua consciência quer que você queira
O que você quer é poder realmente ver

O que você realmente acha querer
É poder ver o que você vai ser
E você acaba de descobrir
Que você não quer, não vê, não é
E nem crê.

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Canção em silêncio (Ambrosio Marrozinho), Casa Verde, São Paulo. 32 anos.

vou fazer uma canção
leve,que fale dos silêncios,
de quando quis te falar
e foi tudo em vão

vou fazer uma canção
que fale por onde andei
e as ruas sem nome
que aprendi,

vou fazer uma canção
sem datas, sem dias
mas com sons de tardes
e noites nuas

vou fazer uma canção
sem refrão barato
sem coro, para que possa
ser ouvida no silêncio de um livro

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Essa senhora (Bambina), Parananguá, Paraná. 23 anos.

Essa senhora,
Traz no rosto as marcas da vida
Olhar plácido e vazio
Suas histórias ficam no conto
Da voz rouca pausada
Revive seus dias, antes de chegar ao fim
Essa Senhora
Que traz nas mãos um mapa
Mapa de veias, que contam estórias
Cabelos brancos opacos
Penteia para embelezar
Essa senhora, serena, se conforma
Já vai indo, não há mais o que contar.

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Inspiração (R.), Formosa, Goiás. 23 anos.




A inspiração resolveu me visitar.
Após longa ausência,
chamados,
 
músicas,
café,
miudezas tristes,
gotas de poesia
e rios de realidade...
ela veio me ver.
Espiar como eu ando indo sem ela.
Observar meus sorrisos vazios
e noites de sono (quase) tranquilo.
Tentar entender como prossegui
semi-vivendo sem ela.
Perguntou ao meu último amor
se eu não o enchi de poesia
ele respondeu que nem mencionei que sabia escrever
ou mesmo que tinha uma tatuagem dedicada a ela.
Perguntou aos meus amigos
como era viver com alguém
 
que carrega aquele olhar vazio,
sem sonhos.
Eles disseram que era suportável,
mas pediram a ela que me resgatasse e trouxesse de volta
o mais rápido possível.
A nobre senhora, então, tentou me encontrar
nas páginas em branco dos cadernos,
no lápis de ponta feita
 
e nas músicas esquecidas.
Em vão.

A nau da credulidade
e seu companheiro, devaneio
partiram
 
e me deixaram
à deriva do meu amor.

Inspiração
venha me buscar.


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Haiti (Bernardo Cabral), Cachoeiras de Macacu, Rio de Janeiro. 39 anos.

Haiti...
Ai de ti, José, aí!
Amontoam-se os destroços.
Prédios, estrondo,
Caem em tombos.
Labirinto sem saída.
José corre.

Cortam o silêncio os gemidos.
Em outro canto, pessoas aos gritos.
Corre, José!

A dor também se encontra
Debaixo da terra...
Terra abatida.
Não há saída, José,
Na fenda dessa terra tremida.
Porque até ali a morte te espera.
Apressado, vai José.

Não há esperança, José, na pomba.
Não há saída, na morte.
Morte que, para ti, sorri e te zomba.
Corre, José!

Corre
Porque a terra se fez bomba.
Porque vem descendo à noite,
E não existe quem não se intimida
Pela vida, pelos gritos e gemidos,
Entrando pelos ouvidos,
Recaindo na impotência
Das suas mãos.

Novamente a terra movediça.
O terror diante da terra partida,
Que estrebucha, parece que desliza.
Um labirinto fechado
É a rua sem saída.

E, essa noite, é pior ainda.
Você conheceu, José, a sombra.
A sombra da alma abatida.
Essa, pior que a bomba.
Mas José corre,
Não se intimida.

Queria José, cansado, ainda correr.
Corre, José!
Mas José não tem pernas. José tem fome.
Se desilude. Percebe que é homem.
Se consome.

Morre o José.

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Na semana que vem, no dia 17 de junho de 2011 (sexta-feira), será publicado aqui, no blog, os poemas que disputarão a repescagem. A publicação se dará às 11:30 horas, bem como a abertura da enquete. Na repescagem, será o público-leitor quem decidirá, por meio da enquete, os dois poetas que se unirão aos 15 já classificados. A enquete será encerrada no sábado, dia 18/06/11, às 11:30 horas. Abaixo, estão os títulos, pseudônimos, cidades/Estados e idades dos poemas/poetas que ficaram na repescagem. Se você, poeta, é um desses referidos abaixo, convoque seus parentes e amigos para que venham votar na próxima sexta-feira. Lembrando: desses 6 abaixo, somente 2 se classificarão pelo voto do público! Obrigado, e parabéns a todos!

Repescagem:
- Assalto Literário (Vani Sabino), Cabo de Santo Agostinho, Pernambuco. 22 anos.
- Parede Azul (Mamediano), Goiânia, Goiás. 24 anos.
- Braileando teu corpo (Anjo), Samambaia Sul, Distrito Federal. 42 anos.
- Quase nada mais (Tiago do Vale), Campinas, São Paulo. 26 anos.
- Elizabeth (Aline Monteiro), Macapá, Amapá. 25 anos.
- O homem (José Machado), Guaratinguetá, São Paulo. 27 anos.


PARABÉNS A TODOS OS FINALISTAS. ENTRAREMOS EM CONTATO COM AS DEVIDAS INFORMAÇÕES. PREPAREM-SE: O GRANDE DESAFIO DO MAIOR CONCURSO DE POESIA VIRTUAL DO BRASIL SÓ ESTÁ COMEÇANDO. 
                                                                           OBRIGADO, AUTORES S/A.

                                                                 PATROCÍNIO:













13 comentários:

Anônimo disse...

Êêêêêêêêêêêêêêêêêêêê!

Mais um que eu não ganho nem balinha de menção honrosa!

Uhul!

Perdendo e aprendendo!

Parabéns aos classificados!

Camila Furtado disse...

Parabéns a todos os participantes! Um corpo de jurados altamente gabaritado, um elenco de escritores de potencial elevado, abrigados em um blog que preza pela literatura e com o apoio de uma editora que acredita em novos talentos... receita de sucesso!!!

Lohan Lage Pignone disse...

Isso aí, Camila! Que este concurso seja de fato um sucesso. Estamos fazendo o possível para tanto. E que os nossos classificados façam sua parte, ou melhor, deem seu show à parte! Caprichem, galera! A disputa será acirrada!!

Abraços e boa sorte a todos!

Anônimo disse...

Agora estou com uma dúvida sobre o concurso (e também com mais mil dúvidas existenciais, mas isso é outra história rs). Na repescagem, dois poetas serão escolhidos pelo público. Algum será escolhido pelo júri? Sou um destes e não tenho uma rede social vasta, se é que me entendem rs...

Anônimo disse...

Triste, estou triste.
estou tendo um lapso de pipolaridade, a felicidade me bate pelos finalista que conseguiram, mas a tristeza me atormenta porque nao sou um deles.
tudo bem! um dia eu aprendo a escrever...
Parabéns pelo concurso.
esta tudo lindo...
Como as borboletas

Lohan Lage Pignone disse...

''Algum será escolhido pelo júri?''

Resposta: Meu caro (a), parabéns! Não, nesta fase de repescagem, não haverá interferência dos jurados. Somente na fase final, a partir do dia 24 de junho, é que os jurados voltarão a entrar em cena, juntamente com o público. Nesta pré-seleção eles fizeram a parte deles, e escolheram vocês para a repescagem, e os 15 classificados. Agora é a vez do povo!
Enquanto isso, tente angariar amigos em sua rede social, telefone para seus parentes...rs Os dados estão lançados!

Quanto ao último Anonimo, não fique triste!! Todos os poetas sabem escrever!! Sabem tocar os corações! A não-classificação em um concurso não significa que você não saiba. A disputa foi acirrada na pré-seleção.
Fique bem!! ;)

Abraços a todos!
Lohan.

Anônimo disse...

É uma pena. Não faço uma crítica severa ao concurso, até porque o regulamento está pronto. É que o fato de um autor conhecer mais gente, ter mais amigos e mais parentes, não implica no fato de que ele escreve "melhor" ou mereça mais participar do concurso. A interatividade é ótima, mas não em todos os casos. Já parei! Não quero ser chato. A intenção é muito boa, vocês administram bem o blog e mantêm todos os participantes do concurso atualizados sobre o andamento das fases. Respeitam as opiniões e dão uma atenção muito especial a todos. O Lohan deveria ser presidente da república. Toda essa questão que eu tagarelei sobre a escolha dos candidatos da repescagem, tem um lado bom: Como eu não tenho amigos (por incrível que pareça rs... tenho um pouco de fobia social) e me relaciono pouco com meus parentes, se eu ganhar um voto a mais do que o da minha namorada, significará que alguém gostou mesmo da minha poesia. Ainda sairei com lucro. Caso contrário, não ganho dinheiro como poeta mesmo! Enfim, parabéns a todos os finalistas e vamos em frente!

Lohan Lage Pignone disse...

Olá, caro poeta!

Compreendo sua crítica ao modo eliminatório do concurso, você tem todo o direito de dizê-la, faz muito bem! É importante que essas questões sejam levantadas por aqui, estamos sempre prontos para receber dúvidas e também sugestões, sobretudo dos poetas classificados e da repescagem! Mas, quero apenas esclarecer dois pontos dessa questão da repescagem:
- A princípio, como todos os candidatos devem saber, não haveria a repescagem. Classificaríamos apenas 15 candidatos, e nada mais. A repescagem foi adotada no regulamento a fim de abrir mais um pouco o leque de chances para candidatos. Logo, nós, organizadores, não poderíamos atribuir mais essa função aos jurados, que, por sua vez, já haviam feito suas partes quanto a isso: classificaram os poemas para a repescagem.

- Outra questão é: não penso que a mobilização de parentes e amigos seja unicamente em função do voto na enquete. Ok, eu posso ter me expressado dessa maneira em meu comentário anterior, mas, além disso, penso que seja uma forma de que eles apreciem seu trabalho postado em um blog, concorrendo em um concurso de âmbito nacional; bem como o trabalho dos demais poetas. Trata-se de uma mobiliização de nível cultural, que atinja a muitos brasileiros que, precisam sim, ler mais poesia, valorizar a arte de sua terra.
Obviamente que, de certo modo, isso poderia lhe ser benéfico quanto à enquete, mas o fato de você ter fobia social, não ter uma rede social vasta, enfim, não significa que que você venha ter apenas dois votos!! Os poemas postados passarão pelo crivo de muitos leitores que não possuem vínculo algum com os poetas concorrentes. Ou seja, você pode se classificar sim, através da qualidade de seu poema.

Ah, e obrigado pelo presidente da república, rsrs. Também não é para tanto, meu caro, rs. Eu peço que votem na poesia, seja de quem for. Que elejam a poesia para suas vidas. Ela sim, é capaz de transformar uma nação de sentimentos e pensamentos que existe dentro de nós.

Qualquer dúvida, estamos por aqui!
Obrigado,
Lohan

Camila Furtado disse...

Gostaria de acrescentar que o blog possui um perfil no Facebook e no Twitter e que vamos divulgar todos os textos igualmente. Através destas redes também incentivaremos a votação na enquete. Como sabemos, ao compartilharmos um link nessas redes, estamos ampliando o alcance a todos os nossos contatos, que farão o mesmo, e por aí vai...
A divulgação do concurso tem nos mostrado resultados satisfatórios e nas enquetes temos certeza de que não será diferente.
Vale ressaltar que apesar de contarmos com uma equipe de jurados altamente capacitada, não devemos e nem queremos deixar de lado a opinião daqueles que sempre nos acompanharam, os leitores.

Anônimo disse...

Quem é este Milton Maciel? Este pilar das letras nacionais! Que comentários sublimes sobre os candidatos e seus versos, estou realmente estupefacto com a honestidade de suas considerações!

O concurso não é mais o mesmo depois de Milto Naciel! Este gêêêêênio da arte literária, que já merecia estar na Academia Brasileira de Letras, infundiu todo seu vernáculo determinando todas as direções para as quais devem convergir a mística poética.

Um baluarte do 'trovar' lírico, sob o qual todos nós que vertemos o sangue em nome da arte de Camões, devotamos nossa alma de pedintes intelectuais.

Nós que desconhecemos as regras basilares da Gramática Normativa, por Deus! Salve-nos Grande Nilton Muriel!!!!

Como posso passar mais uma noite sequer nesta plácida comunhão com o silêncio dos ignorantes depois de ler suas egrégias palavras, que remetem ao mais divino patamar da natureza:

"As dicas estão dadas acima."
(Capítulo XX, versículo XXI)

Leitores deste blog ungido pelo saber de Milto Maquiavel, olhem para cima, comunguem as dicas do proscrito Nilto Maciel!!!!!!!

Poetas imaturos, não percam a fé!
Consagremos nossa esperança à luz das letras, esquinas e bueiros.

Anônimo disse...

A experiência e o aprendizado dificilmente tornam uma pessoa arrogante. Acho que o Milton Nascimento foi arrogante, sim. O meu conhecimento profissional (não poético) nunca me permitiu subestimar o trabalho de outros colegas de profissão, por mais que eu seja reconhecido por grandes empresas como um dos melhores profissionais do país, no meu ramo.
A minha experiência de vida, também já me ensinou, que no momento em que eu me acho melhor do que os outros, os outros me surpreendem com um trabalho incrível e eu fico com cara de tacho.
Nilton Melton, menos.

Anônimo disse...

Resolvi continuar meu comentário. Quero ressaltar, que as críticas dos jurados serão o maior troféu dos participantes, e elas não devem ser poupadas da verdade. É que eu achei difícil acreditar que o Nilto (vou resistir à ironia, como um viciado resiste às drogas) não achou nada de interessante em nenhum dos textos que leu. Não estou propondo o meu, pelo contrário. Muitas pessoas participaram. Se ele não espera nada do concurso, porque não leu nada demais nas poesias dos participantes, acho que ele irá julgar todos os trabalhos com mau humor e apatia. Precisamos dessa honestidade focada a cada trabalho. Afirme em bom tom que minha poesia é uma m****, mas não condene para sempre todos os participantes a meros expectadores do mundo literário.

Anônimo disse...

‎"Em se tratando de literatura brasileira, o sujeito que achar que sabe alguma coisa, ou que acreditar na glória literária, é um puro e simples idiota, é um otário, como diriam os meus personagens, absolutamente desavisado"

João Antônio autor de " Malagueta, Perus e Bacanaço"