domingo, 1 de abril de 2012

Lista contendo as 90 poesias classificadas


Pseudônimo: Dersu Uzala
Título: Tempo



os jornais recolhidos
empilhados na calçada
da João Ribeiro

meu avô em cochichos abreviados
o ar grave dos segredos
do meu canto
a curiosidade dos sete anos

os homens fardados
recolhendo as pilhas abatidas
páginas em branco
dias amarelos
céus de chumbo

o que diziam?
o que queriam?

presidente morto
presidente imposto

os dias sem aula
os passeios pela estação abandonada
os campos tomados
a estrada destruída

as lembranças inventadas
impenetráveis previsões zodiacais
acima de tudo
apesar de todos
amanhã será muito melhor

os dias de maracanã
míticas partidas
as praias limpas da Ilha do governador
as férias em Campo Grande
entre filósofos e peter pan

heróis apagados
gibis queimados
quadrinhos eróticos

os dias de neblina e chuva
o luto pela morte da bisavó
a herança das cartas de alforria
arroz colorido no hotel de Valença
a procura pelas brechas do tempo
por algo que não se perdeu
o tempo impostor de destinos

agora a mão vacila nas ondulações da estrada
não permitindo o poema em linha reta.


Pseudônimo: Machado Quintana

Título: Embornal



Abro por descuido o armário que abriga infância
deparo-me com o embornal verde musgo
meio marrom, meio ferrugem, meio saudade.

Hoje não houve pressa pro trabalho – a hora se perdeu
o embornal e eu sentados nos olhando
lambaris, carpas e cascudos a foliar
em minha cabeça
me fazendo menino de novo

Hoje não havia a caixa verde que girava
nem anzóis de todos os tamanhos...
nem tarrafa, gosto de chumbo na boca, cheiro de peixe no ar
escamas grudadas na faca de cabo preto
no meu cabelo, no meu peito
não havia fogareiro
nem dedim de cachaça escondida do pai
nem barulho de rio entrando na fresta da janela
Variante grená.



Hoje nem vagalumes, nem barulhos estranhos,
nem papo besta de homens embriagados, gargalhando
nem meu pai estava aqui
nem meu irmão...
muito menos o menino que fui eu...

O embornal estava,
velho, puído... Cheio de histórias!
preciso perder mais vezes a hora do trabalho...
preciso guardar as lembranças de novo
e de vez em quando sorvê-las...

Preciso das saudades
no mais... Nada... Nada... Nada...
peixe solitário...





Pseudônimo: Assombro

Título: Sussurros



Há uma voz infinita
em toda palavra morta
busco nas vertentes
na galharia torta
nas sementes
o eco
quem sabe encontre nos charcos
nas tumbas ou nas taperas
no começo de outro mundo
vagando
no vazio imenso
o verso







Pseudônimo: Manoel Helder

Título: Sombra de Sal e Silêncio



Não dizer palavra...
Deixar o silêncio plantar sua nódoa
na cinza dos olhos.
E uma sombra há de vir,
insustentável,
e despojada de dor e remorso e cansaço
trará numa das mãos linho novo,
alfazema;
na outra, conchas de praia deserta,
frutos da estação,
e ainda sem dizer palavra
acenderá os cílios com o sal das águas
de uma outra concha,
essa mão que rasgará silêncios,
tatuando na pele uma palavra gasta.







Pseudônimo: Ocelot

Título: Sinos



pain, pain, pain, pain, pain
toca o sino pequenino
oposto ao de Belém.

o amor está noir.



Pseudônimo: O Matemático

Título: Ponte Rio-Niterói



atravesso esta ponte

na intenção de fazê-la, um dia,

tão pequena quanto se queira;

dá-la-ei caráter tão infinitesimal

que cruzá-la será

como um piscar de olhos,

um leve cochilo descompromissado

à estrada-beira:

fato é que me parecerá

tão estupidamente ligeira,

que não saberei,

em vista primeira,

se fora a ponte reduzida em dimensão

ou se meu amor tomara tamanha proporção,

que atravessasse,

num ínfimo instante,

esta enorme fronteira.





Pseudônimo: FlorDensa

Título: Controverso Purpúreo

Na minha boca úmida
De tanto delírio e símbolo
As palavras se ressecam
E quebram
Como fragmentos de folhas secas
De memória e imagens
Um quebra-cabeça
Que pede para ser montado

Os espelhos brilham
As janelas pensam turvas
Minha cama gira
E o álcool me faz refletir
Sua boca abre purpúrea
Borboletas saem
De sua língua

As estrelas estão rindo de nós

E eu ainda me assombro
Na noite de seu olhar...



Pseudônimo: Maria Flor

Título: Patchwork

Cá com os meus botões
Alinhavo sentimentos rotos
Num emaranhado de cores
Desafiando o tempo e as diretrizes
Abarrotadas de promessas descumpridas
Cinzas de um carnaval vencido
Sem data
Sem valia

Com linha de cor forte
Cirzo as emendas do ontem
Num tecido fino de espera.
Desenho arabescos
E sigo o ponto atrás das correntes
Sem nó
Sem dó

Cá com as minha duvidas
Teço os dias e desfaço as noites
Com agulhas impiedosamente cegas
A rotina sangra-me as mãos
Sangrando continuo
Sem prumo
Sem rumo



Pseudônimo: Alice Lobo

Título: rascunho do mar



aos dezesseis anos
fui presa
por ter violentado o mar.

o mar.

a boca, imensa
cuspia farelos de coragem
e maresia

meu medo
joguei aos peixes-surdos do mar

arranquei com os dentes
o silêncio,
inaudível e vermelho,
do mar.

aos vinte e três anos
tingi os frágeis abismos
de areia que separavam
minha cela
do mar.



costurei labirinto para desmanchar
em tons de francisco
o espelho dourado
da água salgada

um sonho passou, deixando fiapos.

agora,
de tempos em tempos,
o mar vem me visitar.





Pseudônimo: R. Days

Título: O Verbo



Atado à carne:
O verbo,
Inexatas palavras decifrei
O que sinto
Não falo;
Febre todo dia.

Atado à corda:
O verbo,
Que a mão
Ampara ou enforca?
Segredos da alma invoca;
Febre todo dia.





Pseudônimo: Tonico Vieira

Título: Mata

dentes rangem
na floresta
coruscante
o verde escorre da serra





Pseudônimo: A.S.M. Spindler

Título: Chef!



Tempero a folha
- com travessão, vírgula e ponto.
Levo ao fogo e... Pronto!
Sento e degusto
um poema apimentado.





Pseudônimo: Nando Meikoloski

Título: Gangorra



Isso
de não saber ser rio
(só saber ser fonte
ou um vasto mar),
eu bem sei que, cedo ou tarde,
ainda há de me matar...

Isso
de não saber ser safra
(só saber ser seca
ou inundação)
torna certo que irá morrer
de fome o meu coração.



Pseudônimo: Sonhador

Título: À noite, perto de um pessegueiro



Uma paz tão repleta revelou-se
na serena oração do teu silêncio,
que secretas estrelas o céu trouxe,
e ao sagrado luar reverencio.

Não fala ainda, deixa o não dizer
das coisas traduzir o infinito,
guardemos nossa voz pra compreender
frases que nossas almas têm escrito.

E estrelas escondidas num celeiro,
cobertas por lençóis esbranquiçados,
podem ser encontradas e entendidas.

E as frágeis flores desse pessegueiro
sussurram que, em silêncios abraçados,
há mil frases de amor subentendidas.







Pseudônimo: Sabiá Duqueza

Título: Não carece ler o poema



Ler poema é maçada
é coisa que não carece,
se há poesia em cada esquina
onde o vento passa, sopra e se esquece,
lá no além do horizonte
onde o sol desponta,
resplende e falece



ler poema é coisa que não carece

a natureza em si - com seus raios e bentivis - já é das poesias a mais sublime
que já li




carece é ler a pedra
ler de tal maneira a pedra
que passe a se sentir pedra
sua pulsação secreta, seu grave silêncio,
seu coração adormecido


carece é ler, reler e tresler a flor
e sentir de tal maneira a flor
que passe a sentir-se flor
suas pétalas oscilando
dançando com os ventos
seu pólen, sua cor.

"eu sou um ipê amarelo
ipê cujo o sol encharcou
respingando em gotas seus raios
onde uma borboleta pousou"

mas se poema é coisa que não carece
porque - afinal de contas - escreveu o
poeta,
e porque tu leu - desocupado leitor?!





Pseudônimo: Vernáculo

Título: Vestígios



Trago na estrada do olhar
as sandálias do tempo
Com as gastas solas
de muitos verões
Semeei rastros
E asas-mudas cultivei
nas (en) costas
do dia
A planta dos pés
floresceu penca de nuvens
Folhaves repousaram
seus cantos verdes
em minhas amadurecidas mãos
Seiva e girassóis calcei
para sempre estar presente
em todos os hortos
frutificando risos
como chuva no chão
Quando a tarde chegar
sombreando os quintais
e meus calcanhares ruírem

ante o peso dos anos
de pé permanecerei
para colher os espinhos
que me feriram
Talvez afofe a terra
e descalço
indague enfim
à noite
Em que calejada estação
meus pés
juntos
se calaram.



Pseudônimo: Aprendiz

Título: Dicionário



Vindo da uva, vinho tinto,
Quebra do ovo, vida do pinto,
Busca do álcool, alcance da fuga,
Sina do copo, bebida à culpa.

O risco que desce o rapel,
O risco que mancha o papel,
O que descreve o próprio umbigo,
O que escreve o ambíguo.

A pele da presa na unha do predador,
A fé presa na palavra do pregador,
O peso da amizade que se preza,
O preço da novidade que prega peça.

A venda que cobre os olhos do vendado,
A venda que cobra o valor do vendido,
A escolha que provoca o rejeitado,
A escola que promove o escolhido.

Ter sorte pra ser mais amado,
Ser forte pra ter menos risco,
A fala que manifesta o falado,
A falha responsável pelo falido.

O freio da beleza, baque da imagem,
O feio da leveza, peso sem gravidade,
O feito certeiro e ultrapassado virou “ex-ato”,
O defeito, eterno condenado, foi humanizado.

O desejo tímido é “sub-atração”,
A antipatia em demasia é “multi-implicação”,
A atitude, nua, sem endereço, não alcançada,
A altitude do baixo da rua pro tropeço no engano da calçada.

A palavra que, distraída, emudece o ato,
A razão que se diz traída, muda o que falo,
O som da palavra que combina...
Equivale o poder da rima.





Pseudônimo: Mané

Título: Ceia



O sol espreguiça-se
Expande quilíferas
Transborda em teias de luz.
A noite, viúva negra,
Devorada iguaria
Perde a cabeça
No banquete do dia.





Pseudônimo: Pietro de Aragão

Título: Ser tão severino



Severino Silva sela sua sela.
Sol sertanejo, sem sombras suas.
Sacia o suor, semblante sofrido,
sente-se sapo ao sal sufocante.

Severino senil sobe em sua sela.
Segue só sentindo o seco daquela
saliva, sem soro ou sumo, sofrendo
da sede seculares sequelas.

Severino sangra sonhos sublimes.
Sertão e a sua seca sibilina.
Cego cede ao sol, sem sorrir, em silêncio,
e a sua Santinha sincero suplica.

Socorro, Senhora do seu Sertão sofrido!

Sinos sensíveis sibilam suspensos
Soltam-se sabiás, some a sequidão.
Os sons da chuva sossegam sãos
Sob a sola do sapato sementes surgem.

Seu Severino cedo sai sozinho
Sabe saudável a sua situação
Sugando, sorvendo a seiva do solo.
Sentindo o silêncio sombrio do Sertão.



Pseudônimo: Matilde Daruné

Título: Palavra-Tempo

Folha em branco
Tempo é pouco
Palavra seca
Som é oco

Folha vazia
Tempo é curto
Palavra fria
Som é mudo

Folha torta
Tempo é escasso
Palavra morta
Som no espaço

Folha incerta
Tempo à toa
Palavra quieta
Som destoa

Folha aberta
Tempo é raro
Palavra desperta
Som é claro

Folha esquenta
Tempo voa
Palavra adentra
Som ecoa

Folha ativa
Tempo pára
Palavra viva
Som dispara

Folha escrita
Tempo acalma
Palavra grita
Som é alma

Poesia é o som da palavra-tempo que sai da folha.



Pseudônimo: Barolo

Título: O espelho de Lori



Lori tinha um espelho
em que sua imagem tremulava.
Mal se via,
mal compreendia,
por que sobre ele se curvava.

Sempre tão linda,
sempre tão ela,
tão forte,
irrefreada,
naquele espelho se perdia,
em suas bordas se escorava.

Espelho fluido,
espelho fétido,
era nele que despejava
suas mágoas
suas entranhas,
sua estima abalada.



Mas eis que um dia de tão cansada
da própria imagem vomitada,
pôs-se de pé,
lavou a boca,
abaixou a tampa,
puxou a descarga.



Pseudônimo: Per-verso

Título: Per-versa



Ninfa,

Cabelos como chamas, bunda como sorri

Corpo inteiro em frenesi.



Maníaca,

A língua introduz o tapete vermelho

Explodem dos olhos lágrimas brancas

Oscula com o cu

Vadia com a vagina

Clama com o clitóris:

Priapo, ora por nobis.



Buraco negro via láctea

Une o verso em comunhão

Todo gozo que excede

É vício pela perversão.





Pseudônimo: Anna Lisboa

Título: Ela do beco

Anônima e solteira
Parecia assegurar-se de um romance
Nadava sem roupa
Sem seios sugados
O tempo passava bordado
Preferia os fuxicos coloridos
Criados pelos dialetos de overloque
Nem mais, nem menos linda
Apenas mulher, aliás, infinda
Detestava claridade
Barulho
Sorvete de lucidez com pistache
A lucidez lhe atacava o fígado
Mas adorava a novela das 08h59min
Pena ter perdido seu último capítulo
Ela do beco
Eu dela
Sem saída.





Pseudônimo: Gzin

Título: Canto da página



No canto da página
Um canto torto, áfono.
Uma borda (re) virada,
Orelha (ab) surda,
Sem dar ouvidos
A nada!

No canto da página,
Aba que desaba
A linha da vida.
Indefinida.
Interrompida.
Uma pauta
Iletrada,
Sem assunto,
Sem nada!

Um vão simétrico
Milimétrico,
Quilométrico,
Nas entrelinhas
Do dia.
E mais nada!

No canto da página,
Plangente alta-alvura.
Ansiedade folheada à procura
Da canetada perfeita,
Da grafitada explosiva,
Da ideia fluida,
Da eclosão de cada um dos sentidos,
De todo o sentimento,
Da sua íntegra transcrição.
Uma mancha ínfima que seja
No papel da história.
E nada de nada!

No canto da página,
Quantas arestas
De uma melodia vazia,
Entaladas
Na quina da garganta
Que regurgita
Suas ausências
Assim do nada!

No canto da página,
Simplesmente
Um branco pleno, eterno,
Ainda a ser rascunhado,
Preenchido
Pelos seus encantos
Ou, por que não,
Seus temíveis desencantos!
Mas, que nada!



Pseudônimo: G.D

Título: Extra-Extra



Palavras
estupradas!

encontrado na calçada,
O poeta de pé,
cara suada e calças
ainda arriadas.





Pseudônimo: Maria Miranda

Título: Velhas Unhas Vermelhas



"Borboletas na barriga, pobrezinhas.

As que não se afogaram na cerveja,

sucumbiram ao antiácido."



Desde o princípio

soube que haveria um meio

Aquele sorriso

que me enlaçou a cintura

Pronto! Toda sua.



A gente se excitava,

gritava exclamações

e deflorava rosas

num bem-me-quer infinito.



Havia musicais

e nenhuma dor nos meus ais

Tínhamos cama

e você me comia

sem nenhum pudor.



E então...

Véu, grinalda, igreja

E tempo.



E passamos a encontrar

flores de seis pétalas

Nunca mais bem-me-quer



Gemidos viraram interrogação

A cama ganhou colcha rendada

Meus ais, frustração.



As promessas ficaram pesadas

O fado virou fardo,

coisa que não sei dançar.

O amor rodopiou e caiu tonto

No tombo quebrei a cara

e te arranhei as costas.



Promessas impostas

Felicidade ao revés.





Pseudônimo: Lobo do Mar

Título: Fugindo numa tela de Van Gogh



Cansado das vãs teorias,
busco a letargia
dos alienados felizes.
Não quero saber da política,
viro as costas ao feio
e à hipocrisia.
Entrego-me à incoerência;...
só vou ouvir os pássaros
e apreciar as orquídeas!

Chega de tantas mentiras,
da esperança perdida
da pesada leitura.
Fico à margem dos dias,
da falsa engrenagem
das tristes notícias.
Cedo-me à ignorância;...
só vou ouvir os pássaros
e apreciar as orquídeas!

Farto das ideologias,
dos beijos de Judas,
das falas prolixas,
renego as tramas noturnas,
as turvas matizes
e as falácias da vida.
Rendo-me à intolerância;...
só vou ouvir os pássaros
e apreciar as orquídeas!





Pseudônimo: Fowl

Título: Sujeito Imperfeito



Disseram-me que era feio
Hipócrita, desleal e equivocado
Um completo desamparado
O excluído deste meio

Conheci-o nesses dias
Em uma tarde de euforia
De passagem, quem diria
O sujeito imperfeito

Vasculhei a sua alma
Com calma, sem pressa
E descobri a grande peça

Mentirosos asquerosos
Mudam-lhe a face, criam um nome
Sem mostrar, de fato, o homem





Pseudônimo: Poema

Título: Psicologia de uma composição



Eu sou filho do som e do sentido,
sou fingidor que nunca será nada,
sou trezentos, trezentas e cinqüenta,
sou, do verso alheio, o pirata.

Uns tomam éter, outros cocaína.
No meu leito de linhas, bebo versos
alheios, os melhores violinos
das cavernas de um cérebro binômico.

...ecos longuíssimos se confundindo...
Sob essa face neutra, tenho mil
faces secretas tecendo a manhã

e o tropel cabalístico da Morte.
Não sou alegre, também não sou triste.
Eu nasci nu do sono. Sou poema.



Pseudônimo: Artemis

Título: Ainda que...



Ainda que medos houvesse, e receios,
E com eles bifurcações em desalinho,
Eu faria dos inteiros, os meios,
E dos meios o caminho.

Ainda que do caminho se fizessem
Sentimentos vis e mesquinhos
Eu extrairia deles duas preces
E das preces, passarinhos.

Ainda que nos passarinhos eu vislumbrasse
Uma dor que anda sem identidade
Eu faria dela um origami
E deixaria que a corrente carregasse.

E se por acaso
A luz me faltar na hora exata
Em que eu deveria sobrepujar
A angústia da mortalha
E a barreira do pesar
Farei de suas mãos os meios
Para atingir minha moradia tão sonhada
Na qual eu possa ali deitar
O cansaço que corre em minha veia
Por alguns segundos pequeninos
E sentir passar minha vida inteira
Como um passo de valsa
Ao som dos violinos.



Pseudônimo: Celacanto

Título: Tarde vazia



A gaveta lacrada no quarto escuro
Estrada de fluxo fático

Veneno lisérgico da tarde
Devorando entranhas estranhas
Tamanha pessoa fosse

Face nos lençóis amassados de ontem
Ela descasca romãs maduras



Pseudônimo: João do Lago

Título: como se minhas palavras queimassem tempestades

como se lambesse fogo
chamasse ar
olhasse chuva
ouvisse estrelas
cantasse lua
falasse chão
tocasse noite
pedisse sol
como se bebesse amor

como se sentisse palavra
suspirasse dor
observasse vento
reclamasse sonho
chorasse vida
plantasse nuvem
colhesse cometas
como rezasse amar

como se abençoasse céu
engolisse oceano
cantasse silêncio
perdoasse saudades
afogasse solidão
revirasse beijo
como se viajasse verbo

como se ardesse vinho
batizasse rio
andasse ilha
pintasse voo
como se dançasse água

como se pedisse adeus
como se sofresse pedra
como se amanhecesse sombra
como se anoitecesse pão

como se te amasse oceanos
como se eu te chorasse luas
como se parisse astros

como se afagasse luas
como se sentisse outonos
como se dedos rabiscassem prazeres
como se os lábios gozassem chamas

como se flutuasse ausência
como se costurasse lamentos
como se recortasse vulcão
como se prendesse déjà vu



como se tatuasse arrepios
lambesse frêmitos
expulsasse lavas

como se pintasse uma prece na tua nuca nua
minhas mãos te falassem suores
meus sussurros te tocassem alma
minha língua te traduzisse gozo

como se as velas se rendessem ao sopro do olhar
como se os olhos pedissem teus sonhos
como se meus beijos te digitassem poemas
como se teu corpo falasse chamas no inferno dos dedos
como se socorresse teu rio
como se aliviasse o peso de tuas lágrimas





Pseudônimo: Allived

Título: Abissal



Em lamento profundo
Choro pelos moribundos,
Que nas calçadas da sorte
Agasalham a fome
No seio da morte.

Pranteio pela angústia
Do pai pela prole,
No riso que chora
Pela esperança que esconde
O fel que engoli.

As lágrimas que encharcam
Os restos das guerras,
São tristes monções
Que sopram uma paz
De amargas mazelas.

E na abissal cobiça
De o imprescindível querer,
Questiono a triúna
Que outrora existia
Na essência do ser!



Pseudônimo: Charles Controle

Título: Anfitrião Ausente



Ausentei-me de casa
Lotaram a sala
Pés dão boas-vindas
Vieram todos me ver

Não vieram ontem
Hoje apenas
Vi a cena do anoitecer sozinho
E quando escureceu
Vieram todos me ver

Os sonhos deixei de herança
Ao meu amigo
Que ficou comigo
Quando eu não estava mais
Lotaram a casa
Vieram todos me ver

Ritual de vir e de ver
O devir cansou
O dever de casa
Sou o inesquecível relembrado
Num empoeirado álbum
Sem filme queimado
Vieram todos me ver.



Pseudônimo: Pedrita Drummond

Título: Fluxo

O corpo frio
Estendido
No asfalto
Quente

Interrompeu
O trânsito,
Interrompeu
O sol,
Interrompeu
O jantar
E a alegria
Que ainda surgiria

O corpo
Só não interrompeu
Minha poesia



Pseudônimo: Luiz da Guia

Título: Para O Verso



Para o verso - a rima
Para o sucesso - o prêmio
Ao meu fracasso - a sina
Para a escrita - o gênio

Para o verde - o mato
Para o corpo - a dança
Ao argumento - o fato
Para a vitória - a lança

Para o cinza - o breu
Para a pele - a sombra
Ao teu amor - o meu
À tua droga - a lombra

Chega de até - o adeus
Chega com fogo - a chama
Aos meus carinhos - os teus
Junto aos meus pés - a lama



Quero poder - o lixo
Para o orgasmo - a cama
Ao meu ouvido - o grito
Toda comédia - o drama

Vamos tentar - o novo
Vamos sorrir - a boca
Para o engano - o povo
Toda miséria - é pouca





Pseudônimo: Lune

Título: Conjunctio



crua a carne que me sacia
vermelha
obelisco que a boca suga e regurgita
em branco, em ânsia, em pressa

crua a carne que me lavra
morna
insone que me adentra e desabita
em riste, em sede
sismo.





Pseudônimo: Peter Pan

Título: Bois e pássaros


Conhecer as encostas neste mar de cascalho
onde proliferam lágrimas e risos de condição humana
nesta pequena aventura que recomeça a cada dia.
Homem: por dentro a prisão da carne
ou a liberdade do grito? E ressurge como os capins
o impacto da pedra
na fronte.
Quisera ser os pastos de bois e pássaros
e pragas e conhecer cada pequeno existir
cada fuga de carne mínima, cada centímetro
de ruptura e colisão, como numa caçada
de falcões.
O homem por dentro: ser posto no mundo,
largado no mundo feito
coisa,
painel de guerra
e fúria.
Como ouvir este silêncio escondido sob
os ventos do turbilhão? Homem: coração
de pedra e carne.
Homem: leão, rato, palavra. Desígnios do mundo
de terno e gravata. Conhecer tantas faces
dentro da face, qual trama de mar

e tinta abjeta, escrevendo as memórias
do porão.
Uma concepção de paraíso debaixo das pernas
do tempo.
Bandeiras de derrotas
e vitórias
crescendo como pendões de milho
nos campos minados da solidão.
E a palavra homem criando personalidade própria
como mosca nascendo do barro:
criação!

Mas não é só isso: há também a foice recurva,
que reclama o pescoço, as notícias de amor
e morte
vindas de longe, muito longe, pelos fios de cobre, ondas do ar.
Receio de dizer quanto ainda resta de homem no dicionário
e no zoológico,
quanto resta de homem na memória dos bichos,
nas pegadas da lama,
nos dentes da lua,
nos ossos da solidão?



Pseudônimo: Urbanoide Lírico

Título: Sobre Tempo e Memória



A maçã
apodrece
sobre a mesa.

A comida
posta à mesa
(que apodrece).

Tal qual
um homem
apodrece.

(Seu olho de vidro.)

A mesa
apodrece
sob a maçã
(aquela),

sob o prato
de comida,
que também.



A madeira
apodrece
o interior da mesa,
antes.

E o homem
(o mesmo)
tem tremor nas mãos.

A fórmica,
revestindo a madeira,
solta-se em lascas.

(Como a pele
do homem.)

A comida
apodrece
na escuridão
no estômago.

(E o homem
regurgita
pássaros
calcinados.)



A memória
da maçã
já não traz
a mesa,
que não traz
a madeira,
que não mais

a árvore.

Esta
já não (se) lembra
(d)a floresta.

(Envelhecer
é só –
e sozinho.)

O homem
e seu dente de ouro,
sem sorriso.

A mulher
e seu colar de pérolas,
sem a festa.



Um e outro
e sempre sem
(e só).

Na memória
de ambos,
um que se foi
e outro nunca.

A mulher
reluta
em ser a maçã
(que apodrece).

E o homem,
a mesa
(que também).

(A madeira
corroendo(-se)
por dentro.)

A memória
(dela)
seca-se,
como a carne
da maçã.



Seca-se,
como os olhos
(de vidro?)
filtram
a desluz.

A memória
(dele)
sobe na mesa,
pula da árvore,

cai no rio.

Mas rio
já não há:
vazio espesso.

E o homem-
árvore
apodrece
longe

da floresta
de homens.
(Envelhecer
é só –
e sozinho.)



Torna-se
refém
da memória.

Como a árvore,
da terra que
a sustém.

E a maçã,
da espada
que a corta.

A memória
é frio aço
de dois cortes.

Tanto fere
quem a cultiva
quanto
quem a ignora.

A memória
é lâmina
que divide
as horas.



Como a espada
trespassa a maçã
(sua carne
morta).

A memória
é substância
torta
se apodrece
dentro
de quem
a gesta.

Tal qual
a comida
(indi-)
gesta
os vermes
que a
devoram.

A memória
(presente)
esconde-se
em ausências
fortuitas.



Relógio
sem pêndulo,
marca o esque-
cimento.

A memória
paralisa
o tempo

(rio de matéria
putrefata).

Tenta
dissol-
vê-lo – unir
suas pontas.

Ou dividi
-lo:
múltiplos
espelhos.



A memória
quer fazer-se
mesa
antes
de fazer-se
árvore,
antes de
floresta.

A memória
quer lograr
o tempo
no falso
de suas horas.

Já o tempo,
por seu turno,
não se dá
por vencido.

E separa

a madeira
da mesa,

a mesa
da maçã,

a maçã
da mulher



a mulher
do homem

e o homem
de si mesmo
(o outro
que já
não há).

O tempo
se-
para,

enquanto
prepara
o bote
no mote
do homem

livre

(como disse
o gênio
torto)



: ser livre,
de fato,
é estar
morto.





Pseudônimo: Esteves Sem Metafísica

Título: Bilhete na Geladeira

querida F.,

vou ausentar-me por algum tempo
o revólver está dentro da gaveta
os cadáveres estão no guarda-roupa
não se esqueça de alimentar o peixe

com amor,

R.



Pseudônimo: Oapologista

Título: Menino Morto

Hoje eu sonhei com um menino morto,
Tão lindo... Tão inocente... Tão Triste,
Parecia dormindo, cálido, absorto,
Num mundo dele, que não mais existe.

Hoje eu sonhei com um menino morto,
De uma bela infância que não volta mais,
Que vida linda... Mas que sonho torto,
E que gente triste junto às catedrais.

Hoje eu sonhei com um menino morto,
Não vai mais brincar com outros na rua,
Como barco quebrado no cais do porto,
Uma vida ceifada, mais uma alma nua.

Hoje eu sonhei com um menino morto,
Não vai saber o que é amar... Não vai,
Não há mais sonhos, é um ultimato,
Que como areia nos dedos, se esvai.

Cheguei mais perto pra ver quem era,
No mundo de sonhos que se perdeu,
Contemplar na face sua última quimera,
Esse menino morto... Meu Deus... Era eu!





Pseudônimo: Marco Lossal

Título: Peditório

Eu quero dar forma às nuvens,
Sem nunca parar em esquinas,
Sempre cambalear em linha reta,
À espera que a puta da vida
Nunca me venha a atropelar…

Empinado e de ombros largos,
Peito aberto e braços soltos,
Cagando e andando para a sorte,
Baixar meus escudos polidos
E armaduras de prata e ouro,
Deixar saltar-me em cima a vida.

Contar minhas fobias a todos,
Deixar-me amedrontar pelas deles,
Ter para todas as perguntas tolas,
As respostas na ponta dos dedos.

Eu quero partir o lacre das coisas,
Que guardei comigo para alguém.
Deixar de cantar nesse samba
O enredo histórico obrigatório,
Deixar-me de ladainhas e canjas.

Eu quero ser como um trigal
Que quando sente saudades
Da terra, pede ao vento que
O curve em direção a ela…

Quero ser a espuma de um rio
Limpo dos efeitos do sabão.
Quero não ter nem erros nem acertos.
Quero apenas querer-me bem…

Quero que o sol me perfure as íris.
E a chuva seja lágrimas em mim.
Quero cristalizar meus momentos
Em pedras preciosas e arco-íris.

Quero muito e quase tudo,
Quero falar e ser mudo…
Pareço muito modesto, mas não sou…

Eu sou o avesso da vontade dos outros.
O reverso dos desejos de todos os homens.
Eu sou a fome que dorme na carne da maçã.
As altas temperaturas das costas africanas.
Eu sou só eu, doa isso a quem doer.



Pseudônimo: Lelo do Valle

Título: Sujeira assaltada



As mãozinhas correm ligeiras
o tempo corre atrás delas.
As pernas magrelas, as unhas sujinhas,
a flanela esfrega, limpando a sujeira,
que na pressa é inventada
pra ganhar algum trocado.

Inventor mais infeliz
o criador dessa profissão.
E pobre desse alguém
que faz dela o ganha-pão...

Nem sequer chegou a pensar,
nem teve tempo pra querer.
Pensar nem lhe é permitido,
e o querer não tem lugar.

Antes de pensar tem que correr,
correr se quiser sobreviver.

Pensamento livre só na hora do sono,
apertadinho
entre outros corpos magrinhos,
sonhando
sabe-se lá com que.

No sono ele é dono.

Nesse sonho tudo pode acontecer.
Não ter que correr,
sentar na sombra do mangueiral,
ter tempo pra querer, pra brincar,
não precisar roubar.

No sonho a geladeira é cheia.
A vida é gostosa
é criança sem cobrança
tem até um bolo inteirinho
prontinho na cozinha.

Mas o sol vem e o sono vai.
Depressa já esqueceu,
que em outro lugar,
em outro tempo não era quem é,
mas alguém que um dia queria ser.

Pior do que ter acordado,
e encarar de novo o puxado,
é lembrar de relance,
que tudo era diferente,
que se sentia até gente.





Pseudônimo: Jean Jacques

Título: O Tempo... E Agora?

O tempo,
Este demônio arredio sem fim,
Beija meu rosto no escuro do futuro
E me persegue fugindo de mim.

O tempo,
Este louco poeta em camisa de força,
Declama ao mundo os seus insones segundos
Como conta-gotas da eternidade...
E no fim das contas, fim dos dias,
Cada hora é a ironia das divindades.

O tempo,
Este transeunte das lâminas afiadas,
Acaricia minha pele como um coveiro,
Transformando em negros cemitérios
Cada luz poética de um conto de fadas.



Pseudônimo: Beatriz

Título: Atacama



Atacama
Ata-me
Ataca-me
Atiça-me

No deserto
Na rua
Na lama
Na cama





Pseudônimo: Dona Dita

Título: Contravenção da natureza



Não se deve usar

Cachoeiras

Para a lavagem dos

Bichos.





Pseudônimo: Sol

Título: Escravidão Contemporânea



Hoje, minha senzala
é o relógio.

O capitão do mato,
o celular.

Meu fazendeiro,
o capitalismo.

O tronco
é o produto.

O chicote eu mesmo seguro.

E o quilombo
Onde está?



Pseudônimo: Gaspar

Título: Mais heranças

me mostrou como brinca o tatu-bola
me deu a madrugada fria e pernas tortas
caminhar não é tudo?
pois tome o gosto amargo
e a alegria incerta

os estertores, dizia

das poções
das suas
é a medida errada
que trago um pouco
a cada dia
(um gosto insosso de fantasia)

“seja muitos”
“seja todos”
acabei o mesmo
até quase o desespero

meus passos recuando
seco nessa hora
em que os bêbados e os morangos
coram divertidos
trago: nem todo golpe é de misericórdia






Pseudônimo: Sombra

Título: Soneto do amor de vidro



Eu quero amar uma mulher como amo a neve
De uma lisura imaculada, um pombo branco...
Que em silêncio o seu olhar exprima tanto
Que faça intensa a minha vida enquanto breve.

Pois, o meu amor é este que se atreve
A queimar os tesouros que se enterra,
E é preciso, pois, essa alma em guerra
Para que cale o coração e a alma enleve.

Meu coração é um campo de batalha,
É uma metástase lenta que se espalha,
É uma mágoa que eu escondo em riso falso...

E é natural que eu ame assim sozinho,
Pois o amor nesse mundo é um chão de espinho
E eu vivo como quem anda descalço!





Pseudônimo: Lilith

Título: Sexy Boy



Com seu enorme cigarro
francês
ele se aproxima
fuma
sorve meu hálito
e despe virtuosamente
minhas vestes
(inexistentes)
desvenda-me com o olhar
e venda meus olhos
trilha sua carreira
branca
entre meus seios
sorve minha pele
acende meus pêlos púbicos
públicos
afoga-se nas coxas
por uma gota da brasa
(deixou cair)
sorve meu suor
e apoia o cigarro
entre os dedos dos meus pés
fuma
ele se afasta
francês

com seu enorme cigarro





Pseudônimo: Curinga

Título: Soneto do rato



Ó pássaro, que voa lá no alto
por nuvens que obnublam-me a visão,
vislumbro-te o adejar aqui do chão
e toma-me o espavento assim, de assalto.

I’m sorry, if I am looking like a “nerd”,
mas noto a galhardia de sobejo
e venho invectivar-lhe em meu bradejo:
Je suis jusqu’à mon cou de cette merde!

De longe é bem mais fácil ser bonito,
não há um que discorde, isso é um fato.
Pois bem, sem desacordo, sem conflito.

Desculpe, então, cortar o seu barato.
Tu vês, ó ave, apenas o finito,
o céu, por sua vez, quem vê é o rato.





Pseudônimo: Moline

Título: Amarga



De manhã como um pão molhado no suor do café
Desmantela nunca escorre pelos dedos
Passa nem cheiro fica
Ontem mesmo seu gosto não fazia parte de mim
Andando sempre
Preferindo andar
Procurando o início dos acenos
Pisoteei as flores ao olhar demais para o céu
Esse é um dia simples sem teus passos apressados
Eu me estranhando com a sua nuca
Hoje sem seu inferno sem respostas
Uma única idéia:
A noite me reserva outras surpresas
Um chocolate no mercado não
Um saquinho de frutas secas
Achei que fossem laranjas
É amargo esse damasco gostei muito
Agora um café – obrigada
Para mais uma jornada – de nada
As lâmpadas vão se acendendo pela rua
A noite me reserva outras surpresas
Luzes é você que vem pelas ruas
A boca repleta de pó

Não respiro
É asma esse vazio no peito
Talvez a cidade
Talvez sinta que eu notei
Sinto seus dedos encostando na minha pele
Não respiro não disfarço
Quando na sua pressa tudo me invade
E agora a chuva faz sumir seus pedaços
É nosso jogo de mistério
Tudo parece parar
Enquanto um só carro desliza pela avenida escura
Eu desvendo a dica de um semáforo apagado.



Pseudônimo: Diego Duá

Título: Matheus no céu



Quando Matheus morreu dormindo,
Chegou ao céu pensando que sonhava.
Fodeu sete virgens imaculadas
E foi conhecer o céu se rindo.

E lá tinha leite e mel,
Uísque, batida e conhaque.
Tinha livre comércio de craque
E vinho San Tomé a granel.

Viu que o sonho demorava,
Mas não desejava o contrário.
Fodia até esfolar o caralho,
Bebia e depois se drogava,

Dormia e não acordava do sonho.
Vivia feliz onde estava...

Um dia comprou uma arma,
Que no céu o comércio é liberado.
E depois de muito ter pensado,
Quis ver se morriam as almas.



Morriam de fato, as almas.
A chacina no céu era sem fim.
E depois de tal estopim,
Outros quiseram assassinar a calma.

Matheus fez um bando no céu,
Tinha mais fel do que Lampião.
Era tão libidinoso e cruel
Que lhe chamavam filho do cão.

De tanto que o bando matou,
No fim no céu sobraram poucos.
E pegaram os anjos a socos
E trancaram num mausoléu.

Pras novas almas que chegavam
Contavam uma outra história,
Que os anjos se revoltaram
E fizeram do céu tal escória.

E os dias se passaram no paraíso
E Deus não apareceu.
E Matheus foi perdendo o juízo,
Dizendo que o céu era seu.



Mas um dia Deus voltou
Com o coração na mão,
E se revoltou com Matheus:
— Tens mais fel do que lampião!
Matheus disse: Não sei não,
Que eu não conheci o sujeito,
Só batendo peito a peito,
É que eu sei se sou mais bom.

Deus do céu com tal afronta
Sua divina paciência perdeu.
Disse que o céu era seu
E Matheus não dava conta.

MATHEUS
Eu dou mais conta que você
Que some e abandona a gente,
Que deixa criança doente,
No relento com fome morrer.

E de fato era verdade
Que na terra ia tudo bem.
Há tempos não matavam ninguém,
Tinha justiça e liberdade.



DEUS
E quem você é pra falar,
O que faço ou deixo de fazer?
Até agora não parou de beber
E virgens no céu já não há.

MATHEUS
Posso ser beberão e safado,
Mas lá em baixo ninguém passa fome.
Se tem virgens e não come,
O senhor deve ser lesado...

MATHEUS
E quando cheguei aqui;
O céu não era o que pensava.
Tal maloca não se encontrava
Em nenhuma cidade que vivi.

Deus pôs a mão no bolso
Ameaçando o inimigo,
E pegou um celular antigo
E cancelou seu almoço.

Depois tirou as sandálias,
Que foi pra se preparar.
Para a luta que iria travar
Com seu sucessor canalha.



Matheus também se preparou,
Fez até alongamento,
Enquanto citava os mandamentos,
Que ele mesmo editou.

E a briga começou!
Deus lutava muay thai!
E Matheus um vai não vai,
Que ele mesmo inventou.

Parecia o drunken boxing
Do filme do Jackie Chan.
Ao som de solovox,
A briga rompeu a manhã.

O resultado chegou.
Imagine o que se deu;
Eis que Deus escorregou,
Bateu a cachola e morreu.

Matheus ergueu o troféu,
Que era por ouro banhado
E gritou extasiado:
Eu sou o rei do céu!



E durante sete anos,
Sete dias e um segundo,
Matheus reinou no céu
E a paz reinou no mundo.

Até que Matheus se viu
Enjoado Daquela paz.
E sozinho decidiu
Fazer um acordo com satanás.

MATHEUS
Olha demo me escuta.
Nós dividimos o reinado,
Eu condeno a má conduta
E você castiga o condenado.

MATHEUS
Quando eu sair tudo é seu
pra fazer o que quiser,
Mas exijo uma coisa eu:
Leve a sério este mister.



MATHEUS
Vou sair pra dar uma volta
E volto em dois mil anos,
Dê um baile como eu faço:
Agrade a gregos e troianos.

O contrato foi firmado.
O diabo é o vice-rei.
A verdade eu contei
E tudo está neste estado.

E nada mais falarei
Desse reinado atual,
O que era bom está mau,
E não me prolongarei.



Pseudônimo: Jack Four

Título: Vividamente



Se houvesse anos
Em que todas as pessoas amadas e idas
Pudessem voltar

Se houvesse meses
Em que tudo o que foi perdido
Pudesse ser encontrado

Se houvesse dias
Em que todos os sonhos quebrados
Pudessem ser consertados

Se houvesse horas

Se houvesse

Eu não trocaria todo esse tempo
Todo o tempo do mundo
Por um único segundo
Em que todos os arrependimentos
Já não mais fossem

Assim, eu seria feliz
Mesmo com todas as despedidas
Mesmo com todas as perdas
Mesmo com todos os sonhos partidos

Neste último segundo
Eu saberia - que se me despedi com dor
É porque conheci o amor
Que se perdi - é porque um dia encontrei
Que se meus sonhos não se cumpriram - é porque a realidade
De tantas dores e perdas... foi

Vividamente vivida

Vívida
Vida.



Pseudônimo: João Saramica

Título: Cotidiano

Um político passa em carro alegórico
a súcia aplaude. Uns poucos impetuosos
vaiam. Coisas da oposição!
O centroavante perde o gol e o grito
transformado em murmúrio, morre.
Alguns praguejam à vontade, de boca-suja.
São tempos de seca, vacas magras devoram
a ilusão gorda e rica.
Faraó decreta o racionamento, alegria fragmentada,
em torrões é servida em migalhas.
Um burro rola na relva espaventando fantasmas
de arreios e chibatas e esporas...
O automóvel para na esquina e a menina indecisa
tropeça no passeio. A malta gargalha
e ri com toda a boca e dentes...
Pairam os arranha-céus sobre calçadas e marquises
espionando pedestres minúsculos que olvidam o céu
nem para previsão do tempo.
A cidade se excita nervosa, geme em cada esquina
e praças. Estala, dilata, contrai. Será que arrebenta?
O besouro, embalde tenta desvirginar vidraças,
as flores se perdem no asfalto, e mortas se despetalam...

É a vida que flui!





Pseudônimo: Ganglamne

Título: Selva de Homens



Logo ali, sete passos à esquerda na José Romão
De onde Xico Rei saiu pelado, a mostrar seu pudor
Estendeu-se o fuxico sobre a infâmia do cidadão
Que hoje é mais um caso, tesouro de colecionador

Nunca entendi porque tanto assombro com o homem
Se outro dia mesmo passeei pela floresta da minha rua
Onde há peixes morrendo de sede nos rios que somem
E onde árvores perdem suas folhas e sobrevivem nuas

Eu aqui ainda me pergunto em qual ponto passa o 2109
Pois me disseram que seu final dá na fronteira do mundo
No falecer do mar, bem junto à terra seca que não chove
Nego a raça humana, extraio do bosque o choro mais fundo



Minh’alma é desnuda de carne
Minh’alma é de um verde feroz
Ousado como o idoso e louco Xico, tenho deleite nas coisa naturais
[que já não existem
Minha Terra e eu - já não existimos mais
E há quem diga que o vergonhoso é não ter vestidos ou um bom papel
Mas se ninguém se lembrou de dar roupas à faieira, ninguém merece
[ir para o céu

O pior destino é o de quem morre sem cor e sem identidade.



Pseudônimo: Nonada F.C.

Título: Poema desmusado!



veio-me uma musa
sem blusa sem vento
sem dente

do ventre escapou-lhe uma cópia
de soslaio a olhei

ficou-me a fitar essa musa
sem pernas sem nuvem
sem rosto

ah!-te à puta que te bunda!
bradei àquela musa à cópia
frases palavras sílabas letras etc.
escorrem pelo ralo do sonho e se
vão

tropeçando no poema
virei-me em explosão
à tevê:



traí
a musa
com o gol do flamengo!



Pseudônimo: Poetinha das barrancas do Uruguai

Título: Último brinde



Cantares de vozes anônimas
cercando os bulbos vermelhos
de botecos azedos.

Dizeres de dentes amargos
amarelando os incidentes desregrados
dos tropeços do álcool.

Das mesas alinhadas trago o desalinho
do meu corpo exaurido.

Dos copos azeitados por dores múltiplas
desafio a minha coragem.

Isolo meus ais aos sussurros.
Tranco à chave o meu recato.
E, pernas cruzadas,
lanço um olhar comestível ao
garoto ainda não nativo de pelos.

Fati-o aos poucos e
sugo-lhe o gosto, o cheiro, o ritmo, o balanço efeminado.
Trago-lhe por completo.
Caminho desvairado pelas ruas.



Pseudônimo: Rachel Martin

Título: A Boneca e sua dona



Em um sótão empoeirado
Sobre a casa quase abandonada
Dentro do baú esquecido
Estava ela atirada

Uma vez uma bela boneca arrumada
Pele de porcelana
Vestido de veludo
Cachos de criança

Hoje uma lembrança apagada
Porcelana quebrada
Vestes roídas por traças
Cachos desmanchados

Era um espelho,
um reflexo
Daquela que um dia
a segurou e chamou de sua



Uma vez uma bela menina arrumada
Juventude transbordante
Alegria inebriante
Amada por todos ao seu redor

Hoje uma lembrança apagada
Velhice decrépita
Solidão intoxicante
Abandonada por todos que amou.



Pseudônimo: Falcão Peregrino

Título: Morro que morre



Ó Morro!
Estandarte ferido
Estendido no ar
Para quem quiser olhar
Será que ninguém vê
Suas luzes que tremem?
Seu coração que bate
Sofrido em seu couro?
Seus muitos bandidos?
Seu pouco de ouro?

Gigante esquecido
No fim da cidade
Afundando em sua lama
Com os fracos ao seu lado
Pouco a pouco vai morrendo
O maior abandonado

Morro que grita!
Morro que samba!
Morro que xinga!
Morro que ama!



Seus poetas adormeceram
Suas crianças não dormem
Muita pipa, pouca água
Armas, drogas batizadas,
Liberadas, procuradas

Quantos subiram?
Quantos rolaram?
Quantos sumiram?
Quantos ficaram?
Seus barracos, ruelas,
Biroscas e terreiros
É o desenho tatuado
No seu corpo cativeiro

Morro que vibra!
Morro que manda!
Morro que briga!
Morro que clama!

Seu malandro que era bamba
Tá bolado de malícia
Quer quebrar o alemão
Solta fogos pra polícia



Ó Morro!
Das mais lindas paisagens
Porque tão perto do céu
Parece estar tão longe de Deus?
Vê tudo!
E não tem nada!
Rico!
Em crimes e desgraças!
Sua gíria!
Hoje é moda
Seu carnaval!
Dos magnatas
Mas em ti deixaram o seu nome:
Morro! Que te padece
Lhe tornando uma ameaça

Só me resta orar por ti... Deus!
Para que do seu tamanho
Também seja o seu valor
E não somente a sua angústia,
A sua revolta, a sua dor

Morro que ginga!
Morro que sofre!
Morro que mata!
Morro que morre.



Pseudônimo: Pedro Andreatto

Título: Trabalhador noturno



apago o sol com um grito-
voz de inanição,
sem eco e
carregado de
incertezas
do dia,

inalo o entardecer num suspiro,
sopro os respingos de luz
no azul manto enegrecido-
pingos resplandecentes:
estrelas

respiro o conforto do dever cumprido,
o senhor da noite anunciada-
sem máculas,
enfim,
renascido,
no horizonte noturno...



Pseudônimo: Mel Lisboa

Título: Esquisitices

(Poema infantil)



Esta noite eu tive um sonho
Um sonho muito esquisito.
Cada bicho da floresta
Havia enlouquecido.

No galho tinha um cavalo
Pensando que era macaco.
Um mico apartava o gado
Rinchando e comendo pasto.

Um gato engolia moscas
Na pedra grande do lago.
Iscando banana, o rato
Encheu a cesta de sapos.

O cachorro no telhado
Dormia dependurado.
Morcego rosnava alto
Querendo pegar o pato.

Acordei de um pesadelo
Com o barulho do peru.
Ao entrar no galinheiro

Ouvi o boi fazer “gluglu”.





Pseudônimo: Medhusas

Título: Selva



selva,
ouro e ouro verde
amazônia,
terra brasileira
selva,
terra ferro e água
amazônia
subsolo negro

capital vai para o estrangeiro
é carnaval no congresso nacional
capital vai para o estrangeiro
é carnaval no palácio nacional

selva,
quase um deserto
amazônia,
um amanhã incerto
selva,
terra dos amantes
amazônica,
nunca como antes



enquanto a chuva não vem cair
molhar a relva, cessar queimadas
enquanto os deuses não vêem luzir
o pantanal, seus animais
enquanto assombram o meu país
enquanto é festa ouro sumiu
enquanto choro, lamento e canto
querem roubar o meu Brasil

índios, já não vestem como antes
índios, já não falam a mesma língua
índios, já não existem índios!



Pseudônimo: Venusiana

Título: Poema para ser ouvido no silêncio



É no silêncio
Que se faz um poema
Que se atira no poeta
Que se grita para ser ouvido

É no silêncio que
se ouve os pingos d’água
Os passos na calçada
Que se diz o que
se quer dizer só para si

Que se vão as horas
Que se fazem os amantes
Que se criam os bebês
E se remoem os sentimentos

Não sei em qual silêncio
eu me perdi...

Não sei se no silêncio
pesaroso do meu quarto,
No silêncio momentâneo
de um diálogo monossilábico,

Mas foi no silêncio.





Pseudônimo: Ariana Marciano

Título: No Beco Sujo do Mundo



No beco sujo do mundo
o sal ardia nos olhos dos pescadores
Mãe Menininha cantava de joelhos
pedindo a volta dos que não foram.
Cão côxo corria maldito,
a mãe de Judas morreu!

No beco sujo do mundo
dois galões vazios
desfaleciam soturnos.
Pro céu descolorido Pai Santo olhou
e a boca abriu,
a língua ergueu
e seco chorou.

A cor do milho sumindo,
galinha murcha ficando.
É cana-sem-açúcar,
feijão de corda torando,
mandacaru fulorando
E o bucho aqui me matando.

O luar que tardava a chegar,
o sol queimava sem cessar.
E na areia que secava até rachar,
vaca ossuda empacou.

Sou nordestino nato
não trabalho no mato,
mas minh'alma é de batalhador.
Acordei num beco profundo,

e no beco sujo do mundo
filho e meio a seca me tirou.



Pseudônimo: Sereníssima

Título: ...quando ele nasceu



Eu lembro onde e quando nasceu.
De parto normal.
Cheio de saúde.
Cuidamos dele com tudo o que tínhamos.
Enfrentamos vários desafios.
Até que um dia,
Tentando defendê-lo,
nos jogamos na frente e fomos atingidos. Ele ficou pra trás, intacto.
E nós, estraçalhados.
Foi quando ele começou a viver sozinho. Silencioso. Na dele.
E um dia, dado como morto,
fora enterrado vivo, enquanto sonhava.

- Ah o amor! Ainda lembro quando você nasceu...



Pseudônimo: Olívia

Título: O Retorno



Queria fazer um pequeno barco
De papel
E pô-lo a navegar num charco
Rodeado de flores.
Em seguida, com um fino pincel,
Surgido das ondas da fantasia,
Roubar ao arco-íris as cores
Com que o pintaria.

Ah! Se queria!

Um capacete de folhas de jornal
E uma espada de papelão,
Prateada,
Para, com a força da imaginação,
Não temer nada,
Ser um herói à escala nacional,
Uma lenda bravia.

Ah! Se queria!

Construir, com paciência, um avião
De madeira,
Com linhas belas e puras,
E depois, com a minha própria mão,
Como oferenda primeira
Elevá-lo às alturas
E deixá-lo, confiante,
Nesse ar tão quente e brilhante
Onde ele voaria.

Ah! Se queria!

Arranjar uma meia de senhora,
Daquelas que se deitam fora,
Enchê-la de trapos sem valor
E fazer uma pequena bola
Para exibir na escola,
Por entre os ares de cobiça,
Era o meu sonho maior,
Um sorriso de alegria.

Ah! Se queria!

Fechar os olhos, ir por todo o mundo,
Na calma e na bonança
Duma melodia,
Era o sublimar
Dum querer sem par,
Mas no fundo, no fundo,
O que eu mais queria
Era voltar a ser criança.

Ah! Se queria!





Pseudônimo: João da Prata

Título: Bodas de ouro



Procurei palavras e como!

Precisava das melhores, lindas e puras.

Não queria as desgastadas,

aviltadas pela demagogia dos falsos amores,

ou prostituídas pelo uso em fugazes paixões.

Queria juntar palavras, sem métrica, ou rima.

Não queria uma poesia intelectual.

As pretendidas entrariam na dedicatória

Da nossa Bodas de Ouro.

Se fosse cunhar título para a data,

chamaria de bodas de

orvalho, violeta, cavalo árabe,

vaca pejada, cabeça de bico de lacre,

entardecer purpúreo, ou criança pequena dormindo.

Tanto perjúrio já passou por ouro!

Mas vale o hábito e fica ouro.

Mas será metal nosso, peculiar, especial,

Purificado pela nossa aventura, filhos e netos.

Procurei as palavras com esforço

E apertei a cabeça na procura.

Como queria, não havia.

Sobraram duas, apenas duas,

Amor e Obrigado.





Pseudônimo: François Marie

Título: Re (ações)



Luz, câmera

Inanição.

Legendas sublimadas

Imagens que gritam ao coração.



A ossada das zebras

Destroçadas pelas savanas

A ossada humana

Que caminha com pés brancos de criança negra.



Luz, câmera

Ostent(ação).

O inglês das legendas

As lágrimas falsas que compõe as verdadeiras

Que rolam dos olhos fitos na televisão.



A luxúria dos vestidos

O vermelho do tapete –

(de sangue nobre!)

O humano como astro

Que orbita sobre as estrelas

Apagadas.





Pseudônimo: Francisco Novaes e Silva

Título: Sobre o amor



É preciso habitar a solidão -
ver o relevo das crises sanadas;
fundo escavar na razão as camadas,
volvendo toda a poeira do chão.

É preciso habitar a solidão -
banhar-se nas águas do mesmo rio;
sentir toda a resistência do frio,
cortando com meus pés o turbilhão.

Pode então esse amor tornar-se vão
quando não só a ferro e fogo queima?
Contudo, pode contra tudo e teima
só sendo, encantamento e construção.





Pseudônimo: Baixinha

Título: Lembranças não distantes



Oh! São Bento encantador
Teu luar é sedutor
Tuas matas são tão lindas.
Sua terra me encanta
Teu frescor me acalanta
Nesta terra tão bem-vinda.

Quando chega o amanhecer
Vejo o céu todinho azul
Passarinhos a voar.
Pelas matas os boizinhos
Os cavalos e os burrinhos
Vão juntinhos a correr.

E na tarde onde o sol
Vai deitar-se no lençol
De um leito de um rio.
Leva todos os encantos
De um lugar de acalantos
Que agora está vazio.



Pelos tempos que se foram
Os amigos que viveram
Sinto grandes emoções.
Mas no tempo que virá
Esperanças a chegar
De momentos que virão.





Pseudônimo: Matheus Simões

Título: 27



Eu sou um dia de 27 horas
O personagem central da história
Uma daquelas metáforas mal formadas
forçadas a não terminar bem.

Sou uma linha bem interrompida
Um ponto final na hora precisa
Para dar fim a uma frase subjetiva
E não deixar dúvidas a ninguém.

Não peço nenhuma piedade
O faço por livre e espontânea vontade
Estarei muito bem acompanhado
Kurt, Amy, Jimmy, Janis, Jim
Ótimos companheiros de botequim.

Hoje se completam 27:
o céu amanhece vermelho no horizonte
mas não pra mim.
Eis a minha glória: perfuro meu calcanhar,
Sem agressor, sem vítima, com tudo em seu lugar.



Pseudônimo: Dom

Título: Chamado





Estava eu quieto no meu canto

Cuidando de minha medíocre vida

E então me veio

Perturbando...

Instigando...

Ordenando...

Mate!

Minta!

Foda com os outros,

com o vento,

com as coisas,

com a vida,

com você!

Deponha reis!

Zombe de deuses!

Exponha a verdade

no almoço de domingo dos hipócritas!

Desorganize a ordem!

Ordene a desordem!

Tire os pingos dos is

E os coloque onde bem entender!

Construa cidades

e as destrua com pétalas de rosas!

Então me pôs em uma nau

E me lançou num oceano de lama

Em mares gastos por muitos navegadores

Me encheu de paixões

Desiludiu todos meus amores

Reparou meus cotovelos

E os preveniu de todas as dores,

ocultas e insanas

E quanto mais eu resistia

Mais alto me gritava

Um grito estridente

IRRITANTE!

E quando eu deixava tudo escuro

Como luz consumidora se revelava

Me mostrando a guerra

Seu campo de batalha

Não me deu nenhum soldado

Nenhuma estratégia

NADA!

Apenas uma caneta simples

E uma folha de papel

Ainda não desvirginada.





Pseudônimo: Márcia Montenegro

Título: Voo de borboleta



Descasula adolescente
Quando nem sequer avisa,
Desabotoa a camisa,
Abre as asas bem contente.

Voa leve como a brisa
Feito seda do oriente,
Fascinando toda a gente,
É a mais bela poetisa.

Borboleteia por cá,
Borboleteia por lá,
Vive a borboletear!

Porém vaga com sua alma,
Vaga sempre muito calma,
Ela é muito de vagar!





Pseudônimo: Ted Sampaio

Título: Sons do coração



Nasci sem gritar
expondo minha deficiência.
Do pássaro não escuto o piar,
do coração, a sua cadência.

Nasci sem vislumbrar
o rosto que me gerou.
Do sol, não o vejo brilhar,
do amor, pouco me restou.

No parque fui caminhar,
até uma bengala me tocar.
Meu coração se encheu
do desejo dele ser meu.

No parque fui divagar
sobre a vida que Deus me deu.
Meu bastão tocou o destino,
tudo mudou, repentino.



O braile lhe ensinei,
o coração, agora expressado.
Meus sentimentos lhe enviei,
do amor agora encontrado.

Os extremos se uniram,
Os nós foram feitos.
Nossos olhos se abriram,
Ninguém nasce sem defeitos.





Pseudônimo: Victorio

Título: Transição



É tão fria a cova e tão escuro o horto
onde depositam meu corpo doente!
_ Como a cova é fria se o corpo é morto?
A partir de agora só a alma sente...

Ah! Esta cama rude onde estou deitado
e este quarto escuro e tão bem fechado!
Tento levantar, mas estou tão cansado...
Que rumor é esse ali no quarto ao lado?

Há um jardim bem perto: sinto o odor das flores.
Quero levantar, mas estou tão cansado...
Estou tão cansado mas não sinto dores.
E o rumor aumenta ali no quarto ao lado.

_ Desçam o caixão! _ diz alguém lá fora.
Quem morreu enquanto estive dormindo?
Bem perto da porta ouço alguém que chora,
lamentando a sorte de quem vai partindo.

Quero levantar, faço força tamanha
mas tenho as mãos inertes e o corpo duro.
Agora o padre reza numa língua estranha,
enquanto fico preso neste quarto escuro.



Está caindo terra sobre o telhado.
Parece que o mundo está desabando...
Falta-me o ar neste quarto fechado
e lá fora há uma multidão chorando.

Sinto um tremor leve, um breve arrepio...
Já quase nada mais estou sentindo.
Por que não me tiram deste quarto frio?
Alguém morreu enquanto estive dormindo.

É tão fria a cova e tão escuro o horto
onde depositam meu corpo doente!
_ Como a cova é fria se o corpo é morto?
A partir de agora só a alma sente...





Pseudônimo: Cidadão das Nuvens

Título: Poesia Circense



Homem bala balão
munição
explosão

mil pirralhos no circo
um anão
(criançancião)

Dois pi raio no círculo
do canhão

Pipoca aplauso na mão
redenção
não em vão

Mil pirralhos no circo
Alusão
à ilusão



Dois pi raio no círculo
do leão

Para o acro bata bata palmas
para o palha asso asso bie
e o mági como como pode:
ele tirava
um coelho
ou era eu
que tirava um bode?

O dom e a dor vêm de Deus
Deus vem de domador
Ombros do mundo: os meus
pois sou poeta ator

Por escrever poesia
sou trapezista palhaço
entre o chicote e a magia
do domador do espaço
Será que Deus chicotearia
fosse um João sem braço?

Por escrever poesia
sou bailarino mágico
no picadeiro dos dias
entre o aplauso e o trágico
mas Deus é só alegria
na queda é cama de elástico.





Pseudônimo: Madruga

Título: O meu poema novo



O meu poema novo Não tem novidade
A minha idade
Não é nunca a mesma
O que é bom passa a gente quase nem vê
que é ruim tem passos de lesma

O meu poema novo
Quem dera fosse mesmo um poema
E falasse de amor
E de flores

O meu poema novo
É assim: já velho
Breve
Nasce morrendo
Ainda sem ser lido

O meu poema novo?
Ora!
Não leiam
A novidade está nas paginas dos jornais
Quem sabe?





Em meu poema novo
Não cabe!
Não cabe!
Tanto coração partido
E tanta gente na rua
A mulher nua
A dama e seu luxuoso vestido
Não cabem os classificados
Nem os desclassificados
Não cabem horóscopos
Nem a queda do helicóptero
Não cabe o sorteio da sena
(Nunca vi quem tenha ganhado)
Não cabe a cena da novela
Nem a vela para o defunto
Nem tudo junto
Nem separado
O meu poema novo é assim: rasgado





Pseudônimo: Sara Trouble

Título: A parte que me falta



Sou tão saudade a ouvir
Uma música antiga...
Som abafado das memórias
Meio verdades, meio invenções
Meio filmes “Blanc et Noir” cheio de
Sorrisos de propaganda
Retrato na parede,
Cheiro de tinta fresca...
O sofá ao luar
A contar estrelas
Nossas trilhas, nossas histórias...
Sem drama ainda
Sem o terror da pena...
O romance era comédia
De final feliz
E feliz nossos sorrisos
No fim pedindo bis
Até chatear, até a novidade
Ser clássico e o clássico
Virar esse cheiro de poeira...





Pseudônimo: Efêmera

Título: A Moça e o Vento



Há muito tempo, o vento se apaixonou.
Naquele entardecer, uma moça
No banco do parque se sentou,
Pálida tal qual porcelana ou louça.

O vento se debatia desesperado
Tentando tocá-la, em vão.
Chegou até a virar tornado
E as árvores foram arrancadas do chão.

Vendo, infeliz, que não deu certo,
O vento, enfim, virou furacão.
Queria abraçá-la, tê-la por perto,
Mas daí veio outra decepção:

O mundo se tornou um caos
Causado por tantas intempéries;
Os humanos se tornaram maus
Revoltados pelas fúrias naturais em série.

O vento então parou em um cume
E percebeu qual seria a solução:
Arejaria os cabelos da moça, e seu perfume
Restauraria a paz em toda a nação.

O vento hoje, portanto, vai e logo vem.
Fica um bocadinho, mas não permanece.
Pois o vento, tal qual o amor, vai além:
Eterniza no coração, mas no físico... Evanesce.





Pseudônimo: Florindo Campos Agrestes

Título: Lavando o pão de cada dia



O dia acordava com as canções das lavadeiras.
As batidas das roupas despertavam as pedras adormecidas.
As lavadeiras cantavam...
Cantavam, lavando as manhãs nas suas roupas...
Cantavam, afinando a alegria nas suas melodias...
Cantavam, limpando o cansaço nas suas cantigas...

Conversavam alto,
Enxaguando as preocupações nas suas conversas.
Conversavam tanto...
Tanto, que até o tempo se acomodava entre as pedras
Pra esperá-las e conversar com elas.

Enquanto isso,
O sol e o vento, feito meninos, se embalavam nas cordas do varal,
Esperando as roupas para se vestirem com cada uma delas
E enfeitarem o dia com todas as cores.

Quando iam embora,
Saíam limpos e cheirosos.
Deixando, na tarde e no coração das lavadeiras,
A alegria.



- Estava lavado o pão de cada dia!





Pseudônimo: Mari Farias

Título: Sinfonia



Sou daquelas músicas
Que sai às vezes do tom
Por medo de não encontrar a melhor nota
Ou estourar os ouvidos daqueles que não a desejam ouvir.

As minhas mais fortes sintonias
Destoam de vez em quando em noites cálidas
De receios e desprazeres
Por mais uma solidão
Uma disfunção
Um coração em confusão
Nos caminhos em que insisto encontrar nós dois

Se eu pudesse desbravar novos horizontes
Para que nossos sentimentos ficassem mais fortes
As manhãs sem som ficassem abaixo do tom
E a minha sinfonia não morresse...

Se me perder, não chore depois
Porque não vou ter a mesma índole
O mesmo receio
Sentimento
Ou o mesmo desleixo
Das lágrimas que borraram as minhas notas

E na minha sinfonia acordo um pouco mais
Daqueles dias
Das mesmas alegrias
Do mesmo ardor do descontrole
Sem ter...
Sem perder...
Sem você...




Pseudônimo: Esperança

Título: O desejo do ter



Dentre todas as rosas do jardim daquela rua
Uma me chamou atenção, pois parecia olhar para mim
Quando vou e venho da aula todo dia é assim
Fico na ponta dos pés para por sobre o muro poder olhar o jardim

De fato olhar a rosa que parece olhar para mim
Um dia saí mais cedo então olhei para todos os lados
Ninguém estava lá e pulei o muro apressado
E feito um ladrão danado peguei a rosa que parecia olhar para mim

Fui correndo para casa e coloquei-a em um jarro
Mas depois de algum tempo vejam a minha dor
A rosa tão bela foi perdendo a cor
Foi ficando tão triste e de repente tombou

E a rosa tão bela se tristeza murchou
Suas pétalas caíram
Só um talo ficou

Hoje ao passar pelo jardim
Nenhuma flor olha para mim
Talvez, temendo o triste fim






Pseudônimo: José Maria

Título: Atrizes da cidade



Aquelas sandálias extravagantes
Se não, vermelhas, invariavelmente altas
Aquela maquiagem notadamente barata
Borrada acima da fina sobrancelha

Aquele vestido curto
Feito nas coxas
Já está decorado por todos
Não chama mais tanta atenção

Aquela alegria perene
Com todos os textos na ponta da língua
Ainda é a mesma
Afinal, a peça é sempre igual

Oh, nobres psicólogas dos homens bem casados
Oh, nobres personagens das famílias tradicionais
Atrizes inseparáveis. Amadas, amantes. Raras amigas

Quantos moços inauguraste?
Quantos lares bagunçaste?
Quantos filhos tu doaste para seguir teu rumo?
Quantas noites trabalhaste para alimentar teu pequeno

Não sabemos, um terço, do vosso diário
Entranhado nesse corpo exposto
Envolto no mesmo vestido usado
Sobre as mesmas sandálias extravagantes
Aí, sempre pronto para o consumo





Pseudônimo: Sundance

Título: Her Alz Heimer



Vives em cada ruga que aliso do meu lençol.
Respiras nas palavras crioulas
Que ainda me repetiste nha cretcheu
E no cuidado estúpido de não incomodar os outros.
Transbordas nos rostos envelhecidos
Das minhas irmãs e nas mãos em prece
Da minha filha quando dorme.

Vives? Creio que exagero.
Mas sinto-te, pressinto-te e rio-me contigo
Daqui da beira da cama onde te acabas.
Não te trago nada querida,
Nem alivio nem anos de vida.
Venho para te beber, para te exigir a água
Que ainda me dás de cada vez que me sorris.

Estou em paz com as nossas dores
Não me sobra nenhum remorso.
Apenas a angústia de não saber
Se sabes que a tua é ainda parte da minha vida,
Que estou aqui, contigo, à espera.
Pelo sim, pelo não,
Vou ficando…





Pseudônimo: Marechal Delano

Título: O Pensador



De braços dobrados
Pelos joelhos suportados
A palavra falecida em sua boca
Os olhos em direcção nenhuma
Coze no lume da caixa de memórias, em ebulição, axiomas

No semblante maduro-velho, galhetas
Descalços pés acariciados por grilhetas
Qual combate lendário
Se os céus bradam o seu fadário

Açoitado de embebedes interrogações
Na triste e sonâmbula canção
Livre de prisões
No vácuo do cérebro da resposta à questão
No silêncio utópico de se exprimir pensando
Moldado à sua maneira, definhado.
Costelas e ossos, no tórax desenhado 





Pseudônimo: Lituma

Título: Amor de Poetinha



 Vinícius, ó menino,

Aonde vais?



 Com licença, meu senhor,

Vou atrás do grande Amor.



 E quem é essa

Cuja magia

Conseguiu te conquistar?



― Ah, ela é dona de uma luz

Que me faz incendiar.

O seu nome é Poesia.

E cativou-me com um olhar.



Pseudônimo: Índio

Título: Coma



Passeia em silêncio
Pulando as linhas
Que sente.
Vai da verde
À amarela
Parando na vermelha
A linha mais pungente.
Deitado, sorri.
E quem o vê
De olhos fechados
Sabe que ele
Nunca sabe
Nunca saberá
Se há alguém
Se havia alguém
Ao seu lado





Pseudônimo: Rain Marauder

Título: Metamorfose humana



Adolescência

O que nos levaria a definir,
esta fase de mudanças
Hormônios, rebeldia, emoções
Somente isso não nos levaria a compreender,
que nesta fase da vida precisamos viver.

Viver, aprender,
querer, ser
Faz parte da vida

A adolescência não é rebeldia,
é libertação de si mesmo
Também não são só emoções,
é o risco de cada aventura vivida

Não precisamos compreender
apenas interpretar,
pois a vida é uma escola e nos permitimos errar

Compras, hormônios,
emoções, rebeldia
Será que não é evidente,
que isto é ser adolescente?



Pseudônimo: Curiricu

Título: A professora Lígia é uma existencialista



amor é a transformação de um curto espaço de tempo
situado entre fumar um banza e ler um quadrinho do Crumb
o exato momento em que te vejo
deliciosamente pelada em minha cama
com uma das calmas mais conscientes possíveis
lendo mais um quadrinho sobre as experiências alucinógenas
que deram origem a esse próprio quadrinho
e as minhas próprias experiências
que te animam te excitam e me deixam
colocar mais tempo dentro do tempo lá dentro
logo depois, não nos matamos
as conversas se dão a partir do momento em que eu acendo um cigarro
e seguimos olhando pro teto e não para os olhos
não tenho cachorros para alimentar
a vida tá longe de estar fácil
não que esteja difícil
agradeço ao meu redor as pessoas que só falam merda
se meu desenho vai clareando quanto aos detalhes
na real escurece quanto ao significado
uma escolha
as vezes te deixo pelada no quarto escuro meu lá
jogo um futebol no vídeo game com os brothers e umas cervejas
um ponto
habitualmente volto e tento agradar com um copo de água e uma massagem
mesmo sabendo que você já fez questão de colocar seu vestido novamente
logo menos entre seus lábios de morder
seus dentes brancos entre uma cara e outra de séria
minha confusão sobre suas vontades
eu já disse que não tenho cachorro
sou só eu mesmo e caixas dentro de caixas
definições de amor por escrito
jamais teríamos escutado Nina Simone
eu não falaria de rap
ficaríamos em um segredo
uma partícula pontual na história da humanidade
eu, você e a Nina Simone sabendo exatamente a mesma coisa
e pensando-a com as mesmas palavras
deixando alegorias para fracos padres e literatos:
não aguentam 2 minutos num ringue
não bebem o bastante, nem se bastam para poderem beber dignamente
não podem ser alimentados com expectativa depois da meia noite
fundações e impérios não são como uivos na estrada,
sozinhos a pé num planeta em moebius
na hora da fome, o amor também pode ser um jeito de querer
saturno por suposto tem a obrigação de existir
eu não
sou verbo inconsequente e direto
cão faminto de ruas mal iluminadas
eu nem sou mais aquele moleque
sou sono






63 comentários:

Carol Vaz disse...

Muitos concorrentes bons, seria realmente maravilhoso estar entre os finalistas. Isso aí, galera, sucesso para todos nós, vamos em frente!

Eliana Mara Chiossi disse...

Através de uma das selecionadas conheci o blog e parabenizo.
Excelente iniciativa, forma muito criativa de manter a poesia viva.
Abraços

Eliana Mara Chiossi

Irismarqueks Alves disse...

Desejo boa sorte a todos os classificados. Meu poema: Saudade Flor não foi classificado. Ainda assim, espero o próximo concurso...

Abraço!!!!

Alguém disse...

Primeiramente dou os parabéns ao blog pela iniciativa de difundir a poesia e fomentar a criação literária de uma forma tão vasta. É algo surpreendente ver 502 inscritos, verdadeiramente surpreendente. Vocês têm os meus mais sinceros parabéns nesse aspecto.

Agora, em segundo lugar, dou os parabéns a 5 poetas, em especial:

Allived ("Abissal")
Diego Duá ("Matheus no céu")
Jean Jacques ("O Tempo... E Agora?")
Ocelot ("Sinos")
Sol ("Escravidão Contemporânea")

Estes foram os criadores dos poemas mais tocantes e criativos de todos os 90 classificados.

"Abissal", embora não possua uma métrica estabelecida, possui um ritmo cativante, quase mesmérico, durante a maior parte de seu curso. Confesso que o 2º verso quase estragou o começo, pelo seu tamanho, mas a graça foi retomada a partir do 3º, e assim seguiu-se até o fim.

"Matheus no céu" é um exemplo de como usar um vocabulário chulo (digo dos palavrões) e ainda assim permanecer altivo. A idéia do poema é esplêndida, bem como o curso pelo qual ele corre verso por verso, e o "loop" que ocorre ao seu fim é genial.

"O Tempo... E Agora?", à primeira vista pareceu-me um pouco... "sem sal". Apenas à primeira vista, pois felizmente eu li todos os 90 poemas duas vezes, apenas para não cair em julgamentos errôneos sem querer. As imagens poéticas dele são simplesmente lindas, e ele é um formoso retrato da ação do tempo sobre tudo e todos.

"Sinos" é como um tiro, pois acerta-nos em cheio ao percebermos o tamanho da ironia em um poema tão pequeno (e eu geralmente não sou fã de obras curtas). O trocadilho de "pain" ("dor" em Inglês, para quem não entendeu) com o som dos sinos "noir" (palavra francesa significando algo sombrio; desconheço a Língua Francesa, mas é isso se não me engano) é uma sacada de mestre.

"Escravidão Contemporânea", destes 5 poemas, foi o mais fraco, mas ainda assim digno de aplausos perto do... resto. O tema é um clichê, mas a forma como foi usado é um abalo: o "Onde está?" é com certeza a essência desse poema, pois foi ali, exatamente no último verso, quando eu já quase perdia as esperanças, que o poeta, ou a poetisa, Sol ganhou-me como leitor.

Alguém disse...

Infelizmente, os elogios que dei aos poetas e trabalhos acima são raros, o que muito me entristece, pois não posso dizer o mesmo dos outros 85 selecionados. Quero falar aqui de 10 poemas, especialmente, que muito me aborreceram por um motivo ou por outro, e são os seguintes:

"Amarga" (por Moline) - Uma poesia com o nome perfeito, pois ela é, de fato, amarga, escrita claramente por alguém que faltou às aulas de Língua Portuguesa na escola. A vírgula foi inventada com um propósito. Que se aprenda a usá-la, então. É exatamente por essa falta de cuidado de muitos "poetas" que a poesia já não é vista como arte por muitos escritores. Prosistas riem dos poetas contemporâneos por estes últimos serem "analfabetos", e não tiro a razão dos primeiros. Quem não conhece a própria língua mete-se a escrever como?

"Atacama" (por Beatriz) - Beatriz, Beatriz... eu penso: "Como uma mulher de nome tão meigo e poético pode escrever algo tão amador?" Beatriz (Beatrice) foi a mulher que inspirou um dos mais grandiosos poemas da História: A Divina Comédia (La Divina Commedia), de Dante Alighieri. É uma pena ver que, ao que parece, tal nome esteve relacionado à poesia apenas uma vez desde então, pois "Atacama" deixou-me estupefato pelos jogos de palavras simplistas e as rimas clichês no final, "lama/cama".

"À noite, perto de um pessegueiro" (por Sonhador) - As palavras usadas são bonitas e percebe-se que o autor possui um bom vocabulário, mas... sinceramente, rimar "silêncio" com "reverencio"? É uma rima impossível, visto que a primeira é uma palavra paroxítona e a outra é oxítona. Para um poema que deveria prezar pela perfeição técnica, como a métrica bem o demonstra, usar tal artifício destruiu sua credibilidade completamente.

"Bilhete na Geladeira" (por Esteves Sem Metafísica) - Minimalismo é sinônimo de preguiça. A idéia da poesia é boa, mas pode ser muito bem trabalhada se o autor estiver realmente com vontade de ser um poeta, coisa que não demonstra nesse bilhete. Está bom para um bilhete, mas não para uma poesia. Fato triste, mas verdadeiro.

"como se minhas palavras queimassem tempestades" (por João do Lago) - Como se, como se, como se, como se... enjoativo. Faltou a conclusão da linha de pensamento. É uma poesia pela metade, ideologicamente falando.

Alguém disse...

"Contravenção da natureza" (por Dona Dita) - Não se deve escrever prosa e dar "Enter" em pontos aleatórios do texto para torná-lo em uma "poesia". Fica a dica, Dona Dita.

"Extra-Extra" (por G.D) - Interessante a notícia. Um pouco fantasiosa, é claro, já que não é possível estuprar uma palavra (a não ser que ela seja muito parecida com um ser humano). Mas... cadê o poema? Uma dica: a vírgula é desnecessária após a palavra "calçada".

"Mata" (por Tonico Vieira) - Não há muito o que falar, porque não vejo muita poesia neste (quantitativamente e qualitativamente). Desconfio que o autor nem ao menos saiba o que "coruscante" significa e que pôs tal palavra no 3º verso apenas por achá-la um adjetivo bonito, coisa que ele deve haver visto em livro de algum poeta consagrado. Uma dica: frases iniciam-se por letra maiúscula.

"Não carece ler o poema" (por Sabiá Duqueza) - Verbo ler (pretérito perfeito): Eu li, tu leste, ele leu, nós lemos, vós lestes, eles leram. Estando isto explicado, a parte da pedra muito me incomodou, por ela simplesmente não ser nova. João Cabral de Melo Neto já fez algo parecido muitas e muitas vezes na obra "A educação pela pedra". Sabiá Duqueza conseguiu camuflar o apropriamento da idéia falando sobre "flor" na estrofe logo após a estrofe da pedra, mas eu percebi. Tenho a mania de perceber coisas que os outros não percebem. Mil perdões.

"Per-versa" (por Per-verso) - Igualmente ao poema "Matheus no céu", que já elogiei, e com razão, este poema também utiliza-se de um vocabulário chulo em alguns de seus versos, mas sinto não poder elogiar a este também. O motivo? Senti-me assistindo um filme pornô. Promiscuidade sem sentido. Nada de especial. Nenhuma idéia além da apelação luxuriosa é passada. Bundas dão audiência na T.V., então não me surpreendo de que o mundo literário esteja caindo ao nível primata também.

É claro que as falhas apontadas nesses são também vistas em muitos outros ao longo da lista, mas eu quis apontar apenas os catastróficos. Será que realmente, de 502 poemas enviados, não havia absolutamente NADA melhor para ser selecionado ao invés desses? Parabenizo o blog novamente pela iniciativa, mas a falta de bom-senso de vocês muito me entristece nessa seleção de nível tão baixo.

As pessoas acreditam que palavras bonitas aleatórias jogadas no papel, ou no documento de texto, são poemas ou poesias, mas não são. Da mesma forma, jogar tinta em uma tela aleatoriamente não perfaz uma obra-prima da pintura. Há de se colocar empenho e esforço em um trabalho artístico, e não de se fazer uma coisa qualquer. Cuidado com o Modernismo literário e todas as suas vertentes, caros poetas e poetisas, pois o que vemos é um emburrecimento e decaimento da Literatura como jamais foi visto em toda a História. A Arte deve ser novamente encontrada, e os juízes devem ser melhor preparados, e serem mais críticos. Não se deve votar levianamente pelo esforço, ou pelo "sentimento", mas sim pelo talento. E o talento? Ah, o talento... eis uma coisa raríssima atualmente.

Não desistam, nenhum de vocês dos 90 classificados, e nenhum dos outros restantes que não foram passados. Pelo contrário, continuem escrevendo e tentem, por tudo, aumentar a sua capacidade literária. Leiam de autores clássicos, aprendam suas técnicas, absorvam toda a literatura do Mundo Antigo e criem o seu próprio jeito de uma forma refinada, pois, como eu disse anteriormente... não é espalhando tinta aleatoriamente sobre uma tela que vamos criar uma Mona Lisa.

Anônimo disse...

Que cara chato! --'

Anônimo disse...

Não li todos os poemas, li alguns. Gostei muito de alguns e não gostei de outros. Qdo um poema me cansa paro de ler. Discordo do que li acima. Penso que a boa poesia é aquela que mexe com você e pto isto vai depender do estado de espírito em que se encontra o jurado. Resumindo: As 90 poesias não foram nem as melhores e nem as piores. As que não foram selecionadas tbém não foram as piores. Tudo aconteceu conforme o estado de espírito do jurado. Quem aguenta ler 502 poesias em 8 dias ( suposição), uma atrás da outra sem que isto interfira na sua escolha? Mesmo que tenha havido 6/7/8 jurados, isto é uma situação limite. Todo concurso passa por isto, todo! Penso que a boa poesia acontece para todos. Um bom poeta acerta um dia e erra no outro. Eu jamais diria: leia os clássicos, eu apenas digo: leia! Não importa o quê. Apenas leia, desde receita de bolo até pornografia passando pelos clássicos ou Shakespeare, o que importa é ler.
Eu participei do conc, mas não fui selecionado e continuo considerando-me um bom poeta.

Anônimo disse...

Boa noite. Vim conhecer o Blog, atraves da divulgacao de uma amiga, e fiquei surpresa com a qualidade dos trabalhos apresentados. Minhas consideracoes poderiam parar por ai mas, lendo o comentario gigante postado acima, achei que tambem deveria me estender. Como dizem por ai: "gosto nao se discute", nao eh mesmo? A poesia contemporanea e livre existe, e faz tempo. Pena que alguns nao tenham se dado conta disto. Se todos so gostassem de Paulo Coelho, certamente ninguem teria lido uma unica pagina de Machado de Assis, ou mais ou menos isso. Sendo assim, limito-me a dizer apenas as poesias que mais gostei: Bilhete na geladeira, Ela do beco e Per-versa. As outras sao maravilhosas mas, como disse acima, gosto eh algo muito pessoal e, definitivamente, nao deve ser discutido.

Alguém disse...

Ao primeiro Anônimo, de 00:23/00:27:

Se então houvesse sido dessa forma, para que haveria a necessidade de jurados? Seria bem melhor escolher poemas aleatoriamente, pois haveria mais chances de caírem obras de qualidade entre as 90. Confio em que os jurados leram todos os 502 trabalhos com paciência, mas permaneço admirado com sua falta de discernimento sobre o que seriam bons textos. A arte se dá pela técnica, e não pela intenção, como em qualquer outro meio. Alguma pessoa em sã consciência dirigiria um carro fabricado com boas intenções, mas repleto de defeitos e prestes a explodir a qualquer momento? Então por que razão deveríamos considerar arte textos bem-intencionados, mas sem nenhum tipo de sabedoria literária? As situações são as mesmas, é simples perceber para quem vive a Literatura, como eu vivo.

E receitas de bolo não são Literatura. Conhecer a fundo os clássicos é possuir a erudição e a técnica necessárias para que obras de boa qualidade sejam produzidas. Não é à toa que, como bem li em teu comentário, Shakespeare é citado até hoje, mesmo por leigos. Não é escrevendo porcamente que alguém grava o nome na História para todo o sempre.

Ao segundo Anônimo, de 01:19:

Gosto, de fato, não se discute, mas aqui estamos discutindo arte e não gosto. Sou alguém completamente desapegado do Modernismo na Literatura, e não gosto da poesia de João Cabral de Melo Neto, Fernando Pessoa (salvo exceções, poemas belíssimos perdidos no meio de sua obra completa) e Mário Quintana (salvo exceções, também), entre outros, EMBORA eu considere o valor do trabalho deles e saiba que eles são verdadeiramente poetas. Em palavras mais simples, não gosto da maioria do trabalho deles, mas isto não me impede de dizer com todas as palavras que eles são literariamente grandiosíssimos!

Gosto realmente não se discute. Se uma pessoa me disser que gosta de comer areia e acha o gosto bom, quem sou eu para dizer que areia é ruim? Mas de uma coisa eu sempre poderei estar certo: areia não é comida. E é aí que a coisa pega em meus comentários, caro Anônimo. Espero que eu haja me feito compreendido.

Anônimo disse...

Ola, muito prazer (para o ultimo educado anonimo)! O senhor pode estar discutindo arte, mas ao menos eu, como mera mortal visitante, me dou o direito de gostar do que me toca, independente de tecnica, metrica...e por isso, nao me julgaria competente para apontar defeitos de maneira grosseira ou ate gentil, revelando as poesias que menos me agradaram. Julgar defeituosa (no contexto poetico) uma palavra sem letra maiuscula, uma falta de virgula, a presenca de uma silaba a mais, a menos... etc... eh ao meu ver coisa de gente que de fato nao sabe o que eh arte e se apega a definicoes de Aurelios. Portanto, em minha humilde e para muitos talvez burra opiniao,a nao ser que a proposta tenha sido desde o incio: tecnica, metrica.... nao vejo motivo para tamanhas ofensas a liberdade de expressao, como fez nosso colega acima. Para finalizar, gostaria de dizer que nenhuma pessoa "presa" se expressa tao bem quanto se estivesse "livre"... se eh que tambem me fiz entender.

Anônimo disse...

Os jurados mandaram muito bem!!!!! Mostram que têm personalidade e sangue, assim como muitos dos poetas selecionados.Vamos deixar a imortalidade para os consagrados imortais,já que por motivos de força maior,Camões, Pessoa e Shakespeare não poderão participar deste concurso.

Dante O velho disse...

Me intrometendo onde não fui chamado: Gosto se discute sim!!!

Chama-se estética a parte da filosofia que trata das questões do belo e, através do seu estudo, qualquer pessoa pode entender melhor o desenvolvimento do gosto, da moda, da beleza através dos tempos, suas variações, suas ditaduras, seu lado comercial e. assim ir-se ampliando o conhecimento e a maneira de ver as coisas.
em outras palavras, gosto se discute, pois se pode educá-lo.


O cara lá de cima, acho que é o Alguém, tem uma visão a respeito das poesias e dividiu aqui com todos nós, isso é louvável e, vê-se que ele entende da coisa, embora eu tbm não concorde com algumas coisa que ele disse, respeito-o e agradeço pelo tempo dispensado.

Gostei muito de Cotidiano de joão Saramica, Peditório de Maco Lossal, bilhete na geladeira e Extra-extra.

Um forte abraço a todos.

Anônimo disse...

Olha,
confesso que fiquei satisfeito com as escolhas dos julgadores...
Não que as tenha endossado, longe disto.
Li novamente meu poema e depois disto minha cerveja parecia mais saborosa(não posso negar); escrever algo com alguma qualidade é possivel, e que tudo é somente uma questão única de critérios pessoais dos julgadores, escolhidos pelos patrocinadores do "site", estar ou não na lista.
Li os poemas ( poesias mesmo encontrei poucas) e as prosas. Alguns são microcontos e outros que não consegui classificar, por inconclusivos ou por se tratar de um devaneio quimico ou coisa igual.
Mas é só uma opinião, como as outras.
Mas volto: gostei do que vi por isto agradeço aos doutos julgadores.
Pois são o que são: uma opinião a mais, e às vezes, critérios à menos...
Quem sabe se no proximo concurso Vs.Sas. publiquem todas e convidem os proprios concorrentes a votar em 90 escolhidas (menos na dele) e aí, juntamente com a comissão, teremos uma escolha mais refinada e democrática?
Fica asugestão.
Sucesso.

Anônimo disse...

"... mas sinto não poder elogiar a este também." (sic)

Então agora o verbo elogiar virou transitivo indireto?! Ah, tá. "Alguém disse" vai dizer que foi erro de digitação...

Alguém disse...

Escrevi assim mesmo, porque está certo =)

Quando atacam ao interlocutor (desastrosamente, nesse caso) é um sinal de que os argumentos contra seus pontos de vista são fracos...

Anônimo disse...

Está tão certo qto suas opiniões! Que tal consultar um dicionário? E nem precisa ser um de regências. O Aurelião resolve.

Só falta dizer que foi "licença poética".

Criticar é fácil...

Alguém disse...

Tendo eu errado ou não (e não errei), o mérito do que eu disse em toda a minha crítica ao concurso, aos jurados e aos participantes não é diminuído: basta apenas que alguém use um mínimo de pensamento racional e pondere a respeito disso. A pessoa mais sensata que vi nos comentários, à exceção de mim, é claro, foi Dante O Velho, que, mesmo discordando das coisas que eu disse, admitiu haver percebido que entendo da coisa, e de fato entendo.

Criticar não é fácil. Elogiar é fácil. Não adianta desperdiçar elogios com tudo o que se vê aqui, simplesmente para esbanjar simpatia e incentivar aos escritores com falsidade. Quero ver qualquer outro comentarista tecer críticas profissionais a respeito dessas obras, avaliando seus méritos e seus defeitos, como eu fiz. Não tenho nada contra nenhum dos participantes, quero que eles melhorem e evoluam, e se for preciso pôr em minúcias cada simples falha em seus poemas, assim eu o farei.

Alguém terá o prazer de avaliar as obras deste concurso até o fim, sem receber nada em troca. Este alguém sou eu.

Anônimo disse...

"... incentivar aos escritores com falsidade." (sic)

Vejo que vc tem dificuldade mesmo com regência... Mas se acha no direito de "corrigir" pontuação. E não admite que pode errar... Hummmm... Humano, demasiado (= demasiadamente)humano...

Alguém disse...

Sugiro ao Anônimo (23:43) que estude a regência verbal em o Português de a época colonial e se aprofunde em os primórdios de a gramática de nosso idioma, e DEPOIS sim me venha a falar onde eu houve erro feito.

Até onde hei saber, é-me permitido falar de a maneira a qual melhor me houver aprovamento, seguindo quaisquer parâmetros estabelecidos em quaisquer épocas de este idioma, e errado ainda não estarei. Todavia, é universal o uso de os sinais de pontuação, pois servem eles para que corretamente seja o enunciado dividido de acordo com suas partes e compreendido por quem o tem por leitura.

Eu disse que não errei =)

Agora... algum comentário útil e que tenha relação com as poesias, nosso assunto principal aqui? Porque esses ataques sem fundamentos vindos de um Anônimo que demonstra desconhecimento de todas as possibilidades da Língua Portuguesa já estão se tornando enfadonhos.

Ninguém disse...

Acho que tem "Alguém" precisando namorar e isso é urgente! Nunca vi colocar tanto o nariz onde não foi chamado. Que pessoa chata, desagradável, esnobe e inconveniente. Um Alguém mala assim Ninguém aguenta (nem eu!)

Mais um anônimo disse...

Muitos poemas lindos... Alguns não me agradam por questão de gosto, mas não deixo de reconhecer o seu mérito. Alguns possuem falhas de cunho gramatical, mas nada que possa ser considerado grave, na minha opinião.
Não pude deixar de ler e conferir cada detalhe dos comentários feitos por "Alguém". Achei que ele fez um trabalho muito bom e até o elogiaria se ele tivesse sido um pouco mais simpático. Alguns comentários foram de rudeza desnecessária, na minha opinião. Não fosse isso, creio que seria um presente ter o poema avaliado por alguém que se mostra tão conhecedor do assunto. Acho que se ele tivesse usado de maior polidez, provavelmente, seus comentários não teriam suscitado discórdia.
Minha opinião sobre a arte é a seguinte: Acima de tudo está a criatividade! A técnica embeleza e molda a obra, claro... Mas a arte permite que a técnica seja usada com uma liberdade bastante ampla, e o abandono de certas metodologias (quando proposital e consciente) pode, inclusive, caracterizar o surgimento de uma nova técnica!! Eu gosto da forma clássica de escrever poesia, rebuscada e compromissada com a métrica, mas também sou fã de Paulo Leminski, por exemplo!
Eu acho muito fácil perceber quando uma vírgula foi "esquecida" por falta de conhecimento - ou intencionalmente, pra gerar um efeito de ambiguidade, por exemplo... Essa "liberdade consciente" me encanta muito em uma obra e JAMAIS a desvalorizaria por isso, muito pelo contrário...
Enfim, parabéns a todos os candidatos e boa sorte nas próximas etapas!

Abraços =D

Alguém disse...

Novamente nenhum argumento, apenas ataques ao interlocutor. Eis o motivo de eu ter perguntado se havia algum comentário condizente com o assunto da postagem. Mas... a ignorância impera no mundo sobre o qual vivemos, e na internet não é diferente. Que relação casos amorosos têm a ver com a postagem ou não nos comentários deste concurso? A lógica de Ninguém é falha, preconceituosa (pois julga que sou homem ou lésbica sem ao menos me conhecer) e carece de embasamento e comprovação de todo gênero.

Além do mais, pelo que eu sei, os comentários são permitidos a quem quiser comentar, então vou sim "colocar o nariz", mesmo não tendo recebido qualquer chamado. A diferença é que eu sou a única pessoa que não está satisfeita com 85 das obras. Algum problema nisso? Não se pode ter uma opinião? Eis aqui a minha, e não vou calar a boca só porque tem gente irritada com isso. Todos devem aprender a conviver com críticas. Apresentei as razões para não ter gostado dos textos no geral, e espero sinceramente que os poetas e poetisas me ouçam e não deixem elogios em demasia chegarem às suas cabeças, pois comentários do tipo "todos os trabalhos estão ótimos" são certamente falsos e enganosos, e o pior: perpetrados por leigos. Se é "chato, desagradável, esnobe e inconveniente" fazer um julgamento e dar uma opinião de acordo com parâmetros artísticos de alto padrão, então assim serei, podem todos apostar.

Alguém disse...

Comentário anterior direcionado a "Ninguém", não a "Mais um anônimo".

Boa noite =)

Anônimo disse...

Senhores(as)poetas,nas proximas fases deste concurso, favor não apresentarem nada inferior (a)Os Lusíadas, senão vai dar B.O!!!!!
Ah pelamordedeus!!!! Tá bem mais fácil ser aprovado em Yale, ora pois!
Senhor Alguém, nem mesmo 1.000.000 de poesias conseguiriam comportar vosso ego. MenAS, meu caro, beeem menAs!

Ass: ALÉM

Enjoei disse...

Eu acho que "alguem" foi desclassificado e esta com o cotovelo um poquinho (quase nada) dolorido. Passa gelol que passa.

Enjoei Também da Silva disse...

Pior é ver o chato despeitado se expressar com sesse Português arcaico, falado só em 1472.

Ei, Chatonildo, já estamos no século XX, sabia?

Enjoei Também da Silva disse...

Pior é ver o chato despeitado se expressar com esse Português arcaico, falado só em 1472.

Ei, Chatonildo, já estamos no século XX, sabia?

Maluco disse...

Já não estamos no século XXI?

Dante O velho disse...

Bom dia.

Até onde sei este é um espaço liberado para os comentários, favoráveis ou não aos interesses deste ou daquele, portanto, chamar o outro de chato, torna-se muito inconveniente, mas está no direito de 'falar' teclar.

O Alguém limitou-se a criticar os poemas, embora eu discorde um tanto de sua avaliação, tenho que admitir que ele 'fez uma leitura' própria e descompromissada com os poetas.

Chato mesmo é ver ataques gratuitos...

Quer defender um ponto de vista, defenda, mas não precisa atacar quem discorda de vc...

Mas se quiserem atacar, continuem, vcs estão indo muito bem.

Depois não venha querer divulgar passeatas e atos contra o preconceito em geral, afinal, vcs estão dando um belo exemplo do que não deve ser feito: Ataques gratuitos a quem não concorda com vc. O Holocausto cultural/poético está na mesa.



Abraços de um Velho do século XXII.



PS: Visitem o blog Língua'fiada, está acontecendo um concurso lá tbm.

deixe suas impressões.

http://dantepincelli.blogspot.com.br/

Anônimo disse...

Meu caro, leia DE NOVO tudo que ele escreveu. O agressor e preconceituoso foi ele e apenas vcs dois parecem n concordar. Seria a ditadura da poesia???? Acho que sim.

Ninguém disse...

Ok, Alguém, me desculpe, fui rude. Reconheço que seus pontos de vista são interessantes e que sua técnica é valorosa. Mas acredito sinceramente que os organizadores do concurso não escolheriam jurados incapacitados ou tão ingênuos a ponto de julgarem apenas pela beleza. Acredito que eles conheçam tantas técnicas quanto você, quiçá mais, pois alguns devem ser altamente gabaritados, imagino. Não sei se você acompanhou o primeiro concurso, eu sim. Naquela ocasião percebi que os poetas cresceram dentro da competição e que os que não se enquadravam foram sendo eliminados. Talvez os jurados estejam vendo poetas em potencial, que têm veia poética, mas que podem melhorar sua técnica ao longo do certame. Falando sério, acho que seus comentários são interessantes, mas o que incomoda é a agressividade das suas palavras. Que talvez sem você querer passam uma ideia de despeito. Repense.

Anônimo disse...

e em se tratando de ditadura, realmente "passeatas" devem incomodar muito.

Anônimo disse...

Meu caro, leia DE NOVO tudo que ele escreveu. O agressor e preconceituoso foi ele e apenas vcs dois parecem n concordar. Seria a ditadura da poesia???? Acho que sim.

Dante O velho disse...

Caro Ninguém, era disso que eu estava falando!

Não precisamos de rudeza para discordar do outro.

Assim como vc falou que os poetas cresceram no concurso anterior, vc acabou de crescer tbm... Parabéns.

Anônimo disse...

Ofensas escritas em esplêndido português, ainda assim são ofensas.

Anônimo disse...

Exatamente. Eles querem um tratamento que nao estao dando aos concorrentes. O que entao lhes da esse direito? Diplomas academicos ou uma estante cheia de obras classicas? Respeitem primeiro e, de certo, serao respeitados.

Anônimo disse...

Só tem burro nessa M.

Anônimo disse...

,,,,,,,,

, )

Anônimo disse...

To fora deste concurso. Partcipar disto por qual motivo?????
Ser chamado de burro na lata?
Ser chamado de burro com português de séculos passados?
O que falta aqui? Ser chamado de burro em latim?
Tem comentarista achando que isto é um desfile, querendo para si aplausos, holofotes, elogios e se um desses for jurado, então... tudo ainda toma proporções piores. Pena, achei que a proposta era outra e que seriamos julgados e comentados por gente que realmente entende de poesia, clássica ou contemporânea e não por Narcisos.

Mistureba generalizada disse...

Talvez seja mais fácil elogiar do que apontar defeitos, mas diante dessa falsa liberdade expressão em que todos utilizam-se do anonimato e não assumem os riscos de seus comentários, não percebo dificuldade alguma. Eu mesmo me apropriei dessa faceta para preservar minha identidade e evitar ataques.

Trata-se apenas de um ato de exibicionismo, claro! Quem poderia considerar altruísta alguém que aponta defeitos, mas se considera a última bolacha do pacote?

Eu mesmo dispenso esse "julgamento de acordo com parâmetros artísticos de alto padrão", não discordo das críticas desde que estas sejam construtivas, o que percebo aqui é uma vontade imensa de rechaçar e inflamar o ego.

Quer que os poetas evoluam? Faça críticas sérias e admita seus próprios defeitos, talvez você esteja em desacordo com o mundo, existem outras opiniões diferentes das suas. Creio que existam outros com técnicas tão "admiráveis" quanto e que discordariam da sua nada humilde opinião.

Se quer o direito de usar esse português arcaico sem ser criticado, entenda que outros preferem a supressão de vírgulas e frases começadas em minúsculas. Se quer criticar a falta de vírgulas e ausência de maiúsculas aceite as críticas ao seu português inadequado.

Dificil respeitar alguém tão debochado, encarem como ad hominem, como quiser, mas no fundo não passa disso: vontade de chamar atenção.

Satisfeito? Agora os holofotes estão voltados para você, não é disso que os "polêmicos" gostam? Aparecer?

Angelica disse...

Esse concurso tinha tudo pra ser excelente. Uma otima ideia, organizadores aparentemente serios. Pena que a seriedade nao parta de todos. Isso aqui virou palhacada, perdeu a credibilidade. Desejo sorte aos corajosos poetas e poetisas que decidam por continuar participando disto. E desejo que alguns seres que comentam por aqui aprendam a respeitar os outros, evoluam, adquiram maturidade e nao mais facam de projetos serios verdadeiros picadeiros.

Lohan Lage Pignone disse...

Amigos comentaristas,

Fico muito feliz pelas manifestações, sejam elas pró ou contras os classificados. Este é um espaço aberto, democrático.

Todavia, peço que mantenham o respeito e não dirijam ofensas a qualquer pessoa, caso contrário, seremos obrigados a excluir certos comentários. Opinião é bom e respeito melhor ainda, pessoal.

No mais, todos os poetas classificados estão de parabéns. Todos fizeram um belo trabalho, não a toa superaram 412 poetas.

Agradeço pela compreensão de todos. Continuem acompanhando o andamento do concurso. Os próximos capítulos serão ainda mais emocionantes!

Abraços,
Lohan.

Lívia Peixoto disse...

Blá, blá, blás a parte, quero aqui deixar elogiar a poesia Patchwork, da Maria Flor. Me identifiquei muito com a sua poesia, sua forma de traduzir a vida, os sentimentos de forma tão simples e de um lirismo imensurável. Estou torcendo muito por você. Gravei seu pseudônimo e espero vê-la atuando cada vez mais com poesias como essa que acabei de ler. Sorte ti, garota!

Anônimo disse...

Me sinto feliz de ter conseguido passar para os 90 finalistas. Mais feliz ainda em saber que meu poema "27" (Matheus Simões) agradou aos jurados, tenho um enorme carinho por ele. Espero agora pelo tema.

André disse...

Não fui selecionado, mas adorei a seleção! E achei incrível perceber que alguns dos melhores poemas que eu encontrei por aqui (Amarga e o Bilhete na Geladeira)foram bem os criticados e polemizados, faz muito sentido pra mim eles terem sido escolhidos, já que são bons e inovadores e por isso alguns não percebam que na poesia contemporânea, vírgula e letra maiúscula não são tão importantes quanto o sentimento, a situação construída e o questionamento sobre a própria forma. Estou certo de que esses poetas sabem muito bem manejar a língua. Boa sorte para TODOS!

Anônimo disse...

Como em todo concurso, nem sempre os melhores são selecionados e vencem. Às vezes o melhor poema fica pelo caminho, o que parece ser injustiça, mas os critérios são tantos e os jurados são muitos, com gostos, com preferências, com formas de analisar muito pessoais. Li todos os comentários e concordo com muitos e respeito os demais, senão onde como ficaria a democracia? Como obrigar alguém a gostar de algo, se não queremos que alguém nos obrigue a isto? E um concurso de poesias, para ter os melhores participantes, precisa de uma divulgação maior, nos meios culturais de massa, para atrair a atenção de mais participantes. Assim, haverá um grande número de participantes, muito mais textos de valor e ainda mais textos sem a mínima condição de classificação, porém, tendo um júri interessado (empolgado mesmo!), qualificado e imparcial, as chances de brotarem poetas e poemas significativos serão bem elevadas. E, como também tenho os meus gostos literários, desta relação de classificados, após ler todos (algumas pessoas podem não acreditar, mas li, mesmo que alguns só o começo - a maioria dos poemas não incentivam me incentivaram a continuar), deixo aqui os que mais me emocionaram:
Transição (Victorio)
Menino Morto (Oapologista;
Abissal (Allived);
Ocelot (Sinos).
Mesmo que o concurso exija precisão métrica, mão me detive nestas observações. Fui pela coerência, pela cadência, pela musicalidade, pelo enredo, pela idéia, um conjunto de coisas que, independente da métrica sem falhas, constroem um belo poema.
Abraços e boa sorte a todos.

Anônimo disse...

Bem, gostaria de parabenizar o blog por essa iniciativa . Deu pra perceber que os organizadores realmente se entregaram de corpo e alma.
Agora, sobre as poesias:
Também vim brincar de ser jurada e para ter certeza dos títulos de poesias que escreverei logo abaixo, passei o fim de semana lendo e relendo todas; lendo e relendo os comentários. Sou do “time” dos que preferem a liberdade contemporânea!!! Sendo assim, aqui estou para nomear as mais belas e intrigantes , por ordem postada pelos organizadores.

Patchwork- Maria Flor: Um belo passeio pelo sentimento. “Com linha de cor forte
Cirzo as emendas do ontem”- Que belíssimo verso!!! Em que lugar do mundo estaria alinhavando sentimentos?!!!! Metáforas muito bem desenvolvidas, sem duvida nenhuma! Maravilha em forma de poesia!


Ela do Beco- Anna Lisboa: Que vontade de saber maaaais da vida daquela mulher!!!!! Qual será a novela que tanto gostava, afinal?!! E o romance? Aconteceu??? Já que a lucidez lhe atacava o fígado, ela era louca de fato e de pedra????? Fantástica, fantastica poesia!!! Delicadamente sensual, intensa. Criou muito bem um ir e vir da metáfora ao real.

Extra-Extra- G.D: Pequeno e muito bem construído pedaço de momento forte, sem piedade!!!! Penso que Nelson Rodrigues adoraria escrever mais sobre esse teu poeta e essas tuas palavras estupradas. O que teria acontecido depois dessa cena??? Maravilhosa poesia!!!!

Ai esta o meu top 3. Como podem ver, gosto demais do que me faz ter vontade de continuar lendo.Adoraria que essas poesias fossem contos, romances. Três grandes poetas, com certeza.

Renato Porto Leal disse...

Concordando totalmente com as poesias citadas: Ela do Beco ( Anna Lisboa), Extra-Extra (G.D), Patchwork ( Maria Flor) e acrescentando Bilhete de Geladeira (Esteves Sem Metafísica). To doido pra ler os outros trabalhos desses poetas. Show!

Anônimo disse...

idem (acima).

Carol ^~^ disse...

Parabéns ao blog pela iniciativa, realmente à uma necessidade de trazer poesia à vida das pessoas, também parabenizo aos poetas, à todos os que participaram e principalmente aos selecionados, poemas muito bons.
Como no poema"Psicologia de uma composição" do Poema...em que noto as intertextualidades e composição preocupada e interessante. Que nos renova a esperança na geração contemporânea de aristas.

Renato Porto Leal disse...

Ow, Lohan! Quando vamos poder ler as poesias da nova fase? Vc já sabe a data?????! Cara, to mega curioso pra saber o quanto minhas torcidas estão de acordo com o melhor!! To apostando que sim hahaha!!! Abração

Lohan Lage Pignone disse...

Olá, galera!

Agradeço em nome do Autores por todos os elogios, críticas e afins. Renato, na semana que vem já estaremos publicando os noventa poemas da segunda fase. Guenta firme aí! ;)

Grande abraço a todos e continuem acompanhando este grande concurso!

Lohan.

Renato Porto Leal disse...

Beleza, Lohan! Vamos esperar! Nada como um dia depois do outro, pra mostrar o talento que esse povo tem. Sem querer ofender, tenho sim meus preferidos*****, mas desejo sorte para todos, com certeza.

Anna Lisboa disse...

Muito, muito obrigada pela torcida... Saibam que minha maior vitória é ganhar de mim (= superação). Não existe aqui poesia alguma sem beleza, sem fome, sem alma, sem cor, sem cheiro. Somos poetas do mundo, gente! Certa vez, um professor me chamou num canto e disse: "Poesia não se corrige, Anna. Se escrever com a alma as tuas verdades, eu jamais terei como apontar defeitos". Portanto, a meu ver, somos 502 grandes vencedores, grandes CORAJOSOS vencedores, aqui expondo nossas verdades.
Agradeço também aos que não gostaram de minha poesia e assim demonstraram em seus comentários francos e bem elaborados. Também estamos aqui para isso, sem duvida.
Se eu gostaria de ir para a próxima fase? Claro! – demagogia é um dos tumores malignos da arte, assim como o estrelismo.
Se eu vou para a próxima fase? Não sei!
Importa? O que importa mesmo é o Lohan/poeta e toda equipe/poeta ter me dado essa chance de ser a melhor da minha vida.
Ah e respondendo ao questionamento da simpática anônima, sobre a mulher de minha poesia: Ela se chama Madeleine, tem entre zero e uma dizima periódica de anos, cabelo curto, 1,58 de altura, é do signo de gêmeos e creio que sua novela preferida ainda não tenha sido escrita em nossos tempos. Quanto ao fato de ser louca, bom, deixo essa resposta para você rsrs!!
Um abraço!!
Boa sorte, pessoal. Todos merecem!!!!!!

Anônimo disse...

"Não há arte revolucionária
sem linguagem revolucionária".
Meus preferidos são os mesmos citados por Renato.

Renato Porto L. disse...

Meu comentário sumiu, mas vou de novo com a pergunta que n quer calar:
Kd os poetas???!!! Vamos agitar isto aqui, povo!!!! Powwwwww!
Anna Lisboa, gosTi!!!

Anônimo disse...

Era necessário ser inédito??? Vi um poema, não li todos, que já foi premiado em outro concurso!

Marcelo disse...

acho muito difícil julgar um poema. na realidade, acho muito difícil definir o que é poesia. certa vez, tive uma discussão (no bom sentido) com um professor de história amigo meu, que é estudioso de crítica literária. ele me falou que era importante ser um "erudito" para ser um poeta, para não cair no diletantismo, isto é, fazer as coisas no amadorismo impulsivo da sentimentalidade. aí, eu tive que sinceramente discordar. tenho por mim a impressão de que atribuir a poesia somente à erudição ou mesmo o status de "poeta" àquele que possui dotes culturais é, no mínimo, uma elitização da arte. entendo que seja importante caracterizar as manifestações artísticas, bem como o artista em si, para não cairmos na ideia de que qualquer coisa pode ser arte, mas eu sinceramente me questiono se apenas uma pessoa erudita é capaz de construir uma "real poesia", seja lá o que isso for. para mim, um verso inusitado, seja ele simples ou complexo, tem seu valor artístico, ainda que ele não utilize os recursos da poesia clássica. mas, mais uma vez, é muito difícil julgar isso. hoje, o julgamento se dá por uma "comissão" de entendidos em literatura, crítica literária que, óbvio, têm suas limitações. lembro que assisti ao documentário do vinícius de moraes, dizendo que ganhou o primeiro prêmio de poesia nacional pelo livro seu primeiro "forma e exegese", livro que ele diz ser um saco porque essencialmente ali não há poesia como ele entendia a poesia. e é muito difícil não dizer que vinícius foi um grande poeta, mesmo que ele não tenha reduzido sua obra aos críticos. hoje, tenho essa impressão: de que se escreve para um grupo específico, por exemplo, para os críticos literários, para os analistas de romances ou crônicas, etc...que assim, eles julgarão ser, ou não, uma obra de arte.

Autores disse...

A discussão, de fato, está muito proveitosa por aqui!

Respondendo ao penúltimo Anônimo: não, o ineditismo não foi cobrado nesta primeira fase. Valeram poemas já premiados.

Continuem debatendo!

Abraços,
Autores.

Classificado disse...

Olá,
falo como classificado entre os 90.

Temos que respeitar o polêmico Sr. Alguém, pois ele tem uma máquina do tempo. Porque os critérios dele são do tempo de... Acho que ele fez o comentário depois de discutir com Platão, e uma conversinha com Olavo Bilac(poeta que deve ser o preferido do Alguém, tendo em vista os conceitos dele)

Queria que meu poema tivesse sido analisado por ele, seria interessante. Como, por exemplo, a crítica ao "tu leu". Não sei se foi proposital, pois não o escrevi, mas aqui em SC falamos assim, e dependendo do poema, tema e linguagem adotada, usamos a "língua do povo" num poema.
Criticar o uso (ou não) das vírgulas é incrível, quantos ÓTIMOS poetas já as abandonaram?

Criticar o uso de letras minúsculas no início de frases? COMO ASSIM?

Sinceramente, acho que ele analisa os poemas pelas normas da ABNT.

Ah, só não posso deixar de concordar daquela rima do "silêncio" e "reverencio", realmente ela é impossível. Porém a justificativa do Alguém está totalmente errada: "É uma rima impossível, visto que a primeira é uma palavra paroxítona e a outra é oxítona. " Na verdade, as duas são paroxítonas (si-LÊN-cio) (re-ve-ren-CI-o). Mas não acontece a rima, porque ela é contada a partir da vogal tônica (falando em rimas perfeitas): Êncio e Io.

Bye, espero contra-argumentos.
Deculpe qualquer abuso, vamos discutir os poemas!

P.S.:Lohan, posso comentar usando meu pseudônimo ou nome? Ou devo ficar no anonimato?

Anônimo disse...

Si o senhor não tá lembrado
Dá licença de *contá
Que aqui onde agora está
Esse *edifício arto
Era uma *casa véia
Um palacete assombradado
Foi aqui seu moço
Que eu, Mato Grosso e o Joca
*Construímo nossa maloca
Mais, um dia
*Nóis *nem *pode *se *alembrá
Veio os *homi c'as ferramentas
O dono *mandô *derrubá
*Peguemo todas nossas coisas
E *fumos pro meio da rua
*Aprecia a demolição
Que tristeza que *nóis *sentia
Cada táuba que caía
*Duia no coração
Mato Grosso quis *gritá
Mas em cima eu falei:
Os *homis tá *cá razão
Nós *arranja outro lugar
Só se conformemo quando o Joca falou:
"Deus dá o frio conforme o cobertor"
E hoje *nóis *pega a páia nas *grama do jardim
E prá *esquecê *nóis *cantemos assim:
Saudosa maloca, maloca querida,
*Dim dim donde *nóis *passemos os *dias feliz de nossas vidas
Saudosa maloca,maloca querida,
*Dim dim donde *nóis passemo os *dias feliz de nossas vidas.

MESTRE Adoniran

Anônimo disse...

Pra terminar o que postei de Adoniran, gostaria de dizer o seguinte: Alguns podem até ter exímio conhecimento em **poesia, mas jamais saberão o que é *poetar.
PS: Faltou colocar * em táuba.