segunda-feira, 9 de julho de 2012

3º Etapa - Homenagem a Cecília Meireles e a Clarice Lispector



CLARICE



CECÍLIA






CLARICECÍLIA



                                  C l a r i C e

                                    E      E

                                    Clari Ce (cília)

                                    I       I

                                    L      L

                                    I       I

                                    A      A


                        (Lohan Lage Pignone)



O que dizer sobre duas geniais escritoras? O que destacar de obras tão vastas e primorosas? O desafio foi lançado. E foi cumprido.



SEJAM BEM-VINDOS A 3º ETAPA

DO II CONCURSO DE POESIA AUTORES S/A:

HOMENAGEM A CECÍLIA MEIRELES E A CLARICE LISPECTOR



Leitores e poetas: esta será uma etapa mais que especial. Muito já se foi dito e escrito sobre Clarice Lispector e Cecília Meireles. Muitas teses já foram elaboradas calcadas nas obras dessas duas escritoras. Clarice, exímia prosadora; de uma escrita misteriosa, híbrida, e, por vezes, hermética. Mas não queria ser rotulada. Cecília, doce e minuciosa poeta, das canções que o mundo escuta só de ler. A saudade, a solidão e, sobretudo, o tempo: o tempo, em Cecília, é o tempo que jamais terá fim. Que a leitura dos belos poemas, a seguir, não seja uma felicidade clandestina, mas sim, eterna.

                       
DIÁLOGO DO INTERIOR
FEMININO
(por Cecília e Clarice)

“Fez tanto luar que pensei nos teus olhos antigos

e nas tuas antigas palavras”




“Ah, como tudo é lindo e tem encanto. O quarto do hotel tem um ar estrangeiro, o travesseiro é macio, perfumada a roupa limpa. E quando o escuro dominar o aposento, uma lua enorme surgirá, depois dessa chuva, uma lua fresca e serena. E ela dormirá coberta de luar...”



“Eu sou de essência etérea e clara:

no entanto, desde que te vi,

como que desapareci...

Rondo triste, à minha procura”




“Acabara-se a vertigem da bondade.
E, se atravessara o amor e o seu inferno, penteava-se agora diante do espelho,
Por um instante sem nenhum mundo no coração. Antes de se deitar, como se apagasse uma vela,
soprou a pequena flama do dia".



“Eu não dei por essa mudança
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida a minha face?”


A seguir, uma preciosidade: o poema "Retrato", declamado na voz da própria

Cecília Meireles. Ouçam:






NOTA:

O poeta Renan Duarte, de pseudônimo OCELOT, se retirou do II Concurso de Poesia Autores S/A, alegando motivos pessoais. O poeta Hernany Tafuri, de pseudônimo NONADA F.C., entra em substituição ao poeta, uma vez que havia sido o 13º colocado no ranking da 1º Etapa das Finais. Seja bem-vindo às finais, Hernany!


PONTO BÔNUS E PREMIAÇÃO DA ETAPA:

O ponto bônus desta etapa será disputado, dessa vez, através dos comentários desta postagem. Para que um voto seja devidamente computado ao poeta, o comentarista deverá:

- COMENTAR LOGADO EM SUA CONTA DO GOOGLE (NÃO SERÃO VÁLIDOS COMO VOTO AS OPÇÕES ANÔNIMO, NOME/URL E OPENID).

- MENCIONAR O NOME, PSEUDÔNIMO OU O TÍTULO DO POEMA QUE DESEJA CONCEDER O SEU VOTO.

- NA QUINTA-FEIRA, ÀS 18 HORAS, A VOTAÇÃO SERÁ ENCERRADA COM UM COMENTÁRIO DE ENCERRAMENTO DA ORGANIZAÇÃO. APÓS ESTE COMENTÁRIO, NENHUM VOTO MAIS SERÁ COMPUTADO.

- O POETA MAIS VOTADO DA ETAPA RECEBERÁ 1 PONTO DE BÔNUS. EM CASO DE EMPATE, OS POETAS EMPATADOS DIVIDIRÃO O 1 PONTO DE BÔNUS ENTRE ELES.



BÔNUS DO JÚRI:



Nesta etapa, teremos com jurados convidados pessoas muito especiais. Teremos um dos mais recentes membros da Academia Brasileira de Letras: Antônio Carlos Secchin. Teremos também a presença do poeta uruguaio Alfredo Fressia, além de uma crítica escrita pela premiadíssima escritora Marina Colasanti, sobre os poemas desta etapa.

O jurado Antônio Carlos Secchin escolherá um poema de destaque das homenagens à Cecília Meireles e o poeta em questão receberá 0,5 pontos de bônus.

O jurado Alfredo Fressia escolherá um poema de destaque das homenagens à Clarice Lispector e o poeta em questão receberá 0,5 pontos de bônus.

Os bônus do júri não servirão para determinar a tabela, mas sim, serão somados ao ranking oficial.



PREMIAÇÃO:

Nesta etapa, a dupla vencedora (sem contar o 1 ponto de bônus, mas sim, apenas os votos dos jurados) receberá dois livros como prêmios:



“Onde estivestes de noite”, de Clarice Lispector (Ed. Rocco).

e

“Romanceiro da Inconfidência”, de Cecília Meireles (Ed. L&PM).



Da dupla, o poeta que escreveu sobre Clarice receberá o livro de Clarice; o poeta que escreveu sobre Cecília, receberá o livro de Cecília como prêmio. O prêmio será a recompensa por esta singela homenagem realizada por todos vocês, poetas.

Boa sorte a todas as duplas!

 Abaixo, a declamação de um trecho de um livro de Clarice Lispector,  na voz de

Antônio Abujamra. Ouçam:





POEMAS DA 3º ETAPA: HOMENAGEM

A CECÍLIA MEIRELES E A CLARICE LISPECTOR


1º Dupla: Marco Antonio Tozzato (Per-Verso) e Geovani Doratiotto (G.D)

Poema em homenagem a Cecília Meireles

Do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro: Marco Antonio Tozzato, 48 anos.

Pseudônimo: Per-Verso

“O poema de Cecília Meireles que eu mais me identifico é ‘Ou isto ou Aquilo’. Li-o quando ainda era criança e nem tinha ideia quem era a poeta. Gostei, talvez, pela estrutura simples, pelo ritmo, pelas rimas e por achá-lo engraçado. Eu era exatamente como a “pessoa” do poema: um garoto que nunca estava satisfeito com nada, sempre com dificuldade para escolher. Apesar deter lido muitos outros poemas e me encantado por todos, o primeiro, aquele da minha infância, me acompanhou. Fazer escolhas, escolher caminhos, sempre foi uma questão vital para toda a humanidade. “Ser ou não ser, eis a questão”. Uma questão complicada, intricada, conflitante, dolorosa até, mas que Cecília soube expressar com grande singeleza, simplicidade e até humor”.



Título: Uma quase canção para Cecília


Canto porque não quis ser triste

Fiz da solidão, amiga.

Tudo passa, tudo fica, tudo insiste.

O eterno que o diga.



Foge o tempo nas engrenagens,

Um caleidoscópio forma os mundos.

Os versos começam a viagem,

Profundos



Não sei se rimo ou desafino

Ou se isto, ou se aquilo

Nem sei se esculacho ou se refino

Eu, então, oscilo.



Sei que tento, mas tentar é pouco

A tinta que quero poema se desvencilha

Tenho quase nada de poeta, mas muito de louco

É melhor que não emudeça, Cecília.




Poema em homenagem a Clarice Lispector

De Atibaia, São Paulo: Geovani Doratiotto, 23 anos.

Pseudônimo: G.D



“O texto ‘A maçã no escuro’ é uma inversão da metáfora de criação. O homem cria deus- que cria o homem, que só se conhece por inteiro quando descobre a palavra "nova", com significado em si. "Deus" nesse sentido é a coisa em si, a palavra é o símbolo e o significado neste texto da obra de Clarice Lispector. Trecho: ‘E se fosse essa palavra - seria assim então que ela acontecia? Então tivera de viver tudo o que vivera, para experimentar o que poderia ter sido dito numa só palavra? se essa palavra pudesse ser dita, e ele ainda não a dissera. Andara ele o mundo inteiro, somente porque era mais difícil dar um só e único passo? se esse passo pudesse jamais ser dado!’

(MOSER, Benjamim, 1976, 2ª edição)”.



Título: Chaya – Poema Iídiche.



                        “Sou tão misteriosa que não me entendo”.

                                                     (Clarice Lispector)



O verbo estrangeiro

habita a palavra

escrita,

A bravata: liberdade no presídio (Brasília)!

Sob seus pés- o diplomata. Em nó de gravata

enforcado;



O dita-dor  [ fascista], primata,

com a bala imperialista, calibre 32, a-balado: Se mata.



Ajoelhada sobre si entoava a prece,

-H. Hesse que o lobo me leve e

que a denominação das coisas seja breve;



 B. Espinoza (ברוך שפינוזה)

Sussurrou:

-A substância (causa sui) determina a poesia que faltou.

A razão não esta no

                          pranto que parou-

pronto, passou!

Movimento-repouso, velocidade- lentidão.



Orgia-literária.

Carregava  nas pontas dos dedos orgasmos à revelia.

Shabat ( שַׁבָּת שָׁלוֹם), 

Pôr-do-sol, sexta-feira. E lá, sem mesmice,

o verso se fez frase em

                                                   Clarice.




2º Dupla: Lune e Wender Montenegro (Manoel Helder).


Poema em homenagem a Cecília Meireles

De Trairi, Ceará: Wender Montenegro, 31 anos.

Pseudônimo: Manoel Helder



“ ‘Pássaro Azul’ é o poema da Cecília que mais gosto! Além do forte lirismo, sempre presente em suas criações, esse poema me impressiona, sobretudo, pela ideia do poeta visto como um ser à margem, um tanto deslocado do convívio social comum. Como Baudelaire, Cecília também vê o poeta como um albatroz que, ‘Exilado no chão, em meio à corja impura, / As asas de gigante impedem-no de andar.’ E o conselho que Cecília Meireles dá a seu pássaro azul, ao final do poema, nos diz bem dessa sua maneira de pensar e sentir a própria condição:

‘Mas não voltes aqui, pois é pesado e triste

o humano clima, para o teu destino aéreo.

Eu mal te posso amar, com o sonho do meu corpo,

condenado a este chão e sem gosto terrestre.’”



Título: Cantata a Duo para Cecília e Pássaro



                                          “Faze-te sem limites no tempo.

                                Vê a tua vida em todas as origens.”

                                                                (Cecília Meireles)



I


Cecília é um sorriso só,

assim terno, assim leve. Ave livre...



A poesia em estado de graça.



Cantara pássaro e cântaro

e sombra de pássaro e canto em cascata,

filho da garganta de um pássaro azul.



Fora concha e ânfora regato afora;

fora ar e onda, assim, frágil; assim, forte...



Cecília é água que afaga.



II



A tua face se perdeu na retina do tempo,

esse Narciso feio.

E um poeta In memoriam

moveu os seus lábios e lembrou

(ternura!) teu nome: CECÍLIA...

E em graça e salvação a vida se refez.



É que se cantas, “e a canção é tudo”,

o ritmo no sangue anula tempo e voo

e cumpres teu destino: amar, ávida, a vida,

na nova borboleta ou nesse céu de sempre...



E assim, Carpeaux, instrumentos em punho,

submeteu-te à taxidermia.

Tu que amavas o pássaro, o peixe

e o cavalo morto,

voas agora - pássaro empalhado -

para o sempre azul, já liberto do chão

no sonho do teu corpo que não sabe a terra...

Atado ao pé teu batismo: POETA!



Cecília, és um sorriso só,

assim terno, assim leve. Ave livre!

Ah, “Liberdade – essa palavra...”



Poema em homenagem a Clarice Lispector

De Brasília, Distrito Federal: Lune*, 55 anos.

Pseudônimo: Lune

*Poeta preferiu não revelar o nome



“Identifico-me com muitos textos de Clarice. Mas há um, em especial, por causa de uma frase específica, que me cutuca a autorrealidade. Está no livro ‘Água Viva’.



‘Há muito já não sou gente. Quiseram que eu fosse um objeto. Sou um objeto. Que cria outros objetos e a máquina cria a nós todos. Ela exige. O mecanismo exige e exige a minha vida. Mas eu não obedeço totalmente: se tenho que ser um objeto, que seja um objeto que grita’ (...).”



Título: Ainda grita



que faço aqui

ante o Senhor das métricas

entre a rima pobre de anjos e arcanjos?

eu que

claridade ou espectro

dos versos sou disfarçado anverso

prosa cética, poética

que se recusa

à usurpação de sentimento

que não tenha nascido

ou morrido

de meus dedos insones

prossigo incompletude neste éter-útero

e o abraço de Deus é uma mentira

que me detém

para que eu não me ausente de mim

(ou dele...?)

sigo partida, partícula

hóstia de ázimo regurgitada em palavra

na boca dos que nunca me constrangem

a anima inquieta, em infinito

quer ser-me

fazer-se o objeto que sou.

mas não me é

não grita como eu.




3º Dupla: Letícia Simões (Alice Lobo) e Francisco Ferreira (João Saramica).


Poema em homenagem a Cecília Meireles

Do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro: Letícia Simões, 24 anos.

Pseudônimo: Alice Lobo



“ ‘Motivo’ é um dos poemas que eu mais amo na vida. Ele é a síntese perfeita do amor pela poesia e da condição do poeta.



‘Sei que canto. E a canção é tudo.

Tem sangue eterno a asa ritmada.

E um dia sei que estarei mudo:

- mais nada.’



A palavra é sangue enquanto também é asa. O poema dói enquanto também liberta. Nasce do olhar de um indivíduo sobre o mundo, mas consegue atravessar tempo, distância, língua. A canção é tudo”.



Título: estudo de cecília



o sonho que naufragou

pelos teus dedos

renasceu do mar

- fiapo sutil de mero desejo



náufrago, o sonho

retornou na madrugada

- acorda cecília,

me procura por entre as palavras



enquanto impaciente assistia

à vida que desabava

o sonho violento trouxe a onda

- o teu azul que sempre escapa



agora chama-te poeta

com esse canto condoído

arpejo que brota do susto

- do sonho partido




Poema em homenagem a Clarice Lispector

De Betim, Minas Gerais: Francisco Ferreira, 44 anos.

Pseudônimo: João Saramica



“O texto de Clarice Lispector que mais me tocou foi a crônica: Tentação (do livro “Encontro de Cronistas Modernos – José Olympio Editora). Não obstante, este trecho da crônica ‘Brasília: 1962’ é o meu preferido:


‘Por mais perto que se esteja, tudo aqui é visto de longe. Não encontrei um modo de tocar. Mas pelo menos essa vantagem ao meu favor: antes de chegar aqui, eu já sabia como tocar de longe. Nunca me desesperei jamais: de longe eu tocava’.”



Título: Os Cinco Trabalhos de Clarice



Não obstante ao corpo longilíneo

Ter a alma, infinitamente maior,

Estancada no desejo de seccioná-la

E muito antes do tempo certo

Da Hora da Estrela, dividi-la

E entre os seus diletos se manter

Integralmente...



Sentir-se na pele a dor/prazer

De parir apóstolos e livros

Gerando discípulos, pois que de vocação,

Fora mãe/escritora/amante do mundo.



Ser claro/enigma e mestra

Na intrincada arte do logro

E driblando a vida, não crescer jamais.



Tecendo crônicas e auto-retratos

Mostrar-se ao mundo sem minúcias delatoras.

(Estas jamais te servirão).

Desnudando de zonas de sombras,

Apenas o claro vazio que via

E profundamente vivia.



Compreender o mundo inteligível

E impalpável que sua pena/gêiser

De jorros breves e precisos, exprimia

Fotografados das inovadoras janelas

Dos olhos de um tigre...



Não se apagou tua flama, Clarice,

Como era de tua vontade, mas antes,

Permaneces “uma vasta metáfora do real!”




4º Dupla: Ana Lúcia Pires (Anna Lisboa) e Thiago Luz (Jean Jacques).



Poema em homenagem a Cecília Meireles

De Vinhedo, São Paulo: Ana Lúcia Pires, 42 anos.

Pseudônimo: Anna Lisboa



“ ‘Doze Noturnos de Holanda’, publicado em 1952, por narrar uma bela viagem/imagem lírica, posso citar como unidade. Belíssima obra para quem gosta de degustar sua alma fora do corpo.


‘E a noite dizia-me: Vem comigo, pois, ao vento das dunas,
vem ver que lembranças esvoaçam na fronte quieta do sono,
e as pálpebras lisas, e a pálida face, e o lábio parado
e as livres mãos dos vagos corpos adormecidos!’

‘Dois’ - Cecília Meireles”.







Título: Cecília nº5

"Mulher: pequena deusa,
Ínfimo de Deus,
Abismo íntimo!"
(Thiago Luz)


T(eu)-lírico, m(eu)-lírico
Jaz o leito raso nos canais de Amsterdã
Doze Noturnos de Holanda, uma Cecília de Chico
E o aeronauta, aeros-sol se pôs: in-finito
Delírios sem Espectros
Noite de seda apura o caminho
Espaça a morte, ex-passarinho
Modernismo, moder - ninho.

Parnasianos, meses, dias
E tua volta que não volta das auréolas miudinhas
das tuas, das minhas
Sarna-samba no batuque da donzela Rosicler
Macumbalanço
Santa Clara, clareou! Clara reza de mulher

M(ar) abso-luto
Chanel de minuto em minuto
Ou isto ou Aquilo

Giroflê, Giroflá
Gira a bruxa que é má
Vem Girô! Vem Girá!
Livros só correm livres – traças pálidas

Rosa que não Rui
Nem palita de meus olhos as crianças telepáticas
Tiradentes da goela
Mostra os dentes da favela
Campânulas acrobáticas

Cecília Maria, eu amaria
Maria amaria Maria, tuas filhas sem chiquinhas
Pinta em canto Benevides, pintassilgo dever de ver
bem clarinho
Hoje a Terra está vazia
O que fica, lavra a dor

[Em tempo]
[Sobre a relva]    [Atemporal]

Poema em homenagem a Clarice Lispector
Do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro: Thiago Luz, 29 anos.
Pseudônimo: Jean Jacques

" ‘A Hora da Estrela’ é o texto que mais me identifico, de Clarice Lispector.
Eis alguns trechos marcantes:

‘Macabéa me matou.
Ela estava enfim livre de si e de nós. Não vos assusteis, morrer
é um instante, passa logo, eu sei porque acabo de morrer com a
moça. Desculpai-me esta morte. É que não pude evitá-la, a gente
aceita tudo porque já beijou a parede. Mas eis que de repente sinto o
meu último esgar de revolta e uivo: o morticínio dos pombos!!! Viver é
luxo’.

‘(...) No fundo ela não passara de uma caixinha de música meio desafinada.
Eu vos pergunto: — Qual é o peso da luz?’”


Título: Clarice: Feminino Adjetivo

"Bela mesmo
É a nudez impenetrável
Da mulher que escreve com os dedos vestidos"
(Ana Lúcia Pires)

Clarice insere outra adaga,
Sutil carícia no seio da estrela,
E a luz escorre suave,
Folha por folha,
Como um sangue luminar
Que rompe a inércia
Letárgica da realidade
E deságua nas retinas:
Mancha profunda na alma.

E em nossos lábios de morango,
(Sim, para Ela é tempo de morangos)
Um beijo lispectoriano
Desfaz o frio do quarto,
E a solidão se distrai
Ante Macabéa sem panos,
Despida do mundo...
Somos leitores, somos amantes!

Clarice, feminino adjetivo
De qualquer mulher.
Mulher, era Ela!
Somos todos de alguma forma...
Bruxa, misteriosa,
Pequena deusa, ínfimo de Deus,
Abismo íntimo!


5º Dupla: Henrique César Cabral (Gaspar) e Hernany Tafuri* (Nonada. F.C.).
*Substituto do poeta Renan Duarte (Ocelot), que deixou o concurso.

Poema em homenagem a Cecília Meireles
De São Paulo, São Paulo: Henrique César Cabral, 59 anos.
Pseudônimo: Gaspar

“Uma característica de Cecília Meireles que gostaria de chamar a atenção, é para o fato de entender a poesia como missão, quase um sacerdócio. Não é uma fingidora, para ela o mundo cotidiano só se torna Realidade depois de cantada pelo poeta. No primeiro verso dos ‘Doze Noturnos de Holanda’ diz ‘O rumor do mundo vai perdendo sua força’, é quando entra em ação o Canto do poeta e seu lirismo desmembra a noite, desmembra a si mesmo até tornar tudo ‘tão fora do tempo, do reino dos homens’. O poeta transforma o rumor em canto, essa sua missão, sua busca, o porquê de estar no mundo. Tão diferente de Drummond, por exemplo, que vira as costas ao sublime e segue o caminho pedregoso, de mãos pensas. Para Cecília, ao contrário, ela sabe que o poeta ‘deixa seu ritmo por onde passa’ (Discurso). Foi uma poeta integral, nas suas ideias sobre educação, na sua releitura da história, como combatente social estendia ‘suas asas/isenta por igual/de desejo e desespero’. Tudo, igualmente, deveria ser cantado, tocado pelo canto do poeta: ‘A vida só é possível/reinventada’ (Reinvenção). Nem tudo são flores. O poeta não é um cavaleiro iluminado, parece mais alguém que nasce com a alma perfurada, feito um legítimo herdeiro de São Sebastião, como diz em ‘Destino’: ‘Pastora de nuvens/Fui posta a serviço’. Às vezes ela parece reclamar de sua missão, como no poema abaixo:

‘Até quando terás, minha alma, esta doçura
Até quando terás, minha alma, esta doçura
Este dom de sofrer, este poder de amar,
A força de estar sempre – insegura – segura
Como a flecha que segue a trajetória obscura
Fiel ao seu movimento, exata em seu lugar? ...’

 Como sabemos ela permaneceu fiel ao seu movimento, encarou as dores e as flores do mundo e cantou, porque sabe que ‘tem sangue eterno/ a asa ritmada’.

Título: Confidências à Romanceira

a Sibila se atira
no sopro do teu nome
nome de asas
cartografia de um plano
de canto e voo

se afasta, certeira
daqui se arrasta
tua sombra de abelha

= = =
... ... ...

um fiozinho de vida
visitado sazonalmente
por um riozinho de palavras
- uma aqui alguma outra ali -

e nem me fale
de Música de Esferas
hoje a música impera
o som domesticado
rivaliza com os pulsos
e as retortas do mundo
– o jingle enjoa mais que tudo –

hoje se canta o vazio
a cabeça boia isolada
o sopro exalado
vaga perdido

o mundo se condensa
o passado e o futuro
arquitetados bem agora
outono
onde uma folha morta
se esconde sob outras

a realidade vista
com um olho
no caleidoscópio
a simetria vazia
paira sobre a miséria
e os corpos coloridos

não há o que celebrar
nem o parentesco atômico
nem as leis do universo
são alento – antes
acordam o pensamento
para novos grilhões
a ruminar

o júbilo é uma chama
amedronta-se com o vento
basta um leve sopro
e desaparecerá

no vórtice adequado
isolada pelo umbigo
a alma tonta
que a chama
vela


Poema em homenagem a Clarice Lispector
De Juiz de Fora, Minas Gerais: Hernany Tafuri, 30 anos.
Pseudônimo: Nonada F.C.

“Sobre o texto que mais gosto: o conto ‘Tentação’, pela bela imagem da menina ruiva que se sentia deslocada do mundo e se encontrou num cachorro cujos pelos eram avermelhados.

‘Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava-o sob os cabelos, fascinada, séria. Quanto tempo se passava? Um grande soluço sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Também ela passou por cima do soluço e continuou a fitá-lo’.
(Clarice Lispector)”


Título: Epifania

que sei eu?
ele chorou um pouco
então leu o poema –
a vida escorria pelos olhos
como letras de sangue em um cubo de gelo.

que poderia eu fazer com um livro
que a mim não pertencia?
lê-lo seria matar a vontade
a seu fim no rosto o resto do riso ruivo
seria estéril.

o que de mais novo já me aconteceu
é a felicidade – covardia é clandestina
como uma maçã no escuro
do outro lado da rua.

a espera pelo dia
em que todo meu movimento
seja criação:
que posso eu fazer?

na avidez da vida
apenas um soluço adorna
a infância interrompida:
o sol em suas impossibilidades
encarnado em pretas letras
no papel grudadas –

enquanto teus olhos resistem
ao último toque ainda
perto do coração selvagem.

6º Dupla: Barolo e Flávio Machado (Dersu Uzala)

Poema em homenagem a Cecília Meireles
De Nova Friburgo, Rio de Janeiro: Barolo*, 46 anos.
Pseudônimo: Barolo
*Poeta preferiu não revelar o nome

“Meu poema predileto de Cecília é ‘Retrato’, por seu encontro inescapável com o espelho.

‘Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo’.
(Cecília Meireles)”

Título: Tinta

Em que espelho ficou perdida a minha face?
(Cecilia Meireles - Retrato)
                                                                                           
É de você que lembro quando olho no espelho e não me vejo,
à  procura do viço,  do riso, da cor, do rastro do rosto que um dia foi  meu.
E a mulher ao espelho, mudada, marcada, me olha, me vê , sorri e me fala:

Tudo é tinta, meu bem,
o rosado do rosto
o vermelho da unha
o branco do fio
o breu.


Poema em homenagem a Clarice Lispector
De Cabo Frio, Rio de Janeiro: Flávio Machado, 53 anos.
Pseudônimo: Dersu Uzala

“Não houve um texto de Clarice com o qual tenha me identificado, essa atração veio através de um poema de Ferreira Gullar:

‘Enquanto te enterravam no cemitério judeu
do Caju*
(e o clarão de teu olhar soterrado
resistindo ainda)
o táxi corria comigo à borda da Lagoa
na direção de Botafogo
as pedras e as nuvens e as árvores
no vento
mostravam alegremente
que não dependem de nós’.

Então de maneira enviesada soube da obra de Clarice Lispector, e anos depois, aliás muitos anos depois esbarrei coma biografia no ateliê de Scliar em Cabo Frio, nesse meio tempo escrevi um poema pequeno sobre Clarice, como exercício em um grupo de discussão literária. Percebi que a biografia me interessou mais do que a obra literária, então escolheria um trecho dessa biografia como de grande impacto, o incêndio no apartamento da escritora que deixou marcas profundas físicas e na alma”.

Título: in memorium

                                   Para Clarice Lispector

as primeiras notícias chegaram por Ferreira Gullar
(e o clarão de teu olhar soterrado resistindo ainda)

a morte invadindo
a hora tardia das sombras
silêncio de pesar
dança das marés

clarice flutua
brinca de bruxa no vento
rosto de nuvens
absorvido pela paisagem
quadro em movimento

o desejo é facultativo
a paixão segundo G H
a fúria eterna
arranca das entranhas
um coração selvagem.


&&&&

ANÚNCIO DA TEMÁTICA DA 4º ETAPA
CAROS POETAS,
PARA A PRÓXIMA ETAPA, VOCÊS DEVERÃO ELABORAR UM (01) POEMA DE ACORDO COM O SEGUINTE TEMA:
"A NUDEZ FEMININA"
- O PRAZO PARA ENVIO DO POEMA É:  ATÉ AS 23:59min. DO PRÓXIMO DOMINGO, DIA 15/07/12;
- CADA POEMA DEVERÁ VIR SEGUIDO DE UMA IMAGEM DE NU FEMININO (PINTURA, FOTOGRAFIA, GRAVURA, CENA DE FILME, RECORTE DE REVISTA, ETC.);
- O POETA PODE (OU NÃO) SE CALCAR NA IMAGEM ESCOLHIDA NA ELABORAÇÃO DO SEU POEMA. FICA A CRITÉRIO DO POETA;
- TÍTULO E INEDITISMO OBRIGATÓRIOS;
- SEM RESTRIÇÕES DE LINHAS / CARACTERES;

- O POEMA PODE SER ENVIADO EM ANEXO OU NO CORPO DO E-MAIL.





DICA

"Poetas, o universo feminino se estende para a próxima rodada do concurso. O poeta que souber explorar a nudez feminina com a ousadia e a delicadeza na medida certa, será o melhor sucedido da rodada. Pesquisem imagens históricas e impactantes quando forem escolher a imagem do nu feminino. Saibam insinuar a beleza do poema de vocês... Sorte!"

(Lohan Lage)

-
E ENTÃO, POETAS E LEITORES?
O QUE ACHARAM DAS HOMENAGENS?
QUAL DUPLA SERÁ A MELHOR VOTADA?
A PROPÓSITO: QUEM MERECE O SEU VOTO NESTA ETAPA?
COMENTE E VOTE NO COMENTÁRIO COM SUA CONTA DO GOOGLE!
ATÉ QUINTA-FEIRA, COM OS RESULTADOS!
AUTORES S/A



70 comentários:

Angelica Cabral disse...

Meu voto vai para Ana Lúcia Pires (Anna Lisboa) pelo inteligente jogo de palavras. Citou várias obras de Cecília, utilizando-as em seus versos com extrema facilidade e beleza. Encerrou seu poema com uma doce imagem lírica.

Anninha disse...

Meu voto vai para:
[Poema de Wender Montenegro
Pseudônimo: Manoel Helder]

Tozato disse...

Meu voto vai para Marco Tozzato porque achei o poema dele o melhor de todos.

Lara Amaral disse...

Meu voto é para Wender Montenegro!

Paulo Alexandre Henriques disse...

Voto no poema de Marco Tozzato (Per-Verso)

Bee Tozato disse...

Meu voto vai pro Per-Verso, Marco Tozzato, do poema "Uma quase canção para Cecilia. lindoooo!!! Me apaixonei!!!!!

Daniele Rodrigues disse...

Meu voto vai pro poema "Uma quase canção para Cecilia'', do Per-Verso.

Daniele Rodrigues disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
vivian brito disse...

meu voto vai para Wender Montenegro porque me fez emocionar ao ver Cecília assim, pintada em tons de azul, em traços tão fortes e suaves que causariam inveja a Picasso.

Amanda Motta disse...

O poeta da rodada foi com certeza o Per-Verso (Marco Tozzato). Voto nele..

Vívian disse...

meu voto vai para Wender Montenegro porque me fez emocionar ao ver Cecília assim, pintada em tons de azul, em traços tão fortes e suaves que causariam inveja a Picasso.

Fernando disse...

Meu voto vai para Clarice: Feminino Adjetivo, do Thiago Luz.

Linda Graal disse...

Meu voto vai para:
[Poema de Wender Montenegro - CANTATA A DUO PARA CECÍLIA E PÁSSARO
Pseudônimo: Manoel Helder]

Raquel disse...

Meu voto vai para "Clarice: Feminino Adjetivo" (Thiago Luz)

Gaby Luz disse...

Meu voto vai para Clarice: Feminino Adjetivo, do Thiago Luz.

Gaby Luz disse...

Meu voto vai para Clarice: Feminino Adjetivo, do Thiago Luz.

Vinicius Sombra disse...

Meu voto vai para Clarice: Feminino Adjetivo, do Thiago Luz.
Muito bom o jogo de palavras! Parabéns!

Carol Vaz disse...

Dúvida cruel, ah... Muitos poemas lindíssimos, mas prezando o quesito "homenagem" meu voto vai para Manoel Helder.

Thiago Luz disse...

Meu voto vai pra "Clarice: Feminino Adjetivo". rsrsrs

Thaty Louise disse...

Muito bem executada essa etapa, mas senti falta de referências mais específicas à obra das homenageadas.

Valdi Barros disse...

Meu voto vai para Clarice: Feminino Adjetivo, do Thiago Luz.

Anônimo disse...

mas praticamente todos os poemas fizeram referencias as obras das homenageadas!!!

o poema do Per-Verso foi sobre Ou isto ou aquilo, o poema de Barolo foi sobre Retrato, o poema de Lune focou no Água viva... Thaty Louise leu os mesmos poemas que eu li??

Patricia Tavares disse...

Meu voto vai para Thiago Luz, por "Clarice: Feminino Adjetivo".

Fabio disse...

E o voto vai p/ Thiago Luz ---> Clarice: feminino adjetivo

Dante O velho disse...

Muitas palavras dignas de entrarem para os anais da história poética do Nrasil, mas como só posso votar em um, fico co Francisco Ferreira, o João Saramica pelo "Os cinco trabalhos de Clarice".

Dante O velho disse...

Ops, Brasil é claro

Anônimo disse...

Homenagens belíssimas! Parabéns aos poetas por manterem o bom nível no concurso!

vitoria disse...

Meu voto vai para CANTATA A DUO PARA CECÍLIA E PÁSSARO, de Wender Montenegro e seu belo jogo de palavras: "amar, ávida, a vida,
na nova borboleta ou nesse céu de sempre..."

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Livre em Cristo Jesus disse...

Meu voto da rodada vai pro poeta Per-Verso.

Lucas Bakkuna disse...

'Tudo é tinta, meu bem,
o rosado do rosto
o vermelho da unha
o branco do fio
o breu.'

BAROLO meu voto é seu...

Unknown disse...

voto em Per- Verso como melhor da rodada

Vitório Fonseca disse...

Eu vou escolher o poema "Uma quase canção para Cecilia'' por ter sido o poema mais simples, mais claro e por ter explorado a dualidade do poeta (o ''eu-louco-lírico'' versus o ''eu-doce-lírico de Cecília''). E utilizou como base o ótimo poema ''Ou isto ou aquilo'' que ilustra muito bem a intenção do poeta.

Beca disse...

Ana Lúcia Pires, compartilho da mesma Cecília. Voto em teu poema.

Ana Beatriz Manier disse...

Barolo agradece e também vota. Em si mesmo, claro, portanto:
The oscar goes to... Barolo!
E também para Dersu Uzala (Flavio Machado).

J. César disse...

Voto em Thiago Luz, "Clarice: Feminino Adjetivo".

Paty disse...

Fico com Thiago Luz e seu feminino adjetivo de Clarice...

Felipe Neto Viana disse...

Boa noite,

Infelizmente só agora pude visitar o blog em questão e proferir meu gabaritado comentário sobre a segunda edição deste certame. Agradeço ao Lohan pelo convite e aproveito para congratula-lo pela organização de mais um certame desse porte.

Cheguei tarde, mas cheguei - como a justiça. Encontro aqui poetas de alto nível e isso me surpreende. A poesia no Brasil está em baixa. A crítica cumpre o seu papel e adere a realidade do gênero poético nesse país que tem regredido degraus importantes.

Eu, como crítico literário, opino com gosto e aprecio manifestações populares como a que está ocorrendo aqui e há pouco sucedeu no blog Língua'Fiada. Lá fui jurado e contribui para o crescimento dos poetas com minhas críticas sinceras. Que doa a quem merece sentir a dor.

Confesso que todos os poemas estão a altura das homenageadas da leva. Mas... Sempre tem o 'mas': aprecio com mais gosto o poema simples e que transmite a mensagem sem firulas. Aprecio poemas amarrados, de nós coesos, que não deixam escapar toda in(formação) e que mantenha o ar do mistério.

Não irei analisar um por um todavia posso separar um grupo que almejou se destacar positivamente e pode ter quebrado a cara: os poetas Anna Lisboa, G.D e Manoel Helder alcançaram os ápices da língua: os dois primeiros potencializaram ao extremo os significantes; o último, cultuou a palavra como se ela fosse uma virgem. Desaprovo os dois modos. A poesia exige a medida certa. Anna Lisboa parece querer falar de tudo um pouco e acaba falando quase nada. G.D parece ter aproveitado um poema já escrito e acrescentou o nome 'Clarice' no final para aderir à temática. Manoel Helder passa esmeril na linguagem e para completar inclui Carpeaux na história - um tanto apelativo.

Os poetas Henrique e João Saramica teriam mais sucesso se tivessem sintetizado melhor a ideia. O título do Saramica também destoou um pouco da proposta do seu poema. Aprecio com moderação.

Os poetas Nonada e Dersu Uzala (que pseudônimo é esse, candomblé?) foram, talvez, os mais simplórios da leva. Os versos dispostos ficaram muito soltos, e não estamos falando de arroz. Estamos falando de poesia.

Aprecio (sem moderação) na leva os poemas de Alice Lobo, Barolo, Jean Jacques e Per-Verso. Na medida certa, dispuseram de seus versos eloquentes, sem mais, sem mais. Fizeram amor com os poemas de suas respectivas homenageadas ao contrário de outros que fizeram sexo selvagem e foram precoces em suas ejaculações.

Destaco como o melhor poema da leva o 'Ainda grita' do poeta Lune. Arrebata o leitor com uma releitura clara e impactante de algumas obras clariceanas com foco em 'Água Viva'. A transa foi a la Caetano e não tem essa de 'ou não'. O poema ainda grita em meus 'ouvidos', sim.

Já que tem votação aberta, que seja: voto em 'Ainda grita', de Lune.

E como disse anteriormente, que minha crítica doa a quem mereça sentir a dor. Essa competição é acirrada e para vencer tem que saber ler aquele que diz o que sabe dizer.

Até a próxima leva.
Cordialmente,

Felipe Neto Viana (F.N.V)

Sérgio Aires disse...

Gostei muito do concurso 1º vez que visito o blog. Parabéns, pessoal.

Dos poemas que li curti muito o primeiro do Per-verso e também do último do Nonada F.C.

Sendo voto num só..... Escolho o do Per-verso hj. ''Ou isto ou aquilo'' de Cecília Meireles tambm é meu poema predileto dela.

parabéns a todos continuarei acompanhando vcs.

Sérgio.

Cinthia Kriemler disse...

Felipe Neto Viana, agradeço o voto, mas, mais do que isso, agradeço a leitura atenta.

Lune

Roberta Tostes Daniel disse...

Voto no Wender Montenegro (Manoel Helder).

EDUARDO RIBEIRO TOLEDO disse...

Meu voto vai para Wender Montenegro aka Manoel Helder, em função das imagens associadas à etapa pertinente. Obrigado

Bianca Moura disse...

Meu voto vai THIAGO LUZ (Poesia: Clarice: Feminino Adjetivo)

eliane Luz disse...

Meu voto vai p/ Thiago Luz -Poesia "Clarice: Feminino Adjetivo."

Mauro Toledo disse...

Melhor poema: ''Uma quase canção para Cecilia'', de Marco Antonio Tozzato.

Voto nele.

Parabéns pelo concurso muito bom.

Abçs,

Mauro.

Lennon disse...

Meu voto vai para Thiago Luz (poesia: "Clarice: Feminino Adjetivo")

Renato Lima disse...

Meu voto é do Thiago Luz. Adorei Clarice: feminino adjetivo. Abraços e parabéns pelo concurso.

eliane luz disse...

Meu voto vai pra "Clarice: Feminino Adjetivo"

Antonio Carlos disse...

Com certeza ''Uma quase canção para Cecilia'' é o melhor poema da rodada. Gostei muito do ''estudo de cecilia'' de Alice Lobo tbm mas hj fico com Per-Verso.

Adorei o concurso!
ACM.

Fabio disse...

Meu voto vai para Thiago Luz (Clarice: feminino adjetivo). Boa sorte aos participantes. Belo concurso.

Lohan Lage Pignone disse...

Amigos,

A votação está bastante acirrada!
Venho aqui esclarecer alguns pontos em relação à votação:

- Não será permitido a mesma pessoa votar duas vezes. Ou seja, caso isso tenha ocorrido, só será considerado 1 voto dessa pessoa;

- Votos em anônimo/nome não serão considerados também.

- Em caso de uma pessoa votar em dois poetas, só será considerado o nome do primeiro poeta citado por ela. Ou seja, o outro poeta não receberá voto.

A votação termina amanhã, às 18 horas.

Abraços a todos!

Lohan.

Lohan Lage Pignone disse...

Resultado parcial:

Thiago Luz: 14 votos.

Marco Antonio Tozzato: 11 votos.

Wender Montenegro: 07 votos.

Ana Lúcia Pires: 02 votos.

Barolo: 02 votos.

Francisco Ferreira: 01 voto.

Lune: 01 voto.

Andréa Amaral disse...

Per-verso e Barolo. Me parece que o tema "Clarice" encontrou maior dificuldade pelos poetas. Nenhum chamou minha atenção.

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Tais Ramos disse...

Meu voto vai para Thiago Luz (Clarice: feminino adjetivo). Antecipadamente desejo sorte a todos.

Lohan Lage Pignone disse...

Observação:

Os votos de Ana Beatriz Manier foram para os poetas Barolo e Dersu Uzala, logo, o voto computado será para BAROLO.

Os votos de Andréa Amaral foram para Per-Verso e Barolo, logo, o voto computado será para PER-VERSO.

Conforme disse acima, o voto computado será aquele que primeiro foi mencionado pelo comentarista.

Obrigado!
Lohan.

Wender Montenegro disse...

Gostei muito dos poemas dessa rodada. As homenagens foram todas bem interessantes... Tenho cá minhas preferências: Lune (minha parceira), Anna Lisboa e GD como sempre me surpreendendo com o alto nível de seus poemas e suas sacadas incríveis! Mas... [e 'o cara' lá de cima me avisou que tem o mas rs]... o meu voto vai mesmo para o Manoel Helder [eu, hehe], afinal, gostei demais da homenagem que fiz à POETisA! Tanto que me novo livro [já concluído?!] será acrescido de mais uma página: uma página à Cecília. :) Parabenizo e desejo boa sorte a todos os amigos poetas!

Abraços
Wender

Wender Montenegro disse...

Em tempo: agradeço as leituras atentas, as palavras boas e os votos dos amigos que vieram aqui participar com a gente...
Muito obrigado!

Abraços
Wender

Hayssan Hara disse...

Meu voto vai para Wender Montenegro.

pedro paulo disse...

Os poetas claricianos não deram a bola da vez mesmo. Os melhores foram os cecilianos Per-Verso, Barolo e Alice Lobo na minha opinião. Voto em Per-Verso!

Até mais ver.

Diego Ramalho disse...

Definitivamente gosto não se discute. Meu voto vai p/ um poema clariceano... Thiago Luz! Boa sorte a todos!

Martha Soares disse...

Gosto se discute sim senhor!
E pra botar mais lenha nessa disputa meu voto vai pro Per-Verso cujo poema tá muito mais bonito!

Lucia Callas disse...

Meu voto vai para "Uma quase canção para Cecilia".

Renata Sá disse...

Ameeii os poemas, amo Cecilia Meireles!!! Barolo e Per-Verso foram d++

Voto em Barolo, "Tinta"!

Voltarei mais vezes.

Bjusss

Rê.

Rebeca Castro disse...

Voto em Per-Verso pela sua astúcia no poema. Perverso seria não votar nele!!
Parabéns pelo concurso!!

Lohan Lage Pignone disse...

VOTAÇÃO ENCERRADA!

A partir de agora, não serão mais computados votos desta rodada. ABAIXO, SEGUE O RESULTADO OFICIAL:


1º MARCO ANTONIO TOZZATO (PER-VERSO), por ''Uma quase canção para Cecília: 16 VOTOS.

2º THIAGO LUZ (JEAN JACQUES), por "Clarice: feminino adjetivo": 15 VOTOS.

3º WENDER MONTENEGRO (MANOEL HELDER), por "Cantata a duo de Cecilia e Pássario": 09 VOTOS.

4º BAROLO, por ''Tinta": 03 VOTOS.

5º ANA LÚCIA PIRES (ANNA LISBOA), por "Cecília nº5": 02 VOTOS.


O POETA MARCO ANTONIO TOZZATO RECEBERÁ 1 PONTO DE BONUS NESTA RODADA. PARABÉNS!

DAQUI A POUCO, OS RESULTADOS DOS JURADOS. ABRAÇOS!

LOHAN.

Celly Monteiro disse...

Aplaudo a sensibilidade Wender Montenegro, que se apresenta com o
Pseudônimo de Manoel Helder. Seu poema tem a profundidade da admiração que ele aparenta ter pela Cecília, por sua obra, por sua alma, por sua vida. Na minha opinião, tem uma beleza que se destaca dos demais, por ter construído um relicário com a imagem da própria. Meu voto vai pra ele.

Anônimo disse...

Só amanhã, Lohan?

Anna Lisboa disse...

Obrigada a todos os jurados, comentarios muito valiosos. Se me permitem um esclarecimento, o Chico em minha Cecilia foi inspirado aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=1eGWCgDCAkk