quinta-feira, 19 de julho de 2012

Comentários e Notas da 4º Etapa - A Nudez Feminina

APRESENTAÇÃO:


Jurados Oficiais: Afonso Henriques, Paulo Fodra e Tânia Tiburzio

Jurados Convidados: Claudio Willer e Silas Correia Leite


NOTA: O jurado Ronaldo Cagiano precisou se ausentar nesta etapa. 



Nesta etapa, tivemos como convidados dois grandes escritores no júri: Claudio Willer e Silas Correia Leite. Doutor em Letras, Willer já presidiu vários mandatos na União Brasileira dos Escritores e foi explicitamente contra a censura imposta pela rede social Facebook às imagens de nus. Silas é um escritor bastante premiado no cenário literário brasileiro. Escreveu o primeiro livro interativo na Rede Mundial de Computadores e é famoso pelas suas “siladas literárias”.



BIOGRAFIAS



CLAUDIO WILLER (São Paulo, 1940) é poeta, ensaísta e tradutor. Seus vínculos são com a criação literária mais rebelde e transgressiva, como aquela representada pelo surrealismo e geração beat. Publicou Um obscuro encanto: gnose, gnosticismo e poesia, ensaio (Civilização Brasileira, 2010); Geração Beat (L&PM Pocket, coleção Encyclopaedia, 2009); Estranhas Experiências, poesia (Lamparina, 2004); Volta, narrativa (terceira edição em 2004); Lautréamont - Os Cantos de Maldoror, Poesias e Cartas (Iluminuras, nova edição em 2008) e Uivo e outros poemas de Allen Ginsberg (L&PM Pocket, nova edição em 2010). Teve publicados, também, Poemas para leer en voz alta (Andrómeda, Costa Rica, 2007) e ensaios na coletânea Surrealismo (Perspectiva, 2008). É autor de outros livros de poesia – Anotações para um Apocalipse, Dias Circulares e Jardins da Provocação – e da coletânea Escritos de Antonin Artaud, esgotados. Aguarda publicação de A verdadeira história do século XX, poesia, ed. Demônio Negro. Poemas publicados em antologias e periódicos literários, no Brasil e outros países. Presidiu por vários mandatos a UBE, União Brasileira de Escritores. Trabalhou em administração cultural, inclusive como Coordenador da Formação Cultural na Secretaria Municipal de Cultura (1993-2001) Doutor em Letras na USP com Um obscuro encanto: gnose, gnosticismo e a poesia moderna (2008), cursou pós-doutorado sobre Religiões Estranhas, Hermetismo e Poesia na mesma universidade, onde ministrou, como professor convidado, um curso de pós-graduação sobre surrealismo e outro de extensão cultural sobre a geração beat. Coordena oficinas literárias; ministra cursos e palestras sobre poesia e criação literária. Prepara um livro sobre surrealismo e uma coletânea de ensaios sobre misticismo e poesia.






SILAS CORREIA LEITE é educador, jornalista comunitário e conselheiro em Direitos Humanos. Começou a escrever aos 16 anos no jornal “O Guarani” de Itararé-SP. Fez Direito e Geografia, é Especialista em Educação (Mackenzie), com extensão universitária em Literatura na Comunicação (ECA). Autor entre outros de “Porta-Lapsos”, Poemas, Editora All-Print (SP) e “Campo de Trigo Com Corvos”, Contos, Editora Design (SC), obra finalista do prêmio Telecom, Portugal 2007, e “O Homem Que Virou Cerveja”, Crônicas Hilárias de um Poeta Boêmio, livro ganhador do Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, Salvador Bahia, 2009, Giz Editorial, SP. Seu e-book de sucesso “O Rinoceronte de Clarice”, onze ficções, cada uma com três finais, um feliz, um de tragédia e um terceiro final politicamente incorreto, por ser pioneiro, foi destaque na mídia como O Estadão, Jornal da Tarde, Folha de SP, Diário Popular, Revista Época, Revista Ao Mestre Com Carinho, Revista Kalunga, Revista da Web, Minha Revista (RJ). e também na rede televisiva, Programa “Metrópolis”/TV Cultura; Rede Band/Programa “Momento Cultural”; Rede 21-Programa “Na Berlinda”, Programa “Provocações”, TV Cultura/Antonio Abujamra. Por ser única no gênero e o primeiro livro interativo da Rede Mundial de Computadores, foi recomendada como leitura obrigatória na matéria “Linguagem Virtual” no Mestrado de “Ciência da Linguagem” da Universidade do Sul de SC. Foi tese de Doutorado na Universidade Federal de Alagoas (“Hipertextualidade, O Livro Depois do Livro”). Texto acadêmico no link: http://bdtd.ufal.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=197

Premiado nos Concursos Paulo Leminski de Contos, Ignácio Loyola Brandão de Contos; Lygia Fagundes Telles Para Professor Escritor, Prêmio Biblioteca Mário de Andrade (Poesia Sobre SP), Prêmio Literal (Fundação Petrobrás), Prêmio Instituto Piaget (Lisboa, Portugal/Cancioneiro Infanto-Juvenil; Prêmio Elos Clube/Comunidade Lusíada Internacional; Vencedor do Primeiro Salão Nacional de Causos de Pescadores (USP), Prêmio Simetria Ficções e Fantástico, Portugal (Microconto). Consta em quase 600 sites como Estadão, Noblat, Correio do Brasil, Usina de Letras, Daniel Pizza, Wikipedia, Observatório de Imprensa, Releituras, Cronópios, Aprendiz, Pedagogo Brasil,  Jornal de Poesia, Convívio, Itália, Storm Magazine (Portugal), Politica Y Actualidad (Argentina), Poetas del Mundo (Chile), e outros, inclusive na África. Publicado em mais de 100 antologias, até no exterior, como Antologia Multilingüe de Letteratura Contemporânea, Trento, Itália; Cristhmas Anthology, Ohio, EUA e na Revista Poesia Sempre/Fundação Bib. Nacional (Ano 2000).

Site: www.itarare.com.br/silas.htm

Blog: www.portas-lapsos.zip.net (blog escolhido como um dos melhores do UOL em 2011).



                        ENTREVISTA COM SILAS CORREIA E CLAUDIO WILLER



Lohan: Na sua concepção, o que um poema tem que ter/ser para receber uma nota 10? Qual aparato técnico seria o mais indicado? Ou seria a subjetividade o fator essencial para um poema bem sucedido?



Claudio Willer: Valor: originalidade (não preciso ler o que já sei), ritmo, condensação / síntese. Não sei o que é ‘aparato técnico’. Poema é tentativa de síntese de subjetividade e objetividade.



Silas Correia: Poesia é tudo e nada ao mesmo tempo, paradoxalmente isso mesmo: criar Poesia propriamente dita. Ou, talvez, Poesia é... varreção de fragmentos e chorumes de subterrâneos mal resolvidos para debaixo do tapete dos palavrórios... O aparato técnico para mim, perdão, é não ter aparato técnico nenhum, as vias acadêmicas às vezes tripudiam sobre o inominável e matam a arte-criação. A subjetividade é, aqui e ali, um lampejo, ou ainda faz desandar a polenta da arte com lume neutro. Todas as alternativas são apenas alter-nativas... E existem as ostras. A vida é uma poesia esperando tradução/ (Silas e suas siladas). A Poesia tem que ser levada até o mais extremo, ou não seria poesia, seria rima, ritmo, metáfora, e eu gosto da santa loucura-lucidez da poesia, que revisita os bulbos inomináveis das entranhas da angustia, da solidão, da tristeza e do terrível e indizível medo de sobreviver; como um dezelo íntimo, um ranço tácito, uma cruz que se extravasa na arte como cicatriz, na poesia como fermento, na criação como um tabule de mixórdia, feito então - como sequela - uma assustadora levitação lustral. A Poesia é a casca de banana-caturra no trapézio, a casca de tangerina na linha do horizonte, o arco-íris marrom, o chute na canela da escurez, a placa de sinalização estrambólica das erratas de percurso acidentado, o humor irônico dos suicidas, a própria faca de dois legumes das metáforas barulhadas, e ainda assim e por isso mesmo, talvez, as iluminuras de desvairados inutensílios com impropriedades de incompletudes, mais os bulbos paraexistenciais. Quer que eu explique em braile epidérmico, ou desenhe com carvão orgânico para você colorir, entre o lápis de cor no liquidificador das ideias e as fugas das tentativas de abismos da vida como achadouros de cintilâncias? 



Lohan: Numa sociedade onde o sexo tem sido tão banalizado, como um poema que aborde a nudez, seja ela feminina ou masculina, pode garantir seu devido reconhecimento e visibilidade? Vale abrir um parênteses: neste ano, comemora-se o centenário de Nelson Rodrigues e Jorge Amado, ambos autores tão espontâneos em relação a assuntos relacionados a sexualidade, à nudez. Nelson dizia que "toda nudez será castigada". Diante do que vivemos hoje, poderíamos dizer que não, "toda nudez não será mais castigada"? E, ampliando essa questão: como a arte, em geral, precisa se portar diante desta problemática social?



Claudio Willer: Chances maiores de ver nudez, nem que seja para provocar censores idiotas do facebook, publicamente, enriquecem, tornam-na mais instigante como tema. Não vejo por que vivermos em uma sociedade mais aberta, na qual o corpo é menos censurado, seja uma “problemática social”. Como dizia aquele outro pensador, expansão da nudez, liberação do corpo, pode ser uma solucionática social.



Silas Correia: Quem esperma sempre alcança? Zeus ajuda quem cedo masturba? Do sexo viemos e ao sem nexo voltaremos? Toda nudez será o homem fazendo poesia para sempre saber que é bicho? A arte coroa o sexo, o sexo corrói a arte, se não tiver arte pela arte. Do nu viemos e ao nu voltaremos? Corpo-terra. Banalizamos o efêmero. O sexo é livre, a arte é livre (livro) e a poesia é o amor do sexo que nos mantém vivos. Ah, o Sexo é o Tao da Poesia, ou a Poesia é o Tao do Sexo?  





COMENTÁRIOS E NOTAS DA 4º ETAPA – A NUDEZ FEMININA





Pseudônimo: Anna Lisboa

Título: Frações e outras partes




Afonso Henriques:

NOTA: 9,5

COMENTÁRIO: A poeta mantém o estilo bem próprio, o que é positivo. Há, contudo, um excesso de “jogadas” formais, algumas melhores (“De (quatro) paredes-úmidas”), outras já muito batidas e que podiam, assim, ser evitadas (“bis-coitos”).



Paulo Fodra:

NOTA: 9,7

COMENTÁRIO: Outro poema repleto de belas imagens e jogos de palavras que ora funcionam, ora não. Mais uma vez, o que senti aqui foi a falta de um fio condutor que nos leve em segurança de uma ponta a outra do poema. A sensação da leitura é a de conversar com uma pessoa tagarela, que fala tantas coisas diferentes sem pausa, que acabamos por perder parte do que ela disse. São muitos poemas em um só. Na fala, esse fio condutor é o silêncio, a pausa, a respiração, a variação do tom de voz. No texto, pode ser o ritmo, a quebra dos versos, a sonoridade, a forma e até a edição.





Tânia Tiburzio:

NOTA: 9,6

COMENTÁRIO: Poema confuso, em harmonia com a imagem. Não me agrada a construção do texto.



Claudio Willer

NOTA: 9,6

COMENTÁRIO: Bela foto, boa ideia, mas tornou-se descritivo, algo prosaico, do meio em diante.



Silas Correia Leite:

NOTA: 10

COMENTÁRIO: Pura poesia, orquestrada de desbunde geral, bem cri(a)tiva, atre-vívida, um jorro criacional fora de série. É o que se pode dizer mesmo, literalmente até, uma puta Poesia. Lavei-me e lavrei-me de lê-la. É também uma poesia que pode dizer o nome, quero dizer também, que pode dizer que é poesia.





Pseudônimo: Barolo

Título: Eva



Afonso Henriques:

NOTA: 9.3

COMENTÁRIO: O poema dá conta da ideia do “pecado original” em poucas palavras, o que é um exercício positivo. Contudo, deixa no ar uma sensação de incompletude em termos de imagens poéticas mais fortes, possibilidades de paradoxos, maior complexidade e aprofundamento do tema etc.



Paulo Fodra:

NOTA: 9,7

COMENTÁRIO: Se em alguns temas a concisão se revelou um recurso impactante, aqui nesse pequeno poema-escultura, muito bem engendrado e carregado de intenções, ela apenas nos deixou com o gosto de quero-mais, pois não deixa entrever todo o potencial demonstrado pelo poeta ao longo do certame. Entendo que essa foi uma opção autoral executada com apuro, porém o poema acabou ofuscado pelo brilho de outros nessa rodada.



Tânia Tiburzio:

NOTA: 9,7

COMENTÁRIO: Poema fraco, não me surpreendeu. O autor já fez melhor. Muito simples.



Claudio Willer:

NOTA: 9,5

COMENTÁRIO: Boa escolha de imagem, mas o poema é menos do que a imagem oferece.



Silas Correia Leite:

NOTA: 9.0

COMENTÁRIO: Razoável poesia, alguma pouca criação, não engatou direito. Não necessariamente nessa ordem, mas todas as alternativas ela mesma.





Pseudônimo: Lune

Título: Nem todo napalm será perdoado

                  – tributo a nudez não consentida de Kim Puhc -



Afonso Henriques:

NOTA: 9.6

COMENTÁRIO: Esta terrível e imaculada nudez foi bem escolhida para dar conta do absurdo contido em toda maldade humana. O poema é um grito político, mas penso que o final há que ser repensado. A citação da peça de Nelson Rodrigues me pareceu um pouco gratuita e destituída de força tendo em vista a dramaticidade que vinha sendo perseguida.



Paulo Fodra:

NOTA: 10,0

COMENTÁRIO: O poema fala da profanação da inocência, uma violência ao corpo inocente que transcende os limites da humanidade. A comparação com a violência sexual é muito bem enredada e não se torna vulgar ou forçada, ao contrário, empurra-nos às retinas a verdadeira face da crueldade humana. Se o tom do poema se torna estranho ao despontar da “Grande Meretriz do Norte”, ele se justifica ao preparar o belo encerramento do poema, em seu tom profético.



Tânia Tiburzio:

NOTA: 9,7

COMENTÁRIO: Bom poema, bem construído. Interessante a abordagem do tema e a relação com a imagem escolhida.



Claudio Willer:

NOTA: 9,6

COMENTÁRIO: Forte, ideia original – mas podia ser menos panfletário, condensar mais – imagem vale por palavras, já foi dito.



Silas Correia Leite:

NOTA: 9,9

COMENTÁRIO: Poesia-dor. A carne-lava(lavra) riscada a fósforo. Lampejos aqui e ali. Triste ler/ser/ver-ter-(se). A nudez do bicho homem e a fêmea flor ovulando sangue e ranger de dentro.





Pseudônimo: Alice Lobo

Título: ann




Afonso Henriques:

NOTA: 9.6

COMENTÁRIO: Penso que a poeta conseguiu, a partir da bela foto (ou melhor, da bela na bela foto), um poema bem construído, onde boas imagens levam o leitor para muitas direções e sensações. Gostei do derramar vermelho pelas costas para manchar de instante o branco das gaivotas. O final também ficou bom.



Paulo Fodra:

NOTA: 9,7

COMENTÁRIO: O poema se apresenta como uma lembrança, um tanto quanto indefinido, mas carregado de sentimentos. Sem sombra de dúvida, é um belo texto, mas passa muito de raspão nudez feminina, atropelando o tema para falar de um relacionamento quase mítico de tão idealizado.



Tânia Tiburzio:

NOTA: 9,9

COMENTÁRIO: Muito bonito. Combina com a imagem. Adorei.



Claudio Willer:

NOTA: 9,8

COMENTÁRIO: É tudo simples, despojado, sem preciosismos, sem enfeitar – até agora, o que gostei mais.



 Silas Correia Leite:

NOTA: 9,8

COMENTÁRIO: Boa poesia, mas faltou um quase? Será isso? Será aquilo? Talvez nem nunca. Periga ler. Ver. Talvez, todavia, porém, contudo, faltou um poetar atravessando a má-drogada. Éramos blues?





Pseudônimo: G.D

Título: In(Vadia)



Afonso Henriques:

NOTA: 9.4

COMENTÁRIO: O poema começa bem, mas não se sustenta com a mesma força. “Dê-leite” se mostra dispensável no melhor momento do poema. As ideias da “máquina de sonhar” e do “eu sou ela, nu, austero”, que são boas, não possuem um bom desdobramento e acabam se perdendo. Por outra parte, na medida em que foi escolhida uma imagem “surrealista”, o poema necessitaria de mais elementos nessa direção. Outra coisa: “pelos” (no sentido de fios que crescem sobre a pele) não tem mais acento, o que inviabiliza a construção apresentada.



Paulo Fodra:

NOTA: 9,8

COMENTÁRIO: Continuo com a minha opinião de que a forma espalhafatosa, que tem se mostrado uma marca deste poeta, acaba por roubar-lhe o brilho das palavras em alguns momentos. Esse certamente foi um caso. Um poema com imagens maravilhosas, jogos de palavras certeiros, boa sonoridade e completamente solto da prisão do lugar comum. Mas que tem sua leitura dificultada pelas quebras aparentemente caóticas dos versos. Se eu tivesse lido o poema apenas uma vez, a nota com certeza seria mais baixa, pois eu não teria conseguido apreender a beleza do texto. É como se ele esculpisse uma bela estátua e depois a atirasse ao chão, despedaçada, esperando que dos fragmentos pudéssemos enxergar sua beleza original. Reitero aqui que essa barreira se dá unicamente pelo espalhamento das palavras. Simplificando-se pouco a forma, sem tirar nem por nenhuma palavra ou sinal gráfico, as imagens saltam vibrantes aos olhos, revelando a profundidade imagética da escrita do poeta.





Tânia Tiburzio:

NOTA: 9,8

COMENTÁRIO: Interessante a construção do poema, ousado. Gosto da interpretação da imagem escolhida pelo autor.



Claudio Willer:

NOTA: 9,5

COMENTÁRIO: Como? Pegou uma extraordinária obra surrealista e se pôs a descrevê-la? Traiu a ilustração. Tem muito cacoete de poeta contemporâneo brasileiro.





Silas Correia Leite:

NOTA: 9,7

COMENTÁRIO: O nu a descoberto, perto de tanto, mas, ainda não rodou a poética inteira e completa, mas vergou o arco da promessa. Desvarios em trâmite? Será o impossível?





Pseudônimo: Nonada F.C.

Título: No olhar





Afonso Henriques:

NOTA: 9.3

COMENTÁRIO: Vê-se que a peça de Nelson Rodrigues está no inconsciente de outro poeta concorrente. A ideia apresentada não é ruim, mas é muito difícil realizar um poema com apenas um ou dois versos que se sustenha para valer. O exemplo melhor de máxima expressão em um mínimo de palavras é do poeta Ungaretti: “Ilumino-me / de imenso”.



Paulo Fodra:

NOTA: 9,0

COMENTÁRIO: Ao resumir seu poema em duas frases, o poeta define o tamanho da pretensão dos seus versos, sugerindo que eles não deixariam nada mais a ser dito, encerrando a questão. No entanto, a expectativa não se cumpre.



Tânia Tiburzio:

NOTA: 9,6

COMENTÁRIO: muito simples. Criativo e ousado, mas muito simples.





Claudio Willer:

NOTA: 9,4

COMENTÁRIO: Pouco. Poema devia acrescentar.          



Silas Correia Leite:

NOTA: 9,0

COMENTÁRIO: Quase um lampejo, mas poderia engordar de palavra, fugir de um haiquase, frigir, tamborilar na pele da poesia, na pele da tela, na pele do olhar. Um olhar sem sê-lo?





Pseudônimo: Jean Jacques

Título: Esculpida em Sândalo



Afonso Henriques:

NOTA: 9,4

COMENTÁRIO: A atmosfera erótica da foto está bem representada no poema. Penso apenas que em termos de linguagem poética seria necessário uma maior riqueza expressiva. Por exemplo: falar dos seios em termos de “fonte de vida” e “manancial de libido” é um caminho muito próximo do prosaísmo.





Paulo Fodra:

NOTA: 9,5

COMENTÁRIO: A divisão do poema em dois momentos me pareceu desnecessária, pois as estrofes são bastante encadeadas entre si, dando uma certa unidade estilística ao conjunto. O que faltou aqui foi um sopro de novidade na abordagem do tema, que acabou se prendendo nas bordas do lugar comum.



Tânia Tiburzio:

NOTA: 9,7

COMENTÁRIO: Não gostei do poema, cheio de lugares comuns. O autor poderia ter sido mais criativo. Porém, o poema está de acordo com a imagem escolhida.





Claudio Willer:

NOTA: 9,5

COMENTÁRIO: Muito chavão! Bela escolha de imagem pediria algo com mais síntese / condensação.



Silas Correia Leite:

NOTA: 9,5

COMENTÁRIO: Proseou, mas não poetou, passou perto. Talvez esculturou o indizível, ficando o poetar pelo beirar. Não cortou para ser sândalo.





Pseudônimo: Gaspar

Título: Olhar castanho



Afonso Henriques:

NOTA: 9.5

COMENTÁRIO: Há momentos bons no poema: os primeiros versos e a quadra que principia por “a luz da pele vibra”, por exemplo.



Paulo Fodra:

NOTA: 9,7

COMENTÁRIO: Poema bastante estruturado que revela a preocupação do poeta em selecionar as palavras para construir suas imagens. Por outro lado, com exceção da primeira e da última estrofe, essas imagens se limitaram à descrição quase literal da foto, do pensamento do poeta. Senti falta de uma terceira dimensão às palavras.



Tânia Tiburzio:

NOTA: 9,7

COMENTÁRIO: O poema é bom, porém não passa muita emoção. Boa técnica e interessante a escolha da imagem.





Claudio Willer:

NOTA: 9,4

COMENTÁRIO: Outro descritivo – não precisava ser trivial.





Silas Correia Leite:

NOTA: 9,2

COMENTÁRIO: Escorou a poesia, mas não a penetrou inteiramente. Boas imagens, mas não situou o fazer poético propriamente dito. Às vezes o olhar contamina a mão. E mão e não é questão de são, trocas de com-soantes. E existem outras.





Pseudônimo: Per-Verso

Título: Paisagem Delicada



Afonso Henriques:

NOTA: 9.4

COMENTÁRIO: O poema é excessivamente descritivo. O melhor momento é o último verso. Evite em um poema (e também na prosa) expressões do tipo “como um todo”.      



Paulo Fodra:

NOTA: 9,8

COMENTÁRIO: O poema começa muito descritivo e adjetivado, mas conforme se desenvolve, vai desmaterializando o corpo e transformando-o em sensações. É quase como um enamorar-se da musa. Se não traz muita novidade nas palavras, ao menos conseguiu esse efeito. Porém, dadas as qualidades demonstradas pelo poeta ao longo do certame, ficou a sensação de que ele poderia ter ousado mais.



Tânia Tiburzio:

NOTA: 9,8

COMENTÁRIO: Li sem ver a imagem e achei confuso. Via a imagem e adorei. Muito bom.     




Claudio Willer:

NOTA: 9,4

COMENTÁRIO: Meu Deus – “Sua Paisagem carnal é natureza viva, audaz, desnuda; seduz” – Beletrismo!




Silas Correia Leite:

NOTA: 9,6

COMENTÁRIO: Um quadro não é um esquadro. A poesia é contraluz. Não escrever sobre o que ver. Mas sentir e pairar acima do que o sentir vê. Pensar sobre o sentir: e criar é muito mais. Ficou olhando a paleta e não assoprou seu vício-clip, vinho-verbo, poesia em si mesmo, elazinha. Ou elazona.





Pseudônimo: João Saramica

Título: De quando se morre



Afonso Henriques:

NOTA: 9.3

COMENTÁRIO: O poema necessita de mais força expressiva em termos de imagens poéticas. Nota-se um resvalar excessivo para a prosa.




Paulo Fodra:

NOTA: 9,8

COMENTÁRIO: O poeta optou por fazer uma abordagem leve do tema nudez para dar ênfase ao sexo. Isso o salvou de ser muito descritivo, e criou uma bela imagem em “Um corpo, um porto / O único.”. Dada a força da argumentação desenvolvida, achei os dois últimos versos desnecessários, pois terminar com “De verdade, morri naquela vez,” seria bem mais impactante.



Tânia Tiburzio:

NOTA: 9,7

COMENTÁRIO: O poema é bom, mas não vi muita relação com a imagem.





Claudio Willer:

NOTA: 9,4

COMENTÁRIO: A mais banal das imagens. Texto passaria por volta de 1943, digamos.



Silas Correia Leite:

NOTA: 9,2

COMENTÁRIO: Trufas não são poemas. Precisa escurez para ver a levitação.





 Pseudônimo: Dersu Uzala

Título: Salvador Dali



Afonso Henriques:

NOTA: 9.4

COMENTÁRIO: Volto a insistir que se o poeta escolheu uma imagem surrealista, a linguagem aqui deveria também apresentar elementos dessa ordem. Ao contrário, o que se vê com mais força é a presença de certo naturalismo. Cuidado com a crase: “carne entregue à própria sorte”.



Paulo Fodra:

NOTA: 10,0

COMENTÁRIO: A abordagem surrealista/simbolista da nudez feminina traça um paralelo interessante com a imagem escolhida. Vai além da mera descrição do corpo, da tela. Traduz em palavras a apreensão das imagens procurando-lhes um sentido oculto, uma chave. E ao consegui-la, compreende que a mulher se tornou intangível porque foi embuída de idealizações.



Tânia Tiburzio:

NOTA: 9,9

COMENTÁRIO: Maravilhoso. Gostei mesmo, perfeita harmonia com a imagem escolhida.





Claudio Willer:

NOTA: 9,6

COMENTÁRIO: Inteligente. Com cacoetes de poeta inteligente. Imagem pede mais, é claro.





Silas Correia Leite:

NOTA: 9,7,

COMENTÁRIO: Embonitou, sinalizou, foi e voltou, gume e lume. Talvez falte um pitaco no todo, mas que bonito ainda é. Sem ser certeiramente olho de lince.






Pseudônimo: Manoel Helder

Título: Da Nudez Oferenda ou O sal dos segredos





Afonso Henriques:

NOTA: 9.6

COMENTÁRIO: O poema está bem construído. Gostei bastante da dualidade (ou paralelismo) de “quase tudo é sagrado” / “quase tudo é segredo”.



Paulo Fodra:

NOTA: 10,0

COMENTÁRIO: A imagem esculpida pelo poeta agrada pelo distanciamento descritivo da nudez. Ao invés de substantivos e adjetivos, ele a descreve com ideias fortes e bem montadas, que alcançam o erotismo pois atacam diretamente a imaginação. Essa jornada mística à nudez da mulher é bem conduzida e pontuada pela repetição do tema “O poeta sabe: em teu crespo jardim / quase tudo é...”, que o poeta ainda consegue transformar em um instigante fechamento.



Tânia Tiburzio:

NOTA: 9,7

COMENTÁRIO: Muito bonito. Gosto do som do poema, da construção.



Claudio Willer:

NOTA: 9,9

COMENTÁRIO: Esse sim – desafio, dialogar com um grande poeta como Helder. Imagem, não é decorativa – concisa, o restante fica por conta do poema.



Silas Correia Leite:

NOTA: 9,6

COMENTÁRIO: O poeta também incabe em si. Belo poema, mas alguma coisa ficou solta no ar, teares de mins e afins? Passou perto. Ah a ópera bufa de nosotros, atrás de espamos... alhures...





PONTO BÔNUS



O poeta que recebeu o ponto bônus na rodada foi: Wender Montenegro (Manoel Helder), após ter recebido 39 votos pelos comentários. Parabéns, Wender!



BÔNUS DO JÚRI



O poeta que mais se destacou positivamente, segundo o jurado Claudio Willer, foi o poeta: Wender Montenegro (Manoel Helder), com o poema “Da Nudez Oferenda ou o sal dos segredos”. Logo, o poeta Wender Montenegro receberá 0,5 pontos de bônus.



RANKING DA RODADA



1º WENDER MONTENEGRO (MANOEL HELDER) – 48,8 PTS.

(empatado em todos os critérios de notas com a segunda colocada. Desempate se deu pela colocação na fase anterior: 3º colocado).



2º LUNE – 48,8 PTS.

(colocação na fase anterior: 4º colocada)



3º LETÍCIA SIMÕES (ALICE LOBO) – 48.8 PTS.

(maior nota: 9.9)



4º FLÁVIO MACHADO (DERSU UZALA) – 48,6 PTS.



5º ANA LÚCIA PIRES (ANNA LISBOA) – 48,4 PTS.



6º GEOVANI DORATIOTTO (G.D) – 48,2 PTS.



7º MARCO ANTONIO TOZZATO (PER-VERSO) – 48 PTS.



8º THIAGO LUZ (JEAN JACQUES) – 47,6 PTS.



9º HENRIQUE CÉSAR CABRAL (GASPAR) – 47,5 PTS.



10º FRANCISCO FERREIRA (JOÃO SARAMICA) – 47,4 PTS.



11º BAROLO – 47,2 PTS.



12º HERNANY TAFURI (NONADA F.C.) – 46,3 PTS.


&&&

Obs: o poeta Wender Montenegro receberá um livro como premiação da rodada, "O livro de Martha".


E então, caros poetas e leitores? O que acharam dos resultados desta etapa? 

Parabéns a todos os poetas!

Até a próxima, na segunda-feira!


AUTORES S/A


9 comentários:

Flavio Machado disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Carol Vaz disse...

Parabéns a todos que participaram! Parabéns especial ao Wender, pela colocação na etapa. Quero ver os próximos poemas! O tema é incrível, tomara que saibam trabalhar muito bem pra encher esse blog de boa poesia *-*

Wender Montenegro disse...

Boa noite, pessoal.

Muito obrigado, Carol!
Feliz demais com o resultado! :)
Um grande salto no ranking oficial, ponto bônus do público e do júri e de quebra "O livro da Martha". rsrs

Boa sorte a tods com o próximo tema!

Abraços
Wender

Cinthia Kriemler disse...

Obrigada, Carol! Também achei incrível o próximo tema e por isso mesmo dá um frio na barriga!

Bjks

Lune

Flavio Machado disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Felipe Neto Viana disse...

Boa noite,

Considero o resultado da leva justo apesar da minha preferência pelo poema de Anna Lisboa e G.D.

Sr. Flavio: li o seu comentário arrogante na outra postagem e encontro seu rosto por aqui também. Quem sou eu? Sou Felipe, crítico literário, com desprazer. Tenho mais autoridade do que você pensa. Não sou amigo e nem quero ser de nenhum poeta desse certame. Mantenho minha imparcialidade, minha ética e moral. Meus pareceres são sinceros e como já disse em outra leva, que doa a quem merece sentir a dor.

Ainda bem que vivemos em democracia, embora falsa. Apareço aqui quantas vezes for necessária para julgar os poemas de acordo com meu gabarito. Relativo ao seu poema aplaudo o comentário do jurado Afonso Henriques por condizer com minhas palavras.

Voltarei na próxima leva. Leiam quer quiser ler.

Cordialmente,
F.N.V

Flavio Machado disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Dante O velho disse...

Parabéns mestre Wender, vc mereceu o resultado.
Ana Lisboa, tbm acho que seu poema merecia melhor sorte nesta leva, mas bola pra frente.
Francisco, continuo na torcida!

Ácido, afiado, FNV não poupa ninguém, acostumem-se com ele, pelo pouco que o conheço, ele não desistirá antes do fim.

Sorte a todos.

Dante

Alexandre disse...

Geovani Doratiotto!