terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Átomo e hiato



Por uma intervenção qualquer do destino, subtraí.
Esvaziei feito uma bola furada.
Fragmentei feito uma pedra lançada morro abaixo.
Quebrei em cacos do que foi, um dia, límpido cristal.
Arrebentei em fios esbagaçados do linho.
Cinzei o sangue do que foi um dia corpo.

Lacuna no rascunho da vida.

Deixe cair.
Deixe rolar.
Deixe arrebentar, explodir, atomizar.

Até os restos no final servem de adubo para o solo.
Portanto, tanto por íon, quanto por neutron,
ato e hiato de um mesmo drão, olhem pelo lado positivo:
fragmento arquetípico de um sítio arqueológico não descoberto,
protagonista ou próton me tornei.






4 comentários:

Lohan Lage Pignone disse...

O dissolver, o sorver, o renascer. Quantas vezes não precisamos nos fragmentar para um dia nos tornarmos uma unidade, sólida, racional?

É o hiato essencial de toda vida.

Andréa, você bem sabe que fico muito contente em vê-la brilhar aqui de novo, no Autores. Como bem diz a Simone, rs: a velha guarda está de volta! E, agora, cercada por autores incríveis, que chegaram para compor uma bela equipe literária, cultural.

Obrigado!
Lohan.

Ana Beatriz Manier disse...

Muito bom poema, que, na página principal, abre como texto narrativo sem qualquer perda. Parece escrito numa tacada só, como quem sabia o que queria dizer. E disse.
Ana Eletron.

Dani Santos disse...

MOvimentos... a vida vibrando, se refazendo, a cada palavra, a cada ação, reação, a cada instante. ìmpeto, pulsão, o que nos subtrai tb nos leva além...

e seguimos, refazendo a vida atraves das palavras...

Feliz por esse retornar...

Camilíssima disse...

Feliz em ler Andréa novamente. É um prazer juntar esses pedacinhos de átomo e tentar entender o que se passa no seu coração de poetisa. Lindo, como era de se esperar.