sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Classificados na Triagem do III Concurso de Poesia Autores S/A


            Olá, caríssimos poetas e leitores!  Amanhã, dia 24 de setembro de 2014, é dia de descobrimos quais serão os poetas classificados para a próxima etapa do III Concurso de Poesia Autores S/A. Este foi só o começo: ainda há muita água para rolar!
            Os jurados, os quais nós ainda não podemos divulgar as identidades, tiveram um trabalho árduo para selecionar, de 562 inscritos, os 40 poemas. O nível estava muito alto. Sendo assim, temos uma boa novidade para todos os inscritos: ao invés de 40 classificados, decidimos dobrar essa quantidade; ou seja: revelaremos, nesta postagem, 80 poetas classificados!
            As chances de cada um de vocês, poetas participantes, dobraram. Agora, é fazer figa e ficar grudadinho aqui no Autores S/A. Como nós adoramos um suspense, vamos divulgar os resultados ao longo do dia, aos poucos, a partir da meia-noite até as 21:00 horas! Neste horário, já saberemos quem são os 80 grandes poetas classificados e, ao final deste post, iremos divulgar os ditames para a próxima etapa. Portanto, amanhã mesmo, os poetas classificados saberão como será o próximo desafio deste concurso.
            Começaremos a divulgar os resultados pelos mais bem votados, em ordem decrescente. Atenção: A posição dos poetas, nesta triagem, servirá, na próxima etapa, como critério de desempate. Portanto, mais um motivo para ficarem ligados neste post!
            Como todos sabem, o número de poemas inscritos foi recorde. Além disso, o número de classificados também foi elevado. Considerando isso, não foi possível para os jurados, nesta triagem, traçar comentários a respeito dos poemas. A decisão da banca foi consensual. No entanto, no decorrer do concurso, os poetas que forem avançando receberão feedbacks de jurados do mais alto gabarito.

            A seguir, a numeração oficial da lista. Aos poucos, esse ranking será ocupado. Boa sorte a todos os envolvidos e... até qualquer hora!

1º De Brasília, DF: “Sobre Tempo e Memória” (Urbanóide Cáustico)


“As peras, no prato,
apodrecem.
O relógio, sobre elas,
mede
a sua morte?”
(Ferreira Gular)

A maçã
apodrece
sobre a mesa.

A comida
posta à mesa
(que apodrece).

Tal qual
um homem
apodrece.

(Seu olho de vidro.)

A mesa
apodrece
sob a maçã
(aquela),

sob o prato
de comida,
que também.

A madeira
apodrece
o interior da mesa,
antes.

E o homem
(o mesmo)
tem tremor nas mãos.

A fórmica,
revestindo a madeira,
solta-se em lascas.

(Como a pele
do homem.)

A comida
apodrece
na escuridão
no estômago.


(E o homem
regurgita
pássaros
calcinados.)

A memória
da maçã
já não traz
a mesa,
que não traz
a madeira,
que não mais

a árvore.

Esta
já não (se) lembra
(d)a floresta.

(Envelhecer
é só –
e sozinho.)

O homem
e seu dente de ouro,
sem o sorriso.

A mulher
e seu colar de pérolas,
sem a festa.

Um e outro
e sempre sem
(e só).

Na memória
de ambos,
um que se foi
e outro nunca.

A mulher
reluta
em ser a maçã
(que apodrece).

E o homem,
a mesa
(que também).

(A madeira
corroendo(-se)
por dentro.)

A memória
– dela –
seca-se,
como a carne
da maçã.

Seca-se,
como os olhos
(de vidro?)
filtram
a desluz.

A memória
– dele –
sobe na mesa,
pula da árvore,

cai no rio.

Mas rio
já não há:
vazio espesso.

E o homem
-árvore
apodrece
                       longe
                                        da floresta
                                        de homens.

(Envelhecer
é só –
e sozinho.)

Torna-se
refém
da memória.

Como a árvore,
da terra que
a sustém.

E a maçã,
da espada
que a corta.

A memória
é frio aço
de dois cortes.

Tanto fere
quem a cultiva
quanto
quem a ignora.

A memória
é lâmina
que divide
as horas.

Como a espada
trespassa
a maçã
(sua carne
morta).

A memória
é substância
torta
se apodrece
dentro
de quem
a gesta.

Tal qual
a comida
(indi-)
gesta
os vermes
que a
devoram.

A memória
(presente)
esconde-se
em ausências
fortuitas.

Relógio
sem pêndulo,
marca o
esque-
cimento.

A memória
paralisa
o tempo

(rio de matéria
putrefata).


Tenta
dissolvê-
lo – unir
suas pontas.

Ou divi-
di-lo:
múltiplos
espelhos.

A memória
quer fazer-se
mesa
antes
de fazer-se
árvore,

antes de
floresta.

A memória
quer lograr
o tempo
no falso
de suas horas.

Já o tempo,
por seu turno,
não se dá
por vencido.

E separa:

a madeira
                            da mesa,
a mesa
                            da maçã,
a maçã
                            da mulher,
a mulher
                            do homem
                            (em gêneros
                             e dores), 
e o homem
                            e a mulher

            de si mesmos.

O tempo
se-
para,

enquanto
prepara
o bote
no mote
do homem
(ou mulher)

livre

(como disse
o gênio
torto)

: ser livre,
de fato,
é estar
morto.


2º De Cabo Frio, RJ: “memórias II” (Dersu Uzala)

mergulho de olhos vendados
em valas imundas
a infância reinventada
         no estranhamento das meninas
                   (sábado de carnaval na rua de Cavalcante
roupas ao avesso
                   no avesso dos significados)
         pedaço pequeno do tempo
retirado sem anestesia

as gargalhadas
durante a
                   missa
no sermão de São Matheus

a caçada aos sacis
                   moinhos de vento
                   ventania
                   os meninos enfileirados em uniforme de gala
                   prontos para saudar Hitler
a descoberta da criação do mundo
barro virando vida
a culpa por pecados seculares
sem cura
a observação dos quadros da
                            via crucis
as imagens atropelando apelos
                            as mãos sujas de sangue

os tremores
         o coração acelerado
na manhã de domingo
medo
temor
terror
ardendo sobre o signo da inquisição
consumindo a alma em ritual pagão

a descoberta do prazer
saboreando cada instante
laceração da carne
oferecida em holocausto.

3º De Cachoeiras de Macacu, RJ: “Calçada” (Anne Sexton)

,noite alta
av. rio branco

deitados
pequenos pés
descobertos

e a poesia à espreita –

o primeiro a acordar
acende a luz do sol:


4º De Pelotas, RS:Boa noite” (Barcellos)

Então tá combinado:
um coquetel de cápsulas
meia hora antes de deitar
que é pra não ficar pensando
na morte que nos assombra
nas carnes expostas em açougues
no perfume de teus cabelos
na amante secreta de Bertold Brecht
–  que trabalhava até tarde
numa estação de trem em Hamburgo.

Meia hora antes pra não pensar
nas asas dos abutres
no grito dos soldados
no eco das cordilheiras
no rosado de teus seios
nos camelos do Saara
na corda assassina
em torno de Herzog
no compasso do balé
no cheiro dessas ruas.

Pra não mais pensar
na lira dos anjos
no poema que Ricardo Reis
perdeu para um vento
– que o apanhou de surpresa
e o levou para sempre consigo –
nos santos das igrejas
em barcos à deriva
no piano de Villa-Lobos
nos riscos das florestas e rios.

Pra não mais ficar pensando
na solidão dos astronautas
e dos condutores do metrô
na saga dos cavaleiros
no berro dos torturados
nas flautas andinas
nas cenas de Almodóvar
no porto de Gdansk
no teu ronco surpreendente...
combinado então: boa noite.

5º  De Brasília, DF: “Vida” (Maria Lis)

roubou meu calendário
calçou minhas sandálias de caminhar
estradas de sonhos, tomou de mim
minhas pessoas preferidas
os gatos que ronronavam no quintal
as plantas contra mau-olhado
pendurou sinos de cristal no teto
da varanda pra dançar salsa com a brisa
                              (e chamar felicidade
mudou o quadro de lugar
carregou minha cadeira de pensar pra perto
da janela escancarada do tempo
jogou fora o tapete mágico desfiado
comprado num brechó
e fez amor com o meu amor numa canoa
torta, no meio do rio [como se vê nos filmes]
lavou com xampu de lavanda
os cabelos cor de mate e se deitou
na rede de algodão, esperando o sono
não chegar
pra poder sugar a noite com olhos de estrela
de estreia
rompeu em madrugada
se drogou de orvalho
pulou o portão de trepadeiras
suspirou com jeito de ‘enfim
e desceu a rua assoviando
adeus, vou pra não voltar  

6º  De Jundiaí, SP: “Pequenas poesias” (José Matsushita)

uma folha
brinca sozinha
dando cambalhotas
de outono
um caramujo
deixa um rastro de atrasos
sem se preocupar
com a pressa do mundo
atrás
do arame farpado
uma farpada rosa sonha
tornar-se afago
uma semente de dente-de-leão
plana
paraquedista da vida
sem planos
um riacho de silêncios
murmura respostas
para perguntas
não feitas
o reflexo
da lua
em uma poça d’água
sonho de marés
uma gaiola
vazia
guarda
voos
e o breve poeta abandona
as eternidades para a posteridade do depois
e vive, antes do fenecer de sua hora,
a pequena poesia... do imenso agora


7º  De Recife, PE:“Elegíaca” (Lúcio Beringer)

A palavra é a minha quarta dimensão.                              Clarice Lispector              
       
   
         Segui os passos
         da menina de Tchetchelnik
         Dez luas passaram flechadas por Sagitário
         Maçãs no claro ofertam-se de tanta maturação:
         ensanguentadas, reluzem. Balançam lustres
         em din-dlens de poeira suja
         Aqui
         a Praça Maciel Pinheiro
         circunda o Tempo
         O casarão 387
         é agora insípido e laranja
         (mas vi entre uma e outra janela
         a menina sorrir para mundos distantes)
         Longe
         as esquinas de Nápoles Berna Torquay Washington
         (As esquinas do mundo são iguais
         quando punge à solidão
         a lembrança de tudo que fomos)
         Corro pelos caminhos de mais um solstício
         a cidade ergue-se em dóricas faiscantes
         escaravelhos brotam da terra
         e no rosto eslavo
         pupilas pulsam quasars
         É por ti:
         elevo-me à tua memória
         Candelabros iluminando a noite
         o Kaddish arrebanhando os perdidos como nós
         – percorro os caminhos da mulher de Tchetchelnik
         O olhar oblíquo
         A boca rubra
         A safira no dedo
         A Estrela de Mil Pontas
         rompendo gargantas. É Palavra
         Aponta Sagitário mais uma seta em riste
         Agora, sabeis: no coração selvagemente livre
                                    
 Salve 9 de dezembro

8º  Do Rio de Janeiro, RJ: “Construção” (Henry James)

a palavra é adaga
a cortar os pulsos

contra ela
milícias bombas
são inúteis

canhões não têm vez
sequer mordaças

a palavra não se cala
grita ejacula goza

a palavra é adaga
fere, mata
mas também é espera:
seu tempo é todo o tempo

9º  De Petrópolis, RJ: “(hall)” (Le Chat Rouge)

Entra, Magda, e olha por
onde anda, que o chão está
cheio de ossos
A festa está começando,
Magda,
e você já está entediada
Não repara no teto, que sofre de esquizofrenia
Nem no banheiro, que tem Alzheimer
e já não lembra
o que fizeram
nele
Não tem ninguém
Mas não estamos sozinhos

Aquele que pica pão na pia
veio só por você
Trouxe vinho e dividiu as compras
Ele se chama Thiago
Acho que se conhecem, Magda,
tenho certeza que se conhecem,
mesmo que você não reconheça
Aquela que chora enquanto rega
uma planta
não sabe meu nome
nem eu o dela
mas me perguntou no corredor
do açougue se eu podia ajudá-la
eu disse que sim
ela chora desde então
e inunda meus vasos de planta

Já é tarde, Magda
mas é sempre tarde
Usei os vinis como ralos de chuveiro
ou bandejas em que
vou servindo meu corpo retalhado aos
convidados que nunca convidei

Prova um pouco
Você sempre foi boa nisso
Eu sempre fui bom nisso
É por isso que estamos aqui
como navios que naufragam
Vi num documentário enquanto
você não chegava:
os navios não naufragam com pompa
ou rapidez, formando redemoinhos,
engolindo baleias
Naufragam devagar
Ficam horas
talvez dias
inclinados
caindo pouco a pouco caindo
sumindo como um sol
que se põe e é noite
sem nem que notemos

Me dá tua bolsa, Magda
Vou guardar no quarto
em cima da cama
Você conhece o quarto
você só não conhece quem dorme no quarto
Lembra de pegar a bolsa
quando for embora
Até lá
senta na única cadeira da casa
aquela encostada à parede
e
cuidado com a parede
que se recusa a emudecer
Acha que é memória
ou cisma que é esquecimento
mas na maior parte das vezes
se diverte segurando teu retrato, Magda
como um revólver
apontado contra meu coração

10º  De Atibaia, SP: “JCMN Tratado de metalúrgica” (Sub-versivo)

 A João Cabral de Melo Neto

João, vivia de pedra,
 engolia navalha,
cuspia prego.
Apertava parafuso com a caneta, e
esmerilhava o papel com borracha,
datilografava o pó da estrada, experimentava o poema- marmita,
fazia virgula com vergalhão de aço,
e ponto final à marteladas.

Carregava a história na ponta da baio(ca)neta,
riscava delicadamente a pele dos outros, eriçava os pelos do nunca nas terras da nuca.
Mantinha firmemente preso na morsa o verso de aço,
e no torno mecânico esculpia inescrupulosamente a culpa,
media o espaço vazio
-utilizando parquímetro- milímetro a milímetro.
No sindicato dos insatisfeitos fazia coro
 ao defeito dos outros, na defesa de
 pequenas reformas ortográficas, solicitava plus value e apontava seu lápis como cúmplice.

Era um simplório operário
de letras, e com caneta em riste bradava ao patrão:
 – Sou poeta.

11º  De Campina Grande, PB: “Preto e Branco” (Josué do Carmo)

Molhado, nas minhas mãos, em prantos
lavando silêncio e telhando
nascia setembro  – chuvoso  –,
no beco de casa; na rua vazia
nos quartos de muro
com os olhos pintados
de agosto.
(...)

12º Do Rio de Janeiro, RJ: “Censura” (Anderson Council)

sobrou até
para os vaga-lumes

não pode
a bunda acesa

é contra

os bons costumes

13º De Florianópolis, SC: “Embolia” (Morena do Espelho)

ela comia
dos pássaros a cabeça
:
asfixiada castrava
os próprios voos
...
cresceu com medo das aves

operava a vida em modo avião
:
costurava o amor
pelos moldes de revista
desaguava mágoas nos soluços
dos choros que engolia
...
na trama do vento
traçava poesia
e trançava os cabelos
a espera de um cometa

14º Do Rio de Janeiro, RJ: “Pré-Operatório” (C. Vasconcellos)

No preparo para a cirurgia paro e penso na liturgia do ato,
nas rezas conhecidas, nos santinhos de apoio,
para o fato de mãos alheias invadirem meu ventre.
Por mais que eu me concentre em N. Sra. Desatadora dos Nós,
Santo Antonio, Santo Expedito, certamente
são os nós do endométrio em útero miomático,
o cálculo matemático, simétrico que faz seu próprio rito.
E me levam a carregar na maleta hospitalar
os livros de Adélia, Elisa Lucinda, Quintana,
suas sacanagens, lembranças, imagens,
além de minhas havaianas.
Deito na maca, por debaixo daquele pano, nuinha
e a guriazinha  que mora em mim há tanto tempo
ora pra que não tenha chegado a hora definitiva de partir,
há tanto verso em sua conversa, tanto poema por nascer,
que este útero indo embora não pode interromper.
“Mãe Litinha, grita para a rapaziada aí do céu
pra dar mais um tempo, que o advérbio não é agora.
Tô ficando íntima do verbo, a rima já virou
companheira, o poema é como coceira:
quando começa não há nada que o impeça”.

15º De Uberlândia, MG: “Arte e vida severina” (à maneira de João Cabral) (Buriti)

Maneira de escrever que eu pretendi:
não a escrita frondosa, cheia de si.
Antes a escrita baldia, reles, miúda,
que se aninha nas leiras da lauda.

No papel (entre uma linha e outra) disponho
– cão vadio, vira-letras – o que apanho
no chão da minha vida severina:
cacos, ciscos, ninharias – o que de mim mina.

O lápis na mão, a mão no papel,
traço o círculo de giz que me contém.
De tão mínimo, nele, além de mim, cabem
ruídos poucos do que vai no carrossel

do vasto mundo. Só o que escrituro:
palavras ao redor do umbigo. E se
não posso outra dicção, não me esconjure!
É a maneira de escrever que consegui.

16º Do Rio de Janeiro, RJ: “Guerra” (Alice Condor)

Ainda que
         meu rosto pólvora se desfaça ao lançar-se do corpo
         e meus olhos se desfaçam ao saltarem do rosto
         e meu corpo se desfaça ao mover-me sem porto
Ainda que
         tantos gestos se façam como pólvora em meu corpo
         e tanta pólvora se ache na mão morta do meu corpo
         e tanto corpo se mate frente a pólvora do rosto
Ainda que
         seja de carne o corpo
         e a pólvora aço
         e de areia o rosto
me ergo pra além da matéria objetiva do morto
e lanço do alto

grave corpo absorto

17º  De Varre-Sai, RJ: “Duas mulheres que temperavam” (Marcopolo)
I
Minha mãe proseava com as lagartixas.
Passei a entender certas linguagens esticadas.
Dizia, vem canário, e o amarelinho das penas se arrepiava.
O pé de chuchu só dava chuchu do lado de cá, era o olho dela orientando.
Daí eu caí doente, fui curado com beijos.
Tudo se curou assim, exceto as lombrigas,
quando sentei na cadeira de Padre Anchieta e ele me abençoou, eu soube,
até vi seu retratinho com uma onça.
Quando minha mãe se foi, da roseira que plantou, nasceram dezenas de rosas.
O vento soprou forte, o quintal se encheu das flores despetaladas.
O jardineiro, pasmo, não conseguia jogar aquelas plantas no lixo.
Como jogar fora uma saudade?
Do que guardou para si, em vida, encheu uma caixa de sapatos:
lembrancinhas de gente, mais nada.
A lagartixa sumiu, o canário sumiu, as rosas voltaram a ser raras.
Tantos queridos que se foram... As pessoas têm a mania de ir embora.
II
Na panela de minha tia cabia a fome do mundo.
A vizinhança dizia: hum, que cheirinho bom!
Visitas não saíam de barriga vazia. E eu ganhava a rapa do angu.
Como o flautista de Hamelin, das panelas emergiam braços de aromas que nos agarravam pelo nariz. E no mês de maio – ah o mês de maio! – ela exorbitava:
os melhores doces, porque era o mês da santinha dela.
E os potes se arrebentavam de cheios.
E não havia jeito, a gente, se pudesse, surrupiava algum no meio da noite.
Mas, tão altos, em torres de marfim, o sonho não escalava as escadas invisíveis.
Foi ficando velha, o tacho secou, o fogão apagou as brasas.
E a gente disparou a crescer que não teve ninguém que impedisse.
Mudamos de cidade, viramos gente de negócios, mercadores, doutores.
Gente sem tempo. Não havia mais espaço para rapas de angu
e queijo assado na trempe.
E ela, ela mesma, foi se apagando, de tantas horas.
III
Um dia, e tinha que haver este dia, quando todos os barquinhos que lancei nos rios voltaram, voltaram também boiando nas águas os tabuleiros de quindins.
E vozes ao longe me chamando, José, vem beber o leite com erva-doce pra gripe!
Acudi ao chamado, levantei-me da cama, abri a porta e nada.
Quem?
Mas não obtive respostas.
Desde esse dia suponho que, no silêncio, nos cantos da casa...
Onde nunca vejo, nem sei onde fica...
Um rio leva e traz esses barquinhos de papel...
Transportando reis, rainhas, lagartixas e guerreiros de chumbo.
E bolinhos de chuva, que eu não falei, com uma camada de açúcar.
Deixo que trafeguem. E eles me lembram do que fui feito.

18º De Três Lagoas, MS: “Céu de concreto” (D. Fernandes)

"Mortos ao ar-livre, que eram,
hoje à terra-livre estão.
São tão da terra que a terra
nem sente sua intrusão".

(João Cabral de Melo Neto)


Para alcançares o céu de concreto sejas bruto
Sem distrações que te levem a amar
O sentimento sublime que te amansa
Joga-o aos lobos e o deixe sangrar
Para alcançares o céu de concreto, sejas mecânico
Feito de pura engrenagem e óleo
Não tenhas delicadezas, sejas profano
O mundo de osso não salva quem tem pacto com o azul
O mundo de cascalho não perdoa quem não sonha preto e branco

Se queres mesmo outro céu, sejas poeta
Mas saibas que o teu sangue vai virar tinta
Que o teu corpo será combustível da fumaça
Teu verso zombaria na praça
O teu intestino vítima de um cimento
A tua lírica te salvará por um tempo
E só nesse tempo não estarás enlouquecendo
Vais olhar pelo vidro sujo de uma ave morta
e verás lá fora uma marca destoante
Até no que concreto rachadura pare poesia

19º De Santos, SP:Hereditária” (Natasha F.)

Luci quando criança
aprendeu a deitar no branco
dos versinhos e do olho

Ainda criança        
trepidava com os sons
formava frases como:

a lua comeu o dia e ficou cheia.
o mar lambe os peixes e cospe ondulado.
o cego tem os olhos de todos.
tomei banho de chuva e gotejei o riso.

Mãe Vera, aflita dos fios aos ossos
levou Luci, já beirando a mocidade,
ao doutor Raul.

“Minha filha é torta” diz-lhe, vaga
“Coxa?” pergunta, entendido
“Entortada pro quando”

Exames realizados
O rosto grave do doutor
estampa em mãe Vera o medo
(Algumas coisas precisam ser jogadas na cara para serem digeridas)

Diagnóstico: inclinação pros pormenores;
Sobressaltos com palavras novas;
Sensibilidade em altas doses –

Minha senhora, serei breve
Sua filha nasceu virada pra poesia

Mãe Vera desiludida, cospe dor
entre lágrimas salgadas.
Sai do consultório e no pé da orelha
da poetiza, põe um adendo:

“Promete-me que teu verso será mais belo do que o meu?”

20º De Curitiba, PR:Travessia de Van Gogh” (Chatecutle)

Quebrada a realidade do mundo,
inicia a travessia nos braços da loucura.

Seu hálito criativo, sem fragilidades,
imprevisível,
súbito,
rasga padrões e, longe das fórmulas da simetria,
estende cores sobre a tela desafiando regras.

Em Arles,
recursos de luz e sombra nutrem seu instinto
mas, longe da razão e da ternura, deprime-se.
(Ao anoitecer o amarelo envelhece,
as  pétalas declinam,
as farpas da solidão murcham os girassóis cortados).

21º De Riachão do Jacuípe, BA: “Chamado” (Tom Ruiz)


Em Tóquio, um homem escreve um poema:

Fantasmas transitam na calçada da fama.
Todas as luzes se acendem em Paris.
O universo conspira contra os Vikings.
A mulher tem orgasmos múltiplos.
O disco voador pousa em Londres.
Três mariachis cantam em Florianópolis.
Crianças morrem no oriente médio.
O robô japonês salva a humanidade.
O presidente do Chile envia um SMS.
Duas mulheres se beijam em Chernobyl.
O vampiro ataca a mocinha indefesa.
Moisés divide o mar vermelho em dois.
Elvis canta Love me Tender na rádio AM.
O cowboy mata mil e oitocentos índios.
Romeiros escalam milhares de degraus.

Em Tóquio, o poeta para de escrever:

O mundo inteiro para junto.

22º De Salvador, BA: “Lírica Berreta”(Augusto da Maia)
                                                       
nem rima rica nem prima pobre
move o poema
sem tema ou bula

retira a burca
mais vale a trama
tabuleiro de dama e drama

apesar da fome ou forma
que consome
obra e homem

segue sóbrio e sombrio
assombrado com a própria
sombra

das fontes: o dado ou dadá
bebe
não se embebeda

rio contra-corrente o leva
navega
sem bote salva-vidas ou vela

sabe que não basta forma
ou fôrma
poema não é questão

de transe, mas de transa,
transito tenso e babélico
entre o belo e o bélico

23º  De Taguatinga, DF: O homem por dentro” (E. Antunes)

Conhecer as encostas   neste mar de cascalho
onde proliferam lágrimas    e risos de condição humana
nesta pequena aventura     que recomeça a cada dia.
Homem: por dentro    a prisão da carne
ou a liberdade do grito?
E ressurge como os capins
o impacto da pedra
                   na fronte.
Quisera ser os pastos    de bois e pássaros
e pragas e conhecer     cada pequeno existir
cada fuga de carne mínima,    cada centímetro
de ruptura e colisão,    como numa caçada
                    de falcões.
O homem por dentro:    ser posto no mundo,
largado no mundo feito              coisa,
painel de guerra
                     e fúria.
Como ouvir este silêncio    escondido sob
os ventos do turbilhão?
Homem: coração
                de pedra e carne.     Homem: leão, rato, palavra.
Desígnios do mundo     de terno e gravata.
Conhecer tantas faces    dentro da face,   qual trama de mar    e tinta abjeta,    escrevendo as memórias
                             do porão.  
Uma concepção de paraíso    debaixo das pernas
                      do tempo.
Bandeiras de derrotas   
                                e vitórias
crescendo como    pendões de milho
nos campos minados da solidão.   E a palavra homem
criando personalidade própria    como mosca nascendo
do barro:
                       criação!

Mas não é só isso:   há também a foice recurva,
que reclama o pescoço,    as notícias de amor
                       e morte
vindas de longe,    muito longe,
pelos fios de cobre,     ondas do ar.
Receio de dizer     quanto ainda resta
de homem no dicionário                           e no zoológico,
quanto resta de homem    na memória dos bichos,
nas pegadas da lama,    nos dentes da lua,
nos ossos da solidão?

24º  De Curitiba, PR: “Barbitúricos”(Perez)

Sobre o prato talheres,
Movem-se como ponteiros,
Ervilhas marcam minutos inteiros,
Sem fome o que resta são desprazeres.

Copo cheio de sangue – sede,
Cada gole esconde medo e rancor,
Mesa ex-posta, olhar de torpor,
Dionísio se ausenta do quadro na parede.

Não há banquete na sala morta,
Ruídos somente de pratos e facas,
Copos se esvaziam e nada conforta.

Vida rasa evoca anorexia,
Punhos abertos – apatia sádica,
Em transe, Cassandra anuncia.

25º  De Vancouver, Canadá: “Azulejos no Céu” (Carla Soares)

Os brincos na orelha pesam
Como papel de parede ondulado.

Quer construir uma casa nas nuvens
Onde o azul caiba em caixas redondas.

O marido se cansa ao reclamar da vida.
E acha incrível que possam estar juntos até hoje.

A parede da cozinha está desbotada
E a alça da mala, quebrada.
Juntas, fazem um par.

Pontiagudos, deitados na areia salgada,
seus pés caminham de sapatos pretos
Numa outra direção.

O marido passa pela cozinha, sai,
E por um instante ela acredita ver azulejos
Lapidando as falhas do céu.

26º  De Carapicuíba, SP: “Rua México” (L. M. Brancuci)


Lola e Bel lambem-se
lambiam-se
e jogava-se futebol no campo minado de cocô
de Lola e Bel com cheiro de bafo de
pedro que gritava.

         A rua vazia e parada
feita de pedra
pedindo brigadeiro de mãe de gabi –
que pulou nove meses atrás da janela.
pedindo pedra que viraria erva
Inverno –

Verão
O sol carnudo e o campo de futebol durando até mais
tarde
Aberto
não triangular: não apontando um caminho 
apontando o azul e de repente
                                                                                     tarde
mesmo que mudou
não é azul tudo
menos azul                            
                                                                                           (mais virginiana)
mais e mais virginiana
como Lola e Bel nas tardes de domingo
vivendo à toa suas vida já ganhas e já perdidas
pelo tempo feito de rua méxico
                                               – empedrado
Titia licinha vai morrendo sentada, amarela
na varanda toma uma bolada na cara e diz –
as mãos estão sujas de carvão
De novo o futebol fodendo as vidas sofridas
com dor física de corpo encarnado
Lola e Bel brincavam-se
e brincavam como os carinhos de gabi
os socos de gabi
as mãos
os dentes os passos
pezinhos nus sujos de terra
indo embora
Pensava que era pede
e não pé de moleque (e duvidava) talvez não soubesse ler ainda.


27º  Do Rio de Janeiro, RJ: “Cama, mesa e poesia” (Flora)

Misturar massas
é misturar corpos
Primeiro vem a farinha
Alquimia
de olhar que cruza
chamando para dançar

Adiciona-se manteiga e açúcar
Docemente batendo
como mãos que se encontram
nas preliminares rítmicas

O fermento no ponto certo
Cuidado com o clima
com a rima
com o movimento

A liga final
fica por conta dos ovos
Luminosos
e quase voláteis
quando ainda quietos

A massa se apura
quando o morno leite
se mistura
como a rasgar o ventre
jorrando magma corpóreo
Lava que fertiliza e reanima
Alimenta!

Depois de pronto
a calda quente
é beijos que tingem
o tecido da pele
Doce sabor que amarra
explode e desamarra
Liberta!

28º De Santos, SP: “Guardanapo” (Granville)

Guardanapo não guarda lugar
Não monta guarda
Mas que diabo ele guarda?

Guarda-roupa, guarda a roupa.
Fim.

Guarda-sol guarda o sol
Guarda-chuva guarda a chuva.
Não! Espera aí...
Como assim?

O guarda da rua guarda o trânsito
Monta guarda parado,
Não em trânsito.

Mas, de nada guarda o guardanapo.
Nem monta guarda
Nem guarda lugar
Muito menos guarda o napo
Mas, que diabo é napo?

Guardanapo limpa a boca,
Limpe a sua
E fim de papo!

29º  De Brasília, DF: “Trinta e cinco” (Palavra Grávida)

É sempre este medo amargo
de morrer sem filhos
e esta culpa infinda
de não querer tê-los.

Decreto uma pausa
– menor, de mais 30
entre esta idade e a menopausa

Empatam o instinto da maternidade
e o egoísmo estéril que se sustenta

Talvez a morte, grande parteira,
me caduque o ventre antes do grito.
Ou o choro ardido de um grão-rebento
estanque ainda tal meu impasse.

Será que há tempo?

30º De Belo Horizonte, MG: “Faça amor nu” (Zack Magieizi)

Quando for fazer amor
Faça nu
Tire os diplomas
O status
O sucesso profissional
As suas etiquetas de grife
Tire as chaves do seu carro
Os cartões de crédito
Tire tudo
Até sobrar
A deliciosa
E apimentada humanidade.


 31º De Valencia, Espanha: “Carajás” (Carita Burana)
  
                                    Em Carajás não se ouviram os tiros
que cantaram na rodovia de um só destino...
sonhando com as terras roubadas
estavam as foices dormindo


encapuzado chegou o vento
disparando a queima-roupa
deixou dezenove tumbas
e a certeza de quem sempre apanha
em Carajás a injustiça abriu os seus braços
quando o sonho da foice foi enterrado
por leis que condenam os já condenados
e purificam os verdadeiros culpados.


32º De Franca, SP: “Patchwork” (Peramorim)
               
Cá com os meus botões
Alinhavo sentimentos rotos
Num emaranhado de cores
Desafiando o tempo e as diretrizes
Abarrotadas de promessas descumpridas
Cinzas de um carnaval vencido
Sem data
Sem valia

Com linha de cor forte
Cirzo as emendas do ontem
Num tecido fino de espera.
Desenho arabescos
E sigo o ponto atrás das correntes
Sem nó
Sem dó

Cá com as minha dúvidas
Teço os dias e desfaço as noites
Com agulhas impiedosamente cegas
A rotina sangra-me as mãos
Sangrando continuo
Sem prumo
Sem rumo

33º De São Paulo, SP: “Ex(Comunhão) (Bianca Velázquez)

Partilha abrupta de um juntar de nadas
cada qual com seu punhado
de sons mudos
(e roupas ao vento)
inventário triste de um amor no sereno

Partilha abrupta entre o abrir e fechar de gavetas
roupas rasgadas, bocas secas

Caminhos estreitos em sol profano
muros altos, jardins arrancados
― outros planos
Partilha de medos e desenganos

Partilha abrupta de um juntar de nadas
chaves entregues, portas fechadas

e janelas abertas

34º De Trofa, Portugal: “Face Escura” (Beijamin Sano)

A noite não estava fria
no entanto tudo tremia
em teu corpo onde já
nenhum medo existia
não havia dores ou erros
só as nuvens e as pontas
dos teus dedos em baixo
das minhas pálpebras
teus dedos a tamborilar
desgraças em meu coração
a fazer-me cócegas
a puxar-me os cabelos
a noite gritava nas cavidades
nas dobras da cortina do chuveiro
a noite não estava adormecida
na epiderme da lua sólida
a noite apenas doía seca
nos dentes sensíveis
a noite brincava distraída
com as tuas gengivas
como se fossem bonecos vodu
a noite deseja a tua língua
em todos os orifícios
da superfície da lua úmida.

35º Do Rio de Janeiro, RJ: “Rotina” (H.G)


um gordo mastiga de boca aberta um pacote de batata Ruffles
um americano
pergunta pra um brasileiro
que não entende inglês
se falta muito pra chegar
na Siqueira Campos
uma adolescente
ouve um rock meloso
com headphone
no último volume aos prantos
um velho tosse e engole o catarro
enquanto lê os classificados
da semana passada
venda e compra de carros
uma criança chata
faz pirraça por um motivo qualquer
uma moça ridícula
fala mal do marido da irmã em voz alta
e repete o tempo todo que em briga de casal não se mete a colher
dois caras falam sobre futebol
um rapaz do interior
que nunca tinha andado de metrô
sonha com um lugar ao sol
um bebê tão lindo
dorme no colo da avó
uma voz pede desculpas
pelas freadas bruscas
e eu fico com dó
dessa vez que antes
de ser desculpada
é mal paga pra pedir desculpas por mais uma freada
uma dona de casa
pensa no preço da carne
uma atriz conhecida
causa espanto por usar um transporte tão popular
o resto do vagão
segue vidrado nos seus smartphones
e a rotina se encarrega de continuar
sozinha
sigo meu rumo
com inveja de todos os passageiros
amanhã Alonso
faz aniversário
e não sou eu quem vai levá-lo
pra jantar
amanhã a vida será igual a hoje
sem graça
sem cor
onde minha tristeza
causaria piedade
até na pessoa mais fria desse metrô.
...
Em que estação vou permitir que minha vida

perca o metrô?


36º De Belo Horizonte, MG: “dessas noites em que estava lavando pratos” (Godoy) 

o detergente faz espuma na pia
os pratos ficando limpos no escorredor
os pensamentos sujos quero um cigarro
uma música um blues o céu escuro
meus gatos escondidos em silêncio

duas taças de vinho quase cheias
os pés no chão e pálidos
uma janela uma luz acesa do outro lado

as garrafas de vinho abertas e vazias
leio os rótulos e penso num poema
um inseto esquisito vindo de outro lugar
voa em torno das garrafas vai até a luz e volta
o tempo não tem pressa meus olhos o seguem

os pratos vão ficando limpos
e paro meus olhos na água que escorre

pego uma taça e dou um gole
acompanho o blues num inglês ruim

o inseto se vai e bebo mais
olho a noite escura os pratos brancos
alguém me espera no sofá

"estranho pensar no abandono de toda ambição"

37º  Do Rio de Janeiro, RJ: “Brinde (ao soneto...)” (Passos)

Aos que, em transe extremo ou rarefeito,
Análogo aos pudores dos demônios,
Miram, com aguilhões débeis e errôneos,
O talismã que trago sobre o peito,

Oferto, num festim de ébria ambrosia,
Um verso liquefeito em faux perfume
Cujo tom nacarado que então assume,
Numa densa cadência, escoa e extasia;

E ao incitar-lhes um refluxo amargo,
Cujo aroma guarnece meu acre encargo,
Saciando-me de insípida altivez,

Hei de fixar-lhes tão enrugada tez,
Que brindarei silente – assim prometo –
À frígida doçura de um soneto.

38º De Goiânia, GO: “Vida” (Flor de Lisbela)

Na hora que você menos espera aparece
Aparece a vida que te resta
O pensamento contido
O inconsciente
O indivíduo
O passado
O presente
O intermitente
O inerente, o contínuo
Aparece e depois desaparece
A areia, a ampulheta, a sua pequena vida.

39º De Conceição do Mato Dentro, MG: “Alicerces Suspeitos” (Neneco de Bintim)

De pisar o absurdo
meus pés andam calados
preso às alpercatas
rotas, arrochadas do destino.

Errático por caminhos
que outras línguas palmilharam
vou desbravando rochas em rotas
trespassadas de antigos sangues.

Orbitados ainda, meus dias iguais,
de palavras vis que em vão
alcei à lua num canto-uivo
de último cão danado.

Serão delas a matéria pútrida
com que calcarei meus alicerces
mais suspeitos,
tão movediços os caminhos.

Sólidas somente as culpas
em trilhá-los nu à luz da vida.

40º De Osasco, SP: “uma serenata” (Luiza Caetano)

Dou-te a tarde e a noitinha
A noitinha do interior
da casinha de chácara
que se acende em lampiões
quando deus apaga o dia
e pendura no céu
o tapete aveludado das estrelas
onde meus olhos dançam
em sonhos etéreos de liberdade
         daquela liberdade
         que o amor antigo
aviva na vida comezinha:
Eu te amo,
    costuro as palavras
você cozinha a sopa de letras

e respiramos versos.

41º De Belo Horizonte, MG: “O Culpado” (Renard Diniz)

Relâmpagos berram trovões tenebrosos;
do céu, saraivadas despejam-se brutas;
à rua, enxurradas carregam gomosos
detritos de noites drogadas e putas.

Na trilha que leva ao covil dos gulosos
festins genitais e corpóreas permutas,
embatem-se olhares mordazes, fogosos
vendendo barato seus picos e grutas.

Enquanto a voraz tempestade castiga,
o moço atolado na culpa inimiga
procura outro réu que o conceda prazer.

Cansou-se, afinal, de sentir-se bandido
por ter diferenças na própria libido;

agora é gozar e gozar e morrer.

42º De Vinhedo, SP: “A musa de Caetano” (João Gilda)

E abriu o carnaval
E a coca
E as pernas
Tudo ao mesmo tempo, tempo, tempo, tempo

Arregalada e crua como se fosse de mais ninguém
Gengivas nossas, amor sem par

E fechou a geladeira
E a cara depois do tapa
E os ralos depois de mim

(– Aceita um café?)

Por hora mais nada
Só sorrisos de nanquim

E, por fim
Laiá laiá

(- Aceita um café?)

43º De Americana, SP: “Poema-labor”(Onaira)

Gosto de poema-pimenta,
Aquele que a língua esquenta,
A víscera arde em prece
E nunca mais se esquece.

Gosto de poema-tormenta,
Aquele que ondeia, mareia
E, no viés do meu convés,
Não se sabe se é sorte ou revés.

Gosto de poema-bala,
Aquele que é tiro e queda
– abala, vara, queima –,
Ou lambuza como deliciosa guloseima.

Gosto de poema-labor,
Aquele em que se trabalha,
Batalha, risca, passa a navalha,
                                       Independente do prazer ou da dor.

44º De Jundiái, SP: “Paisagem” (Teixeira Neto)

A avó cega balança
Na cadeira
Ruminando rezas

O gato ronrona, as moscas voam, e a panela
Parece Maria fumaça.

Da menina brotam formas vivas
Enquanto a pera agoniza na cesta.

As flores cantam.

Até mesmo a chuva
Ameaça a vida
Tamborilando nas folhas de bananeira.

A luz úmida vem da janela
Para machucar a carne
Da mesa
Os pães frescos
A fumaça lenta do café.

E eu escrevo versos
Buscando conter as águas
Ai, as águas que movem moinhos


Enquanto a pera ri de tudo e de todos

45º De Aracaju, SE: “Ouvindo vozes e estrelas”(Kay)

Decerto, perdi o senso!
E perdi o incenso
E a roupa
Perdi o cigarro
O celular
Agora não quero mais fumar

Nem amar para entendê-las

46º De Ipatinga, MG: “Riqueza de memória” (Tatu triste)

Não lembro o que comi
no almoço ontem.
Lembro-me perfeitamente
do livro que li.
Viagem benfazeja...
Alumbramento...
Reverberação...
Nas páginas do tablet.

Não sei o número do CPF, RG e PIS.
Recordo-me bem do beija-flor
que visitou a minha sala
e do riso encantador
da criança desconhecida,
querendo colher a rosa
estampada em minha blusa.

Não consigo me lembrar
quanto recebi por um trabalho,
na semana passada.
Sei que fiz bem feito,
com esmero e prazer.

Esqueci
quanto paguei de telefone,
mês passado.
Consegui cantar “Travessia” inteirinha
sem errar a letra,
sem desafinar!

Não sei que dia vence
a prestação do microondas,
mês que vem.
Sei que haverá uma superlua,
será primavera, vou à praia
e vou de trem,
mês que vem.

No porta-joias da memória
guardo o aroma do café fumegante,
transbordando reminiscências...
Mimos maternos, alianças eternas.
O doce dos lábios extasiantes.
O afago dos abraços.
Histórias de vidas entrelaçadas
em colares cintilantes.

Quanto às coisas práticas,
têm os blocos de notas,
as agendas eletrônicas.
Para isso servem os computa(dores).

47º De São Gonçalo do Piauí, PI: “Toalha de mesa”(Robert Leza)

puxou a ponta do fio
e retomou o fôlego
para reconstruir o novelo
(a dor e o calo já estavam refeitos)

a agulha, levemente torta,
por vezes parecia um dedo gasto,
camuflado

fosse o que fosse, tudo se deu
por um gancho a mais

um gancho a menos só exigiria arte.

48º De Caxias, MA: Poema em maranhês (Carvalho Jr.)

Para José Neres

a língua do maranhense,
em Jesus abençoada,
banhada em guaraná,
é cheia de hem-hens!

língua que faz
cosquinha nas costas
de paquinhas,
tem um gostinho
de gongo assado,
de peixe no cofo
pescado,
de manga de vez
com sal e pimenta
(do reino),
de arroz cangulado,
no quibane/quibano
(que bando de gente!),
com algumas escolhas
no meio do prato...

língua que cata feijão,
degusta toda sorte
(de fruta),
ranga Maria Isabel,
improvisa um café
com leite e cuzcuz
numa espécie
de almoço jantarado,
puxa pro bucho
um belo cuxá,
abocanha até capitão!

esbarra ainda,
seu Zé Ruela,
deixa de fazer fuá,
deixa de a vida
(alheia)
tanto curiar...
sabes tu me responder:
quantos abalroamentos
em uma barruada há?

enquanto vais pensando,
vou bater uma bola
no campinho e
ganhar muitas barreiras...
éguas, égua-te!
ele errou um horror
de passes e chutes,
mas viu o gol do Juninho,
o magrelo perna de sibite?
vai ter sorte assim
lá na Chechênia!

49º De Dois Córregos, SP: “A captura no mangue” (Ed Lamas)

Os dedos que tateiam a lama

às vezes se confundem

                 com o próprio caranguejo



Andam de lado ou param

                 negaceando a caça

e nesse instante seria natural

um caranguejo imaginar-se

ao lado de outro caranguejo

                e não

                de dedos prontos para puxá-lo

                ao seu limite de dor e medo



O odor humano

é mais intenso

                / íntimo

                ao mangue

do que o odor de caranguejo



E nem o ocaso desse molusco

levará consigo

o esquadrinhar incessante no mangue

                - o coar o barro

que há de persistir

                até os últimos pés

                mãos

                até os últimos dedos

50º De Bauru, SP: “Se eu fosse um poema” (P. Celan)                          

Se eu fosse um poema,
deixar-me-ia sucumbir à liberdade dos versos
ou à tentadora armadilha das rimas.
Enxertos de prosa seriam bem vindos
sintaxes distorcidas, talvez.
Seria assindético ou polissindético
e nadaria de braçada no caos das conjunções.

Se eu fosse um poema,
seria uma medusa a ostentar
versos e serpentes
e petrificaria
os leitores mais desavisados.

Se eu fosse um poema,
gostaria de caber na ponta de um alfinete
ao mesmo tempo em que, sentado na lua,
eu pudesse balançar os pés no universo.

Se eu fosse um poema,
seria concreto
sonoro
pulsante.
Seria calmo,
seria inquieto,
como um paradoxo no espelho.

Se eu fosse um poema,
seria uma ode de Píndaro,
um soneto de Petrarca
ou um haicai de Bashô.
Seria todo o consolo metalinguístico
infinito,
silencioso,
que abre fissuras nas horas.
Simulacro de sentido.

Se eu fosse um poema,
seria desembaraço,
seria coloquial.
Seria pintado,
mimeografado,
fotocopiado
articulado e reticente.

Se eu fosse um poema,
abusaria das anáforas
verteria aliteração.
Seria cratílico,
idílico,
itálico, etílico,
hiperbólico.

Se eu fosse um poema,
não me importaria em ser jogado ao muro
estampado em faixas de tecido ralo,
tapumes disformes
ou impresso na terceira margem do tempo.

Se eu fosse um poema,
esfregar-me-ia nas folhas em branco
até que o sêmen do lirismo penetrasse
o invólucro do vazio.

Se eu fosse um poema,
sobreviveria aos que ignoram poesia.

51ºDe Porto Alegre, RS: Sussurros”(Valente)

Há uma voz infinita
em toda palavra morta
busco nas vertentes
na galharia torta
 nas sementes
o eco
quem sabe encontre nos charcos
nas tumbas ou nas taperas
no começo de outro mundo
vagando
no vazio imenso
o verso

52ºDe São Paulo, SP: “Bicho Sem Duas Cabeças” (Heccos)
  
A fome na boca do lobo...
assim que a baba escorre pelos dentes
o carneiro se infiltra sorrateiro

nessa simbiose se notava
a boca murcha a fome censurada
a baba a ressecar na língua pensa

o pelo arredonda o cio
a fome toda engarrafada a vácuo
dividida por sonhos e talheres

a fúria no sangue virtual
coagulando fundo o olhar castanho
e a pena de um gemido intermitente

53º De São Paulo, SP: “presa” (Ovideo)

só possuímos
o que parte
não somos
foz de nada
e as coisas
não têm
ouvidos
por isso
não ouvem
ao serem
chamadas
tudo
apenas passa
logo após
ter dado
o ar da graça
e sempre
nos resta
este apego
pelo que a vida
finge que dá
mas só empresta
se hoje
não abro
as mãos
é por medo
de perder
os dedos.

54º De Porto Algre, RS: “Valsinha da beira do cais” (Andrea Stoppa)

Eu não te amo, covarde,
mas dentro de meu peito arde
a paixão que em mim quiseres.
Sou bem mais que mil mulheres
sem fazer nenhum alarde
— a não ser aos que me pedem
por gritos no meio da tarde —
e sei fazer como poucas
a cara estranha das loucas
e a voz rouca das devassas
— sem que para isso faças
mais que pagar meus serviços.
Guardo mais de mil feitiços
neste meu corpo esgarçado:
esquecerás teu pecado
quando disser que sou tua
na eternidade de um dia,
no calor da noite fria,
no império de uma rua...
E enquanto brincas de dono
em minha carcaça nua,
eu brinco de virar lua
para disfarçar meu sono,
sonhando que sou inverno
para esquecer o inferno
de ser este triste outono.

55º De Nova Friburgo, RJ:Adeus, meninos...” (André P.)

Hoje descobri apavorado
Que meu carro não era mais de plástico
Minha casa na árvore, um quarto e sala espremido e sombrio
Meu trenzinho de madeira, um de alumínio, enorme, sob a grande cidade
Meu avô, uma lápide
Minha conga, um sapato italiano, encerado
E minha capa de herói, uma forca gravata
Descobri meus amigos de bairro, países distantes
Os meus pais, solteiros
Minha cabana no quintal, um escritório sufocante
E os domingos feitos de parque, um sofá oco de gente

Hoje descobri que o menino se foi
Despedi-me dele mirando o espelho
Foram-se todos e tudo tão rápido
Como se o tempo houvesse brigado comigo

56º De Pelotas, RS: “rebenque” (Dani Mo.)

um certo Caboclo DaMatta me disse
que um tal de Simões Lopes Neto
deixou escrito numa nota promissória
que o rebenqueador
"O rebenqueador..., eram os olhos!"

então me pus a pensar
ainda arrepiado
arredio a qualquer chibatada
que se o rebenqueador eram mesmo os olhos
meu amigo Caboclo
a lágrima era a pele marcada

57º De São Paulo, SP:sobre volta ou um breve poema de recordação de encontro com a cidade de trás” (Antônio Pina)

depois de cinco meses
retorno à terra dos velhos equilibristas
onde não se deve estar
sozinho à noite quando começa
a esfriar pois somos lentos demais
para fugir
inumeráveis possibilidades de energia
quem pode saber como será
realmente o que está
por vir andamos por aqui a
moer cães e na calada da noite
construímos paisagens à revelia da chuva
que insiste em tingir de céu todo o azul
nós não estamos preparados para tamanho erro
de cálculo geográfico
quando há no mundo inteiro uma, quando muito
rua
difícil de encontrar.

58ºDe Santo André, SP: “salomão” (Nin)

Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam.
(epígrafe de “A Viagem do Elefante”, de Saramago).

não é o peso de minhas pernas
que determinam a viagem,
: mas o peso de minhas pegadas
impressas no chão
desmanchadas
o chão imprime nos meus pés o peso dessas marcas
dessas marchas

é esse chão que piso e peso
,dentro,
e guardo.
desse chão que vivo
nesse chão permaneço
e esvaneço.

à partida,
entregar-se

com todo o fôlego vindo
do medo e da vontade
(o medo sempre anterior às vontades
ou tão perto delas
a confundir-se)
 indo

o caminho
é o cansaço
na andança
(e existem outros caminhos?
a que levariam outros caminhos?
os caminhos são só um
aquele percorrido
e aquele a percorrer-se)
e a distância entre cada passo
um infinito não-ter-chão
até o próximo passo
até o próximo infinito
até o próximo pedaço de chão.

à chegada,
o estar

− e onde é que se chega? −
e o não mais estar.

(tenho os pés todo machucados
de tanto mantê-los no chão.)
e sempre um passo além de onde se é chegado
espera a esperança
a utopia:
em cada passo

desloucar-se
ou ter-se desloucado.

59º De Curitiba, PR: “Roendo nossos” (Nina Cello)

Comprei um amor
manequim
Tinha teu corpo, eram as tuas costas
pernas milimetricamente as tuas;
finas e compridas
Os cabelos, eu juro:
Bem postos ao gosto dos teus
Terno e gravata
Eram o furo;
O rosto plástico dos olhos musgo
Que vidravam os meus
Hoje não acordei nos meus melhores dias...
Tudo dói, até os ossos
E então chovia.
Vento. Calçada.
Tanta pressa, tanta saudade
E de repente o manequim,
Ali, sem urgência nem maldade
Sem carne para rasgar
nem osso para doer.
Saudade: Osso duro de roer.
Eu, roendo ossos,
corroendo chuvas,
correndo calçadas...
E de repente o manequim, entende?
Parado no tempo
Todo vontades...
Mas ainda assim, detrás do vidro
Sem arara cupido, não havia outras verdades:
era tão somente você dentro
e eu fora. E eu fora.

60ºDe Rio Grande, RS: Elucidário (Miguel A. Rodriguez)

qualquer coisa assim que nos permita
         viver como quem vive
         apenas

isso não nos basta
talvez nem nos distinga de abstrações

perdemo-nos do embaraço da origem
pela a aparência que deveras temos

aqui estamos
e ouvimo-nos sem ar à volta
presas de algo que nos une
         incomunicáveis
         mas ouvindo

quem nos trabalha não sabe
         que estamos
                   sobretudo
                   sobre todos
até que outra forma devida
         nos suceda

61ºDe Pavia, Itália: “Não quero mais” (Longobardo)

Não quero mais ver crianças vendidas
No mercado da guerra,
Não quero sentir o gosto acre do sangue
Entre meus lábios apertados.

Não quero sumir-se
Da tua casa na noite
Sem saber si amanhã
Ainda hei-de ver-te.

Vamos um dia nos dar a mão
E irmos juntos a Samarkand,
A cidade com as cúpulas douradas,
Rica de panos, de ouro e camelos.

Nada poderá nos parar,
Nem o engano das reflexões
Sobre as caudas dos pavões,
Nem o trovão, distante no horizonte.

Quero caminhar de frente alta
Numa praia a beira-mar,
Ou nas dunas do deserto,
Com o sol deslumbrante
E crianças em redor de mim,
Brincando e rindo felizes.

Será uma longa caminhada
Sob um céu de turquesa e lápis-lazúli,
Na brisa quente que vem para baixo
Das montanhas do norte.
Caminhe entre os córregos alegres
Do Jardim do Éden.
Só deixa-me pegar um pêssego
Da árvore do bem e do mal.

Na margem do grande rio,
Contra a luz do horizonte
Vermelho no pôr do sol,
Quero ver airões pescando
E não ouvir mais o sibilo
Das balas traçadoras.

Samarkand no final da viagem,
Já não é a lendária cidade.
O ouro apagado, o mercado calado,
As casas sentindo o peso dos anos.

Vamos fazer brilhar o ouro,
Acordar as fontes de leite e de mel
E plantar flores coloridas
Nas rachaduras das paredes brancas.

62ºDe São José do Rio Preto, SP: “A tempestade” (Donnie Darko)

[ 1 ]

A festa não tinha
hora para acabar.

Estávamos com tanta sede
que tomamos
direto na veia
a substância da nossa
liberdade.

E como estivéssemos
apaixonados
dançamos o ritmo
da nossa geração
tão distraídos...

E como estivéssemos
embriagados
lançamos facas
uns nos outros
sem medo algum
de nos cortar...

[ 2 ]

Mas muito tarde
os cães da noite
anunciaram
a tempestade

e não deu tempo
de retirar
todos os corpos
da varanda.

— Como explicar
os corpos
na varanda?

— E todo aquele
tédio
nos casacos?

nos perguntávamos
como estranhos
de uma mesma
festa.

[ 3 ]

Arranhei tuas portas
na tempestade
desesperado

mas você não tinha
nenhum adágio
ensolarado
o bastante.

— A tempestade
tanto acaba esta noite
como acaba
nunca, baby, disse
um penetra na
festa.

E isto, por enquanto,
é tudo o que temos
de mais bonito.

63º  De Luanda, Angola: “O poeta” (Quimbungo)

O poeta é o anexo das árvores
Que solta o seu latir a favor da camisinha da água de todos os peixes
Sem fotografar a epiderme dos oceanos

Há uma coerência crônica
Entre o homem e o poeta
No imo dos homens
O poeta constrói o motor das imaginações

O poeta desmancha no arco-íris do seu cérebro
As cores diversas para notificar os estados das almas

O poeta profetiza a ideologia de Tomé
No universo do seu pensamento
E já mais dispunibilizara o seu balaio para sufluir das trintas moedas de prata

O poeta é o agricultor da crise das lágrimas
No palco dos pássaros

Ser poeta é submeter o ventre do
crânio ao exercício cumprido para vencer o oceano

O poeta é o analfabeto dos túmulos
Para albergar  a sua alma.

64ºDe Acaraú, CE: “Nossos anzóis não servem para pescar no mar” (Godofredo Nascimento)

Os pingos da chuva não evaporam,
Moram nos colchões dos destelhados.
As borboletas são flores vivas, não borboletas.
O café não é preto, nem pode ser, a culpa é nossa.

Nunca lemos algum livro, conversamos – verdade.
A moça da biblioteca não possui vagina, nem poderia.
Alcides Pinto é Gabriel García Márquez.
Eu não existo, nem você, não somos assim em nossa verdadeira forma.
O sono é uma interrupção de nossas dores, a natureza é compadecida.
Os lados do quadrado dependem da vista dos outros.

Quem escreve se engana.
Os pensamentos são inimigos da verdade.
A maldade é um teste.
Traições não existem, são provas de amor.

O passarinho não morre com um tiro,
Ele sempre te engana.
Amor de mãe é igual a qualquer amor.
Não é a água que nos molha, é nossa imaginação.
As grandes obras literárias são histórias contadas por
Crianças, às vezes, por insetos presos nas vidraças.

Os filhos não dependem da relação sexual,
Dependem das cegonhas.
O pão de cada dia é o mesmo pão de sempre.
O mundo sempre existiu.
 Se quiser beijar alguém, chupe uma laranja.

Deus é um velho que não consegue pensar.
Todos nós fechamos os olhos para a maldade.
Todos nós somos maus, por isso ajudamos os outros.
Uma galinha possui mais carne que uma vaca.
Gostamos do gosto ruim da nossa boca.
Murilo Rubião é Godofredo.

A castanha é mais gostosa que o caju.
O ovo é melhor de que quem o pôs.

Você é louco, assim como o suicida.
Todo adolescente é sacana.

A cadeira não possui braço, nem o piano calda.
Todo urubu é branco quando é criança.

Nossas mães também pensaram como nós.
Os professores quase nunca sabem o conteúdo.

Todas nossas ideias são ressentimentos empedernidos.
A professora sempre fuma depois das aulas.
Nossos heróis nem são tão fortes.
Os torneios de futebol não se preocupam com os jogadores.

O presidente não manda no país.
Todos os papas foram ateus.
Só existe uma verdade, a sua.
Os garimpeiros são homens que não comem.
A floresta conversa sobre seus infortúnios.
O mundo só é um porque nós queremos.

As mesas e cadeiras da sala sempre ficam arrumadas.
Os óculos nunca nos deixam confortáveis.
A comida sempre nos obriga a beber alguma coisa.
A cachaça é ruim, mas é compatível com nossas entranhas.

Nunca tome um chá se não for de cogumelo.
As meninas não são como pensamos.
Os homens são cachorros distraídos.
A letra “A” é um “V” disfarçado.
Não se escreve “nescessário” não é necessário por o “s”.
Na verdade você não vê a lua nova, mas sim uma fruta.

As maçãs verdes são envenenadas como as outras.
O carteiro nunca escreve cartas pra ninguém.
Os poetas gostam do glamour, são pervertidos.
Todas as coisas do mundo ainda são inominadas.

Os livros são os verdadeiros amigos da poeira.
Os cabarés sempre são lugares de lazer.
O pouco que possuímos devemos dividir.
A nossa vizinha sempre espera um cumprimento
Para poder nos dar um beijo.
Todos os homens se sentem assim.

Quando você se apaixona, sofre como as outras pessoas.
Os elogios sempre amenizam a má impressão.
Dizer a uma mulher que ela é um paraíso, é provar que você está sonhando.
Se você quiser se lembrar de qualquer coisa, vá ao bar.

Nunca olhe demais se não tiver um bom motivo.
Rasgue todos os seus poemas e jogue dentro da panela.
Não se sinta desprezado por quem você gosta.
Todo mundo se acha o protagonista de um filme.
Quem disse que os mortos não contam histórias?
A cabeça é uma bola.

Quando choramos sozinhos é mais gostoso.
Nunca vamos saber o que a moça do ônibus pensa de nós.
Errar é legal, perder é melhor ainda.
O cheiro é um vento roubado.
Quando coçamos os olhos estamos cansados de ver a mesma coisa.
O nariz foi feito para colocar o dedo.
As dançarinas só dançam porque possuem coração.

Os peixes são filhos de outros peixes imortais.
Os nossos anzóis não servem para pescar no mar.
Nossos dias são algumas moedas
Que um usurário vai gastando aos poucos.

65º De Salvador, BA: “Solipso” (Maxell Rocha)

a solidão é um bicho
tenebroso como o diabo
caçando almas pagãs

solidão: insônia dilatada
que me enche de agonia
e alucinações espinhentas,
substantivo nebuloso emoldurado
em fotografias embriagadas no asfalto

não me curo! não me guardo!

a dor da solidão nasce na alma,
cresce na carne inflamada
e padece no poema.

66ºDe São Pedro da Aldeia, RJ: “O efeito” (Flora M.)

Estou com o corpo ainda embriagado,
carregando o hálito de teu corpo,
o efeito do sexo, antes cume, parcamente desmancha.
Inquietamente, em meu quarto,
esqueço as horas de antes
e aquele instante agora gasto.
Minha cama, vazia, não dorme
e retomo a tarefa de procurar a mim mesma dentro deste corpo,

que perde o teu cheiro e o resquícios do teu gozo
em mais demorado tempo do que as horas se vão.
Por descontinuidade,
 o tempo-espaço não ocupa o mesmo lugar do agora:
amanhece,
 e a cama-carma ainda ama.

67ºDo Rio de Janeiro, RJ:Mão à pata” (Vô Cosmos)

Não matar um leão por dia:
domá-lo sem chicotes,
sem provocação do medo
no arremedo do poder.

Encará-lo e ver lindos seus dentes,
sentir seu bafo de fera,
seu sangue de raça
e sua alma de terra.

Ver Deus acenando em sua goela -
prova viva do respeito mútuo.
Tocar sua juba deserta, seca, vistosa,
acariciá-lo com mãos de uma árvore dura.
Fazer dos olhos um espelho
e mostrar seu dentro -
que lá há um leão também brincando savanas,
há bestas sonolentas e outras panteras
roendo a carne do seu pensamento vivo.

Deitar ao seu lado
dando mão à pata
narinas ao focinho,
reconhecendo,
se apresentando à força
no brilho
ponderável
da presença.

Forte selvageria atávica,
virar bicho,
virar sereno,
veneno,
mato,
flor,
trigo.

Não matar um leão por dia, nunca.
Amá-lo na rigidez dum rugido.

68ºDe Riachão do Jacuípe, BA: “Batalha” (Vaqueiro das Nuvens)

No campo aberto do meu sono
Uma batalha e pequenas guerras

O soar de clarins distantes
O tropel de cavalos, asas e fogo
No vale dos ossos secos

Nesta guerra de rotos estandartes
A movimentação ordeira das tropas
E a inquietação orgânica dos sonhos

Sob o som das lanças frementes
A lustre inquietação das luzes acesas
Do vale das sombras da morte

Não me atormenta a batalha
Nem me amedrontam as ânsias

Caminho pelo código secreto
Levo a espada aberta das coisas que sei
O escudo das que presumo
E o capacete das que desconheço
Mais um passo rumo ao seio da tropa

69ºDe Belém, PA: “Confissão para a fuga” (Benny Franklin)

"O poeta é como o príncipe das nuvens.
As suas asas de gigante não o deixam caminhar."
( Charles Baudelaire )

I

Sei dos sucessivos sangues masturbados,
das insaciabilidades das manhãs vagabundas
que não tem paradeiros,
não tem utopias
nem retropassos.

Sei das fatídicas cumeeiras dos abismos,
das confissões de fugas azulejadas,
das ausências aciduladas
que simulam renúncias.

Sei que não importa
o tesão bulido a touch screen.
Sei que não importa
os âmagos das penetrações dissimuladas
nem os gôzos macerados
dos germes das metáforas.

II

Lá fora poetas se mastigam
capazes de longos
silêncios.

Mas [ oh, altar langoroso das torturas migrantes! ]:
A ti, o meu grito simétrico.
A ti, lastimosa agonia desenredada,
a minha força intemporal de comunicar-se
com chãos de vertigens proibidas.

A ti, espaço para tanta inexistência,
o frêmito do Sol longitudinal
que orvalha lagrimoso
como sexo gasto do espinho virulento
e sobretudo graceja
em longos delírios carnais
como pão subtraído
que reverbera nos estômagos perecidos.

III

Não é um espinho a primeira irrequieta ereção
nem um sol multifacetado
a ilusão que patina no querer
quando se esquiva dos medos negados.

Âncora que se sabe
sondada por olhares doidivanos:
sou o que dilacera os sorrisos disfarçados,
o que colhe as Orquídeas mais caras
sem temer as campinas proibidas;
sou& sou
alguém que já nasceu predestinado
a se acorrentar e se amordaçar
no estriduloso orgasmo
da revolta.

70ºDe João Pessoa, PB: “Rebentação” (Justine Montecchio)

Uma pancada de animal cornífero em meus quadris
O rapto das endorfinas, a ira,
o esporão na língua: Amor

Bebo as vozes noturnas que se debatem no seio pálido
da Grande Mãe

Levanto-me
Possuída pela Sabedoria
impura aos olhos de deus, do diabo, dos homens

Meu sexo brilha, vertendo o sangue dos homicidas
A pureza dos gloriosos anjos assassinos
Sujei-me com a Eternidade
Escura, sagrada, bestial, carnívora

E danço,
rasgando as vestes, as entranhas, o coração
Poesia arremetida contra a Morte:
canina iluminação

71ºDe Recife, PE:Poeta pérola” (Januário Sertão)

Até hoje não entendo!
Esses poetas que "sabem recitar",
vivem indo a festas
fazendo graça, uma careta aqui
outra acolá.
Tudo reis e rainhas do encanto
quando rimam um verso,
sempre recitando
como cordelista
rimando no interiorano
tudo que termine com ‘a’, ‘ar’ et cetera...

E o sotaque?!
Tem que ser bem pesado,
arrastado como vaca com fome no pasto
pra dizer que veio da terra
onde nasceu o carcará...

Sei que tudo veio da Grécia
não sou bicho besta a teimar,
mas pra mim, poeta,
é como ostra do mar.

Vive calada, resignada, fechada em si

sem respirar

até o dia que resolve soltar
o verbo doce nas ondas do mar...

72º De Saitama, Japão: “Terremoto” (John Keating)

Furiosa,
Ó Terra,
Tremes.

(Temo!)

Faminta,
Devoras.

Forte,
Ignoras.

Fatal,
Apavoras.

Até que te acalmas.
E, em meio a gritos,
Vultos e lutos,
Leva almas
Para teu seio.

(Receio!)

Pois sei
Que, uma vez mais,
Despertarás.

E presentearás ao Mar
O que restou de meu lar.

73º Do Rio de Janeiro, RJ: “Bonança” (poema árcade) (Babi Victer)


Me encanta o veludo da relva,
O esplendor do sol e a canção da água.
Estando eu, preso em minha própria selva,
Fugi da massa de ódio e vim à calma.


A vida na cidade é uma luta no tatame
Luta injusta e desproporcional.
Prefiro o campo, não há quem não ame!
A calmaria e a qualidade; não há igual.


Beleza simples e inesgotável,
Pureza inspiradora.
Capaz de amolecer
O coração mais inexorável.


Magnitude reveladora!
A calmaria e a beleza me encantam intensamente.
A magia com toda certeza,
Faz minha visão transcendente.



74ºDo Rio de Janeiro, RJ: “Filme B” (Taurus)

Ao sair
não me acorde,
não se despeça.

Pise macio
no tapete luzidio
da manhã que mal começa.

O silêncio sorrateiro
dispensa olhar derradeiro,
vá sem perda de tempo
e sem pressa.

Ao despertar e não mais vê-la
eu dou meu jeito.

Vou eternizar no peito
o sonho – agora desfeito –
que foi no passado tê-la
inteira só para mim.

Caso de amor démodé,
nossa história acaba assim, 
mocinho de um filme B,
sozinho, morro no fim.

Não é um final perfeito
mas é o que nos cabe, enfim.

7De São Paulo, SP: “Frustração” (Mainá)

E eu que não sei
fazer tankas ou hai-kais...

Eu, que queria
a poesia mais precisa:

surpreendente
como a chuva na vidraça,
o sorriso largo
e instantâneo
do menino,
o beija-flor descoberto
entre ramos.

Cortante
como a rigidez
do cão morto na sarjeta,
o vizinho que
se suicidou.

Exata
como olhares que se encontram.

Sim, eu que queria
a agudeza
da mais extrema  brevidade,
sei somente
a longa e desajeitada
poesia dos desassossegados.

76ºDe Crato, CE: “Nossos Litígios” (André Anlub)

Pelos próprios litígios
Tentei organizar nossas vidas,
Apagando insensatos vestígios
E acendendo e excedendo as saída;

No doce ninho que mesmo em sonho,
Onde criamos rebanhos, rebentos,
Em águas límpidas que fazem o banho...
Depurando em epítome nossos momentos.

Amontoando em vocábulos certos
Vejo e escrevo em linhas tortas (na alma).
Optando por esse amor na justa calma,
Nas brigas que expulsam demônios e espectros.

Na sensatez do amor verdadeiro
Vi-me lisonjeado por ser o primeiro...
O real – o fiel – o ardente;
Sou o qual lhe agarra a unhas e dentes,
Sendo o mais perfeito da paixão mensageiro.

O ardor do âmago do seu ser
Acabou apagando minhas rinhas,
Nesse bem querer de minhas linhas,
Só, e mesmo cego, posso lhe ver.

77º De Capivari, SP: “Hemorrágica” (Aeon)

I
proponho-te
devassar o além
tencionado sob a fundição
dos nossos sexos
eriçados

rosá-la
no explícito orgasmo
do irrefutável sacrilégio
apiedando-te de quatro

- sacrificar o fôlego
no desterro dos vaivéns -

desenfreio-me à entrega
do análgico gemicar
na homogeneização
das delícias

- escopo arejado do delírio –

comungá-la abrigo
na impossibilidade esboçada
da catártica combustão

II

aquém
há somente vandalismo
transpirando
cerimoniais vigílias
para incendiar
a congênita essência
nas labaredas
do seu grelo

- enluarar-te o bojo
enraizando gorjeios -

pelas intermitentes renovações
de cada solilóquio
mantenho a ideia fixa
de que há mais
de você em mim
do que qualquer outro
esplendor cósmico

- decifrá-la em melodia -

perfaço-me anjo caído
além da substancialidade
adornando-te em aromas
na permanência serena
com que decruo a boceta
na sacra depravação

- reverenciar-te o riso -

pândego por subjetivá-la
em néctar pagão
endiabro a onírica trepada
no abundante estímulo

roço o caralho
na via indômita
das suas fixações

III

- ardência inaclimável -

faço do seu suor
o perfume que aprisiona
onde deslizo pelas curvas
Sátiro aturdido

desmembro-te a pose
no agudo abocanhamento
em contínuo alvoroço
num mantra circunstante

- libação às meiguices de Áine -

do enflorado arrebol
nas fibras cardíacas
entalho-me íncubo
até que a submissão
seja uma dádiva indômita

deparo-me
fértil regalo deflagrado
orvalhando os sentidos
dentro dos inebriados
instantes
que te volvem meu sigilo

- goto hemático -

violento o pudor
jorrando-te o sêmen
da solicitude impalpável
antes mefítica
pelo desarrimo

- utopia esganiçada -

carregá-la pelas asas
mendigando a cruz
que lhe cobre o antro
no voejar dos gestos

IV

persigo sua inquietação
- Afrodite remendada -
contorcendo-me
para arrancar a baba
dos delicados lábios
com o tesão hermético
enquanto me lavra o falo
para lhe devorar o íntimo

submergir na senda
das suas coxas
é o subterfúgio ao santuário
na onde se prostram
minhas vulcânicas ferroadas

no sinóptico embaraço
ofereço o espírito
que é fiel à pureza
em receber o seu desgarro
- incorporo Pã -

desfiro o apego
com a impudica língua
lambuzando-te
a fonte do recato

ceifo os peitos
com os dedos canastras
e derramo sobre ti
- Ninfa infatigável -
o indulgente plasma
da balsâmica saliva

deliciando-te no ritual
da frenética repetição
embriago-me
no empoçado
jardim bendito
arrebatando os pecados reprimidos

- esfomeado me assevero
antecipando o bote
na lúbrica veleidade -

desabrocho-te inundação
na conduta polimórfica
de bruxo-caipira-errante

- Logos implodido
em enfurecida incisão -

vergo-te num brando murmúrio
para cravar no sacrário
o tácito batismo
da frutígera nudez
escorraçada do paraíso
- ternura -

unificando-nos
na ambígua arrebentação
de entrega prolixa
- ameno sortilégio -
fluo no seu ventre
infinitando-a
cerúleo arrebate

- Vontade em deleite
firmada pela completude -

estronda-nos por zelo
na dicotomia do regaço
a tecedura das preces
em incólume inerência

- Lux et Nox -

V

- arbítrio esquizofrênico -

sorvo
devorá-la em devoção
à animalesca reminiscência
enquanto incitamos
o crepúsculo entoado
nas paragens epidérmicas

cercam-nos
os tangíveis espantos
vociferando imantações
no fulgor da trepada
em grácil acuidade

a proximidade corrosiva
dos olhos nos olhos
ascende-nos
um mitigativo beijo
anárquico

- relampeia o júbilo
no colapso diagnosticado -

os cuidados
da minha heresia
revelam o alvorecer
no áureo abrigo
onde te nino
em profundíssimo apego
encarniçada cadela

VI

- pandêmico tônus -

subsidiando-me
influxo perturbado
rogo-te o verdejante
alento argiloso
no pedestal das adorações

- pesteio-te súplicas -
nas alucinações coreografadas
pela temporalidade do martírio
expilo as cismas contritas
umedecendo-a
em firmamento

- não me basto
nas colorações do brio –

inquieta-me o átimo
na síntese
do que permeia
dentando a fluidez

- ebulição figurativa -

em indulgência cristalina
crepito os desvarios
acometendo-me
salutares tormentos

debulho-te
precipício
feito uma estrela
pungente
confinada na polpa

- avigorada fonte
de escândalos -

concedo-me o tesão
de surrá-la em fulgência
pelos ecos da luxúria.

78º De Santo André, SP: “Ex-tenso” (A. Carmo)

Um poema curto
mantêm o pulso por mais tempo tenso
que um poema extenso.

79ºDe Porto Alegre, RS: “No varal, cristais...” (Cassiopeia)

Por que choram as roupas do varal?
Por quê?
Alvas, pranteiam desesperadas
num silêncio endoidecido.

Mas por que chorar?
Choram de dor?
Da dor que sentiram
ao serem batidas
na grande pedra do arroio,
em que, em movimentos sincronizados,
a lavadeira jovem
- feito um padre a exorcizar
o “grande mal” de um corpo cristão -
buscava com severidade a brancura?

Ou talvez, choram
enternecidas com o cansaço da lavadeira…
Da moça exausta de tantos sonhos
que foram desfeitos, qual sabão que
se desfaz dos tecidos pra tornar-se espuma…

Por que choram as roupas,
recém postas no varal?
Será saudade?
A saudade de fazer parte
daqueles corpos quentes
suando a coragem e a força
na indomável aventura do viver?!

Sim, as roupas choram no varal,
incontestavelmente, choram!
Choram feito criança ferida
pela rispidez de uma negação.

As roupas gotejam cristais
que estilhaçam no chão,
na manhã morna e lívida.
E a tardinha, quando menos se espera…
Talvez, consoladas pelo calor solar,
cessam as lágrimas.
De cara lavada,
leves, talvez adormecidas;
Prontas, esperam cálidas:
depois do amanhã, chorar outra vez.

80º De Curitiba, PR: “Ramadã” (Eterna Estrangeira)


Não tinham como se entender.
O encontro veio por acaso,
Cada um chegando do seu ponto cardinal
ao centro da praça, onde os turistas desciam
das charretes para fotografar serpentes mansas,
cegos e domadores de camelo,
numa febre só.
Por filosofia entendiam palavras diferentes,
e a cada coisa a imagem que havia por trás
ou por dentro
se pintava em tons distintos,
como “quarto”, “cortina” ou “venha comigo”.
Foi apenas um momento que suspendeu os rumos:
Cruzar juntos uma antiga ponte de pedra e
ouvir o mesmo som do rio balançando embaixo,
esperar o sol
quente ceder ao momento da noite,
ao banquete e um lugar onde os corpos
virassem água. De onde viria o desfile
dos cavalos de todas as cores, e um
vento do deserto ou
melhor dito, uma brisa leve
com a qual seria possível
conviver. A mesquita no alto não destoava:
era puro encanto, como uma diferença a mais,
algo talvez para diminuir a sua, embora
decifrar-se em alguma noção comum
do humano
nunca fora suficiente.

 POESIAPOESIAPOESIAPOESIAPOESIAPOESIAPOESIAPOESIAPOESIAPOESIA

PARABÉNS A TODOS 80 POETAS OS CLASSIFICADOS!

         AGRADECEMOS, DE CORAÇÃO, PELA PARTICIPAÇÃO DE TODOS. PARA QUEM NÃO AVANÇOU DESTA VEZ, ENTENDAM QUE SE TRATA APENAS DE UM CONCURSO, O QUAL DEPENDE MUITO DO GOSTO E REPERTÓRIO DE CADA JURADO. NADA ACABA AQUI.

         A SEGUIR: DESAFIO DA PRÓXIMA ETAPA!

         Aos poetas classificados, atenção:

         1º - Para a terceira fase do III Concurso de Poesia Autores S/A, serão classificados, sem qualquer chance de alteração no número estipulado, 32 (trinta e dois) poetas. Ou seja, 48 poetas se despedirão do concurso nesta segunda etapa.
         2º - A ordem válida dos classificados na primeira fase está expressa do primeiro ao octogésimo colocado. Logo, a vantagem compete aos primeiros colocados na segunda etapa do concurso, em caso de empate.
         3º - Aos poetas classificados, é obrigatória a entrada no grupo do III Concurso de Poesia Autores S/A no Facebook. Caso queiram convidar amigos e/ou parentes que estejam acompanhando o concurso, fiquem a vontade. Aos poetas que não se classificaram, vossas adesões também serão muito bem-vindas, porém, não obrigatórias. Neste grupo, é permitida a divulgação da identidade dos poetas e se expressar abertamente, uma vez que não será permitida a entrada de qualquer jurado neste grupo.
         4º - Pedimos, aos poetas classificados, atenção aos e-mails. O envio dos poemas continuará sendo através do e-mail poesiaautoressa@gmail.com e qualquer comunicado será feito via e-mail e pelo grupo do Facebook.
         Agora, vamos aos ditames para o “segundo round”:

A PROVA DOS SEIS TEMAS



Será proposto, agora, 06 (seis) temas diferentes. Cada poeta deverá escolher 01 (um) TEMA e desenvolver um poema acerca deste tema escolhido.
Os temas propostos são:
1 – Casa



2 – Suicídio



3 – Simbiose



4 – Falta de educação



5 – O que é o outro?



6 – A mulher em todos os seus aspectos e representações



PRAZO DE ENVIO: até o dia 28/09/2014, domingo, às 18 horas, para o e-mail poesiaautoressa@gmail.com . Por favor, enviem, juntamente com o poema, o tema escolhido. Poemas enviados além do prazo estarão automaticamente desclassificados. Não vale envio de imagem junto com o poema. Também não há limite de linhas/caracteres/páginas.

Boa sorte a todos!
AUTORES S/A:
Uma sociedade diferente das outras.

PARCEIROS:







260 comentários:

1 – 200 de 260   Recentes›   Mais recentes»
Anônimo disse...

O nível deve mesmo estar bem alto, pois dobrarem o numero de escolhidos para a segunda etapa, além de dar um maior alento aos participantes, demonstra, claramente, o grande interesse cultural de todos vocês.

Meus sinceros agradecimentos por poder estar participando

Dante O velho disse...

Gostei demais dos poemas até aqui,porém a Anne Sexton, em seu poema 'Calçada' não colocou a referência que seria um poema de Giovani Baffô:
"Em casa de menino de rua
O último a dormir
Apaga a lua."
Assim como fez Urbanóide Cáustico,citando Ferreira Gular.
Minha preferência é por 'Boa noite' do Barcelos.
Boa sorte a todos

Flávia disse...

Concordo com o que disse Dante O velho a respeito do poema da Anne. O último verso é praticamente uma paráfrase do poema do Baffô.

Gostei muito de "Boa Noite".

Parabéns e boa sorte a todos!

André Anlub disse...

Bom dia trupe das letras.
Gostei dos poemas postados; reparei que mesmo sendo peculiares, permeiam assuntos em comum: "noite" "morte" "homem/criança".
Também reparei a alusão ao escrito já existente.
Meus parabéns a todos que mergulharam nessa empreitada poética, boa sorte.
Sintam-se abraçados.

Anônimo disse...

Bom dia!
Tenho apenas uma dúvida. Pelo que entendi, as primeiras poesias postadas foram as mais bem votadas entre os jurados. Por qual razão não fizeram ao contrário? Seria bem mais interessante se fosse em ordem crescente, daria mais emoção!

Jackson Valoni disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

O nível realmente está bom. Mas acho que cabe um espaço aí pra mim, rsrs.

No aguardo e com o dedo engatilhado no F5 ;)

Anônimo disse...

Bom dia! Concordo que seria mais interessante se a divulgação dos escolhidos fosse em ordem crescente, para dar mais emoção. Fica aqui a sugestão, para o próximo concurso. E parabéns aos organizadores, que certamente terão um material de grande qualidade ao final do desafio!

Anônimo disse...

Eu estou inscrito, mas não gostei de nenhum poema postado até agora. Citações a outros poetas, "o fulano falou, o sicrano não falou", medalhões fazendo a cabeça (ainda) dos que estão começando a escrever, não gosto disso nem um pouquinho. Sinceramente, não gostei de nenhum poema postado até agora. Não vi nada de original, tanto na forma como no fundo, os mesmos vícios e manias dos moderninhos, dos que escrevem de maneira moderninha... Não sei, acho que a poesia está indo para as cucuias. No fundo, no fundo, não dizem absolutamente nada.

Anônimo disse...

Sinceramente, concordo com o comentário acima. Sinto-me lendo uma montanha de palavras sem sentindo algum... Sinto que não vou ser classificada, pois meu texto está totalmente o avesso destes já postados.

Anônimo disse...

De certa forma eu concordo com você anônimo. Certos poemas soam "chics" - através de citações, nomes de pessoas famosas... dão um ar de: "nossa, que culto!". Mas esse tipo de poesia sempre cai nas paradas, apesar de eu não concordar tanto. Acho que a beleza pode ser direcionada para outros lugares. Como exemplo, cito Manoel de Barros. Mas pode ter certeza que esses poemas não são necesariamente os melhores. Tenho certeza que vai vir muita coisa boa por aí. E vale notar que de minha parte eu até gostei desses poemas, apesar de que na minha opinião eles estão carregados de clichês.

Anônimo disse...

Olá. Participei do concurso e estou aguardando. Nao sei quem teve a genial e sádica ideia de torturar os inscritos lançando o resultado a conta gotas. Os poemas que li de momento sao interesantes, propostas diferentes, mas como comentou alguém antes, todos estao com um ponto meio em comum... fiquei até pensando se era que o concurso nao era livre, se tinha algum tema e eu tinha passado por cima. Felicitaçoes aos poetas clasificados de momento e aos que serao. Aos que nao, conselho de quem já passou por vários e nao foi: continuem escrevendo. Nós nao escrevemos para ganhar concursos, se ganhamos, melhor para esse ego de escritor que temos, mas nao é para isso. Abraços ;D

Anônimo disse...

Enfim, o choro é livre.

Anônimo disse...

Poeta, hoje, é aquele que escreve, escreve, mas não diz absolutamente nada.

alisson camoes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
gustavo disse...

O primeiro é realmente notável, um belo exercício mental, mas os outros três... estão bem aquém da originalidade...

alisson camoes disse...

realmente, a poesia modernista para aqueles que admiram o classico nao faz nenhum sentido. Quem sabe viveremos para ver seguidores de Olavo Bilac e Vinicius de Morais por exemplo.

Anônimo disse...

Vocês vão me desculpar, mas se os poemas postados até agora demonstram "o alto nível do concurso", então eu não saberia dizer o que é "alto nível", o que é "bom", etc.
Os poemas postados até agora, venhamos e convenhamos, são ruins.

Anônimo disse...

Submeter um poema a um concurso é sempre um risco, pois não sabemos os critérios (objetivos e subjetivos) da banca examinadora. No entanto, alguns desses poemas que alcançaram as cinco primeiras posições adotaram de forma explícita, evidente, não apenas a paráfrase, mas uma espécie de adaptação ostensiva/sobreposta (aquela que é feita, por exemplo, pela inversão do conteúdo de outro poema ou por uma proposta de sua "continuação"). Em se tratando de um concurso, a originalidade e ineditismo devem pesar como critério de avaliação, na minha opinião. E esse recurso de paráfrase/adaptação, a meu ver, nao deve ser bem vista como critério de seleção. Mas nao sou a banca, que tem soberania nas decisões. Aguardemos as próximas colocações, com ansiedade. Um bom concurso a todos!

Anônimo disse...

O primeiro poema tem "ares de grandeza", o autor tentou terminar de uma forma "grande", "misteriosa", mas não diz absolutamente nada.

Anônimo disse...

Não gosto de comentários anônimos, mas vou fazer um: Tenho medo de que esses comentários abram espaço para um jogo de ofensas. Todo mundo aqui certamente é muito "bom" com as palavras, mas na hora de dar a cara... poucos se habilitam.

asth disse...

Dante! Pensei o mesmo que você! o ultimo que dormir, apaga a lua - que é formidável!
Vamos esperar! Não sabia que eram 80 poemas! Vixi

Anônimo disse...

Nenhum comentário até agora foi ofensivo, e não é questão de dar "a cara" ou não. Comenta-se como "anônimo" porque ninguém vai dar valor a uma pessoa, mesmo que identificada, que não tem "autoridade", por assim dizer. Se fosse o caso de "dar a cara", eu daria, sem problema nenhum, e também sem medo nenhum. Dar "a cara" pra não ser valorizado? Dar "a cara" pra ser, quem sabe, ridicularizado por aqueles que acham que entendem de poema?

Anônimo disse...

A poesia contemporânea é sim fantástica, mas também acho que muitas vezes torna-se repetitiva, mais do mesmo. Adoraria ver um meio termo, uma mistura das épocas. Vou aguardar para ver se encontro nas próximas poesias algo assim. Seria esse meu poeta preferido

Anônimo disse...

Percebo uma opção pelo nonsense, e isso significa dizer que eu não estarei na lista.

Anônimo disse...

Percebo uma opção pelo nonsense, e isso significa dizer que eu não estarei na lista.²

Anônimo disse...

Aí, gostei do da Maria Lis. E o do José Matsushita eu só não gostei do desfecho...

Aiai, espero que a minha ainda apareça. Preocupação mode on! hehe

gustavo disse...

A questão Poesia nada tem a ver com época ou estilo, e sim com o simbólico transcendente, que naturalmente impõe seu estilo, sua "originalidade" e diz, o resto é lenga-lenga, rodeios do ego, o que mostram os poemas até agora (5).

Anônimo disse...

Concordo com a maior parte das "desilusões" aqui postadas...
Para mim que nada sei de poesia, somente passo para palavras aquilo que a minha alma sente, devo dizer que o primeiro poema ( num universo de 80 ) não será com certeza o melhor. É monótono, sem imaginação repetitivo...
Os intervalos de postagem dos poemas também não me parece o melhor... que tal dar uma acelarada?
Também já sabemos quem ficou nos primeiros lugares... que diferença faz agora?

Anônimo disse...

Pois para mim tem sim haver com época também. O que aconteceria com um poeta contemporâneo na idade média? Questão de opinião, caro.

Autores disse...

Bom dia, meus caros!

Ansiosos? Que nada, né?

Bem, peço, encarecidamente a todos os comentaristas, que evitem dizeres ofensivos. A maioria dos que comentam aqui são escritores, são leitores assíduos, enfim, pessoas capazes de, com tranquilidade, traçarem críticas construtivas a respeito dos poemas classificados, ou mesmo debater com seriedade com os demais comentaristas.

Os poetas envolvidos que quiserem se identificar aqui pela Conta do Google, por favor, não há problema quanto a isso. Apenas evitem dizerem "quem é" no concurso.

No mais, o Autores S/A agradece muito pela participação de vocês e pelas sugestões. Vamos nessa!

Abraços
Lohan (em nome do Autores S/A)

Anônimo disse...

Apreciando com atenção os escolhidos, o poema mais interessante, até aqui, é Pequenas poesias, de José Matsushita. "Uma pequena poesia... do imenso agora"
Muita coisa boa ainda está por vir... Vamos acompanhar e torcer por mais surpresas!

analice disse...

Tambem notei a referência ao poema de Baffô.

gustavo disse...

Você não entendeu mesmo! Gregorio de Matos é um gênio em qualquer época, atualíssimo!

Anônimo disse...

Concordo que poderia dar uma acelerada nesses resultados... faz a alegria da galera aí Lohan! kkkk

Anônimo disse...

O Gustavo parece que é igualzinho ao Luciano do Valle, que chamava todo mundo de "gênio". Xi!

Anônimo disse...

Gente, afinal, a classificação está do primeiro ao último colocado ou ao contrário?

Anônimo disse...

Quero ver os seguidores de Cecília Meireles!
Poemas inspirados na grande autora que é Cecília...

Anônimo disse...

Crescente ou decrescente, uma coisa é fato: A qualidade dos poemas está crescendo a cada postagem. Vamos aguardar mais surpresas poéticas...

gustavo disse...

Luciano do Vale, hehe... boa lembrança!

Anônimo disse...

E porque a esperança é a ultima coisa a morrer, continuo esperançoso no meio deste turbilhão de arte transformada em conhecimento, pois embora a arte ñ tenha fronteira nem bandeira espero que compreendam a realidade de meu poema. E quanto aos meus irmãos de alforria e hospedes da mesma rua aconselho a ter calma e vamos respeitar os pontos de vistas sem procurar uma logica que nos convém por isso é que somos artistas

Anônimo disse...

Até que enfim um que eu verdadeiramente gostei: Construção - Henry James.

Meu Deus, vou largar de ser poeta e ser Engenheiro. Não sabia que poesia era coisa séria (de gente que sabe).

Anônimo disse...

Não gostei de nenhum poema até agora. Tem "ares de grandeza", mas não são bons.

Anônimo disse...

Eu fico decepcionado porque eu tento fazer da poesia coisa simples, mas as pessoas tentam colocar conhecimento, como se o saber lógico embelezasse a obra. Elas não vão direto no âmago, elas dão rodeios para atingir o âmago. E os jurados caem nessa armadilha.

Vou citar um dos poemas mais famosos de Fernando Pessoa: "O poeta é um fingidor..."

Direto, no âmago. Sem falar que leu fulano ou ciclano. Sem falar que conhece a Europa ou assistiu tal filme. Mas enfim, eu acredito na minha poesia, que é crua, niilista. A força da poesia vem do próprio poeta. Sei que depois desse concurso e de mais um aí vou publicar meu livro nem que seja na marra, rsrs.

Não dá pra ficar esperando :)

Anônimo disse...

Os poemas postados até agora são bens ruins, a verdade é essa.

Anônimo disse...

Eu tenho a impressão de que os poemas postados até agora são de pessoas que não existem, ou melhor, de pessoas que não são.

Anônimo disse...

"...E quanto aos meus irmãos de alforria e hospedes da mesma rua aconselho a ter calma e vamos respeitar os pontos de vistas sem procurar uma logica que nos convém por isso é que somos artistas"

Belas palabras, colega. Eu aqui, morrendo de rir com os comentarios. Nunca tinha visto o lado rebelde dos poetas em direto ;)

Anônimo disse...

"Belas palabras, colega. Eu aqui, morrendo de rir com os comentarios. Nunca tinha visto o lado rebelde dos poetas em direto ;)"

Como se os poetas não fossem seres humanos! hahaha

Anônimo disse...

Bom, caro amigo, se você pode ver discussões de vários poetas todos os dias, te felicito. Eu nao! E estou achando divertido. Aprende a rir, pessoa.

Anônimo disse...

O primeiro poema selecionado também foi selecionado neste concurso no ano de 2012. Achei, no mínimo, uma falta de criatividade imensa do poeta.

Até o momento, estou gostando bastante dos poetas selecionados. Parabéns aos felizardos e aos que ainda serão.

Anônimo disse...

Insisto: os poemas postados até agora são bem ruis.

Anônimo disse...

A poesia é algo simples, é a simplicidade da poesia que cativa os leitores. Poesia boa é aquela simples que a gente lê, se identifica e se apaixona. Pra que complicar? Poesia é arte que cativa, que ao se ler faz os olhos brilharem ou chorarem! Faz pensar, emociona e ensina.

Isso aí pra não passam de palavras embaralhadas. A do Henry é a melhor até agora!

Anônimo disse...

Os poemas postados até agora são ruinzinhos de doer, nada de novo, não dizem absolutamente nada, etc.

Anônimo disse...

"A poesia é algo simples, é a simplicidade da poesia que cativa os leitores. Poesia boa é aquela simples que a gente lê, se identifica e se apaixona. Pra que complicar? Poesia é arte que cativa, que ao se ler faz os olhos brilharem ou chorarem! Faz pensar, emociona e ensina.

Isso aí pra não passam de palavras embaralhadas. A do Henry é a melhor até agora!"

Concordo em gênero, número e grau. Foi inclusive o que disse mais acima.

Anônimo disse...

A poesia é algo simples, é a simplicidade da poesia que cativa os leitores. Poesia boa é aquela simples que a gente lê, se identifica e se apaixona. Pra que complicar? Poesia é arte que cativa, que ao se ler faz os olhos brilharem ou chorarem! Faz pensar, emociona e ensina.

Isso aí pra não passam de palavras embaralhadas. A do Henry é a melhor até agora!

Anônimo disse...

"Bom, caro amigo, se você pode ver discussões de vários poetas todos os dias, te felicito. Eu nao! E estou achando divertido. Aprende a rir, pessoa."

Estou rindo, de você :)

Anônimo disse...

...Se um poema é bom ou ruim, não cabe a mim decidir, mas sim ao coração... Quando ele é tocado, no fundo da alma, tudo de acalma (ou queima) em combustão...

p.s. De um Poeta anonimo e muito tocado por participar deste exercício poético...

Dante O velho disse...

Humano,eu?
Não!
Só poeta.

Anônimo disse...

..Se um poema é bom ou ruim, não cabe a mim decidir, mas sim ao coração... Quando ele é tocado, no fundo da alma, tudo se acalma (ou queima) em combustão...

p.s. De um Poeta anonimo e muito tocado por participar deste exercício poético...

Anônimo disse...

Para o Dante

Poeta que se acha poeta, bem, eu nunca acreditei em poeta que se considera poeta.

Anônimo disse...

Por trás do poeta há tantas intenções! rsrs

Anônimo disse...

Tem certeza que estão em ordem decrescente?

Anônimo disse...

É, é verdade! Poeta, no fundo, não passa de um bocó de argola. Escrever para os leitores? Ou pra quem?

Anônimo disse...

Tá estranho isso, a coisa tá ficando de ruim pra boa, acho q não entendi essa ordem.

alisson camoes disse...

alguem dos diretores do blog podem nos dizer se o 80º divulgado seria o mais votado pela banca avaliadora?

Anônimo disse...

Até agora as poesias aqui apresentadas são poesias não literária ou que fogem dos padrões (uma ou outra são exceções).
Enfim, não cabe a mim julgá-las, mas diante das características predominantes estarei mais "a vontade" em participar do próximo concurso.

Eriberto Henrique disse...

Dá uma acelerada nos resultados, já sabemos os primeiros mesmo.

Anônimo disse...

Com o devido respeito, poesias muito longas e algumas são na verdade contos.

Anônimo disse...

Ai gente, desanimei disso,saindo daqui para ir rever meus conceitos sobre poesias...

Anônimo disse...

João Cabral de M. Neto deve estar revirando no caixão. Todo mundo resolveu citá-lo, para talvez, tornarem-se um pouco mais poetas.

Flávia disse...

Se a final do concurso fosse hoje, e fosse eu um dos jurados, o vencedor estaria entre Henry James, Josué do Carmo, Anderson Council e Alice Condor.

Anônimo disse...

Ainda não estou de queixo caído. Achei que de cara encontraria poetas ainda mais maravilhosos que os doze finalistas do concurso anterior. Pelo menos por hora, continuo com os doze do II Concurso. Tomara que entre os já postados esteja pelo menos algum já conhecido anteriormente. Vamos ver e aguardar.

Anônimo disse...

Relaxem o Ego (e a vaidade), "poetas". De que importa se é primeiro ou não? Só vale a colocação dessa fase para a próxima em termos de desempate. Não confiam no próprio taco?

"Começaremos a divulgar os resultados pelos mais bem votados, em ordem decrescente." - Pelo que entendi, o 1º divulgado seria o 80º, e assim por diante. Nessa base, teremos os três primeiros colocados divulgados às 21h. Tanto é que não seria engraçado ver o mimimi da galera se a cereja do bolo fosse divulgada de prima.

E outra, mais respeito com os coleguinhas. Isso é um concurso, não o muro das lamentações. =)

Anônimo disse...

E se me permitem esclarecer a preferência pelo II Concurso, ali a diferença de estilos era fabulosa, no mínimo. Por hora observo muitas semelhanças, muitas mesmo.

Anônimo disse...

"Nessa base, teremos os três primeiros colocados divulgados às 21h. Tanto é que não seria engraçado ver o mimimi da galera se a cereja do bolo fosse divulgada de prima."

Receio que esteja equivocado, amigo.

Anônimo disse...

Afinal, trocando em miúdos: o mais votado será o 80°? Ou foi o primeiro a ser postado?

Anônimo disse...

Este concurso, pra mim, foi uma grandessíssima decepção, não gostei de nenhum poema.
Estou inscrito, e espero não ficar entre os classificados, não tenho a mínima vontade de continuar nisso.

Anônimo disse...

Pelo que eu entendi o mais votado foi o 1º.

"Começaremos a divulgar os resultados pelos mais bem votados, em ordem decrescente."

A meu ver a ordem decrescente é de classificação. A outra opção seria ordem decrescente de pontuação. Nesse 2º caso a primeira frase estaria incorreta. Por isso acredito mais na 1º opção, e o Lohan poderia dar uma consertada ou pronunciar algo para não haver dúvidas :)

Anônimo disse...

Anônimo acima, compartilho suas palavras, quero te adicionar no face, rsrsrs, escreveu os meus pensamentos!

Anônimo disse...

De fato a maioria desses poemas não passa emoção nenhuma, apenas palavras.

Eu não estou querendo causar intriga, é apenas minha opinião.

Eu gostei de alguns sim, e vou até citar: Maria Lis, Henry James, Anderson Council, Morena do Espelho, C. Vasconcellos e Marcopolo.

Ou seja, gostei verdadeiramente de 6. É muito pouco se for pra considerar que os 18 melhores são esses. Se a avaliação for essa, vou torcer pra eu ser eliminado logo, rsrs.

Anônimo disse...

Alertado por um homônimo "anônimo", constatei que concorri com esse mesmo poema (80º, se a comissão sabiamente inverteu a ordem) em 2012. Foi um lapso (ou será que só tenho esse?). Peço à comissão organizadora que analise a possibilidade de me desclassificar, caso tenha alguma cláusula proibindo o uso de poemas que já tenham participado de outras edições. Foi um descuido meu. E acho que se deve pensar em colocar essa cláusula para os próximos concursos.

Mara disse...

Gente do céu parem de bobagem!!!
Só tem poema lindo, a ordem não diz nada!! As intertextualidades são sempre bem-vindas também.
Meus preferidos até agora são: "Boa noite", "Construção" e "Calçada". Vi os comentários sobre Calçada e não achei que fosse preciso fazer a menção ao poema, a gente se inspira em tanta coisa que se fosse fazer menção de tudo... o intertexto ali ta implícito.

Anônimo disse...

Não,
Não estou participando do concurso,
Também não sou escritor ou poeta
Sigo com calma outro curso...
Vim em busca de poesia,
Repousar meus olhos no belo
E não encontrei nada singelo
que fizesse meu coração sorrir,
O ritmo da respiração diminuir,
Gostaria de estar boquiaberto
Ler , reler e minha boca declamar
O quê o coração poeta escreveu;
Lamento tanto... Quanto espanto!
Os amores e doçuras da literatura
Perderam-se no labirinto do moderno.

Anônimo disse...

Muito legal esse "Hereditária", da Natasha... os outros dois eu não gostei tbm! rsrs...

Anônimo disse...

Ae Anônimo, esse poema seu tá melhor do que muitos aí viu... rsrs

Anônimo disse...

Concordo com o comentário acima. Isso sim é poesia!

Anônimo disse...

A rasura dos poemas é extraordinária. A fundura dos temas é espetacular.

Anônimo disse...

Os temas dos poemas são rasos até os ossos, nenhum poema diz nada que balance. E a forma? A maioria, sem dúvida, é mais prosa do que verso. Inventaram, não sei quem, o termo "prosa poética" que, no fundo, nunca significou coisíssima nenhuma. Estou decepcionadíssimo com o nível baixíssimo deste concurso.

Anônimo disse...

Alguém acima disse algo sobre muitos contos. Concordo plenamente. Alguns dos contos são belíssimos, mas são contos, não poesias.Seja lá a que tribo pertençam, são contos. Por essa razão, também não entendo a ordem classificatória.

Lucas disse...

não vou criticar os poemas, mas que agonia, hehe

Lucas disse...

de não sair td*

Dante O velho disse...

Escrever é descer de todos os degraus da vaidade...
Pro anônimo que falou comigo: Bjin no lombo.

Anônimo disse...

Não quero desmerecer nem uma poesia ou poeta, todos tem direito de escrever o que vem na "cachola", poesia é sempre poesia, mas o critério usado pelos examinadores está um pouco confuso. Tem poesia selecionada que mais parece um conto, por exemplo: 17º De Varre-Sai, RJ: “Duas mulheres que temperavam” (Marcopolo), e outro parece verso: 12º Do Rio de Janeiro, RJ: “Censura” (Anderson Council). A parti do 24º começou a melhorar um pouco, vamos ver as próximas pois imaginei que esse fosse um concurso de poesia e não de contos e versos.

Anônimo disse...

Dos 25 poemas escolhidos até aqui, meus preferidos (que despertaram a poesia de alguma forma)

6º De Jundiaí, SP: “Pequenas poesias” (José Matsushita)
8º Do Rio de Janeiro, RJ: “Construção” (Henry James)
11º De Campina Grande, PB: “Preto e Branco” (Josué do Carmo)
19º De Santos, SP: “Hereditária” (Natasha F.)
21º De Riachão do Jacuípe, BA: “Chamado” (Tom Ruiz)
22º De Salvador, BA: “Lírica Berreta”(Augusto da Maia)

E que venham mais surpresas...

Anônimo disse...

Seria muita ousadia minha estar entre os 80, mas acredite seria ótimo poder estar...
Ansiosa demais.

Priscila disse...

"Sobre Tempo e Memória" é sem dúvida um poema lindíssimo, e muito bem "arquitetado"; eu diria um pouco extenso. Para mim, poderia terminar muito antes, e assim evitar a necessidade de rimar ao final, coisa que ao longo do poema não se configura e justamente por isso encanta.

Anônimo disse...

Para o Dante

Descer os degraus da vaidade, bem, isso é para poucos, filho. Poeta que se considera poeta... Eu nunca acreditei num sujeito assim.

Anônimo disse...

Poeta que não é vaidoso não passa de mentiroso.

Anônimo disse...

Esse 19° "Hereditária" é BÁRBARO

Anônimo disse...

Todos os poetas são vaidosos. Se não fossem vaidosos, não seriam poetas.

Anônimo disse...

"Hereditária" é, como disse um amigo meu, um pastiche tolo entre Drummond com Manuel de Barros.

Anônimo disse...

Para o Dante

E quem se considera poeta, não é poeta. O "ser poeta" não lhe compete, filho! Artista que quer ser artista é porque nunca soube o que é isso.

Anônimo disse...

Hereditária, de Natasha F., é um dos poemas mais belos até aqui. Merece destaque entre os escolhidos. A qualidade dos poemas está em crescente, bom sinal. Vamos aguardar os próximos selecionados... E suas surpresas poéticas!

Dante O velho disse...

Vivo de arte há 35 anos, mas me acho uma fraude.

Fernanda Pimentel disse...

Aos chorões de plantão: buáaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa...!

No mais, um viva as muitas pérolas poéticas ditas magistralmente! As poesias aqui escritas com suas muitas intertextualidades exploradas que inspiram e faz bem a vida, e são muitíssimo bem- vindas! Cito aqui os meus prediletos poemas, os meus favoritos que foram “ Sob o Tempo e Memória” - e olha que não é a toa que conseguiu o primeiro lugar com sua formidável intertextualidade em Gullar , perpassando a arte de Dalí, que não ficou de fora!! Belíssimo!!!!!! Alguém percebeu????? Os jurados viram isso e aprovaram! O delicado “ Calçada”, não há só o intertexto, mas uma formidável estrutura e um modo de subverter com a não aceitação da condição de vida e dos aspectos sociais dos meninos de rua do poema de G.Baffô. Magnífico!!!! E, claro,“Arte e Vida Severina!”, não poderia nunca ficar de fora. Parabéns a todos porque mandaram bem pra caramba!.

Anônimo disse...

Para o Dante

Tenho a impressão de que o senhor sempre quis ser artista. Repito: artista que quer ser artista pra mim não é o dito cujo.

Anônimo disse...

O poeta Tom Ruiz classificou esse poema no I conc Autores s/a ( O chamado). Tudo bem, não exigiam ineditismo, mas esse continua sendo o melhor de sua lavra, poeta? Queríamos novidade. quanto aos outros, poemas mto extensos. Gostei de "Duas mulheres que temperavam", pela simplicidade.

Anônimo disse...

horríveis...Todas ate agora poesia, se da vida, emoções historias e ensinamento... A poesia passa vida real, isso que e poesia. CARMÉLIA

Abaixo dos pés de mangabeira

percorria com suas melodias

os frutos que se perdia

a daria vida a mais um dia




Deflagrada pela pobreza

fala versos de riqueza

na alegria ou na tristeza

no fim do dia escrevia poesia




Da janela do céu

Carmélia nua a luz crua

se espelhava nas estrelas

Se cobria com a lua




Refletia, o raio ao teu sorriso

a delicadeza que acalma a alma

molhava-te a tua boca

e matava tua sede




E cantava: Há de me servir, o teu amor ?
esqueceis que há espinho, em uma flor.
quando minhas pétalas caírem me cobriria com teu calor.




No inverno ,gritou ao céu

que deixaste a solidão

para outra estação




Estava ali perdida,

entre as folhas

secas e gravetos

que não a aqueceriam




A lua traz o sol

todas as manhas

e a natureza segue

seu percurso

Anônimo disse...

Vejo contos em exagero e poucas poesias. O que alivia é que dentre as raras poesias, algumas são magníficas. No mais, o concurso parece ter perdido a identidade vista anteriormente(I e II). Ali sim, tínhamos 99% de poesia.

Anônimo disse...

Gostando de ver isso aqui! Poetas são seres competitivos fingindo não ser, brigam feito ratos pelas migalhas parcamente distribuídas por uns e outros. Até "beijinho no lombo" já pintou por aqui. Elucidativo, muito elucidativo.

Emerson disse...

A melhor poesia até agora na minha humilde opinião. "GUARDANAPO" TEXTO PERFEITO

Anônimo disse...

Mas esse concurso não deixa de ser uma competição. Deixa de hipocrisia por favor.

Anônimo disse...

"ROTINA" Alguém pode me dizer o que é isso????

Anônimo disse...

A cada poesia postada, convenço-me que eu não sei o que é poesia...

Anônimo disse...

Acho que esse concurso está abalando a estrutura de muitos poetas. Ninguém sabe mais o que é poesia.

Anônimo disse...

É bem desagradável fazermos uma crítica nada construtiva em público, mas de fato: Rotina????????????

Anônimo disse...

Competição é uma coisa, Sr.(a) Anônimo dos "15:59", já hostilidade é outra. Hipocrisia é o que se tem nas "rodinhas literárias" de vocês.

Anônimo disse...

"Competição é uma coisa, Sr.(a) Anônimo dos "15:59", já hostilidade é outra. Hipocrisia é o que se tem nas "rodinhas literárias" de vocês. "

Ah tá. Não percebi hostilidade nenhuma, devo estar cego, rsrs.

Anônimo disse...

"Guardanapo" é um dos piores poemas que eu li em toda a minha vida.

Anônimo disse...

A escolha de "Rotina" me causa perplexidade também.

Ruffle tem dois efes. Não que isso importe.

Mas há boas escolhas, certamente.

Anônimo disse...

*Ruffles.

Meu poema favorito é o número 5.

Anônimo disse...

ai que nojo do catarro da rotina...

Anônimo disse...

Meu poema fala de amor, e to vendo que vou ficar de fora. Depois da eliminação posto ele aqui :)

Anônimo disse...

o meu fala de decepções com as pessoas e tenho certeza que não vou classificar... :(

Mara disse...

Nossa, gente, pasma... que coisas horríveis que estou lendo... AQUI NOS COMENTÁRIOS!

Sinceramente, também estou concorrendo, ainda não fui classificada e creio que não serei. Mas, pelo nível dos comentários, sobretudo esses últimos, vindo de poetas que ainda estão disputando... sinceramente, é melhor que vocês nem passem mesmo. Não são dignos de passar. Poeta tem que ser exemplo ''dentro e fora da poesia''. Acho uma vergonha. Os poemas estão bons sim. Não gosto de alguns, claro, mas é meu gosto. Nem por isso vou ficar gastando meu tempo metendo o pau nos poetas...

Anônimo disse...

Tb escolhi o numero 5 como o melhor até agora!
Não penso que nós poetas (provavelmente desclassificados) tenhamos que reavaliar a nossa poesia com base nessa seleção.
Não sei quais os critérios aqui, mas é muita modernisse pra pouco (ou nenhum?) lirismo.
Ainda fico com o lirismo, a qualquer custo.

Anônimo disse...

Para a Mara

Ninguém ofendeu ninguém aqui, filha. Quantos aos poemas, tenho todo o direito de falar que são péssimos, e é isso que acho mesmo, não acrescentam nada, os temas são rasos demais, a forma, bem, é mais prosa, e o termo "prosa poética" nunca significou coisíssima nenhuma. Não vi nada que merecesse figurar entre os classificados, sinceramente.

Anônimo disse...

Para a Mara

Eu estou concorrendo, mas não quero ficar entre os classificados, achei o nível horrível, não gostei mesmo, esperava uma coisa completamente diferente, na forma e no fundo.

Anônimo disse...

Gente, precisamos fazer um grupo no face só com os desclassificados para estudarmos juntos e reaprendermos sobre poesia...

Anônimo disse...

O poema "5" é uma porcaria.
Tá na cara que "a autora" busca um devaneio muito longe das possibilidades líricas dela. rsrs

Anônimo disse...

Impressão minha ou o assunto amor ta em falta?

Anônimo disse...

Aí, você que queria um poema de amor... apareceu um, o "40". Bela porcaria.

Anônimo disse...

falaram tnto em poema lírico que meteram um aí da época da minha trisavó um soneto!... prefiro mto mais os outros ainda.

Anônimo disse...

Sorte sua que mão participou. Com essa "amostra grátis", já deu pra sentir o drama... rsss

Anônimo disse...

Só sei que desanima viu! hehehe

Anônimo disse...

O poema que mandei é de amor. Postarei aqui se não tiver sido selecionado.

Dante O velho disse...

Ah! Como gostaria de ser artista/poeta/cantor/ator/compositor/instrumentista ou outra linguagem qualquer...
Alguém pode me ensinar?
Ou melhor, na minha idade acho que não dá mais tempo.

Anônimo disse...

Poema cm erro gramatical? poxa!!!

Anônimo disse...

ufaaaaaaaaaaaaaaaa.... passei pela peneira!!!! vlw!!!!!!!!!!

Anônimo disse...

Tou saindo.nem quero mais saber do resto da classificação. bem decepcionada com um critério de escolha que não entendo ( mas respeito ) boa tarde/noite para todos/todas que se esforçaram por mostrar o seu melhor...
Gostei da ideia de ser criada uma pagina com os poemas dos " rejeitados" ...

Anônimo disse...

Verdade em gente, o q acham da página dos rejeitados??

Anônimo disse...

"De novo o futebol fodendo as vidas sofridas" tenham dó!!!! nada mais poético? mais criativo??? palavrão ouves em cada esquina, em cada boteco... desilusão...

Anônimo disse...

Emocionada e arrepiada com duas que pesquei.
N. 29 - Palavra grávida
N. 42 - João Gilda

Parabéns a todos os poetas e organizadores! Não vejo a hora de ler as próximas criações dos poetas acima.

Lohan Lage Pignone disse...

Caríssimos classificados e não classificados,

Um grupo sobre o III Concurso de Poesia Autores S/A foi criado no Facebook. Digitem III Concurso de Poesia Autores S/A e participem. Lá, debateremos todos os resultados e não há problema em se identificar.

A partir das 21 horas já poderemos debater.

Obrigado!
Lohan

Anônimo disse...

Chegou no 60, e nada deu... :'(

Anônimo disse...

Alguma dúvida de que esse grupo vai dá cagada?

Anônimo disse...

Eu, como leitora e apenas, sem graduação alguma que possa honrar minhas opiniões, me sinto triste. Selecionar 40 poesias realmente boas é uma tarefa árdua, então me pergunto: pra que 80? Sei que ainda não foram postadas todas, mas já passou da metade e a tristeza só aumenta. Poesias com erros grotescos de concordância verbal. Contos, que não são poesias, são contos, ou estou enganada? É triste.

Anônimo disse...

Eu admiro profundamente pessoas que levam tudo na boa e usam as quedas para aprender, mas infelizmente não sou assim, eu sinceramente gosto das minhas poesias, mas nunca as acho perfeitas e depois dessa nunca mais entro em concurso algum, a poesia q mandei é uma das poucas que eu gosto mesmo e que acho até legal, lendo as que classificaram entendo que estou andando por outro caminho e que o que eu escrevo não deve ser poesia, as outras que tenho então, meu Deus... Nem quero analisar...

Anônimo disse...

Gente é sério, estou muito confuso. Observem as temáticas (e a forma de usar a linguagem) dos últimos que estão sendo aprovados. Estou muito confuso. Aguardo conhecer os membros dessa banca.

Anônimo disse...

Eu nem mandei a minha melhor poesia, na verdade enviei uma que considero boa, porem recente. Pelo jeito vou ser eliminado, é uma pena, pois gostaria de participar. Fico triste, porém estou certo de que minha poesia é melhor do que muitas dessas aí.

Nós, poetas, dependemos muito dos concursos, principalmente pela questão financeira. Mas sugiro a todos que publiquem seus livros. Se for pra ser, tenha certeza que gaiola nenhuma segura seu pássaro-poesia :)

Anônimo disse...

Concordo com as postagens anteriores. Não é pedantismo ou excesso de autoconfiança, mas o bom-senso (e o estudo que tenho e dedico à Literatura) me diz que o poema que submeti apresenta características literárias melhores que muitos que estão sendo apresentados até agora. Não é questão de "ser melhor", porque o critério não é de "melhor" ou "pior" (isso é critério subjetivo), é questão de apresentar elementos literários mais consistentes.

Emerson disse...

Estou me identificando sim.. e sabe preciso desabafar,, Por favor senhores jurados me digam qual foi o termo usado para que fossem escolhidas as poesias?
Tenho quase certeza que muitos dos jurados fecharam os olhos apontaram o dedo e disseram "ESSA VAI" Pô tem poesias que mais parecem um conto, e no edital dizia, "POESIA". Tem poesias de nível péssimo entre as primeiras, e entre todas as escolhidas até agora apenas algumas se salvam.
Se fosse pra escrever poesias do tempo da minha trisavó deveriam ter avisado, fica aqui meu sincero comentário, e sabe pelo quesito que voceis utilizam acho que essa ganharia,

SUBI NO PÉ DE LIMA
PRA VER VOCÊ PASSAR
VOCÊ NÃO PASSOU EU DESCI.

Anônimo disse...

Vcs ão uns invejosos.

Se as 80 melhores poesias são ruins pras vcs, então as de vcs, que nem foram classificadas, devem ser piores ainda.

São ruins e invejosos

Emerson disse...

SENHOR ANÔNIMO POR FAVOR NÃO SE FAÇA DE CEGO E DESENTENDIDO, PARA QUEM APRECIA UMA BELA POESIA SABE O QUE ESTOU FALANDO. ESTOU FALANDO DE POESIAS PARA O POVO, NÃO SOMENTE PARA OS INTELECTUAIS, POESIAS COM PALAVRAS INEXPRESSIVAS OU DE DIFÍCIL ENTENDIMENTO DO PÚBLICO GERAL.
POESIAS QUE MAIS PARECEM UM LIVRO DE TÃO EXTENSAS, E NÃO ME VENHA COM ESSA DE INVEJA, PQ JAMAIS TEREI INVEJA DE CERTAS POESIAS CLASSIFICADAS ACIMA E TEM MUITO POETA QUE CONCORDA COMIGO.

Anônimo disse...

concordo com o poeta acima, muito texto pobre de alma, poesia sem espirito.

Anônimo disse...

Essa postagem de nos considerar invejosos foi ofensivo, e deveria ser removida pelo moderador. Ressalto que estamos criticando OS POEMAS e não OS POETAS. Já quem está nos considerando invejosos pelo nosso exercício de crítica, esse sim não entende o que é debater texto e processo seletivo.

Anônimo disse...

Parabéns, Emerson, pela resposta.

Anônimo disse...

a idade dos jurados deve ser as mesmas da qualidade das poesias selecionadas,, 1840 pra lá. colocasse um poeta jovem e veria que teria outros resultados

Emerson disse...

Não fujo da minha responsabilidade quando critico algo ou alguém, jamais iria criticar um poeta, mas sim o modo como estão sendo selecionadas essas poesias.

Anônimo disse...

ESTOU MUITO CURIOSA PRA LER OS REJEITADOS

Emerson disse...

A POESIA QUE MANDEI FOI ESSA, SE ALGUM POETA CONCORDA QUE É BOA DIGA AI, MAS ACEITO CRITICA TBM.

O CANTO DA GAIVOTA

Estava na beira do mar
Ouvindo a gaivota cantar
Ao lado de um pescador
Era um canto diferente
Como se de repente
Fosse um grito de amor

Eu ali desanimado
Com os olhos fechados
Querendo ir mais alem
A gaivota se exibia
Parece que ela sabia
Que eu sofria por alguém

Fui andando mar adentro
Com ela no pensamento
Sem nenhuma explicação
Aquele canto me atraia
Percebi naquele dia
Que eu morria de paixão

Todo dia era um dilema
Por causa daquela morena
Eu morria todo dia
O mar agitado me levava
Sem forças eu nem gritava
Nem chorava, nem sorria

A gaivota que cantava
Dessa vez ela chorava
Entendeu o que acontecia
O pescador nem viu
Aquele momento sombrio
No instante que eu morria.

AUTOR: EMERSON DA SILVA

Anônimo disse...

Saudações a todos,

Ainda faltam oito vagas e portanto, ainda poderei estar entre elas. Todavia, acho que estando classificado ou não, devo parabenizar os que foram selecionados, independente ou não de eu gostar ou não da maioria delas. Todos os que enviaram textos deram de si para todos nós e para o mundo em forma de palavras e merecem nosso respeito.

Anônimo disse...

eu gostei emerson! de verdade! rsrs

Anônimo disse...

Não questionarei a escolha das poesias. Ela é sempre subjetiva demais.

Farei, sim, duas críticas construtivas à organização do concurso:

1- muito ruim essa forma parcial de divulgação do resultado. Prendeu, desnecessariamente, a atenção dos participantes por um dia inteiro.

2- as regras estabelecidas no edital não devem ser alteradas. Se apenas 40 poemas seriam escolhidos, por que dobrar esse número? "Dar mais chances" a quem? Isso afeta a credibilidade do concurso.

Emerson disse...

Um leitor ou poeta anônimo gostou, então já valeu a minha participação. Isso que me dá prazer, pessoas anônimas reconhecer o seu trabalho pq pessoas conceituadas só dão créditos aquilo que lhes convém.

Anônimo disse...

Emerson, seu poema, na minha opinião de pesquisador em literatura, está, no que diz respeito a uso de elementos literários, bem construído, bem desenvolvido. A mim, foi prazeroso ler. E por isso, afirmo que, na minha opinião de crítico, dentre os poemas apresentados até agora, merecia figurar dentre os primeiros classificados. É minha opinião que deixo pra vc.

Anônimo disse...

Esperando os últimos 8, para que possa fechar e citar minha lista de preferidos!

Anônimo disse...

Concordo Anônimo. Poema com rimas legais, métrica, num formato bacana. Leitura simples e boa. Na minha opinião merecia estar na lista.

O meu é mais livre, desregrado, porém eu acho que merecia estar na lista pela sua beleza. Vou postar quando sair o resultado final.

Emerson disse...

Meu sincero obrigado ao crítico acima, nós amantes da boa poesia e rica literatura brasileira apreciamos o que é de fácil entendimento da população geral e não nos privamos apenas aos intelectuais.

Anônimo disse...

Emerson, gostei de verdade, simples e objetiva sem deixar de ser encantadora... Torno a sugerir a todos nós, poetas sem classe (desclassificados) que criemos um grupo ou coisa parecida, quero ler o poema de todos vcs e o q realmente ficou pra trás e tbm gostaria de ler opiniões sobre meu poema neste grupo!!

Anônimo disse...

Repito, vcs são uns invejosos e não estão conseguindo lidar com a frustração. Os poemas escolhidos são de bom nível. Não venham com essa de poesia de espírito, poesia com alma, poesia com coração, blá blablá. Bem se vê que vcs estão ancorados nos lugares comuns sobre o que é poesia. Ninguém aqui está fazendo crítica coisa nenhuma, está somente desabafando sua frustração. Vcs tem um ego muito grande e quando ele se choca com a realidade, vcs tentam se agarrar na imagem do poeta incompreendido. Ego demais, não suportamo fato de que não estão entre os classificados.

Emerson disse...

Façamos sim , e não tenham medo de se identificarem. Críticas tem que ser aceita por todos para o nosso próprio crescimento.

Anônimo disse...

Nossa SENHORA!! Poema falando de poema e poeta não né, chega!! Que mega clichê!

Emerson disse...

Olá senhor ou senhora ignorante anônima que tá citando inveja no seu comentário, posta aqui o seu poema já que parece ser tão bom como vc fala.. daremos nossa humilde opinião e se for bom saberemos reconhecer.

Anônimo disse...

Emerson,poesia não se limita a métricas e rimas. Isso aí que vc disse que deveria ter sido classificado?. As que foram classificadas são bem mais superiores do que a sua. Ficar rimando verbo com verbo e ão com ão ão é coisa fácil, meu querido (E digo isso na minha opinião de pesquisador de literatura)

Emerson disse...

Cadê a sua?

Anônimo disse...

Nossa gente, eu estou aqui apanhando alguns trechos e mandando para alguns amigos lerem... Ninguém está acreditando que fazem parte de poemas classificados.

Anônimo disse...

Só pra constar... 21:04 hs

Anônimo disse...

É tbm mandei pra alguns amigos... a reciproca eh verdadeira, ninguém gostou, vaga-lume. sei...

Anônimo disse...

EU achei o do Emerson bem legal e melhor que muitos dos da lista. Não posso fazer nada, mas é minha opinião.

Anônimo disse...

Eu é que não vou entrar em grupo nenhum pra chorar a morte da bezerra e a desclassificação...

Anônimo disse...

http://globoesporte.globo.com/

Anônimo disse...

Tô falando do grupo do blog tá, pq do sugerido pelo anônimo acima eu concordo...

Anônimo disse...

Emerson, teu show já está ficando deselegante. Aconselho a beber uma cerveja, uma cachaça, relaxar as estribeiras, ou até mesmo um chá de maracujá (das folhas também é bom). Isso é apenas um concurso, não o seu ego sendo crucificado. Se o teu gosto é outro, então faça comentários sem ser arrogante e presunçoso. Respeite os outros escritores. Não precisa ficar instigando as 'comparações' entre poesias classificadas e desclassificadas... são por atitudes assim que a segregação é muito forte no meio artístico. Existem infindos concursos literários por aí, participe.

Anônimo disse...

Todo recurso poético (e a rima é um deles) torna-se relevante em um texto se ele é empregado de forma propositada, para atender ao propósito do poeta. No caso do poema do Emerson, o uso não foi "infantil", pelo contrário, ele usa de forma atribuir um aspecto sonoro justificável pelo conteúdo expresso (o ambiente da natureza, campestre, o diálogo entre o "eu" e a natureza é feito de forma melodiosa, quase um canto). Dessa forma, o recurso da rima (que foi usada de forma razoável, sem excesso) se justifica e se torna esteticamente favorável ao texto.

Anônimo disse...

Vai Corinthians!!

Emerson disse...

Quem quiser visitar meus poemas esse eh o link da minha página no site RECANTO DAS LETRAS

http://www.recantodasletras.com.br/autores/emersonpoeta

Anônimo disse...

Fui eliminado.

O meu era esse, só pra compartilhar:

Andando na vida

Sou como o vento rasteiro que passa e ninguém vê...
Mas acerto o seu olho
- que sorridente olha -
E você até molha.
Mas ninguém vê...

Sou como o orgasmo, sem teto
Sem causos, mas ando ao meu jeito
E quando acerto, apenas agradeço
Ao sorriso que sai de meu rosto.

Se eu estou aqui, dentro de mim
Que eu nada saiba, mas que eu veja a mulata
A morena e a loira.
Só não esqueço do meu amor de verdade
Pois esse me enche de chocolate
E a nossa confiança me enche de vontade
de viver!

A saudade viaja junto, mas quando se cumpre a missão
É olhar pra frente,
E cantar, cantar, cantar!
Ela é minha razão e minha tristeza.
Meu aperto de mão e minha loucura
Mas quando me encaixo nela
Nem Deus alcança minha ventura.

Pra saudade eu vou dar tchau,
Tenho mais coisas pra viver...
Uma coisa é certa, meus senhores:
Há corações que tristemente a gente nunca vai esquecer...

André Foltran disse...

Não gosto do seu poema, Emerson. Na minha opinião, mais de leitor do que de poeta, é de que há muita rima mas pouca poesia. É cliché, de fato. Há também muitos equívocos na contagem métrica, verifique; manter TODO o texto em redondilha maior ajudaria no rítmo.

Um abraço.

alisson camoes disse...

Emerson seu poema e interessante, gosto muito desses estilo de rimas, e foi com isso que escrevi este soneto, que infelizmente nao passou:
Há tempos...

Há tempos busquei a fidelidade
encontrada em requintes da paixão
para então amenizar a saudade
sempre acompanhada da solidão.

Há tempos buscava com esmero
sempre desviar-me do meu destino
para não afogar em desespero
ao apagar dum amor repentino.

Com palavras que o vento sussurrou
me lembro de amores que um dia sonhei
na espera de um sonho que não chegou
me lembro então do amor que lhe gritei
que o meu coração já experimentou
ou fora este outro amor que desejei...

Emerson disse...

Senhor anônimo não estou julgando as poesias, mas sim a forma com que foi classificada, todo poeta tem seu mérito justificável, e me parece vc que saindo do rumo do debate, passar bem

Anônimo disse...

Vc que está pedindo para eu postar minha poesia, já que eu estou tratando da inveja de vcs, saiba que não estou afirmando que meu poema é bom. Só estou tratando dessa atitude de vcs se ficar falando mal da poesia dos outros e pensar que isso é crítica. Vcs não reconhecem, mas estão frustrados, só isso.

Anônimo disse...

Olá. Já consta no blog a classificação total. E o moderador do blog escreveu expressamente em relação aos critérios adotados para seleção: "(...) O QUAL DEPENDE MUITO DO GOSTO E REPERTÓRIO DE CADA JURADO"

1) GOSTO não deve ser critério de um processo seletivo, seja de qualquer natureza.

2) REPERTÓRIO (??). O que é isso? O jurado avalia de acordo com o que já leu ou o que escreve?

Critérios devem ser técnicos e estéticos. Lamento, mas não me sinto frustrado, pelo contrário. Mais estou confiante.

Emerson disse...

Alisson Camoes creio que nós somos mais romancista do que poeta, pq o André Fortran disse que isso não eh poesia.. Mas adorei a sua.. verso envolventes

Emerson disse...

SENHOR ANÔNIMO JA DISSEMOS QUE NÃO ESTAMOS CRITICANDO AS POESIAS MAS SIM A FORMA COM QUE FORAM ESCOLHIDAS. VC TA PASSANDO BEM? TA ENXERGANDO TUDO OQ ESCREVEMOS?

Lohan Lage Pignone disse...

Caríssimos,
Obviamente que existem critérios técnicos a serem seguidos: coerência, intertextualidade, criatividade, etc. No entanto, não abrimos mão da subjetividade de cada jurado.

Afora isso, quando se lê, qualquer texto, evidentemente nos valemos do nosso repertório cultural. Isso é intrínseco ao ser humano, ao ser leitor.

Sucesso a todos!
Lohan

Anônimo disse...

Intertextualidade é critério? Como assim?

gustavo disse...

Pensei que esse certame fosse sério. Quem são esses jurados "gabaritados"... muito lixo e umas três pérolas...

Anônimo disse...

Resultado a conta-gotas é que causou todo esse mal estar...

Parabéns aos que permaneceram.

Anônimo disse...

SUBI NO PÉ DE LIMA
SÓ PRA VER VOCÊ PASSAR
VOCÊ NÃO PASSOU EU DESCI.

GANHEI. KKKKKKKK

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