Ainda sob os efeitos do bombardeamento de textos e imagens relacionados ao tema "AMOR", por conta do Dia dos Namorados que chegaram nos estilos mais variados, entre depoimentos de alegria, micos, frases feitas, citações, cartas de declaração, filmes,canções, presentes ideais e outros nem tanto ( que tal tema e tal data evocam), eis que me vi repentinamente sob a mira debochada daqueles que duvidaram da minha manifestação desiludida de carência e de afeto, quando comentei que só sobrevivi à melancolia e ao complexo de inferioridade por estar só em tal data, quando resolvi aquecer meu coração solitário saboreando colheradas de um prato de cremogema em algum lugar nos idos dos anos 90. Exigiram a prova! Acharam que eu estava fazendo fita ou tentando ser engraçada; que eu estava mentindo! Por isso, antes de postar a prova irrefutável que me foi exigida, quero lhes contar como aconteceu tal "celebração" à base de mingau de milho com canela.
Na época de tal ensejo, eu vivia nos Estados Unidos e dividia um apê com uma brasileira também solitária. Estávamos beirando a fase balzaquiana e totalmente desiludidas por paixões e ficadas efêmeras que nunca nos traziam de volta o príncipe encantado com um dos nossos sapatos de cristal perdidos nos encontros e desencontros da vida. Só apareciam "roubadas". Lá é muito natural, os ditos "blind dates", em que seus " muy amigos" estão sempre querendo ser um Eros para flechar seu coração, quando tentam te encaixar num encontro às cegas, com aquele amigo que eles têm, que também está em busca de achar sua dita alma gêmea; e VOCÊ, que também está sozinha, é SEMPRE o PAR PERFEITO para aquele bofe que eles também querem desencalhar, para não terem mais uma vela ou candelabro ao lado quando saem. Enfim, não posso nem lembrar de quantas gargalhadas eu dei ao assistir minhas amigas com cara de tacho, ao se empetecarem para um jantar à luz de velas com algum gato, que no final era um pato. Eu sempre fui esperta. Me recusava até a morte a ter que passar por isso.
Mas voltando ao que interessa, nossa amiga Mônica (desculpe amiga, já que o fato é real, preferi não te dar um nome fictício) que também estava na busca, nos contou que uma tia lhe disse certa vez, que para aquecer um coração que está frio e solitário, nada melhor do que um prato de mingau, debaixo das cobertas. Você se sente confortado, no colinho da mamãe e dorme com os anjinhos para esquecer...
Eu e a Ira, minha roommate, resolvemos então, no Valentine's Day, que lá é celebrado em 14 de fevereiro e foi um atípico dia de muito frio (morávamos na muy caliente Flórida), celebrar a nossa falta de namorado, "antes só do que mal acompanhado", fazendo um mingau de Cremogema, que compramos numa loja que vendia produtos brasileiros.
Me lembro que era um custo achar coisas relacionadas ao Brasil. E aí, que abriram uma loja que alugava cds e vídeos (ainda estávamos na era do vídeo), com capítulos de novelas e seriados para que pudéssemos assistir. Internet e celular ainda não eram um plus. Resolvemos alugar o seriado "A Muralha", e foi assim que passamos o nosso Valentine's. No final foi tudo tão divertido que decidimos eternizar esta cena com estas fotos. Eis a prova para aqueles que duvidaram da minha idoneidade: voilà!
Viram!
Acreditam agora?
Fiz uma colagem especialmente para o álbum que fiz lá mesmo. E aí, gostaram?
Podem acreditar que funciona. Dormi feito um anjinho depois do mingau.










































