segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Inspiração






A inspiração resolveu me visitar.
Após longa ausência,
chamados,
músicas,
café,
miudezas tristes,
gotas de poesia
e rios de realidade...
ela veio me ver.
Espiar como eu ando indo sem ela.
Observar meus sorrisos vazios
e noites de sono (quase) tranquilo.
Tentar entender como prossegui
semi-vivendo sem ela.
Perguntou pro meu último amor
se eu não o enchi de poesia
ele respondeu que eu nem mencionei que sabia escrever
ou mesmo que tinha uma tatuagem dedicada à ela.
Perguntou aos meus amigos
como era viver com alguém
que carrega aquele olhar vazio,
sem sonhos.
Eles disseram que era suportável,
mas pediram à ela que me resgatasse e trouxesse de volta
o mais rápido possível.
A nobre senhora, então, tentou me encontrar
nas páginas em branco dos cadernos,
no lápis de ponta feita
e nas músicas esquecidas.
Em vão.

A nau da credulidade
e seu companheiro, devaneio
partiram
e me deixaram
à deriva do meu amor.

Inspiração
venha me buscar.

sábado, 9 de outubro de 2010

O complexo de puta recalcada

Pior do que lidar com aquele nerd com o rosto banhado de pus, que não se cansa de levantar o bendito dedo para dirigir uma pergunta imbecil ao seu professor, ou com aquele invejoso que cobiça até o restolho do pó da sua borracha do primário, que se faz vitimado do mundo, o qual não lhe concede dois minutos de descanso; pior do que lidar com indivíduos desse nível patológico, só mesmo a convivência com ela, a famosa puta recalcada.


O complexo de puta recalcada tem crescido nos últimos tempos. Enquanto o papai medieval escolhia, de acordo com os seus interesses, o parceiro que viria a possuir sua filha (possuir é um termo medieval também, eu sei), tudo ia “repressivamente bem”. A modernidade cedeu às mulheres uma enxurrada de direitos, e não estou recriminando isso. Um desses direitos foi fundamental para a mudança social, e talvez nem Durkheim tenha notado isso: o direito de escolha do parceiro.

Só que esse direito abarca uma contradição, considerando um dos discursos feministas: se todo homem é igual, pra que diabos ficar escolhendo a dedo?

As leoas saem à caça para, curiosamente, terminarem caçadas no final. O calo é quando aquela leoa, toda produzida, segura de si, a “fodona”, que se diz pronta para ser enjaulada, não é capturada por nenhum caçador, sequer por um cientista a fim de cobaias para experimentos irregulares. E nesse momento, ela nasce: a puta recalcada.

Ela passa de leoa a atiradora, mas não de elite: essa atira da elite à classe baixa. E quanto mais atira, mais percebe que suas balas se perdem em meio a uma multidão de mulheres bem sucedidas. O que era seu sonho de consumo – o sucesso no relacionamento – passa a ser o alvo de toda sua inveja recôndita, aquela que recalcou ainda quando criança, quando a coleguinha da segunda série recebeu uma cartinha de amor de um moleque qualquer e ela precisou se contentar em ler o exercício de casa que a professora passou.

A puta recalcada, já em seu estágio patológico mais avançado, pode colocar a moral e os bons costumes das pessoas ao seu redor na lata de lixo. Ela já não se importa com ninguém, nem mesmo com ela. Seu corpo já foi mais oferecido do que flores brancas a Iemanjá no Réveillon. A melhor amiga que se cuide nessas horas: eis que ao seu lado está a famosa frenemy.

Para quem não sabe, frenemy (friend + enemy) é um termo bastante usado nos Estados Unidos para designar aquela amiga que demonstra ser um amor de pessoa, mas, no fundo, é a sua maior rival. Ela vai minando a sua felicidade lentamente, enfatizando seus defeitos, utilizando-se de frases aleatórias, como: “nossa, você parece tão tristinha, amiga... Problemas com seu marido? Ah... Eu conheço uns amigos que podem elevar sua auto-estima em dez minutos...”, ou “pra que pensar em casamento agora, você é tão nova, tem tanta vida pela frente” – como se casar fosse sinônimo de morte! Puta recalcada, bem que você desejou isso na sua mocidade, mas não conseguiu. Como é difícil suportar a felicidade alheia, revivendo os sonhos mal fadados do teu passado, não?




A puta recalcada pode se transformar em uma assassina de cidadãos bem reputados. Tente a sorte em rejeitá-la, ou não demonstrar interesse pelas suas “curvas”, ou “olhos divinais”. Primeiro ela vai cogitar a hipótese da homossexualidade do cidadão. Ok. Ela vai tentar de novo. Persistindo a rejeição, pronto. Ela vai afirmar que o cidadão é gay, mas não só para ela, como para todos os seus amigos em comum com o cidadão.

Quando o alvo da puta recalcada começa a se relacionar com outra, então... Proteja-se. Ela não vai se cansar enquanto não destruir o casal. Suas artimanhas são sorrateiras, implícitas... Ela sabe muito bem como arruinar uma relação. Pena, antes soubesse como construir uma; talvez não recalcasse tanto ressentimento do mundo.

Não existe tratamento para esse complexo. Nem Freud descendo à Terra dá jeito mais. A puta recalcada vai ter sempre um poste de carência para descarregar sua raiva de ser rejeitada. Esse é o problema: sempre vai ter um homem preste a comer qualquer coisa.

As putas também amam. Amam as notas que vão acumular em suas bolsas após o serviço. Porém, as putas recalcadas... Ah, essas nunca sentirão o amor, pois, amor para elas, é tudo aquilo que elas mais desejam destruir.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Cats, Rei Leão e outros - Os bichos também cantam!

Bem-vindos, leitores S/A,
ao seu post musical de toda quinta-feira!



Com a intenção de não levá-los a uma conclusão errônea sobre o tema deste que é o meu vigésimo post sobre música, aviso logo que não catei os espécimes para essa coletânea em virtude da última segunda-feira, 04 de outubro (Dia Internacional dos Animais). A proximidade com o dia mundial dos bichos (nem lembrava dessa data) nada tem a ver com as nossas criaturas musicais, tendo tudo sido uma pura e simples coincidência.


No universo dos quadrinhos (mais característico dos cartuns), assim como em todos os gêneros da ficção, acontece – ou pode acontecer – algo fabuloso: é bastante comum e divertida a presença de animais se comunicando semelhante ao Homem, seja somente com gestos e expressões faciais bem marcadas (Pantera Cor de Rosa), só com o pensamento (Garfield), seja falando com outros animais (Rei Leão, Vida de Inseto), ou nos casos em que os bichos se comunicam verbalmente com os humanos também (Manda-Chuva, Pica-Pau, etc.).


Lembro como eu ficava fascinado ouvindo o Burro do Sítio do Pica-Pau Amarelo falar. Curiosidade: a voz era do ator José Mayer. O burro nem abria a boca, em vez disso ficava mastigando e mastigando. Mas os bichos da ficção podem mais; eles podem além de gesticular, pensar e falar, fazer música! É isso aí, bichos que tocam, que dançam, que cantam, animais da ficção, dos desenhos e dos filmes, quantos já não vimos e quantas canções maravilhosas já não foram produzidas para vozes das mais variadas espécies do reino animal.


Ansioso por resgatar algumas das músicas mais divertidas e emocionantes da rica fauna ficcional, preparei uma seleção de grandes momentos protagonizados por eles, os bichos.

Divirtam-se!







Rei Leão


Trilha sonora premiada, canções premiadas, uma delas com o Oscar (Can you feel the love tonight), uma das animações em longa-metragem mais bem-sucedida da história. O Rei Leão é verdadeiramente majestoso e impactante, tanto que o rei das selvas terá o privilégio de duas mostras, a primeira com o pequeno Simba ansioso para ser rei cantando I Just Can't Wait to be King, música escrita por Elton John e Tim Rice. E a segunda, a tétrica Be Prepared, ambas as canções um espetáculo de música e de animação para o cinema.





 


Conhecidíssimo musical de Andrew Lloyd Webber; Cats é sucesso há quase trinta anos, desde a estreia, em 1981. Vide as montagens que estão em cartaz no Rio e em São Paulo.


Memory é a música mais conhecida, cantada pela gata Grizabella, que envelhecida, lamenta por sua beleza e juventude, esvaídas pelo passar dos anos, mas por outro lado encontrando junto com a possibilidade de recordar seus dias de felicidade esperança para o próximo nascer do sol.

São muitos os críticos desfavoráveis à musica de Webber, mas esquivo como um felino urbano, o compositor de grandioso sucesso parece nunca ter se importado com os rosnados da cachorrada crítica, nem com as tamancadas e vassouradas da imprensa pró-Gershwin e Porter (geniais, é claro!). Leitor S/A, tente não sentir pelo menos um calafrio ouvindo e vendo essa interpretação. Mas se não sentir nada emocionante, desculpe, você está morto(a).







Grilo Falante 



Personagem de As aventuras de Pinocchio, de Carlo Collodi, o grilo ganhou projeção no século XX a saltos de gafanhoto ao estrelar no longa-metragem produzido pela Disney, em 1940. No desenho, o bicho canta, dança e dá lição de moral. Na prosa de Collodi ele morre num primeiro momento. E é o próprio Pinóquio que mata o Grilo Falante, com uma martelada.

"Pinóquio levantou-se de um salto e, furioso, pegou sobre um banquinho um martelo de madeira e atirou contra o Grilo Falante..."

Mas aqui no Autores S/A vamos deixar o grilinho viver para ele cantar e dançar.





Mogli




A performance do urso Balu e mais uma canção indicada ao Oscar: Bare Necessities. "Mogli" foi o último desenho produzido por Walt Disney antes de sua morte.



Tarzan





Mais um animal da floresta, mais um filme com a chancela Disney, mais uma música vencedora do Oscar. Composta por Phil Collins, não é que caiu bem na mamãe gorila!



Muppets

Eis um dos personagens infantis mais conhecidos e admirados por várias gerções, inclusiva a minha. O sapo dos Muppets, Caco, (Kermit the Frog) cantando e tocando seu banjo clássico na abertura do filme. Essa canção foi composta por Kenny Ascher e Paul Williams para o filme Os Muppets, de 1979, e foi indicada ao Oscar, mas não ganhou.

O prêmio pode ter ido pro brejo,
mas a canção permanece inspiradora.






A Espada Mágica
(Quest for Camelot)


Desenho pouco visto, trilha sonora pouco comentada, injustamente, mas teve indicações a prêmios importantes, inclusive ao Oscar, porém, a música em que os dragões (também são bichos!) cantores ficou fora dos méritos acadêmicos. Nem por isso é desinteressante.



 

A Arca de Noé


Foi meu primeiro contato com a música. Projeto que girou o mundo, consistiu num pacote programa de TV / álbum da trilha sonora, cujas faixas continham músicas compostas por Toquinho e Vinícius de Moraes, interpretadas por grande nomes da música brasileira tais como Elis Regina e Milton Nascimento. Cada letra se referia a um animal diferente, daí o nome Arca de Noé. Até hoje algumas dessas músicas ecoam e são tocadas e lembradas internacionalmente. Um exemplo: a música "O Pato" é ainda mais popular na Itália do que no Brasil.  




A Pequena Sereia

Under the sea. Premiada com o Oscar de melhor canção, a música interpretada por um lagostim, o engraçado Sebastian (Sebastião) foi escrita por Alan Menken e Howard Ashman, este falecido após a composição da trilha de A Bela e a Fera. Quando todos pensavam que a voz cristalina da sereiazinha seria indicada e venceria o prêmio, um lagostim muito doido arrebatou a academia e o prêmio maior do cinema. Merecido!



Fievel


Há quem não goste, mas a canção desse desenho de grande sucesso, sobretudo de crítica, e produzido por Steven Spielberg é um dueto açucarado, mas bonito pracaramba. A melodia é do premiado compositor de trilhas sonoras James Horner (Titanic, Coração Valente)  Em nosso post os ratos e os gatos têm vez , mas onde estão os cachorros?




Você já foi a Bahia?
(The Three  Caballeros)


No muro onde estudei no meu jardim de infância havia um desses personagens desenhado. O nome: Jardim Escola Panchito, portanto era o galinho mexicano que enchia meus olhos todas as tardes. Aqui, três aves de uma vez só, cantando e dançando! Mais um filme Disney.



Dumbo


Vale a pena ver ou rever essa maravilha de animação, que causa polêmica até hoje, pois revela a alucinação de Dumbo e do ratinho coadjuvante, após uma explícita bebedeira. A depeito das polêmicas a cena é um primor de realização técnica e artísitica. Ich!



Sinto muito ter de silenciar animais tão sensíveis e musicais, mas espero que tenham gostado, e se quiserem comecem a ouvir tudo de novo! Até semana que vem, amigos S/A!

Stop!


Não, peraí, e o Snoopy?!





 
Afinal, um cão não podia faltar.  





 











domingo, 3 de outubro de 2010

Como fazer poesia


Tome em suas mãos
a maior quantidade possível
de clássicos...

...joga tudo pra cima e...

...do jeito que cair,
tá pronto!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Comer, rezar, amar, defecar... E votar

As eleições batem à nossa porta. Ou não seriam os candidatos com posse de suas armas invisíveis que disparam sempre os mesmos projéteis? Projéteis que, ao final de toda a chacina, são recolhidos aqui e ali – quase todos manchados de sangue - prontos para serem reutilizados nas batalhas vindouras.


Projéteis. Não há palavra mais adequada para a ocasião. Projetos reciclados, utópicos: projéteis. Coisa repetida, putrefata, mesquinha. O pejorativo de projeto. Arroto dos homens de barriga cheia e mente vazia. Jornal de anteontem. Piada repetida: e há quem ria de piadas repetidas pela quarta, ou quinta vez.

Aprendam a rir de piadas com aquele tal de Plínio. Nessa vida, tem que se saber não só contar piadas, mas também, rir delas. Hilário é quando se ri do riso sarcástico de alguém, como o de um candidato que não tem nada a perder, tampouco a ganhar. Um fanfarrão da melhor idade. Tivesse alguns porcentos a mais nessas pesquisas restritas, teria aderido aos mesmos discursos dos demais presidenciáveis que já ultrapassaram a barreira dos 2% de intenções de votos. Por falar em piada, o Di Ferrero (quem?) quer ser comediante, minha gente. E eu pensando que ele já fosse. Daqui a uns anos vai dar na telha de ser político, e aí que mora o perigo. Não é, Peixe? Não é, Kiko? Não, Tiririca?

Entre Marina e Serra, há uma grande contradição que assola a relação desses dois. Como a defensora-mor do meio ambiente troca farpas com um candidato tucano? Tucanos estão em extinção; talvez, devido a essas serras que não cessam o desmatamento das nossas matas menos favorecidas...






A Dilma parece ter atirado pedras na cruz. Será que ela apóia a nova comunidade do Orkut, “Jesus devia ter apanhado mais”? Será que ela ouve Restart?

Uma acirrada disputa tem afetado os noticiários ultimamente. Não estou falando do embate entre os presidenciáveis. Refiro-me à disputa de quem tem defecado mais através de seus atos e omissões, pensamentos e palavras. Dado Dolabella ou Dilma Rousseff? O fazendeiro miliotário ou a ovelhinha preferida do rebanho do Lula?


                    




''Vocês dizem não saber o que houve de errado...''

O jeito é comer, rezar, amar, defecar e... Votar. E quem rir por último nessas eleições, rirá melhor. O Plínio que o diga, não?

 

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Aerosmith - Walk This Way!

--

"Gostaria de ser metade tão bom
pela metade do tempo que eles têm sido.”
- Jon Bon Jovi

Bon Jovi e Aerosmith (ao vivo)
--

AUMENTA QUE ISSO É ROCK N' ROLL!!!!!!!!!!!!! 

Um grande logo, desenhado pelo ex-guitarrista do Aerosmith Ray Tabano. Uma música que incorpora a linguagem básica do rock, com o feeling e o drive dos rockers legítimos, mas sem cair na armadilha de se acomodar nas tradições. Um frontman extraordinário, considerado por muitos o maior de todos. Clipes com direção grandiosa e montagens espetaculares (Janie’s Got a Gun está entre os meus preferidos). Uma linha de molhos picantes naturais e em 4 sabores (Rock N’ Roni) lançada por Joe Perry. 



E álbuns clássicos. 


ROCKS (1976)

Obrigatórios na discoteca básica de qualquer amante do Rock N’ Roll, ou seja, uma história com fatos que podem se repetir na biografia de qualquer outra banda, mas sendo Aerosmith, tudo toma um vulto tão especial que os acontecimentos acabam sendo únicos.






A célebre expressão “Sexo, drogas e Rock N’ Roll” não é capaz nem mesmo de resumir a trajetória dessa que é uma das maiores bandas de Rock de todos os tempos.







As últimas notícias sobre o lançamento do 15° álbum  dão conta de um adiamento das gravações. O incidente no qual Steven Tyler caiu do palco depois de um empurrão acidental de Joe Perry, na noite do dia 17 de agosto em Toronto, no Canadá, jogou mais lenha na boataria sobre a crise nas relações entre Perry (guitarrista) e Tyler (vocalista). Como se já não bastassem as toneladas de boatos sobre o fim da banda, aposentadoria de Perry, saída de Tyler, listas de possíveis novos vocalistas e projetos solos dos integrantes, Steven aceitou ser um dos jurados do American Idols, o que teria causado certo mal-estar na banda sobre sua permanência. Há mais de um ano e meio, o site Rock on Line publicava uma notícia sobre o início das gravações do álbum, ainda sem data de lançamento.


“Continuem acreditando, pessoal, haverá um álbum”. 
Tom Hamilton, baixista.




Steven Tyler - vocal









Joe Perry - guitarra solo









Tom Hamilton - baixo











Brad Whitford - guitarra









Joey Kramer - bateria













“Aerosmith é tudo o que o Rock and Roll é; e sempre foi, desde o seu início até os dias de hoje, a banda de Rock ideal.” - Jimmy Page (Led Zeppelin)
--

Aerosmith é a banda de Rock norte-americana mais bem- sucedida da história. Já vendeu mais de 150 milhões de cópias no mundo inteiro. Formada no final dos anos 60, atravessou a década seguinte colecionado êxitos fantásticos, tanto comercial quanto de crítica. Nos anos 70 álbuns como Toys in The Attic (75) e Rocks (76) alçaram a banda ao topo do cenário musical e estabeleceram de imediato seu nome na história da música. Mesmo antes, em 1973, o primeiro álbum (Aerosmith) já trazia grandes canções como Maket it, Dream On e Mama Kin.



A banda continuou nos anos subsequentes a lançar bom material, porém em 1979, durante as gravações do novo álbum, Joe Perry se desliga da banda após uma discussão com Tyler, brigas que, aliás, eram constantes. Night in the Ruts é lançado, mas sem expressão nas vendas.


Só em 1985, Joe Perry volta ao Aerosmith e lança Done With Mirrors, a respeito do qual Perry julga ser o pior álbum da banda: acredito que seu julgamento tenha sido influenciado pelo fato do trabalho ter sido um fracasso comercial, pois as canções são ótimas (assistam ao vídeo abaixo), embora como um todo Done With Mirrors não seja um dos melhores álbuns do Aerosmith.


Música que abre o disco Done With Mirrors, de 1985




Steven Tyler


Já não diria o mesmo sobre o álbum seguinte: Permanent Vacation é uma das melhores produções da banda e responsável por trazê-la de volta às luzes do sucesso. Um mega-sucesso. A faixa título é um primor de gravação e de composição, com um riff genial e um ritmo irresistível. Angel é a belíssima balada que a banda nacional Yahoo ‘coverizou’. Nas rádios por aqui infelizmente só tocava essa versão, e nada da original, infinitamente melhor. Eu só fui saber que era uma canção do Aerosmith quando a MTV entrou no ar colocando na programação o vídeo da música. Ainda do mesmo álbum, Dude Looks Like a Lady, que foi incluída na trilha sonora do filme Mrs. Doubtfire (Uma babá quase perfeita).





Em 1989, a banda lançou o álbum Pump, um dos melhores de Rock que já ouvi. Pump é o auge da retomada, do reencontro com o sucesso, mas dessa vez o reconhecimento é ainda maior. Com Janie’s Got a Gun, a banda vence o primeiro Grammy num total de três. E o sucesso não parou. Em 1993 Get a Grip estabeleceria a banda como uma potência comercial.






Em 1997, o bom álbum Nine Lives é lançado. Em seguida a canção I Don't Want to Miss a Thing rende ao Aerosmith uma indicação ao Oscar de canção original pelo filme Armageddon.



A música pode não ter levado a estatueta, mas em compensação ganhou no Reino Unido um curioso favoritismo, foi eleita a melhor canção para casamento, numa pesquisa feita pela Magic TV.
--
---

Em 2004, lançam Honkin' on Bobo,
um belo álbum de blues.



Steven Tyler foi lembrado por Sharon Osbourne, que selecionou outras estrelas da música (Rod Stewart, Elton John, Andrea Bocelli, Ozzy e sua filha Kelly, etc.) para regravarem a canção "Tears In Heaven", com o intuito de levantar fundos para as vítimas das 'tsunamis' ocorridas no Oceano Índico. Linda versão, lindo vídeo, e grande a iniciativa da Sra. Osbourne; é de arrepiar!

"Contatamos Eric (Clapton) e seus advogados e todos disseram sim na hora”, revelou a sra. Osbourne. “Não poderíamos pensar em uma música mais apropriada”, reiterou.




KISS & AEROSMITH

"(...) o Aerosmith trouxe de volta o sorriso no meu rosto – trouxe de volta o
orgulho pra mim – esses caras nos lembram que ainda HÁ grandeza aí fora…
ainda há uma banda de verdade, e cheia de paixão, e inovação, e coragem, e
toneladas de refinamento também. (...) E pra mim, assistindo, eu vejo todos os
elementos que são raros e maravilhosos, e me orgulho que meu filhos possam
ver isso, e eu não tenha que explicar a eles como é o ROCK DE VERDADE E AO
VIVO Amei cada segundo. A melhor coisa sobre eles é que não se tornaram
'show-biz', não perderam suas raízes. Eles ainda estão andando por essa linha
tênue entre estrutura e improvisação, limpo e distorcido, amor pelo que a
música deles faz, e amor pela própria música, comercial e arte, fogo e água,
terra e ar, luz e sombra. Nunca haverá um grupo de rock mais versátil que o
Aerosmith (na minha humilde opinião)".


Bryan May

(guitarrista do Queen)
-





XIX.
Camillo Landoni