Amigos autores e leitores s/a!
O Autores S/A aproxima-se dos seus dois anos de idade. Está passando por uma fase de mudança; quem sabe, dar uma rejuvenescida?
O Autores já foi negro, marrom, e agora ganha uma nova cara. Caso tenham alguma sugestão, deixem nos comentários, por favor.
Em breve, ótimas novidades para os leitores. Aguardem!
Obrigado,
Autores S/A.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Lábios de castanhola
A diferença entre o primeiro beijo e o último está,
não no sabor dos lábios de quem beijamos todos os dias,
mas na saliva de quem desejamos beijar o tempo todo.
Beleza que da estética seja livre,
que se dissolva na boca a moral
que no ato vela o beijar agora,
não aqui, não assim,
que se consome e namora
a moral dos maior de hoje,
odiosos de beijar o mesmo,
boca de homem na boca de homem
beija-se e daí? Beijo minha boca no espelho
beijo minha boca nas garotas que beijei,
lábios de castanhola, outras beijarei,
se Uma não me for a Única, de cá pra lá
minha boca é saliva de homem-hetero,
mas boca de homem-homo
é a que assim salivar, e beijar
mil bocas sobre a mesma lua
é da moral dos hodiernos,
odioso que se quer com fúria
e dissabor penetrar a faca
no recheio a abrir a torta
saída do forno, pisar na cobertura
lançar tudo na cova do lixo
a dieta que apela a todos:
a dieta que apela a todos:
podem comer, só o da faca não,
e o da faca se vale e mata a torta
se da torta não pode se fazer
homem-homo, íntegro consigo
Não homens,
Um beijo é mais!
que uma língua chupada
que uma batida de dentes,
que uma coleção de hálitos diferentes,
um beijo não se dá com ódio
de si nem dos outros,
um beijo é mole, é fácil,
bonita, feia, genial ou apedeuta
as bocas se bocarão moto-contínuo
Sim, mulheres,
o beijo é o final feliz do amor
XXXV
Inacabado
E esse teu olhar que brilha novamente na fotografia quando mistura-se com minhas lembranças... Caso pudesse, faria tudo novamente. E como poderia eu repetir tudo o que se passou, sabendo que o desfecho não foi feliz? Acontece que não sei o que consertar, não sei quando desandou, não vi onde se perdeu, não entendi o final. Nem sabia que aquele beijo seria o último... Seria? Será? Sobraram as caixas de e-mail repletas de declarações que outrora foram sinceras... Foram? E para onde? Enviadas, recebidas, urgentes, favoritas... Sobraram as fotos. De olhares que antes se procuravam e que agora se escondem, sem graça por não terem entendido a piada, que no fundo, no fundo, era sem graça. Sobraram ainda beijos, antes entregues a todo momento e que agora, sem endereço, enchem minha pasta de rascunhos. Enviar ou cancelar?
“Deseja enviar mensagem sem conteúdo no corpo do texto?”
Não. Desejo enviar minha alma, que como um texto inacabado, agora estranha esse corpo.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
domingo, 10 de abril de 2011
Apaixonada
Guardo comigo lembranças,
telas de um amanhã sem volta,
guardo comigo a rotina e as danças
que giram em torno da memória
Tenho pra mim que depois de você
pra que estar?
pra que amar?
pra que sonhar?
com gente, com mundos a se fazer
com gente, com mundos a se fazer
Volta dança, volta mundo,
volta sentido que nenhum senti
que sentindo nada sem ti
sou morta, morto de amor
incalculado, impreciso,
sem razão, com fígado
e intestino grosso abalado
triturado moído no abate
degolado pelas cordas,
por recordar realidade
Sim, somos jovens!
jovens até a vida
- de perder de vista -
de velho nos pintar,
nos tirar o sonho louco
o improviso do traço
do riso, borrão
de cores-íris, coração
borrado, amado, borrado,
de velho a novo
outra vez e pra sempre...
Apaixonado.
Camillo Landoni
sábado, 9 de abril de 2011
O Estupro
O plantão de Susana terminou às dez da noite. Pegou o 455 pro Méier, sentou-se em um banco individual e tentou pensar na vida. O sono burlou as regras do seu pensamento e ela cochilou, não mais que três minutos. Viu-se aprisionada em uma solidão simbólica: um assento para uma pessoa. Sentiu um calor lhe descer em forma de suor pelas têmporas, não obstante o frio da noite que invadia o ônibus através da brecha da janela de seu assento. Arrancou o jaleco e fitou os olhos “em ontem” até chegar a seu destino.
Do ponto em que desceu em diante, seu trajeto fazia-se escuro de solidão e luz. Uma rua de galpões abandonados nos quais um dia funcionara uma fábrica e depósito de tecidos.
Susana carregava seu jaleco branco num ombro e, no outro, pendurava-se as alças de uma simplória bolsa preta, que contrastava com a brancura de seu traje. Seu andar era descompassado, porém calmo; mais por cansaço do que por segurança.
O prédio em que morava ficava a poucos metros. Antes, passaria rente a um terreno baldio, com um matagal aos fundos. Ali, alguns garotos batiam suas peladas vez ou outra. Susana olhou para os lados, numa prevenção quase que automática. Foi então que à sua frente, na mesma calçada, percebeu um vulto se aproximando, surgindo do breu que ali pesava com mais intensidade. Vinha em sua direção, andando em linha reta. Pela silhueta, ocasionada pela réstia de luz dos holofotes, descobria-se a postura de um homem forte, de cabeça erguida. Susana prendeu a respiração por uns segundos e a soltou vagarosamente, ao passo que seu caminhar diminuía o ritmo. Mudar de calçada seria uma solução desastrada, ia transparecer seu medo. Não podia transparecer seu medo; durante um bom tempo de sua vida estudou modos de injeção de frieza nas veias quando necessário. Além do mais, não evitaria a perseguição, se por ventura aquele indivíduo tivesse a intenção de lhe fazer algum mal. Prosseguiu, sem pestanejar.
O encontro era certo. Sua vida cruzaria a daquele sujeito como jamais imaginasse que fosse. Foi um instante aterrador e catártico no que o homem parou defronte de si, e, mudo, observou sua tensão e ouviu o murmúrio do desejo que seu instinto produzia.
-Por favor, me deixa passar – Ela pediu apenas por questão de formalidade.
Ele talvez tenha esboçado um sorriso. Era um negro mais forte que o breu daquela rua. Respirou sonoramente, como quem carrega um monstro ruidoso na masmorra dos seus pulmões. Ele sabia que aquela era a primeira fala da peça teatral.
Não havendo uma manifestação sequer do homem à sua frente, Susana tomou iniciativa e se desvencilhou, mas logo foi tomada pelo braço. Um puxão forte a colocou de volta em seu lugar.
-Me solta, seu brutamonte! Me deixe ir! Olha, você quer minha bolsa, meu relógio?... Diga logo o que quer, por favor.
-Eu não quero nada disso.
Aquela voz estremeceu a enfermeira, que até então estava aparentemente sob controle. Sentiu mais do que temor. O além ela não soube explicar. Mas sabia que as ondas sonoras daquela voz rouca e grossa penetraram locais recônditos em seu ser.
-O que quer... Então? – Indagou, numa pausa assaz sugestiva.
-Você sabe que eu quero te comer.
Susana arregalou os olhos. A ponderação da voz daquele homem a assustava mais do que qualquer outra circunstância daquela situação.
-Por favor, não faça isso comigo. Eu sou casada, eu... Eu moro logo ali, eu...
-Eu não quero te machucar. Vem comigo e vamos fazer o que tem que ser feito.
-E o que tem que ser feito? Eu não vou fazer isso, chega, cara!
Susana virou as costas e saiu a passos rápidos, retornando para a rua principal. O homem a seguia, não menos veloz. Ela engoliu o nó que se formava em sua garganta e iniciou uma corrida desajeitada. O homem, persistente, não deixou por menos, e logo a alcançou. Uns dois gritos de socorro ficaram ecoando no vazio daquela rua. O terreno baldio agora servia de palco para a violência.
Susana debatia-se, em vão. Com a boca coberta por uma das mãos, e segura pelo outro braço, ela ia sendo arrastada pelo terreno, até às moitas mais discretas. Sua bolsa ficou pelo caminho, assim como seu jaleco.
Ele a deitou na relva molhada pela neblina e destampou sua boca. Susana lhe desferiu uma cusparada bem nas fuças.
-Seu preto nojento, me larga, me deixa!!
Ela tenta mordê-lo, e ele lhe acerta uma bofetada na boca.
-Se for pra gritar, que seja gemido de tesão.
Susana tremia-se de ódio. Indefesa, ela via sua roupa sendo arrancada, peça a peça. Já de sutiã e calcinha, ela trança suas pernas e protege ao máximo o seu maior tesouro...
Entre grunhidos, a luta prosseguia. Os olhos pretos de Susana convulsionaram-se, e a boca carnuda foi a que primeiro cedeu. O beijo teve as línguas mergulhadas nas salivas quentes e os cabelos pretos da mulher foram enrolados ao braço do homem. Enfraquecia-se pouco a pouco, a mulher, por fadiga e prazer. Os seios médios já apresentavam os mamilos enrijecidos, e a pele alva e suada permitia que as mãos negras deslizassem com facilidade até os contornos mais íntimos; a calcinha foi rasgada, em meio àquele selvagem confronto, e as virilhas já haviam sido tocadas a essa altura.
Já com os corpos nus, primeiro ele penetrou um e dois dedos já além das virilhas... A outra mão ele levou à boca da mulher, que, por sua vez, engoliu um de seus dedos grossos e áspero com uma voracidade de quem enche a boca da carne mais suculenta de um churrasco no campo dos famigerados.
De súbito, ela é tomada por uma revolta, e chuta o estômago do homem, que não se abate e a toma fortemente, agarrando-a pelos quadris. Ouvia-se só respiração ofegante: um roncar de motor que parecia brotar do âmago daquele homem, e um gemido quase inaudível, como que não se pudesse denunciar o prazer despertado, a mordida da maçã que desencadeia todo o pecado existente.
Agora, sem mais, ele a penetra com força. Ela aumenta a sonoridade da sua melodia concupiscente, e agora já se ouve também a colisão dos testículos no inferior vaginal da mulher, e as coxas grossas se apertam contra o abdômen musculoso daquele negro que a sufocava de um prazer inenarrável. Era forte e veloz, era uma espécie de máquina desbravando um território que até então não tinha sido alcançado; uma máquina de centímetros avantajados, que ia de encontro a todos os pontos alfabéticos de seu interior.
Susana agora já gritava. As pernas se arreganham ao extremo: é a plena aceitação de uma mulher.
Nunca sentiu tão rascante um esperma. Parecia conter estilhaços de vidro. Ele emitiu um som animalesco e afastou-se daquela mulher totalmente entregue e repleta de sêmen na vagina. Susana ficou durante uma eternidade de segundos fitando o céu que não se podia dizer estrelado, mas reluzia em pontos distantes um do outro. Estava sorrindo e nem sabia. Era talvez um sentimento desconhecido, ou que estava inacabado. Agora, completo em seu ser, ela podia nomeá-lo: vida.
-Vai me matar agora?...
-Eu devia, mas não vou. Tu é uma vadia filha da puta.
Aquele foi o maior elogio que Susana já ouvira.
-Qual o teu nome, garanhão?
Vestindo a camisa, o negro responde:
-Já te dei o principal. Meu nome não importa. Se abrir essa boca, eu não vou ter dificuldade de te achar te enforcar. Ta me ouvindo?
-Fica tranqüilo. Eu vou retribuir o prazer que você me deu com o meu silêncio. Meu mais perfeito silêncio – Disse, lasciva, levando o dedo indicador aos lábios.
-É casada porra nenhuma, é?
-Não viu minha aliança? – Disse, balançando o dedo reluzente.
-O anel que vale não é esse.
-Safado... – Riu-se, como uma prostituta de alto escalão.
-Vaza daqui.
Após o ordenado, o preto saiu terreno afora. Susana ficou ali estendida no chão por mais algum tempo, sentindo a aragem noturna lhe impregnar um cheiro mais puro. Precisava chegar a casa sem os odores do sexo.
Em estado de graça, ela retornou ao lar. O marido lá esperava, já pegando no sono, no sofá da sala. Trabalhava feito um cão durante o dia, e já a noite, mal recebia a mulher com quem estava recém casado. Foi um casamento tão ansiado por ambos, e agora se via naufragado na rotina dos motores da sobrevivência.
Nunes era professor de escola primária, e visitava a mãe cancerosa diariamente. Tinha dias que pernoitava na casa materna, por compaixão ou saudosismo, sabe-se lá. Susana temia o arrependimento ao reclamar uma situação tão delicada; era enfermeira, sabia bem como sofria um paciente com câncer. Mas ela também desenvolvia um câncer: o tumor da resignação. Este a secava, dia a dia, e lhe tirava o prazer do riso, para não contar os mais peculiares de um casal. Calava-se, e morria-se. Nunes um dia lhe foi um presente, hoje já tão pouco presente. Mal notou a diferença no comportamento da mulher.
Nas noites noturnas que se sucedeu após o estupro, Susana chegava à conclusão de que sempre desejou ser estuprada, mas que seus valores sempre tolhiam essa aventura sexual. Aliás, ela concluiu que toda mulher um dia sonha em ser estuprada, nem que fosse por curiosidade. De preferência, por um negro. Eles eram, inegavelmente, maiores. Em todos os sentidos. E isso, naquele momento, muito importava para a enfermeira desvirtuada. Seus vazios não poderiam ser preenchidos tão superficialmente... Queria o máximo, a explosão da alma e do gozo. Susana beirava o riso abobado ao ter com esses pensamentos libidinosos, ou melhor seria, sacanas.
Nesses dias, em seu trajeto, ela olhava bastante para os lados e chegava a parar, entristecida, à espera da aparição assombrosa daquele homenzarrão. Andava em círculos pelo terreno baldio, feito louca de pedra. Voltava ao local do coito, e chegava a debulhar a relva nas mãos e apertá-la contra as narinas. O cheiro ali contido parecia transferi-la etereamente para sobre o corpo daquele homem, e nele cavalgar feito uma amazona bem treinada.
Seus desvarios prolongavam-se por noites. Criou-se ali uma espécie de dependência, um vínculo absurdo com o estuprador. Certo dia demorou-se chegar a casa, e, ao chegar, foi questionada pelo Nunes, que a essa altura, apesar de sua visível palermice, já havia notado fumaça no ar.
-Tem dia que você tem chegado mais tarde, o que ta acontecendo?
-Sempre me aparece mais trabalho perto do fim do plantão, amor. É difícil, tenho que permanecer mais um tempo...
-Teve um dia que cheguei em casa já era altas horas e você me diz que tinha ido tomar um ar, nessa rua perigosa!
-Não posso? Eu não tenho medo, Nunes. Eu tenho vontades.
-Vontades... Vontade de que, posso saber?
-De muitas coisas que ultimamente não estão sendo plenamente saciadas por você, por exemplo.
Ela lhe vira as costas e segue para o banheiro. Tranca a porta na cara do Nunes. Ele, feito babaca, fica ali a ouvir o chiado do chuveiro do banho de sua bela esposa.
-Então você não me ama mais, é isso? Fala comigo, Susana!
Sob a água fervente do chuveiro, Susana cantarolava baixinho, indiferente às indagações do marido. Quando saiu, enrolada à toalha, ele a agarra pelos braços e diz:
-O que ta acontecendo, me diz. Eu não te satisfaço mais na cama, é isso?
-Eu te amo, meu amor. O amor é que importa, certo?
Sonsa como ela só, segue pro quarto. O Nunes nada entende. E, enganado assim, ele permaneceria por um bom tempo. Susana já começava a perguntar pelo paradeiro de um homem negro e forte pelas redondezas. Nenhum sinal. Até que certo dia, após uma discussão com Nunes, ela vai de camisola até o terreno baldio e, lá estando, percebe que pela calçada alguém se aproximava dali.
-É você? Apareça!
Amargurada, Susana se senta no chão, e chora. Então ele surge, do breu, e caminha até ela. Ela abre um sorriso e rapidamente seca as lágrimas, erguendo-se.
-Eu sabia que você não ia me abandonar.
O homem segurou sua mão e a conduziu para a mesma moita.
Com as pernas bem abertas, ela permite que ele faça o serviço. Descontrolada, roga para que ele vá mais fundo. Grita como nunca, e recebe tapas na cara como admoestação. Não demorou muito e chegou ao orgasmo... Abriu os olhos e mirou o céu, todo escuro. As estrelas estavam em seu olhar, dispersas. Sentiu um líquido escorrer pelas coxas, e manchar o capim. Levantou a mão de unhas pontiagudas e notou que estava molhada de um líquido viscoso, misturado a um vermelho que era sangue.
Espantada, ela se levanta, e se percebe nua. Os seios arranhados, as faces ardendo, e de sua genital um filete de sangue fazia caminho em sua perna.
-Cadê você?!... Volta!...
Em desvario, Susana sai daquele local, e ainda nua, corre pelo terreno baldio, com uma das mãos contendo o sangue que esvaía do sexo.
Nunes vai ter com a mulher naquele estado. Logo depois da saída da mulher, ele decidiu ir procurá-la pela rua. E ao que encontra...
-Susana!
A enfermeira cai de joelhos. O marido corre até ela, e a abraça.
-Sua roupa, cadê sua roupa!? Que diabo de sangue é esse, meu amor? Vai, fala! – Indagava, transtornado.
Susana olhou para o negrume do céu, abriu um sorriso quase imperceptível e, docemente, respondeu ao marido, sem tirar os olhos do negro que esteve sobre si:
-Amor... Eu fui estuprada.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Ozzy e Randy Rhoads, e esqueçam o morcego!
Devido a uma polêmica gerada no facebook, decidi na última hora alterar o tema do post de hoje, precipitando uma escolha temática que na certa era futura.
De tudo o que se possa dizer sobre John Michael Osbourne o mais sóbrio é que há muito o que contar sobre sua carreira, tanto que é inconcebível esgotar o assunto num único livro, ou em quarenta. Até aí nada que o torne tão especial, uma vez que não se trata do único grande realizador da história do RocK N' Roll, porém, poucos souberam como Ozzy produzir e ser protagonista por tanto tempo da história do Rock N' Roll moderno, atualizando-se sempre, mas nunca se desfigurando por esses comercialismos desviados. Mesmo nas fases mais empresariais Osbourne nunca deixou de ser Ozzy, ao contrário, compunha com o mesmo vigor e na companhia das melhores bandas.
Ozzy e Slash
Falar sobre Ozzy para um público irrestrito é um desafio na justa medida, assim como foi escrever sobre Ronnie James Dio, ou como seria tecer comentários a respeito de Paganini.
Consta da minha infância mais remota uma história que guardo comigo como nenhuma outra, e narrada por meus pais. Era um instante de ruidosa agitação para mim e minha mãe (segundo a qual estava eu em seus braços), mas para o meu pai eu estava no colo dele. Fosse no colo de um ou de outro eu chorava, me contorcia; meu desejo, um indecifrável mistério. Mas o segredo descoberto pela fantástica intuição de minha mãe calou minha angústia, me fez dormir em seus braços, bebê Camillo agora sereno, entorpecido por uma cantilena vigorosa, embalado pelos riffs sensacionais do titio Tony, pela musicalidade consistente, inventiva e marcante dos tios Bill e Butler. A banda: Black Sabbath. O álbum, Sabbath Bloody Sabbath, de 1973. As músicas: Sabbath Bloody Sabbath, A National Acrobat e Fluff, minha cantiga de ninar oficial.
A pergunta é: existe algum parâmetro para a voz de Ozzy? Não me refiro à voz atual, mas a da sua juventude e maturidade. Que potência, que timbre único!
Já ouvi muitos vocalistas conseguirem se aproximar do timbre de Jim Morrinson, Elvis, Dio, mas do Ozzy nunca, jamais nenhum outro vocalista nem tentou, tamanha é a personalidade desse britânico endiabrado. O episódio do morcego teria ocorrido durante a turnê do álbum Diary of a Madman, de 1982, quando algum fã lançou ao palco o tal bichinho. Ozzy nunca reagiu bem a substâncias químicas como álccol, por exemplo, o que lembra Stevenson e seus personagens Dr. Jekill e Mr. Hide. Sob o efeito de drogas Ozzy é o monstro e por isso pegou o morcego no palco e o colocou na boca. Destino: o hospital mais próximo. Esse evento se popularizou até se tornar uma lenda, assim como o próprio Ozzy, com a diferença de que este já era uma, portanto, não precisaria de nenhum acontecimento bizarro para se promover; estava no auge de sua carreira solo, já há muito consagrado por uma década de música e revolução musical no Black Sabbath. Esse tornar-se popular me soa sempre estranho para um músico que circula nos backstages do Heavy Metal.
O Metal é o gênero mais popular do mundo, e ao mesmo tempo é como Pixinguinha, Strauss, Lehar, Bizet, Mozart, Beethoven, Vivaldi, Rossini e Suppé, é música para muitos, mas que a mídia comprometida com o discurso de uma elite de velhos decrépitos insiste em não dizê-lo e diz que é para poucos. Não me espanta quando Ozzy afirma que não assistiu nenhum episódio do reality show do qual ele foi o protagonista. Imagina!
Essa foi a primeira música que ouvi no colo de minha mãe. Desde então, o riff fabuloso da introdução, um dos melhores de todos os tempos e a voz de Ozzy jamais abandonariam minha mente.
Já ouvi muitos vocalistas conseguirem se aproximar do timbre de Jim Morrinson, Elvis, Dio, mas do Ozzy nunca, jamais nenhum outro vocalista nem tentou, tamanha é a personalidade desse britânico endiabrado. O episódio do morcego teria ocorrido durante a turnê do álbum Diary of a Madman, de 1982, quando algum fã lançou ao palco o tal bichinho. Ozzy nunca reagiu bem a substâncias químicas como álccol, por exemplo, o que lembra Stevenson e seus personagens Dr. Jekill e Mr. Hide. Sob o efeito de drogas Ozzy é o monstro e por isso pegou o morcego no palco e o colocou na boca. Destino: o hospital mais próximo. Esse evento se popularizou até se tornar uma lenda, assim como o próprio Ozzy, com a diferença de que este já era uma, portanto, não precisaria de nenhum acontecimento bizarro para se promover; estava no auge de sua carreira solo, já há muito consagrado por uma década de música e revolução musical no Black Sabbath. Esse tornar-se popular me soa sempre estranho para um músico que circula nos backstages do Heavy Metal.
Ronnie James Dio e Ozzy
O Metal é o gênero mais popular do mundo, e ao mesmo tempo é como Pixinguinha, Strauss, Lehar, Bizet, Mozart, Beethoven, Vivaldi, Rossini e Suppé, é música para muitos, mas que a mídia comprometida com o discurso de uma elite de velhos decrépitos insiste em não dizê-lo e diz que é para poucos. Não me espanta quando Ozzy afirma que não assistiu nenhum episódio do reality show do qual ele foi o protagonista. Imagina!
Em 1980, no seu primeiro álbum solo já cantava sua impaciência com assuntos longos, ou sem objetividade:
"People look to me and say(...)
Asking me who is right,
Asking me who to follow,
Don't ask me,
I don't know! "
Tradução:
"As pessoas olham para mim e dizem(...)
Tem de acreditar em alguém,
Me perguntando quem está certo,
Me perguntando quem seguir,
Mas não me pergunte,
Eu não sei!"
"Don't tell me stories"
(...)
"I don't wanna change the world
I don't want the world to change me"
Final dos anos 70. Ozzy se sentia muito inseguro com o rumo de sua carreira, afinal tantos álbuns depois, e tanto sucesso até deixar (ou ser deixado) o Black Sabbath, que encontraria em Ronnie James Dio o substituto à altura. Mas e o que aconteceria dali para frente, sozinho?
Reparem amigos autorizados na expressão do Ozzy, ao final do vídeo, como que não acreditando ele observa sua banda de queixo caído: "Por Deus, é verdade mesmo, essa banda magnífica é minha?"
Não posso deixar de mencionar: neste vídeo o sensacional baterista é Tommy Aldridge, que já tocou em muitas bandas fundamentais, como Gary Moore, Thin Lizzy e Whitesnake.
Randy Rhoads era o guitarrista de uma banda que se consagraria no cenário hard rock: Quiet Riot. Foi então muito disputado, tamanho era o seu talento. No fim Ozzy venceu a disputa e ficou com Rhoads.
Estavam postos em cena os protagonistas de uma história de enorme alegria e profunda tristeza, a história mais feliz e ao mesmo tempo a mais triste da carreira do Ozzy, acredito eu.
Randy Rhoads
O primeiro álbum solo, Blizzard of Ozz, foi lançado com uma sequência de músicas que se tornaram clássicos imediatos:
I Don't Know, Crazy Train (solo maravilhoso), Suicide Solution, Mr. Crowley (um dos solos de guitarra mais bonitos da história), e Goodbye to Romance, música que dá a dimensão da amizade entre Ozzy e Rhoads. Aquele cantarolava uma melodia, quando o jovem, porém exímio guitarrista lhe perguntou de quem era. Ozzy, inseguro e hesitante não disse, desconversou. Randy Rhoads insistiu até ouvir o amigo confessar que a canção era dele próprio. Randy insistiu para que gravassem a música. Foi o que aconteceu. Gesto de confiança que iluminou o futuro de Osbourne, unindo os dois amigos para sempre.
Rhoads revelou numa entrevista que se dedicaria à música clássica, mas não deu.
I Don't Know, Crazy Train (solo maravilhoso), Suicide Solution, Mr. Crowley (um dos solos de guitarra mais bonitos da história), e Goodbye to Romance, música que dá a dimensão da amizade entre Ozzy e Rhoads. Aquele cantarolava uma melodia, quando o jovem, porém exímio guitarrista lhe perguntou de quem era. Ozzy, inseguro e hesitante não disse, desconversou. Randy Rhoads insistiu até ouvir o amigo confessar que a canção era dele próprio. Randy insistiu para que gravassem a música. Foi o que aconteceu. Gesto de confiança que iluminou o futuro de Osbourne, unindo os dois amigos para sempre.
Rhoads revelou numa entrevista que se dedicaria à música clássica, mas não deu.
Ozzy
Randy Rhoads morreria aos 26 anos num trágico acidente de avião, em 19 de março de 1982. Com uma perda tão estúpida, tão prematura, de um jovem tão genial, seu grande amigo, Ozzy entrou em profunda depressão.
Ozzy e Randy Rhoads
Em 1986 foi lançado um belíssimo álbum ao vivo em tributo à Randy Rhoads com performances irretocáveis do gênio. O que dizer da lírica Dee?
Mas Osbourne, como se esperava, fez jus ao espírito Rock n' Roll, superando sua tristeza, o terrível luto, e seguindo em frente. Lançou o maravilhoso Bark at the Moon, em 1984, assumindo a guitarra, tanto a base quanto a solo o espetacular Jake E. Lee. Aos cinco anos eu me lembro que procurei o vinil do meu pai, Sabbath Bloody Sabbath; desde que o ouvi no colo de minha mãe jamais deixei de escutá-lo, porém, meu pai havia perdido, resultado, fiquei três anos sem ouvir o vinil do Sabbath. No ano em que eu completei oito anos de idade tivemos o primeiro e incomparável Rock in Rio, trazendo Ozzy como uma das atrações. Como não pude ir, pedi meu pai de presente a fita cassete do festival e lá tinha a música Bark at the Moon.
Foi a primeira vez que ouvi a carreira solo do Ozzy, mas ainda não sabia nada sobre bandas de Rock, e não me lembrava do Black Sabbath; até ouvir essa música do Ozzy. A voz dele ecoou na minha mente e eu passei um bom tempo achando que aquela era a música que tinha ouvido no colo da minha mãe. Mais tarde descobri que se tratava do mesmo vocalista, mas em outra banda, portanto, de maneira incrível havia emergido do meu subconsciente a lembrança remota do Black Sabbath unicamente pela voz marcante de Ozzy Osbourne.
É absurdo o que essa banda faz nesse show, Ozzy está no seu auge, e Jake E. lee então, de um talento, um 'drive' de tirar o fôlego, disciplina musical, e uma modernidade indestrutível.
Ozzy em Bark at the Moon
Em 1986, Jake E. Lee permanece na banda, na fase mais glam do Ozzy, lançando o ótimo The Ultimate Sin, sobretudo por Jake E. Lee, com seus solos e bases memoráveis.
Jake E. Lee tocando uma barbaridade!!!
Que música linda!!!!!!!!!
(admitam detratores do grande 'Madman'!)
Em 1988 o álbum No Rest for the Wicked sai nas lojas trazendo Zakk Wilde nas guitarras e Geeze Butler, (superbaixista!) do Black Sabbath, de volta a gravar com Ozzy.
Ozzy e Zakk Wilde
Com os riffs potentes e precisos de Wilde, o álbum é um sucesso, antecendo um êxito ainda maior, o de No More Tears, que abre uma nova fase na carreira do Ozzy, principalmente visual, quando ele adota os óculos redondos.
E do No More Tears em diante a carreira do "Madman" Osbourne continuou, nem tão brilhante, é verdade, porém, a aparição de um jovenzinho japonês foi para mim no mínimo emocionante. Ninguém antes dele havia conseguido tocar aproximando-se do espírito, da pegada e da sensibilidade de Randy Rhoads.
Os solos ainda que tocados com as mesmas notas jamais transmitiam a mesma emoção, nem parecida. É como cantar as últimas notas de Nessun Dorma; é para muito poucos, como Placido Domingo, que conseguiu dar a elas a amplitude correta e a emoção justa. Quase 30 anos depois da morte de Rhoads surge um menino que executa o que nenhum grande guitarrista conseguiu até hoje, tocar com o mesmo espírito do legendário guitarrista, o primeiro de Ozzy Osbourne, o primeiro de todos os guitarristas modernos.
A musicalidade de Randy Rhoads renasce através dos dedos mágicos de Yuto Miyasawa e acena para um grande futuro do Rock, mais digno e reluzente.
Os solos ainda que tocados com as mesmas notas jamais transmitiam a mesma emoção, nem parecida. É como cantar as últimas notas de Nessun Dorma; é para muito poucos, como Placido Domingo, que conseguiu dar a elas a amplitude correta e a emoção justa. Quase 30 anos depois da morte de Rhoads surge um menino que executa o que nenhum grande guitarrista conseguiu até hoje, tocar com o mesmo espírito do legendário guitarrista, o primeiro de Ozzy Osbourne, o primeiro de todos os guitarristas modernos.
Até semana que vem...
XXXIV
Deixo meus queridos leitores com essa pequena pérola, Dee, composta e executada por Randy Rhoads.
Assinar:
Postagens (Atom)





















