sábado, 18 de julho de 2009

Amor correspondido


Quão grande é a amargura de amar
Quão grande é a delícia de amar
Como deve ser bom não precisar amar
E sim deixar- se ser amada



Ser amada indescritivelmente
Viver na volúpia do amor e do desejo
Ser desejada intensamente
Esse é meu maior desejo

A todo instante poder ficar
Somente a lembrar
Dos bons momentos
Que passamos juntos

Quando nossos corpos eram apenas um
Em delirante amor
E quentes como chamas em brasa
Do mais forte fogo

Meu coração dispara de alegria e amor
No momento em que
Dos seus doces e lindos lábios
Com a maciez e denguice de sua voz
Ouço dizer espontaneamente
Que me ama

Nesse momento vou ao céu
Vou à lua, às estrelas
Queria em todo tempo
De minha existência
Ouvir em repetidas vezes
Que me amas

sexta-feira, 17 de julho de 2009

A Limpeza no Coração


É, enfim chegou a sexta-feira, dia de colocar minha postagem no blog. Passei a semana com certa expectativa, pensando no que escreveria. Não sou de colocar “coisas prontas”, gosto de sentir o que vem por aí, captar a energia do que vou escrever para que tenha um resultado positivo em quem lê.


Pensei em falar da crise econômica, da situação de nosso senado, ou mesmo na festa que fizeram em torno da morte de Michael Jackson. Pensei em falar da incoerência da televisão e da crescente violência no Rio de Janeiro, mas, na verdade, não estava sentindo no coração a necessidade de falar desses assuntos, então deixei o sentimento tomar a frente da intelectualidade e resolvi falar da vida, das relações cotidianas e quem sabe num jeito para sermos mais felizes.

Hoje em dia nesse mundo tão veloz que estamos, onde temos de tomar várias decisões e resolver tantas situações ao mesmo tempo, cada vez menos temos tempo para pensarmos em nós, mergulharmos numa viagem ao nosso interior para sabermos um pouco mais de nós mesmos, como estamos nos posicionando perante a vida, perante o nosso semelhante. Precisamos encontrar tempo em nossas vidas para examinarmos nossas atitudes, para avaliarmos se estamos plantando boas sementes nos corações das pessoas com nossas atitudes e com nossas palavras. Com este exame podemos ver como anda o nosso coração, se ele está tranqüilo, leve ou se está machucado, carregando o peso das mágoas, que mesmo sem sabermos é sujeito a guardarmos em nosso peito.

É importante que tenhamos a preocupação de mantermos nosso coração limpo, pois a mágoa é um sentimento que não nos faz bem, por isso não deve estar presente em nosso ser.
A mágoa funciona como uma “âncora” na vida das pessoas, atrapalhando nossa caminhada, nos prendendo e impossibilitando que andemos para frente. Muitas vezes uma pessoa tem um desentendimento com outra pessoa e mesmo brigando, xingando, ofendendo e sendo ofendida, não resolve dentro de si. Guarda aquele sentimento ruim as vezes até por anos e anos, plantando e nutrindo aquela semente que já não era boa com pensamentos negativos, fazendo com que aquilo cresça e se torne um peso na própria vida. Convivendo com as pessoas temos de ter muito cuidado com as palavras, pois uma palavra proferida sem pensar pode ferir mais do que uma lança e só quem sabe o tamanho da dor é quem recebe e que infelizmente na maioria das vezes guarda pra si atravancando a própria vida.

Quando falo em limpeza do coração, pode soar até engraçado, mas uso esta metáfora, para de uma forma bem didática dizer que não devemos guardar rancores, pois limpando as mágoas que estão lá dentro de nosso interior e as colocando pra fora, nos livramos de um grande peso e também abrimos espaço para a entrada de sentimentos bons, como o amor, a amizade e a fraternidade. Quem lê essas palavras pode e deve pensar: "Mas, como fazer?" Como resolver situações difíceis, às vezes guardadas lá no cantinho a sete chaves, que a pessoa se arrepia só de ouvir falar em ter de mexer naquilo? Posso dizer que não existe fórmula mágica, receita pronta igual a de bolo. O que existe é trabalho, é arregaçar as mangas com disposição para ir à luta num trabalho muitas vezes difícil, que requer desprendimento, para admitir que em muitas situações podemos estar errados e temos de “literalmente” dar o “braço a torcer”. Temos de procurar as pessoas para resolver os problemas, mas este resolver é com amor, com justiça, com respeito e sinceridade. Com o pensamento ligado em Deus, pelo bem comum.

Tudo que queremos dizer, pode ser dito, devemos ter sabedoria para saber como dizer o que precisa ser dito. Quando decidimos fazer este trabalho conosco, nos deparamos e vivenciamos as situações do passado que nos fazem sofrer, chorar. Ao chorar, podemos sentir junto com a lágrima que escorre no rosto, que aquela água de gosto salgado está lavando nossa alma e nosso coração, colocando pra fora o que não presta para nossa evolução e nos mostrando naqueles momentos tão íntimos que devemos buscar sempre ter mais humildade para lutar pelo nosso próprio bem. Para que possamos nos livrar das amarras que prendem nossas vidas, precisamos também de coragem para deixarmos de lado o orgulho que nos impede de reconhecer o lado bom que cada ser humano tem.

Quando conseguimos vencer nossos próprios limites e fazemos essa verdadeira faxina dentro de nós, podemos ver o quanto é bom resgatarmos uma amizade. Assim aprendemos a falar o que precisamos falar, com sinceridade e respeito e vamos construindo nossas vidas com firmeza e tranqüilidade. Com um coração mais leve para termos em nossa caminhada uma colheita de flores, com mais paz interior e alegria, pois aprendemos também que além de apenas sobreviver, temos o direito de viver.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Dieta Ortomolecular


Já quis me enquadrar naquela moldura
Mas o tamanho da barriga não permitiu.
Tentei me espremer no vestido sereia
Mas no GG daquela marca
Só cabe a coxa da Débora Secco.
E eu? Por que não seco ?


Um copo de água sacia a sede dos outros
Mas a minha sede só se satisfaz com gás.
Uma fruta aplaca a fome de muitos
Mas a mim, só faz querer comer mais.
Enxergo poesia em tudo
E sinto que o que me falta é uma jóia;
já que não cabe no dedo,
que tal o anel no estômago?
vou então afinar feito folha de seda
Pipa que voa com o primeiro vento.
Vou sobreviver de corujinhas
e achar delicioso saborear
uma fatia de pepino com alcaparras ao molho blazé.
Só pra ter o gosto de ser
mais uma mulher pirulito = cabeção e palito.
Très chic!
A mídia vai me amar;
meu currículo " paçará naquela celessão";
que o que importa é a casca da laranja.
Entrarei para o ranking das frutas -
a mulher....Arr! Não tem fruta magra!
Todas são redondas.
A não ser que eu apele pro silicone sem rampas.
Mas agora, se for um legume, virá genérico.
Todas são jiló - magras por fora
e amargas por dentro.
Não dá pra ser perfeito
sem artifícios e sem sofrimento.
Grande consolo....
Adoçante que não adoça;
vinagre pra azedar a comida;
alface sem molho...tenha dó!
Por isso, antes de iniciar a dieta
Quero mais um Ferrero Rocher
Saborear cada mordida
como a mais perfeita promessa
de encontrar o Nirvana
aqui mesmo na Terra.
Tudo que é proibido é mais gostoso.
E a cada bombom que consumo
Minhas células adiposas
se rejubilam e batem palminha
E a seratonina invade todo o meu ser
carente de bem estar bem.
Ópio de todos os sentidos de recompensa.
Yummmmmmmm...........

Só me resta então uma saída -
Espantar a gula e perder a fome
Com a única e fiel amiga,
a tarja preta.
Me posiciono em flor de Lótus
OM....OM....OM....
A meditação indiana funciona
como um bálsamo...
quando inspiro o estomâgo nas costas
me sinto...saciada de ar!
Ah! Que delícia! Que ar mais puro, espiritual.
Como é bom meditar.
Sou forte, resistente, e mais importante :
penso e sou MAGRA.
Nada me atinge.
Posso sentar num formigueiro
Caminhar num tapete de lavas incandescentes
deitar numa cama de pregos;
passar ao lado do homem bomba
almoçar com o Jô,
jantar com o Faustão.
Enfrentar a fila do banco.
Ficar horas travada no trânsito
Sou feliz....e magra.

Passo a acreditar que a sociedade de consumo
é responsável pela minha gordura indesejada.
O mercado Fast food precisa que eu engorde
as clínicas de estética, os redutores de pneu também.
Por isso serei macrobiótica:
Raiz de bardana,
alho poró com gengibre,
folhas de beterraba
e chá. Muito chá.
Verde, vermelho, branco
Até o lançamento do próximo mês
(que pode ser qualquer cor do arco íris)
Irritação, frustração,, frigidez?
Isso é coisa daquelas invejosas
que querem boicotar minha esbeltez.
Resolvi tirar uma foto do antes
milimétricamente posicionada de frente, bem chapada
pra parecer mais gorda.
E o depois?
Milimétricamente de lado
para afinar a silhueta, tipo
Angélica na capa de Boa forma-
cinturinha de pilão.
Quando sentir o zíper deslizar
sem obstáculos ou travas,
saberei que cumpri bem
a minha missão.
Relaxarei.
E comerei tudo de novo sem culpa.
Te vejo no próximo verão.

PS: a fonte do texto é preta pra parecer mais magro;
a fonte utlizada na escrita é itálica pelo mesmo motivo.
Espero que assim ele passe na seleção para posar na Revista Estilosos e finos.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Uma nova mensagem



"Preciso muito falar com você. Vou te ligar às 18h, atenda por favor."


Ficou meio cismado com a urgência da mensagem. Passou os dedos pelas teclas do telefone, mas achou melhor não ligar, ela avisou que ligaria mais tarde. Fazia um tempo que não se falavam, uns três meses ou mais.

Durante todo o dia aquela frase não saiu da sua cabeça: "Preciso muito falar..." Nunca foram muito de conversar, desde a primeira vez que se viram, a atração era tão grande que as palavras eram completamente dispensáveis. Passavam a maior parte do tempo entre lençóis e não sobrava muito tempo para as conversas.

O que poderia ser assim, tão importante? Seus encontros sempre foram casuais, sem cobranças, sem muito planejamento, bastava um dos dois ligar e dizer que estava afim e pronto, lá estavam os dois juntos e, depois cada um seguia para sua casa. Era normal ficarem dias, semanas e até meses sem se ver. Ele sabia que ela era casada e que nunca iria largar o marido. Isso jamais o incomodou, afinal, ele também não abriria mão de sua vida de solteiro por nada nesse mundo. Não gostava muito de pensar na lógica que havia naquela relação. O importante era que os dois estavam satisfeitos daquele modo. Ela sabia que ele estava ali, disponível e ele sabia que poderia vê-la sem ter que abrir mão de todas as outras. Não sabia se a amava, nunca havia amado ninguém.

A partir de 17:45 ficou com o telefone em mãos, tomado por uma estranha ansiedade, aquelas mãos, que agora suavam. Constantemente ele olhava o visor do aparelho para conferir se havia sinal ou bateria suficientes. Não queria perder aquela ligação. Às 18:03, finalmente o telefone tocou:

- Oi, tudo bem? Recebeu minha mensagem?
- Recebi. Comigo tá tudo bem e com você? Algum problema ou era só saudade mesmo?
Ela riu e respondeu:
- Éhh... Preciso muito te ver, falar com você pessoalmente.
- Bem... eu tava saindo pra jantar, pode ser agora? Quer que eu te pegue perto da sua casa?
- Agora? Tá bem, mas não precisa me buscar. Vamos marcar naquele restaurante onde nos encontramos da primeira vez, pode ser?

Depois que desligou o telefone ele ficou lembrando daquela noite, daquele restaurante, da primeira vez... Lembrou de como ela estava vestida, tão elegantemente que ele jamais entendeu o que ela viu de interessante nele. Lembrou do olhar dela. Aquele olhar despertava nele um instinto voraz, animal, algo que ele não sabia controlar.

Ele foi o primeiro a chegar. O restaurante estava vazio. Ótimo, pensou, assim poderiam conversar sem pressa e sem atropelos. Vinte minutos depois ela adentrou o salão do restaurante. Estava ainda mais bonita, levemente bronzeada, trajando um vestido mais curto que o usual. Equilibrava-se muito bem no salto alto, seus cabelos e seus quadris balançavam num compasso divinal. Levantou-se meio atrapalhado da cadeira, Tocou suavemente a mão no braço dela, inclinou-se e beijou-lhe o rosto. Ela sorriu.

O garçom trouxe o cardápio e sem nem mesmo folheá-lo, ela fez seu pedido:
- O que for mais rápido, sei lá, uma pizza de mussarela, estou ansiosa.
Ele gaguejou:
- Pra pra mim também, pode ser o mesmo.
Antes que o garçom terminasse de anotar os pedidos, ela disse:


- Tô numa situação... Preciso da sua opinião... Me ajuda!
- Claro. O que eu puder fazer pra te ajudar... Conte comigo.
- Eu me separei do meu marido.
- Caramba... Sério?
- É. Eu tô completamente apaixonada por um cara. Ele me chamou pra morar com ele na Inglaterra.

Ele ficou calado. Sentiu como se o sangue tivesse parado de circular pelo seu corpo, começou a sentir frio, suas pálpebras fecharam por dois segundos, respirou fundo, a boca secou. Não conseguia dizer uma palavra sequer. Aquilo tinha sido como um disparo, direto no seu peito.

Ela esperava uma reação dele.

- Não sei o que te dizer. Sinceramente não sei.
- Como não sabe o que me dizer?
- Não sei, ué, não sabendo. O que você queria que eu dissesse?
- Qualquer coisa. Você é meu amigo! Tem que me dar conselhos.

Ele riu ironicamente, enquanto balançava a cabeça negativamente. A pizza chegou depressa, ele olhava para o prato e nem lembrava mais o que havia pedido. De repente não conseguia pensar em mais nada. Não sabia mais nada. Outra vez respirou profundamente. Calmamente cortou a pizza em pedaços, deu uma garfada no prato e tentou pensar em algum conselho que expressasse o que estava sentindo.

Enquanto ela comia, o observava atentamente, à espera de alguma palavra. Ele deu a segunda garfada no prato, ficou de pé, engoliu a comida, limpou a boca, jogou o guardanapo na mesa e disse:

- Quer saber? Eu acho que você não deve ir pra Inglaterra, não. Eu acho que você deve ir pra puta que pariu! Você, seu marido e seu namorado!

Tirou do bolso umas notas de dinheiro emboladas e jogou sobre a mesa. Saiu pisando duro. Ao cruzar a porta de saída o garçom lhe disse:

- Boa noite, senhor!
- Só se for pra você.

Entrou no carro, bateu violentamente a porta. Ligou o som, ajeitou o retrovisor, engatou a ré. Logo tirou o carro da vaga e acelerou o mais que pode, enquanto Roberto Carlos cantava no rádio:

"Não preciso nem dizer
tudo isso que eu lhe digo,
mas é muito bom saber
que você é meu amigo...
"

Desligou rapidamente a música.

- Amigo é o caralho!

terça-feira, 14 de julho de 2009

Joselitos do meu Brasil


Quem não conhece uma pessoa sem noção?
Eu conheço umas 347, no minimo, e faz parte do nosso dia a dia lidar com as situações "no sense at all" que essa gente nos proporciona.
Para quem está na dúvida, gente sem noção é aquela pessoa que te cutuca, que te encosta toda vez que quer falar, que tem alitose, mas a-do-ra conversar cara a cara, é aquela que te liga na hora da novela das 9 hrs para contar detalhes sobre o seu problema de gota que nunca sara.....

Cabe salientar, que não existe exatamente um padrão, cada pessoa tem o seu limite e o limite dessa que vos escreve é nenhum, tolerância zero.
Para mim, gente suada me escostando já configura o art. 214 do código penal, (atentado violento ao pudor). Se eu tivesse esse poder imagina quantos oleosos eu mandaria prender numa micareta em Salvador?
Voltando aos sem noção, há aqueles que o são denominados assim por unanimidade. Quem não acha que passa dos limites, aquela criatura que estaciona em frente a uma rampa para deficientes?
Tem sempre um Joselito para furar a fila e uma incompetente para plagiar o trabalho alheio.
Sempre digo que um dia escreverei um livro só contando as situações bizarras que já passei por causa dos sem noção da vida. Acredito na lei da compensação e acho que pelo menos uma boa vendagem de livros essa gente me deve.
Os sem noção podem te causar muito dano, mas há aqueles que enriquecem os tablóides e a vida dos paparazzi. Amy Winehouse, por exemplo, gera dinheiro suficiente para sustentar um país na Africa toda vez que resolve colocar os pés na rua e atacar alguém com uma garrafa, um sapato, ou com os próprios dentes. Outro exemplo, foi Michael Jackson, se ele tivesse noção de como a aparência dele era melhor quando ainda era negro, não teria se descolorido, e mais, se tivesso um pouco de bom senso, não teria tomado tantos remédios ao longo da vida, o que veio a ser fatal para ele.
Seu funeral, foi lindo, porém, mais uma vez, sem noção. O gasto expendido com a cerimonia equivale a renda per capita do Equador, e o prefeito de Los Angeles,( um Joselito de marca maior), já está passando a sacolinha entre os milionários da cidade para arcar com os custos do " Funeral in concert mega show".
E como todos nós temos um pouco dessa falta de senso, adoramos consumir esse tipo de notícias, homenagens, enfim...
O canal de televisão MTV tinha ou ainda tem, um programa chamado : "Joselito, o sem noção", nele mostrava histórias engraçadíssimas de um cara que cometia atrocidades, e como todo mundo tem um amigo, um parente ou algo parecido, assim, meio fora da casinha, apelidamos de Joselito todo ser sem noção que sai pelo mundo "josilitando" a vida alheia.
Bem, eles são muitos, são um fardo, testam o limite da nossa razão, da nossa fé, da nossa compaixão, mas quando não nos causam nenhum dano maior, nos rendem boas risadas, boas histórias, são um lindo exemplo do que não deve ser seguido, e ás vezes, rendem até uma crônica!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Uma imagem, uma viagem


Aqui estou, em meu segundo texto. De antemão, quero deixar registrado que postarei todas as segundas-feiras. E nesta primeira segunda (primeira segunda foi engraçado, rs), pensei em postar uma análise residual de um quadro, a qual fora elaborada na Universidade, mais precisamente no segundo período da faculdade de Letras. Este trabalho foi realizado em dupla; eu e minha companheira Simone varamos uma madrugada inteira com os olhos fitos neste quadro, que é, de fato, uma obra espetacular. Nossa recompensa foi muito maior do que a nota máxima que recebemos. Nos aprofundamos em leituras imagéticas, passamos a admirar e a atentar mais para as belezas que, pinturas como esta, reservam a cada traço marcado pelo pincel. Conhecemos melhor este mundo surreal de Dali, fomos além do que imaginávamos. Mas, quem não vai além diante de uma pintura como esta?


("Criança geopolítica assistindo ao nascimento de um
novo homem", Salvador Dalí, 1943).

A pintura surrealista do espanhol Salvador Dali, “Criança geopolítica assistindo ao nascimento de um novo homem”, datada de 1943, receberá, no decorrer desse texto, uma interpretação genuína e minuciosa, tendo alguns aspectos embasados no contexto histórico-social em que esta obra foi realizada.


A escolha deste quadro pode ser justificada pelo nosso instantâneo interesse pela corrente surrealista. Tal movimento artístico nos possibilita uma série de interpretações repletas de criatividade. Apesar de ir além do real, a historicidade está inculcada em suas representações, o que o torna mais fascinante.


A princípio, utilizamos uma estratégia, a qual denominamos “o primeiro olhar”. Esta prática nada mais é do que a extração da primeira impressão da pintura. Logicamente, nossa percepção inicial não permaneceu estratificada. Foi preciso dispor de uma atenção delicada nos detalhes do plano visual, detectando cada “ser” contido naquela tela. Ademais, observamos alguns traços que determinavam o posicionamento das figuras ali representadas, bem como a harmonia das cores utilizadas pelo pintor.


O próximo passo foi interpretar o motivo da colocação daquelas figuras, assim como suas posturas. De acordo com nossa visão, cada elemento naquele quadro fazia parte de um grande contexto (ainda a ser dito), como se fossem letras que, aglutinadas harmoniosamente, formaria um texto. E o que é uma pintura senão um belo texto imagético?


Já no plano visível, mergulhamos nas entrelinhas daquele texto surreal, permitindo que nossos corpos se afundassem, sem receios, sem limites. O processo de desenvolvimento do cerne da nossa interpretação foi intenso, e muito prazeroso, resultando na leitura dos parágrafos posteriores.


Tomemos como ponto de partida o foco central do quadro: Um planeta Terra aparentemente plástico, cujo meio é rasgado vorazmente por um homem que tenta libertar-se daquela clausura. Sob o planeta, um pano branco manchado por um liquido vermelho que parece ser sangue, causado pela abertura. Sobre o mesmo planeta, um objeto esfíngico e sombrio. Apontando para um dos continentes do astro, um ser aparentemente feminino, tendo a seus pés uma criança que parece muito assustada.


Ilustrado esse ponto, vejamos agora o plano invisível: O artista estaria calcado numa metáfora do nascimento, uma vez que o planeta, denotando um formato oval, assemelha-se ao útero materno. Enquanto o homem, o “ser nascente”, estaria lutando para romper aquela placenta invisível, sem sequer sofrer uma interferência auxiliadora da mãe Terra, haja vista sua deformidade e abatimento.


Observando, pois, a política geográfica do planeta, percebe-se que o homem nasce justamente do continente norte-americano, talvez pela força que ali pulsava – A força capitalista dos Estados Unidos da América.


Aos poucos vamos expondo nossa visão, tentando apresentar a interação de todos os signos do texto imagético. Acreditamos que, a figura demonstrada no lado direito da imagem seja uma mulher, baseando-se em sua ligeira semelhança estética e na criança que se protege em suas pernas. Ela, por sua vez, aponta para o planeta, tal como Deus e Adão foram representados na Capela Sistina, por Michelangelo. Diante dessa comparação, essa figura pode ser constituída como divina, ou, a responsável pela criação da Terra. Ou seja, a própria criadora estaria assistindo a destruição de sua criação. Isso já nos levaria à idéia renascentista, cuja temática principal era a sobreposição da razão humana sobre as questões divinas. Mas não foi nesta possibilidade que mergulhamos a fundo.


Retomando nossa linha de raciocínio, vejamos, agora, sob uma ótica contextual histórica: A suposta mulher aponta, especificamente, para o continente europeu, o qual manteve uma hegemonia político-social até o fim da Segunda Guerra. Diante dessa decadência européia no término da guerra, podemos firmar um contraste em relação ao homem que rompe no continente norte-americano. Esse contraste pode ser caracterizado por dois fenômenos naturais da vida: O nascimento, representado na América, e a morte, simbolizada pela Europa.


Ainda em relação à Segunda Guerra Mundial, nós podemos destacar outro traço marcante na pintura de Dali: No extremo norte do continente africano, observa-se o pender de uma lágrima límpida. Aquela lágrima representaria a tristeza do mundo envolvido em tão terrível guerra. É válido lembrar que a África servira de palco para muitos combates naquela guerra, afinal, muitos de seus paises permaneciam colonizados pelos europeus e americanos.


O sangue que escorre com o processo de nascimento do homem estaria representando as trágicas conseqüências da guerra, aliás, podemos ir mais longe – O sangue mostraria o quanto foi preciso para que aquele “poderoso ser” fosse gerado; quantas lutas, destruições e mortes foram necessárias para resultar no nascimento de uma nova potência mundial.


Na parte inferior do lado direito, observa-se uma criança, agarrada aos pés da suposta mãe. Esta criança, devido a sua aparência de terrível espanto pelo o que vê, proporciona uma série de indagações por parte do receptor. No entanto, a interpretação mais cabível à nossa linha de raciocínio é a seguinte: A criança teria sido denominada no titulo como geopolítica, pois, devido a todas as atribulações da guerra, a geopolítica mundial estaria sendo fracassada, isto é, precisaria se reformular e nascer novamente. A geopolítica fracassada, representada pela criança, assiste àquele surgimento do novo homem com grande pavor. Além disso, esse pequeno ser figuraria a fragilidade do mundo diante do devastador poder que nasce no Novo continente; um novo homem, (como bem empregou Dali no título da pintura) movido pelos interesses capitalistas. Logo, a criança representaria um mundo refém de toda uma conspiração destrutiva e dominadora que partiria do forte homem, ou forte EUA.


Agora, nos transportando para o plano de fundo da pintura, podemos deduzir que um deserto é o ambiente que abrange todo o foco figurativo principal. No lado direito do quadro, enxerga-se ao longe a figura de uma pessoa, provavelmente acenando um “adeus” para algo. O que seria? Dentro de nossa concepção, percebemos que possa ser um “adeus” ao poder hegemônico do Velho Mundo, uma vez que a figura está posicionada no lado do hemisfério oriental do planeta Terra, o qual engloba a maior parte do continente europeu, além de outros.


Ainda no plano longínquo da pintura, com base em uma ampliação, observamos, agora no lado esquerdo, uma figura aparentemente vestida de vermelho e preto, o que remete, psicologicamente, à personagem satânica. Cremos que aquela presença maligna no lado do hemisfério ocidental do planeta Terra poderia ser justificada. Talvez seja porque o surgimento do poder capitalista esteja voltado para os Eua. O sentimento capitalista remete a busca incessante do poder, baseada na árdua competição. Essa questão é retratada de forma magistral no filme “O advogado do diabo”, dirigido por Taylor Hackford. Al Pacino, que interpreta o diabo em forma humana, oferece todo seu mundo de belezas e suntuosidades efêmeras a um jovem talentoso advogado, provocando sua vaidade e levando-o para a destruição. Assim estaria representado o capitalismo no quadro de Dali: O próprio Satã.


É interessante apreciar cada objeto dentro da tela, tentando aplicar uma significação àquilo. E assim fizemos em relação ao a uma figura que nos remete a idéia de um obelisco, no canto direito da pintura, ao longe.


Ora, obeliscos eram, no Antigo Egito, representações de poder. Dentro do desenvolvimento da nossa interpretação, essa figura se encaixaria perfeitamente, uma vez em que haveria, incutido no foco central, uma demonstração acalorada da mudança geográfica do poder.


Por fim, analisamos o objeto que parece ser uma tenda, a qual paira sobre o mundo. Algo muito enigmático, considerado por nós o grande mistério da pintura. Nos sentindo como Édipo diante da Esfinge, arriscamos sermos devorados e formamos uma interpretação, na tentativa de desvendá-la, evitando, claro, fugir do que já havíamos nos baseado. Quem sabe não nos coroam como reis, tal qual Édipo?


Aquele objeto de bordas pontiagudas seria uma representação onírica. Segundo Freud, no seu maravilhoso livro “A interpretação dos sonhos”, sonhos relacionados a cavidades ou a coisas que se abrem como uma flor, estão ligados ao órgão sexual feminino. Já o órgão sexual masculino seria representado por objetos pontiagudos. A cor preta estaria voltada para o negativismo. Ou seja, atentando para aquele dado objeto na pintura, imagina-se essa possibilidade, que “só Freud explica”, como muitos costumam dizer.


Como relacionar essa explicação com o que já foi deduzido? Ora, a pintura está envolta num sentido de nascimento. E nada mais coerente do que a junção de representações oníricas dos órgãos feminino e masculino em uma mesma figura. Figura esta que, por conseguinte, está acima do mundo, como se fosse a responsável pela sua geração. Estaria ela impregnada de um colorido negro e uma aura sombria, pois, devido à destruição causada pelo homem, estaria incidindo em si o reflexo negativo de sua criação.


O artista teria espalhado em sua pintura figuras de significações similares (A mulher criadora do mundo – o objeto que paira sobre o mundo como responsável pela sua criação; o poder representado pela força do homem que rompe do interior do mundo – o poder representado pelo o que aparenta ser um obelisco), assim como, inteligentemente, teria apresentado diversas antíteses, como: nascimento e morte, criança e adulto, o novo e o velho...


Enfim, trata-se de um trabalho genial de Salvador Dali, que permite a concepção de diversas leituras. Nossa interpretação foi reforçada pelo ano em que foi datada esta obra de arte, 1943. Neste ano, ocorria-se a triste Segunda Guerra Mundial, que veio a entrar em desfecho dois anos depois. Para finalizar, um rico acréscimo a nossa interpretação: Uma enigmática previsão do francês Nostradamus, enfatizando, misticamente, essa visão sobre o quadro de Dali. Agora, leitor, cabe a você a reflexão acerca desse mistério além do surreal.


“Ceux qui estoient em regne pour scavoir,
au roial change deviendront apouvris,
uns exilez sans apuy, or n’avoir,
lettrez et lettres ne seront à grand pris.”

“Os que estavam no reino por saberem,
pobres serão pelo cambio Real,
exilados sem ouro nem apoio,
os letrados bem pouco valerão.”
(Centúrias e presságios acerca da Segunda Guerra, Michel de Nostredame).

Fontes bibliográficas:

- Shmidit, Mário; Nova história crítica, editora Nova Geração.
-Freud, Sigmund; A interpretação dos sonhos, editora Delta
-Cheynet, Ettore; Nostradamus e o inquietante futuro, editora Círculo do livro


domingo, 12 de julho de 2009

Eu, eu mesma e as letras

Hoje fui pega de surpresa: fazer minha primeira postagem no nosso blog.
Bem, o fato é que estamos estreando e eu nem tive tempo de preparar um texto legal, mas vou tentar colocar algo de bom no papel, ou melhor, em tempos modernos, diz-se na web......
Quando estamos assim, meio ocas,( sim, prefiro usar os termos no feminino), em um dia que não nos sentimos capazes de escrever nem um bilhete, nada melhor,( e mais narcisista), do que falar de nós mesmos... E eu, como uma boa leonina que está se sentindo absolutamente desabitada nesse domingo cinzento, vou me aproveitar da situação e falar de mim mesma.


Melhor do que largar o curso de direito no último ano, é troca-lo por algo que além de te dar prazer, depois de 3 anos, ele também te dá um diploma....Bem, eu ainda não tenho o diploma, vou ter, mas tenho algo tão bom quanto: hoje, no mundo das letras eu me sinto incluída, acolhida e muito feliz. Tenho colegas de curso talentosos, que veêm legitimidade em meus textos, e ser reconhecida por quem a gente admira,não tem preço...
Começar uma nova jornada e sentir que ela nos pertence e nós pertencemos a ela, é serotonina para mais de mil prozacs... Depois de 4 anos trancafiada em um curso preto e branco, regido por leis e normas, nada melhor do que escrever sobre as minhas neuroses com fonte roxa e não sobre processo tributário em arial 11 preta.... Acreditem, é libertador!
Talvez alguém tenha dito um dia que a arte liberta, se não disseram, digo eu: a arte liberta!!
A literatura me libertou quando aprendi a ler e me abriu mais um portão, quando deixei de ler o que eu não gostava, para ler o que eu amava, e me habilitar por isso.
Eu deveria discorrer sobre algo engraçado, pois humor satírico é o que eu tenho de melhor, mas não o poderia fazer sem antes falar um pouco com seriedade sobre o meu curso, sobre os meus talentosos colegas, que um dia espero vê-los imortalizados na academia, e como narciso acha feio tudo aquilo que não é espelho, falar também um pouco sobre mim...Mas prometo que futuramente me controlarei...rsrsrsr...
Espero que todos aprovem e aproveitem o nosso "filho", nosso blog de pais separados.



Aquele sofá


Eu estava deitada no sofá da sala, após um dia exaustivo. Meu trabalho exige que eu passe muitas horas de pé, então deitar naquele sofá macio era tudo o que eu realmente precisava naquele momento. Com tanto cansaço e aconchego não seria difícil pegar no sono, mas ele estava ali. Entreabria meus olhos e ele ainda estava ali, sorrindo para mim, com todos os dentes necessários para compor um sorriso perfeito, além do olhar doce, que sorria junto com ele. Minhas vistas estavam embaçadas, mas pude ver que ele segurava em uma das mãos uma taça de vinho tinto.

Acho que dei algumas cochiladas, inevitáveis, devido ao avanço da hora e à televisão, sintonizada na TV Senado, canal este, que descobri ser de grande utilidade pública: fazer as pessoas dormirem. Apesar disso, não conseguia dormir profundamente, pois volta e meia sentia que ele me observava, e quando abria os olhos, era fato: ele me observava. Não me contive e já menos sonolenta acabei por perguntar:

- Por que me olha tanto? - perguntei como quem deseja uma única resposta, que veio de fato:
- Por que você é linda.

Sorri envaidecida, pois tinha acabado de ouvir o que queria.

- Sua taça de vinho ainda te espera, mocinha!
- Nossa, eu dormi no seu sofá! Perdi até a noção da hora... Faz muito tempo que deitei aqui?
- Na verdade não. Nem faz tanto tempo que chegamos. Saí do banho e te vi dormindo, fiquei com pena de te acordar, sei que você tem trabalhado muito.

Aos poucos fui me espreguiçando, sentei no sofá e ele perguntou ironicamente:
- Posso me sentar aqui ao teu lado?
- Claro que pode! Ora essa, o sofá é seu!
- Se quiser, posso me sentar no outro, ao lado. Ficaremos um em cada sofá, você quem sabe! Ou, se preferir, podemos ir para o meu quarto. – disse isso com carinha de criança levada - É que lá no quarto ficaremos mais à vontade, ouvindo música. - completou, como quem tenta justificar algo.
- Vai ser uma pena, pois a televisão está imperdível - brinquei.

Fomos para o quarto dele, território até então desconhecido para mim. Era um quarto normal, de rapaz solteiro, como o quarto do meu irmão, por exemplo. A não ser pelos livros por sobre a cama. Muitos livros: Nietzsche, Platão, Kant... O que nos rendeu uma boa conversa sobre questões filosóficas. Na hora eu não pude deixar de lembrar da máxima de Rubem Fonseca, de que na cama não se fala sobre filosofia, mas o papo estava realmente bom.

Ele era diferente... Além da beleza física, ele possuía uma beleza de alma. A inteligência brotava nas palavras sutilmente, sem a intenção de fazê-lo, o que me causava uma admiração ainda maior. Conforme ele falava, eu ia pensando, numa espécie de prece silenciosa: Meu Deus, eu quero esse homem para sempre, mas com a urgência do agora. Imagino minha expressão enquanto ele defendia suas idéias: provavelmente eu estava com cara de boba, talvez até de boca aberta. Acho que ele percebeu que fiquei estática e resolveu então ligar o som (afinal, ouvir música era o propósito inicial de irmos para o quarto). Para minha surpresa ouvi uma sucessão de clássicos do Rock. Embora eu não soubesse precisar a quanto tempo nos conhecíamos, eu sabia que ele não curtia esse tipo de som, digamos que ele era mais erudito. Percebi que ele tinha feito isso para me agradar e obviamente, conseguiu.

Era intrigante o que ele provocava em mim: um misto de admiração pelo discurso inteligente e uma forte atração física. A tal ponto que eu poderia ficar horas naquela conversa e outras tantas horas deixando nossos corpos conversarem. Foi o que aconteceu... Logo éramos dois corpos unidos por beijos molhados, regados a muito vinho seco. Dançávamos à nossa maneira cada música que tocava, num embalo constante de corpos afinados e corações descompassados. Palavras agora eram desnecessárias, o que se queria saber, lia-se no olhar.

Para mim foi uma espécie de experiência mística, cabalística, transcendental, sei lá... Só o que eu sei é que foi a primeira vez que estive com um cara assim, capaz de reunir tantas coisas de uma só vez: uma inteligência, ora exposta despretensiosamente, ora usada como estratégia; um olhar que, ora me confortava, ora me despia; mãos que, ora me acariciavam a face docemente, ora me apertavam o corpo fortemente. Depois de tantas horas dialogando de diversas formas, nos mais diversos níveis de linguagem, e como eu já estava cansada anteriormente, acabei caindo em sono profundo e dormimos abraçados em questão de poucos minutos.

No dia seguinte, acordei com a luz do sol batendo em meus olhos e com o barulho de uma discussão, que parecia estar longe. Sentia frio nos pés, estava encolhida. Tentei voltar a dormir, mas a discussão não deixava. Entreabri os olhos e não mais vi a imagem dele. Olhei ao redor e aos poucos pude perceber que estava deitada no sofá da minha sala, sozinha e ainda com a roupa com a qual havia trabalhado no dia anterior. Levantei depressa, andei pela minha casa, sem encontrar, obviamente, o quarto onde estive. Procurei taças de vinho e nada encontrei. Minha cama estava intacta, colcha esticada por sobre ela. Na minha cabeça inúmeras dúvidas bagunçavam os pensamentos: Será que não passei uma noite maravilhosa ao lado dele? Será que nunca estive no quarto dele? Quem era ele? Será que não existe "ele"?

Fui até o banheiro, abri a torneira da pia, deixei a água correr, enquanto me olhava no espelho. Uma cara amassada, de quem dormiu de maquiagem, de quem dormiu no sofá, de quem dormiu sozinha, de quem tem de se recompor e ir trabalhar. Joguei uma água gelada em meu rosto pálido e decepcionado. Fui até a cozinha, preparei um café forte e, ainda meio tonta voltei para sala e sentei no sofá, tentando entender porque aqueles homens do senado discutiam tanto na televisão...

Escreva-me ou decifro-te.


Quando dei por mim já havia existido...

Retornei de um inverno sem fronteiras

onde as palavras mais insistentes

eram escrita e papel.

Devolvi o cabo de aço que me prendia

e entre o abismo do precipício

e o abismo da minha mente

as asas de Ícaro abrigaram meu corpo

feito colo de mãe.

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Ninho aquecido, leite na alma;

cá estou em processo emergente de escritura.

A pedra de Roseta soltou os grilhões

que prendiam os escravos na caverna de Platão.

As sombras ficaram para trás.

Leio que finjo usar a caneta tinteiro

E se não houvesse tinta?

E se não houvesse caneta?

Registros mudaram o curso da humanidade
Os signos sopram o inconsciente coletivo
E eu? escrevo só ou somente?

Transpiro pó ou semente?

Significado?

???????****ssssss@@@@@@@@@@

Voei

Eram os deuses astronautas ou escribas ?

Quem determina os ícones?

Retornarei no próximo verão...

Mais uma vez sem fronteiras

E o significado pousará

sua morada

entre a areia exposta ao sol

e a areia abaixo das águas.

Sentir? Sinta quem finge que é.

A areia existe por uma razão

E até a própria Esfinge

se submete as suas dunas implacáveis.

Cada grão é uma letra jogada no deserto

O Big bang de palavras levadas pelo vento.

E as "minhas" palavras......

Continuo a persegui-las.

Será que estão aqui?

Penélope desfazia tudo que tecia

noite após noite..após noite...após noite.

Eu? desfaço o que sobra após um dia de vento.

Lê quem se submete ao curso das charadas;

aos códigos matemáticos do tempo.

Decifra-me ou devoro-te.

Descreva-me ou sufoco-te.

Inspira-me ou acordo em outra nave

Num outono sem fronteiras

e desta vez, as asas de Ícaro não poderão me resgatar.

Pobre menina

Quem dera eu ser poetisa!
Pobre menina,
Que não sabe o que escreve,
Escreve apenas para desfazer
O imenso vazio do seu ser!


Ai de mim se não escrever!
Ai do mundo se não houver mais poetas!

Feliz daquele que escreve
Nem imagina ele,
Que faz um bem dobrado
A ele próprio e a quem lê.

Quem escreve alivia o peso de sua alma
E também ao desesperado que lê,
pois este também se livra de seus pesares!

Ai de mim se não escrever!
Ai do mundo se não houver mais poetas!

Eu? Autor? Quero sim!


Fui convidado para escrever no blog Autores S/A, fiquei pensando e rindo: logo eu, praticamente um leigo nesse universo tão vasto e instigante que é o das palavras, dos contos, da poesia. Eu, que com muito mais transpiração do que inspiração escrevo algumas linhas do meu jeito meio míope de olhar esse mundo de meu Deus.Logo eu com essejeito questionador e meio mandão. Procuro um meio de escrever sem ser tão radical, procurando sempre um bom senso, pois se eu cochilar só um pouquinho me coloco como dono da verdade e aí já era, dancei, pois sei que a verdade já tem dono e não sou eu...




Mas, vamos lá resolvi aceitar o convite (desafio) e contribuir com alguns textos para este blog, idealizado por colegas de talentos bem maiores do que o meu e que demonstrando grande solidariedade e amor ao próximo (rsrsrsr) resolveram me chamar. Gostei muito, pois Vovó já dizia: "Junte-se aos bons e será um deles!" É o que vou buscar fazer, escrever mesmo, sem vergonha, com coragem de colocar a cara a tapa para apanhar e aprender a fazer melhor. Sendo sempre eu mesmo, utilizando uma linguagem simples para que o brasileiro em geral possa me entender estando num alto edifício da Avenida Paulista ou no sertão do Nordeste, pois eu vejo que o importante é ser entendido, mesmo que achem meu texto ruim, o que é bem provável, mas, por favor, me entendam, não quero provocar aquela ruguinha na testa de quem me lê no sentido de pensarem assim: "O que esse cara ta dizendo?" Mas quero provocar a ruguinha na testa pelo despertar para uma nova possibilidade, quero de alguma forma ser mais uma lâmpada para iluminar um novo campo de visão, quero trazer uma proposta ainda não pensada, um novo olhar para a paisagem rotineira que muito nos diz, mas poucos observam.
Fiquei pensando neste nome, Autores S/A. É , sem dúvida, um bom nome. Um nome forte, que traz uma grande responsabilidade, pois na verdade todos somos autores, ou pelo menos deveríamos ser autores de nossas vidas. Não apenas de textos, contos ou poesias, mas sejamos verdadeiros autores de nossas histórias, escrevendo com nosso próprio punho a nossa caminhada, construindo o nosso caráter com nossas próprias experiências e tirando delas o aprendizado necessário para errarmos cada vez menos e continuarmos nossa caminhada com força, luz na consciência e perseverança. Para que nossa autoria permaneça viva e sirva de referência mesmo depois que não estivermos mais aqui.
Não nos deixemos passar pelo grande processo de “pasteurização”que o sistema quer fazer com nossas cabecinhas pensantes e também não nos deixemos alienar pelos modismos passageiros e descartáveis que surgem a todo verão. Sejamos sempre nós mesmos, respeitando o outro, se possível até amando o próximo, mas sempre com os olhos abertos. É como já dizia Zé Geraldo em sua bela canção: "Meu amigo, meu cumpadre, meu irmão, escreva sua história pelas suas próprias mãos..."

A primeira de muitas vezes

São tão intensas as primeiras vezes da vida. A primeira vez está sempre repleta de muita expectativa, afinal, é a primeira experiência da escolha que o indivíduo tomou, ou que foi levado a tomar. Um passo em falso, e não haverá uma segunda vez. Se houver, a primeira servirá como ponto referencial de lição: nada que aconteceu naquele dia poderá se repetir, em aspecto algum!
Sendo assim, cá estou eu, escolhendo minuciosamente cada palavra a ser digitada, neste “corpinho Arial 12” de dar inveja, cuidando para que nada me escape, para que, aos que seguem maquinalmente aquela velha máxima, “a primeira impressão é a que fica”, não se queixem de ter lido algo desagradável, logo na primeira vez. A minha primeira vez neste blog.


Ou não. Pra que zelo com as palavras? Temor da reação dos leitores mais sensíveis? Meu dever, e direito, é escrever “o que me der na telha”, sem me importar com as camadas da censura que cobrem as visões dos conservadores extremistas, ou, em palavras mais diretas, dos cafonas desocupados.

Nossa... Será que me excedi no parágrafo anterior? Melhor me redimir, antes que toda a censura do mundo, na forma do mais terrível monstro dos desenhos animados, venha me devorar sem piedade, cuspindo meus restos para um país bem distante. Preciso me conter, sem ofensas, sem imoralidades. Vai que me processam por causa de um post?

Ah, mas quanta bobagem! Desse jeito me torno uma marionete! Serei manipulado por mãos de fadas, das quais a leveza não permitirá que eu as sinta, que eu as perceba. Além do mais, estou em pleno século XXI, longe dos barulhos da Ditadura Militar! Estou vivendo a modernidade, a democracia, enfim... Não temo as denúncias neste sentido. Elas não condizem com o meu tempo.
Se bem que viver a modernidade também significa nadar no oceano da banalidade. Posso me expressar de mil e uma maneiras, posso ser, ter, e reverter tudo. Posso transformar o Michael Jackson no meu Jesus, e para ele, dedicar uma oração. Posso compor uma música composta apenas de um estribilho – uma apologia ao sexo desgovernado - e aguardar a vinda do sucesso com a certeza de um clarividente. Posso baixar músicas discriminadamente pela Internet, sem nem lembrar do prazer que tinha ao adentrar numa loja de vinis, ou mesmo de cds – onde ficava horas a fio admirando cada álbum, com olhos de quem deseja arrematar toda a bancada e, em casa, reproduzir aquele disco mais aguardado do ano, deitar-me na cama e escutá-lo com os olhos lacrimejando, a pele arrepiada, os pensamentos brotando... O desejo consumado e amplamente aproveitado. Isso, aproveitado. Não apenas consumado.

E consumado está ficando este texto. Pra que um texto tão longo, hoje em dia ninguém lê direito, nem errado. Ninguém lê com paciência; tem gente que curte ouvir apenas o som das páginas sendo folheadas. Tem gente que adiciona um blog tão rico como este nos “favoritos” pra dizer que é cult, que é adepto ao mundo da cultura, da leitura, da opinião. Vem aqui, uma vez ou outra, movimenta a barra da lateral da tela com rapidez, às vezes lê, mas não lê. Faz-se de analfabeto funcional. Sim, se faz. Entrega uma revista nas mãos de um sujeito desse, repleta de informações sobre seu seriado favorito, ou sobre as novidades do mundo fashion. Seu entendimento é perfeito. O que é banal é de fácil assimilação. E eu aqui, me esmerando em vão...

Ou não. O mundo é constituído pela noite e pelo dia. Nem tudo é sombrio quanto parece. Ainda existe a salvação. Meu esmero será assaz recompensado pelas almas deste mundo. Sim, apenas pelas almas. Deixem os corpos de lado, libertem-se da concretude humana. Utilizem-se apenas da alma. Só assim poderão enxergar todas as belezas geradas neste blog, post a post. E assim eu serei, puro e profano. Não dispenso qualquer um dos argumentos criados neste meu primeiro texto. Porque o mundo só é completo com o dia e com a noite.

domingo, 5 de julho de 2009

Sociedade Anônima



Sociedade s.f., Contrato consensual pelo qual duas ou mais pessoas se obrigam a reunir esforços ou recursos para a consecução de um fim comum.



Somos uma sociedade diferente das outras. Não visamos fins comerciais ou lucrativos, na verdade não nos atemos aos fins e sim aos meios. Nossa sociedade não obriga pessoas a seguirem regras, apenas reúne em um só espaço, pessoas comprometidas com o livre pensar. Uma sociedade feita para o desenvolvimento da escrita e mantida pelo prazer da leitura. Aqui o leitor encontrará variados estilos de texto: crônicas, contos, poesias, artigos, imagens (sim, são textos também), dicas de música, livros, eventos, etc. Poderão deixar seus comentários e sugestões e assim ajudar-nos a fazer deste espaço um local de lazer.


Sejam bem vindos leitores, parceiros e sócios, anônimos ou não.