terça-feira, 8 de setembro de 2009

Bonequinha de Luxo


Somos mulheres inteligentes, independentes, multifacetadas...Andamos em cima de saltos 15, carregamos um filho de um lado, uma bolsa gigante de outro, um celular no ouvido e ainda arrumamos tempo para escrever sobre nossas angústias diárias em um blog. Somos heroínas.


Fechamos negócios, estacionamos de ré em ladeiras e sempre estamos com as unhas lindas e impecáveis, mas ás vezes a vontade é abrir uma porta e gritar.....
É impressionante o que faz um olhar, um encontro que te desarma por dias...
Uma TPM, o último capítulo da novela, uma viagem.
Uma vontade desesperada de ficar sozinha e outra de companhia...
Tem dia que a gente não sabe se é fada ou se é bruxa, se é aço ou gelatina.
Por detrás dessa fortaleza quase que inviolável que o feminismo do século 20 nos impôs, estamos lá, vulneráveis, epidérmicas, totalmente abaláveis, choronas, cheias de dó, suspiros, desalentos... Vontade de tomar coca comum e comer brigadeiro de colher, andar descalça e não fazer sobrancelha... Vontade de esquecer quem paga o seu salário e o que pode ser ou não constrangedor para os outros, vontade de esquecer as regras e quem as impôs a você.
Por detrás de cada mulher de porcelana, perfumada, atarefada, impenetrável, existe outra querendo sair, e explodir.

6 comentários:

Lohan disse...

Belo texto, grande desabafo! rs
Mas eu sinto que todos nós, inclusive os homens, somos assim. Tem mta coisa que desejamos, sonhamos, e que as conveniências sociais nos impedem de realizar. Os que aparentam mais forças, são os mais sensíveis, frágeis como uma porcelana. Quanto as mulheres, estas são mais extremadas, rs. Isso tenho que dizer... rs As vezes acho que todas são bipolares kkk
Oh Ju, mas se for pra explodir, q não seja pro meu lado, pq o ''pára-raio de problema'' aqui já ta dando defeito de tanto raio que vem caindo ultimamente! kkk
Bjão, adorei seu texto, inspiradíssimo em Martha Medeiros. Parabéns, bonequinha! Ops, digo, bomba atomica! rsrs

Andréa Amaral disse...

Gostei tanto que acho que você poderia ter continuado seu desabafo por horas...adoro desabafos. Há que os considere pessimistas e negativoa. Eu os acho realistas e necessários, já que não podemos efetivamente mudar determinadas condições impostas.
O que é bom, é saber que por vontade de gritar que tenhamos, somos feitas de uma rocha firme, que milagrosamente transforma-se em diamante, toda vez que lapidada.

Camila disse...

Adorei, Ju! Estilo colunista de revista feminina, que sempre diz aquilo que a maioria das mulheres passam no dia a dia. Não é fácil mesmo dar conta de casa, filho, trabalho, estudo e ainda arranjar tempo pra se divertir. Concordo com a Andréa, por mim você poderia ter escrito mais... ficou com gostinho de quero mais!

Sidarta disse...

Juliana,


Gostei demais do seu texto, e concondando com Andréa e Camila, você nos deixou com água na boca, querendo mais.

A mulher passou por uma revolução no século passado, e hoje desempenha tarefas que a maioria de nossas avós ou bisavós nem pensavam em fazer.

Lembrei do filme "Lado a lado", que mostra a transição entre essas duas mulheres, a antiga mãe dona de casa e a mulher atual, que além de toda a tarefa doméstica, ainda tem de trabalhar fora.

O problema é que o nosso papel como homens, Lohan, ainda não foi redefinido, como o das mulheres. E concordo com você: precisamos superar as conveniências sociais e amadurecer também, como elas.

Acredito que estamos entrando numa era onde a mulher vai ocupar cada vez mais espaços, o que gerará um abalo psicológico muito grande na moderna estrutura masculina de ser.

Que venha o pós-moderno!

E que a Juliana continue o seu dasabafo, porque trata-se de um tema crucial para todos nós.


Beijos!

K@rininh@ disse...

Mto bom texto!
É triste qdo a carga ta pesada de mais e nem assim podemos desmoronar! Dá mesmo vontade de explodir! O pior de td ainda é ter que fingir q estamos ótimas, em meio ao contexto em que estamos inseridas!
Bjs

Rosemarie disse...

Só uma alma e um coração como o de Juliana para definir as das outras mulheres assim, tão plena de sensibilidade. Eu sei porque a conheço.