
-Que carinha é essa, Ariano? Te conheço pouco, mas está visível a sua tristeza. – Disse Ana Lucia, com seu olhar de águia que muito já voou e capturou soluções para os problemas da vida.
-Não é nada, Ana Lucia. É que ando meio cansado ultimamente.
-Tire folga do trabalho, rapaz. Dê um tempo, pare de escrever um pouco. Não acha que é muito novo pra se estressar dessa maneira? – Aconselhou Euclides.
-Não é o trabalho! – Alterou-se - Será que vocês podiam me dar licença, eu vou ao banheiro.
-Por que esse menino ta assim, Euclides?
-Mal de amor. Como pode, não é, Ana... O amor, um sentimento tão puro como dizem, ser a razão da decadência espiritual de um menino como o Ariano.
-Ele é muito novo ainda. Vai aprender a lidar com o amor com o decorrer do tempo. Mas... Enquanto esse tempo não chega, que tal uma cervejinha hoje, depois da aula?
-To dentro.
-Vou chamar ele. Pra distrair a cabeça, nada melhor do que uma mesa nos fundos de um barzinho, uma música “lounge” ambiente, e uma cerveja de gelar a alma! – Sorriu Ana, com seus dentes amarelados pelos venenos do cigarro.
-Ai meninos... Que bom ter me aproximado de vocês. Eu sempre notei em vocês duas almas incríveis, sabem?
Ela dá uma golada na cerveja e acende um cigarro.
-Digo o mesmo de você, Ana. – Compartilhou Euclides.
-Eu leio vocês direto no jornal, é o máximo! Você entrou há duas semanas, não foi, Euclides?
-É, to lá na luta, com meus textos esportivos. Fui aprovado de cara, graças a Deus e... Ao Ariano. Se não fosse por esse irmão, eu não estaria agora em meu primeiro emprego.
-Primeiro emprego?
-É, por que o espanto?
-Por nada... E você, Ari? Tão novinho, já tão responsável. Ser maduro tão cedo nos torna velhos bocós. – Ana soltou uma gargalhada sonora, já sob o efeito do álcool.
Ariano, que mal pronunciava uma palavra, soltou um risinho sem graça.
-Você manda muito bem, Ariano...
Ana Lucia, após dizer essas palavras, parou, em transe, com o cigarro empinado numa das mãos, a observar aquele jovem atormentado pelo amor que não desgarrava do seu peito. Euclides a olhou com estranheza. De súbito, ela voltou a si.
-Ai, garotos! Tenho uma coisa pra mostrar aos dois.
Ela pegou sua carteira na bolsa a tiracolo e dela, retirou uma foto 3x4 de uma linda criança sorrindo. Ana debruçou seu corpo sobre a mesa, levando a foto à vista de ambos rapazes.
-Estão vendo esse menino? É meu filho mais novo. Cinco aninhos. Se chama Pietro.
-É uma graça. A sua cara. – Disse Ariano.
-Parabéns, Ana. Seu filho é lindo.
-Vocês querem ouvir uma coisa agora?
Euclides e Ariano entreolharam-se, encabulados.
-Eu quero que quando ele cresça, seja igual a vocês.
Euclides abaixou a cabeça, lisonjeado, não contendo um largo sorriso. Ariano não teve a expressão transfigurada pela consideração da mulher, dizendo:
-Não diga isso.
-Por que não? – Espantada.
-Ninguém é igual a ninguém. As coisas não funcionam dessa maneira. Não faça dele uma cópia de quem ele não é.
-Te amo.
E saiu do quarto.
-Venha até minha sala, preciso falar com você, mocinho.
Em sua sala, Julia acomodou o jovem escritor e sentou-se por detrás de sua mesa.
-Não precisa ficar com essa carinha de assustado, Ariano Bezerra. – Disse ela, sorrindo da expressão apreensiva dele.
-O que está havendo?
-Venho notado que, nas duas últimas semanas, você imprimiu bastante sentimentalismo às suas crônicas. Não que não tenha gostado, longe disso. Você é brilhante, o melhor cronista que tenho aqui, e que muitos outros jornais cobiçam... Mas... Me desculpe me intrometer na sua vida pessoal, mas como gosto muito de você e sei que, apesar de sua tamanha genialidade, aí dentro bate um coração adolescente, repleto de dúvidas e angústias, estou aqui disposta a te ajudar com essa sua aflição tão transparente.
-Eu me sinto bem, dona Julia.
Julia o olhou com ternura. Ariano acabou cedendo...
-Ta, pode falar que já sabe.
-Claro que sei. Ela me contou.
-Que droga, por que ela fez isso? – Irritou-se.
-Ora, Ariano! Isso mostra que ela se importa com suas investidas, com seus sentimentos. E pelo o que me pareceu, você tem grandes chances.
-Está falando sério? – Disse, a um repentino entusiasmo.
-E por que não estaria?
-Pra não ver seu melhor cronista triste pelos cantos.
-O rendimento no seu trabalho não foi alterado, rapaz. Me preocupo com você, de fato. Olha... Vou te ajudar. Ela recusa sair com você, ou namorar você porque perdeu o pai, há dois meses, e no mesmo período, terminou um namoro de três anos e meio. Isso ela não te disse, disse?
-Não...
-Pois então. Ela é bem tímida. Não gosta de se abrir com ninguém. Só que eu dei mais abertura, sou mulher experiente, sei dar conselhos. Ela é menina ainda, está muito confusa com tudo isso, é somente dois anos mais velha que você. Portanto, saiba lidar com ela. Olha, chame-a para sair nesta sexta-feira. Eu fui com ela a um restaurante japonês aqui perto que ela adorou. E sexta é aniversario dela. Mas ela não quer que ninguém saiba... Nem quer comemorar. Chame-a para sair, finja que não sabe de nada. Fale que é pra distrair, que não vai tentar nada. Seja amigo dela. Se importe mais com ela. Não vá com tanta sede ao pote. Ela vai cair na sua, tenho certeza, meu geniozinho.
-Agradeço sua atenção comigo. Olha, obrigado mesmo, de verdade.
-O que ta acontecendo, amigo? Que sorriso é esse? – Indagou Euclides, suspeitoso.
-Você nem vai imaginar...
-Já sei, envolve a Lia.
-Certo! Vou te contar tudo, meu amigo, tudo!
-Lia...
-Essa aí que é a gloriosa Lia Neide... – Murmurou Euclides, apoiando o queixo em sua mão direita, com os olhos fitos na jovem que deixava a sala.
-Ela mesma, Euclides. Escreva o que vou dizer: depois de amanhã ela vai aceitar sair comigo e tudo irá fluir como eu sempre sonhei. Eu vou conquistar essa menina, ou não me chamo Ariano Bezerra!
Euclides fitou Ariano e disse:
-Torço por você, amigo. Você merece que todos os seus desejos se realizem.
-Ela já não é mais um desejo. É um sonho constante, uma tristeza presente, uma alegria ardente. Ela é... Eu já nem sei mais como defini-la. – Sorriu, em devaneio.
-Acho melhor conter essa ansiedade, irmão. Vai que ela se recuse a sair. Já pensou a fossa que vai ser?
-Eu sou uma pessoa otimista. Não acredito em livros de auto-ajuda, mas uma coisa é certa: pensar positivo é meio caminho andado.
-Pensamento positivo é o alicerce do homem frustrado. Falo por mim. Quantas vezes fiquei assim em véspera de encontros ou jogos. É melhor não pensar em nada. Seja como for, pense assim.
-Você quer manobrar meus pensamentos, Euclides? To até te estranhando, amigo. – Disse Ariano, a um sorriso confuso.
Pararam a beira de uma escadaria. Euclides fixou um olhar compadecido em Ariano.
-Eu não disse por mal, está bem? – Disse Euclides, demonstrando ressentimento.
-Claro que não. Amigos só desejam o bem dos amigos, não é assim que funciona?
-Está insinuando o que, Ariano?
-Nada, ora! – Disse, abrindo os braços a um riso – Por que sempre acha que estou insinuando algo a seu respeito?
-Não sei...
-Quem não deve, não teme, amigo. Agora vamos descendo que esse diálogo já está me enjoando.
-Não vai mais descer, Euclides?
Euclides desperta do transe, e diz:
-Não, pode ir. Eu... Eu preciso averiguar uma situação, na secretaria. Já ia me esquecendo. Adeus, irmão.
-O que houve, Euclides?
-O Ariano... Ele acaba de me enviar uma mensagem... Ele caiu da escada, foi internado, e agora passa bem. Ele pede para eu pegar sua prova, e no final, diz em que hospital está...
-Nossa! Como assim, caiu da escada?
-Caiu, tropeçou, ficou zonzo e desequilibrou-se, não sei. Mas ele diz que agora passa bem, isso que importa.
-Não vai telefonar pra ele, Euclides?
-Não, prefiro falar com ele pessoalmente. Amanhã eu vou visitá-lo.
-Estranho... É, ainda bem que hoje só teremos entrega de provas. Coitado... Logo o Ari...
-Ariano Bezerra.
-É uma pena. Quero muito conversar com esse menino, ele me surpreendeu. Euclides sorri, meio sem graça, e olha para a nota. Fica espantado, com os olhos vidrados na prova.
-Ai, Euclides, to nervosa... Acho que tomei bomba nessa prova. E o Ari, foi bem, aposto. Quanto ele tirou? – Perguntou Ana.
-Como?...
-Quanto ele tirou?
-Ele... Ele tirou dez. Aqui diz que a redação dele ficou... Esplêndida.
-Nossa, que bom! O Ari é um gênio mesmo. Deixa eu ver a prova dele.
-Pra que você quer ver?
-Ué – Sorriu, sem entender – Preciso xerocar uma prova dessas!
-Não sem a permissão dele. Desculpa, mas não posso fazer isso sem falar com ele antes.
-Ele não vai se importar, Euclides.
-Eu o conheço, vai sim. Ele é todo metódico.
-Não é o que parece...
-Eu o conheço melhor que você.
-Ana Lucia! – Chamou o professor.
-Droga... Tirei seis e meio.
-Tome sua prova, rapaz. Bela prova. – Elogiou o professor.
-Nove e meio? Mas professor... Bela prova e nove e meio?
O professor, que atentava para as provas sobre a mesa, ergue seu olhar até o semblante atônito de Euclides.
-Sim, Euclides. Nove e meio. Quer contestar algo? Nem leu a prova ainda.
-Não é justo me tirar meio ponto.
-Eu não tirei meio ponto de você, rapaz. Eu apenas não lhe dei dez. Em nenhum momento eu lhe dei dez para ter tirado meio ponto seu.
-Mas, mas... O senhor mesmo disse que minha prova está... Perfeita.
-Eu não disse isso. Aliás, pegue a prova do seu colega, o Ariano. Ali sim você verá uma prova perfeita. Ele mereceu a nota dez que recebeu.
-Ele citou teorias de Freud, Hegel, e até Aristóteles em sua redação... Meu Deus, como eu não pude ter pensado nisso... – Sibilou Euclides, enquanto lia pela vigésima segunda vez a prova de Ariano, deitado de bruços em sua cama.
-Meu irmão, como tudo isso foi acontecer, tão de repente? – Indignou-se Euclides, rente à cama hospitalar onde estava Ariano.
-Não sei... Como você disse, foi mesmo de repente. Foi ontem, enquanto descia a escada, na universidade, não se lembra? Você se despediu, estranhamente, e fiquei sozinho.
-Estranhamente?
-Se você estivesse do meu lado, talvez pudesse me estender a mão, tentava me segurar.
-Com certeza! Mas eu não estava! Como ia prever uma fatalidade dessas?
-Eu perdi o equilíbrio, não sei... Senti como se um vento muito forte me empurrasse escada abaixo, mas lógico, foi coisa da minha cabeça. Deu nisso: um tornozelo torcido, uma testa inchada, e uma noite tão ansiada, no ralo. É inacreditável que isso esteja acontecendo comigo. Justo hoje, justo hoje!
-Acalme-se! Não adianta ficar reclamando, agora você precisa repousar, cuidar da sua saúde. Em dois dias, ou até mesmo amanhã, já terá tido alta.
-Azar... Deus não existe. – Disse, com lágrimas nos olhos.
-Eu também acho. Andei lendo algumas obras de Nietzsche ultimamente, e não é que seus argumentos ateístas são bem pertinentes? – Reforçou.
-Ou então ele não existe para certas pessoas. Por que, Euclides? Por que Deus não existe para mim quando mais necessito?
-Não sei... Vai ver não é pra ser. Vai ver não há ser superior. Vai ver o mal seja superior, e aí?
-O mal superior... Segundo a Bíblia, o mal foi expulso do Reino dos Céus pois enfrentou a Deus. Quando se enfrenta alguém, é porque temos consciência de que podemos vencer esse alguém? Não acha?
-Ele está vencendo, Ariano. Ele está vencendo. – Disse, em tom sinistro.
-Hoje de manhã acordei inspirado pela minha melancolia profunda e... Digitei isso aqui.
-Veja...
-“Donde”? Uma poesia de amor, meu irmão? – Riu, desconcertado.
- e entregou a Euclides. Ao bater os olhos no escrito, o homem sorriu, desconcertado, como se nunca tivesse lido nada parecido.
-Uma poesia... “Donde”? Não sabia que escrevia poesia também.
-Sim. Poesia de amor... Lixo. Fiz pensando na Lia. Ela curte poesias do tipo, mas... Eu tenho vergonha.
-Vergonha do que? Do seu talento? Cara, você pode utilizar o seu talento para conquistar a mulher que ama!
-Não com essa poesia ridícula. Vou deletá-la. Tenho outras em arquivo, melhores que esta, que falam do mesmo assunto: amor, amor, e amor.
-Não, espere... Antes, queria te pedir pra enviá-la pro meu e-mail.
-Pro seu e-mail? Por que está me pedindo isso agora, Euclides?
-Ora! Você sabe que sou seu fã número um. Sabe que adoro ler o que escreve. Gostaria de imprimi-la lá no trabalho, e guardá-la comigo, como recordação. Já que irá apagá-la mesmo... Claro, se você não se importa.
-Não, na verdade eu não me importaria, mas... Ah, está bem, eu envio. – Resolveu, sem mais delongas.
-Obrigado.
Euclides rachou um leve riso e despediu-se.
Naquela tarde de sexta-feira, Euclides foi até a sala de Lia Neide.
-Posso entrar?
Ela, surpresa:
-Claro, pode. Você é aquele novo do esporte?
-Ah, sim, sou eu mesmo. – Respondeu, a um riso apagado.
Lia ergueu-se de seu assento, abandonando a digitação.
-Em que posso te ajudar?
-Nada, eu... É que eu escrevi uma poesia, sabe, e me deu uma imensa vontade de mostrá-la a alguém. Como só vi marmanjos nas salas ao lado, lembrei de você, aqui, e... Lógico, mulheres absorvem melhor a magia de uma poesia. Inda mais você, uma mulher aparentemente tão delicada.
-Obrigada. Sou delicada, mas não sou fresca, sim?
Os dois riram.
- Uma poesia? Então você gosta de escrever poesias?
-Sim, gosto. E quanto a você?
-Escrever... Não é o meu forte. Mas eu amo ler poesias, sobretudo as de Vinicius de Moraes, bem românticas.
-Que legal... Você se chama Lia, não é?
-Isso. E você, Euclides dos Santos.
-Nossa, pra saber meu nome inteiro, é sinal que lê minhas crônicas esportivas!
-Não, na verdade, eu só li um texto seu. Eu sou mais voltada à literatura, sabe? Não que seu texto seja ruim, longe disso. Mas é questão de preferência.
-Então eu imagino que prefira os textos do Ariano Bezerra.
-Ah, com certeza. O Ariano é fantástico.
Euclides congelou todos os seus gestos possíveis. Seu olhar perdeu-se nos próprios cílios.
-Desculpe, não quis te magoar... – Disse, ao notar o estado de abatimento do rapaz – Aliás, o Ariano está hospitalizado, voce soube?
-Soube. Mas ele passa bem.
-Ah, me perdoe de novo... Você veio me mostrar uma poesia, e eu já ia puxando outro assunto!
-A poesia... Tome.
-Nossa...
Ao término da leitura, ela abriu um largo sorriso, e apertou a folha contra o peito.
-Linda. Perfeita.
-Obrigado.
-Está apaixonado?
-Apaixonado...? – Riu-se – Que nada, é preciso estar?
-Bem, geralmente sim.
-Pode ficar pra você. Essa poesia. Ela é toda sua.
-Minha?
-É um presente. Não aceito recusa, ouviu? Afinal, esse é o nosso primeiro contato, e nada melhor do que eu poder presenteá-la com algo do seu agrado.
-Essa sua faceta é encantadora. Devia abandonar o mundo do esporte e mergulhar na poesia. Aí sim, seria sua leitora assídua.
-Poxa, fico até avexado com esses elogios todos...
Lia Neide se levantou, caminhou até Euclides e beijou-lhe a face.
-Obrigada pelo presente. Ele veio na hora certa.
-De nada... A propósito... Hoje eu não terei faculdade, então, estava pensando em jantar num restaurante japonês aqui perto. Eu adoro comida japonesa. Você conhece?
-O restaurante? Claro que conheço! Eu o adoro. – Disse ela, a um riso surpreso.
-Pois então. Está a fim de me acompanhar? Olha, eu pago! – Sorriu, erguendo o braço.
-Ai... – Lia mordisca os lábios, pensativa – Infelizmente não vai dar. Eu tenho um compromisso.
Neste momento, a redatora Julia se aproxima da porta da sala de Lia, e interrompe os passos ao notar que ela e Euclides conversavam ali. A porta estava aberta, e a conversa podia ser ouvida.
-Compromisso? – Indaga Euclides, cerrando a sobrancelha.
-É, eu combinei com a Julia de irmos visitar o Ariano mais tarde. Como eu disse há pouco, ele caiu da escada, e foi hospitalizado. Ele é meu amigo, entende.
Euclides engoliu a seco.
-Entendo, claro que entendo.
-Você também é amigo dele. Vejo vocês quase sempre juntos.
-Somos amigos. Hoje eu fui visitá-lo.
-Me desculpa, Euclides...
Julia entra na sala.
-Desculpe interrompê-los. Lia, preciso falar com você um instante. Como vai, Euclides? – Saudou, em tom irônico.
-Bem, e a senhora?
-Igualmente bem. Lia, venha até a minha sala, por favor. Preciso te passar uma papelada. Com licença.
Julia se retira. Lia guarda a poesia em sua gaveta.
-Não quer ir com a gente hoje?
-Não sei... Qualquer coisa eu te ligo. Ah, me esqueci, não tenho seu telefone.
-Não seja por isso. Vamos trocar.
E assim fizeram.
-Até mais. E mais uma vez, obrigada pela poesia.
Os dois saem da sala. Lia fecha a porta.
-Por nada. Fica pra próxima então o nosso programa?
-Com certeza.