quinta-feira, 29 de abril de 2010

LIVROS GRATUITOS

Recebi esta mensagem da querida Cacarina e gostaria de repassá-la à todos os amantes da literatura e das Letras. A leitura é imprescindível para nossa liberdade de expressão.


Maristela Brinchi
Bibliotecária - CRB/8 5046
Biblioteca - UNESP - Bauru-SP
Fone: (14) 3103-6005

Nem tudo o que pode ser contado conta, e nem tudo o que conta pode ser contado. Einstein




305 livros grátis
(Isso vale a pena repassar)

É só clicar no título para ler ou imprimir.
1. A Divina Comédia -Dante Alighieri
2.
A Comédia dos Erros -William Shakespeare
3.
Poemas de Fernando Pessoa -Fernando Pessoa
4.
Dom Casmurro -Machado de Assis
5.
Cancioneiro -Fernando Pessoa
6.
Romeu e Julieta -William Shakespeare
7.
A Cartomante -Machado de Assis
8.
Mensagem -Fernando Pessoa
9.
A Carteira -Machado de Assis
10.
A Megera Domada -William Shakespeare
11.
A Tragédia de Hamlet, Príncipe da Dinamarca -William Shakespeare
12.
Sonho de Uma Noite de Verão -William Shakespeare
13.
O Eu profundo e os outros Eus. -Fernando Pessoa
14.
Dom Casmurro -Machado de Assis
15.
Do Livro do Desassossego -Fernando Pessoa
16.
Poesias Inéditas -Fernando Pessoa
17.
Tudo Bem Quando Termina Bem -William Shakespeare
18.
A Carta -Pero Vaz de Caminha
19.
A Igreja do Diabo -Machado de Assis
20.
Macbeth -William Shakespeare
21.
Este mundo da injustiça globalizada -José Saramago
22.
A Tempestade -William Shakespeare
23.
O pastor amoroso -Fernando Pessoa
24.
A Cidade e as Serras -José Maria Eça de Queirós
25.
Livro do Desassossego -Fernando Pessoa
26.
A Carta de Pero Vaz de Caminha -Pero Vaz de Caminha
27.
O Guardador de Rebanhos -Fernando Pessoa
28.
O Mercador de Veneza -William Shakespeare
29.
A Esfinge sem Segredo -Oscar Wilde
30.
Trabalhos de Amor Perdidos -William Shakespeare
31.
Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis
32.
A Mão e a Luva -Machado de Assis
33.
Arte Poética -Aristóteles
34.
Conto de Inverno -William Shakespeare
35.
Otelo, O Mouro de Veneza -William Shakespeare
36.
Antônio e Cleópatra -William Shakespeare
37.
Os Lusíadas -Luís Vaz de Camões
38.
A Metamorfose -Franz Kafka
39.
A Cartomante -Machado de Assis
40.
Rei Lear -William Shakespeare
41.
A Causa Secreta -Machado de Assis
42.
Poemas Traduzidos -Fernando Pessoa
43.
Muito Barulho Por Nada -William Shakespeare
44.
Júlio César -William Shakespeare
45.
Auto da Barca do Inferno -Gil Vicente
46.
Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa
47.
Cancioneiro -Fernando Pessoa
48.
Catálogo de Autores Brasileiros com a Obra em Domínio Público-Fundação Biblioteca Nacional
49.
A Ela -Machado de Assis
50.
O Banqueiro Anarquista -Fernando Pessoa
51.
Dom Casmurro -Machado de Assis
52.
A Dama das Camélias -Alexandre Dumas Filho
53.
Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa
54.
Adão e Eva -Machado de Assis
55.
A Moreninha -Joaquim Manuel de Macedo
56.
A Chinela Turca -Machado de Assis
57.
As Alegres Senhoras de Windsor -William Shakespeare
58.
Poemas Selecionados -Florbela Espanca
59.
As Vítimas-Algozes -Joaquim Manuel de Macedo
60.
Iracema -José de Alencar
61.
A Mão e a Luva -Machado de Assis
62.
Ricardo III -William Shakespeare
63.
O Alienista -Machado de Assis
64.
Poemas Inconjuntos -Fernando Pessoa
65.
A Volta ao Mundo em 80 Dias -Júlio Verne
66.
A Carteira -Machado de Assis
67.
Primeiro Fausto -Fernando Pessoa
68.
Senhora -José de Alencar
69.
A Escrava Isaura -Bernardo Guimarães
70.
Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis
71.
A Mensageira das Violetas -Florbela Espanca
72.
Sonetos -Luís Vaz de Camões
73.
Eu e Outras Poesias -Augusto dos Anjos
74.
Fausto -Johann Wolfgang von Goethe
75.
Iracema -José de Alencar
76.
Poemas de Ricardo Reis -Fernando Pessoa
77.
Os Maias -José Maria Eça de Queirós
78.
O Guarani -José de Alencar
79.
A Mulher de Preto -Machado de Assis
80.
A Desobediência Civil -Henry David Thoreau
81.
A Alma Encantadora das Ruas -João do Rio
82.
A Pianista -Machado de Assis
83.
Poemas em Inglês -Fernando Pessoa
84.
A Igreja do Diabo -Machado de Assis
85.
A Herança -Machado de Assis
86..
A chave -Machado de Assis
87.
Eu -Augusto dos Anjos
88.
As Primaveras -Casimiro de Abreu
89.
A Desejada das Gentes -Machado de Assis
90.
Poemas de Ricardo Reis -Fernando Pessoa
91.
Quincas Borba -Machado de Assis
92.
A Segunda Vida -Machado de Assis
93.
Os Sertões -Euclides da Cunha
94.
Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa
95.
O Alienista -Machado de Assis
96.
Don Quixote. Vol. 1 -Miguel de Cervantes Saavedra
97.
Medida Por Medida -William Shakespeare
98.
Os Dois Cavalheiros de Verona -William Shakespeare
99.
A Alma do Lázaro -José de Alencar
100.
A Vida Eterna -Machado de Assis
101.
A Causa Secreta -Machado de Assis
102.
14 de Julho na Roça -Raul Pompéia
103.
Divina Comedia -Dante Alighieri
104.
O Crime do Padre Amaro -José Maria Eça de Queirós
105.
Coriolano -William Shakespeare
106.
Astúcias de Marido -Machado de Assis
107.
Senhora -José de Alencar
108.
Auto da Barca do Inferno -Gil Vicente
109.
Noite na Taverna -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
110.
Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis
111.
A 'Não-me-toques' ! -Artur Azevedo
112.
Os Maias -José Maria Eça de Queirós
113.
Obras Seletas -Rui Barbosa
114.
A Mão e a Luva -Machado de Assis
115..
Amor de Perdição -Camilo Castelo Branco
116.
Aurora sem Dia -Machado de Assis
117.
Édipo-Rei -Sófocles
118.
O Abolicionismo -Joaquim Nabuco
119.
Pai Contra Mãe -Machado de Assis
120.
O Cortiço -Aluísio de Azevedo
121.
Tito Andrônico -William Shakespeare
122.
Adão e Eva -Machado de Assis
123.
Os Sertões -Euclides da Cunha
124.
Esaú e Jacó -Machado de Assis
125.
Don Quixote -Miguel de Cervantes
126.
Camões -Joaquim Nabuco
127.
Antes que Cases -Machado de Assis
128.
A melhor das noivas -Machado de Assis
129.
Livro de Mágoas -Florbela Espanca
130.
O Cortiço -Aluísio de Azevedo
131.
A Relíquia -José Maria Eça de Queirós
132.
Helena -Machado de Assis
133.
Contos -José Maria Eça de Queirós
134.
A Sereníssima República -Machado de Assis
135.
Iliada -Homero
136.
Amor de Perdição -Camilo Castelo Branco
137.
A Brasileira de Prazins -Camilo Castelo Branco
138.
Os Lusíadas -Luís Vaz de Camões
139.
Sonetos e Outros Poemas -Manuel Maria de Barbosa du Bocage
140.
Ficções do interlúdio: para além do outro oceano de Coelho Pacheco. -Fernando Pessoa
141.
Anedota Pecuniária -Machado de Assis
142.
A Carne -Júlio Ribeiro
143.
O Primo Basílio -José Maria Eça de Queirós
144.
Don Quijote -Miguel de Cervantes
145.
A Volta ao Mundo em Oitenta Dias -Júlio Verne
146.
A Semana -Machado de Assis
147.
A viúva Sobral -Machado de Assis
148.
A Princesa de Babilônia -Voltaire
149.
O Navio Negreiro -Antônio Frederico de Castro Alves
150.
Catálogo de Publicações da Biblioteca Nacional -Fundação Biblioteca Nacional
151.
Papéis Avulsos -Machado de Assis
152.
Eterna Mágoa -Augusto dos Anjos
153.
Cartas D'Amor -José Maria Eça de Queirós
154.
O Crime do Padre Amaro -José Maria Eça de Queirós
155.
Anedota do Cabriolet -Machado de Assis
156.
Canção do Exílio -Antônio Gonçalves Dias
157.
A Desejada das Gentes -Machado de Assis
158.
A Dama das Camélias -Alexandre Dumas Filho
159.
Don Quixote. Vol. 2 -Miguel de Cervantes Saavedra
160.
Almas Agradecidas -Mac hado de Assis
161.
Cartas D'Amor - O Efêmero Feminino -José Maria Eça de Queirós
162.
Contos Fluminenses -Machado de Assis
163.
Odisséia -Homero
164.
Quincas Borba -Machado de Assis
165.
A Mulher de Preto -Machado de Assis
166.
Balas de Estalo -Machado de Assis
167.
A Senhora do Galvão -Machado de Assis
168.
O Primo Basílio -José Maria Eça de Queirós
169.
A Inglezinha Barcelos -Machado de Assis
170.
Capítulos de História Colonial (1500-1800) -João Capistrano de Abreu
171.
CHARNECA EM FLOR -Florbela Espanca
172.
Cinco Minutos -José de Alencar
173.
Memórias de um Sargento de Milícias -Manuel Antônio de Almeida
174.
Lucíola -José de Alencar
175.
A Parasita Azul -Machado de Assis
176.
A Viuvinha -José de Alencar
177.
Utopia -Thomas Morus
178.
Missa do Galo -Machado de Assis
179.
Espumas Flutuantes -Antônio Frederico de Castro Alves
180.
História da Literatura Brasileira: Fatores da Literatura Brasileira -Sílvio Romero
181..
Hamlet -William Shakespeare
182.
A Ama-Seca -Artur Azevedo
183.
O Espelho -Machado de Assis
184.
Helena -Machado de Assis
185.
As Academias de Sião -Machado de Assis
186.
A Carne -Júlio Ribeiro
187.
A Ilustre Casa de Ramires -José Maria Eça de Queirós
188.
Como e Por Que Sou Romancista -José de Alencar
189.
Antes da Missa -Machado de Assis
190.
A Alma Encantadora das Ruas -João do Rio
191.
A Carta -Pero Vaz de Caminha
192.
LIVRO DE SÓROR SAUDADE -Florbela Espanca
193.
A mulher Pálida -Machado de Assis
194.
Americanas -Machado de Assis
195.
Cândido -Voltaire
196.
Viagens de Gulliver -Jonathan Swift
197.
El Arte de la Guerra -Sun Tzu
198.
Conto de Escola -Machado de Assis
199.
Redondilhas -Luís Vaz de Camões
200.
Iluminuras -Arthur Rimbaud
201..
Schopenhauer -Thomas Mann
202.
Carolina -Casimiro de Abreu
203.
A esfinge sem segredo -Oscar Wilde
204.
Carta de Pero Vaz de Caminha. -Pero Vaz de Caminha
205.
Memorial de Aires -Machado de Assis
206.
Triste Fim de Policarpo Quaresma -Afonso Henriques de Lima Barreto
207.
A última receita -Machado de Assis
208.
7 Canções -Salomão Rovedo
209.
Antologia -Antero de Quental
210.
O Alienista -Machado de Assis
211.
Outras Poesias -Augusto dos Anjos
212.
Alma Inquieta -Olavo Bilac
213.
A Dança dos Ossos -Bernardo Guimarães
214.
A Semana -Machado de Assis
215.
Diário Íntimo -Afonso Henriques de Lima Barreto
216.
A Casadinha de Fresco -Artur Azevedo
217.
Esaú e Jacó -Machado de Assis
218.
Canções e Elegias -Luís Vaz de Camões
219.
História da Literatura Brasileira -José Veríssimo Dias de Matos
220.
A mágoa do Infeliz Cosme -Machado de Assis
221.
Seleção de Obras Poéticas -Gregório de Matos
222.
Contos de Lima Barreto -Afonso Henriques de Lima Barreto
223.
Farsa de Inês Pereira -Gil Vicente
224.
A Condessa Vésper -Aluísio de Azevedo
225.
Confissões de uma Viúva -Machado de Assis
226.
As Bodas de Luís Duarte -Machado de Assis
227.
O LIVRO D'ELE -Florbela Espanca
228.
O Navio Negreiro -Antônio Frederico de Castro Alves
229.
A Moreninha -Joaquim Manuel de Macedo
230.
Lira dos Vinte Anos -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
231.
A Orgia dos Duendes -Bernardo Guimarães
232.
Kamasutra -Mallanâga Vâtsyâyana
233.
Triste Fim de Policarpo Quaresma -Afonso Henriques de Lima Barreto
234.
A Bela Madame Vargas -João do Rio
235.
Uma Estação no Inferno -Arthur Rimbaud
236.
Cinco Mulheres -Machado de Assis
237.
A Confissão de Lúcio -Mário de Sá-Carneiro
238.
O Cortiço -Aluísio Azevedo
239.
RELIQUIAE -Florbela Espanca
240.
Minha formação -Joaquim Nabuco
241.
A Conselho do Marido -Artur Azevedo
242.
Auto da Alma -Gil Vicente
243.
345 -Artur Azevedo
244.
O Dicionário -Machado de Assis
245.
Contos Gauchescos -João Simões Lopes Neto
246.
A idéia do Ezequiel Maia -Machado de Assis
247.
AMOR COM AMOR SE PAGA -França Júnior
248.
Cinco minutos -José de Alencar
249.
Lucíola -José de Alencar
250.
Aos Vinte Anos -Aluísio de Azevedo
251.
A Poesia Interminável -João da Cruz e Sousa
252.
A Alegria da Revolução -Ken Knab
253.
O Ateneu -Raul Pompéia
254.
O Homem que Sabia Javanês e Outros Contos -Afonso Henriques de Lima Barreto
255.
Ayres e Vergueiro -Machado de Assis
256.
A Campanha Abolicionista -José Carlos do Patrocínio
257.
Noite de Almirante -Machado de Assis
258.
O Sertanejo -José de Alencar
259.
A Conquista -Coelho Neto
260.
Casa Velha -Machado de Assis
261.
O Enfermeiro -Machado de Assis
262.
O Livro de Cesário Verde -José Joaquim Cesário Verde
263.
Casa de Pensão -Aluísio de Azevedo
264.
A Luneta Mágica -Joaquim Manuel de Macedo
265.
Poemas -Safo
266.
A Viuvinha -José de Alencar
267.
Coisas que Só Eu Sei -Camilo Castelo Branco
268.
Contos para Velhos -Olavo Bilac
269.
Ulysses -James Joyce
270.
13 Oktobro 1582 -Luiz Ferreira Portella Filho
271.
Cícero -Plutarco
272.
Espumas Flutuantes -Antônio Frederico de Castro Alves
273.
Confissões de uma Viúva Moça -Machado de Assis
274.
As Religiões no Rio -João do Rio
275.
Várias Histórias -Machado de Assis
276.
A Arrábida -Vania Ribas Ulbricht
277.
Bons Dias -Machado de Assis
278.
O Elixir da Longa Vida -Honoré de Balzac
279.
A Capital Federal -Artur Azevedo
280.
A Escrava Isaura -Bernardo Guimarães
281.
As Forças Caudinas -Machado de Assis
282.
Coração, Cabeça e Estômago -Camilo Castelo Branco
283.
Balas de Estalo -Machado de Assis
284.
AS VIAGENS -Olavo Bilac
285.
Antigonas -Sofócles
286.
A Dívida -Artur Azevedo
287.
Sermão da Sexagésima -Pe. Antônio Vieira
288.
Uns Braços -Machado de Assis
289.
Ubirajara -José de Alencar
290.
Poética -Aristóteles
291.
Bom Crioulo -Adolfo Ferreira Caminha
292.
A Cruz Mutilada -Vania Ribas Ulbricht
293.
Antes da Rocha Tapéia -Machado de Assis
294.
Poemas Irônicos, Venenosos e Sarcásticos -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
295.
Histórias da Meia-Noite -Machado de Assis
296.
Via-Láctea -Olavo Bilac
297.
O Mulato -Aluísio de Azevedo
298.
O Primo Basílio -José Maria Eça de Queirós
299.
Os Escravos -Antônio Frederico de Castro Alves
300.
A Pata da Gazela -José de Alencar
301.
BRÁS, BEXIGA E BARRA FUNDA -Alcântara Machado
302.
Vozes d'África -Antônio Frederico de Castro Alves
303.
Memórias de um Sargento de Milícias -Manuel Antônio de Almeida
304.
O que é o Casamento? -José de Alencar
305.
A Harpa do Crente -Vania Ribas Ulbricht

Française musique: la hommage (1)

A partir de hoje, em todas as quintas-feiras, farei uma homenagem à música francesa aqui no Autores S/A. Canções tão belas, que, preconceituosamente, são elevadas a um patamar quase inatingível pelas línguas cruas. Digo neste sentido pois, há, geralmente, um pré-conceito de que música francesa é coisa de elite, é coisa de rico, é cult, é nerd, é gay, entre outras adjetivações sórdidas de quem não sabe o que diz simplesmente por não ter assunto digno para dizer. Dizem por não conhecerem, por nem sequer buscarem este conhecimento; são ignorantes, i.e, aqueles que ignoram e, acomodados em suas cadeiras de tribunais, julgam a torto e a direito, e a esquerdo, o que não está a vosso alcance.

O francês pode ser pop, e ser pop não é ser esdrúxulo. Se for para banalizar, que banalizem algo de qualidade, ao menos. A reprodutibilidade é fato, porém, um fato que merece atenção especial. Muitos produtos que ouvimos, ou assistimos, se tornam “bons” de tanto que insistem em se entranhar douloureux em nossas mentes, na luta constante pela calcificação dos miolos em prol da massificação. De massa, já basta a macarronada de domingo. Os “gordinhos” que o digam.

Ultimamente tenho voltado alguma atenção à música da França, e, inevitavelmente (falo por mim), tornei-me apreciador. É salutar ainda lembrar que, não me atenho somente às canções interpretadas por cantores de origem francesa, mas, principalmente, a intérpretes que deram à canção deste país europeu uma nova “roupagem”, ou seja, uma versão às vezes até mais bela do que a original. Chega de “enrolé”. A primeira canção escolhida por mim é a clássica “Non, je ne regrette rien”, composta por Charles Dumont, que, após a morte de Édith Piaf em 1963, passa a compor para o intérprete Jacques Brel; e por Michel Vaucaire. Escrita em 1956, canção ficou marcada na voz esmeraldina de Édith Piaf, um dos principais expoentes musicais da França, e por que não do mundo?

Apesar de tal êxito, hoje ficarei devendo Piaf para os meus nobres leitores e ouvintes. A versão que escolhi é a de Cássia Eller. Ela imprime uma “levada” doce, e a cada nota, a cada palavra cantada, eu sinto como se a voz forte da rockeira mais sensível que o Brasil já teve flua como ondulações oceânicas, como uma canção de ninar numa noite primaveril. Como já foi supracitada, a homenagem é à canção francesa, e não especificamente ao intérprete. A versão que será apresentada foi abertura do acústico MTV realizado em março de 2001, nove meses antes do falecimento da cantora. Observação: a cada postagem de homenagem, publicarei também uma pintura de origem francesa; uma bela imagem para acompanhar la belle musique.

Bonne musique!


(Gustave Claude Etienne Courtois, Pusey, Francia, 1853-1923)




Non... rien de rien...
Non... je ne regrette rien
Ni le bien qu'on ma fait,
Ni le mal - tout ça m'est bien égal!

Non... rien de rien...
Non... je ne regrette rien
C'est payé, balayé, oublié,
Je me fous du passé!

Avec mes souvenirs
J'ai allumé le feu,
Mes chagrins, mes plaisirs,
Je n'ai plus besoin d'eux!

Balayé les amours
Avec leurs trémolos
Balayés pour toujours
Je repars à zéro...

Non... rien de rien...
Non... je ne regrette rien
Ni le bien qu'on ma fait,
Ni le mal - tout ça m'est bien égal!

Non... rien de rien...
Non... je ne regrette rien
Car ma vie, car mes joies,
Aujourd'hui, ça commence avec toi!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

sempre

No meu ventre
Há sempre janela aberta, flor na mesa, cheirinho de café.
Aconchego de graça, banco de praça e cafuné.
No meu ventre
Você é sempre bem-vindo, novo e de novo.
Ontem, agora e sempre.

(imagem da internet)

Pensando,vivendo e sofrendo o hoje


Há tempos que não escrevo nada, minha mente esta parecendo uma terra seca, sem vida, sem inspiração. Sinto que isso é reflexo do momento de vida, a luta pela sobrevivência ou, como dizem por aí pelo “ganha pão” me faz ainda em alguns momentos passar pela vida sem vivê-la, somente sobrevivendo, rumando junto com a boiada e vendo o dia amanhecer e anoitecer como uma roda gigante naquele movimento ritmado e sem novidade, sem nada de especial, porém, este balanço pelo qual o mundo esta passando de alguma forma mexeu comigo, me fez sair do meu mundinho e olhar com mais atenção para o mundão.

Infelizmente, não tenho como não ver que vivemos numa sociedade que através de nós e de seus dirigentes muitas vezes se mostra cruel. Esses tristes dias em que vimos pessoas morando sobre o lixo e morrendo sob o lixo me fez parar um pouco a minha egoísta correria em busca de dinheiro e pensar um pouco no porque de tudo isso.

Hoje, sentado no conforto do meu lar e olhando para meus filhos brincando,sorrindo,chorando,vivendo, não consigo não pensar em tantos Pais e Mães como eu e minha esposa que choram a dor da perda de seus filhos e de filhos que choram a morte de pais, irmãos e familiares soterrados por um mar de lama, lixo e indiferença.

É com dor que escrevo essas palavras, pois eu sei que daqui a poucos dias essa tragédia vai cair no esquecimento, continuaremos vivendo em nossos mundinhos de sobrevivência e luta e quando digo isso não é criticando a nossa condição, mas sim constatando a vida que ainda levamos muitas vezes escravos de nós mesmo e do sistema, pois acordamos cedo, vamos para os nossos trabalhos, enfrentamos transito pra chegar ao trabalho, para voltar pra casa, temos medo do arrastão, da bala perdida e agora da inundação e quando finalmente chegamos em casa, esgotados, só nos resta força pra tomar um banho, comer, pois é preciso, e nos entregarmos ao poder do controle remoto para numa seqüência alienante sabermos das notícias, quase sempre péssimas e depois para nossa aula diária de como não viver a vida,naquele horário tenebroso em que se quisermos,temos todas as lições de como estragar nossas famílias, como não ter moral,além disso, também é o momento de nossa lavagem cerebral diária de consumismo em que as mocinhas e mocinhos se apresentam ditando a moda e o estilo,é o momento de abrirmos nossa cabeça para ilusão de como é importante comprar, ter, ou parecer que se tem alguma coisa material, sofremos às vezes por não podermos aproveitar como gostaríamos a redução do IPI,ou por não poder (ainda) compra o celular do “bonitão” da novela das nove.E nessa jornada alienante é que vamos vivendo,empurrando com a barriga,respondendo ao boa noite do Bonner e procurando na internet as roupas da protagonista do Manoel Carlos,morando nos Bumbas da cidade e sonhando com o Leblon do conto de fadas (ou bruxas),mas, a verdade é que quando levantamos cedo com o despertador do celular embaixo da cama,contamos as moedas para a condução e paramos para comer um pão com mortadela na padaria,é que a vida se mostra como é,podemos ver a materialização da desigualdade a cada esquina,a cada menino negro fazendo malabarismos nos sinais em busca da moedinha e a cada marginal pronto para dar o “bote” na saída do caixa eletrônico.

Nos vemos as vésperas de mais uma eleição em que para muitos o nulo é a melhor opção, mas, como bom brasileiro no final das contas vou no “menos pior” com alguma tristeza, mas ainda com um fio de esperança.

A cada dia que passa e que tenho um tempo para respirar e pensar no amanhã, me esforço para não ter medo, olho para o céu e peço a Deus que nos dê tempos de mais clareza em nossas consciências, peço também uma sociedade mais igualitária em que os cidadãos possam sair sem medo, que tenham empregos e salários dignos para sustentar suas famílias. Não posso deixar de pedir por mim, que me mantenha alerta para as armadilhas do marketing político, que eu consiga, principalmente em Outubro, distinguir os lobos em pele de cordeiro, penso que uma boa opção de fazermos esta distinção é olharmos para seus rastros, pois lobo tem rastro de lobo, em qualquer lugar e em qualquer situação e ainda incluo em minhas orações o pedido de que o balanço que a humanidade de modo geral vem passando sirva de alerta para todos, pois sinto que é tempo de nos olharmos mais como irmãos, de preservamos a natureza,pois somos parte dela e se a destruímos,estamos nos destruindo também.

Quero, para concluir, dizer que é possível ter momentos alegria, pois aqui, nesse fórum, encontro uma consciência crítica do mundo, pessoas dispostas a produzir e transmitir conhecimentos, vivências e visões de mundo diferentes do que nos é passado pela grande mídia, aqui neste fascinante universo das letras encontramos pessoas que se dispõem a compartilhar suas belas criações tornando nossas vidas mais bonitas e nos mostrando que é possível viver, questionar e ensinando que ser é muito melhor do que ter.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Primeiro Concurso Literário de Ficção Científica Baseado Em Imagens

Olá galera!
O Autores S/A disponibilizado a todos vocês que estão sempre nos acompanhando uma série de concursos literários vigentes neste ano. Vai então mais uma sugestão! Escrever e participar não custa nada!
Deixarei aqui o link do site que consta o regulamento e as imagens opcionais. Está logo no ínicio do site a informação a respeito.
As inscrições foram abertas no dia 14 de abril e só fecharão no dia 08 de maio deste ano. Deve ser escrito no genero CONTO e ter, no mínimo, 1,500 palavras.
Acessem o site, vamos participar!

http://contosfantasticos.com.br/

Abraços, Lohan

terça-feira, 20 de abril de 2010

Concurso literário promovido pelo banco Itaú.

Olá, galera.
Sei que estou em falta com todos vocês, mas assim como nossa querida Camila, estou numa fase em que as prioridades estão sendo absorvidas pelo meu tempo e pela minha inspiração também. Novos projetos, filho se descobrindo, me descobrindo e vice-versa; busca por creches que estejam no rol das chamadas "bem conceituadas", enfim, um verdadeiro turbilhão.
Mas embora eu não esteja escrevendo, estou sempre de olho e quando posso, deixo meus comentários. Fico feliz em saber que o blog deu tão certo e está sempre inovando com autores de estilos distintos, interessantes, obtendo acréscimo de leitores, liberando o "eu-lírico" que habita em cada um: seja o leitor ou o escritor.
E por falar em "eu-lírico", vou colar aqui uma newsletter que promove um concurso literário promovido pelo Itaú. Quem sabe, algum de nós não leva essa, hein? Boa sorte.





Itaú Cultural - Rumos Literatura 2010-2011


Ter, 20 de Abril de 2010 02:09







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Abertas as inscrições para o edital do programa Rumos Literatura 2010-2011, do Itaú Cultural. O edital completo com o regulamento, prêmios, categorias e instruções como se inscrever no site www.itaucultural. org.br/rumos.

Resumo (informações básicas)

O programa está dividido em duas categorias:

1. Produção Literária: para projetos de ensaio que tratem de um tema relativo à produção literária brasileira a partir do início dos anos 1980.

2. Crítica Literária: para projetos de ensaio sobre a produção crítica na literatura brasileira realizada a partir do início dos anos 1980.

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Período de inscrições: de 3 de março a 31 de julho de 2010.

E-mail tira dúvida: rumosliteratura@itaucultural.org.br



IMPORTANTE: o interessado não precisa escrever o ensaio final, apenas o projeto que será desenvolvido em 2011, conforme consta no edital.



Público alvo: estudantes universitários de graduação e pós-graduação, pesquisadores, escritores e demais interessados em literatura de acordo com o tema e regulamento do edital.



Prêmios: os selecionados receberão apoio financeiro mensal e remuneração referente ao licenciamento dos direitos autorais do trabalho concluído e aprovado, entre outros prêmios.



A novidade desta edição é a possibilidade de estrangeiros se inscreverem. O programa busca colaborar no desenvolvimento de potencialidades ao estimular a formação do interessado em literatura na ampliação de sua rede de relacionamentos intelectuais e profissionais e, posteriormente, lançar e divulgar uma publicação com sua produção autoral.



Apoios

O programa Rumos Literatura 2010-2011, conta com o apoio da Anpoll - Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e em Lingüística (www.anpoll.org.br) e da ABRALIC - Associação Brasileira de Literatura Comparada (www.abralic.org)



Acompanhe as notícias e comentários sobre o programa Rumos no blog

(rumositaucultural.wordpress.com)



Contamos com a sua inscrição e boa sorte!



Itaú Cultural
Comunicação Dirigida

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Passado? Presente? Futuro?


Passado antes, futuro
Passado depois, presente
Passado agora, passado

Presente antes, futuro
Presente agora, presente
Presente depois, passado

Futuro antes, futuro
Futuro agora, presente
Futuro depois, passado




Observação: Por motivos de força maior, não poderei mais postar aos domingos, então, passo a postar às sextas. Abraço a todos!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Concurso Cultural Contos do Rio

Amigos autores e leitores,
O Jornal O Globo está promovendo um concurso cultural de contos, os quais devem ser ambientados na cidade do Rio de Janeiro.
O conto deve ser baseado também numa fotografia, escolhida através de uma votação no site do jornal em questão.
Estou deixando aqui apenas uma ''palhinha'' do concurso. Leiam o regulamento completo disponível neste site:

http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2010/03/27/regulamento-do-concurso-cultural-contos-do-rio-278125.asp

A fotografia eu postarei aqui, para que todos possam analisá-la e, mergulhados nela, imaginarem uma bela história!
Qualquer dúvida, deixem nos comentários.
O Rio de Janeiro merece a nossa homenagem neste momento tão difícil. Participem!
Abraços e boa sorte a todos!



(Nuvem sobre o Largo da Carioca, de Márcia Folleto)

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Descer a escada

Me reescrevo aqui hoje.
Não consigo escrever outra coisa.
Por isso colei também a imagem...
Nada precisa ser triste, nem feio. Ahhh! Que bom!
Bem que eu avisei. Não tenho dons de poeta!
Vocês é que são o máximo!
Um beijo no coração.
Claudia
(crédito na imagem)

Resenha do filme "A voz do coração", por Lohan Lage

Para toda ação, há uma reação. A famosa lei de Newton serve como pedra angular da construção desta resenha a respeito do filme francês “A voz do coração” (La Choristes). Dirigido por Christophe Barratier no ano de 2004, a obra traz à tona, ou melhor dizendo, traz com singular maviosidade a temática da educação.

Clichê ou não, falar de ensino e educação em uma obra cinematográfica se faz cada vez mais necessário nos dias de hoje, pois vêm se perdendo, em meio a demasiada banalização de todas as coisas, os sentidos do que é ensinar, do como ensinar, da dialética entre aluno e professor.

O filme trata do assunto com apreciável delicadeza, aguçando a sensibilidade dos mais brutamontes de plantão. Uma obra como esta se torna indispensável em qualquer plano de ensino que se preze. Se todos os professores se espelhassem no personagem Clément Mathieu, interpretado com uma brilhante naturalidade pelo ator Gerard Jugnot, talvez a paz e a liberdade de expressão reinassem em grande parte das instituições de ensino.

Em uma instituição chamada “O fundo do poço”, que abriga alunos “filhos da pós-segunda guerra mundial”, e que é comandada a mãos de ferro pelo diretor Rachin (François Berléand), é natural que se predomine a indisciplina. Quem se encontra no fundo do poço, não tem nada mais a perder. Como se vê, existem, nesse ambiente apresentado no filme, diversos fatores negativos que exercem influência direta no comportamento dos meninos que ali vivem.

O professor Mathieu, recém-chegado a este lugar, surpreende-se com os métodos aplicados pelo diretor, que não se cansa de repetir sua justificativa: para toda ação, há uma reação. Isto é, a punição a indisciplinaridade ou qualquer outro tipo de fuga do padrão estabelecido era severa. Mathieu, decidido a modificar esse cenário de violência desnecessária, toma uma atitude que, a princípio, podia parecer simples: ele transforma o significado contextual da palavra “reação”.

Como um professor precisa reagir diante de um aluno que não o respeita? Ora, primeiramente, descobrir o porquê que ele não o respeita. O que existe em seu tratamento com ele? Autoridade ou autoritarismo?

De acordo com o filósofo mineiro Régis Morais, “o autoritarismo é algo que procura se impor, com uso claro ou velado do poder, enquanto a autoridade é algo que se propõe à aceitação de pessoas ou grupos e só tem legitimidade enquanto dura tal aceitação”. No filme, o professor Mathieu não só abre mão, como também repreende o autoritarismo incutido na metodologia dos professores que ali lecionam, e, em contrapartida, utiliza-se de uma ferramenta sentimental muito mais poderosa e congregadora: o afeto.

Afetar é tocar profundo, é mudar o posicionamento de uma pessoa sem artifícios maléficos, mas sim, com carinho, com atenção merecida, com arte. A arte é o afeto em si, desde que seja manuseada de modo coerente. E assim o fez o professor revolucionário. Através da música, ele confraterniza toda a turma, e, gradualmente, elimina os maus exemplos que se sobressaíam entre eles.



A criança e o adolescente também precisam ser respeitados, tanto quanto um idoso, ou um portador de necessidades especiais. São seres que vivem em ebulição de aprendizados, de descobertas, de hormônios. São seres que merecem atenção redobrada. Muitos professores costumam pré-conceituá-los, antes mesmo de lidar com eles. Este preconceito impossibilita a reciprocidade do respeito e, logo, nada de produtivo brota do ensino preconceituoso. A trama aborda essa questão, ao apresentar a chegada de um aluno problemático à instituição. Este chega a ser acusado injustamente de furto, sendo detido. A reação, tão pregada pelo diretor da trama, muitas vezes pode ser por demais exacerbada e pior: injusta. Como um jovem se reabilita atrás das grades de um reformatório?

É formado um coral de meninos, cujos atores mirins dão um verdadeiro show de interpretação. O solista deste coral, o garoto Pierre (Jean-Baptiste Maunier), abre mão de suas antigas estripulias em prol da dedicação à música, que, por conseguinte, mudaria por completo a sua vida. A cada cena em que “abria a boca” para cantar, o arrepio inevitável percorre a pele, afeta o modo de pensar do telespectador, que se convence de que a arte pode revolucionar uma escola no fundo do poço; aprende a discernir educação (mudança de comportamento ético e de valores de maneira espontânea e afetuosa) de instrução (adestramento). Animais são adestrados, homens não.

O final do filme mostra os efeitos dessa educação aplicada no passado pelo professor Mathieu e, deixa como lição que: um professor se torna inesquecível por reagir, sim, mas reagir com afeto; reagir através da educação.

A voz do coração tornou-se um grande sucesso na França, chegando a representar o país no Oscar 2005 na categoria melhor filme estrangeiro. Nesta ocasião, o Oscar foi para o igualmente genial “Mar adentro”, do diretor Alejandro Amenábar.

Abaixo, uma belíssima cena do filme. Emocionem-se!

domingo, 11 de abril de 2010

A

A verdade
Abruptamente me viu.
Assim, meio de surpresa...
Assassinou os pequenos sentimentos que viviam me rondando.
Aniquilou aquelas memórias que tanto tempo não conseguiu mover.
Abandonei as perguntas sem razão e as pessoas pequenas que não merecem minha vida.
Acabei caindo na tentação de esperar. É sempre assim. Para os poetas ou não.
Assumo: quero.
Aceito: sorrisos, carinho, bilhetes, devoção, beijos, interesse, mãos dadas.
Adoro tudo: voz, olhar, inteligência e caráter mas tenho medo da perfeição...
Ao seu lado eu iria até onde minhas palavras perdem o sentido, eu saberia mais do muito que ainda não entendo, eu viveria mais do que meus sonhos premeditam.
Anuncio aqui o que não pode ser dito lá.
Ainda que eu me cale, aqui vive essa estranhisse que não me deixa ficar triste, reparar que já está tarde ou quantos textos eu não li.
Acordo pensando na poesia que eu posso sentir no ar... e
Acredito mesmo que existe um mistério rondando nossos nomes e futuros.
Aqui eu posso acreditar e até viver o presente desse desejo.
Aqui eu posso te amar. Manter seu nome nas entrelinhas.
Arrumar meu coração pra você.
Ajustar o tempo de saudade.
Assim.... é assim mesmo que eu quero me manter até você chegar.
Ameno amor.
Assustadoramente completo.
Apaixonadamente meu
Amor.

Não consigo dormir

Não consigo dormir
Não consigo dormir
Por mais que eu tente
Não consigo dormir

Viro para um lado
Viro para o outro
De cabeça para baixo
Não consigo dormir

O calor me incomoda
O frio mais ainda
Não consigo dormir
Não consigo dormir

O barulho da rua me atrapalha
O silêncio em minha casa também
Não consigo dormir
Não consigo dormir

A escuridão
A luz forte
A penumbra
A luz do poste

Não consigo dormir
Não consigo dormir
Não consigo dormir
Não consigo dormir

sábado, 10 de abril de 2010

A Luzia




A vida
Foi o que Luzia perdeu atrás da horta
O sol re-luzia
A lua reluzia a luz do sol
Mas Luzia... Estava morta.

A morte,
Foi o que Luzia ganhou enquanto cuidava de sua horta.
A mulher re-lanceava,
O homem lançava o olhar,
E Luzia, que não sabia,
Vivia tal qual uma alface a secar.

A horta,
Era tudo o que Luzia tinha.
A horta,
Só tinha a Luzia.
A mão que plantava,
A mesma que colhia,
Agora, ali estava:
Morta, a Luzia.
Atrás da horta,
Sob um sol quente de meio-dia.
Mas o sol apenas luzia,
O sol... Apenas luzia.

O sol,
Seca a vida da horta
Seca a morte de Luzia
Que seca, em vida, já estava
E não sabia.
O sol,
A luz ia... A luz ia...
E veio a chuva,
E chovia sobre Luzia.
Cinco dias,
Que venham os urubus
Sinalizarem o cadáver, com alegria.
Que venham todos,
Sentirem a falsa agonia.

A vida,
Foi o que Luzia perdeu atrás da horta...
Primeiro a faca
O abrir da porta
O esconder-se
Atrás da horta...
A garganta corta.

Morta,
Era o estado de Luzia atrás da horta...
Que olhar agora se importa?



(Roda morta, Sérgio Sampaio)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

O perigo da história única

Hum, hum... Oi. Olá?
Tem alguém aqui?
Por motivos pascais não postei nessa segunda-feira...
Mas recebi um link muuuito legal para pessoas com perfis literários...
Resolvi então invadir a quarta-feira... Tudo bem? Risos.
Beijos (ainda com sabor chocolate),
Claudia

http://www.ted.com/talks/lang/por_pt/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story.html

Eu...



Eu...
O meu eu
Nítido
Cervantesco
Não sabe se libertar
Das masmorras do grotesco
O meu eu
Niilista
Centrista
Não pode encantar o seu eu
De artista
Eu que não há quem resista
Eu que coexiste com a minha loucura
E me pendura
Nos cabides do teu vermelho coração.
Eu ninfomaníaco
Eu cego.
Meu lírico
Que te escreve.
Eu...

terça-feira, 6 de abril de 2010

Auto Ecocardiograma






Existe um coração. Só queria que soubesse disso.
Ás vezes ele parece ser mais forte do que é, ás vezes até pensam que ele tira folga, mas não, ele está aqui. Sempre esteve.
Existe um coração que não sabe que a vida não pode parar, que existe trabalho, prazos e contas.
Ele não sabe contar, não sabe quantos dias se foram e se foram meses... horas? Para que relógio, se coração não tem pulso.
Existe um coração que perde a fome, que perde o sono e que às vezes pulsa na garganta e transborda nos olhos quando não consegue mais se conter.
Ele já passou por muitas vociferações, mas ainda vive e revive a cada choque que a vida lhe dá, a cada parada que ele é obridado a fazer, ele respira fundo e tenta de novo, porque sucumbir é covardia e medo ele só tem de nunca mais amar.
Existe um coração, não sei o quanto ele vale, nem se vale muito, mas é o único que eu possuo. Só queria que soubesse disso.

domingo, 4 de abril de 2010

Olhos negros

Em sua profundidade mergulho
Em sua imensidão me afundo

Olhos negros...
Olhos negros...

Em sua escuridão tateio
Em sua negritude nada encontro

Olhos negros...
Olhos negros...

Em sua vastidão me perco
Em suas trevas me acho

Olhos negros...
Olhos negros...
Olhos negros...

sábado, 3 de abril de 2010

O teatro de Dio



Quebre a perna
Vá a merda
Feche os olhos
Abra os olhos
Vista-se.
Seja-se.
Não seja-se.

Este é o palco
Cante tua ópera
De melodia inoperante
Meça a medida da mediocridade
Sorria médio
Chore alto
Cresça pequeno

Não queira saber
Do proscenium
Reproduza tua scenic
Agonize teu agon
Pari passu
Sem mais vãs filosofias.
Neste circo, és só um palhaço,
És um palhaço só, de humor escasso.

As cordas são invisíveis
Qual mão as controlam?
Efeito especial!
Maniqueísmo selvagem
Por que ri?
Péssima atuação!
Repita a cena,
Não sabe sua fala?
Sua fala é sua fala
Fale.
Sua lágrima é sua lágrima.
Chore.
O texto pede tristeza,
O texto pede proeza
Quixotesca, que seja.
Seja... Ser, ser,
Eis sempre a questão
Ninguém é,
Tudo é invenção.

Carne, sangue, vinho.
De Baco.
Bodes que morrem
Sacrificados
Corpos estendidos
Em covas rasas
Enterrados
Texto modificado
O destino é um script
De nada adaptado.

Sonho é contexto a ser interpretado
Não a beije, ficou louco?
Ela tem namorado!
Que ator é você?
Amador!
Só sabes amar, e amar,
Do amar, a dor!
Que adormece a comédia
Que faz nascer a tragédia.

Não há como fugir
Do maniqueísmo do
Simplesmente existir.
Theátron:
A brincadeira de Theos.



(Scenic world - Beirut)