quinta-feira, 29 de abril de 2010

LIVROS GRATUITOS

Recebi esta mensagem da querida Cacarina e gostaria de repassá-la à todos os amantes da literatura e das Letras. A leitura é imprescindível para nossa liberdade de expressão.


Maristela Brinchi
Bibliotecária - CRB/8 5046
Biblioteca - UNESP - Bauru-SP
Fone: (14) 3103-6005

Nem tudo o que pode ser contado conta, e nem tudo o que conta pode ser contado. Einstein




305 livros grátis
(Isso vale a pena repassar)

É só clicar no título para ler ou imprimir.
1. A Divina Comédia -Dante Alighieri
2.
A Comédia dos Erros -William Shakespeare
3.
Poemas de Fernando Pessoa -Fernando Pessoa
4.
Dom Casmurro -Machado de Assis
5.
Cancioneiro -Fernando Pessoa
6.
Romeu e Julieta -William Shakespeare
7.
A Cartomante -Machado de Assis
8.
Mensagem -Fernando Pessoa
9.
A Carteira -Machado de Assis
10.
A Megera Domada -William Shakespeare
11.
A Tragédia de Hamlet, Príncipe da Dinamarca -William Shakespeare
12.
Sonho de Uma Noite de Verão -William Shakespeare
13.
O Eu profundo e os outros Eus. -Fernando Pessoa
14.
Dom Casmurro -Machado de Assis
15.
Do Livro do Desassossego -Fernando Pessoa
16.
Poesias Inéditas -Fernando Pessoa
17.
Tudo Bem Quando Termina Bem -William Shakespeare
18.
A Carta -Pero Vaz de Caminha
19.
A Igreja do Diabo -Machado de Assis
20.
Macbeth -William Shakespeare
21.
Este mundo da injustiça globalizada -José Saramago
22.
A Tempestade -William Shakespeare
23.
O pastor amoroso -Fernando Pessoa
24.
A Cidade e as Serras -José Maria Eça de Queirós
25.
Livro do Desassossego -Fernando Pessoa
26.
A Carta de Pero Vaz de Caminha -Pero Vaz de Caminha
27.
O Guardador de Rebanhos -Fernando Pessoa
28.
O Mercador de Veneza -William Shakespeare
29.
A Esfinge sem Segredo -Oscar Wilde
30.
Trabalhos de Amor Perdidos -William Shakespeare
31.
Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis
32.
A Mão e a Luva -Machado de Assis
33.
Arte Poética -Aristóteles
34.
Conto de Inverno -William Shakespeare
35.
Otelo, O Mouro de Veneza -William Shakespeare
36.
Antônio e Cleópatra -William Shakespeare
37.
Os Lusíadas -Luís Vaz de Camões
38.
A Metamorfose -Franz Kafka
39.
A Cartomante -Machado de Assis
40.
Rei Lear -William Shakespeare
41.
A Causa Secreta -Machado de Assis
42.
Poemas Traduzidos -Fernando Pessoa
43.
Muito Barulho Por Nada -William Shakespeare
44.
Júlio César -William Shakespeare
45.
Auto da Barca do Inferno -Gil Vicente
46.
Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa
47.
Cancioneiro -Fernando Pessoa
48.
Catálogo de Autores Brasileiros com a Obra em Domínio Público-Fundação Biblioteca Nacional
49.
A Ela -Machado de Assis
50.
O Banqueiro Anarquista -Fernando Pessoa
51.
Dom Casmurro -Machado de Assis
52.
A Dama das Camélias -Alexandre Dumas Filho
53.
Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa
54.
Adão e Eva -Machado de Assis
55.
A Moreninha -Joaquim Manuel de Macedo
56.
A Chinela Turca -Machado de Assis
57.
As Alegres Senhoras de Windsor -William Shakespeare
58.
Poemas Selecionados -Florbela Espanca
59.
As Vítimas-Algozes -Joaquim Manuel de Macedo
60.
Iracema -José de Alencar
61.
A Mão e a Luva -Machado de Assis
62.
Ricardo III -William Shakespeare
63.
O Alienista -Machado de Assis
64.
Poemas Inconjuntos -Fernando Pessoa
65.
A Volta ao Mundo em 80 Dias -Júlio Verne
66.
A Carteira -Machado de Assis
67.
Primeiro Fausto -Fernando Pessoa
68.
Senhora -José de Alencar
69.
A Escrava Isaura -Bernardo Guimarães
70.
Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis
71.
A Mensageira das Violetas -Florbela Espanca
72.
Sonetos -Luís Vaz de Camões
73.
Eu e Outras Poesias -Augusto dos Anjos
74.
Fausto -Johann Wolfgang von Goethe
75.
Iracema -José de Alencar
76.
Poemas de Ricardo Reis -Fernando Pessoa
77.
Os Maias -José Maria Eça de Queirós
78.
O Guarani -José de Alencar
79.
A Mulher de Preto -Machado de Assis
80.
A Desobediência Civil -Henry David Thoreau
81.
A Alma Encantadora das Ruas -João do Rio
82.
A Pianista -Machado de Assis
83.
Poemas em Inglês -Fernando Pessoa
84.
A Igreja do Diabo -Machado de Assis
85.
A Herança -Machado de Assis
86..
A chave -Machado de Assis
87.
Eu -Augusto dos Anjos
88.
As Primaveras -Casimiro de Abreu
89.
A Desejada das Gentes -Machado de Assis
90.
Poemas de Ricardo Reis -Fernando Pessoa
91.
Quincas Borba -Machado de Assis
92.
A Segunda Vida -Machado de Assis
93.
Os Sertões -Euclides da Cunha
94.
Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa
95.
O Alienista -Machado de Assis
96.
Don Quixote. Vol. 1 -Miguel de Cervantes Saavedra
97.
Medida Por Medida -William Shakespeare
98.
Os Dois Cavalheiros de Verona -William Shakespeare
99.
A Alma do Lázaro -José de Alencar
100.
A Vida Eterna -Machado de Assis
101.
A Causa Secreta -Machado de Assis
102.
14 de Julho na Roça -Raul Pompéia
103.
Divina Comedia -Dante Alighieri
104.
O Crime do Padre Amaro -José Maria Eça de Queirós
105.
Coriolano -William Shakespeare
106.
Astúcias de Marido -Machado de Assis
107.
Senhora -José de Alencar
108.
Auto da Barca do Inferno -Gil Vicente
109.
Noite na Taverna -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
110.
Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis
111.
A 'Não-me-toques' ! -Artur Azevedo
112.
Os Maias -José Maria Eça de Queirós
113.
Obras Seletas -Rui Barbosa
114.
A Mão e a Luva -Machado de Assis
115..
Amor de Perdição -Camilo Castelo Branco
116.
Aurora sem Dia -Machado de Assis
117.
Édipo-Rei -Sófocles
118.
O Abolicionismo -Joaquim Nabuco
119.
Pai Contra Mãe -Machado de Assis
120.
O Cortiço -Aluísio de Azevedo
121.
Tito Andrônico -William Shakespeare
122.
Adão e Eva -Machado de Assis
123.
Os Sertões -Euclides da Cunha
124.
Esaú e Jacó -Machado de Assis
125.
Don Quixote -Miguel de Cervantes
126.
Camões -Joaquim Nabuco
127.
Antes que Cases -Machado de Assis
128.
A melhor das noivas -Machado de Assis
129.
Livro de Mágoas -Florbela Espanca
130.
O Cortiço -Aluísio de Azevedo
131.
A Relíquia -José Maria Eça de Queirós
132.
Helena -Machado de Assis
133.
Contos -José Maria Eça de Queirós
134.
A Sereníssima República -Machado de Assis
135.
Iliada -Homero
136.
Amor de Perdição -Camilo Castelo Branco
137.
A Brasileira de Prazins -Camilo Castelo Branco
138.
Os Lusíadas -Luís Vaz de Camões
139.
Sonetos e Outros Poemas -Manuel Maria de Barbosa du Bocage
140.
Ficções do interlúdio: para além do outro oceano de Coelho Pacheco. -Fernando Pessoa
141.
Anedota Pecuniária -Machado de Assis
142.
A Carne -Júlio Ribeiro
143.
O Primo Basílio -José Maria Eça de Queirós
144.
Don Quijote -Miguel de Cervantes
145.
A Volta ao Mundo em Oitenta Dias -Júlio Verne
146.
A Semana -Machado de Assis
147.
A viúva Sobral -Machado de Assis
148.
A Princesa de Babilônia -Voltaire
149.
O Navio Negreiro -Antônio Frederico de Castro Alves
150.
Catálogo de Publicações da Biblioteca Nacional -Fundação Biblioteca Nacional
151.
Papéis Avulsos -Machado de Assis
152.
Eterna Mágoa -Augusto dos Anjos
153.
Cartas D'Amor -José Maria Eça de Queirós
154.
O Crime do Padre Amaro -José Maria Eça de Queirós
155.
Anedota do Cabriolet -Machado de Assis
156.
Canção do Exílio -Antônio Gonçalves Dias
157.
A Desejada das Gentes -Machado de Assis
158.
A Dama das Camélias -Alexandre Dumas Filho
159.
Don Quixote. Vol. 2 -Miguel de Cervantes Saavedra
160.
Almas Agradecidas -Mac hado de Assis
161.
Cartas D'Amor - O Efêmero Feminino -José Maria Eça de Queirós
162.
Contos Fluminenses -Machado de Assis
163.
Odisséia -Homero
164.
Quincas Borba -Machado de Assis
165.
A Mulher de Preto -Machado de Assis
166.
Balas de Estalo -Machado de Assis
167.
A Senhora do Galvão -Machado de Assis
168.
O Primo Basílio -José Maria Eça de Queirós
169.
A Inglezinha Barcelos -Machado de Assis
170.
Capítulos de História Colonial (1500-1800) -João Capistrano de Abreu
171.
CHARNECA EM FLOR -Florbela Espanca
172.
Cinco Minutos -José de Alencar
173.
Memórias de um Sargento de Milícias -Manuel Antônio de Almeida
174.
Lucíola -José de Alencar
175.
A Parasita Azul -Machado de Assis
176.
A Viuvinha -José de Alencar
177.
Utopia -Thomas Morus
178.
Missa do Galo -Machado de Assis
179.
Espumas Flutuantes -Antônio Frederico de Castro Alves
180.
História da Literatura Brasileira: Fatores da Literatura Brasileira -Sílvio Romero
181..
Hamlet -William Shakespeare
182.
A Ama-Seca -Artur Azevedo
183.
O Espelho -Machado de Assis
184.
Helena -Machado de Assis
185.
As Academias de Sião -Machado de Assis
186.
A Carne -Júlio Ribeiro
187.
A Ilustre Casa de Ramires -José Maria Eça de Queirós
188.
Como e Por Que Sou Romancista -José de Alencar
189.
Antes da Missa -Machado de Assis
190.
A Alma Encantadora das Ruas -João do Rio
191.
A Carta -Pero Vaz de Caminha
192.
LIVRO DE SÓROR SAUDADE -Florbela Espanca
193.
A mulher Pálida -Machado de Assis
194.
Americanas -Machado de Assis
195.
Cândido -Voltaire
196.
Viagens de Gulliver -Jonathan Swift
197.
El Arte de la Guerra -Sun Tzu
198.
Conto de Escola -Machado de Assis
199.
Redondilhas -Luís Vaz de Camões
200.
Iluminuras -Arthur Rimbaud
201..
Schopenhauer -Thomas Mann
202.
Carolina -Casimiro de Abreu
203.
A esfinge sem segredo -Oscar Wilde
204.
Carta de Pero Vaz de Caminha. -Pero Vaz de Caminha
205.
Memorial de Aires -Machado de Assis
206.
Triste Fim de Policarpo Quaresma -Afonso Henriques de Lima Barreto
207.
A última receita -Machado de Assis
208.
7 Canções -Salomão Rovedo
209.
Antologia -Antero de Quental
210.
O Alienista -Machado de Assis
211.
Outras Poesias -Augusto dos Anjos
212.
Alma Inquieta -Olavo Bilac
213.
A Dança dos Ossos -Bernardo Guimarães
214.
A Semana -Machado de Assis
215.
Diário Íntimo -Afonso Henriques de Lima Barreto
216.
A Casadinha de Fresco -Artur Azevedo
217.
Esaú e Jacó -Machado de Assis
218.
Canções e Elegias -Luís Vaz de Camões
219.
História da Literatura Brasileira -José Veríssimo Dias de Matos
220.
A mágoa do Infeliz Cosme -Machado de Assis
221.
Seleção de Obras Poéticas -Gregório de Matos
222.
Contos de Lima Barreto -Afonso Henriques de Lima Barreto
223.
Farsa de Inês Pereira -Gil Vicente
224.
A Condessa Vésper -Aluísio de Azevedo
225.
Confissões de uma Viúva -Machado de Assis
226.
As Bodas de Luís Duarte -Machado de Assis
227.
O LIVRO D'ELE -Florbela Espanca
228.
O Navio Negreiro -Antônio Frederico de Castro Alves
229.
A Moreninha -Joaquim Manuel de Macedo
230.
Lira dos Vinte Anos -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
231.
A Orgia dos Duendes -Bernardo Guimarães
232.
Kamasutra -Mallanâga Vâtsyâyana
233.
Triste Fim de Policarpo Quaresma -Afonso Henriques de Lima Barreto
234.
A Bela Madame Vargas -João do Rio
235.
Uma Estação no Inferno -Arthur Rimbaud
236.
Cinco Mulheres -Machado de Assis
237.
A Confissão de Lúcio -Mário de Sá-Carneiro
238.
O Cortiço -Aluísio Azevedo
239.
RELIQUIAE -Florbela Espanca
240.
Minha formação -Joaquim Nabuco
241.
A Conselho do Marido -Artur Azevedo
242.
Auto da Alma -Gil Vicente
243.
345 -Artur Azevedo
244.
O Dicionário -Machado de Assis
245.
Contos Gauchescos -João Simões Lopes Neto
246.
A idéia do Ezequiel Maia -Machado de Assis
247.
AMOR COM AMOR SE PAGA -França Júnior
248.
Cinco minutos -José de Alencar
249.
Lucíola -José de Alencar
250.
Aos Vinte Anos -Aluísio de Azevedo
251.
A Poesia Interminável -João da Cruz e Sousa
252.
A Alegria da Revolução -Ken Knab
253.
O Ateneu -Raul Pompéia
254.
O Homem que Sabia Javanês e Outros Contos -Afonso Henriques de Lima Barreto
255.
Ayres e Vergueiro -Machado de Assis
256.
A Campanha Abolicionista -José Carlos do Patrocínio
257.
Noite de Almirante -Machado de Assis
258.
O Sertanejo -José de Alencar
259.
A Conquista -Coelho Neto
260.
Casa Velha -Machado de Assis
261.
O Enfermeiro -Machado de Assis
262.
O Livro de Cesário Verde -José Joaquim Cesário Verde
263.
Casa de Pensão -Aluísio de Azevedo
264.
A Luneta Mágica -Joaquim Manuel de Macedo
265.
Poemas -Safo
266.
A Viuvinha -José de Alencar
267.
Coisas que Só Eu Sei -Camilo Castelo Branco
268.
Contos para Velhos -Olavo Bilac
269.
Ulysses -James Joyce
270.
13 Oktobro 1582 -Luiz Ferreira Portella Filho
271.
Cícero -Plutarco
272.
Espumas Flutuantes -Antônio Frederico de Castro Alves
273.
Confissões de uma Viúva Moça -Machado de Assis
274.
As Religiões no Rio -João do Rio
275.
Várias Histórias -Machado de Assis
276.
A Arrábida -Vania Ribas Ulbricht
277.
Bons Dias -Machado de Assis
278.
O Elixir da Longa Vida -Honoré de Balzac
279.
A Capital Federal -Artur Azevedo
280.
A Escrava Isaura -Bernardo Guimarães
281.
As Forças Caudinas -Machado de Assis
282.
Coração, Cabeça e Estômago -Camilo Castelo Branco
283.
Balas de Estalo -Machado de Assis
284.
AS VIAGENS -Olavo Bilac
285.
Antigonas -Sofócles
286.
A Dívida -Artur Azevedo
287.
Sermão da Sexagésima -Pe. Antônio Vieira
288.
Uns Braços -Machado de Assis
289.
Ubirajara -José de Alencar
290.
Poética -Aristóteles
291.
Bom Crioulo -Adolfo Ferreira Caminha
292.
A Cruz Mutilada -Vania Ribas Ulbricht
293.
Antes da Rocha Tapéia -Machado de Assis
294.
Poemas Irônicos, Venenosos e Sarcásticos -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
295.
Histórias da Meia-Noite -Machado de Assis
296.
Via-Láctea -Olavo Bilac
297.
O Mulato -Aluísio de Azevedo
298.
O Primo Basílio -José Maria Eça de Queirós
299.
Os Escravos -Antônio Frederico de Castro Alves
300.
A Pata da Gazela -José de Alencar
301.
BRÁS, BEXIGA E BARRA FUNDA -Alcântara Machado
302.
Vozes d'África -Antônio Frederico de Castro Alves
303.
Memórias de um Sargento de Milícias -Manuel Antônio de Almeida
304.
O que é o Casamento? -José de Alencar
305.
A Harpa do Crente -Vania Ribas Ulbricht

Française musique: la hommage (1)

A partir de hoje, em todas as quintas-feiras, farei uma homenagem à música francesa aqui no Autores S/A. Canções tão belas, que, preconceituosamente, são elevadas a um patamar quase inatingível pelas línguas cruas. Digo neste sentido pois, há, geralmente, um pré-conceito de que música francesa é coisa de elite, é coisa de rico, é cult, é nerd, é gay, entre outras adjetivações sórdidas de quem não sabe o que diz simplesmente por não ter assunto digno para dizer. Dizem por não conhecerem, por nem sequer buscarem este conhecimento; são ignorantes, i.e, aqueles que ignoram e, acomodados em suas cadeiras de tribunais, julgam a torto e a direito, e a esquerdo, o que não está a vosso alcance.

O francês pode ser pop, e ser pop não é ser esdrúxulo. Se for para banalizar, que banalizem algo de qualidade, ao menos. A reprodutibilidade é fato, porém, um fato que merece atenção especial. Muitos produtos que ouvimos, ou assistimos, se tornam “bons” de tanto que insistem em se entranhar douloureux em nossas mentes, na luta constante pela calcificação dos miolos em prol da massificação. De massa, já basta a macarronada de domingo. Os “gordinhos” que o digam.

Ultimamente tenho voltado alguma atenção à música da França, e, inevitavelmente (falo por mim), tornei-me apreciador. É salutar ainda lembrar que, não me atenho somente às canções interpretadas por cantores de origem francesa, mas, principalmente, a intérpretes que deram à canção deste país europeu uma nova “roupagem”, ou seja, uma versão às vezes até mais bela do que a original. Chega de “enrolé”. A primeira canção escolhida por mim é a clássica “Non, je ne regrette rien”, composta por Charles Dumont, que, após a morte de Édith Piaf em 1963, passa a compor para o intérprete Jacques Brel; e por Michel Vaucaire. Escrita em 1956, canção ficou marcada na voz esmeraldina de Édith Piaf, um dos principais expoentes musicais da França, e por que não do mundo?

Apesar de tal êxito, hoje ficarei devendo Piaf para os meus nobres leitores e ouvintes. A versão que escolhi é a de Cássia Eller. Ela imprime uma “levada” doce, e a cada nota, a cada palavra cantada, eu sinto como se a voz forte da rockeira mais sensível que o Brasil já teve flua como ondulações oceânicas, como uma canção de ninar numa noite primaveril. Como já foi supracitada, a homenagem é à canção francesa, e não especificamente ao intérprete. A versão que será apresentada foi abertura do acústico MTV realizado em março de 2001, nove meses antes do falecimento da cantora. Observação: a cada postagem de homenagem, publicarei também uma pintura de origem francesa; uma bela imagem para acompanhar la belle musique.

Bonne musique!


(Gustave Claude Etienne Courtois, Pusey, Francia, 1853-1923)




Non... rien de rien...
Non... je ne regrette rien
Ni le bien qu'on ma fait,
Ni le mal - tout ça m'est bien égal!

Non... rien de rien...
Non... je ne regrette rien
C'est payé, balayé, oublié,
Je me fous du passé!

Avec mes souvenirs
J'ai allumé le feu,
Mes chagrins, mes plaisirs,
Je n'ai plus besoin d'eux!

Balayé les amours
Avec leurs trémolos
Balayés pour toujours
Je repars à zéro...

Non... rien de rien...
Non... je ne regrette rien
Ni le bien qu'on ma fait,
Ni le mal - tout ça m'est bien égal!

Non... rien de rien...
Non... je ne regrette rien
Car ma vie, car mes joies,
Aujourd'hui, ça commence avec toi!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

sempre

No meu ventre
Há sempre janela aberta, flor na mesa, cheirinho de café.
Aconchego de graça, banco de praça e cafuné.
No meu ventre
Você é sempre bem-vindo, novo e de novo.
Ontem, agora e sempre.

(imagem da internet)

Pensando,vivendo e sofrendo o hoje


Há tempos que não escrevo nada, minha mente esta parecendo uma terra seca, sem vida, sem inspiração. Sinto que isso é reflexo do momento de vida, a luta pela sobrevivência ou, como dizem por aí pelo “ganha pão” me faz ainda em alguns momentos passar pela vida sem vivê-la, somente sobrevivendo, rumando junto com a boiada e vendo o dia amanhecer e anoitecer como uma roda gigante naquele movimento ritmado e sem novidade, sem nada de especial, porém, este balanço pelo qual o mundo esta passando de alguma forma mexeu comigo, me fez sair do meu mundinho e olhar com mais atenção para o mundão.

Infelizmente, não tenho como não ver que vivemos numa sociedade que através de nós e de seus dirigentes muitas vezes se mostra cruel. Esses tristes dias em que vimos pessoas morando sobre o lixo e morrendo sob o lixo me fez parar um pouco a minha egoísta correria em busca de dinheiro e pensar um pouco no porque de tudo isso.

Hoje, sentado no conforto do meu lar e olhando para meus filhos brincando,sorrindo,chorando,vivendo, não consigo não pensar em tantos Pais e Mães como eu e minha esposa que choram a dor da perda de seus filhos e de filhos que choram a morte de pais, irmãos e familiares soterrados por um mar de lama, lixo e indiferença.

É com dor que escrevo essas palavras, pois eu sei que daqui a poucos dias essa tragédia vai cair no esquecimento, continuaremos vivendo em nossos mundinhos de sobrevivência e luta e quando digo isso não é criticando a nossa condição, mas sim constatando a vida que ainda levamos muitas vezes escravos de nós mesmo e do sistema, pois acordamos cedo, vamos para os nossos trabalhos, enfrentamos transito pra chegar ao trabalho, para voltar pra casa, temos medo do arrastão, da bala perdida e agora da inundação e quando finalmente chegamos em casa, esgotados, só nos resta força pra tomar um banho, comer, pois é preciso, e nos entregarmos ao poder do controle remoto para numa seqüência alienante sabermos das notícias, quase sempre péssimas e depois para nossa aula diária de como não viver a vida,naquele horário tenebroso em que se quisermos,temos todas as lições de como estragar nossas famílias, como não ter moral,além disso, também é o momento de nossa lavagem cerebral diária de consumismo em que as mocinhas e mocinhos se apresentam ditando a moda e o estilo,é o momento de abrirmos nossa cabeça para ilusão de como é importante comprar, ter, ou parecer que se tem alguma coisa material, sofremos às vezes por não podermos aproveitar como gostaríamos a redução do IPI,ou por não poder (ainda) compra o celular do “bonitão” da novela das nove.E nessa jornada alienante é que vamos vivendo,empurrando com a barriga,respondendo ao boa noite do Bonner e procurando na internet as roupas da protagonista do Manoel Carlos,morando nos Bumbas da cidade e sonhando com o Leblon do conto de fadas (ou bruxas),mas, a verdade é que quando levantamos cedo com o despertador do celular embaixo da cama,contamos as moedas para a condução e paramos para comer um pão com mortadela na padaria,é que a vida se mostra como é,podemos ver a materialização da desigualdade a cada esquina,a cada menino negro fazendo malabarismos nos sinais em busca da moedinha e a cada marginal pronto para dar o “bote” na saída do caixa eletrônico.

Nos vemos as vésperas de mais uma eleição em que para muitos o nulo é a melhor opção, mas, como bom brasileiro no final das contas vou no “menos pior” com alguma tristeza, mas ainda com um fio de esperança.

A cada dia que passa e que tenho um tempo para respirar e pensar no amanhã, me esforço para não ter medo, olho para o céu e peço a Deus que nos dê tempos de mais clareza em nossas consciências, peço também uma sociedade mais igualitária em que os cidadãos possam sair sem medo, que tenham empregos e salários dignos para sustentar suas famílias. Não posso deixar de pedir por mim, que me mantenha alerta para as armadilhas do marketing político, que eu consiga, principalmente em Outubro, distinguir os lobos em pele de cordeiro, penso que uma boa opção de fazermos esta distinção é olharmos para seus rastros, pois lobo tem rastro de lobo, em qualquer lugar e em qualquer situação e ainda incluo em minhas orações o pedido de que o balanço que a humanidade de modo geral vem passando sirva de alerta para todos, pois sinto que é tempo de nos olharmos mais como irmãos, de preservamos a natureza,pois somos parte dela e se a destruímos,estamos nos destruindo também.

Quero, para concluir, dizer que é possível ter momentos alegria, pois aqui, nesse fórum, encontro uma consciência crítica do mundo, pessoas dispostas a produzir e transmitir conhecimentos, vivências e visões de mundo diferentes do que nos é passado pela grande mídia, aqui neste fascinante universo das letras encontramos pessoas que se dispõem a compartilhar suas belas criações tornando nossas vidas mais bonitas e nos mostrando que é possível viver, questionar e ensinando que ser é muito melhor do que ter.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Primeiro Concurso Literário de Ficção Científica Baseado Em Imagens

Olá galera!
O Autores S/A disponibilizado a todos vocês que estão sempre nos acompanhando uma série de concursos literários vigentes neste ano. Vai então mais uma sugestão! Escrever e participar não custa nada!
Deixarei aqui o link do site que consta o regulamento e as imagens opcionais. Está logo no ínicio do site a informação a respeito.
As inscrições foram abertas no dia 14 de abril e só fecharão no dia 08 de maio deste ano. Deve ser escrito no genero CONTO e ter, no mínimo, 1,500 palavras.
Acessem o site, vamos participar!

http://contosfantasticos.com.br/

Abraços, Lohan

terça-feira, 20 de abril de 2010

Concurso literário promovido pelo banco Itaú.

Olá, galera.
Sei que estou em falta com todos vocês, mas assim como nossa querida Camila, estou numa fase em que as prioridades estão sendo absorvidas pelo meu tempo e pela minha inspiração também. Novos projetos, filho se descobrindo, me descobrindo e vice-versa; busca por creches que estejam no rol das chamadas "bem conceituadas", enfim, um verdadeiro turbilhão.
Mas embora eu não esteja escrevendo, estou sempre de olho e quando posso, deixo meus comentários. Fico feliz em saber que o blog deu tão certo e está sempre inovando com autores de estilos distintos, interessantes, obtendo acréscimo de leitores, liberando o "eu-lírico" que habita em cada um: seja o leitor ou o escritor.
E por falar em "eu-lírico", vou colar aqui uma newsletter que promove um concurso literário promovido pelo Itaú. Quem sabe, algum de nós não leva essa, hein? Boa sorte.





Itaú Cultural - Rumos Literatura 2010-2011


Ter, 20 de Abril de 2010 02:09







Share

Abertas as inscrições para o edital do programa Rumos Literatura 2010-2011, do Itaú Cultural. O edital completo com o regulamento, prêmios, categorias e instruções como se inscrever no site www.itaucultural. org.br/rumos.

Resumo (informações básicas)

O programa está dividido em duas categorias:

1. Produção Literária: para projetos de ensaio que tratem de um tema relativo à produção literária brasileira a partir do início dos anos 1980.

2. Crítica Literária: para projetos de ensaio sobre a produção crítica na literatura brasileira realizada a partir do início dos anos 1980.

--------------------------------------------------------------------------------

Período de inscrições: de 3 de março a 31 de julho de 2010.

E-mail tira dúvida: rumosliteratura@itaucultural.org.br



IMPORTANTE: o interessado não precisa escrever o ensaio final, apenas o projeto que será desenvolvido em 2011, conforme consta no edital.



Público alvo: estudantes universitários de graduação e pós-graduação, pesquisadores, escritores e demais interessados em literatura de acordo com o tema e regulamento do edital.



Prêmios: os selecionados receberão apoio financeiro mensal e remuneração referente ao licenciamento dos direitos autorais do trabalho concluído e aprovado, entre outros prêmios.



A novidade desta edição é a possibilidade de estrangeiros se inscreverem. O programa busca colaborar no desenvolvimento de potencialidades ao estimular a formação do interessado em literatura na ampliação de sua rede de relacionamentos intelectuais e profissionais e, posteriormente, lançar e divulgar uma publicação com sua produção autoral.



Apoios

O programa Rumos Literatura 2010-2011, conta com o apoio da Anpoll - Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e em Lingüística (www.anpoll.org.br) e da ABRALIC - Associação Brasileira de Literatura Comparada (www.abralic.org)



Acompanhe as notícias e comentários sobre o programa Rumos no blog

(rumositaucultural.wordpress.com)



Contamos com a sua inscrição e boa sorte!



Itaú Cultural
Comunicação Dirigida

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Passado? Presente? Futuro?


Passado antes, futuro
Passado depois, presente
Passado agora, passado

Presente antes, futuro
Presente agora, presente
Presente depois, passado

Futuro antes, futuro
Futuro agora, presente
Futuro depois, passado




Observação: Por motivos de força maior, não poderei mais postar aos domingos, então, passo a postar às sextas. Abraço a todos!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Concurso Cultural Contos do Rio

Amigos autores e leitores,
O Jornal O Globo está promovendo um concurso cultural de contos, os quais devem ser ambientados na cidade do Rio de Janeiro.
O conto deve ser baseado também numa fotografia, escolhida através de uma votação no site do jornal em questão.
Estou deixando aqui apenas uma ''palhinha'' do concurso. Leiam o regulamento completo disponível neste site:

http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2010/03/27/regulamento-do-concurso-cultural-contos-do-rio-278125.asp

A fotografia eu postarei aqui, para que todos possam analisá-la e, mergulhados nela, imaginarem uma bela história!
Qualquer dúvida, deixem nos comentários.
O Rio de Janeiro merece a nossa homenagem neste momento tão difícil. Participem!
Abraços e boa sorte a todos!



(Nuvem sobre o Largo da Carioca, de Márcia Folleto)

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Descer a escada

Me reescrevo aqui hoje.
Não consigo escrever outra coisa.
Por isso colei também a imagem...
Nada precisa ser triste, nem feio. Ahhh! Que bom!
Bem que eu avisei. Não tenho dons de poeta!
Vocês é que são o máximo!
Um beijo no coração.
Claudia
(crédito na imagem)

Resenha do filme "A voz do coração", por Lohan Lage

Para toda ação, há uma reação. A famosa lei de Newton serve como pedra angular da construção desta resenha a respeito do filme francês “A voz do coração” (La Choristes). Dirigido por Christophe Barratier no ano de 2004, a obra traz à tona, ou melhor dizendo, traz com singular maviosidade a temática da educação.

Clichê ou não, falar de ensino e educação em uma obra cinematográfica se faz cada vez mais necessário nos dias de hoje, pois vêm se perdendo, em meio a demasiada banalização de todas as coisas, os sentidos do que é ensinar, do como ensinar, da dialética entre aluno e professor.

O filme trata do assunto com apreciável delicadeza, aguçando a sensibilidade dos mais brutamontes de plantão. Uma obra como esta se torna indispensável em qualquer plano de ensino que se preze. Se todos os professores se espelhassem no personagem Clément Mathieu, interpretado com uma brilhante naturalidade pelo ator Gerard Jugnot, talvez a paz e a liberdade de expressão reinassem em grande parte das instituições de ensino.

Em uma instituição chamada “O fundo do poço”, que abriga alunos “filhos da pós-segunda guerra mundial”, e que é comandada a mãos de ferro pelo diretor Rachin (François Berléand), é natural que se predomine a indisciplina. Quem se encontra no fundo do poço, não tem nada mais a perder. Como se vê, existem, nesse ambiente apresentado no filme, diversos fatores negativos que exercem influência direta no comportamento dos meninos que ali vivem.

O professor Mathieu, recém-chegado a este lugar, surpreende-se com os métodos aplicados pelo diretor, que não se cansa de repetir sua justificativa: para toda ação, há uma reação. Isto é, a punição a indisciplinaridade ou qualquer outro tipo de fuga do padrão estabelecido era severa. Mathieu, decidido a modificar esse cenário de violência desnecessária, toma uma atitude que, a princípio, podia parecer simples: ele transforma o significado contextual da palavra “reação”.

Como um professor precisa reagir diante de um aluno que não o respeita? Ora, primeiramente, descobrir o porquê que ele não o respeita. O que existe em seu tratamento com ele? Autoridade ou autoritarismo?

De acordo com o filósofo mineiro Régis Morais, “o autoritarismo é algo que procura se impor, com uso claro ou velado do poder, enquanto a autoridade é algo que se propõe à aceitação de pessoas ou grupos e só tem legitimidade enquanto dura tal aceitação”. No filme, o professor Mathieu não só abre mão, como também repreende o autoritarismo incutido na metodologia dos professores que ali lecionam, e, em contrapartida, utiliza-se de uma ferramenta sentimental muito mais poderosa e congregadora: o afeto.

Afetar é tocar profundo, é mudar o posicionamento de uma pessoa sem artifícios maléficos, mas sim, com carinho, com atenção merecida, com arte. A arte é o afeto em si, desde que seja manuseada de modo coerente. E assim o fez o professor revolucionário. Através da música, ele confraterniza toda a turma, e, gradualmente, elimina os maus exemplos que se sobressaíam entre eles.



A criança e o adolescente também precisam ser respeitados, tanto quanto um idoso, ou um portador de necessidades especiais. São seres que vivem em ebulição de aprendizados, de descobertas, de hormônios. São seres que merecem atenção redobrada. Muitos professores costumam pré-conceituá-los, antes mesmo de lidar com eles. Este preconceito impossibilita a reciprocidade do respeito e, logo, nada de produtivo brota do ensino preconceituoso. A trama aborda essa questão, ao apresentar a chegada de um aluno problemático à instituição. Este chega a ser acusado injustamente de furto, sendo detido. A reação, tão pregada pelo diretor da trama, muitas vezes pode ser por demais exacerbada e pior: injusta. Como um jovem se reabilita atrás das grades de um reformatório?

É formado um coral de meninos, cujos atores mirins dão um verdadeiro show de interpretação. O solista deste coral, o garoto Pierre (Jean-Baptiste Maunier), abre mão de suas antigas estripulias em prol da dedicação à música, que, por conseguinte, mudaria por completo a sua vida. A cada cena em que “abria a boca” para cantar, o arrepio inevitável percorre a pele, afeta o modo de pensar do telespectador, que se convence de que a arte pode revolucionar uma escola no fundo do poço; aprende a discernir educação (mudança de comportamento ético e de valores de maneira espontânea e afetuosa) de instrução (adestramento). Animais são adestrados, homens não.

O final do filme mostra os efeitos dessa educação aplicada no passado pelo professor Mathieu e, deixa como lição que: um professor se torna inesquecível por reagir, sim, mas reagir com afeto; reagir através da educação.

A voz do coração tornou-se um grande sucesso na França, chegando a representar o país no Oscar 2005 na categoria melhor filme estrangeiro. Nesta ocasião, o Oscar foi para o igualmente genial “Mar adentro”, do diretor Alejandro Amenábar.

Abaixo, uma belíssima cena do filme. Emocionem-se!

domingo, 11 de abril de 2010

A

A verdade
Abruptamente me viu.
Assim, meio de surpresa...
Assassinou os pequenos sentimentos que viviam me rondando.
Aniquilou aquelas memórias que tanto tempo não conseguiu mover.
Abandonei as perguntas sem razão e as pessoas pequenas que não merecem minha vida.
Acabei caindo na tentação de esperar. É sempre assim. Para os poetas ou não.
Assumo: quero.
Aceito: sorrisos, carinho, bilhetes, devoção, beijos, interesse, mãos dadas.
Adoro tudo: voz, olhar, inteligência e caráter mas tenho medo da perfeição...
Ao seu lado eu iria até onde minhas palavras perdem o sentido, eu saberia mais do muito que ainda não entendo, eu viveria mais do que meus sonhos premeditam.
Anuncio aqui o que não pode ser dito lá.
Ainda que eu me cale, aqui vive essa estranhisse que não me deixa ficar triste, reparar que já está tarde ou quantos textos eu não li.
Acordo pensando na poesia que eu posso sentir no ar... e
Acredito mesmo que existe um mistério rondando nossos nomes e futuros.
Aqui eu posso acreditar e até viver o presente desse desejo.
Aqui eu posso te amar. Manter seu nome nas entrelinhas.
Arrumar meu coração pra você.
Ajustar o tempo de saudade.
Assim.... é assim mesmo que eu quero me manter até você chegar.
Ameno amor.
Assustadoramente completo.
Apaixonadamente meu
Amor.

Não consigo dormir

Não consigo dormir
Não consigo dormir
Por mais que eu tente
Não consigo dormir

Viro para um lado
Viro para o outro
De cabeça para baixo
Não consigo dormir

O calor me incomoda
O frio mais ainda
Não consigo dormir
Não consigo dormir

O barulho da rua me atrapalha
O silêncio em minha casa também
Não consigo dormir
Não consigo dormir

A escuridão
A luz forte
A penumbra
A luz do poste

Não consigo dormir
Não consigo dormir
Não consigo dormir
Não consigo dormir

sábado, 10 de abril de 2010

A Luzia




A vida
Foi o que Luzia perdeu atrás da horta
O sol re-luzia
A lua reluzia a luz do sol
Mas Luzia... Estava morta.

A morte,
Foi o que Luzia ganhou enquanto cuidava de sua horta.
A mulher re-lanceava,
O homem lançava o olhar,
E Luzia, que não sabia,
Vivia tal qual uma alface a secar.

A horta,
Era tudo o que Luzia tinha.
A horta,
Só tinha a Luzia.
A mão que plantava,
A mesma que colhia,
Agora, ali estava:
Morta, a Luzia.
Atrás da horta,
Sob um sol quente de meio-dia.
Mas o sol apenas luzia,
O sol... Apenas luzia.

O sol,
Seca a vida da horta
Seca a morte de Luzia
Que seca, em vida, já estava
E não sabia.
O sol,
A luz ia... A luz ia...
E veio a chuva,
E chovia sobre Luzia.
Cinco dias,
Que venham os urubus
Sinalizarem o cadáver, com alegria.
Que venham todos,
Sentirem a falsa agonia.

A vida,
Foi o que Luzia perdeu atrás da horta...
Primeiro a faca
O abrir da porta
O esconder-se
Atrás da horta...
A garganta corta.

Morta,
Era o estado de Luzia atrás da horta...
Que olhar agora se importa?



(Roda morta, Sérgio Sampaio)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

O perigo da história única

Hum, hum... Oi. Olá?
Tem alguém aqui?
Por motivos pascais não postei nessa segunda-feira...
Mas recebi um link muuuito legal para pessoas com perfis literários...
Resolvi então invadir a quarta-feira... Tudo bem? Risos.
Beijos (ainda com sabor chocolate),
Claudia

http://www.ted.com/talks/lang/por_pt/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story.html

Eu...



Eu...
O meu eu
Nítido
Cervantesco
Não sabe se libertar
Das masmorras do grotesco
O meu eu
Niilista
Centrista
Não pode encantar o seu eu
De artista
Eu que não há quem resista
Eu que coexiste com a minha loucura
E me pendura
Nos cabides do teu vermelho coração.
Eu ninfomaníaco
Eu cego.
Meu lírico
Que te escreve.
Eu...

terça-feira, 6 de abril de 2010

Auto Ecocardiograma






Existe um coração. Só queria que soubesse disso.
Ás vezes ele parece ser mais forte do que é, ás vezes até pensam que ele tira folga, mas não, ele está aqui. Sempre esteve.
Existe um coração que não sabe que a vida não pode parar, que existe trabalho, prazos e contas.
Ele não sabe contar, não sabe quantos dias se foram e se foram meses... horas? Para que relógio, se coração não tem pulso.
Existe um coração que perde a fome, que perde o sono e que às vezes pulsa na garganta e transborda nos olhos quando não consegue mais se conter.
Ele já passou por muitas vociferações, mas ainda vive e revive a cada choque que a vida lhe dá, a cada parada que ele é obridado a fazer, ele respira fundo e tenta de novo, porque sucumbir é covardia e medo ele só tem de nunca mais amar.
Existe um coração, não sei o quanto ele vale, nem se vale muito, mas é o único que eu possuo. Só queria que soubesse disso.

domingo, 4 de abril de 2010

Olhos negros

Em sua profundidade mergulho
Em sua imensidão me afundo

Olhos negros...
Olhos negros...

Em sua escuridão tateio
Em sua negritude nada encontro

Olhos negros...
Olhos negros...

Em sua vastidão me perco
Em suas trevas me acho

Olhos negros...
Olhos negros...
Olhos negros...

sábado, 3 de abril de 2010

O teatro de Dio



Quebre a perna
Vá a merda
Feche os olhos
Abra os olhos
Vista-se.
Seja-se.
Não seja-se.

Este é o palco
Cante tua ópera
De melodia inoperante
Meça a medida da mediocridade
Sorria médio
Chore alto
Cresça pequeno

Não queira saber
Do proscenium
Reproduza tua scenic
Agonize teu agon
Pari passu
Sem mais vãs filosofias.
Neste circo, és só um palhaço,
És um palhaço só, de humor escasso.

As cordas são invisíveis
Qual mão as controlam?
Efeito especial!
Maniqueísmo selvagem
Por que ri?
Péssima atuação!
Repita a cena,
Não sabe sua fala?
Sua fala é sua fala
Fale.
Sua lágrima é sua lágrima.
Chore.
O texto pede tristeza,
O texto pede proeza
Quixotesca, que seja.
Seja... Ser, ser,
Eis sempre a questão
Ninguém é,
Tudo é invenção.

Carne, sangue, vinho.
De Baco.
Bodes que morrem
Sacrificados
Corpos estendidos
Em covas rasas
Enterrados
Texto modificado
O destino é um script
De nada adaptado.

Sonho é contexto a ser interpretado
Não a beije, ficou louco?
Ela tem namorado!
Que ator é você?
Amador!
Só sabes amar, e amar,
Do amar, a dor!
Que adormece a comédia
Que faz nascer a tragédia.

Não há como fugir
Do maniqueísmo do
Simplesmente existir.
Theátron:
A brincadeira de Theos.



(Scenic world - Beirut)

segunda-feira, 29 de março de 2010

Celebrar a Vida

Luz terna que vem de dentro. Cor de aconchego.
Mesa sugerindo encontro.
Encanto fora. Bancos que anseiam sua companhia.
Grama e tecido, chão macio.
Para pisar inteiro, sentido.
Alimento, que do se come, faz-se vivo.
Fios de sustento, frágeis o bastante para cair a qualquer momento, num abraço.
Flexibilidade, mobilidade, versatilidade, simplicidade, luminosidade, não sei...
Sei que é lindo.
Não sei a palavra que eu queria dizer.
Sei os sentimentos que quis evocar. Num canto cigano de profunda alegria.
Da primeira vez até a eternidade.
Seja bem-vindo! Estou/sou feliz com sua chegada!
Vamos então, celebrar a Vida!

PS: Não conheço os direitos autorais dessa imagem, mas posso colocar os créditos se você souber. Quem a fez, foi simplesmente brilhante! Obrigada. Beijos,
Crédito descoberto: Foto de Dan Duchars (Parabéns)
Claudia

Chandeen - Welcome the Still

Essa é uma banda maravilhosa que eu adoro e que me inspira muito

domingo, 28 de março de 2010

Soneto clássico digitado com uma máquina de escrever de uma tecla só

Hhhh hh hhhhhh hh hhhhhh hhhh
Hh hhhhhh hh hhhh hhhh hh hhhh
Hhhh hh hh hhhh hhhh hh hhhhhh
Hhhhhh hh hhhh hh hhhh hh hhhh

Hhhh hh hhhhhh hhhhhh hhhh hh
Hhhh hhhh hh hhhhhh hh hhhhhh
Hhhhhh hhhh hh hh hhhh hhhhhh
Hhhhhhhh hh hhhh hh hh hhhhhh

Hhhh hh hhhhhh hh hhhh hhhh hh
Hhhhhhhh hh hhhh hhhh hh hhhh
Hhhhhh hhhh hh hh hhhhhh hhhh

Hh hhhh hh hhhhhh hhhh hh hhhh
Hh hh hhhh hh hh hhhh hhhhhh hh
Hhhhhhhh hh hhhh hhhhhh hhhh

sábado, 27 de março de 2010

Se você não passa no morro...

É curioso como algumas músicas que, aparentemente, não "querem dizer nada", soam um significado muito interessante, e às vezes até engraçado, em determinados momentos. Acredito que quase todos devem ter ouvido os "bla, bla, blás" em torno do jogador Adriano, do Flamengo. Uma das polêmicas que envolvem o jogador é o famoso "cavalo de Tróia": ele teria presenteado, segundo a polícia, a mãe do traficante Mica com uma moto. A velha nem andar de bicicleta anda (sobretudo pelo risco de perder os freios na descida do morro, né...). Apesar disso, continuo acreditando na versão do Adriano não porque sou flamenguista, mas porque o astro do futebol preserva suas origens, não esquecendo dos seus, embora tenha conquistado uma enorme fama no mundo milionário do futebol. Ele não tem culpa que um grande amigo seu enveradara-se por caminhos errados. Discordem do ditado "quem anda com porco, farelo come". Quantos amigos fumantes nós temos? E por isso fumamos? Mas, voltando ao "play" da música... Eu não poderia perder a oportunidade de fazer essa piada. Assistam a esse clipe (que por sinal, é maravilhoso), atentando para a letra e para os óculos escuros... (o que eles escondem?). Não seria essa música que o Mica e sua ''radical mother'' estaria cantando para um Adriano "em abstinência"? Bom final de semana a todos!

(Passe em casa, Tribalistas)

sexta-feira, 26 de março de 2010

On/Off

Quando me liguei,
Já estava ligada.
Quando desliguei,
Permaneci ligado.
Quando me deitei,
Eu a programei.
Quando me levantei,
A sua tecla eu apertei.
Quando enjoei,
Uma maior eu comprei.
Ei!
Por que meu rosto está pálido?
Por que me sinto um inválido,
Entrevado aqui, neste sofá,
Movendo apenas alguns dedos?
Por que agora sinto mais medo?
Acho que a fantasia está lá fora.
A realidade invadiu a minha casa.
Uma viagem pode ser mais sensacional
Do que qualquer notícia desse Jornal Nacional
Que me importa a vida do presidente
Se a minha anda ausente,
Se a minha anda, nem sei por onde.
Hoje sai com uns amigos
Eles falavam de cientistas
Flaubert, Balzac, Goethe...
Já não consigo me encontrar.
Foi somente através dela que vi o mar.
Ela transmite o que costumo sonhar.
Como me libertar?
Ela não faz eu me sentir só...
E isso é só uma ilusão.
Uma ilusão de óptica. Uma atração hipnótica.
O processo é oposto:
Sua vida é a cores.
Minha vida é preta e branca.
Tarde demais.
Quando eu me liguei... Ela já estava ligada.

segunda-feira, 22 de março de 2010

22 de Março - Dia da Poesia

FAÇA DE SUA VIDA UMA POESIA.




"A poesia é a música da alma, e, sobretudo, de almas grandes e sentimentais."
(Voltaire)

Com quais palavras você se despe?




Veio disposta a se despir. Fazer um strip tease da alma.
Primeiro,suave como um gato foi se desfazendo de toda vergonha por estar alí prestes a verbalizar.
Em seguida, começou a nomear todo sentimento que já começava a transbordar:
Como um véu,caiu primeiro a raiva, que depois de passar dias olhando para um telefone que nunca toca, causou lhe uma tarde inteira de dores do estômago.
Depois a insegurança, que junto com o ciúme, negativou seu crédito e sua auto-estima.
Respirou fundo, era dificil se desnudar daquela forma, mas o único jeito de se fazer entender, era dando nomes aos seus sentimentos e jogando os em cima daquele homem, como uma luva ou uma meia de renda...
Se desfez da lucidez e derepente se despiu do sexo, de todas as noites maravilhosas que passaram juntos e seguindo a mesma linha, corajosamente conseguiu admitir que nenhuma noite teria sido tão boa sem o amor. Que tudo havia começado de forma inesperada, casual, mas subitamente estava ela alí, amando e querendo ser amada por ele.
Ainda faltava a saudade, que ela jogou no colo dele e a responsabilizou por toda aquela cena, por toda insensatez desmedida e falta de pudor. Era tudo culpa da saudade desesperada, que foi só a gota d´água que fez com quem essa avalanche de emoções soterrasse a razão.
Não esperou resposta. Estava nua em meio a um bar lotado,sua bebida já havia esquentado, não tinha mais nada a perder, levantou e o deixou.

domingo, 21 de março de 2010

Fazer arte


Tear
Tê ar
Ter ar

Ar ter
Ar tê
Arte

sábado, 20 de março de 2010

Doravante


(Gustav-Adolf Mossa, Elle, 1905. oil on canvas)

Dora, avante
Dora, adore
Doravante
Dora, cante
Nossa canção
A dos amantes
Doravante
Avante, Dora
Adora, Dora
Cante, Dora
Doravante
Sinta dor, Dora
Adore
A dor e o sofrer
Doravante
Felicidade nasce
Num instante
Dora, espante
O mal que vem de antes
Doravante
Dora, encante
Meu coração infante
Dora, arroga
Meu rogo arrogante
Dora, adora
Doravante.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Saldo negativo

Saldo (afetivo) negativo!
Ninguém a havia ensinado a calcular e cuidar de sua conta afetiva.
Estava com o saldo negativo há muito tempo.
Foram os não reconhecimentos, os poucos incentivos.
Ela mesma negava os bons afetos que causava, depositando-os em contas alheias.
(Acontece sempre de pouparmos para o outro e esquecermo-nos das reservas que necessitamos).
Um dia ela acordou diferente. Foi depois de um susto ao ver como andava vivendo ultimamente. Decidiu que não precisava ser tão complicado. Foi lá e olhou a sua conta. Tirou um extrato fiel dos seus dias.
Perguntou para os seus sentimentos... Eles sabiam bem da sua situação econômica emocional.
E eles perguntaram para ela: -“Tem sentido muita tristeza? Andou sentindo solidão? Tem feito mil coisas e esquece sempre de você? Está correndo feito louca para cobrir o dia?...
Se respondeu sim a pelo menos duas dessas perguntas, corre e deposita.
Como essa conta é só sua, só você pode movimentá-la e a senha é secreta, para sua garantia... Ufa!
Então vai lá... Correndo!
Deposite um pouco de ternura para você mesmo. Deposite tempo, coisas feitas com qualidade. Com sentido.
Não pague alto por momentos que na verdade não acrescentam nada a sua vida, mas a retiram de si mesma. Ou melhor, pague alto somente se souber o que está fazendo. Por sua conta e risco.
Observe se, para estar com algumas pessoas, precisa ficar sem um tostão emocional.
Identifique as relações (pessoais, de trabalho, de estudo) que aumentam sua riqueza, e reserve...
Quando nos colocamos inconscientes do nosso saldo afetivo rua afora, normalmente voltamos ainda mais negativos.
Porque o outro não sabe sobre nossa condição. Mas se você for consciente de seus poderes, poderá arriscar uns investimentos mais ousados, lembrando que riscos são riscos, ganhar e perder são dois lados da vida...
Aí, mais nada nem ninguém será causa de seu lamento. Porque não poderão tirar o que você não tem. E o amor que você der, será livre e leve."
Ela guardou aquele conceito para usar todo dia. Antes de sair de casa pensava nas aulas de economia, ecologia, psicologia, religião...
Todos os saberes ensinam a mesma coisa... É preciso reinventar, reciclar, poupar, pensar na sustentabilidade, agir responsavelmente.
Perder já não é uma atitude inteligente. É preciso planejar.
O que nunca pensou é que usaria esses conceitos com seu próprio coração.
Feito do mesmo pão de todas as mesas... Afetos precisam ser saboreados e partilhados. Nunca perdidos.

Beijos de ótima semana, cheia de vivências positivas.
Claudia Chaves

domingo, 14 de março de 2010

Minha autopsicografia


Fingidor
Finge dor
Finge completamente
Finge completa mente
Fingir dor
Deveras
Deverás

Lê... escreve
Dor lida
Dolorida
Com a dor lida
Duas teve
Não tem

Roda
Giração
Razão
A corda
Acorda
Chamas
Coração

Tu (áudio)

sábado, 13 de março de 2010

clAMOR

Amigos leitores,
Quero anunciar que, a partir desta semana, passarei a realizar minhas postagens aos sábados. A autora s/a Karina me substituirá nas segundas-feiras. Obrigado, Lohan.

“O amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente, é o contentamento descontente, é dor que desatina sem doer” (Camões).



Por que secas, oh flor?
E não te deixas molhar!
E este orvalho, que é lágrima
Pende de tua árida pétala

“Se perder um amor... não se perca!
Se o achar... segure-o!
Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala.
O mais... é nada” (Fernando Pessoa).


Por que a Via Crúcis no Éden?
Por que ser poeira, e não pólen?
Germinar a vida,
Enquanto nos é dada a vida
Semear o amor, mas não somente em palavras:
Em atos, em fatos.
Gerar a lembrança futura de um antigo retrato
Um retrato da felicidade que hoje podemos.

“Vós, que sofreis, porque amais, amai ainda mais. Morrer de amor é viver dele” (Victor Hugo).

Por que este espírito embrutecido,
Mal lapidado de prismas de luz?
Por que essa armadura pesada,
Essa afiada espada,
Se todo Império tem sua queda,
Exceto o do amor.
“Só amor conhece o que é verdade”,
Por que viver no próprio engano
Dos teus passos?
Ser um podendo ser dois
Ser dois e sendo um
Um olhar e um coração
Voltado para o sentimento que mais se faz existir
E que, ao mesmo tempo,
Menos é acreditado
Menos é buscado,
Menos é sentido.
Tudo sem sentido.

“Amar, porque nada melhor para a saúde que um amor correspondido” (Vinícius de Moraes).

Abra os olhos, enfim:
O amor está agora em seu pensamento,
E em seu peito,
Seja o esquerdo, ou mesmo o direito.
Ele angustia, ele sufoca,
Ele clama por liberdade.
Se tiveres de morrer, morra ao lado meu,
E não sozinha, asfixiada pelo amor teu.
Enquanto houver alguém que clame
Há de existir alguém que ame.

“O tempo é muito lento para os que esperam
Muito rápido para os que tem medo
Muito longo para os que lamentam
Muito curto para os que festejam
Mas, para os que amam, o tempo é eterno” (W. Shakeaspeare).

terça-feira, 9 de março de 2010

Gabriela




Gabriela,
Olhem os olhos dela
Louca ou donzela,
Gabriela
Quem consegue viver
Sem ela
Quem não repara no azul
Dos cabelos dela
E do verde, dos olhos,
De suas faces amarelas
De sol, do ouro,
Das minas de Minas
Não existem as rimas
Sem Gabriela
O corpo, o sopro,
O piscar, o falar.
Quem não ouviu ela dizer
Salve o azul do mar
Salve o azul do céu
Que contemplo da minha janela
Salve o azul da paz
Que sinto quando vejo
E desejo
Gabriela...

segunda-feira, 8 de março de 2010

Faceira

Sou quem ri e quem chora
Quem tem medo e quem ora
Simples e abrangente, intensos afetos me deixam contente
Incoerências aqui e ali no desejo de fazer sorrir
Crescendo a cada instante, criança que não quer partir
Beijo, braço, afago... Gestos que posso dar
E oferecendo o que sou, eternamente a ganhar
Esse é o fato, meu pequeno grande abrigo
Tudo em mim começa na beira de um sorriso
Mais que mulher, feminina. Mais que menina, guerreira
Lutando pela dignidade do mundo de salto alto e batom
Menina. Mulher. Faceira!

Meu dia é o dia de todo mundo. Dia em que o sentimento trabalha na mesa ao lado da razão.

domingo, 7 de março de 2010

MULHER




Mulher sou eu, é ela, É AQUELA,
Que desperta, transgride, transcorre...
Mulher é aquela, é ela, É VOCÊ,
Que faz da espera áspera, letra doce, cadenciada...
Que engole a agonia, que se refaz todo dia, que disfarça o choro e cuida da cria...
Que se perfuma para quem não vai chegar, mas que nunca deixa de acreditar.
Que morre e renasce todos o dias, pois tudo em nós dói mais fundo, sentimos na carne toda a dor do mundo...
Mulher é ela, é aquela, SOU EU, que preciso me reinventar todos os dias, porque é difícil ser criatura epidérmica em um mundo onde para se sobreviver é necessário demonstrar menos amor, menos sensibilidade, senão te atropelam, te devoram... Ser vísceral te arranca os olhos, a entrega, parte o seu coração.
A mulher que eu, ela e você somos, é acima de tudo, aquela que trasnforma toda escara adquirida em felicidade de uma forma ou de outra, construída.

anjo gauche

Quando nasci, um anjo gauche
desses Carlos que vivem na sombra
disse: Vai, Edson! ser torto na vida.

sexta-feira, 5 de março de 2010

JE VEUX






Eu só quero que você me queira...
E assim sendo, quero te querer também....
Sem ter mais aquele medo gelado,
De desejar tudo em vão...
Não quero mais desdenhar meus anseios,
Pelo simples medo de vê-los esvaindo-se
Pelas minhas mãos...
Eu quero querer sem temer,
Eu quero poder esperar,
Quero ter coragem o suficiente para acreditar
Que às vezes as nossas expectativas são correspondidas...
Eu quero me permitir ser querida.


Je veux juste que tu me veux ...
Et donc, je te veux aussi ....
Sans que la peur de la crème glacée,
Pour souhaiter à tous mais en vain ...
Vous ne voulez pas de mépriser mon désirs,
Pour la simple crainte de les voir disparaître
Par mes mains ...
Je veux le voulez sans crainte,
Je veux Queesperar de pouvoir,
Je veux avoir le courage de croire
Que, parfois, nos attentes sont jumelés ...
Je veux me permettre d'être cher.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Cecília Meireles: Se estivesse no mundo (Uma análise teórica)

Olá amigos,
Hoje lhes trago uma pequena análise teórica acerca de uma poesia da excelente poetisa brasileira Cecilia Meireles. Um trabalho que fiz na faculdade, sob avaliação do meu grande professor de Literatura Angelo Grisoli. Agradeço a ele por ter me proporcionado esta passagem - uma passagem para uma profunda viagem, que se chama poesia. Boa leitura a todos!


"Cecília, és tão forte e tão frágil.
Como a onda ao termo da luta.
Mas a onda é água que afoga: Tu, não, és enxuta”.

Assim o poeta Manuel Bandeira define a poetisa Cecília Meireles (1901-1964). Professora, jornalista e poetisa que partilhou da mesma “era da renovação literária no Brasil” com o autor, sendo ambos considerados modernistas. Como ninguém, Cecília soube delinear a faixa invisível do tempo; tempo que fora, para ela, tão visível, tangível... Tempo este que nunca a ludibriou com suas artimanhas. Cecília sempre esteve consciente de quanto as coisas que fazem parte deste mundo, e particularmente, do seu mundo, são breves, passageiras. A relação comparativa de sua vida com suas obras é inevitável. Uma vida marcada pela solidão, pela melancolia. Porém ela, resignada com tal realidade, se diz privilegiada por ter vivenciado essa solidão, sentido essa angústia. Tudo isso se caracteriza como fatores que a impulsionaram a escrever – ou melhor – descrever através de uma singela musicalidade entrelinhas repletas de significação; sinestesias perfeitas da, como bem diz o crítico literário Afrânio Coutinho, “mais alta figura que já surgiu na poesia feminina brasileira e, sem distinção de sexo, um dos grandes nomes de nossa literatura” (2004; pág. 127).

Neste texto, será realizada uma análise teórica de uma de suas centenas de poesias: “Se estive no mundo” (Canções, 1956).




O que mais me chamou a atenção nesta poesia sem pretensão métrica foi a força do existencialismo que nele se encontra. Quem somos? Para onde vamos? Seremos eternos na posteridade humana? O homem quem realmente define sua essência, como diz o filosofo francês Jean-Paul Sartre?

Antes de prolongar a análise, leiamos a poesia para melhor entender essas questões:

Se estive no mundo
Se estive no mundo
ou fora do mundo...?
Mas que lhe respondo,
se o Arcanjo pergunta,
num tempo profundo?
No mundo passava:
porém muito longe.
Por sonhos e amores
me desintegrava.
O mundo não via:
minha permanência
foi, por toda parte,
fantasmagoria.
Dava, mas não tinha.
E, nessa abundância,
nada me ficava:
nem sei se fui minha.
Se estive no mundo
ou fora do mundo?
-Assim me apresento,
se o Arcanjo pergunta
meu nome profundo.

Analisarei, primeiramente, o primeiro verso da poesia. Seu “eu-lírico” é evidenciado logo no primeiro período: “Se (eu) estive no mundo ou fora do mundo?”. O “eu” oculto reforça a idéia que ela imprime no decorrer da poesia. O Arcanjo lhe pergunta “num tempo profundo”, o que pode ser interpretado como “o seu eu mais oculto, mais profundo – o seu verdadeiro eu”. E será justamente este “eu” quem responderá ao Arcanjo nos versos posteriores.

Antes de prosseguir, vale a pena destacar a presença da divina bíblica citada por Cecília: o Arcanjo. Arcanjo significa, segundo a Teologia, “o anjo principal”. De acordo com o livro do Apocalipse, o último livro da Bíblia, os Arcanjos serão os “"Sagrados Cavaleiros, dos Sete Selos, que serão abertos por Cristo, o Messias, prometido por Moisés, desde o Gênesis". Sendo assim, Meireles poderia estar fazendo uma menção subliminar do Juízo Final, que, segundo a Bíblia, será o julgamento do homem, cujos atos praticados durante sua vida na Terra serão todos levados em consideração. Ora, os três versos posteriores ao primeiro soam como respostas “do eu mais profundo” do “eu-lírico ceciliano”; ela estaria sendo julgada pelo Arcanjo que, baseado na integridade de suas respostas, a condenaria ou não”.
Pelo visto, condenada esta não fora; afinal, mostrara “o seu nome mais profundo”, sem máscaras. Despojara-se das vestes humanas. Entregou-se de alma, repugnou o corpo. Desintegrava-se não pelas dores físicas, mas sim, pelos sonhos e pelos amores. O “mundo”, o de carne e osso e máquinas, não foi capaz de enxergar a sua essência. Sua permanência fora invisível aos olhos destes, fora fantasmagórica.

No mundo de hoje, o ser humano se divide em tantas facetas para cumprir suas obrigações, ou simplesmente para persuadir as pessoas. Uma mulher como Cecilia seria mãe, esposa, amiga, professora, escritora... Teria ela sido “ela mesma?” E quanto a nós? O homem consegue, hoje, definir sua essência, uma vez que assimila todas essas experiências num só corpo, numa só existência, num só conjunto de pensamentos (a alma para os clássicos). Entretanto, o homem não consegue ser o que de fato o que ele é, ou seja, ele é todas as construções que ergue dentro si ao longo da vida, e não mais o terreno vazio onde erigira toda esta construção. O terreno, o seu “eu mais profundo”, jamais será retomado. Ou não?

Eis uma imagem do genial pintor surrealista Salvador Dali a qual, segundo minha interpretação, pode ser conjugada com tal poesia de Cecilia:



Este espaço parcialmente vazio, predominantemente branco (cor que simboliza a pacificidade do ser), e a figura de uma mulher e sua sombra são os fortes componentes desta tela de Dalí. A solidão aparente, o vazio, propicia o surgimento de sua sombra. Sua sombra representaria, dentro do contexto em voga, o seu “eu mais profundo”, “aquilo que foge do físico”. O espaço vazio, com exceção de uma montanha mais adiante da mulher, se mostra como o terreno o qual mencionei no parágrafo anterior. Eis uma mulher aparentemente cansada, tomada pela melancolia, refugiada em seu “tempo mais profundo”, descobrindo a si mesma através de sua sombra, pois nada melhor do que a solidão para tal “descoberta”. Um espaço que parece ser infinito, bem como a condição da alma, como aponta a maioria das religiões, acaba por completar a idéia da ausência ceciliana do mundo físico.

No conto “A moça tecelã”, da escritora Marina Colasanti, a personagem “desconstrói” tudo o que havia “tecido” para sua vida; e nesta “desconstrução”, ela reencontra a verdadeira felicidade, que é ser “ela mesma” de novo. Creio que atualmente um dos maiores dilemas do ser humano é ser de fato quem ele é. E Cecília Meireles trata este assunto com uma maestria invejável nesta poesia. De tanto conceder, doar-se, e nada receber em troca, ela nem sabe se foi ela mesma. Ela foi o que os outros, o mundo, a cobrou. A abundância de “seres” a impediu de ser em essência. A efemeridade das coisas, mal que assola o mundo contemporâneo, exige que sejamos várias pessoas numa só vida, sempre vivendo em função de terceiros, de um sistema rígido. Tudo muda em períodos curtos de tempo. Nossa essência se perde sem que nos demos conta, e nossa vida se torna mais um objeto da banalidade.
Uma vez perguntada sobre qual seria o seu maior defeito, ao que Cecilia responde:

Uma certa ausência do mundo. Interessante como esta resposta se encaixa perfeitamente a interpretação dada a esta poesia. Segundo Bosi, “por mundo se entende o fluxo das experiências vividas, tudo quanto foi visto, amado e sofrido; paisagens contempladas, entes queridos, situações de prazer ou de dor”. É justamente deste mundo que ela se ausenta para apresentar a si mesma, o seu “eu mais profundo, o seu tempo mais profundo”. Seria este um defeito? Acredito que não. Se esteve no mundo? Sim, Cecília, tu estivestes em teu mundo, em teu tempo. Ignorastes tudo que se caracteriza como concreto, como mundo de experiência e deixou-se levar pelo etéreo. E por essa condição sublime, decerto que o Arcanjo não há de julgar-te errada, e, por conseguinte, não a condenará.

Talvez seja por isso que Cecília disse, certa vez, que o silêncio e a solidão presentes em boa parte de sua vida foram positivos para ela. Somente na solidão podemos escutar, e não apenas ouvir. No silêncio da solidão, podemos desvendar os pontos mais abissais de nosso ser. Resumindo, podemos, de fato, ser quem somos. Para finalizar, ninguém melhor do que o extraordinário filósofo Nietzsche para corroborar esta idéia, dizendo: “a solidão é o caminho que nos conduz para nós mesmos”.

Referências bibliográficas:

Canções, Cecília Meireles, 1956.
Assim falou Zaratustra, Friederich Nietzsche, 1885.
Céu, inferno, Alfredo Bosi, 1988.
A literatura no Brasil, Afrânio Coutinho, 2004.
Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento, Marina Colasanti, 2000.
Livro do Apocalipse, Bíblia Sagrada.

Físico e Psicológico

Atendendo prontamente a um pedido da Andréa, aqui vai o texto rebelde dessa pessoa aqui. Com pequenas mudanças em relação ao texto no meu blog, com o objetivo de ser mais clara.
Obrigada, querida!
........................................
Físico ou psicológico?
Físico e Psicológico!
Esta pergunta acima era cabível numa outra era de nosso conhecimento.
Quando se utilizou a metodologia científica criada para estudar a matéria para compreender o ser humano.
Mas quando alguém percebeu que o ser humano tinha um modo humano de funcionar e que não poderia ser avaliado somente com métodos científicos desenvolvidos para a matéria, muita coisa mudou.
Por isso, hoje, meus ouvidos doem ao escutar essa expressão: físico ou psicológico? Não doem quando a pergunta vem de um leigo. Doem quando são formuladas por pessoas esclarecidas e que fazem uso dessa pergunta com o intuito de diminuir o sofrimento do outro.
Da máquina podemos responder óleo ou peça. Parafuso ou porca.
Do homem não se pode dizer corpo ou alma, mas corpo e alma.
Porque um mora no outro. Nada acontece a um que o outro não sinta, não sofra.
Então porque não dizer que o sofrimento de alguém não é apenas psicológico, mas humano!
Qualquer pessoa que passe pela dor, pela perda, pela angústia do abandono, da desvalorização, há de sentir a mesma coisa no peito a ecoar no corpo no qual habita...
Sim. Angústia humana afeta o coração, afeta o olhar, o sentir a vida. Desrespeito afeta a voz, a auto-estima, o apreço.
Não. Não dá para separar o corpo da alma.
Por isso não justifiquemos as dores alheias dizendo que são somente psicológicas, só porque não derramam sangue a olhos vistos.
E porque ambos aspectos referem-se à mesma pessoa, a dor é e sempre será física e psicológica.
Ainda que a raiz more numa parte, os galhos estarão sempre na pessoa humana, como um todo, nunca fragmentado, esfacelado.
Esse texto pequenino é apenas um protesto diante da dor de um amigo... Imobilizado há mais de um ano, lutando bravamente para recuperar seus movimentos ou aceitar sua imobilidade.
Quero 'dar a César o que é de César'.
Qualquer ser humano nessas condições sentiria dor e angústia.
Se pudesse (e eu poderia!*) analisá-lo psicologicamente ele foi ótimo até onde suportou. Porque mesmo recebendo um tratamento que deixava a desejar, nunca reclamou, criticou. Mas tendo estressado ao máximo seu corpo, chegando ao limite da dor, suas emoções coerentes com sua vida, revelaram-se inquietas, angustiadas. Ou seja, ele continua sendo a pessoa amorosa, digna e generosa que era, mesmo depois de ultrapassar seus limites de silêncio e equilíbrio frente às suas crises de dor.
Não há porque reduzí-lo ao limite, quando o valor do ser humano é inquestionavelmente maior que seus limites momentâneos.
E a análise tem a função exclusiva de ajudar a compreender, nada mais.
Querido, mais que compreendê-lo, eu o amo!

* Poderia, mas escolhi amar. Amar ultrapassa todo entendimento, já dizia...

Beijo em seus corações,
Claudia