sábado, 8 de janeiro de 2011

Aprender a ser mulher

Homem não é tudo igual. Minha dúvida comprova a inexistência dessa máxima. Dois homens me rodeiam, e fazem eu me perder no epicentro das minhas emoções. Errata: ninguém me rodeia, eu não sou um círculo, círculos são redondos e... Vocês sabem, eu sou uma faixa de pedestre: branca, magra e quente. Somente os cuidadosos passam por mim, ai de quem ouse bater de frente comigo.

Quando me declaram guerra, eu sou forte. Quando me declaram amor, finjo que sou forte, embora minha rendição seja visível. Eu sempre utilizo capas transparentes para disfarçar o meu olhar de desejo. Aliás, eu não consigo fingir muita coisa, já andei me questionando a respeito dessa patologia que me acontece. Seria o meu nível de testosterona elevado? Vá saber. Se fosse, eu seria mais fogosa. Dizem que quanto mais testosterona tem a mulher, mais vontade de trepar ela tem. Mito? Não sei.

Respirar, para a mulher, talvez seja menos natural do que o ato de fingir. Minhas amigas adoram fingir que sentem orgasmos, por exemplo. "Pra quê?", eu pergunto. Pra inflarem o ego daqueles idiotas?

Por falar em idiotas, tem dois me tirando o sossego. O Joaquim tem nome e jeito de príncipe. Antes tivesse também o título e o postulado a rei, mas... Se a perfeição existisse, as dúvidas seriam caprichos. Ele me envia flores, ele escreve poemas, ele expõe sua dor em lágrimas, ele murmura em meu ouvido poemas de Vinicius de Moraes, ele diz todos os dias ''eu te amo'', ainda não sabe dirigir e deseja ter comigo uma filha. Ah, Joaquim... E se você risse mais das minhas piadas ridículas ao invés de ficar chorando pelos cantos a dor que a esperança de me ter te suprime? E se você trocasse quinze "eu te amo" opacos por um repleto de luz, que chegasse a irradiar pelo resto da minha semana? E se você desejasse ter um moleque, futuro craque da seleção brasileira de futebol, como todo homem costuma sonhar?

O Rodrigo é um rapaz másculo, daqueles tipos ratos de academia, que sabe bem como segurar a cintura de uma mulher sem que se pareça com um cirurgião plástico tateando gordurinhas localizadas de modo meticuloso. Ele odeia Caetano, não só pelas letras de suas canções, mas também por julgá-lo ser uma bichona. Tem uma caminhonete importada (detalhe que merecia um asterisco!); o Rodrigo nunca me diz "eu te amo", ao pé do meu ouvido só murmura sacanagem e quer ter um filho... Ah, Rodrigo... E se você dissesse que admirava minhas atitudes ao invés de agarrar minha cintura? E se você curtisse comigo um Caetano durante um jantar a luz de velas? E se você me surpreendesse com um "eu te amo"? E se você abandonasse um pouco esse desejo clichê e quisesse ter uma filha bailarina, toda delicada e meiga?

Homem, realmente, não é tudo igual. Ainda bem, pois já passaram tantos trastes na minha vida... Nem tantos, eu também não sou gourmet para ficar apreciando tudo quanto é aproveitável. Se bem que gourmet só aprecia comida fina... À primeira vista, minha amiga, a carne em questão pode até aparentar ser filé, mas depois de cozida, fica dura como um pão de uma semana. Arrisque provar de vez em quando a bola da pá da sua área.

Eu preciso arriscar. Toda escolha é um risco, eu sei. Inclusive ficar só. Eu posso me masturbar, me olhar no espelho e me fazer mil elogios, posso dirigir pra qualquer canto desse planeta ouvindo Caetano Veloso no último volume, comprar uns lírios, pois todo homem segue à risca a regra de que toda mulher gosta de rosa e vive aparecendo com buquê de rosa na nossa frente. Eu posso me apertar, me desapertar, me considerar sempre uma pessoa acima do peso, nem que seja uma caloria, colocar meus silicones e fazer uma inseminação artificial, why not?

Primeiro eu vou dar um tempo para mim, me amar pelo tempo que for merecido, e não necessário, pois quando amar se torna necessidade, é aconselhável um terapeuta, e não um bofe. O Rodrigo e o Joaquim que me esperem, sentados! De pé, só no altar. Um dia, talvez, eu finja com um deles. Mas antes... Antes eu preciso aprender a fingir. Eu preciso encontrar a mulher, a femina: a Capitolina que existe dentro de mim.






3 comentários:

Ana Beatriz Manier disse...

"...quando amar se torna necessidade, é aconselhável um terapeuta, e não um bofe."
Opa, isso dá boas reflexões!
Beijos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Simone Prado disse...

Foi um prazer poder reler quase todos os seus poemas e alguns escritos mais. Possuem, quase todos, grande beleza , eu diria. E que fazem muito bem a alma.
Obrigada.
Um grande beijo!

ivelisezanim disse...

Ahhhhhhhhh Lohan!!!Entender uma mulher....nem para "Vinícius de Moraes", o nobre poeta.....heheheheh.
Alguem sabiamente ja disse..."que se os homens soubessem o que as mulheres pensam....eles seriam 20 vezes mais ousados".....kkkkkkk, e como uma representante da categoria, afirmo e reafirmo....!!! Muito bom meu amigo!!!! bjusssssssssss