quinta-feira, 13 de outubro de 2011

The Guitar Girl




Há algum tempo a indústria cultural se apropriava do termo Rock para dizer que o Rock pode ser tudo, qualquer coisa, o que nas entrelinhas é o mesmo que dizer que o Rock não deve ser nada, coisa alguma, pois esgarçando os limites que o definiriam como gênero musical, numa atitude pretensamente generosa de dar-lhe o status de Pai de Todos, desconstruiram-lhe a noção de Escola, de tradição, tão valorizada quando o assunto é Samba, por exemplo; pois bem, no Rock também existe a "velha guarda" - embora para o espírito Rocker esta expressão me pareça inadequada - também tem raízes africanas (no caso afro-americanas), também tem bateria, e bateristas excepcionais como Neil Peart  (Rush), Ian Paice (Deep Purple), Carl Palmer (ELP), entre muitos outros. 

O Rock é uma escola com inúmeros cursos e disciplinas, vai do Blues ao Metal, do Metal ao Jazz, do Jazz à música erudita, em todas as suas vertentes, desde a música antiga - medieval e renascentista (Griphon, Blackmore's Night) à música contemporânea (Gentle Giant, Area). Logo, a quantidade de instrumentos a princípio não-tradicionais usados pelas bandas de Rock contabilizando todas desde os primeiros bluesman da história é inimaginávelNeste sentido não existe  mesmo fronteira para o Rock, sendo que a riqueza de informações e formações musicais deu ao gênero um caráter bastante diversificado, mas sem transformar as principais bandas em objetos amorfos, sem referências claras e coerentes ao próprio Rock


Os temas que norteiam os letristas do Rock também parecem infinitos. Há letras sobre festas e garotas, sobre rebeldia, baladas de amor e volúpia, sobre eventos históricos como guerras, descobertas científicas, as Grandes Navegações, o 11 de setembro; personagens como Alexandre, o Grande e Galileo Galilei; sobre liberdade, solidão, mas também sobre força de espírito, elevação da auto-estima; espírito beat, e ainda, temas como mitologia grega, romances da literatura universal, teatro, filosofia, questões sociais, antropológicas, ficção científica, oposição a políticas de Estado, e contra "religiosos" que exploram a boa-fé alheia em nome de um individualismo tirânico, há musicais em forma de álbum (óperas-rock), canções feitas só para o cinema, etc.  

Apesar de seu caráter heterogêneo tanto nas letras quanto na sonoridade, o Rock não serve a qualquer fim musical, ou com pretensões musicais; não é um gênero sem identidade, que vai passando de mão em mão. Então por que não se criticou, por exemplo, a presença do Steve Wonder no Rock in Rio. Ora, ele pode não ser Rocker na acepção mais rigorosa do termo, porém, a essência de sua música (e ainda melhor, de sua musicalidade) encontra respaldo certo na escola do Rock. Existe um grupo muito significativo de roqueiros que admiram bandas de grande qualidade musical, do nível da que acompanha o Steve Wonder. Esse grupo de roqueiros admira a "pegada" dos músicos, notas bem postas, melodias significativas e com timbres certeiros, harmonias originais, nada óbvias. 

Não é preciso ser escritor para saber quando estamos diante de um livro importante, da mesma forma que não é preciso ser músico para reconhecer um instrumentista consciente do que está tocando e até mesmo de que escola musical ele é herdeiro. Desiree Bassett é o exemplo mais recente de quem conhece e é apaixonado pelo que faz, no caso dela, ser guitarrista. 



Isso é ser da Escola, Desiree e o encontro com um Mestre: 
o alemão Uli Jon Roth, que integrou o Scorpions até 1977, 
um dos maiores guitarristas de todos os tempos.  


Descobri por acaso os vídeos dessa menina rocker exemplar, cujo único hiperexagero é ser muito boa no que faz artisticamente. Estimulada pelos pais a tocar e a cantar, aos 9 anos já estava tendo aulas de guitarra na Universidade de Coneccticut.  Daí saiu aprendendo tudo o que podia sobre o instrumento até começar a tocar de ouvido. Pronto, tornara-se uma musicista de verdade. Não poderia ser diferente, já que estudou os melhores guitarristas, de Joe Satriani a Jeff Beck, de Hendrix a Van Halen, e práticas temperadas com muito Blues.

Nascida em New Heaven, Connecticut, Desiree foi eleita em Nova York o talento musical do ano de 2005, com apenas 13 anos. Já tocou com Living Colour, Sammy Hagar (ex-Van Halen), Ted Nugent, entre outros. Tem no mercado três CDs lançados, sendo o último de 2010 (A Bit Above). 

fonte: http://dbassett.com/about



Peavey Flying Vortex
(superguitarra)

Só não entendo (eu, Cândido) por que essa jovem e brilhante guitarrista, que faz música com conhecimento de causa, ainda não tem um material de divulgação a altura do seu domínio instrumental. Através do vídeo selecionado no Youtube, destaco uma apresentação de 2007, na qual Desiree Bassett demonstra todo seu domínio, vigor e paixão pela música empunhando uma belíssima Peavey Flyng Vortex. Tecnicamente a  base que Desiree executa no vídeo é firme, na passagem de um acorde para outro ela comete um único errinho, o que não compromete absolutamente sua grande performance harmônica, quanto aos drives são fortes, resolutos e potentes, os vibratos límpidos, muito bem definidos, diria lindos, e tudo termina num ápice realmente impressionante, onde ela mostra muita perícia em divisões nada simples e todas no tempo certo, preâmbulo para a fase final do solo, demonstrando enorme precisão e agilidade com os dedos. Mas o melhor fica por conta da atitude, da presença de palco, e do feeling, tudo isso Desiree tem. Ou seja, ela pode dizer: "Aumenta que ISSO é Rock n' Roll!"



GGG
** Guitar, Girl and Glam **

Ótima semana para todos!

    
     



           

6 comentários:

Bruno Lage. disse...

Excelente texto, realmente entende do assunto !

Hoje em dia existem inúmeros subgêneros do Rock. A maioria das pessoas pensam que Rock é só Guns, AC/DC, etc. Um bom exemplo de banda que mistura sua cultura ao Rock, é o System of a Down, formada por descendentes de armênios.É o que está em alta no Rock, o Nu metal, subgênero do Metal. Bandas como; Slipknot, Linkin Park, Papa Roach,Limp Bizkit, entre outras.

Joe Satriani também demorou para ser reconhecido realmente pelo seu trabalho, hoje para mim, melhor guitarrista.

Esse menina é muito boa, com certeza será reconhecida ainda.

Abraços, Bruno !

Crislaine disse...

Adorei conhecer esse texto! Vc tem de escrever uma enciclopédia do Rock!

Lina Gomes disse...

Nossa, demais, genial essa menina, genial o post!
Obrigada por compartilhar, Thaty!

Duda Molinos disse...

Parabéns, Landoni. Texto excelente. Mas ao primeiro comentarista: desde quando Linkin Park é banda de rock que se preze? É a mesma coisa que dizer que o Nx Zero é o ápice do rock no Brasil. Pera lá.

By Duda Molinos.

Landoni Cartoon disse...

Oi, Duda Molinos, antes de qualquer coisa, quero agradecer seu comentário, sua leitura, sua presença. Agora, eu não ia dizer nada, mas vc me provocou, então vou dizer, a despeito de qualquer polêmica - não é minha intenção. Concordo com vc, Linkin Park nada tem nada a ver com minha concepção de rock, e diria mais, minha concepção de música. Como músicos são muito ruins. Nx Zero então... Putz, pelas barbas de Ian Anderson!!!!

Bruno, Crislaine, Lina Gomes, muito obrigado pela presença de todos, e pela opinião de cada um de vcs!

grande abraço!

Thaty Louise disse...

Adorei conhecer a "Guitar Girl"! Como toca com alegria!!! Amei os drives! ^^