sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Poemas da segunda rodada da Fase de Grupos

Olá, poetas e leitores!

Antes de qualquer coisa, lembramos que o dia do poeta foi comemorado ontem, dia 20 de outubro. Portanto, o Autores S/A abraça a todos os poetas, não só deste concurso, mas todos aqueles que, de fato, levam a poesia a sério (ah, nem tanto assim também...) e que tornam as nossas vidas mais leves, doces, alertas, espantadas, comovidas...  

FELIZ DIA DO POETA!




         E está no ar mais um post repleto de bons poemas do III Concurso de Poesia Autores S/A! São 32 poetas guerreiros, divididos em oito grupos, lutando pelas duas vagas que cabem em seus respectivos grupos. Nesta segunda rodada da fase de grupos, foi proposto a eles que decidissem entre quatro temáticas. São elas: “espelho”, “o golpe militar”, “facebook” e “casamento”. Estão curiosos para saberem como ficaram os poemas?

    Antes, será anunciado, desta vez mais antecipadamente, os temas que cada grupo terá de desenvolver na terceira e última rodada da fase de grupos. Será uma fase decisiva. Quem estará precisando de pontos? Quem já estará relaxado, com a classificação quase garantida para as oitavas de final?

O tema da terceira rodada da fase de grupos será:

POEMA INSPIRADO EM IMAGEM

         Esta temática já se tornou tradicional nos concursos do Autores S/A. Os poetas precisam “destrinchar” a imagem proposta e, dela, da maneira mais criativa possível, “extrair” poesia. É muito importante que o poeta fuja do óbvio e mergulhe fundo nas imagens propostas, pesquisando sobre elas, embasando-se o máximo possível.
         Para cada grupo, será proposta uma imagem diferente. Poetas, façam a leitura, a seguir, das imagens que pertencem a vossos grupos:

Os poetas do GRUPO A terão de se inspirar nesta imagem:



Os poetas do GRUPO B terão de se inspirar nesta imagem:



Os poetas do GRUPO C terão de se inspirar nesta imagem:




Capa de “Abbey Road”, Beatles

Os poetas do GRUPO D terão de se inspirar nesta imagem:



Os poetas do GRUPO E terão de se inspirar nesta imagem:


Por Francys Alys

Os poetas do GRUPO F terão de se inspirar nesta imagem:


Por Kevin Carter, prêmio Pulitzer em 1994

Os poetas do GRUPO G terão de se inspirar nesta imagem:


“Cotidiano”, Guta Carvalho

Os poetas do GRUPO H terão de se inspirar nesta imagem:


  “Behind the loyalist lines”, por *Robert Capa (1936)

*Completa, em 2014, centenário de nascimento

         Os poemas inspirados nas imagens deverão ser enviados somente de sexta-feira, dia 24/10/14, até domingo, dia 26/10/2014, às 22 horas, para o e-mail poesiaautoressa@gmail.com . (o que não impede, obviamente, do poeta já ir desenvolvendo seu poema desde já).

         Por hora, apreciemos os poemas da segunda rodada e vamos aguardar, ansiosos, os resultados, que serão revelados nesta quinta-feira!

   Desejamos a todos uma ótima leitura e, claro: não deixem de comentar e votar, no campo dos comentários deste post. A votação só será válida se o comentarista estiver LOGADO COM A CONTA DO GOOGLE! A votação será iniciada às 20:00 de terça-feira e encerrada às 17 horas de quinta-feira, dia 23/10/14. Ao final das 3 rodadas, serão somados todos os votos dados e elegeremos o poeta vencedor pelo voto popular.


PREMIAÇÃO DA RODADA

         Nesta rodada, o poeta Raimundo de Moraes, que disputa pelo grupo D, ofereceu oito exemplares de seu livro, “Tríade”, assim como fez o poeta Ricardo Thadeu na rodada passada, com o livro “Trilogia do Tempo”



Será premiado 01 poeta de cada grupo – aquele que tiver vencido o duelo por 2 x 0. Caso dois poetas de um mesmo grupo vençam por 2 x 0 ou haja dois empates em 1 x 1, será premiado o poeta que estiver em primeiro lugar no grupo, somados os pontos da rodada passada e considerando-se os critérios de desempate.
         Boa sorte a todos!

POEMAS
DA
SEGUNDA RODADA
DA
FASE DE GRUPOS 



GRUPO A
2º RODADA
TEMA: “ESPELHO

situação no momento:





DUELO 01

Títulos:

“Degelo de olhos”, de Nathan Sousa (PI)

X

“Eco”, de Jacqueline Salgado (SP)


Título: Degelo de olhos (Nathan Sousa)

O espelho da sala.
Minha irmã lendo
Camões em Braille.

Que mares sussurram
sobre o oriente deste
olho ermo?

Vejo uma aura alternando
cores, e o que digo me
decompõe como o
choro das camadas polares.

Provei da água dos becos
e aliviei o peso do rosto
amaciando a carne no
anonimato das coisas
taciturnas.

O espelho da sala.
Minha irmã tecendo
clarões.

Título: Eco (Jacqueline Salgado)

Tudo que eu queria agora
era emanar
               um eco
profundo e mudo,
cavar no oceano da minha garganta
um tsunami de despalavras
que coubessem exatamente
na primeira linha da voz.
Tudo que eu queria era
escutar os gritos que sufoquei
                                  à beira dos rios
que não deixei escapar por entre a noite
e que hoje reviram-se gelados dentro de mim
como estrelas secas.
                         O silêncio lateja-me os orifícios.
Tudo o que eu queria agora
                                 era um eco
profundo e mudo
como aquele que se tem
quando se parte os dois lados do espelho.



DUELO 02

Títulos:

“jogo de um só espelho”, de Bianca Velloso (SC)

X

“A carnadura dos reflexos da memória”, de Danilo Fernandes (MS)


Título: jogo de um só espelho (Bianca Velloso)

no espelho todas as fases da lua
a deusa tríplice
: donzela, mãe e anciã
.
.
.
no espelho todas as faces do medo
o demônio do tempo
: ora narciso ora quasímodo
.
.
.
no espelho todas os interstícios do poema
objeto mudo que diz quase tudo
reflexo de um mundo surdo de si
imagem virtual transmutada
pelo olhar vago e cego do humano
.
.
.
frágeis e tácitos fractais de um mesmo espectro


Título: A carnadura dos reflexos da memória (Danilo Fernandes)

Da madeira morna de minha cama
o suor evapora das gerações,
que já pousaram moribundas,
mórbidas e pessimamente
forjadas em seu próprio cinismo
Levanto-me de minha cama:
esta testemunha de tantos anos,
que se entortou no limiar vital
para, quem sabe, rever a mim mesmo
em um pedaço fosco de espelho
Mas meu suco gástrico onde
avós, filhos, netos e amantes
pululam ressequidos pelo sol
de um julho distorcido
pela vã memória de um velho
me tolhe o movimento das pernas
e queima como quem discursa
a dor acumulada das imagens
Só com esforço o esqueleto
se arrasta pelo chão cinzento
E para diante do retângulo,
mas eu sou estrutura frágil
paro me esquecendo dos meus,
mas sou pintura mal feita:
uma falsificação disforme
Quem está neste espelho
é o mesmo que correu pelo sítio
naquele verão de 64
antes da tormenta chegar em ondas,
e da grande pancada que sangrar?
O homem que se equilibra
é mesmo o cara que dançou
com o amor da vida e se esqueceu
por um instante do peso da palavra
no meio de uma rua mal iluminada?
Um golpe de vida em minha fronte
me faz andar com pernas de gelo
que escorregam semimortas
e me derrubam na mesma madeira
a madeira rude das minhas lembranças
Ver o outro que sou eu mesmo
é peso enorme e impossível de carregar...
Não sou o remédio de ontem
sou doença se agravando no tempo...



GRUPO B
2º RODADA
TEMA: “ESPELHO”

situação no momento:


“Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?”
(“Retrato”, Cecilia Meireles)


DUELO 01

Títulos:

“defronte”, de André Oviedo (SP)

X

“Coleção”, de Dora Oliveira (MG)


Título: defronte (André Oviedo)


o grande trabalho
do poeta
é colocar
espelhos ocultos
sob o que escreve,
para que o leitor,
à medida em que
vê os versos,
lance sobre si
um olhar breve.
o grande trabalho
do poeta
é colocar
espelhos ocultos
sob o que escreve,
para que o leitor,
à medida em que
lê os versos,
veja quanto de si
o poema descreve.
o grande trabalho
do poeta,
presumo
e insisto:
é fazer ver
e ser visto.



Título: Coleção (Dora Oliveira)

Gosto tanto de espelhos
que tenho uma coleção.

O primeiro foi presente dos meus pais.
Grandioso, fica no alto da parede.
Não passo um dia sequer
sem mirar-me em seu lume cristalino.
Dos mestres recebi espelhos
polidos com ciência.
Amálgama duradoura
que clareia meus compartimentos.

Narciso enviou-me um espelho
frágil e fosco.
Veio trincado.
A moldura era belíssima.
Até a minha gata,
deu-me um espelho gracioso,
enigmático e reluzente.

Esfregava os dedos nos olhos ardidos
pela poluição do centro da cidade.
Um velho de chapéu de palha
ofereceu-me um espelho oval,
desses ordinários, de bolso.
Disse-me que “viver
é retirar os ciscos dos olhos.”

Um poeta que mora na montanha,
um cordelista, um cão de rua
e uma gari alegre, de batom lilás,
aumentaram a minha coleção
com espelhos cintilantes,
planos,  esféricos, convexos...
Alguns raros e excêntricos.

Ainda faço coleção de espelhos,
troco com os amigos...
Em muitos, o tempo deixou a expiração.
Consegui colar as rachaduras de uns
e conservo outros embaçados.
Quase nada se vê neles.
Têm valor afetivo, pura teimosia e apego.
Presentes de amores mal passados.

Acontece de um se espatifar ao chão.
Impossível restaurá-lo
tal a profusão de cacos.
Os cortes são inexoráveis.
Nada reflete melhor
o fim de tudo
que um espelho quebrado.



DUELO 02

Títulos:

“um estranho no espelho”, de Herton Gomes (RJ)

X

“Retrovisor”, de Hugo Costa (PB)



Título: um estranho no espelho (Herton Gomes)

Quem é esse trapo?
com quem me deparo em frente ao espelho
olhar cabisbaixo
semblante cansado
estrangeiro de mim
tão apodrecido
antes da primavera
com cara de fera
com fome
Quem é esse homem?
Com dores na alma
e no rim
Quem é esse cão acuado?
Com o coração enferrujado
boca com gosto de cárie
quem é essa barbárie?
Pele amarrotada
alma enrugada
de véspera
tão antes do tempo previsto
quem é esse bicho?
Quem é esse rato?
Que hoje chafurda no lixo
que um dia já foi quase um gato
de pelúcia
de madame
tão bem cuidado
e cheio de astúcia
e hoje é esse bagaço
esse vexame
quem é esse trapo?
Esse saco de estopa
esse pano de chão
encardido  
fadigado
corroído
pela falta de paixão
constrangido
derrotado
abatido
de tanta desilusão
quem é esse verme?
Que não ousa me encarar no espelho
esse porco  
            que me olha torto                                                                                                   
enviesado
olhos vermelhos
inchados
de tanto chorar
de tanto esperar
de tanto dar murro em ponta de faca
Quem é essa
carcaça?
         essa coisa medonha                                                                                                   
que me olha com vergonha e piedade
me assusta
me aflige
me apavora
quem ele é?
Um anjo ao avesso
uma puta
ou um rascunho de mulher?
Esse cadáver
esse covarde
quando foi que ele morreu?
Quem é esse trapo?
Esse velho fedorento
nesse esboço
nesse corpo
nesse rosto de lamento 

que um dia já foi meu?

Título: Retrovisor (Hugo Costa)

São claros
os espelhos do tempo:
um pedaço de melodia
uma letra
a lembrança de um rosto antigo
que ficou pela estrada
e já não se sabe a forma exata
nesta manhã de domingo

Se conserva o primeiro cabelo
que estas mãos, trêmulas, que hoje vos escreve
um dia tocaram
tirando o primeiro vestido
sentindo o primeiro arrepio
plantando e colhendo a doçura
ou, às vezes, o amargo
da fruta palavra,
quando tudo
por um pequeno instante
fez absoluto sentido.

É a vida
nos tatuando as costas:

ora cruzes,
ora poemas.

GRUPO C
2º RODADA
TEMA: “CASAMENTO”


situação no momento:






DUELO 01

Títulos:

“Dos amores mais cuidados”, de Álvaro Barcellos (SP)

X

“quem quer casar com o poeta?”, de Bruno Baptista (RJ)


Título: Dos amores mais cuidados (Álvaro Barcellos)
  
Quem dera eu nunca precise
te dizer adeus
e nem ouvi-lo de ti…
por julgar que os amores
cultivados nos jardins
mais densos
mais caudalosos
mais cuidados
devam perpetuar-se
como convém aos corações
tão plenos de pulso
– marco dos amantes
mar dos amantes
nau dos amantes
leito dos amantes
paz dos amantes
diamantes.


Título: quem quer casar com o poeta? (Bruno Baptista)

quem quer casar com o poeta?
pergunta à mulher da noite
pergunta à mulher de dia
pergunta até à que ficou pra tia

pergunta à mulher de vestido
pergunta à mulher de saia
pergunta à sereia mais feia
'prefiro morrer na praia'

quem quer casar com o poeta?
quem 'nem morta'?
quem ao ver a porta aberta
opta por bater a porta? 


DUELO 02

Títulos:

“Velho novo dia”, de André Barbosa (CE)

x

casa.mentos”, de Adalberto Carmo (SP)


Título: Velho novo dia (André Barbosa)

O sol surge lá ao longe no horizonte,
E galos cantam nos quintais de alguns casebres.
Pequenas crias nos seus ninhos são nutridas,
O João de barro dá início à construção.
Buzinas frenéticas travestidas de bom dia
Berram e ecoam despertando a multidão.

Pernas caminham para as suas árduas labutas,
Indo à luta sem saber quem vai vencer.
Mil estorninhos fazem balé ao som do vento
No mesmo instante que mil homens estendem a mão.

Olhos abrem e fecham ao tocar de amantes bocas;
As alianças vão fazendo a morada em dedos,
E dá-se o ensejo da sagrada comunhão. 


Título: casa.mentos (Adalberto Carmo)

O coração, onde?
Boia doce em líquido preto

preto & cheio de bolhas 

GRUPO D
2º RODADA
TEMA: “CASAMENTO”


situação no momento:


 “Quero me casar 
na noite na rua
no mar ou no céu
quero me casar.

Procuro uma noiva
loura morena
preta ou azul
uma noiva verde
uma noiva no ar
como um passarinho.

Depressa, que o amor
não pode esperar!”
(“Quero me casar”, Carlos Drummond de Andrade) 


DUELO 01

Títulos:

“Quando você se percebe padrão, e não uma fase”, de Simone Prado (RJ)

X

“Divórcio”, de Isadora Bellavinha (RJ)


Título: Quando você se percebe padrão, e não uma fase (Simone Prado)

,cama
lençol
cuidadosa saída

antes

íris –

um gato
da janela do quarto
ganha os jardins

roupas
rápidos
objetos
recolhidos
descem escadas

giro das chaves

carro
e o lençol de flores
estampado na memória:
ao lado –
ninguém



Título: Divórcio (Isadora Bellavinha)


Não há mais muito há dizer.
Aquela vez
juntos
você sozinha no árido deserto das palavras
aquela vez
a secura das palavras:
- não há mais muito a dizer.
A pertinência das contas,
a pertinência dos anos,
a pertinência dos almoços em família
o juramento de amor
pra sempre
diluído em rotina.
Aquela vez
quando te olhei nos olhos
e a ruína dos seus sonhos não estava
e não restava vestígio das coisas infindas 
e nada estava pra dentro dos olhos opacos
e nada ficara dos poemas 
e nenhum desejo submerso na retina
e nem sequer saudade
e nenhuma memória fingida
e nenhum escombro
e nem mesmo agonia 
tudo, meticulosamente apagado
_nada havia.
Aquela vez
você me disse
        
              - não olhe tão fundo.





DUELO 02

Títulos:

“Revelações para harpa e oboé”, de Raimundo de Moraes (PE)

X

“Tênue”, de Andressa Barrichello (PR)


Título: Revelações para harpa e oboé (Raimundo de Moraes)

Não o encontro
sobre a cama
nem quando
faço café
e torradas
para dois

         Não me encontra
         quando digo
                   onde estive
                                            ou se está
         onde sempre
fico

Não o encontro
quando me compra
as flores preferidas
nem quando
chega pontual
para o jantar

Não me encontra
na exposição
de George Tooker
mesmo quando
fazem fila
para me ver

                        
  Não o encontro
  cara a cara
  quando meus olhos
  estão nos seus
  e meu corpo
  é um mapa


  E assim
perdidos e cegos
quem sabe
nos casamos
e seremos
felizes



Título: Tênue (Andressa Barrichello)


Quero ir longe
Voar mais alto, mais azul que
as pipas flutuantes emersas no céu do parque
Mas eu careço um amor que abarque
a força do vento na sequência dos dias
sem nunca, em desalinho
rasgar as cores da fina seda
careço um amor que não ceda
E seja invisível cola no cenário infinito e vazio
Porque felicidade das pipas
é a liberdade em haste de palito;
é a segurança do fio e do fito.


GRUPO E
2º RODADA
TEMA: “FACEBOOK”


                                    situação no momento:





DUELO 01

Títulos:

...F@CEBUQUIANA, de Luiz Otávio Oliani (RJ)

X

“Outra face”, de Ricardo Thadeu (BA)


Título: ...F@CEBUQUIANA (Luiz Otávio Oliani)

a palavra é táxi
em disparada

no universo virtual
entre “curtir”
“compartilhar”
tudo é volátil

entre signos
os olhos digitam o mundo
mãos leem imagens

o que fica do facebook?

poemas ali nascidos
ganham vida
se
apenas se migrarem ao livro


Título: Outra face (Ricardo Thadeu)

Estou cansado deste ser curtido,
nascido do outro lado da tela.

Compartilho o luar da estrada
na caravela de antigas feridas.

Adormeço nas remotas páginas
que cutucam outras falsas vidas.

Assoberbado e sem tino, espero:
o destino é uma face indomada.


  
DUELO 02

Títulos:

“Face to face”, de Marília Lima (SP)

x

“Ode ao Facebook”, de Gerci Oliveira (RS)


Título: Face to face (Marília Lima)

Em cliques,
recria-se a vida

a foto
a festa
o ego
a frase de efeito
o prazer 
a notícia
a solidão

_Cada qual seu próprio Deus_

Na tela,
janela  às avessas,
debruça-se o mundo.


Título: Ode ao Facebook (Gerci Oliveira)

         Abro a janela da rede
os dedos percorrem as teclas
feito jogo de amarelinha
O pensamento enlaça
moradas de saber

         liames me enredam
degusto extasiada a força do face

         nas entrelinhas descerro máscaras
concordo, discordo
me mostro, me escondo

         em contornos virtuais
         de sombras e luzes
reparto ideias e sonhos
         componho meu tempo

  
GRUPO F
2º RODADA
TEMA: “FACEBOOK”

situação no momento:


“Eu quero entrar na rede pra contactar
Os lares do Nepal, os bares do Gabão
Que o chefe da polícia carioca avisa pelo celular
Que lá na praça Onze tem um videopôquer para se jogar”
(“Pela Internet”, Gilberto Gil)


DUELO 01

Títulos:

“Fenômeno-book”, de Francisco Carvalho (MA)

X

“O outro lado”, de Desirée Jung (Vancouver, Canadá)


Título: Fenômeno-book (Francisco Carvalho)

quanto há de flexibilidade e tolerância
na cose_dura da cadeia social?
há rédeas ou algum espaço
para a ingenuidade nessa roda toda?
quem vê meu perfil,
observa minha face pelas esquinas?
existe melhor espaço para ler o futuro
do que na linha do tempo?

vida, fenômeno-book aberto...
um fake me esfaqueia inbox,
meu sangue escorre
por vias compartilhadas,
sou eu o morto no fundo da rede
que esses homens carregam...

70 x 7 likes podem me ressuscitar.


Título: O Outro Lado (Desirée Jung)

Porque você me traiu, te deixo com um toque,
uma fotografia partida, eu e meus sonhos estampados
no Facebook. Tulipas ao longo do córrego, um abraço,
e o outro lado da dor.

Porque você partiu, te esqueço no mundo virtual
numa revolta contida, na traição de pedras e perdas,
revoltada pela sorte da outra que sorri para você na internet.
Nunca me vi na foto sem o seu olhar.

Porque o tempo passa na película viva das rosas,
a postagem se despedaça, e muitas pétalas, outrora coloridas,
me seguem, muitos me seguem, sem saber de fato
que estou alienada pela vertigem dos flashes clicados por você.

Porque me acostumei com a falta, e na revelação
de mim mesma, encontro algo melhor, guardo o retrato feliz.
O outro lado de mim é o melhor que você jamais conheceu.
Assim deixo você ir e suspiro pela vida, sem miragem, só.



DUELO 02

Títulos:

“Livro de faces”, de André Kondo (SP)

X

“Vida que segue no face”, de Maria Amélia Elói (DF)


Título: Livro de faces (André Kondo)
  
Capturado por esta rede
de tramas sociais
virtualmente vivo
neste livro de faces

Minhas horas escorrem
em acessos estéreis
a teatral face a parir
máscaras de comédia

A vida em suspenso
as distantes faces da tela
desviam o meu olhar
dos rostos de quem me cerca

Tenho mil amigos
vou a mil eventos
participo de mil grupos
nas páginas deste livro de mil faces

Na madrugada
o desligar do LED
a tela negra reflete
a solitária face em epílogo:

Não me curto
não me compartilho
não me reconheço
solicito a minha amizade

mas não me aceito. 


Título: Vida que segue no face (Maria Amélia Elói)

é tanta vida cá dentro
que nem mais saio lá fora

vi uma amora florindo
curti o tombo da tia
foto do chefe sem sunga
viral do gato atrevido

receita sem leite ou glúten
vídeo de alguma verdade
troca de delicadezas
ruídos disseminados

quem faz um milhão de amigos
carece sair da toca?
basta teclar um sorriso
postar a selfie e hashtag

filho namora sem beijo
obesidade chegando
mulher se gruda na rede
jantar à mesa não rola
bebê chorando no berço
tem o bumbum todo assado
e viva a ciberfamília
que não conversa nem briga

não há mais olho no olho
a bike tá encostada
piscina fica vazia
realidade esquisita

confinamento de dores
suor, saliva, temperos
delícias abduzidas
o vício que me consome

partilho tanto cá dentro
que nem sei mais ser lá fora

#vidaquebrilhanoface
#vidadefatoquemirra


GRUPO G
2º RODADA
TEMA:
“O GOLPE MILITAR”

situação no momento:





DUELO 01

Títulos:

“da desmemória (ou de um abraço em Galeano)”, de Danielle Takase (SP)

X

“Ossos anônimos”, de Cinthia Kriemler (DF)


Título: da desmemória (ou de um abraço em Galeano) (Danielle Takase)

sofremos de uma doença crônica
(que em cada organismo manifesta
diferentes sintomas:

paralisação dos músculos,
emudecimento acompanhado de
ensurdecimento,
impotência,
visão torpe
podendo esta levar à cegueira
parcial ou total
da realidade)

pandemia
: desde que o mundo é este mundo
há registros desses casos
(são inúmeros
incontáveis
mantidos em quarentena
escondidos atrás dos muros que levantaram
em torno de si
em vão na tentativa de prevenir-se
de outras doenças
lavando as mãos com álcool gel
com cadeados até nas cortinas)

para esse ar plúmbeo que se respira
não há registro de cura
até o presente momento
(boatos que existem, mas faz-se questão de escondê-los
− questão de segurança pública −
para não gerar
falsas esperanças
nem agitações
pois o mote é
tudo estar sob controle
e ordem
e progresso)

é fatal: sobrevive-se
o problema não é a doença
são as sequelas
de anos de esquecimento
e perdão

a história perdoa para cometer os mesmos erros
e cinquenta anos depois de uma grande mentira
tomada como verdade
a desmemória ainda faz
com que seus contaminados olhem para traz
e para frente
acreditando nos mesmos argumentos
cultivadores-conservadores dessa mentalidade

assim se desintoxica da culpa
construindo um discurso de impunidade
cemitérios lotados de mortes em vida
sem caixão nem cinzas
somente grades para todo lado
e zonas de isolamento às margens

não se vê não se ouve não se fala
não se sente nada

além do medo
sem saber que já se está doente.


Título: Ossos anônimos (Cinthia Kriemler)

                                "longe vá temor servil..."

um fêmur lateja, dilacerado, sob a terra 
vermelha
entranhado ao pó que o sepulta (e que 
acoberta pecados infames, o húmus 
fértil em [nutri]entes mórbidos 
: ela e eles e elas e tantos 
adubando a memória da dor
do golpe 
nos rins, na cabeça, no pau
de arara respingado de mijos, espermas
plasmas, fluidos arrancados 
sem gozo
no pântano subterrâneo, insepultos 
|em cárcere coletivo|
ossos anônimos não esperam 
anistia, eucaristia profanada pelo algoz
somente uma lápide, uma carpideira honesta, um 
réquiem, um nada eterno 
acima, no abismo disfarçado em superfície
disciplinadas, moderadas
obedientes botas batem o calcanhar 
em continência 
depois esmagam com o tacão pesado
meninos e meninas
nas ruas [úteros maduros 
censura, coação, tortura
e reação 
estudantes, artistas, operários, gente 
alienada, consciente, amedrontada
e os alcaguetes 
entregando Marighellas, Honestinos
zés ruelas
no Calabouço, morre Edson Luís 
— dezoito anos 
com dezessete, uma menina sem 
nome apanha 
do seu primeiro fuzil 
o fêmur, dilacerado
lateja


DUELO 02

Títulos:

“Golpe”, de Marcelo Asth (RJ)

X

“Espanto”, de Georgio Rios (BA)


Título: Golpe (Marcelo Asth)

Caía o viaduto como tarde,
Era tarde e tudo escurecia.
Os cães soltaram-se
E tinham fome,
Num galope cheio de dentes
Numa rua já vazia.
Como o pior dos golpes,
Como gases sorrateiros,
Tristes trevas debruçaram
Nas estrelas da bandeira.
Torpe golpe traiçoeiro
Das medidas do poder,
Que o controle que se exerce
Sobre qualquer ser que seja,
Só instaura leis de medo
Nos silêncios, gotas frias -
Que pingam na testa fraca
Da estátua da Justiça.
Exílio de todo o riso
na terra silenciosa,
Onde a canção que se canta
Grita muda e poderosa
Pra cobiça dos poderes,
Palavras, forças amadas
Militando em verdade.

Triste golpe limitar
A palavra liberdade.


Título: Espanto (Georgio Rios)

Tudo não passou de espanto.
A hora arbitrária, arraigada nos gritos
resvala nas sombras,
sob o som das botas. 

É verdade, eles "entraram em nossos jardins",
mas, não temamos,
isto não passou de espanto.

Não temamos assim:
os sons das sirenes,
o choro noturno dos filhos,
o descarga no peito
o escuro vão dos corredores.

Sim, “eles roubaram nossas flores”
na mansa hora dos cordeiros, não temamos.

Não temamos, sobretudo,
para que não viremos fotos,
emolduradas e frias,
afagando as lembranças fortes
com a migalha das flores.

  
 GRUPO H
2º RODADA
TEMA:
“O GOLPE MILITAR”

situação no momento:


“Pai, afasta de mim esse cálice
Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue”
(“Cálice”, Chico Buarque)


DUELO 01

Títulos:

“Guernica”, de Jorge Augusto Silva (BA)

X

“Epopeia muda”, de Natasha Félix (SP)


Título: Guernica (Jorge Augusto Silva)

‘cai como um corpo morto cai’
do décimo quarto andar
do edifício João Goulart na Rua Chile

os sonhos todos despedaçados no chão
como um quadro de Picasso
outro corpo encontrado esquartejado

dentro do saco de lixo na Avenida São João
um frigorífico abandonado, esquina da rua Freire Neto
produzia  trezentos quilos de ossos, sobras e restos

no subsolo do edifício Campos Sales
José Silva todo amarrado em arame farpado
tenta  puxar na memória uma oração

pede perdão de nenhum pecado
mas o sangue que escorre lava
seu corpo em extremunção

uma mão sem os cinco dedos acena adeus na esquina
da rua Castelo Branco com a Costa e Silva
o agente da DOPS chuta-a para o bueiro

no fim da madrugada nuvens despencam água
lava o vermelho dos homens e da bandeira
- os de preto vão para suas casas

o sol anuncia a ressaca da noite que acaba:
corpos não identificados serão encontrados
enchendo de vazio os porta-retratos.


Título: Epopeia muda (Natasha Félix)

Chove.
            Não se ouve nada
            além das cantigas de ninar
            pesadelos.

Chove grosso.
                        Chumbo molhado
Desacato silenciado:
                                    entre quatro paredes
                                     sangue num prato.

Nas ruas, o burguês obedece
Aqui dentro arde
                              O instante
                               Interminável
                                                    Do não.

O camarada perguntou
“Qual a direção do teu medo?
Pra lá onde há
                                 Condecorações e fardas
Ou no fundo do cômodo,
Junto ao escombro,
Debaixo da mesa?”

Meu medo não abre o guarda-chuva
Resfria o corpo
Mas enfrenta o desespero
Agudo. 
Luto. 


DUELO 02

Títulos:

“Da impossibilidade mnemônica”, de Thiago Carvalho (RJ)

x

“Deportação”, de Francisco Ferreira (MG)

Título: Da impossibilidade mnemônica (Thiago Carvalho)

O sonho hippie me ninou...
(...reticências...)
(...reticências...)
(...reticências...)
...o sonho yuppie me beijou.

Desperto,
Recordo
Somente

Quase-sonhos...


Título: Deportação (Francisco Ferreira)

Falas de vidro estilhaçadas
abrem portas, criam vácuos
para a tortura se aninhar.

Aves de rapina
sobrevoam mentes e corações
cassando-os,  sustentam-se deles.

Harpias fecundam ovos goros
construindo teias no entrelace de suas presas
(m)atam-nas em masmorras.

Ventos de chumbo desfazem
as tramas da bandeira
de fio em fio, leva de mim, a Pátria.

Para longe...




POESIA POESIA POESIA POESIA POESIA POESIA POESIA


ENTÃO? DE QUAL POEMA VOCÊ GOSTOU MAIS? PINTOU FAVORITO?

ATÉ QUINTA-FEIRA COM OS RESULTADOS, POETAS E LEITORES!

AUTORES S/A:
UMA SOCIEDADE DIFERENTE DAS OUTRAS

PARCEIROS:





48 comentários:

Pablo Alves disse...

''epopeia muda'' de Natasha Felix

Marcelo Asth disse...

Vida que segue no face (Maria Amélia Elói), Guernica (Jorge Augusto Silva) e Da impossibilidade mnemônica (Thiago Carvalho) são os melhores!

Mas fico com o "vida que se segue no face" pq fazer um poema com esse tema é difícil, e ela trouxe uma leveza boa de ler.

Joseneyde Josy disse...

"Fênomeno-book", poema fenomenal sobre um tema dificílimo. Parabéns, Carvalho.

Ana Oliveira disse...

Fenômeno book de Francisco carvalho

Anônimo disse...

fenomeno-book,um poema maravilhoso que nos faz refletir sobre essa era digital nas redes sociais...muito bom!!

angela maria gomes ptreira disse...

Francisco Carvalho responde agora perguntando: quem é ingenuo? Ninguém. Esse poema é de uma maturidade, que só as crianças podem conservar, e crianças hoje em dia sabem mais que os adultos em termos de vida virtual, e virtuosidades.

Antonio Sodré disse...

Voto em "Fenômeno-book", de Francisco Carvalho, pelo conjunto do poema. As imagens suscitadas na penúltima estrofe são boas, e a quebra do paralelismo semântico, o humor e o tom de ironia do último verso tiram o poema do óbvio. Gostei!

José Neres disse...

Estamos na era digital, mas a poesia continua se impondo neste mundo pós(ou ultra)-moderno. E Carvalho Júnior acertou em cheio em cada palavra e em cada verso.

Antonia Soares disse...

Fenomeno book de Francisco Carvalho

Filippi disse...

Voto nesse fenômeno contemporâneo, que é o poema Fenômeno-book, de Francisco Carvalho.

Inês Santos disse...

Voto no "Fenômeno-book" de Francisco Carvalho!

Jorge Bastiani disse...

voto no poema Fenômeno-book, de Francisco Carvalho.

Emílio Passos disse...

Eu voto no poema "Fenômeno-book", de Francisco Carvalho !

intergeracional disse...

O meu voto vai para o "Fenômeno-book", de autoria do poeta Francisco Carvalho.

Anorkinda disse...

Achei incrível o poema do André Kondo, Livro de faces
mas
seguindo a minha regra de votar em quem faz chorar, desta vez o voto vai para:
um estranho no espelho (Herton Gomes)

poema maldade esse.. rsrsrs

Cleane Sousa disse...

Voto no poema "Fenômeno-book" de Francisco Carvalho.

marcilio gomes disse...

Fenômeno-book, incrível, de Carvalho Junior

Emanoella Zabha disse...

Fenômeno-book, do incrível Carvalho Junior

David Sousa disse...

"Fênomeno-book", poema marcante e de uma grande potência cultural... Francisco Carvalho, abraço.

nega lora disse...

"Fenômeno-book". Francisco Carvalho.

Gerci Godoy disse...

Me encantei com todas os trabalhos, em especial aquele cujo tema é: golpe militar, mas o de Francisco Ferreira, ganha meu voto, "Deportação"

Inês Maciel disse...

Eu voto em Fenòmeno-book de Francisco Carvalho

Felipe Neto Viana disse...

Boa tarde,

A segunda leva de poemas ainda não me surpreende. Quero que me derrubem da cadeira. Nada.

Panoramicamente, os mesmos poetas, a mesma cadência. Pé medroso na tábua.

Destaco os poemas sobre o golpe. Takase, a melhor da última leva, derrapou em seu ‘desmemória’ nesta leva. Em ‘Ossos anônimos’ sente-se a dor época tematizada, a qual eu enfrentei e sobrevivi. Dilacera o fêmur entreposto à memória do leitor.
‘Golpe’ não descortina um jogo de palavras tão feliz, como o poeta fez na última leva. Em compensação, encaixa um desfecho arrebatador.
‘Guernica’ é meu eleito da leva. Um retrato que se associa magistralmente ao golpe militar. A fragmentação de um poder, de um povo. Embora o poeta ainda peque em algumas figuras de linguagem mal construídas, o todo não se dilui.

Os poemas sobre ‘facebook’ me decepcionaram (talvez seja devido meu ódio por redes sociais). Destaco apenas ‘vida que segue no face’, que tem um epílogo fantástico. ‘Livro de faces’ estaria no mesmo patamar se o poeta não optasse por um linguajar corriqueiro em seu desenvolvimento. O desenlace é o ponto alto, mas não salva o poema.

O poema que fez gracinha com o @ no título acredito ser o pior de toda a leva. Soa como dica em rodapé de livro didático para alunos do fundamental.

Casamento é escolha de gente insana.

Não existe poesia em casamento. Então o que se vê? Poesia sobre separação. Poetas em sintonia com o mundo real. Destaco ‘revelações para harpa e oboé’ e ‘quando você se percebe padrão, e não uma fase’. Não são grandes feitos, mas permitem vozes às entrelinhas, o que é essencial em qualquer poema de qualidade. A poeta Isadora incorreu no mesmo pecado, em ‘Divórcio’: encher linguiça. Está entre os sete pecados capitais da escrita poética, moça. Se bem que, visto pelo seu título, todo divórcio é extenso e cansativo. Os cacos sanguinolentos do Adalberto quase pescaram minha atenção. Senti falta de algo mais, sem que quebrasse a estrutura minimalista. Mais um pecado capital. Vou explicar uma coisa, poetas. Copiem e colem em seus arquivos protegidos, em letras garrafais: vimos dois exemplos contrários e negativos de como se fazer poesia. Um opta pela extensão em demasia. O outro, pelo minimalismo leminskiano que não chega nem no esporão do Leminski porque ausenta o elemento de impacto. Ser menos pode não significar ser mais caso o elemento de impacto inexista.

Espelho espelho meu, quem é melhor crítico do que eu?

Espelho remete a poemas introspectivos, com graus psicológicos sobressalentes ao físico. Não foi o que li. ‘um estranho no espelho’ é exemplo de uma repetição maçante de adjetivações. Outro pecado capital. Adjetivo e poesia não combinam pior ainda quando são escritos às pencas. ‘Coleção’ peca pelo tom narrativo excessivo. Lirismo não significa rima, mas há de se buscar lirismo por outras vias. A poeta talvez seja exímia contista. Salvo apenas a intencionalidade. ‘defronte’ é um meta-poema inteligente, de repetição semiológica proposital e válida. ‘ecos’ não cria uma imagem convincente e ‘degelo de olhos’ segue a mesma linha, invocando uma imagem que foge entre os dedos do subjetivismo exacerbado.

Difícil apontar favoritismo. Percebo muita regularidade e comodismo e pouca ousadia. Sair da zona de conforto faz nascer verdadeiros poetas. Após a leitura da terceira leva, me sentirei mais seguro em emitir uma opinião sobre o favorito da competição.

Me aguardem.

Cordialmente,

F.N.V.

Unknown disse...

Mais uma obra de arte/palavra de Carvalho Junior! Muito criativo o poema "Fenômeno - Book", também muito inteligente!

Stenio Diro disse...

Gostei muito do poema "Fenômeno-Book" de Francisco Carvalho, então é o meu voto

Rafaela Barbosa disse...

"Fenômeno book" de autoria do poeta Francisco Carvalho.

Joellma Costa disse...

Sem dúvida, meu voto vai para "Fenômeno-book", de Francisco Carvalho.

Anônimo disse...

Voto no poema "Fenômeno-Book" de Francisco Carvalho.

Anônimo disse...

Meu voto é para poema "Fenômeno-Book" de Francisco Carvalho.

Anônimo disse...

Voto no poema Fenômeno Book, de Francisco Carvalho

Gerci Godoy disse...

Voto em Deportação, de Francisco Ferreira

Yvan Costa disse...

Fenomeno Book de Francisco Carvalho.

Yvan Costa disse...

Fenomeno Book de Francisco Carvalho.

Jose Claudio Castro disse...

Eu voto "Fenômeno-Boock" Francisco Carvalho

Anônimo disse...

Voto no poema fenomeno book de francisco carvalho

Anônimo disse...

poema muito interessante emocionante voto Francisco Carvalho

Anônimo disse...

poema muito interessante emocionante voto Francisco Carvalho

Anônimo disse...

eu voto fenomeno book do poeta francisco carvalho

kenard kruel disse...

Voto no poema "Fenômeno-Book" de Francisco Carvalho

Luciana Bastiani disse...

voto no poema "Fenômeno-Book" de Francisco Carvalho.

Josmar Divino Ferreira disse...

voto no poema fenômeno box do amigo Carvalho júnior

Ayla Esmero disse...

voto no poema "Fenômeno-Book" de Francisco Carvalho

gustavo disse...

Novamente Jorge Augusto deu prova de sua excelência. Sua "Guernica" é de uma maestria admirável em se tratando de poema/redação para concurso. Pra mim sua arte distancia-se mais da de seus colegas pela abrangência da visão nos infinitos meandros da forma.

gustavo disse...

E gostei também deveras da leveza madrigal do poema do André Oviedo.

PrimoGRAF disse...

Meu voto é para poema "Fenômeno-Book" de Francisco Carvalho.

aldeti disse...

voto no poema "fenomeno book de francisco Carvalho

maíra maíra disse...

eu voto no " fenômeno book" de Francisco Carvalho

JIVM disse...

voto no poema "Fenômeno-Book" de Francisco Carvalho