segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Movimento anti-Dilma

Caros Autorizados,

     Buenos dias!!!
     Sei que esse não é meu dia, tão pouco se trata do "meu assunto", as minhas listinhas mariolas, mas estou tão revoltada com os emails que recebo aos quilos, todo santo dia, anti-Lula ou anti-Dilma, que resolvi postar esse texto do brilhante Leonardo Boff, teólogo, filósofo, escritor, alguém pelo qual sempre tive um profundo respeito.
     Odeio spans. Caro amigo, leitor, aluno etc, acredito que quem  envia mensagens do tipo “Amo meus amiguinhos, me mande de volta se vc me ama”, merece, no mínimo, uma praga estilo Zé do Caixão:

- Que se abram três mil janelinhas pop-up de aumento de pênis para cada página que vc acessar!!!!!!!
    

     Agora, para a pessoa que escreve e/ou repassa emails irresponsáveis sobre lendas urbanas políticas, nem sei qual seria a punição, aliás sei sim, mas os princípios básicos de polidez me impedem de expressá-los aqui nesta revista virtual. E, para vc que embarcou nessa onda e reenvia informações sobre as quais nem sequer checou, uma dica: envie pra mim não! Aproveite e confira cada uma das informações que vc retransmitir.



     Ah, e mais uma dica, se vc não tem conta$ na Suiça, a única Hermès a qual vc tem acesso é a revistinha e a única vez que saiu do Brasil foi daquela vez que foi à Miami, voltou cheio de Victoria Secret pra revender “prazamiga” do trabalho e postou 456 fotos no Orkut, desculpe, sinto muito, mas vc é POBRE e não deve ficar repetindo over and over que o governo atual só distribuiu esmola, até porque, além de ficar feio ser tão desinformado, provavelmente alguém da sua família recebe bolsa família ou tem ProUni.



 O seu é o da DIREITA, tá?



Britney Spobre!

  
Wells, enfim, o texto.

A mídia comercial em guerra contra Lula e Dilma

Leonardo Boff*


     Sou profundamente pela liberdade de expressão em nome da qual fui punido com o “silêncio obsequioso” pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o “Brasil Nunca Mais” onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do regime autoritário.
     Esta história de vida, me avaliza para fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a midia comercial que reclama ser tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de idéias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.
     Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando vêem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como “famiglia” mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública. São os donos do Estado de São Paulo, da Folha de São Paulo, de O Globo, da revista Veja na qual se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico, assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não aceita um Presidente que vem deste povo. Mais que informar e fornecer material para a discussão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.
     Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido à mais alta autoridade do pais, ao Presidente Lula. Nele vêem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.
     Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica produzindo.
     Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma) “a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada, antiprogresssita, antinacional e nãocontemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo, Jeca Tatu, negou seus direitos, arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação, conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que contiua achando que lhe pertence (p.16)”.
     Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles tem pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascendente como Lula. Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidene de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.
     Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados de onde vem Lula e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coroneis e de “fazedores de cabeça” do povo. Quando Lula afirmou que “a opinião pública somos nós”, frase tão distorcida por essa midia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da midia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem que renunciar à ditadura da palabra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.
     O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no Governo, operou uma revolução conceptual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros. De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa e de classe média baixa de fizeram classe média. Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, em fim, a melhorar de vida.
     Outro conceito inovador foi o desenvolvimento com inclusão soicial e distribuição de renda. Antes havia apenas desenvolvimento/crescimento que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituidas e com salários de fome. Agora ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.
     O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, o fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil. Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico que é a mídia comercial. A democracia participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela VEJA faz questão de não ver, protagonista de mudanças sociais não somente com referência à terra mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.
     O que está em jogo neste enfrentamento entre a midia comercial e Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocoloncial, neoglobalizado e no fundo, retrógrado e velhista ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes.
     Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito das má vontade deste setor endurecido da midia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construido com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros.



(*) Teólogo, filósofo, escritor e representante da Iniciativa Internacional da Carta da Terra.







11 comentários:

Ana Beatriz Manier disse...

Não sou uma pessoa politicamente engajada -- falha minha. E, embora não goste de clichês, acho que o povo tem (e deve ter) o governo que merece, que escolhe. Lula, Dilma, Marina, têm muito mais a cara do Brasil do que quaisquer outros candidatos. E cara de um Brasil que quer espaço, quer firmar sua identidade. Um povo que tem o que mostrar, que dá certo.
Nada como um Boff como este para fazer a gente pensar. Obrigada pelo artigo.

Angelo Z disse...

Diz o ditado: Diga a verdade e saia correndo. Mas a corajosa Thaty disse e ficou, porque – e concordo com ela – a frase é realista, entretanto muito injusta. Resultado previsível: Apareceu um mundo de analfabetos políticos para aporrinhar a coitada: Lula isso, Dilma aquilo... Mas que se danem! Saiam os idiotas correndo, porque eles é que têm de fazê-lo; porque são eles que não têm nunca o bom senso de sair, se aparecem, e também de não voltar, quando se vão. Sei que dessa turba a maioria não tem, mas tenho a esperança de que boa parte adquirira e só alguns ainda infestem o espaço e perturbem um mínimo a paciência nossa e da Thaty – Ah, grande texto e grande dica de leitura, super Thaty. Aproveito para sugerir outras. Que tal um Frei Beto – qualquer coisa. Ou um Durkheim – “O suicídio”, ou Gilberto Maringoni – “A Venezuela que se inventa”, ou ainda Leo Huberman – “História da riqueza do homem”, ou ainda, pensando na política covarde da França atual contra os ciganos, Serge Moscovici – “Representações sociais”. E DIREITA NUNCA MAIS! Não resisti. rs...

Andréa Amaral disse...

Só quero dizer que pretendo me lançar como candidata nas próximas eleições...Tiririca,Thaty Quebra Barraco são prova de que o Brasil tem que crescer cada dia mais com pessoas que são consideradas "povão". Eu sou povão. Prometo que roubarei menos que os outros e deixarei uma esmolinha que dê para sanear alguns lugarejos que nunca viram tal coisa. Não esqueçam: 171 para Senadorta. 171. Andréa Molusco da Silva, já!

Andréa Amaral disse...

Na verdade, quis dizer, Senatorta. obrigada pela sua confiança: 1 7 1.

Lohan Lage Pignone disse...

Por falar em 171, votem na minha tia para Deputada Estadual, Claudineia Lage, cujo número é 17128! rsrs (é sério, gente, rs).

Ok, chega de campanha, rs. Adorei o texto. Li alguns emails e também fontes seguras, a respeito da Dilma, em que ela insinua tentar legalizar o aborto.

A Igreja Católica já começou a mexer seus pauzinhos, e a campanha anti-Dilma ganhou muita força nesta semana derradeira, antes da eleição. Marina vem crescendo de maneira espantosa (graças às mentes sãs). Não tenho certeza quanto a essas afirmações da candidata do PT, embora tenha lido e ouvido de diversas fontes; isso não afetaria meu voto, que já está decidido há um bom tempo. Mas não vejo em Dilma uma candidata "cabível" para o Brasil neste momento. Acredito que o êxito diplomático conquistado magistralmente pelo Lula (o qual, este, eu defendo) seria acometido de um atraso, seria desqualificado de maneira tremenda. Não vejo em Dilma o jogo de cintura do Lula, tampouco sua simpatia (isso só cego não vê). Posso estar levando para o lado pessoal, mas é inevitável. Um presidente não é apenas o homem (ou a mulher) do partido x. É o homem, ou a mulher. A imagem que esta pessoa transmite é assaz relevante, pelo menos para mim. E quando digo isso, não é porque voto por aparência - não é isso (cogitei votar no Plínio a princípio, o que põe essa questão estética no lixo). Digo em relação à confiança que essa pessoa transmite ao seu povo. Um povo que se acomodou em algumas melhorias necessárias, e que não consegue desviar seu olhar por conta disso. Dilma não é Lula, minha gente - a começar pelo o que há sob as calças dela.

De qualquer forma, torço pelo Brasil.

Thaty Louise disse...

Bia, obrigada pela lucidez e pela frase do ano: "Nada como um Boff como este para fazer a gente pensar."!!!!! Demais!!

Angelo Z, estou tão emocionada por vc ter comentado que nem vou falar que vc respondeu escrevendo praticamente um outro post com as suas dicas, não? E, claro, vc também compartilha o mesmo pavor que tenho desses emails em massa, normalmente escritos por apedeutas loucos, cujas fontes se restringem ao Jornal Nacional, O Dia, O Globo e Extra. Se tanto.
, O Globo e Extra. Se tanto.

Thaty Louise disse...

Andrea, vc é uma figura!!!
Lohan, vc tb!!!! Simpático por simpático o (safado, cachorro sem-vergonha ealdagrante, aldrabão, aldrúbio, arapuqueiro, argamandel, bargado, bilontra, burlador, burlão, burlista, caloteiro, cambalacheiro, cangancheiro, criterioso, desonesto, escroque, espertalhão, esperto, estelionatário, estradeiro, falcatrueiro, furtador, girigote, intruja, intrujão, jirigote, ladrão, ludibriador, maroto, mofatrão, pandilha, pandilheiro, patifão, patife, patifório, pícaro, pilantra, ribaldo, safado, solerte, tracambista, trafulha, trambiqueiro, tramista, tramoieiro, trampolineiro, trapaçador, trapaceador, trapacento, trapalhão, tratante, troca-tintas, tunador, tunante, tuno, vedóia, velhaco e vigarista) do MALUF, não? Ele é um amor de pessoa, um fofo, não?

Bjocas!!!

Lohan Lage Pignone disse...

Haha, mandou bem, Tati, rsrs. Enriqueceu meu vocabulário em dez anos essas adjetivos todos, caraca, kkkk.

Eu adoro o Lula, o PT, mas não consigo ir com a cara da Dilma, rs. Do Serra mto menos, rs. Não sei se é certo pensar assim, não sei se seria minha intuição, não sei se intuição conta nessas horas, rsrs... Mas é isso.

Bjão!! Ah, a presença do Angelo Z foi especial!!

Lisiane disse...

Introdução lúcida e engraçada. Concordo com quase tudo.
O comentário do Angeloz e uma verdadeira aula de sociologia.


Lisiane, Curitiba

Camillo Landoni disse...

Protesto!

Quem disse que suas listinhas são mariolas???

Não,
não não não não não não São!!!

Thaty, a elegância de sua linguagem não esconde a verdade da sua revolta, justa revolta. Sabemos que a internet é um planeta de novidades girando lento num universo de desinformação instantânea, infestado por toda espécie de inutilidade fora de hora e de lugar. Um spam é só um fio dessa rede deprimente de débeis protozoários sem nada pra realizar, produzir, muito menos conquistar.

O resto do comentário eu vou escrever na forma de um post.

Okay?

Bjos!

Camillo Landoni disse...

E obrigado por sua presença constante, que bom que vc gostou do programa, e é claro que vc pode (deve!) divulgar os vídeos da Old Times. =D

Pode deixar, vou seguir suas sugestões.

Bjos!