terça-feira, 16 de agosto de 2011

Resultados Finais - Anúncio do Grande Vencedor




502

90

30

12

1



SOMENTE 1 NOME

1 SONHO

IRÁ SE CONCRETIZAR NO FIM.

TODOS JÁ SÃO VITORIOSOS,

MAS SÓ 1 POETA

VAI PODER GRITAR, NO FINAL:

“EU VENCI O II CONCURSO DE POESIA AUTORES S/A!”



SEJAM BEM-VINDOS AO ÚLTIMO POST DO II CONCURSO DE POESIA AUTORES S/A: O ANÚNCIO DO GRANDE CAMPEÃO





RETROSPECTIVA DAS VITÓRIAS DO

II CONCURSO DE POESIA AUTORES S/A



ETAPA: CINEMA

VENCEDOR: HENRIQUE CÉSAR CABRAL (GASPAR)



ETAPA: HAICAIS

VENCEDOR: HENRIQUE CÉSAR CABRAL (GASPAR)



ETAPA: POEMA INSPIRADO EM IMAGEM DE DOISNEAU

VENCEDOR: HENRIQUE CÉSAR CABRAL (GASPAR)



ETAPA: FATOS DO ANO DO NASCIMENTO DO POETA

VENCEDOR: GEOVANI DORATIOTTO (G.D)



ETAPA: A NUDEZ FEMININA

VENCEDOR: WENDER MONTENEGRO (MANOEL HELDER)



ETAPA: HOMENAGEM A CLARICE LISPECTOR E A CECÍLIA MEIRELES

VENCEDORES: ANA BEATRIZ MANIER E FLÁVIO MACHADO (BAROLO E DERSU UZALA – DUPLA).



ETAPA: MITOLOGIA

VENCEDORA: LETÍCIA SIMÕES (ALICE LOBO)



ETAPA: O FIM DO MUNDO

VENCEDOR: GEOVANI DORATIOTTO (G.D)



E AGORA: QUAL NOME SERÁ ESTAMPADO EM:



CAMPEÃO

(?)



CONSIDERAÇÕES DE LOHAN LAGE PIGNONE



ANA BEATRIZ MANIER (BAROLO)



“Sua escrita simples – retratos concisos do nosso cotidiano – ganhou a atenção de leitores e jurados. Para quem não se dizia poeta (a formação literária voltada predominantemente para as crônicas), Ana Beatriz demonstrou que a poesia habita sim, em cada um de nós – basta procurarmos por ela, com cuidado. E com sua linguagem objetiva, reflexiva e eficaz (e não menos poética), Ana Beatriz Manier já pode ser considerada a cronista mais poética do Brasil”.



ANA LÚCIA PIRES (ANNA LISBOA)



“A malabarista das palavras. Não houve quem não se espantasse com tanta criatividade transbordando pelas entrelinhas dos poemas de Anna. Além disso, lê-se a alma de Ana Lúcia Pires em cada verso por ela disposto; aquela é a sua verdade, pondo em xeque o que já poetizou Fernando Pessoa, “todo poeta é um fingidor”. Ana não finge, ela é. Nas etapas finais, Ana parecia nunca engrenar no ranking, embora sempre fosse uma das mais comentadas, o “Trending Topic” do Autores S/A. No entanto, nas últimas etapas, disparou feito um foguete e agora, após três meses de pura diversão poética (que é o que ela transpareceu), disputa o título”.



CINTHIA KRIEMLER (LUNE)



“Esta soube demarcar bem o seu território. Sempre soube onde por o pé (ou a mão, ou a caneta, enfim). Seus poemas são como avalanches que, à medida que vão se desenrolando, vão ganhando ainda mais força, mais fúria. E, no fim, desconstroem o leitor com arremates bem encaixados. Demonstra insegurança, por vezes, em relação a que “bicho vai dar”. Mas ela sabe, no fundo, o que virá. Sabe que seus poemas tem o que dizer, conforme a própria afirmou no começo do concurso. É, sem dúvida, a poeta mais regular dessa edição; desde o princípio se mantém entre os primeiros colocados, com território demarcado; e se manter regular sob pressão e sob dezenas de olhares distintos dos jurados é um feito para poucos, pode-se dizer. Marcelo Asth também se apresentou assim no concurso do ano passado e foi o vencedor. Será Cinthia Kriemler a nova vencedora?"



FLÁVIO MACHADO (DERSU UZALA)



“Flávio Machado é o poeta que combateu o bom combate. Sua instabilidade o tirou da briga pelo título, embora sua qualidade como poeta seja inquestionável. Nas últimas etapas vem reforçando o ritmo, elaborando poemas memoráveis, como “sonhos de Kurosawa” e “te perdoo por me traíres”. Sua escrita identifica-se com a de Ana Beatriz (Barolo), pela concisão, pela poesia disposta objetivamente. E, coincidentemente, ambos formaram a dupla vencedora na etapa das homenagens a Cecília Meireles e a Clarice Lispector. Apesar da colocação ingrata no ranking, Flávio se mantém fiel ao seu ritmo e, sem esmorecer, vem desfilando pérolas poéticas nesta reta final”.

                       

GEOVANI DORATIOTTO (G.D)



"Geovani Doratiotto é o genuíno poeta concreto desta edição do concurso. A propósito, o II Concurso de Poesia Autores S/A apresentou um grupo de estilos muito bem marcados, singulares. G.D, certamente, foi o mais arrojado dos poetas, já tendo voado de Heidegger a Paulo Freire em sua poesia. Não se importou se havia ou não conservadores entre os jurados ou mesmo entre o público leitor, acostumados com poemas, digamos, “mais bem-arrumados”: manteve-se firme em sua estrutura poética do começo ao fim. O caçula da edição, Geovani é também o poeta dos arremates de humor e impacto inigualáveis neste certame. O que presenciamos, durante esta competição, foi o parto do novo Maiakovski brasileiro: Geovani Doratiotto é o nome dele".



LETÍCIA SIMÕES (ALICE LOBO)



“A menina que nasceu do rascunho do mar. Alga viva, poética, que durante a competição rasgou sorrisos amarelos e quebrou ondas de poesia sobre os leitores e os jurados. Letícia Simões foi, talvez, a poeta mais discreta dessa competição, haja vista sua posição de destaque no ranking desde o princípio. Pouco se ouviu/leu falar de Alice Lobo nos comentários ou nas redes sociais; no entanto, derramados elogios foram recebidos dos jurados em todas as etapas. Sua subjetividade calculada e sensibilidade aflorada lhe renderam vitórias inesquecíveis”.



WENDER MONTENEGRO (MANOEL HELDER)



“O único representante do Nordeste brasileiro nas finais – e dele os nordestinos podem se orgulhar. Wender Montenegro, poeta de espírito jovial que sabe se aliar ao tom clássico, à poesia de requinte. Poeta-pássaro, que voou por alturas inalcançáveis por outros poetas. Foi o poeta que deu o maior salto nas finais: do penúltimo ao primeiro lugar. Tornou-se o “poeta ser batido”. Manteve-se firme em seu posto soberano até a rodada passada, quando, por travessura dos deuses, despencou para o quinto lugar. Não obstante isso, Wender apresentou belos poemas na última etapa e se destaca, sem dúvida, como um dos grandes favoritos ao título. Seus pássaros alcançarão o cume do Olimpo?”





FRANCISCO FERREIRA (JOÃO SARAMICA)



"Francisco Ferreira, o poeta que veio com tudo e esteve prosa! Incansável, Francisco, ou melhor, João Saramica Turrinha de Longe (as várias facetas poéticas desse mineiro) alcançou a oitava colocação no I Concurso de Poesia Autores S/A; neste ano, alcançou a segunda colocação no Concurso de Poesia Língua’fiada (uma competição de formato semelhante à do Autores) e agora, firme e forte, disputa a segunda edição desse concurso. Por vezes demonstrou sinais de cansaço, também pudera; talvez isso o tenha atrapalhado nessa maratona poética. Por tudo isso e muito mais, Francisco Ferreira desponta como um dos grandes poetas desse país".  





THIAGO LUZ (JEAN JACQUES)



“O poeta guerreiro: Thiago Luz. Sua poesia aguerrida e, por vezes, belicosa (e não menos doce) envolve o poeta com uma aura de guerreiro a la Castro Alves e seus protestos bem sedimentados. Talvez tenha sido justamente esta aura que, nesta edição, não tenha sido tão bem-quista pelos olhares críticos. Nota-se que houve maior adesão aos formatos mais ousados, às estruturas (de)formadas – o traço de presentificação tão latente na poesia contemporânea, nesta edição do concurso. Thiago Luz é um perfeito romântico (no sentido original do termo) contemporâneo”.



HERNANY TAFURI (NONADA F.C.)



"Nonada F.C., o poeta dos 45 do segundo tempo. E nada melhor do que atribuir esta definição futebolística para o poeta que mais ama este esporte no II Concurso de Poesia Autores S/A (haja vista, a priori, o seu pseudônimo). Hernany Tafuri também participou da primeira edição desse concurso e conquistou, com méritos, a quarta colocação. No início desta edição, Hernany vinha sendo um dos destaques entre os jurados. Foi chamado às Finais devido à desistência de um dos poetas que, coincidentemente, é de Juiz de Fora assim como ele. Tendo entrado de sopetão nesta disputa, Hernany pareceu deslocado, não tendo alcançado o metade do êxito que conquistou no ano passado. Na última etapa, porém, brindou a todos com dois belíssimos poemas, deixando um questionamento: por que não foi assim desde o começo?... No mais, digo ao poeta: sua perseverança e o seu respeito pelo certame foram exemplares, não obstante a posição ocupada, às críticas, aos “sem comentários” tão dolorosos... Parabéns, Nonada".



MARCO ANTÔNIO TOZZATO (PER-VERSO)



“Sim, Marco, você pode se levar a sério como poeta. Este, conforme você mesmo havia declarado, era o seu maior desafio. Cumpriu seu papel com muita competência, aflorando sua faceta poética com ousadia, destemor. Seu eu-lírico certamente foi o mais perverso do certame, fazendo jus ao seu pseudônimo Per-Verso. Quem não se lembra do primeiro poema da pré-seleção, o “Per-Versa”? E como se esquecer do momento de maior ousadia, talvez, desta edição: o haicai “Orvalho”, cuja avaliação foi feita por um conservador haicaísta. Penso que este concurso tenha lhe servido de estímulo incomparável para que prossigas nesta trilha poética, a qual nunca havia sido tão explorada por você como durante esses três meses e meio de competição. Pode bater no peito com orgulho e se considerar um dos poetas que melhor aborda sobre o (cu)nho – trocadilho inevitável - erótico no Brasil”.



HENRIQUE CÉSAR CABRAL (GASPAR)



"O poeta mais experiente (em idade) da competição, soube o tempo todo como conduzir sua escrita. Parecia não se importar com os infortúnios dos primeiros resultados das finais; parecia saber que ainda daria a volta por cima na competição: e deu. Deu a volta por cima no momento certo e agora, em segundo lugar, disputa com muito mérito este título. Possui um estilo marcante, de metáforas imbatíveis nesta edição (quanta imaginação!). Escreveu um dos poemas mais bonitos da competição “Aulas Mortas”. Sempre bem-humorado in off, Henrique foi o poeta que mais correu por fora nesta competição, conquistando a cada etapa os corações (e as cabeças) dos jurados”.







ENTREVISTA COM OS POETAS FINALISTAS

DO II CONCURSO DE POESIA AUTORES S/A



Abaixo, uma entrevista imperdível com esses 12 poetas que fizeram história no blog Autores S/A. Boa leitura!





1- QUAL FOI O JURADO OFICIALQUE, NA OPINIÃO DE VOCÊS, MAIS ACRESCEU E ENRIQUECEU A COMPETIÇÃO COM SEUS COMENTÁROS DURANTE O CERTAME? E POR QUE?





Ana Beatriz Manier (Barolo): Achei todos os comentários pertinentes, mesmo quando opostos - o que foi êxito para um foi falha para outro. Isso, longe de vangloriar ou ofender, faz ver como a crítica, embora pautada em alguns preceitos básicos do que é literatura, tem muito a ver com a subjetividade do leitor. Elogios especiais a Paulo Fodra pela gentileza de seus comentários. Mesmo quando algum poema não lhe agradava, comentava-o com delicadeza, sem se esquecer de que do outro lado da tela há gente de carne e osso.



Flávio Machado (Dersu Uzala): Fácil a resposta, Afonso Henriques, pelos comentários sempre direto, e até pela correção da grafia de algumas palavras; discordei apenas do comentário ao poema sobre imagem de mulher nua.



Francisco Ferreira (João Saramica): Paulo Fodra. Pela sua coerência.



Cinthia Kriemler (Lune): Paulo Fodra. Apontou erros, acertos, mostrou incongruências e tudo isso sem interferir no estilo pessoal de cada autor (nem mostrar suas preferências). Para mim, estas são as qualidades de um bom jurado.



Geovani Doratiotto (G.D): Paulo Fodra, apesar de ser um jurado objetivo, não se perdeu nas análises de critério estritamente formais.



Hernany Tafuri (Nonada F.C.): Paulo Fodra sempre fez críticas construtivas, apontando os pontos fortes e fracos dos poemas.



Marco Antônio Tozzato (Per-Verso): Todos os jurados me deram toques incríveis, que vou utilizar enquanto fizer poesias. Foi difícil escolher um. Mas vou destacar o Paulo Fodra por um comentário específico na fase “Fatos do Ano do Nascimento”. Ele elogiou bastante o meu poema na primeira parte da avaliação, mas foi a observação da segunda parte que me ajudou mais. Ele mostrou que apesar das qualidades excelentes que um poema pode ter, é preciso estar atento ao todo: ritmo, conteúdo, forma; enfim é preciso evitar deslumbramentos e manter-se crítico até que consideremos o poema realmente pronto.



Henrique César Cabral (Gaspar): Acho que o jurado Paulo Fodra foi mais atencioso com os poetas. Sempre com orientações simples, sem ar professoral, mais didático, suas opiniões, no meu caso pelo menos, sempre foram pertinentes.



Letícia Simões (Alice Lobo): Sem querer ser injusta aos demais jurados, mas as análises de Afonso Henriques Neto foram muito enriquecedoras para mim. Ele é objetivo, sintético e conciso, tendo-me ajudado muito a direcionar a escrita do poema dentro dos temas propostos no concurso. (Porque é um desafio e TANTO escrever baseado em uma temática específica e não a bel prazer...).



Thiago Luz (Jean Jacques): Paulo Fodra. Tanto as críticas positivas quanto as negativas foram bem instrutivas. Gostei muito do Afonso também.



Ana Lúcia Pires (Anna Lisboa): Paulo Fodra me fez compreender que nem sempre minhas estrofes em diferentes vozes agradam. Confesso que quando resolvi mudar, o fiz contra minha vontade, mas agora gosto do resultado. Não será uma mudança perpétua, claro, mas gostei de trabalhar com esse desafio em cima do desafio. Ele teimou, teimou (risos) e venceu. 



Wender Montenegro (Manoel Helder): Paulo Fodra foi quem, a meu ver, mais cumpriu suas funções. Além de bastante coerente em suas análises, o que só contribui com a qualidade do Concurso Autores S/A, o crítico se mostrou realmente preocupado com o crescimento dos poetas deste certame. Parabéns, Paulo!







2- QUAL FOI O JURADO CONVIDADO QUE MAIS IMPRESSIONOU (POSITIVAMENTE) COM SUA PARTICIPAÇÃO? E POR QUE?



Ana Beatriz Manier (Barolo): Gostei muito de Flavia Rocha, sintonizou-se muito bem com o que tentei passar no poema “Shame” e encontrou certa insegurança exatamente no ponto em que me senti insegura.



Flávio Machado (Dersu Uzala): Antônio Carlos Sechhin, pela mesma razão do jurado Afonso Henriques: pelos comentários diretos.



Francisco Ferreira (João Saramica): Nenhum me impressionou positivamente, negativamente sim.



Cinthia Kriemler (Lune): Alfredo Fressia. Apontou possibilidades além-texto para os participantes.



Geovani Doratiotto (G.D): A Thelma Guedes. Realmente me impressionou o olhar crítico sem desmerecimento das poesias.



Hernany Tafuri (Nonada F.C.): Francis Ivanovich: pois avaliou meu poema sobre cinema com um "Sem comentários". Deve ser muito bom de pena!



Marco Antônio Tozzato (Per-Verso): Eu destacaria a Thelma Guedes. Ela me chamou atenção para algo que parece óbvio: a entrega emocional do poeta em sua obra: “Mas não me tocou com profundidade; ele me interessou mais pela harmonia e engenhosidade. Mas um poema tem que ser mais do que isso para tocar o coração do leitor. Faltou um pouco mais de entrega do autor”. Como ela disse, eu estive sempre muito mais com o aspecto formal do poema, em agradar. A fase mais difícil, colocar a emoção, eu não estava ainda muito preocupado. Depois desse comentário comecei a tentar essa entrega e vi como é difícil!



Henrique César Cabral (Gaspar): Gostei do jurado convidado Nonato Gurgel, comentando os poemas sobre mitologia. Foi correto, elogioso e me deu bom impulso, em sua análise.



Letícia Simões (Alice Lobo): Tiveram muitos! O Nonato, na fase do poema mitológico, escreveu coisas belíssimas e indicou alguns caminhos para a minha escrita que eu não tinha conseguido enxergar até então. A Thelma Guedes, nessa última fase, sobre cinema, me levou às lágrimas (literalmente, sério). Foi muito carinhosa a leitura dela e surpreendente, inclusive. Na fase do Doisneau, o fato do Victor Paes ter escolhido o meu poema como o de maior destaque me impressionou (eu detestei esse poema e desde que mandei para vocês sequer reli), e me provocou um cuidado e um pensamento maior sobre a estrutura da poesia.



Thiago Luz (Jean Jacques): Foram tantos que me perdi... (risos) Poderia citar dois que marcaram negativamente! Melhor deixar pra lá. Essa resposta eu fico devendo.



Ana Lúcia Pires (Anna Lisboa): Marcelo Asth foi um poeta em seus comentários. O vi nitidamente escrevendo cada uma das poesias que julgou.



Wender Montenegro (Manoel Helder): Neste ponto fico perdido entre as vastas explanações de Henry Alfred Bugalho e o estilo sucinto, mas bastante pragmático, de Claudio Willer; ambos igualmente necessários. Não me façam optar (risos).





3- APÓS TODAS ESSAS ETAPAS, QUAL POETA (ALÉM DE VOCÊS MESMOS, CLARO) MERECIA REALMENTE O TÍTULO DE CAMPEÃO DO II CONCURSO DE POESIA AUTORES S/A E POR QUÊ?



Ana Beatriz Manier (Barolo): Votaria em um poeta que escreve de forma similar à minha, Flávio Machado. Gosto de poemas curtos e sem malabarismos linguísticos. As palavras já são fortes demais por si só. Prefiro intensidade na simplicidade.



Flávio Machado (Dersu Uzala): Eu torci muito por Barolo, por uma dessas coincidências acabamos criando uma parceria, e pela qualidade da poesia. 



Francisco Ferreira (João Saramica): Embora eu torça pela Lune, qualquer um dos seis primeiros merece vencer, pois ESTÃO num "momento poético" melhor do que os demais. Haja vista a diferença de pontuação entre os dois grupos.



Cinthia Kriemler (Lune): Anna Lisboa. Como alguém já disse, ela passeou feliz pelo concurso, sem qualquer mostra de insegurança ou desacerto em relação ao estilo que tem/mantém (e manteve). Tem uma cultura fantástica e domínio das “brincadeiras” que constrói com as palavras.



Geovani Doratiotto (G.D): A Anna Lisboa, porque ela é concreta.



Hernany Tafuri (Nonada F.C.): Apontar apenas um seria covardia com os outros. Todos enviaram textos muito bem escritos ao longo do Concurso.



Marco Antônio Tozzato (Per-Verso): Acho que a Lune mereceria ganhar essa competição poética, por ter passado pelo crivo de opiniões de jurados com gostos e formações tão diversas e ainda assim manter-se em posição de destaque. E, é claro, pela beleza de seus poemas.



Henrique César Cabral (Gaspar): Aprecio muito os poemas do Manoel Helder. Talvez seja impressão minha, mas parece haver semelhança entre nossas poesias. Apesar de sua apresentação se diferenciar muito da minha – na disposição dos versos, no corte e, no seu caso, com o grande diferencial das citações. Me surpreende também por ser muito jovem e com boa cultura e opiniões bem maduras.



Letícia Simões (Alice Lobo): TODOS! Atravessar todas essas etapas, com os temas mais díspares possíveis (de mitos a fotografia, de cinema a Nelson Rodrigues; ok, não tão díspares assim, mas muito próprios e carregados de significados) e criar tantos poemas belíssimos como os que eu tenho lido é algo. Assim: algo de muito.



Thiago Luz (Jean Jacques): Gostei muito do Manoel Helder, da Anna Lisboa e do G.D. Enfim, acho que qualquer um dos doze poderia ganhar, mas esses três se tornaram os meus favoritos ao longo das etapas.



Ana Lúcia Pires (Anna Lisboa): Não há aqui poeta menos merecedor, entretanto, Lune e G.D me surpreenderam sempre. Fora isso, cada um deles tem algo meu (sinto assim). De vez em quando gostava mais de Lune, de vez em quando de G.D. Gente, digo que os dois merecem, pronto. Empate.



Wender Montenegro (Manoel Helder): Todos os amigos poetas estão de parabéns pelo alto nível de poesia que demonstraram ao longo do concurso! Poesia sempre! E tendo mesmo que apontar um merecedor do prêmio, Anna Lisboa é minha favorita, seguidos de G.D, Lune, Alice Lobo e Gaspar (todos igualmente dignos de minha mais sincera admiração!). Na minha opinião, o destaque dado a Anna Lisboa se deve ao fato de que sua verve (palavrinha em desuso - risos) é fluente e constante, o que caracteriza por si só os poetas das alturas...







4- EM QUAL ETAPA DO CONCURSO VOCÊS TIVERAM MAIS DIFICULDADE NA ELABORAÇÃO DOS POEMAS E POR QUÊ?



Ana Beatriz Manier (Barolo): Tive mais dificuldade nas etapas em que foi preciso trabalhar com imagens. Como se já não bastasse o tema, tivemos que ficar presos à imagem também. Para mim, isso exerceu pressão e eu não funciono sob pressão.



Flávio Machado (Dersu Uzala): Foram duas etapas, a última, por conta do poema sobre o conto, “A dama do lotação”, e na fase do poema sobre Mitologia, pela distância que tenho desse tema, não vejo nada mitológico na mitologia, e tentei fazer uma abordagem diferente, acabei sendo mal interpretado, e na última colocação da rodada.



Francisco Ferreira (João Saramica): Todas as etapas foram difíceis, mais pelo momento do que por qualquer outro motivo. Mas, em especial, a dos haicais que é uma técnica que não domino.



Cinthia Kriemler (Lune): Na etapa imagética. Sou péssima em imagens e associar alguma coisa à fotografia de Doisneau foi, pra mim, o mais difícil.



Geovani Doratiotto (G.D): A da homenagem a Clarice. Apesar de ter lido Clarice, a linguagem poética jamais sintetizará uma pessoa e suas experiências, ainda mais se essa pessoa vive (viveu) tão subjetivamente quanto ela.



Hernany Tafuri (Nonada F.C.): A fase do “Nu feminino” foi complicada, pois a linha entre o bom e o mau gosto é tênue.



Marco Antônio Tozzato (Per-Verso): A minha maior dificuldade foi com o poema sobre Cecília Meireles, pois julgava não conhecer suficientemente bem a obra da escritora, mas, por incrível que pareça, esse foi um dos meus melhores resultados.



Henrique César Cabral (Gaspar): Minha maior dificuldade foi no poema-homenagem, no meu caso, a Cecília Meireles. Não pude trabalhar muito o poema – foi uma semana problemática. E parti, talvez, de uma premissa que se revelou equivocada: a de mostrar minha oposição à Cecília (pode uma coisa dessas?). Reconheço que fui muito pretensioso além do fato de ser uma poesia muito ruim.



Letícia Simões (Alice Lobo): Na etapa do Robert Doisneau e na etapa sobre o nu feminino. É muito difícil, para mim, criar em cima de uma imagem pré-estabelecida, pois exige um esforço duplo: primeiro, desconstruir a imagem para conseguir enxergar todos os possíveis saltos e, depois, tecer linhas com outros/novos sentidos a partir daqueles saltos. Olhar a imagem e pensar: o que ela pode me dizer? O que ela poderia me dizer? O que ela não poderia me dizer? O que eu quero que ela me diga? O que eu quero que ela diga para as outras pessoas?

E o pior: fazer todo esse exercício em uma semana!



Thiago Luz (Jean Jacques): Nas etapas da "nudez feminina", do "ano de nascimento" e da "foto do menino" na sala de aula eu não rendi o que poderia porque me faltou tempo. Na nudez, demorei a conseguir a foto e, como queria a escrever sobre a imagem, restou pouco tempo. Não pude amadurecer a ideia, colocar o poema no forno e deixar o tempo adequado pro fermento fazer efeito. No ano de nascimento, fiz o poema no domingo porque foi uma semana muito corrida, ou seja, joguei pra cumprir tabela. E na foto do menino, fiz com calma, mas quando mostrei a poesia pra minha esposa no domingo antes de enviar, ela disse: "Lindo, mas não tem muito a ver com a foto". Fiz um poema novo em meia hora e enviei para não perder o prazo. Enfim, mas não foi nada que me levaria à disputa pela liderança. Acho justa a minha colocação.



Ana Lúcia Pires (Anna Lisboa): O fim do mundo. Nunca havia feito uma coisa tão nova e diferente diante de meu estilo, mas resolvi arriscar e construir um diário narrando os últimos minutos de vida um poeta. A dificuldade estava em valer a classificação, mas aos trancos e barrancos, aqui estou.



Wender Montenegro (Manoel Helder): Na temática da fotografia de Doisneau senti um pouco de dificuldade, talvez pelo inusitado (pelo menos a mim) de ter que poetizar sobre imagem pré-estabelecida (isso foi muito novo realmente e fugiu às minhas práticas de criação).





5 – CAROS POETAS: O QUE MAIS SURPREENDEU A VOCÊS NESTE CONCURSO, POSITIVAMENTE? E QUAL PONTO NEGATIVO VOCÊS DESTACARIAM DESTE CONCURSO, SUGERINDO UMA MUDANÇA PARA A EDIÇÃO POSTERIOR?



Ana Beatriz Manier (Barolo): Achei muito boa a oportunidade de ler o julgamento dos poemas. É sempre bom saber como somos lidos, porém, achei o concurso longo demais, o que o tornou um pouco cansativo. Seria esta a minha única sugestão: reduzir o número de etapas. Quanto ao restante, Lohan, você está de parabéns. Pela seriedade e pela leveza do evento e pelas palavras de incentivo e carinho dedicadas a todos nós. Um beijo e um queijo. :)



Flávio Machado (Dersu Uzala): As perguntas surpresas são os pontos positivos, e achei o concurso longo. Precisa ter fôlego e disponibilidade, eu não tive muita disponibilidade. Os temas poderiam ser múltiplos, ou incluir uma brincadeira, onde cada poeta indica um tema para o outro poeta, e a questão dos pseudônimos, bom, cismei que houve juízos previamente estabelecidos. Será que meus poemas são tão ruins que as notas não mereçam ultrapassar o 9,6 ? No resto, valeu pela experiência.



Francisco Ferreira (João Saramica): Positivamente: o número de participantes e o nível dos onze concorrentes. Negativamente: o sistema de pontuação. Creio ser muito mais eficaz o sistema de 0 a 10, sem decimais.



Cinthia Kriemler (Lune): Positivamente: Quase tudo, dos temas à condução (brilhante) por parte da organização. Eu não mudaria praticamente nada. Negativo: o voto do público que nunca se sabe se foi por mérito, por amizade, ou por revolta (contra alguém). Se o concurso é de Poesia, o mérito tem que residir no talento ou não.  Gostei do voto dos jurados e do ponto-presente, porque são dados de autor para autor pelo mérito, mas o do público, sinceramente, não.



Geovani Doratiotto (G.D): O próprio concurso é uma surpresa. Ele é longo demais, a produção artística requer muito mais tempo, às vezes o poema surge em 30 minutos, outras nem em meses, relativamente a cada temática.



Hernany Tafuri (Nonada F.C.): Positivamente, algumas dicas dos jurados, a dinâmica da disputa, a qualidade dos poetas, a atenção e paciência dos organizadores. Como sugestão, acho que o anonimato poderia ser utilizado novamente.



Marco Antônio Tozzato (Per-Verso): O que mais me surpreendeu foram os temas. Todos sempre foram muito inspiradores e pertinentes. Gostei muito do cuidado na fase do cinema, em que vocês produziram um “filme” para cada poema. Aceito críticas, não reclamo nem do “zero” que levei. Mas alguns jurados foram desnecessariamente irônicos nos seus comentários. Acho a ironia uma grande falta de respeito.



Henrique César Cabral (Gaspar): O ponto positivo é a avaliação crítica sobre os trabalhos. Outro, que não posso deixar de ressaltar é a surpreendente organização do concurso. Lohan, se você se dedicasse a ganhar dinheiro estaria rico há essa hora. Ainda bem que você escolheu outro tipo de enriquecimento, para nossa sorte.  Negativo? Não sei. Talvez meu comportamento refratário a Facebooks da vida, tenha me impedido de me integrar mais com os outros participantes. Em resumo, o pior fui eu mesmo. (não vou dar a sugestão de me jogar pra fora, não mesmo).



Letícia Simões (Alice Lobo): Conhecer as pessoas, ler inéditos poemas absolutamente diferentes entre si. A poesia da Anna Lisboa e da Lune tomam rumos estruturais quase opostos, mas - sei lá por quê - vejo na apreensão do mundo, no sentimento embutido na poética das duas, uma amizade muito grande. A poética de G.D ganhou meu coração. Fico roendo as unhas esperando o próximo poema dele. E adoro, adoro, adoro ler Wender Montenegro. Quando surge um poema novo dele no Facebook, o dia ganha rasgos de amarelo.



Thiago Luz (Jean Jacques): Gostei muito da etapa do ano de nascimento e do cinema. Foram as mais legais, sem dúvida. Ponto negativo: não gosto da votação e dos pontos-presentes. É algo a se pensar. Com relação a possíveis melhorias: com relação às poesias coletivas, as estrofes que fizemos poderiam ser avaliadas também. E poderiam ter pontos extras em cada etapa para o melhor verso, melhor título, etc.



Ana Lúcia Pires (Anna Lisboa): Nossa, o Autores S/A promove não apenas a poesia, mas a busca pela poesia e isso é impagável! Se formos escrever sobre a criatividade e talento poético de seus organizadores, esta resposta ficaria interminável. Este blog é uma luz no fim de mim, no fim de cada poeta, no fim do público, no fim da poesia. Que dure para sempre. Vi algumas notas sem explicação mais aprofundada e tomo isso como único ponto negativo.



Wender Montenegro (Manoel Helder): O concurso Autores S/A esteve cheio de agradáveis surpresas! Cito aqui a variação das linguagens das temáticas, o que exigiu dos poetas uma larga abrangência de olhares. A presença de competentíssimos jurados e a alternância deles, e a necessidade de chazinho de capim santo nas noites de quinta (né, Anna Lisboa?!) (risos). Destaco ainda a excelência na organização do concurso (meus parabéns, Lohan!). Apesar de ter achado estranho, a princípio, o ‘derramamento’ de pontos-presentes disponíveis a partir da penúltima rodada do concurso, acho que isso também contribui para a surpresa do resultado final. Meu conselho é para que esses pontos sejam definidos logo no início do certame. No mais, só agradecer pela experiência que o Autores S/A nos proporcionou!





AVISO IMPORTANTE:



Em caso de empate no total do Ranking Oficial, o desempate será feito como sempre foi durante o concurso: valerá o resultado final da última etapa, ou seja: quem ficou à frente na etapa “Cinema” terá vantagem em caso de empate no Ranking Oficial.





PONTO BÔNUS:



O vencedor do PONTO BÔNUS do leitor foi o poeta: WENDER MONTENEGRO (MANOEL HELDER). Parabéns, poeta! Você conquistou 1 ponto!







PONTO-PRESENTE



Os poetas também votam entre si. Vejam!





De: Francisco Ferreira (João Saramica):



“A Dama do Lotação” e “Despedida”: Cinthia Kriemler (Lune).

Justificativa: Ambos os meus pontos vão para Lune porque, depois de mim, torço por ela.



De: Thiago Luz (Jean Jacques):



A Dama do Lotação: Ana Lúcia Pires (Anna Lisboa).

Justificativa: Gostei da construção do poema e das imagens utilizadas.



Despedida: Wender Montenegro (Manoel Helder).

Justificativa: Talvez seja este um dos melhores poemas do concurso.



De: Ana Beatriz Manier (Barolo):



A Dama do Lotação: Cinthia Kriemler (Lune)

Justificativa: Poema belo e simples, como o título, rápido e certeiro com relação ao tema.



Despedida: Flávio Machado (Dersu Uzala)

Justificativa: Poema sentido, com imagens fortes e também certeiras.



De: Flávio Machado (Dersu Uzala):



A Dama do Lotação e Despedida: Ana Beatriz Manier (Barolo)

Justificativa: Ambos os meus pontos vão para Barolo porque foi a poeta que mais me identifiquei no concurso todo.



De: Hernany Tafuri (Nonada F.C.):



A Dama do Lotação: Ana Beatriz Manier (Barolo)

Justificativa: A Dama é isso que o poema diz!



Despedida: Geovani Doratiotto (G.D)

Justificativa: Muito bom. Até!





De: Marco Antônio Tozzato (Per-Verso):



A Dama do Lotação: Thiago Luz (Jean Jacques)

Justificativa: Achei que estava mais dentro do tema, a história foi passada com beleza e simplicidade.



Despedida: Letícia Simões (Alice Lobo)

Justificativa: Ela conseguiu construir belas imagens baseadas na sensação do adeus, da despedida.





De: Wender Montenegro (Manoel Helder):



A Dama do lotação: Francisco Ferreira (João Saramica)

Justificativa: O poeta estruturou seu poema com base na temporalidade que caracteriza os contos, sem abrir mão, no entanto, dos elementos essenciais à poesia (e que me são caros), a saber, a precisão e a concisão da linguagem, o ritmo interno, o lirismo e esse “Está morto!” como valioso arremate. Parabéns, Saramica!



Despedida: Geovani Doratiotto (G.D)

Justificativa: Por toda a beleza contida no modo particular de expressar sua verdade! Mais que justa a homenagem ao poeta que é todo coração! Parabéns, G.D.!



De: Geovani Doratiotto (G.D):



Dama do Lotação: Wender Montenegro (Manoel Helder)

Justificativa: Pelo poema-paralelepípedo.



Despedida: Ana Lúcia Pires (Anna Lisboa)

Justificativa: Por ela ser o Tijolo do muro.





De Letícia Simões (Alice Lobo):



Dama do Lotação: Flávio Machado (Dersu Uzala)

Justificativa: Lindíssimo!



Despedida: Wender Montenegro (Manoel Helder)

Justificativa: Fiquei com inveja, queria ter escrito esses versos!



De: Ana Lúcia Pires (Anna Lisboa):





A Dama do Lotação: Cinthia Kriemler (Lune)

Justificativa: Maravilha chamada "Simples". Simples??? Quase tive um treco (risos). Como pode escrever assim??? Humm??!!! Boa sorte, querida do sky!!!



Despedida: Geovani Doratiotto (G.D)

Justificativa: Um ponto para G.D e seu parto. "Me sinto demasiado pessoa, destarte isto,

sou exímio ouvinte de flauta "- p-o-e-t-a . Boa sorte, G.D!!!











De: Henrique César Cabral (Gaspar):



A Dama do Lotação: Ana Lúcia Pires (Anna Lisboa)

Justificativa: É uma poeta que me surpreende a cada rodada (pena que é a última – até onde isso iria dar?). O verso: “Que sou tua esposa e de qualquer marido” é de uma crueza que me espanta ainda agora, e foi o motivo por votar nessa poeta que sabe muito bem o que  (e como) faz(er). Parabéns Anna, você foi do mais alto nível todo o tempo.



Despedida: Geovani Doratiotto (G.D)

Justificativa: Os poemas da temática Despedida, para mim, foram os melhores até agora. Superando o da fase da Mitologia (será que realmente ultrapassamos essa fase?), que para mim tinha sido o ápice de todo o Concurso. Eu até sentia certo alívio por não ter sido obrigatória a votação naquele. Para votar nesse, sinceramente, tive que garimpar detalhes, e aceitar a menos confiável das autoridades: o gostei mais. E gostei muito do poeta G.D. - Geovani Doratiotto. Acho que fez um belo trabalho nO Parto de Maiakovski (desculpe o trocadilho, é imperdoável). Sempre me pareceu que apesar do caótico aparente, esse poeta não dá um passo em falso. Ele brilha.







De: Cinthia Kriemler (Lune):



A Dama do Lotação: Geovani Doratiotto (G.D)                        

Justificativa: Pela genialidade desse texto, “A Palavra no Lotação”, que brincou com a gramática, com a sintaxe, com toda a língua e ainda cumpriu com leveza, (fino) humor, simplicidade e inteligência o tema desta final.



Despedida: Francisco Ferreira (João Saramica)

Justificativa: Pelo que colocou de beleza e emoção nesse texto lindo e melancólico que, tenho certeza, foi escrito com a alma na ponta dos dedos. E pela saudade que me emprestou de um lugar de laranjeiras para o qual a gente sempre quer voltar (eu quero).





PREMIAÇÃO-EXTRA DO II CONCURSO DE POESIA AUTORES S/A



            Serão apresentados, a seguir, os indicados nas categorias: “Melhor Poema”, “Melhor Título”, “Melhor Intertextualidade”, “Melhor Criatividade”, “Melhor Estrofe”, “Melhor Verso” e “Melhor Arremate Final” do II Concurso de Poesia Autores S/A. Vale lembrar que foram indicadas somente as obras pertencentes aos 12 finalistas do concurso, partindo da 1º etapa das finais: “O Fim do Mundo”. A não ser na categoria “Melhor Poema”, na qual foram 12 (doze) poemas indicados, todas as demais categorias tiveram 8 (oito) indicações cada.

As indicações foram feitas de acordo com as opiniões dos jurados e dos organizadores do certame. A decisão ficará por conta dos mesmos, após um consenso geral. Na sexta-feira, serão divulgados os vencedores em cada uma das categorias. Cada um dos poetas vencedores levará um livro como premiação. Além disso, os poemas vencedores em cada categoria já estarão garantidos na antologia do concurso.

Parabéns, poetas!

Eis os indicados:





Melhor Poema:



1º indicação:



“Aulas Mortas”

(Gaspar)



2º indicação:



“Terra Virtual”

(João Saramica)



3º indicação:



“Tinta”

(Barolo)



4º indicação:



“Metapoema de asa e voo”

(Manoel Helder)



5º indicação:



“ulisses,”

(Alice Lobo)



6º indicação:



“Nem todo napalm será perdoado

– tributo a nudez não consentida de Kim Puhc -”

(Lune)

7º indicação:



“Da Nudez Oferenda ou O sal dos segredos”

(Manoel Helder)



8º indicação:



“sonhos de Kurosawa”

(Dersu Uzala)



9º indicação:



“Poema-Dividido”

(G.D)



10º indicação:



“Yesterday (há de ser outro dia)”

(Anna Lisboa)



11º indicação:



“A Palavra no Lotação”

(G.D)



12º indicação:



“como o oceano inteiro a navegar”

(Alice Lobo)





Melhor Título:



1º indicação:

“Viúvo é quem morre, traído é quem ama”

(Anna Lisboa)



2º indicação:



“Yesterday (há de ser outro dia)”

(Anna Lisboa)



3º indicação:



“Nem todo napalm será perdoado

– tributo a nudez não consentida de Kim Puhc –“

(Lune)



4º indicação:



“Silêncio de claquete: Parte Saraceni”

(Manoel Helder)



5º indicação:



“(In)vadia”

(G.D)



6º indicação:



“ulisses,”

(Alice Lobo)



7º indicação:



“Baco, now!”

(Per-Verso)



8º indicação:



“Clarice: feminino adjetivo”

(Jean Jacques)





Melhor Intertextualidade:



1º indicação:



“Um lugar que se chama eu”

(Lune)



2º indicação:



“Tinta”

(Barolo)



3º indicação:



“sonhos de Kurosawa”

(Dersu Uzala)



4º indicação:



“Cantata a duo para Cecília e pássaro”

(Manoel Helder)



5º indicação:



“No olhar”

(Nonada F.C.)



6º indicação:



“Parto”

(G.D)



7º indicação:



“Em vão”

(Barolo)



8º indicação:



“Reacionários de todo o mundo, Uni-Vos!”

(João Saramica)





Melhor Criatividade:



1º indicação:



“A Dama e o Vaga-lume”

(Anna Lisboa)



2º indicação:



“ulisses,”

(Alice Lobo)



3º indicação:



“Genesis”

(Anna Lisboa)



4º indicação:



“Uma quase canção para Cecília”

(Per-Verso)



5º indicação:



“Poema do Lotação”

(G.D)



6º indicação:



“Frações e outras partes”

(Anna Lisboa)



7º indicação:



“Eu, Cabíria”

(Lune)



8º indicação:



“Mitologia íntima”

(Jean Jacques)





Melhor estrofe:



1º indicação:



“O oráculo de delfos

Atende em hora fixa na Av. Paulista.

Hércules tem apenas

um oficio de oito horas”

(“Caverna-São Paulo”, de G.D)



2º indicação:



“o insuperável  sabor do voo

num banco duro – o coração

esquece que é matéria

e sonha ...”

(“Aulas Mortas”, de Gaspar)



3º indicação:



“A sirene dita o fim do tempo,

escravo das onomatopeias,

o obturador clica

-click, click, clik”

(“Aluno Operário”, de G.D)



4º indicação:



“Delta ou estuário onde o sol se refaz,

pássaro banhado

na concha dos seios,

colinas acesas

indicando o norte

para a nau dos homens”.

(“Da Nudez Oferenda ou O sal dos segredos”, de Manoel Helder)



5º indicação:



“existe uma carne a ser coberta

e por ela cessem os melhores coitos

os maiores gozos

por ela dobrem os sinos

ensurdecendo as turbinas

que borrifam do céu o esperma de napalm”

(“Nem todo napalm será perdoado – tributo a nudez não consentida de Kim Puhc –“, Lune)



6º indicação:



“enquanto impaciente assistia

à vida que desabava

o sonho violento trouxe a onda

- o teu azul que sempre escapa”

(“estudo de Cecília”, de Alice Lobo)



7º indicação:



“Uma flor enferrujada

sobre meu peito: a tenho

como desenho perpétuo”.

(“Céu de gesso”, Nonada F.C.)



8º indicação:



“or gasmo or not to be

Eis a ques-tão linda: Kriska

Sem sobrenome, sem sobretudo

Sem sobressalto 15”

(“Frações e outras partes”, de Anna Lisboa)



Melhor verso:



1º indicação:



“você na plateia sorri em rasgos de amarelo”

(“carta a Buñuel”, de Alice Lobo)



2º indicação:



“Que sou tua esposa de qualquer marido”.

(“Viúvo é quem morre, traído é quem ama”, de Anna Lisboa)



3º indicação:



“Poema é candeia que dilata sombras”

(“Metapoema com adeus e voo”, de Manoel Helder)



4º indicação:



“havendo AInda 5 formas de mordaça”.

(“Reacionários de todo mundo, Uni-Vos!”, de João Saramica)



5º indicação:



“existe uma carne a ser coberta”

(“Nem todo napalm será perdoado – tributo a nudez não consentida de Kim Puhc –“, de Lune)



6º indicação:



“dorme uma hidra à sombra dos cabelos”.

(“Mítica Cartografia de um Corpo em Naufrago”, de Manoel Helder)



7º indicação:



“O amor, Ulisses, é só um estremecimento do azul”.

(“ulisses,”, de Alice Lobo)



8º indicação:



“vinho delirante de bagos esquartejados”

(“O Coro do Caos”, de Anna Lisboa)



Melhor arremate final:



1º indicação:



“O ministério da televisão anuncia:

- Alimente-se de (François) Truffaut ,

cuidado para não (EN) Godard”.



(Cinema novo, de novo, de novo, de novo, etc., de G.D)



2º indicação:



"A T(r)aça do I(mundo) é nossa!"

(“Yesterday (há de ser outro dia)”, de Anna Lisboa)



3º indicação:



“O médico disse em tom de bravata:

Nem homem, nem mulher,

seu filho é Comunista”.

(“Poema-Dividido”, de G.D)



4º indicação:



“meus dedos desmancham o ontem
                                                              esperando a sua voz”.

(“ulisses,”, de Alice Lobo)





5º indicação:



“O cartaz na manifestação

dizia:

Elas estão nuas

e cobertas de razão”.

(“(In)vadia”, de G.D)



6º indicação:



“Pequena deusa, ínfimo de Deus,

Abismo íntimo!”

(“Clarice: feminino adjetivo”, de Jean Jacques)



7º indicação:



“em mil novecentos e oitenta e oito

tudo estava em seu lugar

(a poesia encontrara a sua morada)”

(Alice Lobo)



8º indicação:


“Tudo é tinta, meu bem,

o rosado do rosto

o vermelho da unha

o branco do fio

o breu”.

(“Tinta”, de Barolo)



(OS VENCEDORES EM CADA CATEGORIA SERÃO ANUNCIADOS A PARTIR DE AMANHÃ. SERÃO ELIMINADOS, GRADUALMENTE, OS INDICADOS, ATÉ FICAR APENAS O VENCEDOR. AGUARDEM!)



ATENÇÃO:

RANKING OFICIAL ATUALIZADO (COM INCLUSÃO DOS PONTOS PRESENTES DA RODADA E DO PONTO BÔNUS DO LEITOR). CONFIRAM!







A SEGUIR, COMEÇAM A SER LANÇADOS OS RANKINGS. A CADA NOVO RANKING, UMA NOVA PARCIAL ATUALIZADA NA PRÓPRIA POSTAGEM, OU SEJA: NO RANKING OFICIAL (ENCONTRADO NA LISTA LARANJA DO BLOG) NADA SERÁ MODIFICADO ATÉ O FINAL.







OS QUATRO JURADOS OFICIAIS FORAM DIVIDIDOS: DOIS JULGARAM A TEMÁTICA “DAMA DA LOTAÇÃO” E DOIS JULGARAM A TEMÁTICA “DESPEDIDA”. JÁ EM RELAÇÃO AOS DEMAIS JURADOS CONVIDADOS, NÃO HOUVE DIVISÃO EXATA. PODE SER QUE HAJA MAIS JURADOS EM UMA TEMÁTICA DO QUE EM OUTRA (DEVIDO A CANCELAMENTO DE PARTICIPAÇÕES ENTRE OUTROS CONTRATEMPOS).

QUANDO FALTAREM 3 RANKINGS A SEREM LANÇADOS, NÓS EMITIREMOS UM AVISO NA POSTAGEM. OU SEJA: NENHUM DE VOCÊS SABERÁ, POR HORA, QUANTOS RANKINGS SERÃO NO TOTAL.


QUALQUER DÚVIDA, DEIXEM NOS COMENTÁRIOS DO POST.






 1º RANKING:


RANKING DO JURADO:
AFONSO HENRIQUES DE GUIMARAENS NETO
(A DAMA DO LOTAÇÃO)





1º “A Palavra no Lotação”, de G.D – 12 pts.



O que mais gostei, além da boa construção, foi o paralelismo entre o enredo da “dama do lotação” e a feitura de um texto poético, o que expõe traços de originalidade.





2º “te perdoo por me traíres”, de Dersu Uzala – 11 pts.



O poema traz uma boa consciência construtiva (as repetições conduzindo bem o ritmo), o que é um ponto bastante positivo.







3º “Viúvo é quem morre, traído é quem ama”, de Anna Lisboa – 10,5 pts.



O que mais gostei foi a tentativa, muitas vezes bem sucedida, de se construir um poema com a forma regular.





4º “La Belle de Jour”, de João Saramica – 10 pts.



A “belle de jour” ou “dama do lotação” está bem descrita, principalmente em relação ao “outro”, ou seja, ao marido. De fato, o filme e o conto guardam muita proximidade.







5º “A Dama do Lotação”, de Jean Jacques – 9,5 pts.



O poema consegue passar uma ideia clara da personagem.





6º “A Morte fecha os olhos”, de Gaspar – 9 pts.



O estilo contrapontístico do poeta mais uma vez se revela bem.





7º “Simples”, de Lune – 8,5 pts.



Há um bom ritmo no poema, que também dá boa conta do tema.





8º “É assim, amor”, de Barolo – 8 pts.



O melhor do poema é a passagem que diz “nessa troca sem troco / não há traição”, pois não só está bem construída, como passa uma ideia correta de nossa ‘dama do lotação’.





9º “solange, objetiva e casta”, de Alice Lobo – 7,5 pts.



O ponto de vista do marido de nossa “dama do lotação” está bem colocado.





10º “Do Lugar do Desejo”, de Per-Verso – 7 pts.



A melhor ‘definição’ da dama do lotação talvez esteja no verso “não há moral para a mulher perfeitamente amoral”. De todo modo, o poema me parece ‘prosaico’ em excesso, necessitando de algum verso mais forte para fazê-lo ‘decolar’ em termos poéticos.





11º “Frágil”, de Manoel Helder – 6,5 pts.



O poema busca seguir a estória de Nelson Rodrigues e possui alguns momentos bem tramados. Penso que os três últimos versos devam ser repensados.





12º “Anjo”, de Nonada F.C. – 6 pts.



O melhor deste poema está nos três últimos versos, onde é citado o nosso Drummond. As duas quadras iniciais precisam ser repensadas.



1º PARCIAL (APÓS O RANKING DE AFONSO HENRIQUES):

1º G.D – 100,5 pts.
2º LUNE – 99,5 pts.
3º ANNA LISBOA – 99 pts.
4º GASPAR – 95 pts.
5º MANOEL HELDER – 95 pts.
6º ALICE LOBO – 93 pts.
7º DERSU UZALA – 80 pts.
8º JOÃO SARAMICA – 79,5 pts.
9º JEAN JACQUES – 77,5 pts.
10º BAROLO – 75,5 pts.
11º PER-VERSO – 72 pts.
12º NONADA F.C. – 64,5 pts.
&


RANKING DE: NILTO MACIEL
*O jurado Nilto Maciel participa, pela segunda vez, das Finais deste Concurso.


(DESPEDIDA)


1º “Céu de gesso”, de Nonada F.C. – 12 pts.

Poema bem elaborado, em versos curtos, sem evasivas, direto, a tratar da solidão, um dos temas mais visitados pelos poetas de todos os tempos.
Daria nota máxima.


2º “Quando se vai”, de Lune – 11 pts.

Como o poema “Céu de gesso”, este vem de poeta calejado, afeito aos fazeres do verso. No entanto, não me entusiasmo com alguns versos do início do poema: “este flagelo que mil porres não aplacam / e o sofrimento-capataz / que se entranha nas vísceras”. A linguagem coloquial (com a de Fernando Pessoa), quando utilizada por poeta talentoso, pode resultar em bons poemas. Como este. Dar-lhe-ei nota abaixo da máxima, um pouquinho.


3º “A Morte não fecha os olhos”, de Gaspar – 10,5 pts.

Belíssimos versos, em ritmo de ladainha, de despedida. Como se ouvíssemos Bach. Um réquiem.



4º “Terra Virtual”, de João Saramica – 10 pts.

Há domínio do verso, o poeta sabe manejar imagens, sinestesias. Há, porém, alguma dissonância (principalmente no início), como em “Cumpriam seus papéis apenas”.

5º “Metapoema com adeus e voo”, de Manoel Helder – 9,5 pts.

Este poeta é singular. Tem fôlego, maneja bem a palavra. Como poucos, sabe criar poesia no poema. Suas imagens são quase visuais.


6º “com o oceano inteiro a navegar”, de Alice Lobo – 9 pts.

Metáforas e mais metáforas. Isso em lindo, ótimo. Alice no país das maravilhas engolida pelo lobo mau. Poema forte, de deixar o leitor a pensar e talvez até a temer o próprio sorriso.


7º “O Parto de Maiakovski”, de G.D – 8,5 pts.

Esta homenagem ao grande poeta russo é um aplauso. As quebras, as reticências (imaginárias) dão bem a ideia de um tempo, um tipo de poesia.



8º “Teu”, de Anna Lisboa – 8 pts.

Parece-me claro demais (“Beijei teu rosto com carinho aflito”), quase um grito de desespero. Os versos estão bem postos, sim, mas lhes falta um sopro poético. Daria nota mais abaixo, sem desmerecê-lo.


9º “instituto médico legal”, de Dersu Uzala – 7,5 pts.

A narração é “objetiva”. Os verbos usados são próprios da narração (invadir, arrumar, partir, cortar). Isto não invalida o poema. Porém este não atinge o grau de “Céu de gesso”.



10º “Diálogo último”, de Barolo – 7 pts.

Tem muito ritmo o poema. Lembra canção de ninar. Entretanto, como é preciso dar uma nota ou uma classificação (há no conjunto poemas de excelente extração), sou obrigado a ser “injusto”.


11º “É o fim!”, de Jean Jacques – 6,5 pts.

É um grito, um protesto. O poeta, mesmo aos gritos, lamentos, sabe onde pisa, o que diz, o que escreve.


12º “Adeuses Algozes”, de Per-Verso – 6 pts.

O poeta consegue versos longos, como se respirasse em terra, ao ver partir o último avião.


2º PARCIAL (APÓS O RANKING DE NILTO MACIEL):

1º LUNE – 110,5 pts.
2º G.D – 109 pts.
3º ANNA LISBOA – 107 pts.
4º GASPAR – 105,5 pts.
5º MANOEL HELDER – 104, 5 pts.
6º ALICE LOBO – 102 pts.
7º JOÃO SARAMICA – 89,5 pts.
8º DERSU UZALA – 87,5 pts.
9º JEAN JACQUES – 84 pts.
10º BAROLO – 82,5 pts.
11º PER-VERSO – 78 pts.
12º NONADA F.C. – 76,5 pts.




RANKING DO JURADO:

ANDRÉ SANT’ANNA

(A DAMA DO LOTAÇÃO)

André Sant'Anna é escritor, músico, redator de publicidade e televisão. Publicou a trilogia "Amor - (Edições Dubolso), Sexo e Amizade (Companhia das Letras)", o romance "O Paraíso É Bem Bacana (Companhia das Letras)" e o livro de contos/crônicas "Inverdades (7Letras)". Teve o conto "O Importado Vermelho de Noé" incluído na antologia "Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século" (Ed. Objetiva) e a crônica "Pro Beleléu" incluída na antologia "As Cem Melhores Crônicas Brasileiras" (Ed. Objetiva). Foi integrante do grupo performático Tao e Qual nos anos 80 e atua no espetáculo "Sons & Fúrias" de música, literatura e performance.
“Para ter a minha nota 10, o poema tem que me emocionar muito. O que me emociona (encanta)? O pensamento e a emoção não vêm em prosa, embora possam vir em palavras. O poema nota 10 é aquele que encontra a linguagem, a forma certa, para descrever um sentimento. Ele deve ser absolutamente original e dizer algo que só aquele determinado autor poderia dizer, com uma forma que corresponda o mais próximo possível ao conteúdo único do poema” – André Sant’Anna.

1º “Viúvo é quem morre, traído é quem ama”, de Anna Lisboa – 12 pts.

Ótimo e bem abrangente. Trata das várias questões apontadas pelo conto. Embora tenha a voz da esposa infiel, o poema mostra também a dor do marido traído e as circunstâncias. E tem uma forma antiga, uma poesia nostálgica.


2º “Anjo”, de Nonada F.C. – 11 pts.

O poema é uma homenagem ao ressentimento do corno morto em vida. Traduz bem a poesia do ódio.


3º “solange, objetiva e casta”, de Alice Lobo – 10,5 pts.

Os poemas que tratam da dor do marido traído são os melhores até agora. Este em especial. Este, em especial, emociona pela dor daquele que ama muito e não é recompensado por esse amor. A emoção que só se encontra no fundo do poço.

4º “Do Lugar do Desejo”, de Per-Verso – 10 pts.

Este poema é um tanto descritivo, quase uma explicação para o conto. As taras, nos textos de Nelson, estão, sim, dentro do armário. Elas são sugeridas e não tão expostas como neste poema, ou no filme do Neville de Almeida.


5º “La Belle de Jour”, de João Saramica – 9,5 pts.

O autor dá ao poema a estrutura de "A Vida como ela É", de onde foi extraído o conto. Talvez por ficar preso a essa estrutura, o poema acaba ficando esquemático, carecendo de algum tipo de emoção.


6º “te perdoo por me traíres”, de Dersu Uzala – 9 pts.

O poema remete a outro texto de Nelson - a peça "Perdoe-me por me Traíres". Não creio que o personagem de "A Dama do Lotação" pensasse assim, ou concedesse esse tipo de perdão à esposa infiel. Não deixa de ser um bom poema, mas não traz o conceito de "A Dama do Lotação".


7º “A Dama do Lotação”, de Jean Jacques – 8,5 pts.

Uma tentativa de entrar no pensamento da esposa infiel. Tem um erotismo clichê, uma defesa da mulher despudorada. "Balé dos meus quadris", por exemplo, é um tanto óbvio. Falta Nelson Rodrigues no poema. A falta de rebuscamento do Nelson.


8º “É assim, amor”, de Barolo – 8 pts.

Outro que foge da temática principal do conto, que é a "falta de amor". Nelson Rodrigues, o tempo todo, em todos os trabalhos, clama pelo amor, pela amizade, pela compreensão. Este poema é quase uma ode ao amor livre. Acho que o Nelson desaprovaria.


9º “Frágil”, de Manoel Helder – 7,5 pts.

A citação de Caetano Veloso tem mais de "A Dama do Lotação" do que o poema em si. Não entendo o verso final. Gostei da expressão "velório de vivo".


10º “A Palavra no Lotação”, de G.D – 7 pts.

Fugiu do objetivo. Ou quis demonstrar (e explicar) que conhece Nelson Rodrigues. Esse encontro com Zé Celso também não precisava. Resumindo, o poema não tem nada a ver com a "Dama do Lotação".


11º “Simples”, de Lune – 6,5 pts.

Agora, um olhar sobre a esposa infiel. Há momentos em que sentimos alguma poesia, mas os trocadilhos como "que(satis)faz", "cast(a)idade" e, pior, "vaga(bunda)" cortam qualquer emoção e mesmo o humor pretendido.

12º “A Morte fecha os olhos”, de Gaspar – 6 pts.

Bastante complicado. O Nelson fazia de tudo para empobrecer sua linguagem, justamente para enriquecer a emoção. Este poema é o contrário disso. Puro maneirismo.


3º PARCIAL (APÓS O RANKING DO JURADO ANDRÉ SANT’ANNA):


1º ANNA LISBOA – 119 pts.
2º LUNE – 117 pts.
3º G.D – 116 pts.
4º ALICE LOBO – 112,5 pts.
5º MANOEL HELDER – 112 pts.
6º GASPAR – 111,5 pts.
7º JOÃO SARAMICA – 99 pts.
8º DERSU UZALA – 96,5 pts.
9º JEAN JACQUES – 92,5 pts.
10º BAROLO – 90,5 pts.
11º PER-VERSO – 88 pts.
12º NONADA F.C. – 87,5 pts.
&
RANKING DO JURADO:

RONALDO CAGIANO

(DESPEDIDA)


1º “instituto médico legal”, de Dersu Uzala – 12 pts.

Singeleza poética que comunica plenamente a ideia da despedida numa ruptura trágica.

2º “O Parto de Maiakovski”, de G.D – 11 pts.

Um bom diálogo com a própria poesia e o sentido de despedida seja do poema, seja do poeta. A figura de Maiakovski muito bem encarnada.


3º “Metapoema com adeus e voo”, de Manoel Helder – 10,5 pts.

Um poema que dialoga com Drummond e se impõe pela força metalinguística e nos lembra, ao definir o poema, um Camões tentando definir o amor.


4º “A Morte não fecha os olhos”, de Gaspar – 10 pts.

O poema está bem construindo, não exacerba na descrição, mantém-se fiel a uma imagem única que representa a morte e o verso “a palavra em pedra/ ensina sobre a fuga/ e suas raízes escuras” vale por todo o poema.


5º “com o oceano inteiro a navegar”, de Alice Lobo – 9,5 pts.

Aqui o autor quis deixar claro que apesar do fim, a poesia nos espera no imenso mar da comunicação, ainda que na ausência de palavras. Ela é o fim em si mesmo.


6º “Céu de gesso”, de Nonada F.C. – 9 pts.

A despedida como vício da partida se constrói a partir de uma imagem singela, mas representativa, a da flor transmutada em ferrugem.


7º “Diálogo último”, de Barolo – 8,5 pts.

A lembrança nostálgica da vida e o balanço do que foi e do que passou. A última estrofe nos remete a Cecília, que indagou num poema sobre o rosto perdido, assim como faz a autora, que questiona a vida que se perdeu.


8º “Adeuses Algozes”, de Per-Verso – 8 pts.

O poema caiu na obviedade, perdendo-se nas definições simplistas e nos lugares comuns.


9º “É o fim!”, de Jean Jacques – 7,5 pts.

Poema excessivamente laudatório e poluído de clichês.


10º “Teu”, de Anna Lisboa – 7 pts.

O poema perdeu sua força por seu viés excessivamente sentimental.

11º “Terra Virtual”, de João Saramica – 6,5 pts.

Demasiadamente prosaico, o poema se contorce no palavrório inútil e imagens forçadas.


12º “Quando se vai”, de Lune – 6 pts.

O poema é povoado de expressões contraditórias e desnecessários, que não dizem nada, como “elegância imbecis”, “inferno com deus”, “céu do diabo” que não alcançaram o impacto pretendido, como se fossem oximoros imperfeitos.



4º PARCIAL (APÓS O RANKING DO JURADO RONALDO CAGIANO):


1º G.D – 127 pts.
2º ANNA LISBOA – 126 pts.
3º LUNE – 123 pts.
4º MANOEL HELDER – 122,5 pts.
5º ALICE LOBO – 122 pts.
6º GASPAR – 121,5 pts.
7º DERSU UZALA – 108,5 pts.
8º JOÃO SARAMICA – 105,5 pts.
9º JEAN JACQUES – 100 pts.
10º BAROLO – 99 pts.
11º NONADA F.C. – 96,5 pts.
12º PER-VERSO – 96 pts.


&


RANKING DO JURADO

GERALDO LIMA

(A DAMA DO LOTAÇÃO)



Geraldo Lima nasceu em Planaltina, GO, em 1959. Mora em Brasília, DF. É professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, escritor e dramaturgo. Em 1984 foi o vencedor de um dos mais importantes concursos literários do país, o Concurso de Contos de São Bernardo do Campo, em São Paulo. Em 1987, ganhou o Prêmio Bolsa Brasília de Produção Literária, que resultou na publicação do seu primeiro livro, A noite dos vagalumes (contos, Prêmio Bolsa Brasília de Produção Literária, FCDF). Publicou, ainda, Baque (conto, LGE Editora/FAC), Nuvem muda a todo instante (infantil, LGE Editora), UM (romance, LGE Editora/FAC) Trinta gatos e um cão envenenado (peça de teatro, Ponteio Edições) e Tesselário (minicontos, Selo 3x4, Editora Multifoco). Tem duas peças escritas: Error (encenada pela Oficina do Teatro de Periferia, 1987) e Trinta gatos e um cão envenenado (da qual foi feita a leitura dramática na 5ª Mostra de Dramaturgia de Brasília, nas Quartas Dramáticas na UnB e na 1ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura, em Brasília). Tem textos publicados em antologias, jornais, revistas impressas e revistas eletrônicas, sites e blogs. É, atualmente, colunista dos sites O BULE, Dona Zica tá braba e Portal Entretextos. Colabora com o Jornal Opção, em Goiânia, o Jornal de Sobradinho, em Brasília, e a revista eletrônica TriploV, em Portugal. Mantém o blog BAQUE.

Tenho, a princípio, um gosto variado em relação à poesia. Posso me sentir arrebatado tanto por um poema de feição mais vanguardista, mais arrojada tecnicamente, quanto por um de concepção mais tradicional, ou clássica, onde o conteúdo tem que se ajustar às normas de versificação. Mas em ambos os casos não pode faltar o elemento de justeza entre a linguagem, a forma e o conteúdo, sempre na busca do adensamento e da maior voltagem para encantar o leitor.  O ritmo é outro elemento que me parece imprescindível na composição de um poema. É dele que vem a força para arrebatar mais rapidamente o leitor. Para o poeta de hoje, a exigência é que escreva dentro de uma concepção moderna do fazer poético, tento a noção de todo o percurso feito pela poesia até os dias atuais. Assim, o que busco num poema contemporâneo é a capacidade de surpreender e de despertar indagações para além do cotidiano, do corriqueiro, do banal. Mas nada disso deve estar fora do equilíbrio entre razão e emoção. Feito isso, é dez. – Geraldo Lima.



1º “solange, objetiva e casta”, de Alice Lobo – 12 pts.

É tão intensa a carga poética deste poema que ele, embora continue dialogando com o texto de Nelson Rodrigues, abre-nos novas clareiras por onde transita a angústia do ser humano.   Não há excessos na sua composição, tudo se ajusta num ritmo cadenciado e no emprego de uma linguagem rica em significados. (Linguagem plurissignificativa, diria Erza Pound.) E há belas e ousadas construções sintáticas como esta no poema de Alice Lobo: “daí eu ter caminhado do amor para longe”. Enfim, um texto onde técnica e sensibilidade se ajustam harmoniosamente.


2º “Viúvo é quem morre, traído é quem ama”, de Anna Lisboa – 11 pts.

Embora seja convencional em relação à forma, este poema apresenta elementos que o mantêm dentro da esfera da poesia moderna, como a linguagem carregada de termos que nos remetem ao antipoético (“amor parido”, “órgão do defunto”) e a voz feminina que afronta o macho ao expor sua visão de mundo. A protagonista de ‘A dama do lotação’ ganha, aqui, um discurso marcadamente irônico, que não vacila diante do outro. E o tom de ironia e sarcasmo continua mesmo quando há mudança de voz, como na última estrofe. Só na penúltima estrofe é que as rimas em ‘ão’ tiram um pouco o brilho do que vinha sendo composto com maestria.



3º “É assim, amor”, de Barolo – 10,5 pts.

Essa voz direta, sem aparas, que se dirige ao outro, no caso, o marido traído, não deixa margem à dúvida sobre o agir consciente da protagonista. O jogo de palavras reforça o seu pleno domínio da linguagem, que é um sinal de poder. “Dou o que é meu/e dou pra quem quero”. Esses dois versos, em que o eu lírico reafirma o poder sobre si mesmo, está em plena sintonia com os novos discursos feministas que ecoam pelas ruas das grandes cidades. Solange torna-se, assim, um ser do nosso tempo, descolando-se da imagem de ser pervertido ou dominado pelos instintos.


4º “A Dama do Lotação”, de Jean Jacques – 10 pts.

O poema é marcado pelo tom erótico, o que o aproxima muito do conto de Nelson Rodrigues. E aqui a protagonista do conto se coloca de forma incisiva, reafirmando a sua natureza de ser que se diferencia: “sou dama, sou puta,/Sou mulher”. A voz desse eu lírico é muito verdadeira, o que confere ao poema uma força muito grande. É uma voz que nos cativa, pois sentimos no seu discurso o desejo de existir inteira. Agora, do ponto de vista técnico, posso dizer que “Em posse de um sorriso imaculado” é o tipo de verso que destoa do restante pela falta de sutileza poética.


5º “te perdoo por me traíres”, de Dersu Uzala – 9,5 pts.

A repetição e o emprego de versos curtos marcam um ritmo mais intenso, veloz, que nos envolve. A voz do eu lírico revela-se tomada de emoção. Mas é só isso. O poema não apresenta nenhuma novidade em termos de forma ou linguagem. Nada que já não tenhamos visto em Ferreira Gullar, por exemplo.



6º “Do Lugar do Desejo”, de Per-Verso – 9 pts.

Vejo como elemento positivo o fato de o autor ter conferido ao desejo um caráter social, político, na imagem da Dama burguesa que leva o prazer do sexo à classe operária. É uma leitura interessante do conto de Nelson Rodrigues, a qual destoa do elemento naturalista bem forte no seu texto. Observo, no entanto, que não há unidade entre as duas estrofes do poema: a primeira é bem descritiva enquanto a segunda é marcada pelo tom aforístico. Mas não é este o elemento que estraga a qualidade do poema; penso que versos como este, de duvidosa sonoridade, é que estraga o conjunto: “Burguesa perversa em prosa e bondosa no verso”.


7º “La Belle de Jour”, de João Saramica – 8,5 pts.

O poema ficou muito esquemático, o que lhe tirou a capacidade de arrebatar. A forma aí comprometeu o conteúdo.


8º “A Palavra no Lotação”, de G.D – 8 pts.

Não se pode negar aqui a intenção do poeta de ser criativo, de fugir ao lugar-comum, mas isso não basta para que o poema cative, surpreenda, envolva de fato o leitor. O uso da metalinguagem, nesse caso, não permite que o poema dialogue mais diretamente com o texto de Nelson Rodrigues.


9º “Frágil”, de Manoel Helder – 7,5 pts.

Até o sétimo verso o poema vai bem, sem malabarismos verbais, sem artificialismos. Lembra, até esse trecho, na estrutura e no ritmo, a language poetry. Mas depois se perde numa sucessão de versos que não traduzem nenhuma emoção.


10º “A Morte fecha os olhos”, de Gaspar – 7 pts.

Outro poema a que falta emoção. Não se trata do recurso de usar um tom meloso, exagerado, para levar o leitor às lágrimas. Não é disso que falo aqui, mas sim daquela junção entre linguagem, conteúdo e forma que nos arrebata à primeira leitura, sem que tenhamos necessidade de retornar outras tantas vezes ao poema para encontrar nos seus versos algum sentido ou encanto.

11º “Simples”, de Lune – 6,5 pts.

A fragmentação de palavras, tão bem ajustada na poesia de um e.e.cummings, rouba aqui a fluidez que o poema precisaria para que o tom erótico se adensasse mais, com o objetivo de arrebatar o leitor de um só golpe.


12º “Anjo”, de Nonada F.C. – 6 pts.

O pecado maior aqui é que esse Anjo não nos arrebata. O tom repetitivo, monocórdio, não cria o ritmo necessário para envolver o leitor. São fracas as imagens, sem poder algum de sedução. Faltou lapidar melhor os versos para escapar do lugar-comum de uma imagem como esta: “... sob o fogo/do olhar” ou da facilidade de versos como estes: “anjo torto/morto/sem céu”.



5º PARCIAL (APÓS RANKING DO JURADO GERALDO LIMA):


1º ANNA LISBOA – 137 pts.
2º G.D – 135 pts.
3º ALICE LOBO – 134 pts.
4º MANOEL HELDER – 130 pts.
5º LUNE – 129,5 pts.
6º GASPAR – 128,5 pts.
7º DERSU UZALA – 118 pts.
8º JOÃO SARAMICA – 114 pts.
9º JEAN JACQUES – 110 pts.
10º BAROLO – 109,5 pts.
11º PER-VERSO – 105 pts.
12º NONADA F.C. – 102,5 pts.


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RANKING DA JURADA



MICHELINY VERUNSCHK



(DESPEDIDA)



Micheliny Verunschk nasceu em Recife, Pernambuco. Publicou os livros Geografia Íntima do Deserto (Landy Editora, São Paulo, 2003 (poesia)) e O Observador e o Nada (Edições Bagaço, Pernambuco, 2003 (poesia)). Foi indicada ao Prêmio Portugal Telecom de Literatura em 2004. Entre os 10 finalistas, foi a única mulher, única estreante e também a mais jovem do Prêmio. Tem trabalhos publicados nas revistas Cult, L’Ordinaire Latino American (França), Poesia Sempre, Cacto, Coyote, Oroboro, Vallum: contemporary poetry (Canadá), Rattapalax (EUA), entre outras.





1º “instituto médico legal”, de Dersu Uzala – 12 pts.



Muito bom, um poema narrativo conciso, preciso e leve no sentido dado por Italo Calvino.





2º “O Parto de Maiakovski”, de G.D – 11 pts.



Excelente, apesar do título.





3º “com o oceano inteiro a navegar”, de Alice Lobo – 10,5 pts.



Excelente.





4º “Quando se vai”, de Lune – 10 pts.



Muito bom, ritmo e imagens bem resolvidos e boa conclusão do poema.





5º “A Morte não fecha os olhos”, de Gaspar – 9,5 pts.



Excelente.





6º “Céu de gesso”, de Nonada F.C. – 9 pts.



A meu ver o poema está concluído nos três primeiros versos. O que se segue é acessório.





7º “É o fim!”, de Jean Jacques – 8,5 pts.



Embora o poema seja interessante, o fechamento coloca-o a perder. É necessário saber onde um poema começa. No caso citado, no penúltimo verso.





8º “Terra Virtual”, de João Saramica – 8 pts.



Embora bem elaborado, falta-lhe poeticidade.





9º “Diálogo último”, de Barolo – 7,5 pts.



Um poema com bom ritmo. E só.





10º “Metapoema com adeus e voo”, de Manoel Helder – 7 pts.



Poema metalinguístico tem que ser mais que meramente metalinguístico. Não é o caso.





11º “Teu”, de Anna Lisboa – 6,5 pts.



Poema a que falta poeticidade.





12º “Adeuses Algozes”, de Per-Verso – 6 pts.



Um poema que parece composto de aforismos.




6º PARCIAL (APÓS O RANKING DA JURADA MICHELINY VERUNSCHK):



1º G.D – 146 pts.

2º ALICE LOBO – 144,5 pts.

3º ANNA LISBOA – 143,5 pts.

4º LUNE – 139,5 pts.

5º GASPAR – 138,5 pts.

6º MANOEL HELDER – 137 pts.

7º DERSU UZALA – 130 pts.

8º JOÃO SARAMICA – 122 pts.

9º JEAN JACQUES – 118,5 pts.

10º BAROLO – 117 pts.

11º NONADA F.C. – 111,5 pts.

12º PER-VERSO – 111 pts.


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RANKING DO JURADO



PAULO FODRA



(A DAMA DO LOTAÇÃO)





1º “Simples”, de Lune – 12 pts.



Nesse poema direto e sem rodeios, de ritmo entrecortado e resfolegante, Lune cria a sua versão da fábula rodrigueana com bastante segurança e personalidade. É bem sucedida em falar do conto sem falar dele, criando uma intertextualidade consistente e bastante atraente.



2º “Viúvo é quem morre, traído é quem ama”, de Anna Lisboa – 11 pts.



A poetisa cria um intertexto sem recontar o conto e utilizando sua própria voz. Manteve uma linha mais enxuta, efetiva e contundente.



3º “A Palavra no Lotação”, de G.D – 10,5 pts.



O poeta demonstra muita personalidade ao escrever um poema bastante autoral e inventivo que arremeda o conto de Nelson Rodrigues. O verso “Eu poeta traído, / continuarei deitado, sobre os colchetes.” parece autobiográfico e pode ser lido como uma resposta madura do autor aos jurados. Curioso observar que o autor usou bastante e bem seus recursos estilísticos, mas não há um único colchete no texto.





4º “A Morte fecha os olhos”, de Gaspar – 10 pts.



Gaspar retoma as duas vozes que se alternam para sustentar esse longo poema que periga perder-se na extensão, mas se apresenta pontuado com pérolas belíssimas como “os neurônios se abrem como putas / no embalo viário”.



5º “Frágil”, de Manoel Helder – 9,5 pts.



O poeta lutou bravamente para não ser sufocado pela persona rodrigueana. O poema tem ritmo e estética bem característicos e consonantes com a voz lírica do autor. A última estrofe, no entanto, parece destoar de todo o conjunto e poderia ser suprimida para ampliar o eco do belo verso “Rosário e velório / de vivo (amor / morto)”.





6º “te perdoo por me traíres”, de Dersu Uzala – 9 pts.



O poema tem um começo bastante interessante, criando expectativas no leitor. Termina, porém, de maneira fraca e burocrática.





7º “solange, objetiva e casta”, de Alice Lobo – 8,5 pts.



O poema, apesar de bem construído, ficou muito preso ao enredo do conto, sufocando a voz lírica da poetisa.





8º “La Belle de Jour”, de João Saramica – 8 pts.



A forma que espelha a construção do conto poderia ter condenado o poema a ser apenas um eco deste. Porém, o autor consegue, com bastante personalidade, evitar essa armadilha. Na minha opinião, os dois últimos versos estão sobrando. O poema fecharia muito bem sem eles.







9º “É assim, amor”, de Barolo – 7,5 pts.



Apesar de sucinto, o poema revela uma construção bastante apurada em ritmo e sonoridade. A poetisa teve o mérito de não deixar a lírica “rodrigueana” sufocar sua própria voz.





10º “Anjo”, de Nonada F.C. – 7 pts.



O pecado desse poema não está na concisão, mas na ausência de um percurso definido. Aberto em demasiado, além de falar pouco, pouco diz. Tem como pontos positivos o ritmo e a sonoridade, melhor trabalhados nessa rodada do que nas anteriores.





11º “Do Lugar do Desejo”, de Per-Verso – 6,5 pts.



O poema fica muito paralelo ao conto e não chega a desenvolver suas próprias imagens ou reflexões.





12º “A Dama do Lotação”, de Jean Jacques – 6 pts.



Tirando os dois últimos versos, que recaíram no clichê, o poema expressa bem a dinâmica do conto, evitando ser literal demais apesar de manter-se prosaico.





7º PARCIAL (APÓS O RANKING DO JURADO PAULO FODRA):



1º G.D – 156, 5 pts.

2º ANNA LISBOA – 154,5 pts.

3º ALICE LOBO – 153 pts.

4º LUNE – 151,5 pts.

5º GASPAR – 148 pts.

6º MANOEL HELDER – 146,5 pts.

7º DERSU UZALA – 139 pts.

8º JOÃO SARAMICA – 130 pts.

9º JEAN JACQUES – 125 pts.

10º BAROLO – 124,5 pts.

11º NONADA F.C. – 118,5 pts.

12º PER-VERSO – 117,5 pts.

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RANKING DO JURADO

REYNALDO BESSA

(DESPEDIDA)


Reynaldo Bessa é músico, escritor e poeta. Já lançou cinco cds. Foi gravado pelo grupo IRA e pela cantora Rita Ribeiro. Em 2005 lançou o disco “Com os dentes”. Só com músicas suas sobre poemas de autores brasileiros: de Alphonsus de Guimaraens, passando por Bukowski, Leminski, até Ricardo Corona e Fabricio Carpinejar. Em 2008 lançou seu primeiro livro "Outros Barulhos" (Prêmio Jabuti 2009 - Poesia). Em 2011 lançou seu segundo livro (contos) "Algarobas Urbanas" (Editora Patuá) - Finalista do prêmio Sesc de Literatura 2010 (antes de ser publicado). Em 2012 lançou mais um livro "Não tenho pena do poema" - poemas (Rubra Cartoneira Editorial). Bessa escreve para sites de poesia, literatura e música. Já teve alguns de seus textos (poemas, crônicas, contos) publicados em suplementos literários, revistas especializadas e jornais do Brasil e até do exterior.



1º “A Morte não fecha os olhos”, de Gaspar – 12 pts.

Belo poema. Imagens, metáforas, analogias inventivas, belas. O macro e o micro em poucas palavras. “o infinito na concha da mão da minha tia”; a ligação do particular ao universal. Símbolos e signos bem ordenados. O poema não termina, fica suspenso onde é o seu verdadeiro lugar, o espaço.


2º “O Parto de Maiakovski”, de G.D – 11 pts.

Bom construído, sonoro, tem ritmo, diz, o poema cumpre o seu papel-não-papel. O primeiro verso já é despedida, o último também, porém duas formas criativas e diferentes de se dizer a mesma coisa ou algo completamente diferente; o último verso “Parto” nos deixa a ideia de “despedida” mas, ao mesmo tempo de revolta, desconforto, inquietação e até mesmo de ação...ou mesmo a ideia de ser duplo – ou tentar ser duplo, num momento de divisão, de separação, de partida...ou mesmo re-nascimento.

3º “É o fim!”, de Jean Jacques – 10,5 pts.

Inventivo: aqui a despedida está do avesso, ou melhor, ela não acontece, mas acontece. A forma mais original – que encontrei aqui em todos os poemas - de se falar, se debruçar sobre o tema. O último verso fecha o poema como o estalo do código correto do segredo de cofre.  Nenhuma palavra aqui é usada de forma alheatória. Poesia é isso: tirar muito do pouco, ou até mesmo do nada. Aqui acontece isso.

4º “Céu de gesso”, de Nonada F.C. – 10 pts.

Há inventivas analogias... e o poema segue bem. Há poesia na maioria dos versos, mas em outros ela se esvazia, se perde, vaza, escapa... para voltar em outros versos. A linguagem foi dimensionada, A mimese acontece. Há transfiguração.


5º “Quando se vai”, de Lune – 9,5 pts.

O poema começa bem e termina bem, mas se perde no caminhar. No meio do percurso se utiliza de alguns clichês para tentar dar sustentação, mas o avesso se sobressai. Há fraturas expostas exibindo a fragilidade e a insegurança da estrutura, comprometendo a unidade geral do seu edifício conceitual. Há momentos de vislumbres, mas há também repetições desnecessárias.

6º “Teu”, de Anna Lisboa – 9 pts.

linguagem simples, mas não simplória. O objeto estético  - no caso, o poético - é tocado, ou pelo menos acariciado. A relação de amor e ódio, de apego e desdém, do ter-não-ter, poder-não-poder é  descrita com leveza. Poderia ter sido melhor explorado, melhor cavado, melhor fuçado.

7º “Metapoema com adeus e voo”, de Manoel Helder – 8,5 pts.

O poema, aqui, quer a solução, a resposta... poesia não é resposta é pergunta. O poema aqui quer a explicação, o desfecho... poesia não fecha, flutua, suspende...mas a argamassa é consistente...apenas tenta dizer quando deveria fazer o contrario.

8º “Diálogo último”, de Barolo – 8 pts.

Memória que deixa de ser memória para transfigurar-se, virar símbolos, tornar-se genuína. Simples, mas com os signos bem organizados. Ele utilizou as palavras, as lembranças, a memória como: bens que não morrem. Na poltrona do avô
na mesa da mãe
nos livros do pai
que mal conheceu.


9º “Terra Virtual”, de João Saramica – 7,5 pts.

é um poema bem construído, há belos versos, Vai no caminho contrario ao da despedida, mas ainda despedida, cumpre, porém, - não por ser um poema tipicamente regional - mas sim, por não haver originalidade. Esta maneira de se dizer uma determinada coisa já foi demasiadamente e, muito bem, visitada.


10º “instituto médico legal”, de Dersu Uzala – 7 pts.

O título é bom, mas o poema é explicativo demais. Explica o que já foi explicado em versos anteriores, repete. Aqui a partida é narrada como aconteceu e não como poderia ter acontecido. Poderia ser mais poema, mais poesia, mas é quase uma notícia.


11º “com o oceano inteiro a navegar”, de Alice Lobo – 6,5 pts.

Fraco: artifícios saturados, símbolos desbotados. Há alguns versos notáveis, talvez dois, como este, por exemplo: me despeço como quem afia as garras, mas é só.


12º “Adeuses Algozes”, de Per-Verso – 6 pts.

Construção simplória, metáforas batidas, saturadas, aqui a partida não foi recriada e sim contada, provavelmente diminuída. Não há mimese, recriação, transfiguração, mas uma cópia ruim do que aconteceu. Versos confusos, sem clareza.

8º PARCIAL (APÓS O RANKING DO JURADO REYNALDO BESSA):


1º G.D – 167,5 pts.
2º ANNA LISBOA – 163,5 pts.
3º LUNE – 161 pts.
4º GASPAR – 160 pts.
5º ALICE LOBO – 159,5 pts.
6º MANOEL HELDER – 155 pts.
7º DERSU UZALA – 146 pts.
8º JOÃO SARAMICA – 137,5 pts.
9º JEAN JACQUES – 135,5 pts.
10º BAROLO – 132,5 pts.
11º NONADA F.C. – 128,5 pts.
12º PER-VERSO – 123,5 pts.


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RANKING DO JURADO

HOMERO GOMES

(A DAMA DO LOTAÇÃO)

*O jurado já participou em outras etapas do Concurso.

1º “solange, objetiva e casta”, de Alice Lobo – 12 pts.

Bons versos, texto bem pautado, cada coisa no lugar. Falta talvez o “pulo do gato”, o que saltaria aos olhos, espantasse o comum.

2º “A Morte fecha os olhos”, de Gaspar – 11 pts.

Ótimos versos, texto bem ritmado. Faltou, infelizmente, encontrar o momento de fechar o poema de talvez tenha escorrido por muitos mais versos do que o necessário.

3º “Simples”, de Lune – 10,5 pts.

Ritmo bom o desse poema. Porém não surpreende com imagens e trocas entre sentidos e inversões de significados, o que poderia ter sido interessante.

4º “Anjo”, de Nonada F.C. – 10 pts.

Ritmo bom o desse poema, infelizmente não acabou momento certo, se é que existe um. Talvez o que faltasse fosse um fecho mais intenso, em ritmo e imagens, o que não ocorreu.

5º “Do Lugar do Desejo”, de Per-Verso – 9,5 pts.

Ficou bom o resultado. Intertextualidade bem às claras. Disse o que precisava, com um ritmo bom, mas faltou mais trabalho com relação entre imagens e, talvez, as sinestésicas, o que acredito ser importante.

6º “te perdoo por me traíres”, de Dersu Uzala – 9 pts.

Bons versos, mas não ficou bem construída a relação deste poema com o conto Dama do Lotação. Faltou enredar melhor uma coisa na outra.

7º “Frágil”, de Manoel Helder – 8,5 pts.

O ritmo é inebriante, mas o final ofuscou o que poderia ter sido um ótimo texto, com uma batida interessante e jogos de sentidos inteligentes. “Coração SOS – Cuidado!” parece letra do tal sertanejo universitário, não dá. Imperdoável.


8º “La Belle de Jour”, de João Saramica – 8 pts.

Não me alcançou. Faltou desenvolvê-lo mais, textualmente e tematicamente. Como começo, caminha, mas não como texto fechado. Tudo é lacuna.


9º “É assim, amor”, de Barolo – 7,5 pts.

Começou aplicando mal uma frase que já virou clichê: “Dou o que é meu”. As rimas são frágeis e muito simplórias, não houve esforço na construção desse texto.

10º “A Dama do Lotação”, de Jean Jacques – 7 pts.

Poema regular e com péssima conclusão. Colocou ‘dama’, ‘puta’ e ‘mulher’ na mesma categoria. Chega a ser ofensivo, mesmo que não fosse essa intensão.


11º “Viúvo é quem morre, traído é quem ama”, de Anna Lisboa – 6,5 pts.

Sou da seguinte opinião, se a intensão é seguir as formas fixas, que se faça como deve ser feito, seguindo todos pormenores. Este poema foi construído com estrofes e rimas, mas apenas isso, não há respeito por uma escolha coerente de sílabas melódicas nos versos, cada um vai por um caminho. Além disso, a escolha da estrutura de rima não é usada no final, onde o poema é concluído sem rimas nem ritmo algum.

12º “A Palavra no Lotação”, de G.D – 6 pts.

Muito bom o texto, mas não se trata de poema. É conto, a despeito de ter sido organizado em versos, mas isso não caracteriza o gênero.


9º PARCIAL (APÓS O RANKING DO JURADO HOMERO GOMES):


1º G.D – 173,5 pts.
2º ALICE LOBO – 171,5 pts.
3º LUNE – 171,5 pts.
4º GASPAR – 171 pts.
5º ANNA LISBOA – 170 pts.
6º MANOEL HELDER – 163,5 pts.
7º DERSU UZALA – 155 pts.
8º JOÃO SARAMICA – 145,5 pts.
9º JEAN JACQUES – 142,5 pts.
10º BAROLO – 140 pts.
11º NONADA F.C. – 138,5 pts.
12º PER-VERSO – 133 pts.



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RANKING DA JURADA

TÂNIA TIBURZIO

(DESPEDIDA)



1º “Quando se vai”, de Lune – 12 pts.

Maravilhoso! Adorei o ritmo, a simplicidade e beleza dos versos. Tocante.



2º “O Parto de Maiakovski”, de G.D – 11 pts.


Gostei! Sempre acho um pouco confuso os poemas deste autor, mas este me pegou pelas palavras. Texto leve, bom de ler, quase divertido. Parabéns!



3º “Diálogo último”, de Barolo – 10,5 pts.

Foi o poema que mais me tocou, muito bonito. Gosto da construção do poema.


4º “Adeuses Algozes”, de Per-Verso – 10 pts.

Muito bom! Poema é bom apesar de algumas ideias “batidas”. Gosto da construção do poema.


5º “com o oceano inteiro a navegar”, de Alice Lobo – 9,5 pts.

Gostei da abordagem do tema. Texto divertido e muito bonito.


6º “Metapoema com adeus e voo”, de Manoel Helder – 9 pts.

Lindo! Belo texto de despedida em um concurso de poesias. Bom ritmo, boa construção.




7º “Teu”, de Anna Lisboa – 8,5 pts.

Poema interessante. Boa a abordagem escolhida para o tema. Anna Lisboa mais uma vez demonstra seu vigoroso estilo.




8º “Céu de gesso”, de Nonada F.C. – 8 pts.

Achei o texto pobre, o autor poderia ter feito um texto mais bem elaborado. Sei que tem condições para isso.




9º “A Morte não fecha os olhos”, de Gaspar – 7,5 pts.

O poema é bonito e bem construído, mas faltou algo, talvez uma pitada maior de sentimento.


10º “Terra Virtual”, de João Saramica – 7 pts.

Muito bonito, gostei do som, do ar de memória.




11º “instituto médico legal”, de Dersu Uzala – 6,5 pts.

Poema sem grandes surpresas, abordagem do tema muito banal.



12º “É o fim!”, de Jean Jacques – 6 pts.

Foi o poema deste autor que menos me agradou. Sei que ele poderia fazer bem melhor. Não gosto da abordagem do tema.



10º PARCIAL (APÓS O RANKING DA JURADA TÂNIA TIBURZIO):


1º G.D – 184,5 pts.
2º LUNE – 183,5 pts.
3º ALICE LOBO – 181 pts.
4º GASPAR – 178,5 pts.
5º ANNA LISBOA – 178,5 pts.
6º MANOEL HELDER – 172,5 pts.
7º DERSU UZALA – 161,5 pts.
8º JOÃO SARAMICA -  152,5 pts.
9º BAROLO – 150,5 pts.
10º JEAN JACQUES – 148,5 pts.
11º NONADA F.C. -  146,5 pts.
12º PER-VERSO – 143 pts.


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RANKING DO JURADO

MARCELO MOTT

(A DAMA DO LOTAÇÃO)




Marcelo Mott nasceu em Jaú, em 31/03/1967. Formado em Letras. Mestre e Doutor em Teoria e História Literária pela UNICAMP, com dissertação sobre a dramaturgia de Nelson Rodrigues e tese sobre as relações entre o cineasta italiano Luchino Visconti e o escritor francês Marcel Proust (A CONSTELAÇÃO PROUST-VISCONTI). Professor universitário.



1º “Do Lugar do Desejo”, de Per-Verso – 12 pts.

Apesar de um pouco prosaico, gostei, pois vejo no poema o universo de Nelson Rodrigues. Também pela linguagem, que não busca uma sofisticação que soaria falsa ao mesmo universo.



2º “La Belle de Jour”, de João Saramica – 11 pts.

Interessante subdivisão temática, um pouco como o próprio conto. Poesia sintética e crua (aqui como qualidade).



3º “Dama do Lotação”, de Jean Jacques – 10,5 pts.

Possui qualidade poética. Apenas um tom acima de Nelson Rodrigues, quero dizer, algumas imagens, belas, como “suba no balé dos meus quadris”, soam um pouco deslocadas do universo do autor.

4º “Viúvo é quem morre, traído é quem ama”, de Anna Lisboa – 10 pts.

Achei bastante inspirado. Apesar do contexto carioca ligado a Nelson Rodrigues, o tratamento da 2ª pessoa singular remete a uma forma “colegial” de poesia, quero dizer, a uma ideia de que quando se trata de poesia, é ‘mais poético’ tal tratamento (é apenas uma observação pessoal). Gostei do poema


5º “solange, objetiva e casta”, de Alice Lobo – 9,5 pts.

Interessante recriação do conto em forma poética.


6º “Frágil”, de Manoel Helder – 9 pts.

Interessante. Não gostei do coração SOS (Meio forçado).

7º “Simples”, de Lune – 8,5 pts.

Erotismo comprometido pelos jogos de palavras entre os parênteses. Achei vaga(bunda) ou casta(a)idade diminuem um pouco a poesia do texto.


8º “A Morte fecha os olhos”, de Gaspar – 8 pts.

Interessante, imagens complexas. Não entendi a alternância de fontes tipográficas.


9º “A Palavra no Lotação”, de G.D – 7,5 pts.

Concepção interessante. Em alguns momentos tive a impressão de que a “necessidade” de trabalhar no registro metalinguístico deixa o texto um pouco forçado.


10º “te perdoo por me traíres”, de Dersu Uzala – 7 pts.

Gostei. Bom casamento entre linguagem e imagens.


11º “Anjo”, de Nonada F.C. – 6,5 pts.

Bom poema. Não consegui sentir Nelson Rodrigues. É a minha única ressalva.


12º “É assim, amor”, de Barolo – 6 pts.

Achei um tanto simplista e pouco inspirado.



11º PARCIAL (APÓS O RANKING DO JURADO MARCELO MOTT):


1º ALICE LOBO – 192,5 pts.
2º LUNE – 192 pts.
3º G.D – 192 pts.
4º ANNA LISBOA – 188,5 pts.
5º GASPAR – 186,5 pts.
6º MANOEL HELDER – 181,5 pts.
7º DERSU UZALA – 168,5 pts.
8º JOÃO SARAMICA – 163,5 pts.
9º JEAN JACQUES – 159 pts.
10º BAROLO – 156,5 pts.
11º PER-VERSO – 155 pts.
12º NONADA F.C. – 153 pts.
  
&


RANKING DO JURADO:

JORGE TUFIC

(DESPEDIDA)


Jorge Tufic nasceu no Acre, em 1930. Iniciou sua educação em sua cidade de origem, transferindo-se posteriormente para Manaus, onde concluiu os estudos. Em 1976, foi agraciado com o diploma "O poeta do ano", prêmio concedido pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Amazonas, em reconhecimento à sua vasta e intensa atividade literária. Tem seu nome inserido em várias antologias, entre as quais se destacam "A Nova Poesia Brasileira", organizada em Portugal por Alberto da Costa e Silva, e "A novíssima Poesia Brasileira", que Walmir Ayala lançou na Livraria São José, no Rio de Janeiro, em 1965. É sócio-fundador da Academia Internacional Pré-Andina de Letras, com sede em Tabatinga, no estado do Amazonas. Fez várias conferências literárias e é membro efetivo de algumas entidades culturais, tais como: Clube da Madrugada, Academia Amazonense de Letras, União Brasileira de Escritores (Seção do Amazonas) e Conselho Estadual de Cultura. Pertenceu à equipe da página artística do Clube da Madrugada, "O Jornal" e do "Jornal da Cultura", da Fundação Cultura do Amazonas. Colabora em vários órgãos de imprensa, com especialidade no Suplemento Literário de Minas Gerais. Jorge Tufic é o autor da letra do Hino do Amazonas, contemplado que foi com o primeiro lugar em concurso nacional promovido pelo governo daquele Estado.


1º “instituto médico legal”, de Dersu Uzala – 12 pts.

O tom soturno que embala a melodia desse poema deixa uma ponta de angústia na alma do leitor. O título também foi uma boa sacada.

2º “Terra Virtual”, de João Saramica – 11 pts.

Poetizar memórias é sempre um risco, mas aqui o poeta calcou muito bem cada imagem, os “acenos das bananeiras” e um final que deixa um gosto de saudade na boca.

3º “Céu de gesso”, de Nonada F.C. – 10,5 pts.

Poema com imagens esplêndidas. A primeira estrofe já faz ganhar o leitor; uma “caricatura da morte”.


4º “Diálogo último”, de Barolo – 10 pts.

É sempre assim, a crônica das vidas crônicas: a idolatria pelo material e o que vale mais no fim de uma vida é o que ela deixa pra herança. Muito bom, poeta, muito bom.

5º “com o oceano inteiro a navegar”, de Alice Lobo – 9,5 pts.

O poema todo é de uma lindeza só. O final arrebata feito onda. Lembrei-me das velhas despedidas cujas chamas lacrimais permanecem acesas em meu peito marítimo...

6º “Teu”, de Anna Lisboa – 9 pts.

“...ejaculando nas coxas o que a saudade me tomou” é a imagem do poema. Deu pra sentir a dor desse amor despedido por injusta causa.

7º “A Morte não fecha os olhos”, de Gaspar – 8,5 pts.

A vigília e a imagem da tia em seu leito de morte são imagens poderosas. Careceu por vezes de metáforas menos subjetivas e deslocadas.

8º “Quando se vai”, de Lune – 8 pts.

“Escuta esse grito!” Não grite, poeta, não grite. Fale baixinho, fale ao coração. Apare os vocativos que não são vocações. Evoque a alma do leitor à espreita do abismo. No todo é um poema forte, mas carece da mão um pouco menos pesada.

9º“É o fim!”, de Jean Jacques – 7,5 pts.

O poema no todo tem lá suas qualidades, mas me deparei com imagens já recorrentes, cheiros já exalados como “ótica da ilusão”, uma inversão que já cheirou a novo faz tempo. Gostei de “vaga-lumes disfarçados de estrelas”.



10º “Metapoema com adeus e voo”, de Manoel Helder – 7 pts.

Cada verso uma imagem que marca e provoca fagulhas no peito. Careceu dar mais abertura ao “adeus” intitulado – a temática. Metalinguisticamente, é o melhor.


11º “Parto de Maiakovski”, de G.D – 6,5 pts.

Não sou lá muito afeito a poesia concreta, mas não desprezo. Vi imagens caóticas, pouco tratadas (retrato da nossa realidade?). O poeta carece re-trabalhar mais sua estilística.

12° “Adeuses algozes”, de Per-Verso – 6 pts.

O título é bom, mas o poema tem imagens deslocadas. Carece de pitadas coesivas, um enlace mais atraente.


12º PARCIAL (APÓS O RANKING DO JURADO JORGE TUFIC):

1º ALICE LOBO – 202 pts.
2º LUNE – 200 pts.
3º G.D – 198,5 pts.
4º ANNA LISBOA – 197,5 pts.
5º GASPAR – 195 pts.
6º MANOEL HELDER – 188,5 pts.
7º DERSU UZALA – 180,5 pts.
8º JOÃO SARAMICA – 174,5 pts.
9º BAROLO – 166,5 pts.
10º JEAN JACQUES – 166,5 pts.
11º NONADA F.C. – 163,5 pts.
12º PER-VERSO – 161 pts.

&


RANKING DO JURADO:

IZACYL GUIMARÃES FERREIRA

(A DAMA DO LOTAÇÃO)

Izacyl Guimarães Ferreira foi Presidente do Conselho Consultivo e Fiscal da UBE. É formado em Direito, Letras, Biblioteconomia e em Marketing, tendo sido considerado “special student” na New York University, em 1958. Com o livro “E vou e vamos, águas emendadas”( Scortecci, São Paulo, 1998) foi finalista do Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro. Recebeu o Prêmio ABL de Poesia pelo livro “Discurso Urbano”, em 2007. Atua como professor e já publicou diversos outros livros e antologias.



1º “te perdoo por me traíres”, de Dersu Uzala – 12 pts.

O melhor da série, porque bem construído e mostre emoção.


2º “A Palavra no Lotação”, de G.D – 11 pts.

A preocupação formal prejudica um texto interessante.


3º “Anjo”, de Nonada F.C. – 10,5 pts.

Breve demais, não chega lá.


4º “A Morte fecha os olhos”, de Gaspar – 10 pts.

Bem construído, mas formalista, com divisões e grafismos simplórios.


5º “É assim, amor”, de Barolo – 9,5 pts.

Razoável, tem ritmo, mas falta emoção.


6º “La Belle de Jour”, de João Saramica – 9 pts.

Bem pensado, mas se perde na construção fria.


7º “solange, objetiva e casta”, de Alice Lobo – 8,5 pts.

Sabe fazer, mas quase se perde buscando demais ser original.


8º “Viúvo é quem morre, traído é quem ama”, de Anna Lisboa – 8 pts.

A preocupação formal insegura não salva um texto interessante.


9º “Simples”, de Lune – 7,5 pts.

Poderia ser bom, mas estes parênteses inúteis atrapalham.


10º “Do Lugar do Desejo”, de Per-Verso – 7 pts.

Prosa, versificação insegura.


11º “A Dama do Lotação”, de Jean Jacques – 6,5 pts.

Fraco. Começa promissor, mas se perde.


12º “Frágil”, de Manoel Helder – 6 pts.

Talvez o mais fraco.


13º PARCIAL (APÓS O RANKING DO JURADO IZACYL GUIMARÃES):


1º ALICE LOBO – 210,5 pts.
2º G.D – 209,5 pts.
3º LUNE – 207,5 pts.
4º ANNA LISBOA – 205,5 pts.
5º GASPAR – 205 pts.
6º MANOEL HELDER – 194,5 pts.
7º DERSU UZALA – 192,5 pts.
8º JOÃO SARAMICA – 183,5 pts.
9º BAROLO – 176 pts.
10º NONADA F.C. – 174 pts.
11º JEAN JACQUES – 173 pts.
12º PER-VERSO – 168 pts.


&


RANKING DO JURADO

NONATO GURGEL

(DESPEDIDA)

*O jurado já participou em uma das etapas Finais do Concurso.

1º “com o oceano inteiro a navegar”, de Alice Lobo - 12 pts.

O título convida o leitor a navegar no mesmo mar singrado pelo eu poético, cuja voz erige e ameaça mesmo quando “repetida”; pelo que sugere de diferença.


2º “instituto médico legal”, de Dersu Uzala – 11 pts.

Curto a modernidade desta poética irônica anunciada no título do poema, na inscrição das letras minúsculas, na presença dos versos curtos e fragmentados. Versos como “em silêncio invadiu o quarto/ com a pressa dos desesperados” atestam o vigor deste autor que possui na concisão, no corte e na exatidão o seu lume.


3º “Adeuses Algozes”, de Per-Verso – 10,5 pts.

Soa-me bem o eco deste futuro do pretérito no primeiro verso: “O bom deveria ficar soando para sempre”. Ouço o bom soando principalmente nos versos finais: “Nos desfazemos em histórias mal contadas/ As memórias borboleteiam sem pousar no sólido”.


4º “Diálogo último”, de Barolo – 10 pts.

Bom poema sintético, preciso. Sem delírios verborrágicos. Creio que a retirada dos três “tão” no verso final tornaria o verso mais “cru, triste e só”.


5º “Teu”, de Anna Lisboa – 9,5 pts.

Ouço um eu poético que anuncia frutos, mas creio que a sintonia entre o tema proposto, o título e a construção final do poema poderiam sugerir mais.



6º “Céu de gesso”, de Nonada F.C. – 9 pts.

A forma do poema anuncia o quanto de concisão e corte sedimenta a poética deste autor. O seu domínio formal é visível. Mas, como o tema proposto não ajuda muito, parece que a imagem de “uma flor enferrujada”, no primeiro verso, também não é boa para guardar (na memória). Cheio de outra flor faz falta.


7º “A Morte não fecha os olhos”, de Gaspar – 8,5 pts.

O poema oscila. Apresenta alguns bons momentos e outros menos. Quando leio “lambendo o frêmito do sopro” não lembro da poesia hoje.


8º “Metapoema com adeus e voo”, de Manoel Helder – 8 pts.

De Drummond a Leminski, o poeta dialoga com a nossa melhor tradição moderna e contemporânea. A ideia do poema é exímia. Faltou lapidar melhor a forma. Por não trabalhar a linguagem e os seus efeitos significantes, algumas imagens e figurações podem parecer meio over.


9º “Terra Virtual”, de João Saramica – 7,5 pts.

Não sei se cumprir, na segunda estrofe, é um bom verbo neste contexto estético. Mas gosto do final do poema e da eficácia poética dos versos “bananeiras tolas acenaram-me/ e, sem saudades, vim-me embora.”



10º “Quando se vai”, de Lune – 7 pts.

Gosto da forma do poema e da voz poética que ecoa com firmeza, mas sinto falta de foco no recorte do tema.


11º “O Parto de Maiakovski”, de G.D – 6,5 pts.

Gosto do início e do final do poema, mas creio ser o colchete mais rentável na linguagem científica e na matemática. No poema, colchete prende. Lembra cancela.


12º “É o fim!”, de Jean Jacques – 6 pts.

“É o fim”. Este título é ótimo, assim como o verso final. Já “Artistas vomitaram arte” não é um bom verso.

14º PARCIAL (APÓS O RANKING DO JURADO NONATO GURGEL):

1º ALICE LOBO – 222,5 pts.
2º G.D – 216 pts.
3º ANNA LISBOA – 215 pts.
4º LUNE – 214,5 pts.
5º GASPAR – 213,5 pts.
6º DERSU UZALA – 203,5 pts.
7º MANOEL HELDER – 202,5 pts.
8º JOÃO SARAMICA - 191 pts.
 9º BAROLO – 186 pts.
10º NONADA F.C. – 183 pts.
11º JEAN JACQUES – 179 pts.
12º PER-VERSO – 178,5 pts.

&


RANKING DO JURADO

DONNY CORREIA

Donny Correia, poeta e cineasta, é formado em Letras – tradutor e intérprete pelo Centro Universitário Ibero-Americano (Unibero) e mestrando em Estética e História da Arte pela USP. Realizou os curtas experimentais Anatomy of decay, Braineraser e Totem, este selecionado para a 34ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e Prêmio Canal Brasil. Publicou os livros de poesia O eco do espelho (do autor, 2005) e Balletmanco (Annablume, 2009). É gerente de programação da Casa Guilherme de Almeida.

1º “A Palavra no Lotação”, de G.D – 12 pts.

Esse sim captou o espírito e “dançou” com o original! Para mim é o melhor!


2º “Simples”, de Lune – 11 pts.

Boa relação entre rimas toantes, ritmo bem conduzido e discurso bom.


3º “La Belle de Jour”, de João Saramica – 10,5 pts.

Comparação boa com a bela da tarde e um conteúdo de estranhamento interessante.


4º “Frágil”, de Manoel Helder – 10 pts.

Muito bem construído ritmicamente.


5º “A Morte fecha os olhos”, de Gaspar – 9,5 pts.

Longo demais e se perde cá e acolá.


6º “Viúvo é quem morre, traído é quem ama”, de Anna Lisboa – 9 pts.

Longo e vazio.



7º “solange, objetiva e casta”, de Alice Lobo – 8,5 pts.

Prosaico. Destoa do tema.


8º “É assim, amor”, de Barolo – 8 pts.

Sonoridade interessante, mas fraco.


9º “A Dama do Lotação”, de Jean Jacques – 7,5 pts.

Bom. Com boa dicção feminina do eu-lírico, mas um pouco ingênuo e óbvio.


10º “te perdoo por me traíres”, de Dersu Uzala – 7 pts.


Chato e discursivo demais.


11º “Do Lugar do Desejo”, de Per-Verso – 6,5 pts.

Prosaico e vazio.


12º “Anjo”, de Nonada F.C. – 6 pts.

Vazio e óbvio.

15º PARCIAL (APÓS O RANKING DO JURADO DONNY CORREIA):

1º ALICE LOBO – 231 pts.
2º G.D – 228 pts.
3º LUNE – 225,5 pts.
4º ANNA LISBOA – 224 pts.
5º GASPAR – 223 pts.
6º MANOEL HELDER – 212,5 pts.
7º DERSU UZALA – 210,5 pts.
8º JOÃO SARAMICA – 201,5 pts.
9º BAROLO – 194 pts.
10º NONADA F.C. – 189 pts.
11º JEAN JACQUES – 186,5 pts.
12º PER-VERSO – 185 pts.

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RANKING DO JURADO

SALGADO MARANHÃO

(DESPEDIDA)

José Salgado Santos (Salgado Maranhão) é letrista. Poeta. Nasceu em Caxias, no Maranhão, em 1954. Ainda adolescente, mudou-se com os irmãos e a mãe para Teresina. Escreveu artigos para um jornal local e conheceu Torquato Neto, que o incentivou a ir para o Rio de Janeiro, o que fez no ano de 1972. Estudou Comunicação na Pontifícia Universidade Católica (PUC). Terapeuta corporal, foi professor de tai chi chuan e mestre em shiatsu. Inicialmente, teve seu nome vinculado em publicações como "Ebulição da escrivatura -Treze poetas impossíveis" (Ed. Civilização Brasileira, 1978, RJ), coletânea que reuniu diversos poetas, como Sergio Natureza (assinando Sérgio Varela), Antônio Carlos Miguel (sob o pseudônimo de Antônio Caos), Éle Semog, Mário Atayde, Tetê Catalão, entre outros. Publicou poemas e artigos na revista "Encontro com a Civilização Brasileira" (1978). Nos anos seguintes, publicou: "Aboio" (cordel/ Ed. Corisco -Teresina - 1984), "Punhos da serpente" (poesia/ Ed. Achiamé, RJ, 1989), "Palávora" (poesia - Ed. Sette Letras, RJ, 1995), "O beijo da fera" (poesia - Ed. Sette Letras, RJ, 1996) e "Mural de ventos" (poesia - Ed. José Olympio, RJ, 1998). Em 1998, ganhou o prêmio "Ribeiro Couto", da União Brasileira dos Escritores (UBE), com o livro "O beijo da fera". No ano seguinte, com o livro "Mural de ventos", foi o vencedor do "Prêmio Jabuti", da Câmara Brasileira do Livro, dividido com Haroldo de Campos e Geraldo Mello Mourão. Colaborou em várias publicações com artigos e poemas, como a revista "Música do Planeta Terra". Sobre ele, declarou seu conterrâneo Ferreira Gullar: "Salgado é um dos mais brilhantes poetas de sua geração e possui um trabalho de linguagem muito especial".


1º “Diálogo último”, de Barolo – 12 pts.

Quero pedir desculpas aos poetas por não poder premiá-los a todos, eu próprio não gosto do critério de se valorar um poema por esse tipo de classificação, porque, depois de um certo nível de qualidade dos concorrentes, qualquer um pode ser o primeiro. Mas, como tem que haver critério, vamos a ele. Neste caso, para mim, este é o primeiro lugar; pela sua concisão e clareza. E, sobretudo, pela sua capacidade de se manter no tema, transcendendo-o.

2º “Céu de gesso”, de Nonada F.C. – 11 pts.

Este poema, para mim, vale o segundo lugar, pela sua harmonia e concisão, e por ter respeitado a o tema, desenvolvendo-o com perfeito domínio da linguagem. Infelizmente, precisamos respeitar o critério de classificação.


3º “Quando se vai”, de Lune – 10,5 pts.

O nível dos poemas é bastante alto e sofro em não poder botá-los todos em primeiro lugar. Este, por exemplo, reflete um poeta irrequieto, arrojado, do jeito que estamos precisando num tempo de poéticas tão comportadas e previsíveis.


4º “Terra Virtual”, de João Saramica – 10 pts.

Este poema é belíssimo, cheio de palavras próprias, inaugurais, do jeito que esperamos encontrar num novo poeta.

5º “Teu”, de Anna Lisboa – 9,5 pts.

Este poema, embora terminando de forma graficamente inventiva, eu o ponho em quinto devido a alguns breves lugares comuns. Mas, vê-se que se trata de um poeta de refinada percepção das palavras.


6º “instituto médico legal”, de Dersu Uzala – 9 pts.

Este fica com o sexto, porque, embora bem escrito, de um modo geral, dá ao leitor o final antes do fim.

7º “Metapoema com adeus e voo”, de Manoel Helder – 8,5 pts.

É profundamente alentador perceber, neste poeta, a consciência da arte do verso. O ideal seria que se fizesse um concurso premiando os 12 melhores.

8º “O Parto de Maiakovski”, de G.D – 8 pts.

É sempre bom homenagear o grande poeta russo, mas já se fez muita coisa nesse estilo.

9º “com o oceano inteiro a navegar”, de Alice Lobo – 7,5 pts.

Embora cheio de pena de não ter muitos primeiros e um segundos lugares, darei o nono lugar para este belo poema, que nos prende pela sua força verbal carregada de sentimentos.

10º “A Morte não fecha os olhos”, de Gaspar – 7 pts.

Este é o décimo, que, embora muito bom, comparativamente aos outros, precisa ser um pouquinho mais trabalhado.

11º “É o fim!”, de Jean Jacques – 6,5 pts.

As homenagens aos grandes poetas e ícones, em geral, são arriscadas, se não se faz algo à altura do que foram.

12º “Adeuses Algozes”, de Per-Verso – 6 pts.

Belo poema, no poder de síntese e construção imagética.


15º PARCIAL (APÓS O RANKING DO JURADO SALGADO MARANHÃO):

1º ALICE LOBO – 238,5 pts.
2º LUNE – 236 pts.
3º G.D – 236 pts.
4º ANNA LISBOA – 233,5 pts.
5º GASPAR – 230 pts.
6º MANOEL HELDER – 221 pts.
7º DERSU UZALA – 219,5 pts.
8º JOÃO SARAMICA – 211,5 pts.
9º BAROLO – 206 pts.
10º NONADA F.C. – 200 pts.
11º JEAN JACQUES – 193 pts.
12º PER-VERSO – 191 pts.
ATENÇÃO, POETAS:
FALTA APENAS 1  RANKING PARA O ANÚNCIO DO GRANDE VENCEDOR. LEMBRE-SE, POETA: EM CASO DE EMPATE, HÁ DE SER CONSIDERADA A ETAPA ''CINEMA'', E SUAS RESPECTIVAS COLOCAÇÕES FINAIS PARA DESEMPATE, CONFORME JÁ FORA DITO ANTERIORMENTE NO POST.


O ÚLTIMO RANKING FOI DEFINIDO PELO CRÍTICO E ENSAÍSTA ANDRÉ SEFFRIN COM A TEMÁTICA: "DESPEDIDA".






PREMIAÇÃO-EXTRA DO II CONCURSO DE POESIA AUTORES S/A – OS MELHORES DA EDIÇÃO


MELHOR POEMA:

“sonhos de Kurosawa”
(Dersu Uzala)


MELHOR TÍTULO:

“Silêncio de Claquete: Parte Saraceni”
(Manoel Helder)


MELHOR INTERTEXTUALIDADE:

“Tinta”
(Barolo)


MELHOR CRIATIVIDADE:

“Frações e outras partes”
(Anna Lisboa)


MELHOR ESTROFE:

“o insuperável  sabor do voo
num banco duro – o coração
esquece que é matéria
e sonha ...”
(“Aulas Mortas”, de Gaspar)


MELHOR VERSO:

“o amor, Ulisses, é só um estremecimento do azul.”
(“ulisses,”, de Alice Lobo)


MELHOR ARREMATE FINAL:

“O cartaz da manifestação dizia:
Elas estão nuas
   E cobertas de razão”
(“(In)vadia”, de G.D)

 &



PARABÉNS A TODOS OS VENCEDORES!





RANKING DO JURADO

ANDRÉ SEFFRIN

(DESPEDIDA)



André Seffrin é crítico, ensaísta e pesquisador independente. Nasceu em Júlio de Castilhos (RS) e reside no Rio de Janeiro desde 1987. Atuou em jornais e revistas, com passagens por Última Hora, Jornal do Brasil, Jornal da Tarde, O Globo, Manchete, Gazeta Mercantil, EntreLivros, etc. Escreveu dezenas de apresentações e prefácios para edições de autores brasileiros, entre clássicos e contemporâneos, e perfis biográficos de artistas plásticos brasileiros para edições especiais patrocinadas. Coordenou várias edições de clássicos de nossa poesia e prosa e organizou cerca de 20 livros, entre os quais Inácio, O enfeitiçado e Baltazar, de Lúcio Cardoso (Civilização Brasileira, 2002), Contos e novelas reunidos, de Samuel Rawet (Civilização Brasileira, 2004), Alberto da Costa e Silva: melhores poemas (Global, 2007), Roteiro da poesia brasileira: anos 50 (Global, 2007), Poesia completa e prosa, de Manuel Bandeira (Nova Aguilar, 2009), e Hélio Pólvora: melhores contos (Global, 2011).

“Nota 10 mereceria o poema perfeito, se é que existem poemas perfeitos. Cada leitor reconhece ou se reconhece neste ou naquele poema, e nem todo poema ou poeta que temos como importantes podem encantar e agradar todos os leitores. Uma suposta nota 10 mereceria o poema que tem o poder de nos encantar e transformar, surpreender e até assustar. Porque o que vale quase sempre em arte é a revelação do imprevisto, daquilo que desconhecemos ou não aceitamos, prisioneiros que estamos sempre aos preconceitos e estereótipos que a vida nos impõe. A poesia que me encanta é aquela que me coloca cara a cara com o desconhecido, com o mistério de existir, a que desprograma tudo que sei e tenho como certo”. – André Seffrin.


1º “com o oceano inteiro a navegar”, de Alice Lobo  - 12 pts.

Bom domínio da matéria e do ritmo. Alcança o que poucos alcançaram, isto é, uma excelente capacidade de articulação do verso, uma boa cadência rítmica, um domínio de quem conhece o ofício. Destaca-se no conjunto.

2º “A Morte não fecha os olhos”, de Gaspar – 11 pts.

Boas imagens, boa retórica, certa harmonia rítmica, mas ganharia mais se buscasse a simplicidade, um jogo mais aberto, sem medo de se expor.


3º “Terra Virtual”, de João Saramica – 10,5 pts.

Bom, sobretudo em certas imagens e soluções imprevistas, embora por vezes um pouco forçado. Melhor evitar expressões como “bananeiras tolas”.


4º “Quando se vai”, de Lune – 10 pts.

Embora não alcance o ritmo desejado e apesar da diluição dos últimos versos, tem bom domínio da matéria. Merece atenção.


5º “Diálogo último”, de Barolo – 9,5 pts.

Fidelidade ao tema, certa objetividade melancólica. Merece atenção, apesar da debilidade de certas soluções, a exemplo do último verso do penúltimo quarteto.



6º “Adeuses Algozes”, de Per-Verso – 9 pts.

Embora previsível, um tanto desarticulado e pouco inventivo, mantém fidelidade ao tema.


7º “Céu de gesso”, de Nonada F.C. – 8,5 pts.

Há certo exagero operístico em expressões como “enquanto se avoluma a solidão”, ou “girando no relógio etéreo de minha vida”. Mas, apesar do preciosismo, guarda algum mistério. É quase bom.


8º “O Parto de Maiakovski”, de G.D – 8 pts.

Jogo de palavras e certo preciosismo que não alcançam o efeito desejado.


9º “É o fim!”, de Jean Jacques – 7,5 pts.

Prosaico, apesar dos pretendidos efeitos e boas intenções.


10º “instituto médico legal”, de Dersu Uzala – 7 pts.

Prosa desfibrada disposta em versos.


11º “Metapoema com adeus e voo”, de Manoel Helder – 6,5 pts.

Um tanto hiperbólico, mas acaba se desfibrando num pretenso tom poético.


12º “Teu”, de Anna Lisboa – 6 pts.

Procura alçar voo, mas acaba se perdendo num prosaísmo desfibrado e desarticulado.


RANKING OFICIAL FINAL (DEFINITIVO)


CAMPEÃ:

LETÍCIA SIMÕES (ALICE LOBO) - 250,5 pontos.

VICE-CAMPEÃ:

CINTHIA KRIEMLER (LUNE) – 246 pontos.

TERCEIRO COLOCADO:

GEOVANI DORATIOTTO (G.D) – 244 pontos.

QUARTO COLOCADO:

HENRIQUE CÉSAR CABRAL (GASPAR) – 241 pontos.

QUINTA COLOCADA:

ANA LÚCIA PIRES (ANNA LISBOA) – 239,5 pontos.

SEXTO COLOCADO:

WENDER MONTENEGRO (MANOEL HELDER) – 227,5 pontos.

SÉTIMO COLOCADO:

FLÁVIO MACHADO (DERSU UZALA) – 226, 5 pontos.

OITAVO COLOCADO:

FRANCISCO FERREIRA (JOÃO SARAMICA) – 222 pontos.

NONA COLOCADA:

ANA BEATRIZ MANIER (BAROLO) – 215,5 pontos.

DÉCIMO COLOCADO:

HERNANY TAFURI (NONADA F.C.) – 208,5 pontos.

DÉCIMO PRIMEIRO COLOCADO:

THIAGO LUZ (JEAN JACQUES) – 200,5 pontos.

DÉCIMO SEGUNDO COLOCADO:

MARCO ANTÔNIO TOZZATO (PER-VERSO) – 200 pontos.



PARABÉNS, GRANDES POETAS LUTADORES!


PARABÉNS, LETÍCIA SIMÕES, PELA GRANDE CAMPANHA!


FIM DO II CONCURSO DE POESIA AUTORES S/A



AUTORES S/A

12 comentários:

Anna Lisboa disse...

Muito obrigada pelos pontos, gente, mesmo. Muito obrigada Gaspar, fiquei emocionada! Agora, ja que posso postar minha duvida, aqui esta:
Devo morrer hoje, hoje agora, hoje mais tarde ou amanha???? ;)

Lohan Lage Pignone disse...

Morra hoje mas só depois do resultado: morra de poesia, Anna!

Bjs! Guentem firme!

asth disse...

que ruflem os tambores!

Dante O velho disse...

Ai Carai!

Paulo Fodra disse...

Queria avisar os finalistas que tem jurado que também está prestes a morrer do coração... :S

Cinthia Kriemler disse...

Kkkkkkkkkk Solidário, nosso jurado Paulo Fodra! Faremos uso de uma UTI coletiva!

Ana Beatriz Manier disse...

Parabéns Ana Letícia, Cintia e Geovani pelo ouro, prata e bronze!
E viva todos nós por nossos poemas e colocações. Beijos!

Cinthia Kriemler disse...

Ana Beatriz, obrigada! Viva os 12 peregrinos do Lohan! rs Só quem passa sabe! Parabéns! BH

Anônimo disse...

Parabéns para o concurso e para os vencedores.

Andréa Amaral disse...

Mais um concurso realizado, mais autores, mais poetas, mais poesia. Parabéns à todos que participaram e aos vencedores.

asth disse...

foi lindo! o resultado foi bacana! e todos são ótimos! Parabéns aos organizadores, aos jurados e poetas!

Landoni Cartoon disse...

Parabenizo ao blog pela grandiosa realização e, é claro, congratulações à Pena mais brilhante do concurso: Letícia Simões!

A todos os poetas, grande abraço e consideração!