sexta-feira, 8 de julho de 2011

Comentários, notas e anúncio do Campo Platônico do Top 13

APRESENTAÇÃO:

Jurados: Ângelo Farias e Ludmila Maurer
Jurado convidado: Geraldo Lima

NOTA:

O jurado Nilto Maciel, mais uma vez, não pôde participar, por motivos pessoais. Nesta rodada, teremos 3 jurados. Obrigado pela compreensão.

Entrevista com Geraldo Lima

Geraldo Lima nasceu em Planaltina (GO), em 1959, e mora em Sobradinho, DF.  Formado em Letras pelo CEUB e Francês pela Aliança Francesa de Brasília, trabalha como professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira na SEDF.  Escritor e dramaturgo, publicou os livros A noite dos vagalumes (contos, Prêmio Bolsa Brasília de Produção Literária, FCDF), Baque (contos, LGE Editora/FAC), Nuvem muda a todo instante (infantil, LGE Editora), UM (romance, LGE Editora), Tesselário (minicontos, Selo 3x4, Editora Multifoco) e Trinta gatos e um cão envenenado (peça de teatro, Ponteio Edições). É colunista dos sites O BULE www.o-bule.com e Portal Entretextos http://portalentretextos.com.br. Colabora com o Jornal de Sobradinho, DF, com o Jornal Opção, em Goiânia, e com a revista TriploV www.triplov.com. Mantém o blog Baque: www.baque-blogdogeraldolima.blogspot.com. E-mail: gera.lima@brturbo.com.br

Lohan: Olá, Geraldo. Primeiramente, é um prazer recebê-lo aqui, no blog Autores S/A. Muitos programas midiáticos, ultimamente, têm apresentado uma crítica social muito bem construída sob a égide da sátira, do bom humor. Eu os chamo de neo-gilvicentinos. Você aprecia este tipo de crítica? Não estaria havendo uma banalização desta crítica, considerando-se o extenso número de profissionais que se utilizam desta atitude satírica e cômica para dirigirem suas críticas? 

Geraldo Lima: Primeiro, quero agradecer pelo convite e espero contribuir para o sucesso do evento. De fato, tem surgido um número considerável de programas midiáticos que exploram esse filão do humor com um viés de crítica social. Penso, no momento, num programa como CQC. Há boas tiradas ali e enfoques contundentes de questões sociais que afligem o dia a dia da população mais carente. Tem funcionado. Agora, se a fórmula se repete ad nauseam, a tendência é perder a eficácia. Gosto, particularmente, do humor corrosivo, que deixa à mostra o ridículo de certas convenções sociais e de comportamentos travestidos de falso moralismo. Aí temos que lançar o olhar para o passado e nos lembrarmos de Aristófanes, Gil Vicente, Molière, no teatro, e, na poesia, da sátira de Gregório de Matos Guerra e de Luiz Gama.

Lohan: O tema desta etapa do concurso é a Crítica Social. Muitas obras literárias e musicais são responsáveis por belas e eficazes críticas sociais. Um bom exemplo é a canção Que país é este?, da saudosa banda Legião Urbana. Geraldo, afinal, que país é este?

Geraldo Lima: Ainda estou à procura da resposta também. Mas dá pra intuir algumas coisas. Digo que temos uma cultura variada, riquíssima, única, que poderia funcionar como a base de propulsão para nos projetar de fato no tão vaticinado “País do futuro”. Mas, paralelo a isso, a essa cultura impressionante, corre a vileza, o mau-caratismo, a desumanidade de gestores públicos e políticos que nos impedem de avançar. Soma-se a isso a impunidade patrocinada por uma Justiça frouxa e ineficiente e tem-se o retrato de um país fadado a viver da expectativa de se tornar grandioso. Como diz a letra da música da Legião Urbana: “Ninguém respeita a Constituição/mas todos acreditam no futuro da nação”.  

Lohan: Um texto, para I. Kant, só é tratado como literatura quando consegue gerar, de alguma forma, um resultado estético - quando gera alguma forma de sensação no leitor, seja prazer ou outra emoção. Qual a sensação que a poesia lhe causa? O que é uma poesia de qualidade, na sua opinião? Você aconselharia aos poetas desta competição a se manterem numa linearidade estilística ou a ousarem e explorarem novos vieses literários?
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Geraldo Lima: Uma das funções do texto literário é causar esse prazer estético de que nos fala Kant. E mesmo quando se propõe a fazer crítica social, não pode se esquecer de que se trata, primeiramente, de um texto literário. Como disse Ezra Pound, literatura é linguagem carregada de significado. No caso da poesia, o tratamento que se dá à linguagem é no sentido de provocar o estranhamento, a surpresa, o encantamento, a reflexão. Em mim, a poesia causa arrebatamento. O que procuro na leitura de um poema, em primeiro lugar, é esse estranhamento, esse choque por me encontrar diante de algo aparentemente inapreensível pelo filtro da razão. É só depois mesmo que se deve fazer uso da razão para entender o poema, como nos ensinou Octávio Paz. Considero que há poesia de boa qualidade quando o poeta conjuga de maneira equilibrada forma e conteúdo, deixando transparecer seu estilo, sua alma, ou seja, aquilo que o torna original. A busca dessa originalidade é imperiosa na modernidade. Ousar se torna, então, algo importante. Mas dizer, aqui, que cada poeta desta competição deve romper com a linearidade estilística e procurar novos vieses literários é bastante complicado. Penso, nesse caso, em Drummond, autor de uma poesia que apresenta uma grande variedade temática e técnica, e João Cabral de Melo Neto, cuja poesia aborda poucos temas e apresenta uma variação estilística mínima. E os dois, obedecendo à própria sensibilidade, são geniais. 

Lohan: Pra terminar, qual mensagem você deixa aos poetas em relação ao tema desta rodada (Crítica Social)?

Geraldo Lima: Fazer poesia de cunho social, ou de crítica social, não é fácil. Exige que o poeta saiba dosar com justeza forma e conteúdo, para que o caráter de crítica às mazelas sociais não se sobreponha demais àquilo que é próprio da poesia: o ritmo, o sentido plurissignificativo da linguagem poética, a capacidade de surpreender. Do contrário, o poema vira apenas um instrumento de crítica social, caindo, muitas vezes, no panfletário. Lembro-me de muitos poemas da década de setenta, no auge da repressão militar, que criticavam duramente a ditadura e professavam o advento da liberdade. Hoje, relendo-os, vejo o quanto são verdadeiros na intenção de querer mudar a realidade, porém, quando vistos a partir da estética, da análise literária, apresentam-se pobres, inexpressivos poeticamente. São poemas engajados sem nenhuma poesia. Bem intencionados, mas apenas isso. Penso que Castro Alves, Carlos Drummond de Andrade e o Ferreira Gullar menos ligado ao partido são bons exemplos de como fazer um poema de crítica social sem perder o sentido do poético. Posso encerrar dizendo que o melhor conselho de como se portar na feitura do poema foi dado por Drummond no poema ‘Procura da poesia’. Não há como errar depois de lê-lo. Sucesso e boa sorte a todos!   

Caro Geraldo Lima, muito obrigado pela sua nobre participação!

SUGESTÃO DE LEITURA

Nesta rodada, a sugestão de leitura é da jurada Ludmila Maurer. Ela sugere:
 - "A morte e as zebras", de Bernardo Atxaga como ilustração da alucinação; do dizer algo que sabemos estar acontecendo, porém não sabemos exatamente o que está acontecendo.

- Caprichando, um cruzamento com o "O estouro da boiada", de Rui Barbosa.

POEMAS COMENTADOS E NOTAS (NOTAS DE: 05 a 10)

Pseudônimo: R.
Poema: Ao Mestre com carinho?

Ângelo Farias: E como cantou a Legião, “E nossa estória não estará pelo avesso / Assim, sem final feliz. / Teremos coisas bonitas pra contar.  // E até lá, vamos viver / Temos muito ainda por fazer / Não olhe pra trás / Apenas começamos. / O mundo começa agora / Apenas começamos.”  Mas sem autocomplacência e ressemantizando essa vida de histórias marcadas.
Nota: 7

Ludmila Maurer: Cabe ao poeta desvelar o que os outros olhos não leem.
Nota: 5

Geraldo Lima: O título diz “Ao mestre com carinho”, mas o texto fala somente da professora.  O problema começa aí, com essa incoerência. Mas não é este o erro mais grave deste texto. Para mim, não se trata de poesia. Tem forma de poema, as frases estão dispostas como se fossem versos, mas não se trata de poesia, pois falta o essencial: poeticidade. A intenção é boa, destacar o papel relevante do professor e da professora na formação do indivíduo, mas não se realiza enquanto texto poético. E aqui se trata de analisar o texto como poema, ou seja, como “linguagem carregada de significado”.
Nota: 5

Pseudônimo: León Bloba
Poema: Bueiro

Ângelo Farias: Você precisa apostar mais no leitor e ter confiança para radicalizar essas interessantes metáforas insinuadas e realizar o potencial sugestivo do seu texto.  Você faz a poesia que faz o que a poesia faz.
Nota: 7

Ludmila Maurer: O poema faz força para se segurar com momentos estratégicos e o poeta mostra-se querer sair da sombra, descobrindo seu ritmo.
Nota: 8

Geraldo Lima: O ritmo ligeiro, próprio da redondilha (boa parte dos versos tem sete sílabas poéticas), acentua o caráter popular do poema. Lembra poesia de cordel ou  letra de rap. O poema funciona como um instrumento que detona a superfície da urbe e deixa à mostra as mazelas sociais. Metalinguagem e crítica social andam juntas nesse caso, e funcionam muito bem.
Nota: 8,5

Pseudônimo: Bambina
Poema: Coitado do Mundo

Ângelo Farias: As enumerações não tem valor de per si, e elas estão crispando de tão sugestivas que podem ser aqui, para fazer poesia do seu manifesto.
Nota: 7

Ludmila Maurer: Processo de palavra que puxa palavra, mas chega ao lugar comum.
Nota: 7

Geraldo Lima: O uso excessivo da rima interna, ou o que parece ser a intenção de usá-la, torna tudo banal, desviando a atenção do foco principal que seria expor o quanto o homem maltrata o mundo. O discurso poético fica muito vago e a crítica não se  materializa. O que se percebe é que o corpo do poema é uma sucessão de versos mal alinhavados. Falta nesse caso, também, intimidade com a obra dos grandes poetas.
Nota: 5

Pseudônimo: O Velho
Poema: é hora

Ângelo Farias: Poesia social não é só manifesto, é o socialmente poético, e o Gullar na sua poesia sabe disso.  Mostre, então, o que cabe na poesia, meu Velho!
Nota: 6,5

Ludmila Maurer: A crítica seria mais afortunada se a sugestão ‘voto’ não encarnasse tantos questionamentos. E, ‘Velho’, você retirou mesmo o papel da poesia?
Nota: 7,5

Geraldo Lima: Faltou poesia. E a tentativa de mostrar a passagem do tempo da ditadura para o da democracia torna-se inconsistente. Muito didático no final.
Nota: 6


Pseudônimo: Ivanúcia Lopes
Poema: Gente Pequena

Ângelo Farias: Você tem de explorar mais as possibilidades de expressão que apresenta como base de sua poesia.  As polissemias que pode uma expressão como a do título, por exemplo.
Nota:7,5

Ludmila Maurer: Rápida lembrança de seu “Mosaico”. Você parece presa a um estilo; acredito no seu porvir.
Nota: 7,5

Geraldo Lima: Sem dúvida alguma, o poema “O bicho”, de Manuel Bandeira, está na base de composição desse poema de Ivanúcia Lopes, tanto em relação à estrutura quanto em relação à temática.  É com ele que a poeta dialoga. É nele e na realidade que não se altera nunca (“Vi ontem. Anteontem. E há muito tempo”) que ela se inspira. O resultado, do ponto de vista poético, é muito bom.
Nota: 9


Pseudônimo: Semprepoeta
Poema: INDIGNAÇÃO

Ângelo Farias: Faltou a ironia apenas sugerida na hora mais mortal.
Nota:7,5

Ludmila Maurer: Com os versos quebrados, prosaicos e a lírica redundante”.
Nota: 7

Geraldo Lima: Embora o poeta explicite, usando o recurso da metalinguagem, as deficiências estéticas do poema, continua a sobressair a ausência de poeticidade do texto. O refrão, por exemplo, é muito didático, muito panfletário. Não basta a indignação para se fazer boa poesia, para se tocar a mente e o coração do leitor. Neste caso, a base deve ser sempre a linguagem poética. É através dela que o sentido do texto se amplia.
Nota: 5

Pseudônimo: J. J. Wright
Poema: Imóbile

Ângelo Farias: Densus, noir até. 
Nota:8

Ludmila Maurer: Bendita condensação expressiva.
Nota: 10

Geraldo Lima: Vale por um certo estranhamento que nos provoca, tanto pelas imagens que beiram o surreal, como é o caso de “e uma menina mutilando/a noite”, quanto pelo ritmo cadenciado, repetitivo. Já o sentido de imobilidade e incomunicabilidade é intensificado pela presença da anáfora: “Tanto silêncio”, “Tanto sigilo” etc. Em “Ah, tanto enigma/e uma cidade ensopada/de medo” vi ecos de Édipo Rei, de Sófocles. É do tipo de poema que exige mais de uma leitura para nos aproximarmos de seu sentido. Posta-se diante do leitor como a Esfinge diante de Édipo na entrada de Tebas.   
Nota: 8,5

Pseudônimo: Príncipe Desavisado
Poema: Intolerância coletiva

Ângelo Farias: Esse didatismo de cinema americano é o opressor de sua poesia, essa história toda esmiuçada é que é o seu algoz reacionário.  Mas já está na hora da fuga e revolução.
Nota: 7

Ludmila Maurer: Ideia: criar uma alegoria para desenvolver seu título.
Nota: 6,5

Geraldo Lima: O protesto contra a absurdidade da guerra e a violência insana do terrorismo é sempre válido, mas para que isso funcione criticamente, através da poesia,  e sensibilize o leitor,  há que se cuidar dos aspectos intrínsecos ao poema. Foi o que faltou ao poema de Príncipe Desavisado.   Basta ler a última estrofe do poema para sentir, por exemplo, a ausência de um ritmo envolvente, arrebatador. Salva-se a segunda estrofe com uma enumeração mais equilibrada e uma visão crítica mais consistente.
Nota: 6

Pseudônimo: Paracauam
Poema: Momento crítico

Ângelo Farias: O eixo imagético do poema está trepidando, os jogos formais podem mais do que ornar no seu texto, como já vi antes, e essa pontuação te pertence, tem de te pertencer.
Nota: 7,5

Ludmila Maurer: Segundo Mallarmé, o poema é feito de palavras e, segundo o exemplo de João Cabral de Mello Neto, palavras sugestivas conferem ao poema o estranhamento peculiar à arte. Sendo o tema difícil, pois muito se fez sobre crítica social, a aproximação deve ser com cautela; o autor há de se posicionar diante, saber explorar. Momentos no poema há de força versus a ‘armadilha do diabo’ (lugar comum).
Nota: 7,5

Geraldo Lima: Nada funciona nesse poema. Nem no aspecto ideológico, como veículo de crítica social, nem no poético, como uma estrutura marcada pelo ritmo, pelo jogo sonoro e pela presença de imagens que arrebatem o leitor. As palavras são dispostas nos versos, em algumas passagens, apenas com o objetivo de provocar a rima, como se isso fosse o essencial na composição do poema. Parece-me que falta, nesse caso, uma intimidade maior com os textos dos bons poetas. 
Nota: 5

Pseudônimo: Alan de Longe
Poema: Operariado

Ângelo Farias: Você mostra que procura o poético no social, e mostra que pode pagar para a poesia mais do que alguns mínimos para aproveitar os insights, então leve adiante a ressignificação dos clichês e aproveite sem poupar esses jogos verbais.
Nota: 8

Ludmila Maurer: Faltou a novidade.
Nota: 7,5

Geraldo Lima: Com um pouco mais de labor, o poema poderia alcançar um refinado maior.  Imagem poética como  “A mulher com boca de capataz/ esgoela: ‘Carpe diem’!” chega a nos lembrar os versos surrealistas de Murilo Mendes.  O ponto forte do poema é, sem dúvida, a presença de um eu lírico que faz ressoar a voz dos menos favorecidos socialmente.
Nota: 7

Pseudônimo: Anjo
Poema: P r E p O t Ê n C i A

Ângelo Farias: E quando o concretismo e o social... e quando Gullar e Leminski...  Ficam os Campos esperando por você...  Ah, que querem esses anjos para voar?!
Nota: 6,5

Ludmila Maurer: Este tipo de poesia que parece você sugerir foi também chamado (ou confundido) com poesia visual. Só não percebo um visual para a sua.
Nota: 6

Geraldo Lima: A poesia concreta nos legou bons poemas visuais, alguns com um forte apelo de crítica social, mas, enquanto movimento de vanguarda, já se esgotou. Querer explorar essa vertente da poesia brasileira da década de 50, sem estar munido dos pressupostos teóricos e técnicos que orientaram os seus criadores, é correr o risco de cair no vazio. É o que acontece com o poema de Anjo: ele se perde entre o apelo visual e a intenção crítica.
Nota: 5

Pseudônimo: Aline Monteiro
Poema: Ressaca

Ângelo Farias: A ressaca deixou algumas dificuldades metafóricas na sua poesia, nada muito Copacabana, mas são coisas que você tem de resolver. 
Nota: 7,5

Ludmila Maurer: Busque maior riqueza em intertextualidades.
Nota: 6

Geraldo Lima: Através da voz e do olhar de espanto do eu lírico, somos introduzidos no universo de miséria e de solidão dos moradores das palafitas. Assim como o eu lírico, nós nos comovemos. Ao reforçar a ausência do “chão”, como elemento concreto onde o indivíduo se sente seguro, o poeta explicita bem o aspecto de exclusão de boa parte da população brasileira. Mas só isso não seria suficiente para afirmamos que se trata de um bom poema. Se ele toca a nossa sensibilidade, se nos emociona, é porque apresenta qualidades estéticas que o tornam relevante poeticamente. Talvez a terceira e a última estrofes careçam de uma burilada para alcançar um impacto melhor sobre o leitor.
Nota: 8,5

Pseudônimo: Cervan
Poema: trava vida

Ângelo Farias: No ápice, de barriga cheia, você desiste e corta.  E eu fiquei esfomeadíssimo sobre o que você diria sobre dez pratos de tristeza para um preto triste, ou sobre dez pratos de pretos, ou sobre tantos outros pratos de poesia que você ameaça, mas não serve – e servem!  Por quê?!
Nota: 6

Ludmila Maurer: Derrota, choque emocional e tristeza bem sedimentados pela força da repetição.

Nota: 8

Geraldo Lima: O autor explora com eficácia o recurso do trava-língua para explicitar os elementos que emperram o avanço social do negro no Brasil e, quiçá, em outros países. Não sei se intencional, mas o poema parece dialogar com o título do livro de Cabrera Infante, “Três tristes tigres”, que é, também, um trava-línguas infantil bem conhecido. É, do ponto de vista poético, um texto bem resolvido, tanto no aspecto sonoro quanto no imagístico. O uso da repetição imprime, na memória do leitor, a imagem do “preto triste” e a causa dessa tristeza. É para não se esquecer, está bem claro.
Nota: 8,5

RESULTADO DO CAMPO PLATÔNICO DO TOP 13

De acordo com as notas atribuídas pelos jurados, os três poetas menos votados nesta rodada que irão disputar no Campo Platônico a permanência na competição são:

*BAMBINA (Por “Coitado do Mundo” – 19 pts.)
*ANJO (Por “P r E p O t Ê n C i A” – 17,5 pts.)
*R. (Por “Ao Mestre com carinho?” – 17 pts.)

(Acesse o perfil desses candidatos no blog, e saiba mais sobre o histórico deles neste concurso).

Eis o ranking desta rodada (votação dos jurados):
1º J. J. Wright (Por "Imóbile" – 26,5 pts.)
2º Ivanúcia Lopes (Por “Gente Pequena”- 24 pts.)
3º León Bloba (Por "Bueiro" – 23,5 pts.)
4º Alan de Longe (Por "Operariado" – 22,5 pts.)
5º Cervan (Por "trava vida" – 22,5 pts.)
6º Aline Monteiro (Por "Ressaca" - 22 pts.)
7º O Velho (Por "é hora" - 20 pts.)
8º Paracauam (Por "Momento Crítico" - 20 pts.)
9º Semprepoeta (Por "INDIGNAÇÃO " – 19,5 pts.)
10º Príncipe Desavisado (Por "Intolerância Coletiva" - 19,5 pts.)
11º Bambina (Por "Coitado do Mundo" - 19 pts.)
12º Anjo (Por "P r E p O t Ê n C i A" – 17,5 pts.)
13º R. (Por "Ao Mestre com carinho?" - 17 pts.)

Apenas um (1) desses três candidatos (em vermelho) irá se salvar. Dirija-se à enquete ao lado e vote naquele que você deseja que seja o eliminado da competição. Os dois menos votados deixarão o I Concurso de Poesia Autores S/A. Agradecemos a atenção de todos. Parabéns aos que resistiram nessa rodada e boa sorte aos candidatos que estão no temido Campo Platônico. A votação será encerrada amanhã, às 23:30 horas. Obrigado, Autores S/A.
O que acharam do resultado do Top 13? Comentem!

6 comentários:

Rafael Rodrigues disse...

Achei o resultado desta etapa muito preciso. Imagino a dificuldade ao criar um poema desse tipo. Sinto os poemas (dos muitos que leio em blogs e livros de jovens autores) muito afastados dessa relação entre forma artística e crítica social (talvez um medo de parecer cafona ou panfletário; observo um receio em assumir partidos - não defendo essa necessidade, porém acho que o poema que almeja uma crítica social pode e deve ser sincero, quase que uma confissão ou um susto, isso! um registro da relação da pessoa do poeta com a rua, um espanto).
Tô aqui acompanhando e já guardando (e aguardando os próximos poemas) os meus poetas e poemas preferidos.

Anônimo disse...

Parafraseando Lobão:

..."Não dá para controlar, não dá
Não dá pra planejar
Eu (ligo o rádio)(leio as críticas)
E blá, blá, blá, blá, blá, blá"...

- Gostos e cores, também se discutem.-

Anônimo disse...

Parafraseando Lobão:

..."Não dá para controlar, não dá
Não dá pra planejar
Eu (ligo o rádio)(leio as críticas)
E blá, blá, blá, blá, blá, blá"...

- Gostos e cores, também se discutem.-

Felipe Neto Viana disse...

Gostos, cores, sexos, rocks, religião, tudo isso se discute. E se respeita. Por favor, o comentário acima é uma falta de respeito para com os jurados. E ainda me chamaram de palhaço em outro espaço.

O que é blá, blá, blá para você pode ser um aprendizado para outro. Depende da sua receptividade. Por isso sou totalmente adepto à teoria da recepção. Suponho que seja um poeta dessa leva, pelo teor crítico de seu comentário. Por que não revelar-se? Critica o comentário do júri e os teme. Teme os blá, blá, blá?

Tudo se discute, ainda bem! E se respeita.

Cordialmente,
F.N.V (SP)

Anônimo disse...

Eu percebi que meu poema ficou didático e panfletário, quando terminei de fazê-lo, mas não havia mais tempo... Tenho muitos textos de crítica social. Os melhores já foram publicados e os outros, estavam aquém do concurso. Está repetitivo fazer literatura com crítica social. Não aparecem situações novas, as velhas mazelas é que se multiplicam. Achei a minha Indignação parecida com o É hora, do o VELHO. Pretendi dizer, que somente a indignação não leva a nada, a mobilização vem através do voto e não na desobediência civil vã. Ele foi mais sucinto e objetivo. Vivo em uma região de siderúrgicas. Ainda tenho essa liga de panfletagem da classe operária e suas greves. (Semprepoeta)

Anônimo disse...

Felipe Neto: continue criticando, estamos aqui para isso. Se fosse para ouvirmos elogios, leríamos os nossos poemas para os parentes, que diriam "gostei" e "interessante". É raro alguém se dispôr a ler blogs de poemas e ainda comentá-los. Isso é ATITUDE, é uma boa AÇÃO em prol da poesia... rs. Como escritores devemos estar abertos às críticas e dispostos a amadurecermos com elas. Os jurados e leitores deste concurso, esperam novidades dos participantes e não apenas poemas de clichês e frases feitas. Estamos na próxima, contamos com os seus comentários e com os dos outros leitores também. (Semprepoeta )