quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Veto

“Deus só em dá o sonho.
O resto me toma, indiferente aos gritos, [...]” (Adélia Prado)



e de repente, por vezes e inteiras vezes
é como se a poesia me fosse proibida.
mordaça na boca,
faca no peito, como ensina adélia.
o olho faminto e seco.
e nem mesmo o travesseiro
cheio dessas formigas mortas
me acena o direito ao grito.
os versos, os verbos, os vícios
tudo roubam de mim
como separam fim e começo
filho perdido da mãe
vontade e gesto.
um mundo todo negado
palavras probidas
desejos impossíveis
se fazem calar em todos os olhos
e restam o chão e as figuras frias
a limpeza das paredes brancas sem conflitos
a cela tingida do silêncio
que nunca poderá ser poesia.

2 comentários:

Silvana Nunes .'. disse...

Olá, bom dia.
Vim dar uma volta no seu cantinho e agradecer palavras tão carinhosas para com o meu trabalho. Muito obrigada mesmo . Faço com muito gosto.
Não deixe de voltar mais vezes, FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... terá sempre uma história para contar.
Beijo grandão.
Saudações Florestais !
Silvana Nunes.'.

Sidarta disse...

Dani,

Interessante como parece que, às vezes, existe a hora certa de se ler determinadas palavras. Porque as suas me falaram, me tocaram como em outros momentos (lembra?).

Quando diz que "é como se a poesia me fosse proibida", talvez eu estivesse me sentindo assim ultimamente, e não conseguia explicar.

Em "os versos, os verbos, os vícios / tudo roubam de mim", idem.

A partir de hoje quero roubá-los de volta.

E se aquele ditado for verdadeiro, que "ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão"... Bem, então eu o farei com a consciência tranquila.